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MAVEN DETETA AURORAS E MISTERIOSA NUVEM DE POEIRA EM TORNO DE MARTE
20 de março de 2015

 

A sonda MAVEN (Mars Atmosphere and Volatile Evolution) da NASA observou dois fenómenos inesperados na atmosfera de Marte: uma nuvem de poeira a alta altitude, ainda sem explicação, e uma aurora que atinge profundamente a atmosfera marciana.

A presença de poeira em altitudes orbitais que vão desde os 150 até aos 300 km acima da superfície é imprevista. Embora a origem e composição da poeira sejam desconhecidas, não há perigo para a MAVEN e para as outras sondas em órbita de Marte.

"Se a poeira é originária da atmosfera, isto sugere que nos está a faltar algum processo fundamental na atmosfera de Marte," afirma Laila Andersson do Laboratório para Física Atmosférica e Espacial da Universidade do Colorado, em Boulder, EUA.

A nuvem foi detetada pelo instrumento LPW (Langmuir Probe and Waves) a bordo da sonda e está presente desde que chegou ao planeta. Não se sabe se a nuvem é um fenómeno temporário ou algo mais duradouro. A densidade da nuvem é maior em altitudes mais baixas. No entanto, mesmo nas áreas mais densas é ainda muito fina. Até ao momento quaisquer dos outros instrumentos da MAVEN não viram indícios da sua presença.

As possíveis fontes para a poeira observada incluem poeira que subiu a partir da atmosfera; poeira oriunda de Fobos e Deimos, as duas luas de Marte; poeira que se move no vento solar para longe do Sol; ou detritos que orbitam o Sol originários de cometas. No entanto, nenhum processo conhecido em Marte pode explicar a existência da poeira nos locais observados nem de qualquer uma destas fontes.

O instrumento IUVS (Imaging Ultraviolet Spectrograph) da MAVEN observou o que os cientistas chamaram de "luzes de Natal". Nos cinco dias que antecederam o dia 25 de dezembro, a MAVEN observou um brilho auroral ultravioleta no hemisfério norte de Marte. As auroras, conhecidas na Terra como auroras boreais e austrais, são provocadas por partículas energéticas, como eletrões, que colidem com a atmosfera e fazem com que o gás brilhe.

"O que é especialmente surpreendente acerca da aurora que vimos é quão profundamente ocorre na atmosfera - muito mais abaixo que na Terra ou em qualquer outro lugar de Marte," afirma Arnaud Stiepen, membro da equipa do IUVS na Universidade do Colorado. "Os eletrões que a produzem devem ser mesmo energéticos."

A fonte das partículas energéticas parece ser o Sol. O instrumento SEP (Solar Energetic Particle) da MAVEN detetou um grande aumento de eletrões energéticos no início da aurora. Há milhares de milhões de anos atrás, Marte perdeu o seu campo magnético global, parecido ao da Terra, por isso as partículas solares podem atingir diretamente a atmosfera. Os eletrões que produzem a aurora têm cerca de 100 vezes mais energia do que uma faísca produzida pela corrente elétrica doméstica, por isso podem penetrar profundamente na atmosfera.

Os achados foram apresentados na 46.ª Conferência de Ciência Lunar e Planetária no estado americano do Texas.

A MAVEN foi lançada para Marte no dia 18 de novembro de 2013, com o objetivo de resolver o mistério de como o Planeta Vermelho perdeu a maioria da sua atmosfera e grande parte da sua água. Chegou a Marte no dia 21 de setembro e está no seu quarto mês da missão principal, missão esta com a duração de um ano terrestre.

"Todos os instrumentos científicos da MAVEN estão trabalhando normalmente e os dados que recebemos são excelentes," afirma Bruce Jakosky do Laboratório para Física Atmosférica e Espacial da Universidade do Colorado, investigador principal da missão.

A MAVEN faz parte do Programa de Exploração de Marte da agência, que inclui também os rovers Opportunity e Curiosity, a Mars Odyssey e a MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) atualmente em órbita do planeta.

O Programa de Exploração de Marte da NASA procura caracterizar e compreender Marte como um sistema dinâmico, incluindo o seu ambiente passado e presente, os ciclos climáticos e o seu potencial geológico e biológico. Em paralelo, a NASA está desenvolver as capacidades de voos espaciais tripulados necessários para uma viagem de ida e volta a Marte na década de 2030.

Links:

Cobertura da missão MAVEN pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
19/12/2014 - MAVEN identifica elos da cadeia que leva a perda atmosférica
23/09/2014 - MAVEN chega a Marte, amanhã é a vez da indiana Mangalyaan
19/09/2014 - MAVEN chega a Marte este fim-de-semana 
19/11/2013 - Lançamento da MAVEN 
15/11/2013 - MAVEN vai investigar o que aconteceu em Marte 
01/11/2013 - NASA prepara lançamento da 1.ª missão de exploração da atmosfera marciana

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Universidade do Colorado (comunicado de imprensa)
Nature
Astronomy
SPACE.com
Universe Today
NewScientist
AstronomyNow
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MAVEN:
NASA
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Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
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Impressão de artista do instrumento IUVS (Imaging UltraViolet Spectrograph) da MAVEN a observar as auroras em Marte. As observações da MAVEN mostram que as auroras em Marte são parecidas às auroras boreais da Terra mas que têm uma origem diferente.
Crédito: Universidade do Colorado
(clique na imagem para ver versão maior)


Mapa das deteções ultravioletas e aurorais do IUVS em dezembro de 2014, sobrepostas sobre a superfície do planeta. O mapa mostra as auroras por cima do hemisfério norte, mas não ligadas a uma posição geográfica em específico. As auroras foram detetadas durante um período de 5 dias.
Crédito: Universidade do Colorado
(clique na imagem para ver versão maior)

 
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