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PODERIA A TERRA SER AINDA MAIS HOSPITALEIRA À VIDA?
13 de setembro de 2022

 


Os vários graus de excentricidade orbital em torno de uma estrela central.
Crédito: NASA/JPL-Caltech

 

De todos os planetas conhecidos, a Terra é tão amiga da vida como qualquer planeta poderia ser - ou será? Se a órbita de Júpiter mudasse, um novo estudo mostra que a Terra poderia ser mais hospitaleira do que é hoje.

Quando um planeta tem uma órbita perfeitamente circular em torno da sua estrela, a distância entre a estrela e o planeta nunca muda. A maioria dos planetas, contudo, tem órbitas "excêntricas" em torno das suas estrelas, o que significa que a órbita tem uma forma oval. Quando o planeta se aproxima da sua estrela, recebe mais calor, afetando o clima.

Utilizando modelos detalhados baseados em dados do Sistema Solar como o conhecemos hoje, investigadores da Universidade da Califórnia em Riverside criaram um sistema solar alternativo. Neste sistema teórico, descobriram que se a gigantesca órbita de Júpiter se tornasse mais excêntrica, induziria, por sua vez, grandes mudanças na forma da órbita da Terra.

"Se a posição de Júpiter permanecesse a mesma, mas a forma da sua órbita mudasse, poderia de facto aumentar a habitabilidade deste planeta", disse Pam Vervoort, cientista planetária da UCR e autora principal do estudo.

Entre zero e 100 graus Celsius, a superfície da Terra é habitável para múltiplas formas de vida conhecidas. Se Júpiter empurrasse a órbita da Terra para se tornar mais excêntrica, partes da Terra aproximar-se-iam por vezes do Sol. Partes da superfície da Terra que agora estão congeladas ficariam mais quentes, aumentando as temperaturas na gama habitável.

Este resultado, agora publicado na revista The Astronomical Journal, vem refutar duas suposições científicas há muito defendidas sobre o nosso Sistema Solar.

"Muitos estão convencidos de que a Terra é o exemplo perfeito de um planeta habitável e que qualquer mudança na órbita de Júpiter, sendo o planeta massivo que é, só poderia ser má para a Terra", disse Vervoort. "Mostrámos que ambas as suposições estão erradas".

Os investigadores estão interessados em aplicar esta descoberta à procura de planetas habitáveis em torno de outras estrelas, os chamados exoplanetas.

"A primeira coisa que as pessoas procuram num rastreio exoplanetário é a zona habitável, a gama de distâncias até à estrela onde há energia suficiente para a existência de água líquida à superfície do planeta", disse Stephen Kane, astrofísico da UCR e coautor do estudo.

Durante a sua órbita, diferentes partes de um planeta recebem mais ou menos raios diretos, resultando no planeta ter estações do ano. Partes do planeta podem ser agradáveis durante uma estação, e extremamente quentes ou frias noutra.

"Ter água à superfície é uma primeira métrica muito simples, e não é responsável pela forma da órbita de um planeta, ou variações sazonais que um planeta possa ter", disse Kane.

Os telescópios existentes são capazes de medir a órbita de um planeta. Contudo, existem factores adicionais que podem afetar a habitabilidade, tais como o grau de inclinação de um planeta em direção a uma estrela ou para longe dela. A parte do planeta inclinada para longe da estrela receberia menos energia, fazendo com que ficasse mais fria.

Este mesmo estudo concluiu que se Júpiter fosse posicionado muito mais perto do Sol, induziria uma inclinação extrema na Terra, o que faria com que grandes secções da superfície da Terra ficassem congeladas.

É mais difícil medir a inclinação, ou a massa de um planeta, pelo que os investigadores gostariam de trabalhar para encontrar métodos que os ajudassem a estimar também esses factores.

Em última análise, o movimento de um planeta gigante é importante na procura de fazer previsões sobre a habitabilidade dos planetas noutros sistemas, bem como na procura de compreender a sua influência neste Sistema Solar.

"É importante compreender o impacto que Júpiter teve no clima da Terra ao longo do tempo, como o seu efeito na nossa órbita nos mudou no passado e como nos poderá mudar mais uma vez no futuro", disse Kane.

 

 


A comparação de tamanho entre Júpiter e a Terra mostra porque é que quaisquer mudanças no que toca ao gigante gasoso teriam efeitos no nosso planeta.
Crédito: NASA


Uma zona habitável, aqui vista a verde, é definida como a região em torno de uma estrela onde a água líquida, um ingrediente essencial para a vida tal como a conhecemos, poderia potencialmente estar presente.
Crédito: NASA-JPL/Caltech


// Universidade da Califórnia, Riverside (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astronomical Journal)
// Artigo científico (arXiv.org)

Saiba mais

Terra:
NASA
CCVAlg - Astronomia
Nine Planets
Wikipedia

Júpiter:
NASA
CCVAlg - Astronomia
Nine Planets
Wikipedia

Sistema Solar:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia

 
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