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O impacto de um asteroide deslocou o eixo da maior lua do Sistema Solar
6 de setembro de 2024
 

Hirata Naoyuki, Universidade de Kobe, foi o primeiro a aperceber-se de que a localização do impacto de um asteroide na lua de Júpiter, Ganimedes, se situa quase exatamente no meridiano mais afastado de Júpiter. Este facto implicava que Ganimedes tinha sofrido uma reorientação do seu eixo de rotação e permitiu a Hirata calcular o tipo de impacto que poderia ter provocado esta situação.
Crédito: Hirata Naoyuki
 
     
 
 
 

Há cerca de 4 mil milhões de anos, um asteroide atingiu a lua de Júpiter, Ganimedes. Agora, um investigador da Universidade de Kobe, no Japão, apercebeu-se de que o eixo da maior lua do Sistema Solar se deslocou em resultado do impacto, o que confirma que o asteroide era cerca de 20 vezes maior do que aquele que pôs fim à era dos dinossauros na Terra, e causou um dos maiores impactos com vestígios claros no Sistema Solar.

Ganimedes é a maior lua do Sistema Solar, maior até do que o planeta Mercúrio, e é também interessante pelos oceanos de água líquida que se encontram sob a sua superfície gelada. Tal como a Lua da Terra, sofre acoplamento de maré, o que significa que mostra sempre o mesmo lado para o planeta que orbita e, portanto, também tem um lado oculto [para Júpiter]. Em grande parte da sua superfície, está coberta por sulcos que formam círculos concêntricos à volta de um ponto específico, o que levou os investigadores na década de 1980 a concluir que eram o resultado de um grande impacto. "As luas de Júpiter Io, Europa, Ganimedes e Calisto têm todas características individuais interessantes, mas o que me chamou a atenção foram estes sulcos em Ganimedes", diz o planetólogo da Universidade de Kobe, Hirata Naoyuki. E continua: "Sabemos que esta característica foi criada por um impacto de um asteroide há cerca de 4 mil milhões de anos, mas não tínhamos a certeza da dimensão desse impacto e do efeito que teve na lua".

Os dados sobre o objeto remoto são escassos, o que torna a investigação muito difícil, pelo que Hirata foi o primeiro a perceber que a suposta localização do impacto se situa quase precisamente no meridiano mais afastado de Júpiter. Com base em semelhanças com um evento de impacto em Plutão que causou a deslocação do eixo de rotação do planeta anão e do qual tomámos conhecimento através da sonda espacial New Horizons, isto implicava que Ganimedes também tinha sofrido uma reorientação desse tipo. Hirata é especialista na simulação de impactos em luas e asteroides, pelo que esta descoberta lhe permitiu calcular que tipo de impacto poderia ter provocado esta reorientação.

 

Distribuição dos sulcos e localização do centro do sistema de sulcos no hemisfério que está sempre voltado para longe de Júpiter (em cima) e no mapa de projeção cilíndrica de Ganimedes (em baixo). As regiões a cinzento representam terrenos geologicamente jovens sem sulcos. Os sulcos (linhas verdes) existem apenas em terrenos geologicamente antigos (regiões escuras).
Crédito: Hirata Naoyuki

 

Na revista Scientific Reports, o investigador da Universidade de Kobe publicou agora que o asteroide tinha provavelmente um diâmetro de cerca de 300 quilómetros, cerca de 20 vezes maior do que o que atingiu a Terra há 65 milhões de anos e pôs fim à era dos dinossauros, e criou uma cratera transiente com 1400 a 1600 quilómetros de diâmetro (as crateras transientes, amplamente utilizadas em simulações laboratoriais e computacionais, são as cavidades produzidas diretamente após a criação da cratera e antes do material assentar na cratera e à sua volta). De acordo com as suas simulações, apenas um impacto desta dimensão tornaria provável que a mudança na distribuição da massa pudesse fazer com que o eixo de rotação da lua se deslocasse para a sua posição atual. Este resultado é válido independentemente do local da superfície onde ocorreu o impacto.

"Eu quero compreender a origem e a evolução de Ganimedes e de outras luas de Júpiter. A colisão gigante deve ter tido um impacto significativo na evolução inicial de Ganimedes, mas os efeitos térmicos e estruturais do impacto no interior de Ganimedes ainda não foram investigados. Penso que a seguir poderá ser efetuada mais investigação sobre a evolução interna das luas geladas", explica Hirata.

Interessante pelos seus oceanos subterrâneos, Ganimedes é o destino final da sonda espacial JUICE da ESA. Se tudo correr bem, a nave espacial entrará em órbita à volta da lua em 2034 e fará observações durante seis meses, enviando uma grande quantidade de dados que ajudarão a responder às perguntas de Hirata.

// Universidade de Kobe (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Scientific Reports)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Quer saber mais?

Ganimedes:
NASA
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia

Júpiter:
NASA
CCVAlg - Astronomia
Nine Planets
Wikipedia

JUICE (Jupiter Icy Moons Explorer):
ESA
Wikipedia

 
   
 
 
 
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