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Edição n.º 1089
15/08 a 18/08/2014
 
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EFEMÉRIDES

Dia 15/08: 227.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1977, o Big Ear, um rádio-telescópio operado pela Universidada Estatal do Ohio, como parte do projecto SETI, recebe um sinal de rádio do espaço profundo; o evento é denominado de "sinal Wow!", a partir de uma anotação feita por um voluntário do projecto.

Observações: Durante as próximas manhãs, olhe bem baixo a Este-Nordeste cerca de 45-30 minutos antes do nascer-do-Sol em busca de Vénus e Júpiter, muito próximos um do outro.

Dia 16/08: 228.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1744, nascia Pierre Méchain, astrónomo francês que, com Charles Messier, foi um grande contribuidor para os primeiros estudos de objectos de céu profundo e cometas.
Em 1989, uma proeminência solar cria uma tempestade geomagnética que afecta microchips, fazendo parar a bolsa de Toronto.
Em 2000, depois de 18 meses de observações pelo Satélite Astronómico de Ondas Sub-milimétricas da NASA, ou SWAS, é anunciada a detecção de vapor de água no espaço interestelar.

"Podemos ver estes berçários estelares como gigantes fábricas químicas que produzem vapor de água a um ritmo tremendo. As grandes quantidades presentes nas regiões de formação estelar irão ajudar o gás interestelar a arrefecer, talvez eventualmente a despertar o nascimento de uma futura geração de estrelas."David Neufeld, professor de Física e Astronomia da Universidade John Hopkins.
Observações: Este Sábado, antes do nascer-do-Sol, Júpiter e Vénus estão separados por 2º.

Dia 17/08: 229.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1958, é lançada a Pioneer 0, a primeira tentativa dos EUA em atingir órbita lunar, usando os primeiros foguetões Thor-Able. A missão falha. No entanto, é notável por ser uma das primeiras a ir para lá da Terra. 
Em 1966 era lançada a sonda Pioneer 7.
Em 1970 a sonda soviética Venera 7 é lançada a partir do cosmódromo de Baikonur. Chega a Vénus em 15 de Dezembro de 1970. É a primeira nave a enviar dados para a Terra a partir da superfície de outro planeta. A Venera 7 teve também uma sonda gémea, lançada a 22 de Agosto, mas que permaneceu em órbita da Terra.
Em 1980, depois de 1400 órbitas em torno de Marte, a sonda Viking 1 foi desligada. Lançada a 25 de Agosto de 1975, a missão Viking revelou, na altura, as melhores imagens do planeta. Uma das suas fotografias mais famosas é a "Cara em Marte". 
Em 1999 a sonda Cassini passava pela Terra (1166 km), sobre o lado Este do Pacífico Sul.

Este é um de 4 voos rasantes planetários (Vénus, Vénus, Terra e Júpiter), para uma assistência gravitacional a fim da sonda chegar a Saturno em 2004. Este voo rasante deu à Cassini um aumento de velocidade de 20,000 quilómetros por hora. As vozes contra a Cassini e o seu plutónio respiraram de alívio.
Observações: Lua em Quarto Minguante, pelas 13:26.

Dia 18/08: 230.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1814 nascia Anders Jonas Angström, físico sueco e um dos fundadores da ciência da espectroscopia.
Em 1868, Pierre Janssen em conjunto com Norman Lockyerobservam pela primeira vez hélio no espectro do Sol.
Em 1877 a lua de Marte, Phobos, é observada pela primeira vez por Asaph Hall no Observatório Naval dos EUA.
Em 1985 era lançado o Suisei, a segunda missão japonesa a estudar o cometa Halley.

Detectou água cometária, monóxido de carbono e iões de dióxido de carbono
Observações: Maior aproximação (da perspectiva do céu da Terra), ou conjunção, entre Vénus e Júpiter, 30-45 minutos antes do nascer-do-Sol e perto do horizonte a Este-Nordeste. Estão separados por menos de 0,2º.

 
CURIOSIDADES


Para comemorar o 2.º aniversário do rover Curiosity em Marte, o Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) lançou um novo vídeo acerca do rover que capturou o coração e a imaginação das pessoas por todo o mundo. O vídeo é narrado pelo astrofísico Neil deGrasse Tyson e pela actriz Felicia Day.

 
NUSTAR VÊ LUZ DESFOCADA EM REDOR DE BURACO NEGRO

O telescópio NuSTAR (Nuclear Spectroscopic Telescope Array) da NASA capturou um evento extremo e raro nas regiões imediatas em torno de um buraco negro supermassivo. Uma fonte compacta de raios-X, que fica perto do buraco negro, chamada coroa, mudou-se para mais perto do buraco negro ao longo de um período de poucos dias.

"A coroa recentemente colapsou na direcção do buraco negro, o que fez com que a intensa gravidade do buraco negro puxasse toda a luz para o seu disco envolvente, onde o material espirala para dentro," afirma Michael Parker do Instituto de Astronomia de Cambridge, Reino Unido, autor principal de um novo estudo sobre os resultados, publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

À medida que a coroa se deslocava para mais perto do buraco negro, a gravidade deste objecto exercia uma maior força sobre os raios-X emitidos. O resultado foi uma desfocagem e um alongamento extremo dos raios-X. Já foram observados eventos deste género, mas nunca com este grau e com tanto detalhe.

As regiões em redor dos buracos negros supermassivos brilham muito em raios-X. Alguma desta radiação vem de um disco circundante, e a maioria da coroa, vista aqui nesta impressão de artista como a luz branca na base de um jacto. Esta é uma das formas possíveis e previstas para as coroas.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Pensa-se que os buracos negros supermassivos residem nos centros de todas as galáxias. Alguns são mais massivos e giram mais depressa que outros. O buraco negro neste estudo, referido como Markarian 335, ou Mrk 335, está a cerca de 324 milhões de anos-luz da Terra na direcção da constelação de Pégaso. É um dos sistemas mais extremos com massa e rotação já medidas. O buraco negro "aperta" aproximadamente 10 milhões de vezes a massa do nosso Sol numa região com apenas 30 vezes o diâmetro do Sol, e gira tão rapidamente que o espaço e o tempo arrastam-se em seu redor.

Sabendo que uma certa quantidade de luz cai para um buraco negro supermassivo e nunca mais é vista, outras formas de luz emanam da coroa e do disco de material superaquecido em acreção em redor. Embora os astrónomos não tenham a certeza da forma e temperatura das coroas, sabem que contêm partículas que se movem a velocidades próximas à da luz.

O satélite Swift da NASA examina Mrk 335 há anos, e recentemente notou uma mudança dramática no seu brilho em raios-X. No que é chamado de observação alvo de oportunidade, o NuSTAR foi redireccionado para observar os raios-X altamente energéticos desta fonte na faixa dos 3-79 keV (quilo electrões-volt). Esta faixa de energia em particular oferece aos astrónomos uma visão detalhada sobre o que está a acontecer perto do horizonte de eventos, a região em torno de um buraco negro a partir da qual a luz já não consegue escapar ao alcance da gravidade.

Este gráfico de dados capturados pelo NuSTAR da NASA mostra os raios-X emitidos por regiões perto de um buraco negro supermassivo conhecido como Markarian 335.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Instituto de Astronomia, Cambridge
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Observações posteriores indicam que a coroa ainda está nesta configuração íntima, meses após ter-se movido. Os investigadores não sabem se a coroa vai voltar à sua posição original. Além disso, as observações do NuSTAR revelam que o domínio da gravidade do buraco negro puxou a luz da coroa para a parte interna do seu disco superaquecido, iluminando-o melhor. Quase como se alguém tivesse apontado uma lanterna aos astrónomos, a mudança na posição da coroa iluminou precisamente a região que queriam estudar.

Os novos dados podem, em última análise, ajudar a saber mais sobre a natureza misteriosa das coroas dos buracos negros. Em adição, as observações têm proporcionado melhores medições sobre a furiosa velocidade de rotação relativista de Mrk 335. As velocidades relativistas são aquelas que se aproximam da velocidade da luz, como descrito pela teoria da relatividade de Albert Einstein.

"Nós ainda não entendemos exactamente como a coroa é produzida ou porque muda de forma, mas vemo-la a iluminar material em redor do buraco negro, permitindo o estudo das regiões onde os efeitos descritos pela teoria geral da relatividade de Einstein se tornam proeminentes," afirma Fiona Harrison, investigadora principal do NuSTAR, do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) em Pasadena, EUA. "A capacidade sem precedentes do NuSTAR, para observar este e outros eventos similares, permite-nos estudar os efeitos de flexão de luz mais extremos da relatividade geral."

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Universe Today
redOrbit
Astronomy
PHYSORG
science 2.0

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia

NuSTAR:
NASA
Caltech
Wikipedia

Telescópio Swift:
NASA
Wikipedia

 
ESTUDO TRIDIMENSIONAL DE COMETAS REVELA FÁBRICA QUÍMICA EM FUNCIONAMENTO

Uma equipa de cientistas liderada pela NASA criou mapas tridimensionais detalhados das atmosferas que rodeiam cometas, identificando vários gases e mapeando a sua propagação com a mais alta resolução já alcançada.

"Conseguimos um mapeamento verdadeiramente topo de gama, de moléculas importantes que nos ajudam a compreender a natureza dos cometas," afirma Martin Cordiner, investigador que trabalha no Centro Goddard para Astrobiologia do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado americano de Maryland. Cordiner liderou a equipa internacional de cientistas.

Quase inédita no estudo de cometas, a perspectiva 3-D fornece uma visão mais profunda sobre os materiais expelidos a partir do núcleo do cometa e sobre os materiais produzidos dentro da atmosfera (coma ou cabeleira). Isto ajudou a equipa a determinar as fontes de duas importantes moléculas orgânicas (moléculas que contêm carbono).

Este mapa 3-D em rotação mostra o modo como as moléculas de HCN (cianeto de hidrogénio, o terceiro composto do estudo) são libertadas a partir do núcleo do cometa Lemmon e dispersadas uniformemente pela atmosfera, ou coma. Mapas similares revelaram que o HNC e o formaldeído são produzidos na coma, em vez de no núcleo do cometa.
Crédito: Brian Kent/NRAO/AUI/NSF
(clique na imagem para ver vídeo no YouTube)
 

As observações foram realizadas em 2013 nos cometas Lemmon e ISON usando o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), uma rede de antenas de alta precisão no Chile. Estes cometas são os primeiros estudados com o ALMA.

As observações do ALMA combinam uma imagem dos gases cometários, em 2-D e em alta resolução, com um espectro detalhado em cada ponto. A partir destes espectros, os investigadores podem identificar as moléculas presentes em todos os pontos e determinar as suas velocidades (velocidade e direcção) ao longo da linha de visão; esta informação proporciona a terceira dimensão - a profundidade da cabeleira.

"Por isso, o ALMA não só nos permite identificar espécies moleculares individuais na coma, como também nos dá a capacidade de mapear as suas posições com grande sensibilidade," afirma Anthony Remijan, cientista do NRAO (National Radio Astronomy Observatory), uma das organizações que opera o ALMA, e co-autor do estudo.

A emissão de moléculas orgânicas na atmosfera do cometa ISON, observada pelo ALMA.
Crédito: B. Saxton (NRAO/AUI/NSF); M. Cordiner, NASA et al.
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os investigadores anunciaram os resultados de três espécies moleculares (H2CO, HNC e HCN), incidindo-se principalmente em duas, cujas fontes têm sido difíceis de discernir (à excepção do Cometa Halley). Os mapas 3-D indicam se cada molécula seguia para fora em todas as direcções e de maneira uniforme ou se eram expelidas em jactos ou em aglomerados.

Em cada cometa, a equipa descobriu que duas espécies - formaldeído (H2CO) e HNC (ácido isocianídrico - elemento composto por um átomo de hidrogénio, um de azoto e um de carbono) - foram produzidas na cabeleira. Para o formaldeído, isto confirma o que os investigadores já suspeitavam, mas os novos mapas contêm detalhes suficientes para resolver aglomerados de material que se move para regiões diferentes da cabeleira de dia para dia e até mesmo de hora em hora.

Para o HNC, os mapas resolveram uma questão de longa data sobre a origem do material. Inicialmente, pensava-se que o HNC era material interestelar pristino proveniente do núcleo do cometa, mas trabalhos posteriores sugeriram outras possíveis fontes. O novo estudo forneceu a primeira prova de que o HNC é produzido durante a decomposição de grandes moléculas ou poeira orgânica na cabeleira.

A emissão de moléculas orgânicas na atmosfera do cometa Lemmon, observada pelo ALMA.
Crédito: B. Saxton (NRAO/AUI/NSF); M. Cordiner, NASA et al.
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"A compreensão da poeira orgânica é importante, porque estes materiais são mais resistentes à destruição durante a entrada na atmosfera, e alguns podem ter sido entregues, intactos, à Terra primitiva, favorecendo desta maneira o aparecimento da vida," afirma Michael Mumma, director do Centro Goddard para Astrobiologia e co-autor do estudo. "Estas observações abrem uma nova janela sobre este componente pouco conhecido da química orgânica dos cometas."

As observações, publicadas na passada Segunda-feira na revista Astrophysical Journal Letters, são também importantes porque cometas modestos como o Lemmon e o ISON contêm concentrações relativamente baixas de moléculas cruciais, o que os torna difíceis de estudar em profundidade com telescópios terrestres. Os poucos estudos compreensivos deste género têm sido realizados em cometas brilhantes e de grande sucesso como o Hale-Bopp. Estes resultados estendem-se até cometas de brilho apenas moderado.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
ALMA (comunicado de imprensa)
NRAO (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
The Astrophysical Journal Letters (requer subscrição)
Astronomy
Universe Today
PHYSORG

Cometa ISON:
Wikipedia
NASA
Centro de Planetas Menores da UAI
Gary W. Kronk's Cometography
Stereo Science Center

Cometa Lemmon:
Wikipedia
Centro de Planetas Menores da UAI
Gary W. Kronk's Cometography
Shadow & Substance

Cometas:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
NASA

Formaldeído (H2CO):
Wikipedia

HNC:
Wikipedia

HCN:
Wikipedia

ALMA:
Página principal
ALMA (NRAO)
ALMA (NAOJ)
ALMA (ESO)
Wikipedia

 
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Anéis ao Redor da Nebulosa do Anel
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Crédito: HubbleLBT (Large Binocular Telescope)Telescópio Subaru; Composição e direitos de autor:  Robert Gendler
 
É uma vista familiar para os entusiastas do céu, mesmo com um telescópio pequeno. No entanto, a Nebulosa do Anel (M57) é muito maior do que se pensa. O anel central, facilmente visível, mede cerca de um ano-luz em diâmetro, mas esta impressionante exposição de céu profundo - um esforço de colaboração que combina dados de três grandes telescópios - explora os filamentos de gás brilhante que se estendem muito além da estrela central da nebulosa. Esta composição notável inclui dados de banda estreita do hidrogénio, emissão no visível e emissão no infravermelho. Claro, neste exemplo bem estudado de nebulosa planetária, o material brilhante não vem de planetas. Em vez disso, o manto gasoso representa as camadas exteriores de uma estrela moribunda do tipo do Sol. A Nebulosa do Anel encontra-se a cerca de 2000 anos-luz de distância na direcção da constelação de Lira.
 

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