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Edição n.º 1217
06/11 a 09/11/2015
 
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EFEMÉRIDES

Dia 06/11: 310.º dia do calendário gregoriano.
Observações: Antes do amanhecer a este-sudeste, Vénus, Marte, Júpiter e a Lua formam um bonito grupo observável à vista desarmada.

Dia 07/11: 311.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1492, o Meteorito Ensisheim, o meteorito mais antigo com uma data de impacto conhecida, atinge a Terra por volta do meio-dia, num campo de trigo nos arredores da vila de Ensisheim, Alsácia, França.
Em 1867 nascia Marie Curie, física e química polaca, naturalizada francesa, que levou a cabo estudos pioneiros sobre a radioatividade. Foi a primeira mulher a ganhar o Prémio Nobel e a primeira pessoa a ganhá-lo duas vezes. 
Em 1996 era lançada a sonda Mars Global Surveyor.

Observações: Antes do amanhecer, a Lua encontra-se bem aninhado com Vénus. Marte está por perto e os três formam um triângulo. Júpiter brilha mais acima.

Dia 08/11: 312.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1656 nascia Edmond Halley (no calendário juliano corresponde a 29 de Outubro).

Halley foi um cientista inglês que usou a sua teoria das órbitas cometárias para calcular que o cometa de 1682 (Cometa Halley) era periódico e encorajou Isaac Newton a publicar a sua famosa obra de cálculo, gravidade, e das leis da gravidade. Também descobriu em 1718 que algumas das estrelas "fixas" (Sirius, AldebarãBetelgeuse e Arcturo) na realidade tinham o que se chama de "movimento próprio", o que significa que não estão estacionárias ("fixas"). Pensava-se que as estrelas estavam fixas no céu desde a compilação da obra "Almagest" de Ptolomeu.
Em 1895, enquanto fazia experiências com eletricidade, Wilhelm Röntgen descobre os raios-X
Em 1984, lançamento da missão STS-51-A, do vaivém Discovery.

Em 2011, o asteróide potencialmente perigoso 2005 YU55 passa a 0,85 distâncias lunares da Terra (cerca de 324.600 km), a maior aproximação conhecida de um asteróide do seu brilho desde 2010 XC15 em 1976. 
Observações: Já reparou quanto a Lua se move no céu, em comparação com os planetas visíveis um pouco antes do nascer-do-Sol? Hoje a Lua deslocou-se mais para baixo. Vénus, Marte e Júpiter estão para cima.

Dia 09/11: 313.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1934 nascia Carl Sagan.

Carl Sagan começou a sua carreira na ciência da vida no Universo como assistente do prémio Nobel da medicina H. J. Muller nos anos 50. Conhecedor, tanto de Astronomia como de Biologia, as suas contribuições para o estudo da ciência planetária são a fundação da pesquisa atual. "Cosmos", a série televisiva, ganhou vários prémios Emmy e Peabody. O livro, foi o livro científico mais vendido de sempre. O seu romance "Contacto" foi trazido para o cinema através da Warner Bros. Teve um papel fundamental nas sondas MarinerViking e Voyager, pelas quais recebeu a medalha de Feito Científico Excecional da NASA (duas vezes) e a medalha de Notável Seviço Público. Co-fundador da Sociedade Planetária. Dr. Sagan recebeu o prémio Pulitzer, a medalha Oersted e muitos outros prémios - incluindo dezoito graduações de colégios e Universidades americanas - pelas suas contribuições à Ciência, literatura, educação e conservação do ambiente. Sagan teve o título de Professor David Duncan de Astronomia e Ciências Espaciais e foi director do Laboratório de Estudos Planetários na Universidade de Cornell. O prémio Masursky da Sociedade Astronómica Americana cita "as suas extraordinárias contribuições no desenvolvimento da ciência planetária". Morreu a 20 de Dezembro de 1996. Hoje faria 81 anos.
Em 1967, a NASA lança a nave não-tripulada Apollo 4, no topo do primeiro foguetão Saturno V.
Em 2005, lançamento da missão europeia Venus Express
Observações: Aproveite a noite para observar de binóculos o enxame aberto das Plêiades. Quantas estrelas consegue contar?

 
CURIOSIDADES


Este poster mostra mais de 500 exoplanetas (cerca de um-quarto do total) descobertos desde 1988. Criado por Martin Vargic da Eslováquia, tem por base os raios estimados e a temperatura dos planetas. Outros aspetos como a densidade, idade ou metalicidade estelar também foram tidos em conta. Clique na imagem para ver uma versão maior.

 
MAVEN REVELA VELOCIDADE A QUE O VENTO SOLAR RETIRA ATMOSFERA A MARTE
Impressão de artista de uma tempestade solar que atinge Marte e retira iões da atmosfera superior do planeta.
Crédito: NASA/GSFC
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A sonda MAVEN (Mars Atmosphere and Volatile Evolution) da NASA identificou o processo que parece ter desempenhado um papel fundamental na alteração do clima marciano: de um ambiente ameno e molhado, que pode ter suportado vida, para o Planeta Vermelho frio e árido que é hoje.

Os dados da MAVEN permitiram com que os investigadores determinassem a taxa a que atmosfera marciana perde atualmente gás para o espaço devido à influência do vento solar. Os resultados revelam que a erosão da atmosfera de Marte aumenta significativamente durante as tempestades solares. Os resultados científicos da missão foram publicados na edição de 5 de novembro das revistas Science e Geophysical Research Letters.

"Marte parece ter tido uma atmosfera espessa e quente o suficiente para suportar água líquida, um ingrediente fundamental e um meio para a vida como a conhecemos," afirma John Grunsfeld, astronauta e administrador do Diretorado de Missões Científicas da NASA em Washington, EUA. "Compreender o que aconteceu à atmosfera de Marte vai informar o nosso conhecimento acerca da dinâmica e evolução de qualquer atmosfera planetária. É importante aprender o que pode provocar alterações no ambiente de um planeta, desde um que pode hospedar micróbios à superfície, para um que não suporta, e é uma questão-chave que está a ser abordada na jornada da NASA a Marte."

As medições da MAVEN indicam que o vento solar retira gás a uma velocidade correspondente a cerca de 100 gramas por segundo. "Tal como o roubo de algumas moedas numa caixa registadora todos os dias, a perda torna-se significativa ao longo do tempo," afirma Bruce Jakosky, investigador principal da MAVEN da Universidade do Colorado, em Boulder. "Vimos que a erosão atmosférica aumenta drasticamente durante as tempestades solares, assim que pensamos que a taxa de perda foi muito maior há milhares de milhões de anos atrás quando o Sol era jovem e mais ativo."

Em adição, uma série de tempestades solares dramáticas atingiram a atmosfera de Marte em março de 2015 e a MAVEN descobriu que a perda foi acelerada. A combinação de uma taxa de perda mais elevada com tempestades solares mais poderosas no passado sugere que a perda da atmosfera para o espaço foi provavelmente um importante processo na mudança do clima marciano.

O vento solar é uma corrente de partículas, principalmente protões e eletrões, que flui da atmosfera do Sol a uma velocidade de mais ou menos 400 km/s. O campo magnético transportado pelo vento solar, ao passar por Marte, pode gerar um campo elétrico, tal como uma turbina na Terra pode ser usada para gerar eletricidade. Este campo elétrico acelera átomos de gás eletricamente carregados, chamados iões, na atmosfera superior de Marte e atira-los para o espaço.

A MAVEN tem examinado como o vento solar e a radiação ultravioleta retira gás do topo da atmosfera do planeta. Os novos resultados indicam que a perda é efetuada em três regiões diferentes do Planeta Vermelho: na "cauda", onde o vento solar flui para trás de Marte, por cima dos polos marcianos numa "pluma polar", e a partir de uma nuvem grande de gás que rodeia Marte. A equipa científica determinou que quase 75% dos iões que escapam vêm da região da cauda, e quase 25% são da região da pluma, com apenas uma pequena contribuição da nuvem grande.

As regiões antigas de Marte contêm sinais de água abundante - como por exemplo características semelhantes a vales esculpidos por rios e depósitos minerais que só se formam na presença de água líquida. Estas características levaram os cientistas a pensar que há milhares de milhões de anos, a atmosfera de Marte era muito mais densa e quente o suficiente para formar rios, lagos e talvez até mesmo oceanos de água líquida.

Recentemente, investigadores que usavam a sonda MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) da NASA observaram o aparecimento sazonal de sais hidratados, indicando água líquida salgada em Marte. No entanto, a atmosfera atual de Marte é demasiado fria e fina para suportar água líquida a longo prazo à superfície do planeta.

"A erosão pelo vento solar é um mecanismo importante para a perda atmosférica, e é importante o suficiente para explicar a mudança dramática no clima marciano," afirma Joe Greboswsky, cientista do projeto MAVEN do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado americano de Maryland. "A MAVEN também está a estudar outros processos de perda - como perda devido ao impacto de iões ou o escape de átomos de hidrogénio - e estes só vão aumentar a importância do escape atmosférico."

O objetivo da missão MAVEN, lançada para Marte em novembro de 2013, é determinar quanto da atmosfera e da água do planeta foram perdidos para o espaço. É a primeira missão dedicada à compreensão de como o Sol pode ter influenciado mudanças atmosféricas no Planeta Vermelho. A MAVEN opera em Marte há pouco mais de um ano e terminará a sua principal missão científica no dia 16 de novembro.

Links:

Cobertura da missão MAVEN pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
23/06/2015 - Marte é uma "estrela de rock"
20/03/2015 - MAVEN deteta auroras e misteriosa nuvem de poeira em torno de Marte
19/12/2014 - MAVEN identifica elos da cadeia que leva a perda atmosférica
23/09/2014 - MAVEN chega a Marte, amanhã é a vez da indiana Mangalyaan
19/09/2014 - MAVEN chega a Marte este fim-de-semana 
19/11/2013 - Lançamento da MAVEN 
15/11/2013 - MAVEN vai investigar o que aconteceu em Marte 
01/11/2013 - NASA prepara lançamento da 1.ª missão de exploração da atmosfera marciana

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
UC Berkeley (comunicado de imprensa)
Science
Geophysical Research Letters
Astronomy
SPACE.com
POPULAR SCIENCE
spaceref
New Scientist
RedOrbit
PHYSORG
Discovery News
UPI
The Verge
Observador

MAVEN:
NASA
NASA - 2
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
ENXAME GALÁCTICO GIGANTESCO AVISTADO COM A AJUDA DE TELESCÓPIOS DA NASA
O aspeto do enxame galáctico MOO J1142+1527, quando a sua luz o deixou há 8,5 mil milhões de anos atrás. As galáxias avermelhadas no centro da imagem constituem o coração do enxame.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Gemini/CARMA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Astrónomos descobriram um aglomerado gigante de galáxias numa parte muito remota do Universo, graças ao Telescópio Espacial Spitzer e ao WISE (Wide-field Infrared Survey Explorer). O enxame galáctico, localizado a 8,5 mil milhões de anos-luz, é a estrutura mais massiva já encontrada a estas grandes distâncias.

Os enxames galácticos são grupos, gravitacionalmente ligados, de milhares de galáxias, que por sua vez contêm biliões de estrelas. Os enxames ficam maiores ao longo do tempo pois adquirem novos membros.

Como é que estes enxames evoluíram com o passar do tempo? Qual teria sido o seu aspeto há milhares de milhões de anos atrás? Para responder a estas questões, os astrónomos olharam para trás no tempo, para o nosso jovem Universo. Dado que a luz leva tempo até chegar até nós, podemos ver como objetos muito distantes eram no passado. Por exemplo, estamos a ver o recém-descoberto enxame de galáxias - chamado MOO (Massive Overdense Object) J1142+1527 - tal como era há 8,5 mil milhões de anos atrás, muito antes da formação da Terra.

À medida que a luz dessas galáxias remotas se desloca até nós, é esticada, devido à expansão do espaço, para comprimentos de onda infravermelhos. É aqui que o WISE e o Spitzer ajudam.

Para os telescópios espaciais infravermelhos, avistar galáxias distantes é como apanhar cerejas maduras de uma cerejeira. Nas imagens infravermelhas produzidas pelo Spitzer, estas galáxias distantes destacam-se como pontos vermelhos, enquanto as galáxias mais próximas têm tons esbranquiçados. Os astrónomos vasculharam primeiro o catálogo WISE em busca de candidatos para aglomerados distantes de galáxias. O WISE catalogou centenas de milhões de objetos em imagens de todo o céu obtidas em 2010 e 2011.

Seguidamente, usaram o Spitzer para observar 200 dos objetos mais interessantes, num projeto chamado MaDCoWS (Massive and Distant Clusters of WISE Survey). O Spitzer não observa todo o céu como o WISE, mas pode ver mais detalhes.

"É a combinação entre o Spitzer e o WISE que nos permite ir de 250 milhões de objetos até aos enxames galácticos mais massivos no céu," afirma Anthony Gonzalez da Universidade da Flórida, em Gainesville, EUA, autor principal de um novo estudo publicado na edição de 20 outubro da revista Astrophysical Journal Letters.

A partir destas observações, MOO J1142+1527 sobressaiu como uma das mais extremas.

Foram usados os observatórios W.M. Keck e Gemini em Mauna Kea, no Hawaii, para medir a distância ao enxame. Usando dados dos telescópios CARMA (Combined Array for Research in Millimeter-wave Astronomy) perto de Owens Valley no estado americano da Califórnia, os cientistas foram capazes de determinar que a massa do enxame é mil biliões de vezes a do nosso Sol - o que o torna no enxame mais massivo, conhecido, a esta distância.

De acordo com as estimativas dos cientistas, MOO J1142+1527 pode ser um de apenas um punhado de enxames deste tamanho do Universo jovem.

"Com base na nossa compreensão de como os enxames galácticos crescem desde o início do nosso Universo, este enxame poderá ser um dos cinco mais massivos em existência naquela altura," afirma o coautor Peter Eisenhardt, cientista de projeto para o WISE no JPL da NASA em Pasadena, Califórnia.

No próximo ano, a equipa planeia vasculhar mais de 1700 candidatos adicionais a enxame galáctico com o Spitzer, procurando os maiores do grupo.

"Assim que encontrarmos os enxames mais massivos, podemos começar a investigar como as galáxias evoluíram nestes ambientes extremos," conclui Gonzalez.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
The Astrophysical Journal Letters
Astronomy
EarthSky
PHYSORG
TIME
UPI
gizmag

Enxames galácticos:
Wikipedia

Telescópio Espacial Spitzer:
Página oficial 
NASA
Centro Espacial Spitzer 
Wikipedia

WISE:
Wikipedia
Arquivo de dados do WISE
NEOWISE
U. Berkeley

Observatório W. M. Keck:
Página oficial
Wikipedia

Observatório Gemini:
Página oficial
Wikipedia

CARMA:
Página principal
Caltech
Wikipedia

 
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  Surtos de crescimento de uma protoestrela (via NRAO)
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Quando os astrónomos estudam os discos protoplanetários de gás e poeira que rodeiam estrelas jovens, por vezes avistam uma lacuna como a divisão de Cassini nos anéis de Saturno. Foi sugerido que qualquer lacuna é provocada por um planeta não observado formado no disco e que sugou material das redondezas. No entanto, uma nova pesquisa mostra que as lacunas podem também ser uma espécie de ilusão cósmica e não um sinal de um planeta escondido. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - NGC 1333: Berçário Estelar em Perseu
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Agrupació Astronòmica d'Eivissa/Ibiza (AAE), Alberto Prats Rodríguez
 
NGC 1333 é visível no ótico como uma nebulosa de reflexão, com as tonalidades azuladas que são características da radiação estelar dispersa pela poeira interestelar. A apenas 1000 anos-luz na direção da constelação de Perseu, encontra-se no limiar de uma gigantesca nuvem molecular onde está a ocorrer formação estelar. Esta imagem cobre cerca de 2 Luas Cheias no céu, ou pouco mais de 15 anos-luz à distância estimada a que NGC 1313 se encontra de nós. A imagem apresenta detalhes da região de poeira onde se vê a luz avermelhada dos objetos de Herbig-Haro, jatos e gás brilhante emanados por estrelas jovens que acabaram de nascer. De facto, NGC 1333 contém centenas de estrelas jovens com menos de um milhão de anos, a maior parte ainda escondidas dos telescópios óticos pela poeira desta região. O ambiente caótico pode ser parecido ao que formou o nosso Sol há mais de 4,5 mil milhões de anos atrás.
 

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