Problemas ao ver este email? Consulte a versão web.

Edição n.º 1315
14/10 a 17/10/2016
 
Siga-nos:      
 

28/10/16 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS + OBSERVAÇÃO COM TELESCÓPIO
19:30 - Este evento inclui uma apresentação sobre um tema a determinar, seguido de observação astronómica noturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável). Este mês iremos tratar da mudança de hora sob o pont de vista astronómico.
Local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: siga este link
Telefone: 289 890 922
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 14/10: 288.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1960, a sonda soviética Mars 1960B falha a inserção na órbita da Terra. 
Em 1968 tem lugar a primeira transmissão televisiva em direto de uma nave espacial, a Apollo 7.
Em 2012, Felix Baumgartner salta da estratosfera e quebra o recorde de maior queda livre, a uma altitude de 39.068 metros. É também a primeira pessoa a quebrar a barreira do som sem recurso a um veículo.

Observações: Esta é a altura do ano em que a Ursa Maior está na horizontal a norte-noroeste a meio da noite. A cerca de dois punhos à distância do braço esticado, para cima da constelação, encontra-se Kochab, a estrela mais brilhante da "frigideira" da Ursa Menor.

Dia 15/10: 289.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1582, o papa Gregório XIII implementava o calendário gregoriano. O dia 4 de outubro deste ano é seguido diretamente pelo 15 de outubro.
Em 1608 nascia Evangelista Torricelli, físico italiano famoso por ter inventado o barómetro. 
Em 1829 nascia Asaph Hall, astrónomo americano famoso por ter descoberto as luas de Marte, Fobos e Deimos.

Determinou também as órbitas de satélites de outros planetas e de estrelas duplas, a rotação de Saturno e a massa de Marte.
Em 1997, era lançada a sonda Cassini para Saturno a partir de Cabo Canaveral. 
Em 2001, a sonda Galileu da NASA passa a 181 km da lua de Júpiter, Io
Em 2003, a China lança a Shenzhou 5, a sua primeira missão espacial tripulada.
Observações: A Lua, praticamente Cheia, nasce perto do pôr-do-Sol a este. Após o anoitecer, olhe quase 20º para a sua esquerda à procura das estrelas mais brilhantes da constelação de Carneiro.

Dia 16/10: 290.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 2012, é descoberto o planeta extrasolar Alpha Centauri Bb.

Em outubro de 2015, astrónomos publicaram um artigo científico que refuta a existência do planeta. Isto levou o autor principal do artigo original a voltar atrás no anúncio.
Observações: Lua Cheia, pelas 05:23. A Lua Cheia coincide quase com o seu perigeu (posição mais próxima da Terra), pelo que esta fase em específico poderá ser considerada uma Super-Lua Cheia.

Dia 17/10: 291.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1604, o astrónomo Johannes Kepler observa uma supernova na constelação de Ofíuco.

Observações: Depois do anoitecer, aviste o padrão em forma de "W" de Cassiopeia, bem alto a nordeste. O terceiro segmento do "W", contando a partir de cima, aponta quase diretamente para baixo. Prolongue este segmento de reta duas vezes e encontrará o Enxame Duplo de Perseu. Este par de enxames abertos é muito ténue à vista desarmada sob um céu escuro, mas visível a binóculos ou através de um pequeno telescópio em qualquer lugar.

 
CURIOSIDADES


Um grupo de estrelas referido como as "Sete Irmãs" (M45 ou Plêiades), é na realidade um conjunto de mais de 1000 membros confirmados estatisticamente (excluíndo binários não visíveis). Até 14 conseguem ser avistadas a olho nu, dependendo das condições do local de observação.

 
O QUE ESPERAR DA CÂMARA DO MÓDULO SCHIAPARELLI

À medida que o módulo ExoMars Schiaparelli desce para Marte a 19 de outubro, irá capturar 15 imagens da superfície que se aproxima. Os cientistas simularam o ponto de vista que podemos esperar ver na descida a partir da câmara.

Schiaparelli separar-se-á da sua nave-mãe, TGO (Trace Gas Orbiter), no dia 16 de outubro, com cerca de seis milhões de quilómetros ainda por viajar antes de entrar na atmosfera de Marte às 15:42 (hora de Portugal), três dias depois.

A descida irá demorar cerca de seis minutos, usando um protetor de calor, para-quedas, propulsores e uma estrutura deformável para o desembarque.

Schiaparelli é principalmente um demonstrador de tecnologia para testar tecnologias de entrada, descida e aterragem para futuras missões e, portanto, está projetado para operar durante apenas alguns dias.

Sequência simulada das 15 imagens da câmara de descida do módulo ExoMars Schiaparelli que se espera que capture durante a sua descida até à superfície de Marte no dia 19 de outubro de 2016. A câmara de descida vai começar a captar imagens cerca de um minuto depois do escudo frontal ser descartado. Nas imagens aqui simuladas, isto corresponde à primeira imagem obtida a uma altitude de cerca de 3 km. A câmara tira imagens a cada 1,5 segundos: a imagem final desta sequência simulada está a 1,5 km, mas dependendo da velocidade de descida real do módulo nesse dia, a imagem final poderá ser capturada mais perto da superfície.
As vistas foram produzidas a partir de imagens obtidas pela câmara CTX a bordo da sonda MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) do centro da elipse de aterragem, e representam o campo de visão esperado da câmara do Schiaparelli a cada altitude.
Crédito: NASA/JPL/MRO; simulação - ESA
 

O pequeno pacote de ciência de superfície vai fazer leituras da atmosfera, mas não há nenhuma câmara científica como aquelas encontradas noutras sondas ou rovers - incluindo o rover ExoMars, cujo lançamento está previsto para 2020.

A sonda, no entanto, transporta uma pequena câmara técnica da ESA, de 0,6 kg, um modelo de voo extra remodelado do VMC (Visual Monitoring Camera ou Câmara de Monitorização Visual) que voou na nave espacial Herschel/Planck da ESA para captar a imagem da separação das duas embarcações após o seu lançamento conjunto.

O seu papel consiste em captar 15 imagens a preto e branco durante a descida que ajudarão a reconstruir a trajetória do módulo e o seu movimento, bem como dar informação de contexto para o local final de aterragem.

O amplo campo de visão de 60º vai proporcionar um olhar abrangente da paisagem abaixo, para maximizar a oportunidade de determinar características que ajudarão a identificar o local de aterragem e revelar a atitude e posição de Schiaparelli durante a descida.

Vista simulada de imagens da descida do módulo Schiaparelli
Crédito: nave - ESA/ATG medialab; vistas simuladas - NASA/JPL/MRO; imagem de fundo da elipse de aterragem - THEMIS da Mars Odyssey; simulação - ESA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A câmara começará a tirar as imagens cerca de um minuto depois do escudo frontal do Schiaparelli ser descartado, quando se prevê que o módulo esteja a cerca de 3 km acima da superfície. Isto irá resultar em imagens que cobrem cerca de 17 quilómetros quadrados da superfície.

As imagens serão tiradas em intervalos de 1,5 segundos, terminando a uma altitude de cerca de 1,5 quilómetros, cobrindo uma área de aproximadamente 4,6 quilómetros quadrados.

Em seguida, a uma altitude de cerca de 1,2 km, o para-quedas e a tampa traseira serão descartados e os propulsores acendidos. Os propulsores vão desligar-se apenas 2 metros acima da superfície, sendo a estrutura deformável do módulo a absorver a força do impacto.

Schiaparelli terá como alvo de aterragem o centro de uma elipse com 100 km x 15 km, numa área relativamente plana de Meridiani Planum, perto do equador, no hemisfério sul. Esta região foi fotografada extensivamente a partir de órbita, inclusive pela Mars Express da ESA e pela MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) da NASA.

Nesta simulação, as "pegadas" das 15 imagens da descida do Schiaparelli seguem uma ordem basicamente no sentido dos ponteiros do relógio, como os campos cada vez mais pequenos indicam. Na vista simulada, a primeira imagem é captada a cerca de 3 km de altura e cobre mais ou menos 17 quilómetros quadrados, enquanto a imagem final é capturada a cerca de 1,5 km e cobre 4,6 quilómetros quadrados. As imagens são obtidos a cada 1,5 segundos.
As imagens individuais correspondentes podem ser consultadas aqui.
A cena captura por cada imagem no dia 19 de outubro vai depender da atitude real, mas também do movimento e rotação do Schiaparelli durante a descida de seis minutos pela atmosfera.
A imagem corresponde ao centro da elipse de aterragem do Schiaparelli e foi produzida pela MRO da NASA.
Crédito: mapa de fundo - NASA/JPL/MRO; simulação - ESA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Para planear a análise da descida de Schiaparelli, foram feitas milhares de simulações com variação das condições atmosféricas e da trajetória de voo para a superfície. De uma dessas simulações, que aterrou no centro da elipse, as imagens simuladas foram então feitas usando dados do orbitador da NASA que cobrem a região de Meridiani, como aqui apresentado.

Na realidade, a altitude a que as imagens são tiradas podem, no entanto, variar um pouco, dependendo das condições atmosféricas, do caminho final através da atmosfera e da velocidade com que o módulo Schiaparelli desce.

As imagens reais tiradas a 19 de outubro serão armazenadas na memória do Schiaparelli antes de serem transmitidas para a MRO e enviadas à Terra a 20 de outubro.

A elipse de aterragem do módulo Schiaparelli, com 100 km x 15 km, com a sequência de imagens simuladas.
Nesta simulação, as "pegadas" das 15 imagens da descida do Schiaparelli seguem uma ordem basicamente no sentido dos ponteiros do relógio, como os campos cada vez mais pequenos indicam. Na vista simulada, a primeira imagem é captada a cerca de 3 km de altura e cobre mais ou menos 17 quilómetros quadrados, enquanto a imagem final é capturada a cerca de 1,5 km e cobre 4,6 quilómetros quadrados. As imagens são obtidos a cada 1,5 segundos.
As imagens individuais correspondentes podem ser consultadas aqui.
A cena captura por cada imagem no dia 19 de outubro vai depender da atitude real, mas também do movimento e rotação do Schiaparelli durante a descida de seis minutos pela atmosfera.
A imagem foi produzida pela MRO da NASA.
Crédito: região central - NASA/JPL/MRO; imagem de fundo: THEMIS da Mars Odyssey; simulação - ESA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O orbitador TGO vai fazer um inventário detalhado dos gases atmosféricos de Marte, com um interesse particular em gases raros como o metano. Procurará medir a dependência geográfica e sazonal do metano a fim de determinar se tem origem geológica ou biológica.

Começará a sua missão científica no final de 2017, após um ano de complexas manobras de aerotravagem com o objetivo de circularizar a sua órbita. Também vai desempenhar tarefas de retransmissor para o rover ExoMars 2020 da ESA.

Links:

Cobertura da missão ExoMars 2016 pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
07/10/2016 - Os perigos de aterrar em Marte
15/03/2016 - Missão ExoMars parte para Marte
08/03/2016 - Sonda ExoMars com lançamento previsto para a próxima semana

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
ESA - 2 (comunicado de imprensa)
ESA - 3 (comunicado de imprensa)
A descida do Schiaparelli em Marte (ESA via YouTube)
The Planetary Society
Sky & Telescope
SPACE.com
Science alert
redOrbit
spaceref
PHYSORG
BBC News
Popular Mechanics
Gizmodo

ExoMars TGO:
ESA
Wikipedia

"Lander" Schiaparelli:
ESA
Wikipedia

ExoMars 2020:
ESA
Wikipedia

MRO:
NASA 
JPL 
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
PROXIMA CENTAURI PODE SER MAIS PARECIDA COM O SOL DO QUE SE PENSAVA

Em agosto os astrónomos anunciaram que a estrela vizinha, Proxima Centauri, hospeda um planeta do tamanho da Terra (de nome Proxima b) na sua zona habitável. À primeira vista, Proxima Centauri não se parece nada com o nosso Sol. É uma pequena e fria anã vermelha com apenas um décimo da massa e um milésimo do brilho do Sol. No entanto, uma nova investigação mostra que é parecida com o Sol de uma forma surpreendente: tem um ciclo regular de manchas estelares.

As manchas estelares (como as manchas solares) são zonas escuras à superfície de uma estrela onde a temperatura é um pouco inferior à da área circundante. São alimentadas por campos magnéticos. Uma estrela é constituída por gases ionizados a que chamamos plasma. Os campos magnéticos podem restringir o fluxo de plasma e criar manchas. As alterações ao campo magnético de uma estrela podem afetar o número e a distribuição das manchas estelares.

O nosso Sol tem um ciclo de atividade de 11 anos. Durante o mínimo solar, o Sol não tem quase manchas nenhumas. Durante o máximo solar, normalmente mais de 100 manchas solares cobrem, em média, menos de 1% da superfície do Sol.

Impressão de artista que mostra o interior de uma estrela de baixa massa. Estas estrelas têm estruturas interiores diferentes do nosso Sol, de modo que não se esperava que tivessem ciclos de atividade magnética. No entanto, os astrónomos descobriram que a estrela vizinha Proxima Centauri desafia essa expetativa e mostra sinais de um ciclo de atividade com a duração de 7 anos.
Crédito: NASA/CXC/M. Weiss
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O novo estudo descobriu que Proxima Centauri é submetida a um ciclo semelhante com a duração de sete anos de pico a pico. No entanto, o seu ciclo é muito mais dramático. Pelo menos um-quinto da superfície da estrela fica coberta por manchas de uma só vez. Além disso, algumas destas manchas são muito maiores em relação ao tamanho da estrela do que as manchas do nosso Sol.

"Se houvesse vida inteligente em Proxima b, teriam uma vista muito dramática," afirma o autor principal Brad Wargelin do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica.

Os astrónomos ficaram surpreendidos ao detetar o ciclo de atividade estelar em Proxima Centauri porque o seu interior deverá ser muito diferente do interior do Sol. O terço exterior do Sol sofre um movimento chamado convecção, parecido com a água a ferver numa panela, enquanto o interior do Sol permanece relativamente imóvel. Há uma diferença na velocidade de rotação entre estas duas regiões. Muitos astrónomos acham que esta diferenciação é responsável pela produção do ciclo de atividade magnética do Sol.

Em contraste, o interior de uma pequena anã vermelha como Proxima Centauri deve ser totalmente convectivo até ao núcleo. Como resultado, não deveria ter um ciclo regular de atividade.

"A existência de um ciclo em Proxima Centauri mostra que nós não entendemos a produção dos campos magnéticos estelares tão bem quanto pensávamos," afirma o coautor Jeremy Drake, do Smithsonian.

O estudo não aborda se o ciclo de atividade de Proxima Centauri afetaria a potencial habitabilidade do planeta Proxima b. A teoria sugere que as proeminências ou o vento estelar, ambos alimentados por campos magnéticos, podem colidir com o planeta e expulsar qualquer atmosfera. Nesse caso, Proxima b seria mais como a Lua da Terra - localizado na zona habitável, mas nada amigável à vida.

"As observações diretas de Proxima b não vão acontecer durante muito tempo. Até lá, a nossa melhor aposta é estudar a estrela e, em seguida, ligar essa informação com as teorias sobre as interações estrela-planeta," afirma o coautor Steve Saar.

A equipa detetou o ciclo de atividade usando observações terrestres do ASAS (All Sky Automated Survey), combinadas com medições espaciais obtidas por várias missões, incluindo o Swift, Chandra e XMM-Newton. Os seus resultados foram aceites para publicação na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society e estão disponíveis online.

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
26/08/2016 - Encontrado planeta na zona habitável da estrela mais próxima

Notícias relacionadas:
Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica (comunicado de imprensa)
Monthly Notices of the Royal Astronomical Society
Sky & Telescope
astrobiology
Universe Today
Astronomy Now
PHYSORG

Manchas estelares:
Wikipedia
Manchas solares (Wikipedia)

Proxima Centauri:
Wikipedia

Proxima b:
Wikipedia 
Exoplanet.eu

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

Zona habitável:
Wikipedia
Simulador de zonas habitáveis (Universidade do Nebraska-Lincoln)

ASAS:
Página oficial
Wikipedia

Telescópio Swift:
NASA
Wikipedia

Observatório Chandra:
Página oficial (Harvard)
Página oficial (NASA)
Wikipedia

Observatório XMM-Newton:
ESA
Wikipedia

 
O CORAÇÃO ANTIGO DA VIA LÁCTEA
Esta imagem, capturada pelo telescópio infravermelho de rastreio VISTA, no âmbito do rastreio público do ESO VVV (Vista Variables in the Via Lactea), mostra a região central da Via Láctea. Normalmente escondidas por detrás de poeira obscurante, as estrelas próximas do centro galáctico puderam ser estudadas graças às capacidades infravermelhas do VISTA.
Neste campo os astrónomos detetaram várias estrelas antigas do tipo RR Lyrae. Uma vez que este tipo de estrelas reside normalmente em populações estelares antigas, com mais de 10 mil milhões de anos de idade, esta descoberta sugere que o centro bojudo da Via Láctea se formou a partir da fusão de enxames estelares primordiais.
Créditos ESO/Rastreio VVV/D. Minniti
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Com o auxílio do VISTA, o telescópio infravermelho do ESO, descobriram-se pela primeira vez estrelas antigas do tipo RR Lyrae no centro da Via Láctea. As estrelas RR Lyrae encontram-se tipicamente em populações estelares com mais de 10 mil milhões de anos de idade. A sua descoberta sugere que o centro bojudo da Via Láctea provavelmente se formou a partir da fusão de enxames estelares primordiais. Estas estrelas podem mesmo ser os restos do mais massivo e mais antigo enxame estelar que ainda sobrevive na Via Láctea.

Uma equipa liderada por Dante Minniti (Universidad Andres Bello, Santiago, Chile) e Rodrigo Contreras (Pontificia Universidad Católica de Chile, Santiago, Chile) utilizou observações do telescópio infravermelho de rastreio VISTA, obtidas no âmbito do rastreio público VVV (Vista Variables in the Via Lactea), para fazer uma busca cuidada da região central da Via Láctea. Ao observar no infravermelho, que é menos afetado pela poeira cósmica do que a radiação visível, e explorando as excelentes condições de observação do Observatório do Paranal do ESO, a equipa conseguiu obter a visão mais clara desta região conseguida até à data. Foram encontradas uma dúzia de estrelas RR Lyrae antigas no coração da Via Láctea, as quais se desconheciam anteriormente.

A nossa Galáxia tem um centro densamente populado — uma característica comum a muitas galáxias, mas única no sentido em que nos encontramos suficientemente perto para o podermos estudar em profundidade. A descoberta de estrelas RR Lyrae fornece-nos evidências sólidas que ajudam os astrónomos a decidir entre duas teorias principais que competem para explicar a formação destes bojos.

As estrelas RR Lyrae encontram-se tipicamente em enxames globulares densos. Tratam-se de estrelas variáveis, sendo que o brilho de cada estrela RR Lyrae varia de forma regular. Ao observar o tamanho de cada ciclo de aumento e diminuição de brilho numa RR Lyrae, e medindo o brilho da estrela, os astrónomos podem calcular a distância a que a estrela se encontra.

Esta imagem de grande angular no visível mostra as ricas nuvens estelares na constelação de Sagitário, na direção do centro da nossa Via Láctea. Toda a imagem encontra-se repleta de um enorme número de estrelas — mas muitas mais permanecem escondidas por detrás de nuvens de poeira, apenas sendo reveladas em imagens infravermelhas. Esta imagem foi criada a partir de fotografias obtidas no vermelho e no azul do DSS2 (Digitized Sky Survey 2). O campo mede aproximadamente 3,5 por 3,6 graus.
Crédito: ESO e DSS2. Reconhecimento: Davide De Martin e S. Guisard (www.eso.org/~sguisard)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Infelizmente, estas estrelas excelentes indicadoras de distância encontram-se frequentemente ofuscadas por estrelas jovens muito mais brilhantes e em algumas regiões estão escondidas pela poeira. Por isso, localizar estrelas RR Lyrae mesmo no coração extremamente denso da Via Láctea não tinha sido possível antes da obtenção de dados pelo rastreio público VVV levado a cabo no infravermelho. Ainda assim, a equipa descreveu a tarefa de localizar as estrelas RR Lyrae entre a enorme população de estrelas mais brilhantes situadas no centro da Via Láctea como extremamente difícil.

O seu trabalho árduo foi, no entanto, recompensado com a identificação de uma dúzia de estrelas RR Lyrae. A sua descoberta indica que restos de enxames globulares antigos se encontram espalhados no centro do bojo da Via Láctea.

Rodrigo Contreras explica: "A descoberta de estrelas RR Lyrae no centro da Via Láctea tem implicações importantes na formação de núcleos galácticos. As evidências apoiam o cenário em que o bojo foi originalmente formado pela fusão de alguns enxames globulares."

A teoria de que os bojos galácticos se formam através da fusão de enxames globulares é contestada pela hipótese concorrente de que estes bojos se formam devido à rápida acreção de gás. A descoberta destas estrelas RR Lyrae — quase sempre encontradas em enxames globulares — é uma forte evidência de que o bojo da Via Láctea se formou de facto através de fusão. Extrapolando, outros bojos galácticos semelhantes podem também ter-se formado do mesmo modo.

Estas estrelas, para além de constituírem uma forte evidência para uma importante teoria de evolução galáctica, têm também muito provavelmente mais de 10 mil milhões de anos de idade — as sobreviventes ténues de, possivelmente, o mais antigo e massivo enxame estelar da Via Láctea.

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
26/04/2016 - Faróis cósmicos revelam núcleo antigo da Via Láctea

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Artigo científico (PDF)
SPACE.com
EurekAlert!
PHYSORG
Observador
ZAP.aeiou

Variáveis RR Lyrae:
Wikipedia

Via Láctea:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
SEDS

Telescópio VISTA:
ESO
Rastreios do VISTA (ESO)
Wikipedia

VVV (Vista Variables in the Via Lactea):
Página principal
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Lua atingida por número surpreendente de meteoróides (via NASA)
De acordo com novas observações da sonda LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter) da NASA, a Lua sofre um bombardeamento mais pesado de meteoróides pequenos do que os modelos previam. O resultado implica que as características à superfície lunar, que se pensavam serem jovens devido ao número relativamente pequeno de crateras de impacto, são ainda mais jovens do que as estimativas anteriores diziam. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - A Parede de Cisne
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Sara Wager
 
Às vezes, a estrelas formam-se em paredes - paredes brilhantes de gás interestelar. Nesta paisagem estelar de cores vivas, as estrelas estão a formar-se na crista de emissão em forma de W conhecida como Parede de Cisne. Parte de uma maior nebulosa de emissão com um contorno característico popularmente conhecido como Nebulosa da América do Norte, esta crista cósmica abrange cerca de 20 anos-luz. Construída usando dados de banda estreita para realçar o brilho avermelhado revelador dos átomos de hidrogénio ionizado recombinados com eletrões, a imagem segue uma frente de ionização com detalhes finos de formas escuras e poeirentas em silhueta. Esculpidas por radiação energética oriunda das estrelas massivas, jovens e quentes da região, as formas escuras que habitam a paisagem são nuvens de gás frio e poeira onde estrelas estão provavelmente em formação. A Nebulosa da América do Norte, propriamente dita - NGC 7000 - está a aproximadamente 1500 anos-luz de distância.
 

Arquivo | Feed RSS | CCVAlg.pt | CCVAlg - Facebook | CCVAlg - Twitter | Remover da lista

Os conteúdos das hiperligações encontram-se na sua esmagadora maioria em Inglês. Para o boletim chegar sempre à sua caixa de correio, adicione noreply@ccvalg.pt à sua lista de contactos. Este boletim tem apenas um carácter informativo. Por favor, não responda a este email. Contém propriedades HTML - para vê-lo na sua devida forma, certifique-se que o seu cliente suporta este tipo de mensagem, ou utilize software próprio, como o Outlook, o Windows Mail ou o Thunderbird.

Recebeu esta mensagem por estar inscrito na newsletter do Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve. Se não a deseja receber ou se a recebe em duplicado, faça a devida alteração clicando aqui ou contactando-nos.

Esta mensagem do Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve destina-se unicamente a informar e não pode ser considerada SPAM, porque tem incluído contacto e instruções para a remoção da nossa lista de email (art. 22.º do Decreto-lei n.º 7/2004, de 7 de Janeiro).

2016 - Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve.