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Edição n.º 1341
13/01 a 16/01/2017
 
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27/01/17 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
19:30 - Este evento inclui uma apresentação sobre um tema de astronomia, seguida de observação astronómica noturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável).
Local: CCVAlg
Preço: 2€
Pré-inscrição: siga este link
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 13/01: 13.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1610, Galileu Galilei observa pela primeira vez todos os quatro satélites de Júpiter ao mesmo tempo.

Em 1993, lançamento da missão STS-54 do vaivém espacial Endeavour, o seu terceiro voo.
Em 2000, foram descobertos buracos negros solitários à deriva na Galáxia.
Em 2003, é descoberta a anã castanha mais próxima, com uma massa entre 40-60 sóis, a menos de 12 anos-luz de distância do Sol. Faz parte do sistema Epsilon Indi. Em agosto do mesmo ano, os astrónomos descobriram que a anã castanha era afinal um binário de anãs castanhas.
Observações: Este é provavelmente o mês mais frio do ano, mas a "Estrela de Verão", Vega, ainda pode ser avistada acima do horizonte. Observe-a a piscar a noroeste durante e pouco depois do anoitecer. Quanto mais para norte estiver o observador, mais alta estará. Se se encontrar demasiado para sul, já desapareceu por trás do horizonte.

Dia 14/01: 14.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 2005 aterrava em Titã a sonda Huygens.

É a primeira vez que uma sonda pousa em Titã. Aterrou no solo, embora pudesse também ter aterrado num oceano. Continuou a enviar dados durante 90 minutos após o pouso. Permanece a aterragem mais distante alguma vez levada a cabo por um objeto feito pelo Homem.
Observações: Vénus na sua maior elongação este, pelas 08:04.
A Lua, minguando, encontra-se perto de Régulo, logo após nascerem depois das 20 horas. Observe que a distância entre estes dois astros diminui com o passar da noite, à medida que a Lua se move para este ao longo da sua órbita.

Dia 15/01: 15.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1969, a União Soviética lançava a Soyuz 5.

Em 1976, lançamento da Helios-B para órbita solar.
Em 2005, uma intensa proeminência solar liberta raios-X por todo o Sistema Solar. No mesmo dia, a sonda SMART-1 da ESA descobre elementos como o cálcio, alumínio, sílica, ferro e outros elementos à superfície da Lua.
Observações: Assim que as estrelas aparecerem, vire-se para norte e olhe para bem alto até Cassiopeia, orientada agora como um "M" achatado. Com o avançar da noite, baloiça-se para baixo a noroeste, ficando de lado.
Ao início da noite, por esta altura do ano, o Grande Quadrado de Pégaso apoia-se num canto a oeste. O grande complexo das constelações Andrómeda-Pégaso vai desde o zénite (pé de Andrómeda), passando pelo Grande Quadrado (corpo de Pégaso) até baixo a oeste (nariz do Pégaso, Enif).

Dia 16/01: 16.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1969, a Soyuz 4 e a  Soyuz 5 levam a cabo o primeiro acoplamento de naves em órbita, a primeira transferência de tripulação de um veículo para outro, e a única vez que tal transferência envolveu um passeio espacial.
Em 2003 a nave Columbia arrancava para a missão STS-107, que seria a sua última.

O Columbia acabaria por desintegrar-se 16 dias depois, durante a sua reentrada na atmosfera da Terra.
Observações: Eclipse de Io, entre as 03:50 e as 06:07.
Ocultação de Io, entre as 05:05 e as 07:19.
A brilhante estrela Capella, bem alta no céu, e a brilhante estrela Rigel no pé de Orionte, estão quase à mesma ascensão reta - por isso atravessam o meridiano do seu céu quase à mesma hora (por volta das 22 horas, dependendo do seu fuso horário). Isto significa que quando Capella estiver à sua altura máxima no céu (22:06 para Faro, Portugal), Rigel vai sempre marcar o ponto cardeal sul por cima do horizonte.

 
CURIOSIDADES


Graças ao poder de processamento combinado de milhares de voluntários, o projeto Einstein@Home descobriu, no espaço de um ano, 13 novos pulsares de raios-gama. Em total, esta pesquisa necessitou aproximadamente 10.000 anos de tempo de processamento combinado. Se só um computador doméstico estivesse encarregue de levar a cabo a tarefa, esta levaria mil anos.

 
ESTRELAS MAIS DISTANTES DA VIA LÁCTEA PODEM TER SIDO "ROUBADAS" DE OUTRA GALÁXIA

As 11 estrelas mais distantes conhecidas da nossa Galáxia estão localizadas a cerca de 300.000 anos-luz da Terra, bem para lá do disco espiral da Via Láctea. Uma nova pesquisa feita por astrónomos de Harvard mostra que metade dessas estrelas podem ter sido arrancadas de outra galáxia: a anã de Sagitário. Além disso, são membros de um longo fluxo estelar que se estende um milhão de anos-luz no espaço, ou 10 vezes o diâmetro da nossa Galáxia.

"Os fluxos de estrelas que foram mapeados até agora são como riachos em comparação com o rio gigante de estrelas que prevemos observar eventualmente," afirma a autora principal Marion Dierickx do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica.

A anã de Sagitário é uma das dúzias de mini-galáxias que rodeiam a Via Láctea. Ao longo da história do Universo, completou várias órbitas em redor da nossa Galáxia. Em cada passagem, as marés gravitacionais da Via Láctea influenciavam a galáxia mais pequena, puxando-a e distorcendo-a como um elástico.

Nesta imagem gerada por computador, a oval vermelha marca o disco da nossa Galáxia e o ponto vermelho mostra a localização da anã de Sagitário. O círculo amarelo representa as estrelas que foram arrancadas da anã e atiradas para o espaço. Cinco da 11 estrelas mais distantes conhecidas na nossa Galáxia foram provavelmente "roubadas" desta maneira.
Crédito: Marion Dierickx/CfA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Dierickx e o seu orientador de doutoramento, o teórico Avi Loeb de Harvard, usaram modelos de computador para simular os movimentos da anã de Sagitário ao longo dos últimos 8 mil milhões de anos. Eles variaram a sua velocidade inicial e ângulo de aproximação à Via Láctea para determinar quais os cenários que melhor correspondiam às observações atuais.

"A velocidade de partida e o ângulo de aproximação têm um grande efeito na órbita, assim como a velocidade e o ângulo de um lançamento de um míssil afeta a sua trajetória," explica Loeb.

No início da simulação, a anã de Sagitário tinha uma massa na ordem das 10 mil milhões de massas solares, ou cerca de 1% da massa da Via Láctea. Os cálculos de Dierickx mostram que, ao longo do tempo, a infeliz anã perdeu cerca de um-terço das suas estrelas e um total de nove-décimos da sua matéria escura. Isto resultou em três fluxos estelares distintos que alcançam um milhão de anos-luz a partir do centro da Via Láctea. Os fluxos estendem-se até à orla do halo da Via Láctea e são das maiores estruturas observáveis no céu.

Além disso, cinco das 11 estrelas mais distantes na nossa Galáxia têm posições e velocidades que coincidem ao que seria de esperar de estrelas roubadas à anã de Sagitário. As outras seis não parecem ser de Sagitário, mas podem ter sido removidas de uma galáxia anã diferente.

Os projetos de mapeamento como o SDSS (Sloan Digital Sky Survey) traçaram um dos três fluxos previstos por estas simulações, mas não em toda a extensão que os modelos sugerem. Instrumentos futuros como o LSST (Large Synoptic Survey Telescope), que irá detetar estrelas muito mais ténues no céu, deverão ser capazes de identificar os outros fluxos.

"Existem lá fora ainda mais 'intrusos' de Sagitário, à espera de serem encontrados," comenta Dierickx.

As descobertas foram aceites para publicação na revista The Astrophysical Journal e estão disponíveis online.

Links:

Notícias relacionadas:
Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Animação das várias passagens da anã de Sagitário pelo Centro Galáctico (formato QuickTime)
EurekAlert!
Astronomy
ScienceDaily
PHYSORG
UPI

Via Láctea:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
SEDS

Anã de Sagitário:
SolStation.com
Wikipedia

 
A LUA É MAIS ANTIGA DO QUE OS CIENTISTAS PENSAVAM

Uma equipa liderada pela UCLA (Universidade da Califórnia, em Los Angeles), EUA, relata que a Lua tem pelo menos 4,51 mil milhões de anos e é 40 a 140 milhões de anos mais velha do que os cientistas pensavam anteriormente.

Os resultados - baseados numa análise de minerais da Lua chamados zircões que foram trazidos para a Terra pela missão Apollo 14 em 1971 - foram publicados no dia 11 de janeiro na revista Science Advances.

A idade da Lua tem sido um tema muito debatido, embora os cientistas tenham tentado resolver a questão ao longo de muitos anos e usando uma ampla gama de técnicas científicas.

O astronauta da Apollo 14, Alan Shepard. Um novo estudo determinou a idade da Lua através da análise de minerais trazido para a Terra pela missão de 1971.
Crédito: NASA
 

"Finalmente definimos uma idade mínima para a Lua; já estava na hora de sabermos a sua idade e agora sabemos," comenta Mélanie Barboni, a autora principal do estudo e geoquímica do Departamento de Ciências da Terra, Planetárias e do Espaço da UCLA.

A Lua foi formada por uma violenta colisão frontal entre a Terra primitiva e um "embrião planetário" de nome Theia, relatou a equipa de geoquímicos e colegas da mesma universidade em 2016.

A investigação mais recente significa que a Lua se formou "apenas" cerca de 60 milhões de anos após o nascimento do Sistema Solar - um ponto importante porque fornece informações críticas para os astrónomos e para os cientistas planetários que procuram compreender a evolução inicial da Terra e do nosso Sistema Solar.

Isto tem sido uma tarefa difícil, realça Barboni, porque "o que lá estava antes do impacto gigante foi apagado." Embora os cientistas não possam saber o que ocorreu antes da colisão com Theia, estes achados são importantes porque vão ajudar os cientistas a discernir os grandes eventos que a seguiram.

Geralmente é difícil determinar a idade das rochas lunares porque a maioria delas contém uma miscelânea de fragmentos de várias outras rochas. Mas Barboni foi capaz de analisar oito zircões em estado puro. Especificamente, ela examinou como o urânio que contêm decaiu para o chumbo (num laboratório da Universidade de Princeton) e como o lutécio que contêm decaiu para um elemento chamado háfnio (usando um espectrómetro de massa na UCLA). Os cientistas analisaram esses elementos juntos para determinar a idade da Lua.

"Os zircões são os melhores relógios da Natureza," comenta Kevin McKeegan, professor de geoquímica e cosmoquímica da UCLA, e coautor do estudo. "São o melhor mineral na preservação da história geológica e na revelação da sua origem."

A colisão da Terra com Theia criou uma lua liquefeita que depois solidificou. Os cientistas acreditam que a maior parte da superfície da Lua estava coberta com magma logo após a sua formação. As medições do urânio-chumbo revelam quando os zircões apareceram pela primeira vez no oceano de magma inicial da Lua, que mais tarde arrefeceu e formou o manto e a crosta; as medições de lutécio-háfnio revelam quando o magma se formou, o que aconteceu mais cedo.

A geoquímica Mélanie Barboni, segurando uma rocha lunar.
Crédito: Carolyn Crow
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"A Mélanie conseguiu descobrir a idade real da Lua, que remonta à sua pré-história antes de solidificar, não à sua solidificação," comenta Edward Young, professor de geoquímica e cosmoquímica da UCLA e coautor do estudo.

Os estudos anteriores determinaram a idade da Lua com base em rochas lunares que haviam sido contaminadas por colisões múltiplas. McKeegan realça que essas rochas indicavam a data de alguns outros eventos, "mas não a idade da Lua."

Os investigadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles continuam a estudar os zircões trazidos pelos astronautas das Apollo e a história inicial da Lua.

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
13/09/2016 - Química diz que Lua é o manto da proto-Terra, realocado
05/02/2016 - Lua foi produzida por uma colisão frontal entre a Terra e um planeta em formação
04/04/2014 - Nova pesquisa descobre "relógio geológico" que ajuda a determinar a idade da Lua
19/10/2012 - Novo estudo reforça ideia que Lua foi formada a partir de gigante colisão planetária

Notícias relacionadas:
UCLA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (ScienceAdvances)
ScienceNews
SPACE.com
PHYSORG
The Verge
Observador

Theia:
Wikipedia

Lua:
Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve 
Wikipedia
Teoria de Impacto Gigante (Wikipedia)

Zircão:
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Sharpless 249 e a Nebulosa da Medusa
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Eric Coles
 
Normalmente fraca e elusiva, a Nebulosa da Medusa foi aqui capturada neste sedutor mosaico telescópico. A cena é ancorada, em baixo, pela brilhante estrela Eta Geminorum, no pé do gémeo celeste, enquanto a Nebulosa da Medusa é o cume de emissão mais brilhante em forma de arco com tentáculos em baixo e para a esquerda do centro. De facto, a medusa cósmica faz parte do remanescente de supernova em forma de bolha IC 443, a nuvem de detritos em expansão de uma estrela massiva que já explodiu. A luz da explosão chegou pela primeira vez ao nosso planeta há mais de 30.000 anos atrás. Tal como o seu primo em águas astrofísicas, o remanescente de supernova da Nebulosa do Caranguejo, a Nebulosa da Medusa é conhecida por abrigar uma estrela de neutrões, o resto do núcleo estelar colapsado. A nebulosa de emissão conhecida como Sharpless 249 preenche o campo em cima e à direita. A Nebulosa da Medusa encontra-se a aproximadamente 5000 anos-luz. A essa distância, esta composição de dados de banda estreita, apresentada na paleta de cores do Hubble, mede mais ou menos 300 anos-luz de diâmetro.
 

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