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Edição n.º 1535
23/11 a 26/11/2018
 
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EFEMÉRIDES

Dia 23/11: 327.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1885, é tirada a primeira fotografia de uma chuva de meteoros
Em 1924, é publicada num jornal a descoberta, por Edwin Hubble, de que Andrómeda, que se pensava ser uma nebulosa dentro da nossa Galáxia, é na realidade outra galáxia, e que a Via Láctea apenas uma de muitas galáxias no Universo.
Em 1972, a União Soviética faz a sua tentativa final de lançar com sucesso o foguetão N1
Em 1977, o Meteosat 1 torna-se no primeiro satélite a ser posto em órbita pela Agência Espacial Europeia (ESA).
Em 2015, o veículo espacial New Shepard da Blue Origin torna-se no primeiro foguetão a ser lançado com sucesso para o espaço e a regressar à Terra, numa aterragem controlada e vertical.

Observações: Lua Cheia, pelas 05:39.
Depois do anoitecer, a Lua ilumina o céu com as Plêiades pouco visíveis para cima e a alaranjada Aldebarã, muito perto do nosso satélite natural, para baixo e para a direita.

Dia 24/11: 328.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1639 (calendário juliano), Jeremiah Horrocks observa um trânsito de Vénus, um evento que tinha previsto.

Em 1969, o módulo de comando da missão Apollo 12 cai no Oceano Pacífico, terminando assim a segunda viagem tripulada à Lua.
Observações: A Lua nasce por volta do fim do lusco-fusco e sobe ao longo da noite. Está agora por baixo dos chifres de Touro: Beta e a mais ténue Zeta Tauri.

Dia 25/11: 329.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1915, Albert Einsteinapresenta as equações da relatividade geral à Academia de Ciências da Prússia.
Em 1999, observações terrestres de um vulcão em erupção em Io, uma lua de Júpiter

Observações: A Lua continua o seu percurso habitual pelo céu. Está agora para a esquerda de Orionte, situada nos pés dos Gémeos, constelações estas baixas a este depois da hora de jantar.

Dia 26/11: 330.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1937, nascia Boris Borisovich Yegorov, cosmonauta e físico. Torna-se no primeiro físico a fazer um voo espacial.
Em 1965, a França lança o seu primeiro satélite, o Astérix. Torna-se na terceira nação a entrar no espaço.
Em 1990, o foguetão Delta II (7000) levanta voo pela primeira vez.
Em 2011, é lançado para o espaço o Mars Science Laboratory, que tem a bordo o rover Curiosity.

Observações: Conjunção de Júpiter, pelas 06:21.
Esta noite, observe a linha diagonal e pouco curva formada por Castor e Pollux (Gémeos), pela Lua e por Procyon.

 
CURIOSIDADES

Os dois CubeSats da missão MarCO, que acompanharam o veículo InSight até Marte, têm as alcunhas WALL-E e Eve, uma referência aos personagens do filme animado WALL-E.
 
INSIGHT ATERRA EM MARTE NO DIA 26
Impressão de artista da entrada, descida e aterragem do InSight da NASA, prevista para dia 26 de novembro.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A nave InSight (Interior Exploration using Seismic Investigations, Geodesy and Heat Transport) da NASA está a caminho de um leve pouso à superfície do Planeta Vermelho no dia 26 de novembro. Mas para a equipa da missão este fim-de-semana de Ação de Graças não será relaxante. Os engenheiros vão permanecer de olho no fluxo de dados que indicam a saúde e a trajetória da Insight e a monitorizar as previsões meteorológicas marcianas para descobrir se a equipa precisa fazer ajustes finais na preparação para a aterragem, a poucos dias de distância.

"Aterrar em Marte é difícil. Requer perícia, foco e anos de preparação," comenta Thomas Zurbuchen, administrador associado para o Diretorado de Missões Científicas na sede da NASA em Washington. "Tendo em mente a nossa meta ambiciosa de eventualmente enviar humanos até à superfície da Lua e depois a Marte, sei que a nossa incrível equipa de engenharia e ciência - a única no mundo a ter aterrado com sucesso naves à superfície de Marte - fará tudo para pousar com sucesso o veículo InSight no Planeta Vermelho."

InSight, a primeira missão a estudar o interior profundo de Marte, levantou voo da Base Aérea de Vandenberg, na Califórnia Central, no dia 5 de maio de 2018. Tem sido um voo sem percalços até Marte, do jeito que os engenheiros gostam. Vão ter muitos momentos de emoção quando o InSight atingir o topo da atmosfera marciana a 19.800 km/h e diminuir até aos 8 km/h - a velocidade de corrida humana - antes das suas três pernas tocaram solo marciano. Esta desaceleração extrema tem que acontecer em pouco menos de sete minutos.

"Há uma razão para que os engenheiros chamem à aterragem em Marte os 'sete minutos de terror,'" diz Rob Grover, líder da equipa de entrada, descida e aterragem no JPL da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia. "Não podemos manobrar a aterragem, de modo que temos que confiar nos comandos que pré-programámos na nave. Passámos anos a testar os nossos planos, a aprender com as outras aterragens em Marte e a estudar todas as condições que Marte pode lançar contra nós. E vamos ficar atentos até que o InSight se estabeleça na sua casa, na região de Elysium Planitia."

Aqui fica uma lista dos marcos esperados para esta etapa da nave, assumindo que todos os procedimentos são exatamente como planeado e que os engenheiros não fazem mudanças finais no dia da aterragem (hora portuguesa):

  • Às 19:40 - Separação do estágio de cruzeiro que levou a missão a Marte;
  • Às 19:41 - Nave vira-se e orienta-se para entrada atmosférica;
  • Às 19:47 - Entrada atmosférica a cerca de 19.800 km/h, começando a fase de entrada, descida e aterragem;
  • Às 19:49 - Temperatura máxima atingida do escudo de calor, cerca de 1500ºC;
  • 15 segundos mais tarde - Máximo da desaceleração, em que o calor intenso poderá provocar uma interrupção nos sinais de rádio;
  • Às 19:51 - Abertura do paraquedas;
  • 15 segundos depois - Separação do escudo de calor;
  • 10 segundos mais tarde - Desdobram-se as três pernas do "lander";
  • Às 19:52 - Ativação do radar que vai medir a distância até ao solo;
  • Às 19:53 - Primeira aquisição do sinal de radar;
  • 20 segundos depois - Separação da concha traseira e do paraquedas;
  • 0,5 segundos mais tarde - Os retrofoguetes, ou motores de descida, começam a disparar;
  • 2,5 segundos depois - Tem início a "curva de gravidade" para colocar o "lander" numa boa orientação para aterragem;
  • 22 segundos mais tarde - O InSight começa a desacelerar para uma velocidade constante (de 27 km/h para 8 km/h) a fim de pousar;
  • Às 19:54 - Aterragem prevista à superfície de Marte;
  • Às 20:01 - "Beep" da banda-X de rádio do InSight, diretamente para a Terra, indicando que está vivo e a funcionar à superfície do Planeta Vermelho;
  • A partir das 20:04, mas possivelmente no dia seguinte - Primeira imagem do InSight a partir da superfície marciana;
  • A partir das 01:35 (dia 27) - Confirmação do InSight, via Mars Odyssey da NASA, da abertura dos painéis solares.
Ilustração da descida do "lander" InSight até à superfície de Marte.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Uma maneira de os engenheiros conseguirem confirmar rapidamente as atividades que o InSight completou durante esses sete minutos de terror é se a missão experimental CubeSat, conhecida como MarCO (Mars Cube One) retransmitir dados do InSight de volta à Terra quase em tempo real durante a sua passagem de dia 26 de novembro. As duas naves MarCO (A e B) estão a fazer bom progresso em direção ao ponto de encontro e os seus rádios já passaram nos primeiros testes de espaço profundo.

"Até agora apenas sobrevivendo à viagem, os dois satélites MarCO deram um salto gigantesco para os CubeSats," realça Anne Marinan, engenheira de sistemas da missão MarCO no JPL. "E agora estamos a preparar-nos para o próximo teste dos MarCO - servindo como um possível modelo para um novo tipo de relé de comunicação interplanetária."

Se tudo correr como previsto, os satélites MarCO podem demorar alguns segundos para receber e formatar os dados antes de transmiti-los para a Terra à velocidade da luz. Isto significaria que os engenheiros do JPL e outra equipa da Lockheed Martin Space em Denver podem dizer o que o "lander" fez durante a entrada, descida e aterragem aproximadamente oito minutos depois da InSight completar as suas atividades. Sem os MarCO, a equipa da InSight precisaria esperar várias horas para que os dados de engenharia fossem transmitidos através dos principais meios de comunicação - relés através da MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) e Mars Odyssey da NASA.

Impressão de artista dos MarCO a transmitir os dados da entrada, descida e aterragem da missão InSight para a Terra.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Assim que os engenheiros souberem que a nave aterrou em segurança, através de uma das várias maneiras que têm para confirmar este marco e que os painéis solares do veículo foram abertos adequadamente, a equipa pode preparar-se para o cuidadoso processo com a duração de três meses que é a implantação dos instrumentos científicos.

"Aterrar em Marte é emocionante, mas os cientistas estão ansiosos pelo 'depois' da aterragem do InSight," afirma Lori Glaze, diretora interina da Divisão de Ciências Planetárias na sede da NASA. "Assim que o InSight estiver bem instalado em Marte e os seus instrumentos estiverem implantados, começará a recolher informações valiosas sobre a estrutura do interior profundo de Marte - informações que nos ajudarão a entender a formação e a evolução de todos os planetas rochosos, incluindo o planeta a que chamamos casa."

"As missões anteriores só exploraram a superfície de Marte," acrescenta Sue Smrekar, vice-investigadora principal da missão InSight no JPL. "Os cientistas da InSight mal podem esperar por explorar o coração de Marte."

Links:

Cobertura da missão InSight pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
20/11/2018 - Local de aterragem do InSight é perfeitamente "chato"
08/05/2018 - InSight a caminho de Marte
03/04/2018 - NASA pronta para estudar o coração de Marte
03/04/2018 - Sismos marcianos podem revolucionar ciência planetária
21/08/2012 - Nova missão da NASA vai estudar directamente e pela primeira vez o interior de Marte

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
NASA/JPL - 2 (comunicado de imprensa)
Aterragem do InSight em Marte (NASA/JPL via YouTube)
Livestream do controlo da missão para a aterragem do InSight (NASA/JPL via YouTube)
Nature
SPACE.com
PHYSORG
BBC News
The Verge

InSight:
NASA
NASA - 2
Wikipedia

Elysium Planitia:
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

MarCO:
NASA/JPL
Wikipedia

 
DETETADA UMA IRMÃ GÉMEA DO SOL

Uma equipa internacional, liderada pelo investigador do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço Vardan Adibekyan, usou um novo método para detetar irmãs do Sol. O artigo foi publicado na revista Astronomy & Astrophysics.

Estima-se que serão milhares as estrelas irmãs do Sol que se formaram no mesmo enxame juntamente com a nossa estrela, há cerca de 4,6 mil milhões de anos. Com o passar do tempo, as estrelas do enxame espalharam-se pela nossa Galáxia, o que dificulta a sua deteção.

Vardan Adibekyan (IA & Universidade do Porto) explica a importância de encontrar estas estrelas: "Como não há muita informação acerca do passado do Sol, estudar estas estrelas pode ajudar-no a perceber onde na Galáxia, e em que condições, se formou o Sol."

Enxame aberto de estrelas Trumpler 14, um enxame com mais de duas mil estrelas, semelhante àquele onde terá nascido o Sol.
Crédito: ESO/H. Sana
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Adibekyan acrescenta: "Com a colaboração de Patrick de Laverny e Alejandra Recio-Blanco, do Observatório da Côte d'Azur, obtivemos uma amostra de 230.000 espectros, do Projeto AMBRE." AMBRE é um projeto de arqueologia galáctica, montado pelo ESO e pelo Observatório da Côte d’Azur, para determinar os parâmetros estelares dos espectros em arquivo, provenientes dos espectrógrafos FEROS, HARPS, UVES e GIRAFFE do ESO.

De seguida, a equipa usou estes espectros do AMBRE, em conjunto com dados astrométricos muito precisos da missão GAIA (ESA), de modo a "fazer uma seleção de estrelas com composições químicas semelhantes à do Sol, seguido de um cálculo das suas idades e propriedades cinemáticas", diz Vardan Adibekyan.

Apesar de terem descoberto apenas uma irmã do Sol nesta investigação – HD186302, esta é muito especial. Esta estrela de tipo G3 da sequência principal não é só uma irmã do Sol, tendo em conta as suas idades e composição química, como é também uma irmã gémea.

Imagem do Sol.
Crédito: SDO/NASA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

As estrelas irmãs do Sol podem ser boas candidatas à procura de vida, pois há a possibilidade da vida ter sido transportada entre planetas das estrelas do enxame solar. Esta transferência de vida entre sistemas exoplanetários é conhecida por litopanspermia.

Adibekyan está cautelosamente empolgado com esta possibilidade: "Alguns modelos teóricos mostram uma probabilidade não negligenciável da vida se ter espalhado a partir da Terra, até outros planetas ou sistemas exoplanetários, durante o período de bombardeamento tardio do Sistema Solar. Se tivermos sorte, e a nossa estrela irmã do Sol tiver um planeta, e o planeta for rochoso, na zona de habitabilidade, e finalmente, se esse planeta tiver sido 'contaminado' pelas sementes de vida da Terra, então temos o que nós sempre sonhámos – uma Terra 2.0, a orbitar um Sol 2.0."

A equipa do IA planeia agora começar uma campanha de busca de planetas à volta desta estrela, recorrendo aos espectrógrafos HARPS e ESPRESSO. Encontrar e caracterizar sistemas planetários em volta de estrelas irmãs do Sol pode revelar informação extremamente importante acerca do resultado de formação planetária num ambiente partilhado.

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
20/04/2018 - "Interrogadas" 340.000 estrelas em busca das irmãs do Sol
13/05/2014 - Astrónomos encontram há muito perdida "irmã do Sol", abrem caminho para reunião familiar
30/08/2013 - Identificada gémea do Sol mais velha conhecida até à data
25/10/2006 - O Sol teve irmãs

Notícias relacionadas:
Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (comunicado de imprensa)
Artigo científico (Astronomy & Astrophysics)
Artigo científico (arXiv.org)
Universe Today
Spacedaily
PHYSORG
Science alert
METRO

HD 186302:
SIMBAD

Sol:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg 
Wikipedia

Sistema Solar:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

Gaia:
ESA
ESA - 2
Arquivo de dados do Gaia
Como usar os dados do Gaia
Recursos VR
SPACEFLIGHT101
Wikipedia

 
UMA SERPENTE CÓSMICA
O instrumento VISIR montado no VLT do ESO capturou esta imagem de um sistema estelar triplo massivo recentemente descoberto. Apelidado Apep, como a antiga divindade egípcia, este sistema pode muito bem ser o primeiro progenitor de explosões de raios-gama a ser descoberto.
Os ventos estelares de Apep criaram a nuvem de poeira que rodeia o sistema, o qual é constituído por um sistema estelar binário mais uma companheira ténue, ligados gravitacionalmente. Com duas estrelas Wolf-Rayet a orbitarem entre si no binário, as espirais serpenteantes que rodeiam o Apep formam-se pela colisão de dois conjuntos de ventos estelares fortes, que criam as plumas de poeira que vemos na imagem, a vermelho. Estas estruturas foram observadas pelo instrumento VISIR, montado no VLT do ESO.
As fontes azuis no centro da imagem são o sistema estelar triplo, capturado pelo instrumento de ótica adaptativa do VLT, NACO. Apesar de apenas dois objetos do tipo estelar serem visíveis, a fonte inferior é de facto um binário Wolf-Rayet não resolvido.
Crédito: ESO/Callingham et al.
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O instrumento VISIR montado no VLT (Very Large Telescope) do ESO capturou esta imagem de um sistema estelar triplo massivo recentemente descoberto. Apelidado Apep, como a antiga divindade egípcia, este sistema pode muito bem ser o primeiro progenitor de explosões de raios-gama a ser descoberto.

Esta espiral serpenteante, capturada pelo instrumento VISIR montado no VLT do ESO, enfrenta um futuro explosivo; trata-se de um sistema de estrelas Wolf-Rayet, uma fonte provável de um dos fenómenos mais energéticos do Universo — uma explosão de raios-gama de longa duração.

"Esta é a primeira vez que descobrimos um tal sistema na nossa própria Galáxia," explica Joseph Callingham, do Instituto Holandês de Rádio Astronomia (ASTRON), autor principal do estudo que descreve este sistema, "Nunca esperámos encontrar um sistema destes no nosso 'quintal'".

O sistema, que compreende um ninho de estrelas massivas rodeado por uma "girândola" de poeira, está catalogado como 2XMM J160050.7-514245, no entanto os astrónomos optaram por lhe dar o nome de "Apep".

Apep era uma antiga divindade egípcia, uma serpente gigantesca que personificava o caos — o que se adequa perfeitamente a um sistema estelar tão violento e com uma forma sinuosa, reminiscente de uma serpente enroscada em torno das estrelas centrais. Os antigos egípcios acreditavam que Rá, o Deus-Sol, combatia com Apep todas as noites; rezar e venerar Rá garantia a sua vitória e o regresso do Sol.

As explosões de raios-gama encontram-se entre as mais poderosas do Universo. Com uma duração de algumas milésimas de segundo a algumas horas, estas explosões podem libertar tanta energia como a que o Sol libertará durante toda a sua vida. Pensa-se que as explosões de raios-gama de longa duração — as que duram mais de 2 segundos — são provocadas por estrelas Wolf-Rayet em rotação rápida que explodem sob a forma de supernovas.

Algumas das estrelas mais massivas evoluem para estrelas Wolf-Rayet no final das suas vidas. Esta fase dura pouco, sendo que as Wolf-Rayet sobrevivem neste estado durante apenas algumas centenas de milhares de anos — um mero piscar de olhos em termos cosmológicos. Durante esse tempo, estas estrelas libertam enormes quantidades de matéria sob a forma de poderosos ventos estelares, lançando a matéria para o exterior com velocidades de milhões de quilómetros por hora; os ventos estelares de Apep estão a viajar à incrível velocidade de 12 milhões de quilómetros por hora.

Estes ventos estelares deram origem a elaboradas plumas que rodeiam o sistema estelar triplo — constituído por um sistema estelar binário e uma estrela individual companheira ligados gravitacionalmente. Apesar de apenas dois objetos do tipo estelar serem visíveis na imagem, a fonte inferior é de facto um binário Wolf-Rayet não resolvido. É precisamente este binário que é responsável por esculpir as espirais serpenteantes que rodeiam Apep, as quais se formam a partir dos ventos estelares em colisão das duas estrelas Wolf-Rayet.

Comparada com a velocidade extraordinária dos ventos de Apep, a girândola de poeira espirala para o exterior mais lentamente, com uma velocidade inferior a dois milhões de quilómetros por hora. Pensa-se que esta discrepância entre a velocidade dos ventos rápidos de Apep e da roda de poeira se deve a uma das estrelas do binário estar a lançar, em direções diferentes, tanto um vento rápido como um mais lento.

Isto significaria que a estrela apresenta uma rotação muito próxima da rotação crítica — isto é, roda tão rapidamente que está quase a autodestruir-se neste processo. Pensa-se que uma estrela Wolf-Rayet com tão elevada rotação produza explosões de raios-gama de longa duração quando o seu núcleo colapsa no final da sua vida.

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Artigo científico (Nature)
Artigo científico (arXiv.org)
ESOcast 185 (ESO via YouTube)
Science
EurekAlert!
COSMOS
Livescience
PHYSORG
Astronomy Now
Science alert
Popular Mechanics
CNN
Newsweek
ars technica
Gizmodo

Apep (2XMM J160050.7-514245):
SIMBAD
Wikipedia

Estrelas Wolf-Rayet:
Wikipedia

GRB:
NASA
Wikipedia

VLT:
Página oficial
Wikipedia
Instrumento VISIR (ESO)

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  "Passarela" exoplanetária (via Observatório W. M. Keck)
Astrónomos obtiveram alguns dos melhores dados, até ao momento, da composição de um planeta conhecido como HR 8799c - um jovem gigante gasoso com aproximadamente 7 vezes a massa de Júpiter que orbita a sua estrela a cada 200 anos. A equipa usou instrumentos do Keck para confirmar a existência de água na atmosfera do planeta, bem como da ausência de metano. Ler fonte
     
  Explosão de estrelas produzem ingrediente-chave da areia, vidro (via NASA)
Nós somos, quase literalmente, feitos de poeira das estrelas. Muitos dos químicos que compõem o nosso planeta e os nossos corpos foram diretamente formados pelas estrelas. Agora, um novo estudo que utiliza observações do Telescópio Espacial Spitzer da NASA divulga, pela primeira vez, que a sílica - um dos minerais mais comuns encontrados na Terra - é formado quando estrelas massivas explodem. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Retrato de NGC 281
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Jeremiah Roth
 
Espreite através da nuvem cósmica catalogada como NGC 281 e poderá facilmente perder as estrelas do enxame aberto IC 1590. Ainda assim, formadas dentro da nebulosa, as estrelas jovens e massivas do enxame alimentam o brilho nebular. As formas de cortar a respiração neste retrato de NGC 281 são colunas esculpidas de poeira e densos glóbulos de Bok vistos em silhueta, sofrendo erosão dos ventos energéticos e da radiação das quentes estrelas do enxame. Se sobreviverem tempo suficiente, as estruturas poeirentas podem também ser o local de formação estelar futura. Com a alcunha de Nebulosa Pacman devido à sua forma, NGC 281 está a 10.000 anos-luz na direção da constelação de Cassiopeia. A composição foi feita através de filtros de banda estreita. Combina a emissão dos átomos de hidrogénio e de oxigénio da nebulosa para sintetizar os tons vermelho, verde e azul. À distância estimada de NGC 281, a cena cobre mais de 80 anos-luz.
 

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