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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Agora também com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
  Astroboletim #1564  
  05/03 a 07/03/2019  
     
 
15/03/19 - Noites Astronómicas em Tavira
20:00 - Sessão de Noites Astronómicas em Tavira no Forte do Rato. Esta sessão terá no seu foco reforçar os conhecimentos adquiridos do céu noturno das últimas sessões e observarmos o movimento aparente das estrelas que se apresenta ao longo destes três meses. Esta atividade é gratuita. A realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas e está sujeita a um número mínimo de participantes.
Local: Forte do Rato
Pré-inscrição obrigatória
Telefones: 281 326 231; 924 452 528
E-mail: geral@cvtavira.pt
 
     
 
29/03/19 - Observação Noturna + palestra - MUDANÇA DA HORA
21:30 - Este evento inclui uma apresentação sobre um tema astronómico, seguida de observação astronómica noturna com telescópio no nosso maravilhoso terraço (dependente de meteorologia favorável).
Local: CCVAlg
Adultos: 2€ | Jovens: 1€
Pré-inscrição: siga este link
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt
 
     
 
Efemérides

Dia 05/03: 64.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1512 nascia Gerardus Mercator, famoso cartógrafo.

Em 1616, o livro de Nicolau CopérnicoDe revolutionibus orbium coelestium (Das revoluções das esferas celestes) é banido pela Igreja Católica.
Em 1958, é lançada a sonda Explorer 2, mas falha a alcançar órbita.
Em 1978, lançamento do Landsat 3 a partir da Base da Força Aérea em Vandenberg, Califórnia. 
Em 1979 as sondas soviéticas Venera 11Venera 12 e o satélite solar americano Helios II são atingidos por raios-gama, o que leva à descoberta da primeira explosão de raios-gama, proveniente dos enigmáticos objetos de nome magnetares. No mesmo ano, a sonda Voyager 1 faz a sua maior aproximação de Júpiter, quando passa a 206.700 quilómetros do topo das nuvens do planeta. 
Em 1982, a sonda Venera 14 aterra em Vénus
Em 1998, a NASA anuncia que a sonda Clementine, em órbita da Lua, descobriu água suficiente para suportar uma colónia humana.
Observações:
Com um céu muito escuro, a figura de Cão Maior é fácil de ver - o cão está em perfil, dirigindo-se para a direita, e Sirius é a sua brilhante medalha - mas, para a maioria de nós, só se conseguem ver cinco estrelas. Estas formam o inconfundível asterismo do Cutelo. Sirius e Murzim (para a sua direita) perfazem a parte da frente da lâmina do cutelo, Sirius sendo o canto superior. Para baixo e para a esquerda de Sirius está a pega do Cutelo, formada pelo triângulo de Adhara, Wesen e Aludra.

Dia 06/03: 65.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1787 nascia Joseph Fraunhofer, espectroscopista pioneiro alemão, de quem as proeminentes linhas de absorção no espectro do Sol receberam o seu nome.
Em 1986, entre dia 6 e 14, primeiro voo rasante de um cometa, pela sonda Vega 1 e Giotto (580 km), no Cometa Halley.
Em 2015, depois de orbitar Vesta durante 14 meses em 2011 e 2012, a sonda Dawn da NASA chega a Ceres.

Observações: Lua Nova, pelas 16:04.
Depos do anoitecer, Capella brilha alta a noroeste. Entre esta estrela e a Polar, 43º para baixo e para a direita a norte, está uma região não muito rica do céu - na realidade, "vazia" para os observadores com muita poluição luminosa. Este é o "terreno" celeste da enorme constelação de Girafa. Mesmo que não consiga discernir o seu um tanto ou quanto indecifrável padrão estelar, fica a saber a posição geral de outra constelação.

Dia 07/03: 66.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1792 nascia John Herschel, astrónomo, matemático, químico e inventor/fotógrafo experimental, que deu nome a sete luas de Saturno e a quatro de Úrano.
Em 1837 nascia Henry Draper, o primeiro a fotografar o espectro estelar. Um importante catálogo de espectros estelares tem o seu nome.
Em 1958 nascia Alan Hale, astrónomo americano, codescobridor do Cometa Hale-Bopp
Em 2009, é lançado o observatório espacial Kepler, desenhado para descobrir planetas parecidos com a Terra em órbita de outras estrelas.

Em 2012, a LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter) captura imagens do local de aterragem da Apollo 11. São visíveis as experiências, o equipamento e as pegadas de Buzz Aldrin e de Neil Armstrong
Observações: Conjunção de Neptuno, pelas 00:54.
Tentemos avistar Leão Menor, aninhada entre a Ursa Maior, Leão e Lince. O campo de Leão Menor abrange quase o de uns binóculos. Descubra o padrão estas noites para cima e para a direita da "foice" de Leão com a ajuda de um mapa celeste.

 
     
 
Curiosidades


O Grupo Local é o grupo que inclui a Via Láctea, entre outras galáxias. Compreende mais de 54 galáxias, incluindo anãs. O seu centro de massa está localizado algures entre a Via Láctea e a Galáxia de Andrómeda. Cobre um diâmetro de 3,1 megaparsecs.

 
 
   
Planeta exilado ligado a "flyby" estelar há 3 milhões de anos
 
Simulação do "flyby" de uma estrela binária por um sistema planetário jovem. Astrónomos da UC Berkeley e de Stanford suspeitam que um "flyby" deste género alterou a órbita de um planeta (em azul) em redor da estrela HD 106906 para permanecer ligado ao sistema num órbita oblíqua parecida à do proposto Planeta Nove no nosso próprio Sistema Solar.
Crédito: Paul Kalas
 

Alguns dos aspetos peculiares do nosso Sistema Solar - uma nuvem envolvente de cometas, planetas anões em órbitas estranhas e, caso realmente exista, um possível Planeta Nove longe do Sol - foram ligados à aproximação de outra estrela na infância do nosso sistema que "desarrumou" as coisas.

Mas será que os "flybys" estelares são realmente capazes de expelir planetas, cometas e asteroides, remodelando sistemas planetários inteiros?

Astrónomos da Universidade da Califórnia em Berkeley e da Universidade de Stanford pensam que encontraram agora uma arma fumegante.

Um planeta em órbita de um jovem sistema binário pode ter sido perturbado por outro par de estrelas que passou demasiado perto do sistema há 2-3 milhões de anos, logo após o planeta se formar a partir de um disco giratório de poeira e gás.

Se confirmado, isto reforça os argumentos de que os "raspões" estelares ajudam a esculpir sistemas planetários e podem determinar se abrigam ou não planetas com órbitas estáveis.

"Um dos mistérios decorrentes do estudo de exoplanetas é que vemos sistemas onde os planetas estão desalinhados, mesmo que nasçam num disco circular e achatado," disse Paula Kalas, professor adjunto de astronomia da UC Berkeley. "Talvez um tsunami cósmico tenha atingido estes sistemas e reorganizado tudo, mas ainda não tínhamos provas. O nosso trabalho fornece uma rara evidência observacional de que um destes 'flybys' influenciou suavemente um dos sistemas planetários na Galáxia."

Os astrónomos já estão à procura de uma passagem rasante estelar no passado do nosso Sistema Solar, mas dado que provavelmente ocorreu há 4,6 mil milhões de anos, a maior parte das evidências já desapareceram. O sistema estelar que os astrónomos estudaram, identificado pela designação HD 106906 e localizado a cerca de 300 anos-luz da Terra na direção da constelação de Crux (Cruzeiro do Sul), é muito jovem e possui apenas mais ou menos 15 milhões de anos.

Kalas e Robert De Rosa, ex-pós-graduado da UC Berkeley que é agora investigador do Instituto Kavli para Astrofísica de Partículas e Cosmologia de Stanford, descrevem os seus achados num artigo aceite para publicação na revista The Astronomical Journal e que está disponível online.

Estrelas fugitivas

Kalas, que estuda sistemas planetários jovens e recém-formados a fim de tentar entender o que aconteceu nos primeiros anos do nosso próprio Sistema Solar, focou-se em HD 106906 originalmente em 2015 depois de aí se ter descoberto um planeta massivo numa órbita altamente invulgar. O planeta, com o nome HD 106906 b, tem 11 vezes a massa de Júpiter e orbita HD 106906 - que se descobriu recentemente ser uma estrela dupla - numa órbita inclinada 21 graus em relação ao plano do disco que contém todo o outro material em redor das estrelas. A sua distância atual até HD 106906 é equivalente a pelo menos 738 vezes a distância entre a Terra e o Sol, ou aproximadamente 18 vezes o equivalente à distância entre Plutão e o Sol.

Kalas usou o instrumento GPI (Gemini Planet Imager) acoplado ao Telescópio Gemini nos Andes Chilenos e o Telescópio Espacial Hubble para observar HD 106906 em mais detalhe e descobriu que a estrela binária tem também uma cintura cometária assimétrica. A estranha órbita do planeta e o facto de que o próprio disco de poeira é assimétrico indicam que algo perturbou o sistema jovem.

Kalas e seus colegas, incluindo De Rosa, propuseram que o planeta foi expulso do seu sistema por interações com outro planeta ainda por descobrir no sistema ou por uma estrela passageira. Kalas e De Rosa agora acreditam que podem ter acontecido ambos os cenários: o planeta foi colocado numa órbita excêntrica quando passou perigosamente perto da estrela binária central, um cenário proposto em 2017 pela teórica Laetitia Rodet e colaboradores do Observatório de Grenoble, na França. Impulsos gravitacionais repetidos do binário teriam expulso o planeta para o espaço interestelar, mas as estrelas passageiras resgataram o planeta, empurrando a sua órbita para uma mais segura distância do binário.

O observatório espacial Gaia deu-lhes os dados que precisavam para testar a sua hipótese. O Gaia, lançado em 2012 pela ESA, recolhe medições precisas da distância, posição e movimento de 1,3 mil milhões de estrelas na Via Láctea, um catálogo 10.000 vezes maior do que o seu antecessor, Hipparcos.

Kalas e De Rosa reuniram informações do Gaia sobre 461 estrelas no mesmo enxame que HD 106906 e calcularam as suas posições anteriores no tempo - revertendo o relógio cósmico, por assim dizer - e descobriram que outro sistema binário pode ter passado perto o suficiente, há 3 milhões de anos atrás, para alterar o sistema planetário.

 
Dois sistemas binários, agora distantes, passaram um pelo outro há 2-3 milhões de anos, deixando uma "arma fumegante" - um sistema planetário desordenado (esquerda).
Crédito: Paul Kalas, UC Berkeley
 

"O que fizemos foi encontrar as estrelas que podem ter dado a HD 106906 b um empurrão gravitacional extra, um segundo empurrão para que se tornasse de longa duração, como o hipotético Planeta Nove no nosso Sistema Solar," disse Kalas.

Eles também descobriram que a estrela binária se aproximou com uma trajetória que estava a cerca de 5 graus do disco do sistema, tornando ainda mais provável que o encontro tivesse um impacto forte e duradouro em HD 106906.

Tais empurrões duplos podem ser importantes para estabilizar planetas, asteroides e cometas em redor das estrelas, explicou Kalas.

"O estudo do sistema planetário de HD 106906 é como voltar atrás no tempo para observar a nuvem de Oort a formar-se em redor do nosso jovem Sol," realçou. "Os nossos próprios planetas gigantes 'chutaram' gravitacionalmente inúmeros cometas para grandes distâncias. Muitos foram expelidos completamente, tornando-se objetos interestelares como 'Oumuamua, mas outros foram influenciados por estrelas que passavam perto. Esse segundo 'pontapé', devido a um 'flyby' estelar, pode separar a órbita de um cometa de quaisquer outros encontros com os planetas, salvando-o da perspetiva de expulsão. Esta cadeia de eventos preservou o material mais primitivo do Sistema Solar num congelamento profundo longe do Sol durante milhares de milhões de anos."

Kalas espera que observações futuras, como as de um catálogo atualizado de medições do Gaia, esclareçam a importância do "flyby" por HD 106906.

"Começámos com 461 suspeitos e descobrimos dois que estavam no local do crime," acrescentou. "O seu papel exato será revelado quando recolhermos mais evidências."

// UC Berkeley (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astronomical Journal)
// Artigo científico (arXiv.org)
// Duas estrelas empurram planeta de percurso de fuga (Paul Kalas via YouTube)

 


Saiba mais

CCVAlg - Astronomia:
04/12/2015 - Exoplaneta exilado foi provavelmente expulso da vizinhança da estrela
10/12/2013 - Astrónomos descobrem planeta onde não devia estar

Notícias relacionadas:
EurekAlert!
ScienceDaily
PHYSORG

HD 106906:
Wikipedia

HD 106906 b:
HD 106906 b (Wikipedia)
Exoplanet.eu

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

Observatório Gemini:
Página oficial
Wikipedia

GPI:
Página oficial 
Observatório Gemini
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

Gaia:
ESA
ESA - 2
Arquivo de dados do Gaia
Como usar os dados do Gaia
Recursos VR
SPACEFLIGHT101
Wikipedia

 
   
Primeira evidência de sistema global de águas subterrâneas em Marte
 
Exemplo de características identificadas numa bacia profunda em Marte que mostram que pode ter sido influenciada por água há milhares de milhões de anos. Clique aqui para ver versão anotada e mais informações.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS
 

A Mars Express revelou a primeira evidência geológica de um sistema de antigos lagos interligados situados por baixo da superfície do Planeta Vermelho, cinco dos quais podem conter minerais cruciais para a vida.

Marte parece ser um mundo árido, mas a sua superfície mostra sinais convincentes de que grandes quantidades de água já existiram por todo o planeta. Nós vemos características que só podem ter sido formadas por água - canais e vales, por exemplo - e, no ano passado, a Mars Express detetou um reservatório de água líquida sob o polo sul do planeta.

Um novo estudo revela agora a extensão de água subterrânea no passado de Marte, que anteriormente era apenas prevista pelos modelos.

"Marte já foi um mundo com água, mas à medida que o clima do planeta mudava, a água recuou para baixo da superfície e formou poços e 'águas subterrâneas', diz o autor principal Francesco Salese, da Universidade de Ultrecht, nos Países Baixos."

"Nós rastreámos esta água no nosso estudo, já que a sua escala e papel são uma questão em debate, e encontrámos a primeira evidência geológica de um sistema de águas subterrâneas em Marte."

 
Esta imagem mostra a distribuição de várias crateras profundas (assinaladas como pontos) exploradas recentemente como parte de um estudo de água subterrânea de Marte.
As cores da imagem de fundo representam topografia: os vermelhos e laranjas são elevações mais baixas, e os azuis e verdes são elevações mais altas.
O estudo descobriu que os pisos das crateras, situados a 4000 metros de profundidade, mostram sinais de água passada - a primeira evidência geológica de que o Planeta Vermelho já teve um sistema de lagos subterrâneos espalhados por todo o planeta.
Crédito: topografia - NASA/MGS/MOLA; distribuição das crateras - F. Salese et al. (2019)
 

Salese e colegas exploraram 24 crateras profundas e fechadas no hemisfério norte de Marte, com pisos cerca de 4000 metros por baixo do "nível do mar" marciano (um nível que, dada a ausência de mares no planeta, é arbitrariamente definido em Marte com base na elevação e pressão atmosférica).

Eles encontraram características no chão dessas crateras que só podem ter sido formadas na presença de água. Muitas crateras contêm múltiplas características, todas a profundidades entre os 4000 e 4500 metros - indicando que algumas destas crateras já contiveram reservatórios e fluxos de água que mudaram e recuaram ao longo do tempo.

As características incluem canais gravados nas paredes das crateras, vales esculpidos pela água subterrânea, deltas curvos e escuros que se pensa terem sido formados à medida que os níveis de água subiram e desceram, "terraços" acidentados nas paredes das crateras formados por água parada e depósitos de sedimentos em forma de leque associados a fluxos de água.

O nível de água está alinhado com as linhas costeiras propostas de um oceano marciano que se pensa ter existido em Marte há 3-4 mil milhões de anos atrás.

 
Este diagrama mostram um modelo de como as bacias das crateras em Marte evoluíram ao longo do tempo e de como podem ter albergado água. Este modelo forma a base de um novo estudo sobre água subterrânea em Marte, que descobriu que várias bacias profundas - com pisos situados a mais de 4000 metros de profundidade - mostram sinais de de já ter contido reservatórios de água. As imagens (da câmara a bordo da sonda Mars Reconnaissance Orbiter da NASA) mostram exemplos das diferentes características observadas nas bacias.
Existem três estágios principais: no primeiro (topo), a bacia da cratera é inundada com água e características relacionadas com água - deltas, vales, canais, linhas costeiras e assim por diante - formam-se no interior. No segundo estágio (meio), o nível de água global do planeta desce e, como resultado, emergem novos relevos. No estágio final (baixo), a cratera seca e sofre erosão, revelando características formadas ao longo de milhares de milhões de anos.
Crédito: imagens - NASA/JPL-Caltech/MSSS; diagrama adaptado de F. Salese et al. (2019)
 

"Nós pensamos que este oceano pode estar ligado a um sistema de lagos subterrâneos espalhados por todo o planeta," acrescenta o coautor Gian Gabriele Ori, diretor da Escola Internacional de Pesquisa de Ciências Planetárias da Università D’Annunzio, Itália.

"Estes lagos teriam existido há aproximadamente 3,5 mil milhões de anos, de modo que podem ter sido contemporâneos de um oceano marciano."

A história da água em Marte é complexa e está intrinsecamente ligada a entender se a vida alguma vez surgiu ou não - e, em caso afirmativo, onde, quando e como o fez.

A equipa também avistou sinais de minerais em cinco das crateras que estão ligados com a origem da vida na Terra: várias argilas, carbonatos e silicatos. A descoberta suporta a ideia de que estas bacias em Marte podem ter tido os ingredientes para albergar vida. Além disso, eram as únicas bacias profundas o suficiente para cruzar com a parte saturada de água da crosta de Marte durante longos períodos de tempo, com evidências talvez ainda hoje enterradas nos sedimentos.

 
Impressão de artista da sonda Mars Express. O plano de fundo tem por base uma imagem real de Marte obtida pela câmara de alta-resolução do orbitador.
Crédito: imagem da nave - ESA/ATG medialab; Marte - ESA/DLR/FU Berlin
 

A exploração de locais como estes pode, portanto, revelar as condições adequadas para vida passada e, assim sendo, são altamente relevantes para missões astrobiológicas como a ExoMars - um esforço conjunto da ESA e da Roscosmos. Embora o ExoMars TGO (Trace Gas Orbiter) já esteja a estudar Marte a partir de órbita, a próxima missão será lançada no ano que vem. É composta por um rover - recentemente batizado com o nome Rosalind Franklin - e por uma plataforma científica de superfície e vai explorar locais marcianos considerados essenciais na busca de sinais de vida em Marte.

"Descobertas como esta são extremamente importantes; ajudam-nos a identificar as regiões de Marte que são mais promissoras para encontrar sinais de vida passada," diz Dmitri Titov, cientista do projeto Mars Express da ESA.

"É especialmente emocionante que uma missão tão frutífera no Planeta Vermelho, a Mars Express, seja agora fundamental para ajudar futuras missões como a ExoMars a explorar o planeta de uma maneira diferente. É um ótimo exemplo de missões que trabalham juntas com grande sucesso."

// ESA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Journal of Geophysical Research - Planets)

 


Saiba mais

CCVAlg - Astronomia:
15/02/2019 - Mars Express deteta água líquida escondida sob o polo sul de Marte

Notícias relacionadas:
science alert
astrobiology web
PHYSORG
TIME

Mars Express:
ESA 
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
   
Encontrado buraco negro de massa intermédia perto do Centro Galáctico
 
Impressão de artista de uma nuvem de gás a girar em torno de um buraco negro.
Crédito: NAOJ
 

Os astrónomos detetaram um buraco negro furtivo graças ao modo como afeta uma nuvem de gás interestelar. Este buraco negro de massa intermédia é um dos mais de 100 milhões de buracos negros que se pensa habitarem a nossa Galáxia. Estes resultados fornecem um novo método para encontrar outros buracos negros ocultos e para ajudar a entender o crescimento e a evolução dos buracos negros.

Os buracos negros são objetos com uma gravidade tão forte que tudo, incluindo a luz, é absorvido e nada pode escapar. Dado que os buracos negros não emitem luz, os astrónomos têm que inferir a sua existência a partir dos efeitos que a sua gravidade produz noutros objetos. Os buracos negros têm massas que variam entre 5 vezes a massa do Sol e milhões de vezes a massa do Sol, como é o caso dos buracos negros supermassivos. Os astrónomos pensam que os buracos negros pequenos se fundem e gradualmente se transformam em grandes, mas ninguém ainda tinha encontrado um com massa intermédia, com centenas ou milhares de vezes a massa do Sol.

Uma equipa de investigação liderada por Shunya Takekawa do NAOJ (National Astronomical Observatory of Japan) observou HCN–0.009–0.044, uma nuvem de gás que se move estranhamente perto do centro da Galáxia, a 25.000 anos-luz de distância da Terra na direção da constelação de Sagitário. Usaram o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) para realizar observações de alta-resolução da nuvem e descobriram que está a girar em redor de um objeto massivo e invisível.

Takekawa explica: "As análises cinemáticas detalhadas revelaram que uma massa enorme, 30.000 vezes maior que a do Sol, estava concentrada numa região muito menor do que o nosso Sistema Solar. Isto e a ausência de qualquer objeto observado naquele local sugere fortemente um buraco negro de massa intermédia. Ao analisarmos outras nuvens anómalas, esperamos expor outros buracos negros silenciosos."

Tomoharu Oka, professor da Universidade Keio e colíder da equipa, acrescenta: "É importante que este buraco negro de massa intermédia tenha sido encontrado a apenas 20 anos-luz do buraco negro supermassivo no Centro Galáctico. No futuro, cairá no buraco negro supermassivo; tal como o gás que atualmente cai sobre ele. Isto suporta o modelo de fusão para o crescimento dos buracos negros."

// Observatório ALMA (comunicado de imprensa)
// NAOJ (comunicado de imprensa)
// Observatório Nobeyama (comunicado de imprensa)
// Universidade Keio (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal Letters)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


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Notícias relacionadas:
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METRO

HCN-0.009-0.044:
Wikipedia

Buracos negros:
Wikipedia
Buraco negro de massa intermédia (Wikipedia)
Buraco negro supermassivo (Wikipedia)

ALMA:
Página principal
ALMA (NRAO)
ALMA (NAOJ)
ALMA (ESO)
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
   
Também em destaque
  Faça-você-mesmo um planeta anão: explorando Ceres em laboratórios (via NASA)
Ceres, o planeta anão entre Marte e Júpiter, é um mundo misterioso e exótico, com a sua história complicada e atividade geológica recente. Dado que os cientistas não podem, atualmente, visitar ou transportar para a Terra amostras, estão a tentar fabricar um bocado de Ceres na Terra. Ler fonte
 
   
Álbum de fotografias - As "Balas" de Orionte
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Equipa GeMS/GSAOI, Observatório Gemini, AURA, NSF; Processamento: Rodrigo Carrasco (Obs. Gemini), Travis Rector (Univ. Alaska em Anchorage)
 
Porque é que a Nebulosa de Orionte está a disparar "balas" de gás? Ainda ninguém tem a certeza. Descobertos pela primeira vez em 1983, cada projétil tem aproximadamente o tamanho do nosso Sistema Solar e movem-se a cerca de 400 km/s a partir de uma fonte central denominada IRc2. A idade das "balas", que pode ser determinada a partir da sua velocidade e distância até IRc2, é muito jovem - normalmente menos de 1000 anos. À medida que as "balas" se afastam do topo da secção Kleinmann-Low da Nebulosa de Orionte, uma pequena percentagem de ferro gasoso faz com que a ponta de cada "bala" brilhe em tons de azul, enquanto cada uma deixa um pilar tubular que brilha à luz do hidrogénio gasoso aquecido. A imagem detalhada foi criada usando o telescópio Gemini Sul de 8,1 metros, no Chile, com um sistema de óticas adaptativas (GeMS). O GeMS usa cinco estrelas-guia geradas a laser para ajudar a compensar o efeito de desfocagem da atmosfera do planeta Terra.
 
   
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