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  Astroboletim #1603  
  19/07 a 22/07/2019  
     
     
 
Astronomia no Verão CCVAlg | CCVTavira

Atividades astronómicas planeadas para o restante mês de julho:

22/07 - Lagoa, Sr.ª da Rocha, a partir das 21:30, na Capela Nossa Senhora da Rocha (atividade realizada pelo CCVAlg)

24/07 - S. Brás de Alportel, a partir das 21:00, no Miradouro do Alto da Arroteia (atividade realizada pelo CCVAlg)

24/07 - Tavira, a partir das 22:00, junto ao Forte do Rato (atividade realizada pelo CCVTavira)

26/07 - Passeio noturno em barco solar para melhor observar estrelas; ponto de encontro, às 21:00, no cais de embarque na muralha da Villa Adentro (atividade realizada pelo CCVAlg)

(todas as atividades estão dependentes de condições meteorológicas favoráveis; consulte cada uma das atividades para obter mais informações e para fazer a sua inscrição)

 
     
 
Efemérides

Dia 19/07: 200.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1846 nascia Edward Pickering, espectroscopista americano pioneiro e diretor do Observatório da Universidade de Harvard entre 1876 e 1919.

Esta foi a era da introdução da fotografia na Astronomia e a coleção de chapas fotográficas iniciada durante o tempo de Pickering é ainda uma valiosa fonte de dados.
Em 1912, um meteorito com uma massa estimada de 190 kg explode sobre a cidade de Holbrook, no estado norte-americano do Arizona, provocando a queda de aproximadamente 16.000 fragmentos de detritos. 
Em 1985, o Presidente George H. W. Bush decide mandar pela primeira vez um professor para o espaço. A professora Christa McAuliffe seria a primeira a bordo do vaivém espacial Challenger na missão STS-51-L, que a 28 de janeiro de 1986 explodiria 73 segundos após o lançamento.
Observações: A cauda de Escorpião está a sul logo após o anoitecer. Quão baixa, depende de quão para norte ou sul está o observador: quanto mais para sul, mais alta. Procure as duas estrelas especialmente próximas uma da outra na sua cauda. Estas são Lambda e a mais ténue Upsilon Scorpii, conhecidas como os "Olhos de Gato". As estrelas "Ohos de Gato" apontam para oeste na direção de Mu Scorpii, um par ainda mais íntimo conhecido como os "Olhos do Gato Pequeno". É necessário ter uma excelente visão para resolver as estrelas Mu sem binóculos.

Dia 20/07: 201.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1969 os primeiros humanos aterram na Lua: a missão Apollo 11 com os astronautas Neil Armstrong e Edwin Aldrin.

A maioria das pessoas não sabe que as famosas palavras de Armstrong eram para ser: "Um pequeno passo para um homem. Um grande salto para a Humanidade."
Em 1976 a sonda Viking 1 aterra em Marte e são tiradas as primeiras imagens da sua superfície.
Em 1994, o fragmento Q1 do Cometa Shoemaker-Levy 9 atinge Júpiter
Em 1999 a sonda Liberty Bell 7 do programa Mercúrio era retirada do Oceano Atlântico.
Em 2009, cientistas encontram evidências de outro objeto que bombardeou Júpiter, exatamente 15 anos após os primeiros impactos do cometa Shoemaker-Levy 9
Observações: Ocultação de Io, entre as 03:40 e as 05:54.
Eclipse de Io, entre as 04:30 e as 06:49.
Escorpião é por vezes denominada "Orionte de Verão" devido ao seu brilho e à sua proeminente gigante vermelha (Antares no caso de Escorpião, Betelgeuse para Orionte). Mas Escorpião passa muito mais baixo a sul do que Orionte para nós que vivemos a latitudes médias norte. Isto significa que só tem apenas um bom mês para observação noturna: julho. Aviste Escorpião a sul logo após o cair da noite, antes de começar a inclinar-se para sudoeste. A constelação tem muitos objetos de céu profundo para observar com binóculos ou com um telescópio, antes da Lua nascer um pouco mais tarde e iluminar o céu.
Assim que a Lua nascer a este-sudeste, contemple o momento quando, há 50 anos atrás, o Homem deu os primeiros passos noutro mundo. O terminador encontra-se perto de "Tranquility Base", e as características lunares provocam sombras longas.

Dia 21/07: 202.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1620, nascia Jean Picard, astrónomo francês, o primeiro a medir o raio da Terra com um grau de precisão razoável (6328,9 km, 0,44% mais pequeno que o valor moderno).
Em 1961, Gus Grissom, pilotando a cápsula Liberty Bell 7 da Mercury 4, torna-se o segundo americano a entrar em órbita à volta da Terra.
Em 1969, Neil Armstrong e Edwin "Buzz" Aldrin tornam-se nos primeiros humanos a andar na Lua, durante a missão Apollo 11 (20 de julho na América do Norte).

No mesmo dia, a sonda soviética Luna 15 colide com a superfície da Lua ao tentar aterrar. 
Em 1973 era lançada a sonda soviética Mars 4. Alcança Marte em fevereiro de 1974. No entanto, a sonda falha a entrada em órbita. Mesmo assim, consegue enviar alguns dados e imagens.
Em 2011, termina o programa do Vaivém Espacial da NASA, com a aterragem do vaivém Atlantisdurante a missão STS-135.
Observações: Trânsito de Io, entre as 01:00 e as 03:16.
Trânsito da sombra de Io, entre as 01:52 e as 04:09.
Conjunção inferior de Mercúrio, pelas 13:38.
O verão ainda vai a um-terço e já a constelação em forma de "W", Cassiopeia, mais conhecida por aparecer nas noites de outono e inverno, sobe a norte-nordeste com o passar da noite. E o Grande Quadrado de Pégaso, emblema de outono, surge para ficar apoiado num canto mesmo para cima do horizonte a este.
Ocultação de Io, entre as 22:07 e as 00:21 (já de dia 22).
Eclipse de Io, entre as 22:59 e as 01:18 (já de dia 22).

Dia 22/07: 203.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1784, nascia Friedrich Bessel, astrónomo e matemático alemão, o primeiro a determinar a distância do Sol até outra estrela usando o método da paralaxe.

Em 1962, a Mariner 1 voa erraticamente durante vários minutos após o lançamento, acabando por ter que ser destruída.
Observações: Trânsito de Io, entre as 19:26 e as 21:43.
Trânsito da sombra de Io, entre as 20:21 e as 22:38.
Vega é a estrela mais brilhante, bem alta a este. Para baixo e para a direita encontra-se Altair, quase com o mesmo brilho. Perto de Altair está Tarazed (cerca de um dedo à distância do braço esticado), uma gigante laranja bem mais distante que Altair (395 anos-luz, em comparação com os 16,7 de Altair).

 
     
 
Curiosidades


Quando Buzz Aldrin, o piloto do módulo lunar, se juntou a Neil Armstrong à superfície da Lua, teve que se certificar que não fechava totalmente a escotilha do "Eagle" porque a cabina começaria então a repressurizar, dificultando a reentrada. Se tal tivesse acontecido, podiam ter ficado fechados "lá fora".

 
 
   
Gaia começa a mapear a barra da nossa Galáxia
 
Esta imagem mostra a distribuição de 150 milhões de estrelas na Via Láctea, usando a segunda versão de dados da missão Gaia em combinação com levantamentos óticos e infravermelhos, com os tons laranja/amarelo indicando uma maior densidade de estrelas. A maioria destas estrelas são gigantes vermelhas. A distribuição é sobreposta a uma visão artística da nossa Via Láctea.
Enquanto a maioria das estrelas estão localizadas mais perto do Sol (a maior mancha laranja/amarela na parte inferior da imagem), uma característica grande e alongada povoada por muitas estrelas também é visível na região central da Galáxia: esta é a primeira indicação geométrica da barra galáctica.
As distâncias das estrelas mostradas neste gráfico, juntamente com a temperatura da sua superfície e extinção - uma medida da quantidade de poeira que existe entre nós e as estrelas - foram estimadas usando o código de computador StarHorse.
Crédito: dados - ESA/Gaia/DPAC, A. Khalatyan (AIP) & equipa StarHorse; mapa galáctico - NASA/JPL-Caltech/R. Hurt (SSC/Caltech)
 

A primeira medição direta da coleção de estrelas em forma de barra no centro da Via Láctea foi feita combinando dados da missão Gaia da ESA com observações complementares de telescópios terrestres e espaciais.

A segunda versão de dados do satélite de mapeamento estelar, publicada em 2018, tem vindo a revolucionar muitos campos da astronomia. O catálogo sem precedentes contém os brilhos, posições, indicadores de distância e movimentos no céu para mais de mil milhões de estrelas da nossa Via Láctea, juntamente com informações sobre outros corpos celestes.

Por mais impressionante que este conjunto de dados seja, isto é apenas o começo. Embora esta segunda divulgação tenha por base os primeiros 22 meses de investigações do Gaia, o satélite já varre o céu há cinco anos e tem ainda muitos pela frente. Os novos lançamentos de dados planeados para os próximos anos vão melhorar as medições, além de fornecer informações adicionais que nos permitirão mapear a nossa Galáxia e aprofundar a sua história como nunca antes.

Entretanto, uma equipa de astrónomos combinou os dados mais recentes do Gaia com observações infravermelhas e óticas realizadas a partir do solo e do espaço para fornecer uma antevisão do que os futuros lançamentos do topógrafo estelar da ESA vai revelar.

"Observámos, em particular, dois parâmetros estelares contidos nos dados do Gaia: a temperatura da superfície das estrelas e a 'extinção', que é basicamente uma medida da quantidade de poeira que existe entre nós e as estrelas, obscurecendo a sua luz e fazendo com que pareça mais vermelha," disse Friedrich Anders da Universidade de Barcelona, Espanha, autor principal do novo estudo.

"Estes dois parâmetros estão interligados, mas podemos estimá-los de forma independente, adicionando informações extras obtidas atravessando a poeira com observações infravermelhas."

A equipa combinou o segundo lançamento de dados do Gaia com várias investigações no infravermelho usando um código informático chamado StarHorse, desenvolvido pela coautora Anna Queiroz e colaboradores. O código compara as observações com modelos estelares para determinar a temperatura da superfície das estrelas, a extinção e uma estimativa melhorada da distância até às estrelas.

Como resultado, os astrónomos obtiveram uma determinação muito mais precisa das distâncias para cerca de 150 milhões de estrelas - em alguns casos, a melhoria é de até 20% ou mais. Isto permitiu que rastreassem a distribuição de estrelas através da Via Láctea para distâncias muito maiores do que o possível só apenas com os dados do Gaia.

"Com o segundo lançamento de dados do Gaia, pudemos testar um raio em torno do Sol de cerca de 6500 anos-luz, mas com o nosso novo catálogo, pudemos estender essa 'esfera do Gaia' três ou quatro vezes, alcançando o centro da Via Láctea," explicou a coautora Cristina Chiappini do Instituto Leibniz para Astrofísica em Potsdam, Alemanha, onde o projeto foi coordenado.

Lá, no centro da nossa Galáxia, os dados revelam claramente uma característica grande e alongada na distribuição tridimensional das estrelas: a barra galáctica.

"Nós sabemos que a Via Láctea tem uma barra, como outras galáxias espirais barradas, mas até agora só tínhamos indicações indiretas dos movimentos das estrelas e do gás, ou de contagens estelares em levantamentos no infravermelho. Esta é a primeira vez que vemos a barra galáctica no espaço em 3D, com base em medições geométricas de distâncias estelares," explicou Friedrich.

"Em última análise, estamos interessados na arqueologia galáctica: queremos reconstruir como a Via Láctea se formou e evoluiu e, para isso, precisamos de entender a história de cada um dos seus componentes," acrescentou Cristina.

"Ainda não está claro como a barra - uma grande quantidade de estrelas e gás que gira em torno do centro da Galáxia - se formou, mas com o Gaia e outros levantamentos futuros nos próximos anos estamos certamente no caminho certo para descobrir isso."

A equipa está ansiosa pela próxima divulgação de dados do APOGEE-2 (Apache Point Observatory Galaxy Evolution Experiment), bem como por instalações como o 4MOST (4-metre Multi-Object Survey Telescope) no ESO no Chile e o levantamento WEAVE (WHT Enhanced Area Velocity Explorer) do Telescópio William Herschel (WHT) em La Palma, Ilhas Canárias.

A terceira divulgação de dados do Gaia, atualmente planeada para 2021, vai incluir determinações de distância bastante melhoradas para um número muito maior de estrelas, e espera-se que permita o progresso na nossa compreensão da região complexa no centro da Via Láctea.

"Com este estudo, podemos desfrutar de uma amostra das melhorias no nosso conhecimento da Via Láctea que podem ser esperadas a partir de medições do Gaia com a terceira divulgação de dados," explica o coautor Anthony Brown da Universidade de Leiden, Holanda, e presidente do Consórcio de Análise e Processamento de Dados do Gaia.

"Estamos a revelar características na Via Láctea que, de outra forma, não podíamos ver: é este o poder do Gaia, que é aprimorado ainda mais em combinação com investigações complementares," conclui Timo Prusti, cientista do projeto Gaia da ESA.

// ESA (comunicado de imprensa)
// Universidade de Barcelona (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Astronomy & Astrophysics)
// Artigo científico (arXiv.org)
// Novo catálogo StarHorse 2019
// Revelando a barra galáctica (ESA via YouTube)
// Voo pela distribuição de estrelas do StarHorse Gaia DR2 (Friedrich Anders via vimeo)

 


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Via Láctea:
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Gaia:
ESA
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Como usar os dados do Gaia
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SPACEFLIGHT101
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Nova medição da constante de Hubble faz crescer mistério da expansão do Universo
 
Num artigo a ser publicado brevemente, cientistas da Universidade de Chicago anunciam uma nova medição da expansão do Universo usando gigantes vermelhas.
Crédito: Norval Glover
 

Cientistas da Universidade de Chicago fizeram uma nova medição da rapidez com que o Universo se está a expandir - usando um tipo de estrela totalmente diferente dos empreendimentos anteriores. Este valor cai no centro de uma questão muito debatida em astrofísica que pode exigir um modelo inteiramente novo do Universo.

Os cientistas sabem há quase um século que o Universo está a expandir-se, mas o valor exato de quão rápido está a crescer teima em manter-se elusivo. Em 2001, a professora Wendy Freedman liderou uma equipa que usou estrelas distantes para fazer uma medição histórica desse valor, de nome constante de Hubble - mas não está de acordo com outra medição importante, e a tensão entre os dois números tem persistido mesmo quando cada lado faz leituras cada vez mais precisas.

Num novo artigo a ser publicado em breve na revista The Astrophysical Journal, Freedman e a sua equipa anunciaram uma nova medição da constante de Hubble usando uma classe estelar conhecida como gigante vermelha. As suas observações, feitas com o Telescópio Espacial Hubble da NASA, indicam que o ritmo de expansão do nosso canto do Universo é ligeiramente inferior a 70 quilómetros por segundo por megaparsec - um pouco menos que a sua medição anterior, mas tal não alivia a tensão.

"A constante de Hubble é o parâmetro cosmológico que define a escala, o tamanho e a idade do Universo; é uma das formas mais diretas que temos de quantificar como o Universo evolui," explicou Freedman, professora de astronomia e astrofísica e astrónoma de renome mundial. "A discrepância que vimos antes ainda não desapareceu, mas esta nova evidência sugere que ainda não se sabe se existe uma razão imediata e convincente para acreditar que há algo fundamentalmente defeituoso no nosso modelo atual do Universo."

Um número por trás da teoria do Universo

A constante de Hubble, assim chamada em homenagem ao astrónomo pioneiro Edwin Hubble, sustenta tudo no Universo - desde a nossa estimativa de quando o Big Bang teve lugar até à quantidade de matéria escura existente. Ajuda os cientistas a esboçar uma teoria da história e estrutura do Universo; e, inversamente, se existirem falhas nessa teoria, uma medição precisa da constante de Hubble pode ajudar à sua deteção.

Há vinte anos, a equipa do Projeto Chave do Telescópio Espacial Hubble, liderada por Freedman, anunciou que tinha medido o valor usando estrelas distantes chamadas Cefeidas, que pulsam em intervalos regulares. O seu programa concluiu que o valor da constante de Hubble era de 72 km/s/Mpc. À medida que os astrónomos refinavam as suas análises e recolhiam novos dados, esse número permaneceu relativamente estável, em aproximadamente 73 km/s/Mpc.

Mas, mais recentemente, os cientistas adotaram uma abordagem muito diferente: a construção de um modelo baseado na estrutura ondulante da luz remanescente dos primeiros momentos do Big Bang, chamada Radiação Cósmica de Fundo em Micro-ondas (CMB - Cosmic Microwave Background). Se corressem um modelo para a frente no tempo, extrapolando os primeiros momentos do Universo, alcançavam um valor de 67 km/s/Mpc. Este desacordo é significativo - quase 10% - e continuou a solidificar-se com o tempo.

Ambos os campos procuraram algo que pudesse estar a causar a incompatibilidade. "Naturalmente, surgem dúvidas sobre se a discrepância está a vir de algum aspeto que os astrónomos ainda não entendem sobre as estrelas que estamos a medir, ou se o nosso modelo cosmológico do Universo ainda está incompleto," disse Freedman. "Ou talvez ambos precisem de ser melhorados."

Mapeando as estrelas

Uma parte central do desafio em medir o Universo é que é muito difícil calcular com precisão as distâncias de objetos distantes. A equipa de Freedman analisou originalmente dois tipos de estrelas que possuem características confiáveis que permitem aos astrónomos usá-las em combinação com medições cosmológicas: as supernovas do Tipo Ia, que explodem com um brilho uniforme; e as variáveis Cefeidas, estrelas que pulsam em intervalos regulares que podem ser combinados com os seus picos de brilho. Mas ainda é possível que exista algo sobre as cefeidas que os cientistas ainda não tenham entendido completamente, o que pode estar a introduzir erros.

A equipa de Freedman procurou verificar os seus resultados estabelecendo um caminho novo e inteiramente independente para a constante de Hubble usando um tipo de estrela totalmente diferente.

Certas estrelas terminam as suas vidas como um tipo de estrela muito luminosa chamada gigante vermelha. A certo ponto, a estrela sofre um evento catastrófico chamado flash de hélio, no qual a temperatura sobe para cerca de 100 milhões K e a estrutura da estrela é rearranjada, o que acaba diminuindo dramaticamente a sua luminosidade (isto acontecerá um dia com o nosso próprio Sol, que também se tornará numa gigante vermelha). Os astrónomos podem ver o ponto onde todas as luminosidades das estrelas caem, e podem usar isso como uma maneira de determinar a distância.

"O princípio é simples," explicou Freedman. "Imagine que está perto de uma luz da rua e que sabe que esta está a 3 metros de distância. A intervalos regulares, na rua, consegue ver mais postes de luz, luzes estas que ficam progressivamente mais fracas quanto mais longe estiverem. Ao sabermos a distância e quão brilhante a luz está de si, e medindo depois quão mais ténues as luzes mais distantes parecem ser, podemos estimar as distâncias de todas as outras luzes da rua."

A equipa de Freedman colocou isto em ação usando as câmaras sensíveis do Telescópio Espacial Hubble, em busca dos novos "postes de luz" cósmicos. Ao comparar as luminosidades aparentes das gigantes vermelhas distantes com as próximas que medimos com outros métodos, e combinando estas leituras com aquelas das supernovas do Tipo Ia, Freedman e a sua equipa foram capazes de determinar a distância de cada uma das galáxias hospedeiras.

O próximo passo é simples: a rapidez com que essa galáxia se afasta de nós é o resultado da sua distância vezes a constante de Hubble. Felizmente, a velocidade de uma galáxia é fácil de medir - a luz que vem das galáxias muda dependendo da rapidez com que a galáxia se afasta de nós.

Os seus cálculos forneceram uma constante de Hubble de 69,8 quilómetros por segundo por megaparsec – no meio dos valores previamente determinados.

"O nosso pensamento inicial foi que, se há um problema a ser resolvido entre as cefeidas e o fundo cósmico de micro-ondas, o método da gigante vermelha pode ser o fator de desempate," disse Freedman.

"O método da gigante vermelha é independente das cefeidas e é incrivelmente preciso. As estrelas usadas são de menor massa, têm diferentes histórias evolutivas e estão localizadas em diferentes regiões de galáxias distantes," disse Taylor Hoyt, estudante da Universidade de Chicago e coautor do artigo.

Mas os resultados não parecem favorecer fortemente uma resposta sobre a outra.

"Estamos a trabalhar na fronteira do que é atualmente conhecido sobre cosmologia," salientou Freedman. "Estes resultados sugerem que ainda não temos a resposta final. O ónus da prova é alto quando as alegações de uma nova física estão presentes, mas é isso que a torna excitante," disse. "Qualquer que seja a resolução do conflito, é importante. Nós ou confirmamos o nosso modelo padrão da cosmologia, ou aprendemos algo novo sobre o Universo."

// Universidade de Chicago (comunicado de imprensa)
// Instituto Carnegie (comunicado de imprensa)
// Professora Wendy Freedman explica o mistério da constante de Hubble (Universidade de Chicago via YouTube)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


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Supernova do Tipo Ia:
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Gigante vermelha:
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Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
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STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

 
   
Evolução exoplanetária: astrónomos expandem "cábula" cósmica
 
Para perceber em que fase evolutiva um exoplaneta parecido com a Terra se encontra, os astrónomos podem usar os marcos biológicos da Terra como uma pedra de Rosetta.
Crédito: Wendy Kenigsberg/Cornell Brand Communications
 

Astrónomos de Cornell debruçaram-se sobre a paleta de cores naturais da Terra primitiva e criaram uma "cábula" cósmica para observar mundos distantes. Ao correlacionar tons e matizes, os investigadores buscam entender onde os exoplanetas descobertos podem razoavelmente cair ao longo do seu próprio espetro evolutivo.

"Na nossa busca para entender exoplanetas, estamos a usar a Terra jovem e os seus marcos biológicos na história como uma pedra de Rosetta," disse Jack O'Malley-James, investigador associado do Instituto Carl Sagan de Cornell.

O'Malley-James é coautor do artigo juntamente com Lisa Kaltenegger, professora de astronomia e diretora do Instituto Sagan. O artigo foi publicado no dia 9 de julho na revista The Astrophysical Journal Letters.

"Se um alienígena usasse cores para determinar se a nossa Terra tinha vida, esse alienígena veria cores muito diferentes ao longo da história do nosso planeta - indo até há milhares de milhões de anos atrás - quando diferentes formas de vida dominavam a superfície da Terra," comentou Kaltenegger.

"Os astrónomos anteriormente só se tinham concentrado apenas na vegetação, mas com uma melhor paleta de cores, os investigadores podem agora olhar além de 500 milhões de anos até 2,5 mil milhões de anos no passado da Terra e assim fazer coincidir períodos semelhantes em exoplanetas," disse.

Nos últimos 500 milhões de anos - cerca de 10% do tempo de vida do nosso planeta - a clorofila, presente em muitas formas familiares de vida vegetal, como folhas e líquenes, tem sido a componente chave na bioassinatura da Terra. No entanto, outra flora, como as cianobactérias ou as algas, são muito mais antigas do que a vegetação terrestre, e as suas estruturas contendo clorofila deixam os seus próprios sinais reveladores na superfície de um planeta.

"Os cientistas podem observar bioassinaturas superficiais além da vegetação em exoplanetas semelhantes à Terra, usando o nosso próprio planeta como a chave para o que procurar," explicou O'Malley-James.

"Quando descobrimos um exoplaneta, esta investigação dá-nos uma gama muito mais ampla para olhar para trás no tempo," disse Kaltenegger. "Estendemos o tempo em que podemos encontrar a biota da superfície de mais ou menos 500 milhões de anos (vegetação terrestre disseminada) até cerca de mil milhões de anos atrás com líquenes e até 2 ou 3 mil milhões de anos com as cianobactérias."

O'Malley-James e Kaltenegger modelaram espectros de exoplanetas semelhantes à Terra com diferentes organismos de superfície que usam clorofila. Os cenários podem incluir locais onde alguns organismos dominam toda a superfície de um planeta semelhante à Terra, como o mundo fictício e pantanoso de Dagobah, o lar de Yoda nos filmes "Guerra das Estrelas".

Os líquenes (uma parceria simbiótica e fotossintética de fungos e algas ou cianobactérias) podem ter colonizado as massas terrestres do nosso planeta há cerca de 1,2 mil milhões de anos e teriam "pintado" a Terra em tons menta e cinzento-esverdeado. Esta cobertura teria gerado uma assinatura fotossintética "não-vegetativa" de "Red Edge" (a parte do espectro que ajuda a evitar que as plantas se queimem com o Sol) antes da biota da Terra moderna de hoje assumir o controlo.

O'Malley-James e Kaltenegger disseram que as cianobactérias - como algas à superfície - podem ter sido disseminadas há 2 a 3 mil milhões de anos, produzindo uma "Red Edge" fotossintética e que esta pode ser encontrada noutros exoplanetas semelhantes à Terra.

Esta investigação mostra que os líquenes, as algas e as cianobactérias podem ter fornecido uma característica de "Red Edge" superficial detetável para uma Terra jovem, muito antes da vegetação se ter espalhado no solo há 500-750 milhões de anos, acrescentou O'Malley-James.

"Este artigo expande a utilização de uma característica biológica fotossintética superficial de 'Red Edge' para tempos mais antigos na história da Terra," disse, "bem como para uma ampla gama de cenários exoplanetários habitáveis."

// Universidade de Cornell (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal Letters)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


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Linha temporal da história evolutiva da vida (Wikipedia)

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"Red Edge":
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PlanetQuest
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Álbum de fotografias - NGC 55
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Aquisição - Eric Benson, Processamento - Dietmar Hager
 
Pensa-se que a galáxia irregular NGC 55 seja semelhante à Grande Nuvem de Magalhães (GNM). Mas enquanto a GNM está a cerca de 180.000 anos-luz de distância e é uma bem conhecida galáxia satélite da nossa Via Láctea, NGC 55 está a 6 milhões de anos-luz e faz parte do Grupo Galáctico de Escultor. Classificada como uma galáxia irregular, em longas exposições a própria GNM assemelha-se com uma galáxia barrada. No entanto, cobrindo uma área com aproximadamente 50.000 anos-luz, NGC 55 é vista quase de lado, apresentando um perfil achatado em contraste com a nossa visão quase de face da GNM. Tal como as grandes regiões de formação estelar criam nebulosas de emissão na Grande Nuvem de Magalhães, também se observa que NGC 55 está a produzir novas estrelas. Esta bonita imagem galáctica salienta o núcleo brilhante, cruzado com tantalizantes regiões cor-de-rosa de emissão e jovens enxames estelares azuis em NGC 55.
 
   
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