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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
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  Astroboletim #1760  
  19/01 a 21/01/2021  
     
 
Efemérides

Dia 19/01: 19.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1747 nascia Johann Bode, autor da Lei de Titius-Bode, uma progressão quase geométrica das distâncias dos planetas a partir do Sol.

Também determinou a órbita de Úrano e sugeriu o nome do planeta. 
Em 1851 nascia Jacobus Kapteyn, que estudou a distribuição e o movimento de meio milhão de estrelas e criou o primeiro modelo moderno do tamanho e estrutura da Via Láctea.
Em 2006, era lançada a sonda New Horizons, a primeira missão a Plutão. A maior aproximação ocorreu no dia 14 de julho de 2015, a 12.472 km da superfície.
Observações: Para a direita da Lua, ao início da noite, está o Grande Quadrado de Pégaso, apoiado num canto. A diagonal do quadrado, que de momento está na horizontal, aponta para a esquerda até à Lua.

Dia 20/01: 20.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1573 nascia Simon Marius, astrónomo alemão que afirmou ter descoberto as luas de Júpiter dias antes de Galileu.

De facto, a sua primeira observação foi na mesma data que Galileu. Mesmo assim, os nomes dos satélites galileanos são os dados por Simon Marius.
Em 1775 nascia André-Marie Ampère, físico e matemático francês que é geralmente reconhecido como um dos principais fundadores da ciência do eletromagnetismo clássico, que ele referia como "eletrodinâmica". A unidade SI da medição da corrente elétrica, o ampere, tem o seu nome. 
Em 1930, nascia Buzz Aldrin, astronauta americano e a segunda pessoa a pisar a Lua
Em 1961, a agência soviética Tass anunciava que a cadela Strelka, que havia tripulado a Spacecraft II em agosto de 1960, tinha dado à luz 6 cachorros.
Em 2016, investigadores do Caltech encontram evidências de um nono planeta a mover-se no que chamam de "órbita altamente alongada e bizarra" no Sistema Solar exterior.
Observações: Lua em Quarto Crescente, pelas 21:02.
Marte brilha por cima da Lua ao lusco-fusco e ao início da noite. Para cima e para a direita de Marte estão as estrelas mais brilhantes de Carneiro.
Marte está em conjunção com Úrano! Use binóculos para avistar Úrano, de magnitude 5,7, 1,5º para baixo e para a esquerda de Marte. É a pequena "estrela" mais brilhante nessa posição. Para a esquerda de Úrano, a cerca de 0,5º, está uma estrela mais ténue de magnitude 6,9. Esses são basicamente os únicos objetos aí.

Dia 21/01: 21.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1908, nascia Bengt Strömgren, astrónomo e astrofísico dinamarquês, famoso por desenvolver a teorias das nebulosas difusas (regiões H II) como as nebulosa Trífida e de Orionte.
Em 1960, a nave MercuryLittle Joe 1B, levantava voo a partir de Wallops Island, com Miss Sam, uma fêmea de macaco a bordo.

Em 2004, a NASA "perdia" contato com o rover Spirit, um problema de gestão de memória "flash" que viria a ser resolvido remotamente a partir da Terra a 6 de fevereiro.
Em 2018, o Electron da Rocket Lab torna-se o primeiro foguetão a alcançar órbita terrestre usando um motor alimentado a eletricidade e lança três CubeSats.
Observações: A estrela de magnitude zero, Capella, bem alta no céu, e a igualmente brilhante estrela Rigel no pé de Orionte, têm quase a mesma ascensão reta. Isto significa que atravessam o meridiano do céu do observador quase exatamente à mesma hora: quase às 22 horas, dependendo de quão para este ou este vive. Assim sendo, sempre que Capella passa na sua posição mais alta, Rigel assinala sempre o sul verdadeiro, e vice-versa.

 
     
 
Curiosidades


Se morássemos em Neptuno, nunca tínhamos um aniversário: um ano é o tempo que um planeta demora a completar uma volta ao Sol. Neptuno demora 165 anos terrestres para fazer essa percurso.

 
 
   
Investigadores "voltam atrás no tempo" para calcular idade e local de explosão de supernova

Os astrónomos estão a "voltar atrás no tempo" num remanescente de supernova. Usando o Telescópio Espacial Hubble da NASA, refizeram o percurso dos estilhaços velozes da explosão a fim de calcular uma estimativa mais precisa da localização e do momento da detonação estelar.

A vítima é uma estrela que explodiu há muito tempo na Pequena Nuvem de Magalhães, uma galáxia satélite da nossa Via Láctea. A estrela condenada deixou para trás um cadáver gasoso em expansão, um remanescente de supernova chamado 1E 0102.2-7219, que o Observatório Einstein da NASA descobriu pela primeira vez em raios-X. Como detetives, os investigadores vasculharam imagens de arquivo obtidas pelo Hubble, analisando observações no visível obtidas com 10 anos de intervalo.

 
Este retrato pelo Telescópio Espacial Hubble revela os remanescentes gasosos de uma estrela massiva que explodiu há aproximadamente 1700 anos. O cadáver estelar, um remanescente de supernova chamado 1E 0102.2-7219, conheceu o seu fim na Pequena Nuvem de Magalhães, uma galáxia satélite da nossa Via Láctea.
Crédito: NASA, ESA e J. Banovetz e D. Milisavljevic (Universidade Purdue)
 

A equipa de investigação, liderada por John Banovetz e Danny Milisavljevic da Universidade Purdue em West Lafayette, no estado norte-americano do Indiana, mediu as velocidades de 45 aglomerados de material em forma de girino, ricos em oxigénio, ejetados pela explosão de supernova. O oxigénio ionizado é um excelente rastreador porque brilha mais forte no visível.

Para calcular uma idade precisa da explosão, os astrónomos escolheram os 22 aglomerados de ejeção mais rápidos, ou nós. Os cientistas determinaram que estes alvos eram os menos prováveis de verem a sua velocidade diminuída pela passagem pelo material interestelar. Então traçaram o movimento dos nós para trás no tempo até que o material ejetado se aglutinasse num ponto, identificando o local da explosão. Uma vez conhecido, puderam calcular o tempo necessário para os nós velozes viajarem do centro da explosão até à sua posição atual.

De acordo com a sua estimativa, a luz da explosão chegou à Terra há 1700 anos, durante o declínio do Império Romano. No entanto, a supernova só seria visível para os habitantes do Hemisfério Sul. Infelizmente, não existem registos conhecidos deste evento titânico.

Os resultados dos investigadores diferem das observações anteriores do local da explosão de supernova e da idade. Estudos anteriores, por exemplo, chegaram a idades da explosão de 2000 e 1000 anos. No entanto, Banovetz e Milisavljevic dizem que a sua análise é mais robusta.

"Um estudo anterior comparou imagens obtidas com anos de intervalo e com duas câmaras do Hubble, a WFPC2 (Wide Field Planetary Camera 2) e a ACS (Advanced Camera for Surveys)," disse Milisavljevic. "Mas o nosso estudo compara dados obtidos com a mesma câmara, a ACS, tornando a comparação muito mais robusta; os nós foram muito mais fáceis de rastrear usando o mesmo instrumento. É um testamento da longevidade do Hubble, termos conseguido fazer uma comparação tão limpa de imagens tiradas com 10 anos de diferença."

 
Este retrato pelo Telescópio Espacial Hubble revela os remanescentes gasosos de uma estrela massiva que explodiu há aproximadamente 1700 anos. O cadáver estelar, um remanescente de supernova chamado 1E 0102.2-7219, conheceu o seu fim na Pequena Nuvem de Magalhães, uma galáxia satélite da nossa Via Láctea. A imagem foi composta a partir de exposições separadas através de filtros vermelho, verde e azul, que captura o brilho do oxigénio ionizado. Dado que os nós se movem a velocidades e direções diferentes da explosão de supernova, aqueles que se movem na direção da Terra têm cor azul e os que se movem para longe da Terra têm cor vermelha.
Crédito: NASA, ESA e J. Banovetz e D. Milisavljevic (Universidade Purdue)
 

Os astrónomos também aproveitaram as imagens nítidas do instrumento ACS para selecionar quais os aglomerados de material ejetado para análise. Em estudos anteriores, os investigadores calcularam a média da velocidade de todos os detritos gasosos para calcular a idade da explosão. No entanto, os dados do ACS revelaram regiões onde o material ejetado desacelerou porque estava a chocar com o material mais denso "derramado" pela estrela antes de explodir como supernova. Os cientistas não incluíram estes nós na amostra. Precisavam do material ejetado que melhor refletisse as suas velocidades originais da explosão, usando-os para determinar uma estimativa precisa da idade da explosão de supernova.

O Hubble também cronometrou a velocidade de uma estrela de neutrões suspeita - o núcleo esmagado da estrela condenada - que foi expelida pela explosão. Com base nas suas estimativas, a estrela de neutrões deve estar a mover-se a mais de 3,2 milhões de quilómetros por hora do centro da explosão para chegar à sua posição atual. A estrela de neutrões suspeita foi identificada em observações com o VLT (Very Large Telescope) do ESO no Chile, em combinação com dados do Observatório de raios-X Chandra da NASA.

"É um valor bastante elevado e no extremo de quão rápido pensamos que uma estrela de neutrões pode mover-se, mesmo tendo recebido um 'pontapé' da explosão de supernova," disse Banovetz. "Investigações mais recentes questionam se o objeto é realmente a estrela de neutrões sobrevivente da explosão de supernova. É potencialmente apenas um amontoado compacto do material ejetado pela supernova que foi iluminado, e os nossos resultados geralmente apoiam esta conclusão."

Portanto, a caça à estrela de neutrões ainda está em andamento. "O nosso estudo não resolve o mistério, mas dá uma estimativa da velocidade da estrela de neutrões candidata," disse Banovetz.

// NASA (comunicado de imprensa)
// ESA (comunicado de imprensa)
// Hubblesite (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (arXiv.org)
// "Time-lapse" que revela a expansão do remanescente de supernova (NASA via YouTube)

 


Saiba mais

Notícias relacionadas:
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1E 0102.2-7219:
Wikipedia

Supernovas:
Wikipedia 
Remanescente de supernova (Wikipedia)
História da observação de supernovas (Wikipedia)

Estrelas de neutrões:
Wikipedia
Universidade de Maryland

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

Observatório Einstein:
NASA
Wikipedia

VLT:
Página oficial
Wikipedia

Observatório de raios-X Chandra:
NASA
Universidade de Harvard
Wikipedia

 
   
Investigação planetária encontra mundo em sistema triplo

Pouco depois da missão Kepler da NASA ter começado operações em 2009, o telescópio espacial avistou o que se pensava ser um planeta com metade do tamanho de Saturno num sistema estelar múltiplo. KOI-5Ab foi apenas o segundo candidato a planeta a ser encontrado pela missão e, por mais excitante que fosse na época, acabou sendo posto de lado enquanto o Kepler acumulava cada vez mais descobertas exoplanetárias.

No final das operações da missão, em 2018, o Kepler havia descoberto uns colossais 2394 exoplanetas, planetas que orbitam outras estrelas que não o Sol, e 2366 candidatos a exoplanetas adicionais que ainda precisavam de confirmação.

 
Esta ilustração mostra o planeta KOI-5Ab a transitar uma estrela semelhante ao Sol, parte de um sistema estelar triplo localizado a 1800 anos-luz de distância na direção da constelação de Cisne.
Crédito: Caltech/R. Hurt (IPAC)
 

"KOI-5Ab foi abandonado porque era complicado e tínhamos milhares de candidatos," disse David Ciardi, cientista-chefe do NExScI (NASA Exoplanet Science Institute). "Havia escolhas mais fáceis do que KOI-5Ab e estávamos a aprender algo novo com o Kepler todos os dias, de modo que KOI-5 foi praticamente esquecido."

Agora, após uma longa caça que durou muitos anos e envolveu muitos telescópios, Ciardi disse que "ressuscitou KOI-5Ab dos mortos". Graças a novas observações com a segunda missão de caça exoplanetária da NASA, o TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite), e com uma série de telescópios terrestres, Ciardi foi finalmente capaz de desvendar todas as evidências em torno de KOI-5Ab e de provar a sua existência. Existem alguns detalhes intrigantes a ponderar sobre este planeta.

Muito provavelmente um planeta gigante gasoso como Júpiter ou Saturno no nosso Sistema Solar, tendo em conta o seu tamanho, KOI-5Ab é invulgar porque orbita uma estrela num sistema com outras duas estrelas companheiras, vagueando num plano que está desalinhado com pelo menos uma das estrelas. O arranjo questiona como cada membro neste sistema se formou a partir das mesmas nuvens rodopiantes de gás e poeira. Ciardi, do Caltech em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia, apresentou os seus achados numa reunião virtual da Sociedade Astronómica Americana.

"Não sabemos de muitos planetas que existem em sistemas estelares triplos, e este é muito especial porque a sua órbita é enviesada," disse Ciardi. "Ainda temos muitas dúvidas sobre como e quando os planetas se formam em sistemas estelares múltiplos e como as suas propriedades se comparam a planetas em sistemas com uma estrela. Ao estudar este sistema em mais detalhe, talvez possamos obter uma visão de como o Universo produz planetas."

Pegando nas pistas

Após a sua deteção inicial pelo Kepler, Ciardi e outros investigadores pegaram nas pistas de KOI-5Ab como parte de uma cache de candidatos a exoplaneta que estavam a acompanhar. Usando dados do Observatório W. M. Keck no Hawaii, do Observatório Palomar do Caltech perto de San Diego, e do Gemini Norte no Hawaii, Ciardi e outros astrónomos determinaram que KOI-5Ab parecia estar a orbitar uma estrela num sistema estelar triplo. No entanto, ainda não conseguiam descobrir se o sinal do planeta era na verdade uma falha errónea de uma das outras duas estrelas ou, caso o planeta fosse real, qual das estrelas orbitava.

Então, em 2018, surgiu o TESS. Tal como o Kepler, o TESS procura o "piscar" da luz estelar produzido pelo trânsito de um exoplaneta, isto é, quando este passa em frente da sua estrela hospedeira a partir do ponto de vista do Sistema Solar. O TESS observou uma parte do campo de visão do Kepler, incluindo o sistema KOI-5. Bem dito, bem feito: o TESS também identificou KOI-5Ab como um candidato a exoplaneta, embora o TESS o denomine TOI-1241b. Assim como o Kepler havia observado anteriormente, o TESS descobriu que o planeta completava uma órbita em torno da sua estrela aproximadamente a cada cinco dias.

"Pensei comigo mesmo, 'Eu lembro-me deste alvo,'" observou Ciardi, depois de ver os dados do TESS. "Mas ainda não era possível determinar definitivamente se o planeta era real ou se o 'blip' nos dados vinha de outra estrela no sistema - podia ser uma quarta estrela."

Pistas nas oscilações

Ele voltou então a reanalisar todos os dados, e procurou novas pistas com telescópios terrestres. Utilizando uma técnica alternativa à do Kepler e do TESS, o Observatório Keck é frequentemente usado para observações de acompanhamento de exoplanetas, medindo a leve oscilação numa estrela enquanto um planeta orbita em seu redor e exerce um puxão gravitacional. Ciardi, em parceria com outros cientistas por meio de um grupo de colaboração de exoplanetas chamado CPS (California Planet Search), procurou quaisquer oscilações no sistema KOI-5 nos dados do Keck. Eles foram capazes de distinguir uma oscilação produzida pela companheira estelar interna que orbita a estrela primária da oscilação do planeta aparente enquanto orbita a estrela primária. Juntas, as diferentes coleções de dados dos telescópios espaciais e terrestres ajudaram a confirmar que KOI-5Ab é, de facto, um planeta que orbita a estrela primária.

"Bingo - lá estava ele! Se não fosse o TESS ter observado o planeta novamente, nunca teria voltado e feito todo este trabalho de detetive," explicou. "Mas realmente foi necessária muita investigação nos dados recolhidos de muitos telescópios diferentes para finalmente acertar neste planeta."

KOI-5Ab orbita a Estrela A, que tem uma companheira relativamente íntima, a Estrela B. A Estrela A e a Estrela B orbitam-se uma à outra a cada 30 anos. Uma terceira estrela ligada gravitacionalmente, a Estrela C, orbita as estrelas A e B a cada 400 anos.

 
O sistema estelar KOI-5 consiste de três estrelas, denominadas A, B e C neste diagrama. As Estrelas A e B completam uma órbita em torno uma da outra a cada 30 anos. A Estrela C orbita as Estrelas A e B a cada 400 anos. O sistema contém um único planeta conhecido, chamado KOI-5Ab, que foi descoberto e caracterizado usando dados das missões Kepler e TESS da NASA, bem como com telescópios terrestres. KOI-5Ab tem cerca de metade de massa de Saturno e orbita a Estrela A mais ou menos a cada 5 dias. A sua órbita está inclinada 50º em relação ao planeta das Estrelas A e B. Os astrónomos suspeitam que esta órbita desalinhada foi provocada pela Estrela B, que "chutou" gravitacionalmente o planeta durante o seu desenvolvimento, desalinhando a sua órbita e fazendo com que migrasse para dentro.
Crédito: Caltech/R. Hurt (IPAC)
 

Uma órbita inclinada

Os dados combinados também revelam que o plano orbital do planeta não está alinhado com o plano orbital da Estrela B, a segunda estrela interna, como seria de esperar caso as estrelas e os planetas fossem todos formados a partir do mesmo disco de material circundante. Os astrónomos não têm a certeza do que provocou o desalinhamento de KOI-5Ab, mas pensam que a segunda estrela "chutou" gravitacionalmente o planeta durante o seu desenvolvimento, inclinando a sua órbita e fazendo com que migre para dentro. Os sistemas estelares triplos constituem cerca de 10% de todos os sistemas estelares.

Esta não é a primeira evidência de planetas em sistemas duplos ou triplos. Um caso notável envolve o sistema estelar triplo GW Orionis, no qual um disco de formação planetária foi dividido em anéis distintos e desalinhados, onde os planetas podem estar a ser formados. No entanto, apesar de centenas de descobertas de planetas em sistemas estelares múltiplos, são quantitativamente muito menos comuns do que planetas em sistemas com uma única estrela. Isto pode ser devido a um viés observacional (planetas com única estrela são mais fáceis de detetar), ou porque a formação de planetas é de facto menos comum em sistemas estelares múltiplos.

"Esta investigação enfatiza a importância da frota completa de telescópios espaciais da NASA e a sua sinergia com sistemas terrestres," disse Jessie Dotson, cientista do projeto Kepler no Centro de Pesquisa Ames da NASA em Silicon Valley, Califórnia. "Descobertas como esta podem levar muito tempo."

Instrumentos novos e futuros, como o PARVI (Palomar Radial Velocity Instrument), acoplado ao Telescópio Hale de 200 polegadas em Palomar, como o instrumento NEID (NN-EXPLORE Exoplanet Investigations with Doppler spectroscopy) da NASA e da NSF no sul do Arizona, e como o KPF (Keck Planet Finder), vão abrir novos caminhos para aprender mais sobre exoplanetas.

// NASA (comunicado de imprensa)
// Caltech (comunicado de imprensa)
// Apresentação Powerpoint (PDF)

 


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Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
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PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

Telescópio Espacial Kepler:
NASA (página oficial)
K2 (NASA)
Arquivo de dados do Kepler
Arquivo de dados da missão K2
Wikipedia

TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite):
NASA
NASA/Goddard
Programa de Investigadores do TESS (HEASARC da NASA)
MAST (Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais)
Exoplanetas descobertos pelo TESS (NASA Exoplanet Archive)
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Observatório W. M. Keck:
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Observatório Palomar:
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Observatório Gemini:
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"Toupeira" do InSight termina a sua viagem em Marte

A sonda de calor desenvolvida e construída pelo Centro Aeroespacial Alemão (DLR) e implantada em Marte pelo "lander" InSight da NASA terminou a sua parte da missão. Desde 28 de fevereiro de 2019 que a sonda de calor, chamada de "toupeira", tenta penetrar na superfície marciana para medir a temperatura interna do planeta, fornecendo detalhes sobre o motor térmico interno que impulsiona a evolução e a geologia de Marte. Mas a tendência inesperada do solo de se aglomerar privou a toupeira em forma de espigão da fricção necessária para se martelar até uma profundidade suficiente.

Depois de colocar o topo da toupeira a cerca de 2 ou 3 centímetros abaixo da superfície, a equipa tentou pela última vez usar a pá no braço robótico do InSight para raspar terra para a sonda e comprimi-la para fornecer atrito adicional. Depois da sonda ter realizado 500 golpes de martelo adicionais no sábado, dia 9 de janeiro, sem nenhum progresso, a equipa decidiu terminar os seus esforços.

 
Nesta impressão de artista do "lander" InSight da NASA em Marte, podem ser vistas camadas da subsuperfície do planeta, e diabos marcianos no plano de fundo.
Crédito: IPGP/Nicolas Sarter
 

Parte de um instrumento chamado HP3 (Heat Flow and Physical Properties Package), a toupeira é uma "estaca" com 40 centímetros de comprimento e com sensores de temperatura, ligada ao módulo InSight por um cabo. Estes sensores foram construídos para medir o calor que flui do planeta, assim que a toupeira cavasse até pelo menos 3 metros de profundidade.

"Demos tudo o que temos, mas Marte e a nossa toupeira heroica permanecem incompatíveis," disse Tilman Spohn do DLR, investigador principal do HP3. "Felizmente, aprendemos muito que beneficiará as missões futuras que tentam escavar o subsolo."

Enquanto o "lander" Phoenix da NASA raspou a camada superior da superfície marciana, nenhuma missão antes da do InSight tentou escavar o solo. Isto é importante por uma série de razões: os futuros astronautas podem precisar de escavar o solo para aceder à água gelada, enquanto os cientistas querem estudar o potencial da subsuperfície em sustentar vida microbiana.

"Estamos muito orgulhosos da nossa equipa que trabalhou arduamente para levar a toupeira do InSight mais fundo no planeta. Foi incrível vê-los a resolver problemas a milhões de quilómetros de distância," disse Thomas Zurbuchen, administrador associado para ciência na sede da agência espacial em Washington. "É por isso que corremos riscos na NASA - temos que empurrar os limites da tecnologia para aprender o que funciona e o que não funciona. Nesse sentido, fomos bem-sucedidos: aprendemos muito que beneficiará futuras missões a Marte e a outros lugares, e agradecemos aos nossos parceiros alemães da DLR por terem fornecido este instrumento e pela sua colaboração."

 
A "toupeira", uma sonda de calor que viajou a bordo do módulo InSight da NASA, enquanto tentava martelar-se a ela própria no dia 9 de janeiro de 2021, o 754.º dia marciano, ou sol, da missão. Desde 28 de fevereiro de 2019 que tentam enterrar a toupeira. Sem sucesso, a equipa da missão decidiu terminar os seus esforços.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 

Sabedoria conquistada a ferros

As propriedades inesperadas do solo perto da superfície, ao lado do InSight, serão estudadas pelos cientistas nos próximos anos. O design da toupeira foi baseado no solo visto por missões anteriores a Marte - solo que se mostrou muito diferente do que a toupeira encontrou. Durante dois anos, a equipa trabalhou para adaptar o instrumento único e inovador a estas novas circunstâncias.

"A toupeira é um instrumento sem herança. O que tentámos fazer - escavar tão fundo com um dispositivo tão pequeno - não tem precedentes," disse Troy Hudson, cientista e engenheiro do JPL da NASA em Pasadena, no sul da Califórnia, que liderou esforços para que a toupeira penetrasse na crosta marciana. "Ter tido a oportunidade de levar isto até ao fim é a maior recompensa."

Além de aprender mais sobre o solo neste local, os engenheiros ganharam experiência inestimável no que toca a operar o braço robótico. De facto, usaram o braço e a pá de várias formas que nunca pretendiam no início da missão, incluindo pressioná-la contra a toupeira para esta penetrar no solo. O planeamento dos movimentos e o ajuste preciso com os comandos que enviavam ao InSight fez com que a equipa crescesse.

E vão colocar em prática, no futuro, a sua sabedoria conquistada a ferros. A missão pretende utilizar o braço robótico para enterrar o cabo que transmite dados e energia entre o módulo de aterragem e o seu sismómetro, que registou mais de 480 sismos marcianos. Esta manobra ajudará a reduzir as mudanças de temperatura que criam ruído nos dados sísmicos.

Há bastante mais ciência por vir do InSight. A NASA estendeu a missão por mais dois anos, até dezembro de 2022. Juntamente com a caça aos sismos, o "lander" hospeda uma experiência de rádio que está a recolher dados para revelar se o núcleo do planeta é líquido ou sólido. E os sensores meteorológicos do InSight são capazes de fornecer alguns dos dados climatéricos mais detalhados já obtidos em Marte. Juntamente com os instrumentos meteorológicos a bordo do rover Curiosity e em breve com o novo rover Perseverance, que pousará a 18 de fevereiro, os três veículos marcianos vão criar a primeira rede meteorológica noutro planeta.

// NASA (comunicado de imprensa)
// DLR (comunicado de imprensa - em alemão)

 


Saiba mais

Cobertura da missão InSight pelo CCVAlg - Astronomia:
22/12/2020 - Três coisas que aprendemos com o InSight da NASA
08/09/2020 - Surpresa em Marte
28/02/2020 - Um ano de ciência surpreendente da missão InSight da NASA
25/02/2020 - "Lander" InSight vai empurrar a "toupeira"
22/10/2019 - "Toupeira" do InSight está a mover-se novamente
08/10/2019 - A estratégia da NASA para salvar a "toupeira" do InSight
04/10/2019 - InSight "ouve" sons peculiares em Marte
05/07/2019 - InSight da NASA destapa a "toupeira"
26/04/2019 - InSight captura áudio do seu primeiro sismo marciano
08/03/2019 - "Toupeira" do InSight faz uma pausa na escavação
19/02/2019 - InSight prepara-se para medir a temperatura de Marte
08/02/2019 - Sismómetro do InSight tem agora um abrigo aconchegante em Marte
21/12/2018 - InSight coloca primeiro instrumento no solo marciano
11/12/2018 - Lander InSight "ouve" ventos marcianos
27/11/2018 - "Lander" InSight aterra em Marte
23/11/2018 - InSight aterra em Marte no dia 26
20/11/2018 - Local de aterragem do InSight é perfeitamente "chato"
08/05/2018 - InSight a caminho de Marte
03/04/2018 - NASA pronta para estudar o coração de Marte
03/04/2018 - Sismos marcianos podem revolucionar ciência planetária
21/08/2012 - Nova missão da NASA vai estudar directamente e pela primeira vez o interior de Marte

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Uma "super-Terra" quente e rochosa, perto de uma das estrelas mais velhas da Via Láctea, apanhou uma equipa de caçadores exoplanetários de surpresa. O planeta é aproximadamente 50% maior do que a Terra mas requer menos de metade de um dia para orbitar a sua estrela. A sua temperatura média à superfície está estimada em mais de 2000 K - demasiado quente para sustentar vida como a conhecemos, embora pudesse ter tido condições no passado. Ler fonte
     
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Álbum de fotografias - O Remanescente de Supernova da Nebulosa da Medula
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Russell Croman
 
O que é que alimenta esta nebulosa invulgar? CTB-1 é a concha de gás em expansão que foi deixada para trás quando uma estrela massiva na direção da constelação de Cassiopeia explodiu há cerca de 10.000 anos. A estrela provavelmente detonou-se quando ficou sem elementos, perto do seu núcleo, que poderiam criar pressão estabilizadora com fusão nuclear. O remanescente de supernova resultante, apelidado de Nebulosa da Medula devido à sua forma semelhante a um cérebro, ainda brilha no visível graças ao calor gerado pela sua colisão com o gás interestelar confinante. A razão porque a nebulosa também brilha em raios-X, no entanto, permanece um mistério. Uma hipótese sustenta que foi cocriado um pulsar energético que alimenta a nebulosa com um vento que se move rapidamente para fora. Seguindo esta pista, foi recentemente encontrado um pulsar no rádio que parece ter sido expelido pela explosão de supernova a mais de 1000 km/s. Embora a Nebulosa da Medula pareça tão grande quanto uma Lua Cheia, é tão fraca que foram necessárias 130 horas de exposição com dois pequenos telescópios no estado norte-americano do Novo México para obter a imagem em destaque.
 
   
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