Programa em atualização
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Todas as atividades estão dependentes de condições meteorológicas favoráveis.
Não dispensa a consulta do FAQ no site da Ciência Viva no Verão
Efemérides
Dia 10/08: 222.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1945, morria Robert Goddard, um homem de visão que propôs que se enviassem foguetões à Lua já na década de 1920.
Em 1966 era lançado o Lunar Orbiter 1, missão de estudo para a série Apollo.
Em 1990, a sonda Magalhães chega a Vénus.
Em 1992, lançamento do KITSAT-A, também conhecido como Uribyol (que significa "a nossa estrela"), o primeiro satélite lançado pela Coreia do Sul.
Em 1999 os Sistemas de Ciência Espacial Malin anunciam a confirmação que descreve o nosso vizinho Marte como um local de mudanças meteorológicas e geológicas ao longo do tempo. Um planeta ativo é mais provável de conter vida.
Em 2000, uma equipa liderada por astrónomos da Universidade de Columbia descobre o mais jovem pulsar, nascido de uma explosão há cerca de 700 anos atrás. Situado no lado oposto da Via Láctea, possui características invulgares que podem forçar os cientistas a reconsiderar como os pulsares são criados e evoluem.
Em 2003, Yuri Malencheko torna-se na primeira pessoa a casar no espaço. Observações: A Lua Crescente encontra-se para a direita de Vénus ao lusco-fusco.
Se é utilizador frequente de um telescópio, provavelmente já estará familiarizado(a) com Lira, que alberga Vega, o Duplo-Duplo e a Nebulosa do Anel, entre outros objetos. E Albireo está por perto, o bico de Cisne e uma das estrelas duplas mais bonitas do céu.
Mas entre Albireo e Lira, já observou o enxame globular M56? Com magnitude 8,3, provavelmente até o conseguirá detetar com grandes binóculos sob um céu escuro.
Dia 11/08: 223.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1962, lançamento da Vostok 3.
Tripulada por Andriyan Nikolayev, orbitou a Terra 64 vezes durante quase quatro dias, um feito que só seria alcançado pela NASA durante o programa Gemini (1965-66). As Vostok 3 e 4 foram lançadas com um dia de diferença e com trajetórias que as aproximaram até 6,5 km entre si. Os cosmonautas a bordo das duas cápsulas comunicaram via rádio, a primeira vez que tal aconteceu. Estas missões marcam a primeira vez que mais do que uma nave espacial estava em órbita à mesma altura. Observações: A chuva de meteoros das Perseídas atinge esta noite o pico, e não há Lua para interferir!
Ao início da noite, são poucos os meteoros, porque o radiante ainda está baixo (a nordeste). Mas, pela mesma razão, as Perseídas ao início da noite, por cima das nossas cabeças, são invulgarmente longas à medida que raspam a nossa atmosfera superior. Mais tarde, os meteoros são mais numerosos (e mais curtos) à medida que o radiante sobe. A melhor altura para observação será a partir das 23-24 horas, até ao amanhecer de dia 12. Quanto mais tarde, melhor.
Dia 12/08: 224.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1877 era feita a primeira observação do satélite de Marte, Deimos, por Asaph Halldo Observatório Naval dos EUA.
Descobriu Fobos, a maior das duas luas, seis noites depois.
Em 1887 nascia Erwin Schrödinger, físico austríaco e laureado com o Prémio Nobel, que desenvolveu um número de resultados fundamentais no campo da teoria quântica. Foi o autor de muitos outros trabalhos em vários campos da física.
Em 1960 era lançado o Echo 1A, o primeiro satélite experimental de comunicações, que é usado para redirecionar chamadas telefónicas transcontinentais e intercontinentais, rádio e sinais de televisão.
Em 1962, lançamento da Vostok 4, um dia depois da Vostok 3. As Vostok 3 e 4 passaram a 6,5 km entre si no espaço, a primeira vez que duas naves estavam em órbita à mesma altura.
Em 1977, primeiro voo livre do vaivém espacial Enterprise. No mesmo ano, lançamento do HEAO-1, que estudou o céu em raios-X.
Em 1978, lançamento do ISEE-3, a primeira nave espacial a encontrar-se com um cometa. Depois de completar a sua missão original, foi reativada e dirigiu-se para passar pela cauda do Cometa Giacobini-Zinner no dia 11 de setembro de 1985. Também observou o Cometa Halley a uma distância de 28 milhões de quilómetros em março de 1986.
Em 1999, a porta do Observatório de Raios-X Chandra, que protege os seus espelhos, abre-se e o Chandra começa a sua exploração do Universo de alta energia.
Em 2005, lançamento da sonda MRO (Mars Reconnaissance Orbiter). Observações: A curva da Lua aponta para Vénus, a uns dois punhos à distância do braço esticado para baixo e para a direita. Procure Espiga, mais ténue, a metade dessa distância mas para a esquerda do nosso satélite natural.
Um telescópio poderá mostrar a pequena sombra da lua Io deixar o lado oeste de Júpiter pelas 03:40 (já de dia 13), seguida pela própria lua Io 10 minutos depois.
Curiosidades
Última contagem de exoplanetas: 4812 planetas em 3558 sistemas planetários, 791 dos quais são múltiplos.
TESS sintoniza uma "sinfonia" de estrelas gigantes vermelhas
Usando observações do TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA, os astrónomos identificaram uma coleção sem precedentes de estrelas gigantes vermelhas pulsantes por todo o céu. Estas estrelas, cujos ritmos surgem de ondas sonoras internas, fornecem os acordes iniciais de uma exploração sinfónica da nossa vizinhança galáctica.
O TESS caça principalmente mundos para lá do nosso Sistema Solar, também conhecidos como exoplanetas. Mas as suas medições sensíveis do brilho estelar tornam o TESS ideal para estudar oscilações estelares, uma área de investigação chamada asterosismologia.
Estrelas gigantes vermelhas próximas e distantes varrem o céu nesta ilustração. As medições do TESS da NASA identificaram mais de 158.000 gigantes vermelhas pulsantes por quase todo o céu. Estas descobertas têm grande potencial para explorar a estrutura detalhada da nossa Galáxia.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA/Chris Smith (KBRwyle)
"O nosso resultado inicial, usando medições estelares ao longo dos primeiros anos do TESS, mostra que podemos determinar as massas e os tamanhos destas gigantes oscilantes com uma precisão que só vai melhorar à medida que o TESS avança," disse Marc Hon, associado do Hubble na Universidade do Hawaii em Honolulu. "O que é realmente aqui incomparável é que a ampla cobertura do TESS permite-nos fazer estas medições uniformemente em quase todo o céu."
Hon apresentou a investigação durante a segunda Conferência Científica do TESS, um evento apoiado pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology) em Cambridge - realizada virtualmente de 2 a 6 de agosto - onde os cientistas discutiram todos os aspetos da missão. A revista The Astrophysical Journal aceitou um artigo que descreve as descobertas, liderado por Hon.
As ondas sonoras que viajam através de qualquer objeto - uma corda de viola, um tubo de órgão ou o interior da Terra e do Sol - podem refletir e interagir, reforçando algumas ondas e cancelando outras. Isto pode resultar num movimento ordenado chamado ondas estacionárias, que criam os tons nos instrumentos musicais.
Logo abaixo da superfície de estrelas como o Sol, o gás quente sobe, arrefece e depois desce, onde é aquecido novamente, como uma panela de água a ferver num fogão. Este movimento produz ondas de mudança de pressão - ondas sonoras - que interagem, em última análise conduzindo oscilações estáveis com períodos de alguns minutos que produzem mudanças subtis de brilho. Para o Sol, estas variações totalizam algumas partes por milhão. Estrelas gigantes com massas semelhantes à do Sol pulsam muito mais devagar e as alterações de brilho correspondentes podem ser centenas de vezes maiores.
As oscilações no Sol foram observadas pela primeira vez na década de 1960. As oscilações do tipo solar foram detetadas em milhares de estrelas pelo telescópio espacial francês CoRoT (Convection, Rotation and planetary Transits), que operou de 2006 a 2013. As missões Kepler e K2 da NASA, que estudaram o céu de 2009 a 2018, descobriram dezenas de milhares de gigantes oscilantes. Agora, o TESS aumenta esse número em mais de 10 vezes.
"Com uma amostra tão grande, as gigantes que podem ocorrer apenas 1% das vezes tornam-se bastante comuns", disse o coautor Jamie Tayar, associado do Hubble também na Universidade do Hawaii. "Agora podemos começar a pensar em encontrar exemplos ainda mais raros."
São as diferenças físicas entre um violoncelo e um violino que produzem os seus sons distintos. Da mesma forma, as oscilações estelares que os astrónomos observam dependem da estrutura interna, da massa e do tamanho de cada estrela. Isto significa que a asterosismologia pode ajudar a determinar propriedades fundamentais para um grande número de estrelas com precisões não alcançáveis de outra forma.
Quando estrelas semelhantes em massa ao Sol evoluem para gigantes vermelhas, a penúltima fase das suas vidas estelares, as suas camadas externas expandem 10 vezes ou mais. Estes vastos invólucros gasosos pulsam com períodos mais longos e amplitudes maiores, o que significa que as suas oscilações podem ser observadas em estrelas mais fracas e mais numerosas.
O TESS monitoriza grandes áreas do céu durante cerca de um mês de cada vez usando as suas quatro câmaras. Durante a sua missão principal de dois anos, o TESS cobriu cerca de 75% do céu, cada câmara capturando uma imagem completa medindo 24 por 24 graus a cada 30 minutos. Em meados de 2020, as câmaras começaram a obter estas imagens a um ritmo ainda mais rápido, a cada 10 minutos.
O TESS da NASA fotografou aproximadamente 75% do céu durante a sua missão primária de dois anos. Este gráfico dissolve-se entre o mapa TESS do céu e um "mapa de massa" construído combinando medições TESS de 158.000 estrelas gigantes vermelhas oscilantes com as suas distâncias estabelecidas pela missão Gaia da ESA. A faixa proeminente em ambas as imagens é a Via Láctea, que marca o plano central da nossa Galáxia. No mapa de massa, as cores verde, amarelo, laranja e vermelho mostram onde as gigantes vermelhas têm uma média superior a 1,4 vezes a massa do Sol. Estas estrelas evoluem mais depressa do que o Sol, tornando-se gigantes em idades mais jovens. A estreita correspondência de gigantes de maior massa com o plano da Via Láctea, que contém os braços espirais da nossa Galáxia, demonstra que contém muitas estrelas jovens.
Crédito: NASA/MIT/TESS e Ethan Kruse (USRA), M. Hon et al., 2021
As imagens foram usadas para desenvolver curvas de luz - gráficos de mudança de brilho - para quase 24 milhões de estrelas ao longo de 27 dias, o tempo que o TESS olha fixamente para cada zona do céu. Para filtrar esta imensa acumulação de medições, Hon e colegas "ensinaram" um computador a reconhecer gigantes pulsantes. A equipa usou aprendizagem de máquina, uma forma de inteligência artificial que treina computadores a tomar decisões com base em padrões gerais, sem os programar explicitamente.
Para treinar o sistema, a equipa usou curvas de luz do Kepler para mais de 150.000 estrelas, das quais cerca de 20.000 eram gigantes vermelhas oscilantes. Quando a rede neuronal terminou de processar todos os dados TESS, tinha identificado um coro de 158.505 gigantes pulsantes.
De seguida, a equipa determinou as distâncias para cada gigante usando dados da missão Gaia da ESA, e traçou as massas destas estrelas no céu. Estrelas mais massivas do que o Sol evoluem mais depressa, tornando-se gigantes em idades mais jovens. Uma previsão fundamental na astronomia galáctica é que estrelas mais jovens e de maior massa deveriam estar mais próximas do plano da Galáxia, que é marcado pela alta densidade de estrelas que criam a faixa brilhante da Via Láctea no céu noturno.
"O nosso mapa demonstra empiricamente, pela primeira vez, que este é realmente o caso em quase todo o céu," disse o coautor Daniel Huber, professor assistente de astronomia na Universidade do Hawaii. "Com a ajuda do Gaia, o TESS deu-nos agora bilhetes para um concerto de gigantes vermelhas no céu."
As estrelas estão a explodir em galáxias empoeiradas. Simplesmente nem sempre as vemos
Seria de pensar que as supernovas - a morte agonizante de estrelas massivas, das explosões mais brilhantes e poderosas do Universo - são difíceis de perder. No entanto, o número observado destas explosões, nas partes distantes do Universo, está muito aquém das previsões dos astrofísicos.
Um novo estudo usando dados do recém-aposentado Telescópio Espacial Spitzer da NASA relata a deteção de cinco supernovas que, não detetadas no visível, nunca tinham sido vistas antes. O Spitzer viu o Universo no infravermelho, que atravessa nuvens de poeira que bloqueiam a luz visível - o tipo de luz que os nossos olhos veem e que as supernovas não obscurecidas irradiam com mais intensidade.
A imagem mostra a galáxia Arp 148, capturada pelos telescópios espaciais Spitzer e Hubble da NASA. Dados do Spitzer, especialmente processados, podem ser vistos dentro do círculo branco, revelando luz infravermelha de uma supernova escondida por poeira. Esta é uma das cinco supernovas escondidas documentada pela primeira vez num recente artigo científico.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
Para procurar supernovas escondidas, os investigadores analisaram observações de 40 galáxias empoeiradas pelo Spitzer (no espaço, a poeira refere-se a partículas semelhantes a grãos com consistência semelhante a fumo). Com base no número encontrado nestas galáxias, o estudo confirma que as supernovas realmente ocorrem com a frequência esperada pelos cientistas. Esta expetativa é baseada na compreensão atual dos cientistas de como as estrelas evoluem. Estudos como este são necessários para melhorar esta compreensão, seja reforçando ou desafiando certos aspetos.
"Estes resultados, com o Spitzer, mostram que os levantamentos óticos nos quais confiamos há muito tempo para detetar supernovas perdem até metade das explosões estelares que ocorrem no Universo," disse Ori Fox, cientista do STScI (Space Telescope Science Institute) em Baltimore, no estado norte-americano de Maryland, autor principal do novo estudo publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. "É uma notícia muito boa que o número de supernovas que estamos a ver com o Spitzer seja estatisticamente consistente com as previsões teóricas."
A "discrepância de supernovas" - isto é, a consistência entre o número de supernovas previstas e o número observado por telescópios óticos - não é um problema no Universo próximo. Aqui, as galáxias diminuíram o seu ritmo de formação estelar e geralmente têm menos poeira. Nas regiões mais distantes do Universo, porém, as galáxias parecem mais jovens, produzem estrelas em taxas mais altas e tendem a ter maiores quantidades de poeira. Esta poeira absorve e espalha a luz ótica e ultravioleta, impedindo-as de alcançar os telescópios. De modo que os investigadores há muito raciocinam que as supernovas perdidas devem existir mas são simplesmente invisíveis.
"Tendo em conta que o Universo local acalmou um pouco desde os seus primeiros anos de formação estelar, vemos os números esperados de supernovas com levantamentos óticos típicos", disse Fox. "A percentagem de supernovas detetadas, no entanto, diminui conforme nos afastamos e regressamos às épocas cósmicas, onde as galáxias mais empoeiradas dominavam."
A deteção de supernovas a estas grandes distâncias pode ser um desafio. Para realizar uma busca por supernovas escondidas em reinos galácticos mais sombrios, mas a distâncias menos extremas, a equipa de Fox selecionou um conjunto local de 40 galáxias sufocadas por poeira, conhecidas como LIRGs e ULIRGs ("luminous and ultra-luminous infrared galaxies", em português galáxias infravermelhas luminosas e ultraluminosas). A poeira nas LIRGs e ULIRGs absorve luz ótica de objetos como supernovas, mas permite que a luz infravermelha destes mesmos objetos passe sem obstrução para ser detetada por telescópios como o Spitzer.
O palpite dos investigadores mostrou-se correto quando as cinco supernovas nunca antes vistas chegaram via luz infravermelha. "É uma prova do potencial de descoberta do Spitzer, o telescópio ter sido capaz de captar o sinal de supernovas escondidas nestas galáxias empoeiradas," disse Fox.
"Foi especialmente divertido para vários dos nossos estudantes contribuir de forma significativa para esta investigação empolgante," acrescentou o coautor Alex Filippenko, professor de astronomia na Universidade da Califórnia, em Berkeley. "Eles ajudaram a responder à pergunta: 'Para onde foram todas as supernovas?'"
As supernovas detetadas pelo Spitzer são conhecidas como "supernovas de colapso do núcleo", envolvendo estrelas gigantes com pelo menos oito vezes a massa do Sol. À medida que envelhecem e os seus núcleos se enchem de ferro, as grandes estrelas não conseguem mais produzir energia suficiente para suportar a sua própria gravidade e os seus núcleos colapsam, repentina e catastroficamente.
As pressões e temperaturas intensas produzidas durante o rápido desmoronamento formam novos elementos químicos por meio da fusão nuclear. As estrelas em colapso acabam por ressaltar dos seus núcleos ultradensos, explodindo e espalhando estes elementos pelo espaço. As supernovas produzem elementos "pesados", como a maioria dos metais. Estes elementos são necessários para a construção de planetas rochosos, como a Terra, bem como para seres biológicos. No geral, as taxas de supernovas servem como uma verificação importante dos modelos de formação estelar e da criação de elementos pesados no Universo.
"Se soubermos quantas estrelas se estão a formar, podemos prever quantas estrelas vão explodir," explicou Fox. "Ou, vice-versa, se soubermos quantas estrelas estão a explodir, podemos prever quantas estrelas se estão a formar. A compreensão desta relação é fundamental para muitas áreas de estudo na astrofísica."
Os telescópios de próxima geração, incluindo o RST (Nancy Grace Roman Space Telescope) e o JWST (James Webb Space Telescope) da NASA, vão detetar luz infravermelha como o Spitzer.
"O nosso estudo mostrou que os modelos de formação estelar são mais consistentes com as taxas de supernovas do que se pensava," disse Fox. "E ao revelar estas supernovas ocultas, o Spitzer preparou o terreno para novos tipos de descobertas com os telescópios espaciais Webb e Roman."
Fotografado um planeta "frio" a mais de 6000 UA da sua estrela
Os astrónomos descobriram milhares de exoplanetas - planetas para lá do nosso Sistema Solar - mas poucos foram diretamente fotografados, porque são extremamente difíceis de ver com os telescópios existentes. Um estudante do Instituto de Astronomia da Universidade do Hawaii superou as expetativas e descobriu um exoplaneta graças a imagens diretas, situado a apenas 35 anos-luz do Sol.
Impressão de artista do sistema planetário COCONUTS-2, com o planeta gigante gasoso COCONUTS-2b em primeiro plano.
Crédito: B. Bays (SOEST/UH)
Usando o levantamento COCONUTS (COol Companions ON Ultrawide orbiTS), o estudante Zhoujian Zhang e uma equipa de astrónomos - Michael Liu e Zach Claytor (Universidade do Hawaii), William Best (Universidade do Texas em Austin), Trent Dupuy (Universidade de Edimburgo) e Robert Siverd (Observatório Gemini/NOIRLab da NSF) - identificaram um planeta com cerca de seis vezes a massa de Júpiter. A investigação da equipa, publicada na revista The Astrophysical Journal Letters, levou à descoberta do gigante gasoso de baixa temperatura que orbita a mais de 6000 UA de uma estrela anã vermelha. Apelidaram o novo sistema planetário de COCONUTS-2 e o novo planeta de COCONUTS-2b.
"Com um planeta massivo numa órbita superlarga, e com uma estrela central muito fria, COCONUTS-2 representa um sistema planetário muito diferente do nosso próprio Sistema Solar," explicou Zhang. O levantamento COCONUTS tem sido o foco da sua tese de doutoramento, recentemente concluído, cujo objetivo é encontrar companheiras, em grande separação, de estrelas de todos os tipos perto da Terra.
Calor aprisionado ajuda a detetar planeta
COCONUTS-2b é o segundo exoplaneta mais frio já descoberto através de imagens diretas, com apenas 160º C, temperatura ligeiramente menos quente do que a usada para cozer bolos num forno. O planeta pode ser fotografado diretamente graças à luz emitida pelo calor residual preso desde a formação do planeta. Ainda assim, o output energético do planeta é mais de um milhão de vezes mais fraco do que o do Sol, de modo que o planeta só pode ser detetado usando radiação infravermelha de baixa energia.
O sistema COCONUTS-2, que sobressai do campo estelar por trás. Os componentes A e b estão separados por 594", correspondendo a 6471 UA de distância da primária.
Crédito: NASA/WISE/Zhang et al. (2021)
"A deteção direta e o estudo da luz de planetas gigantes gasosos em torno de outras estrelas é normalmente muito difícil, uma vez que os planetas que encontramos geralmente têm órbitas de pequena separação e, portanto, estão 'enterrados' no brilho da sua estrela hospedeira," disse Liu, orientador da tese de Zhang. "Com a sua enorme separação orbital, COCONUTS-2b será um grande laboratório para o estudo da atmosfera e da composição de um jovem planeta gigante gasoso."
O planeta foi detetado pela primeira vez em 2011 pelo satélite WISE (Wide-field Infrared Survey Explorer), mas pensava-se ser um objeto não em órbita da estrela. Zhang e seus colaboradores descobriram que está, de fato, ligado gravitacionalmente a uma estrela de baixa massa, COCONUTS-2A, que tem cerca de um-terço da massa do Sol e é cerca de 10 vezes mais jovem.
Devido à sua grande órbita e à fria estrela hospedeira, os céus de COCONUTS-2b seriam dramaticamente diferentes para um observador aí situado em comparação com os céus da Terra. A noite e o dia seriam basicamente iguais, a estrela hospedeira aparecendo como uma estrela vermelha brilhante no céu escuro.
Equipa do Perseverance avalia primeira tentativa de recolha de amostras (via NASA)
Os dados enviados para a Terra pelo rover Perseverance da NASA, após a sua primeira tentativa de recolher uma amostra de rocha em Marte, e selá-la num tubo de amostra, indicam que nenhuma rocha foi recolhida durante a atividade inicial. O rover transporta 43 tubos de amostra de titânio e está a explorar a Cratera Jezero, onde irá recolher amostras de rocha e regolito (rocha quebrada e poeira) para análises futuras na Terra. Ler fonte
Novo estudo lança luz sobre o misterioso escurecimento de Betelgeuse (via Academia Chinesa de Ciências)
Betelgeuse é a estrela avermelhada brilhante localizada no ombro da constelação de Orionte. De outubro de 2019 a março de 2020, Betelgeuse demonstrou um escurecimento misterioso. Embora seja uma estrela variável que exibe mudanças de luz periódicas e às vezes irregulares, este escurecimento é o mais significativo observado nos últimos 50 anos. Ler fonte
O sul é para cima nesta detalhada vista telescópica através das acidentadas terras altas do sul da Lua. Capturada no dia 20 de julho, esta paisagem lunar apresenta as grandes crateras jovem e velha da Lua, Tycho e Clavius. Com cerca de 100 milhões de anos, Tycho é a cratera com 85 km de diâmetro e paredes pronunciadas perto do centro, o seu pico central com 2 quilómetros de altura bem iluminado e provocando uma sombra escura. Os detritos ejetados durante o impacto que criou Tycho ainda a destacam quando a Lua está quase Cheia, produzindo um sistema altamente visível de raios que se estendem por grande parte da face visível. De facto, parte do material recolhido no local de aterragem da Apollo 17, a cerca de 2000 quilómetros de distância, provavelmente teve origem no impacto de Tycho. Uma das maiores e mais antigas crateras no lado visível do nosso satélite natural, a cratera Clavius, com 225 quilómetros de diâmetro, está para sul (cima) de Tycho. O próprio sistema de raios da cratera Clavius, resultante do seu evento de impacto, desapareceu há muito tempo. As paredes desgastadas da antiga e cratera e o chão liso estão agora cobertos por crateras mais pequenas de impactos que ocorreram após a formação de Clavius. Observações pelo SOFIA (Stratospheric Observatory for Infrared Astronomy), publicadas em 2020, anunciaram a descoberta de água em Clavius. A jovem cratera Tycho e a antiga cratera Clavius são os locais lunares do épico de ficção científica "2001: Odisseia no Espaço".
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