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  Astroboletim #1842  
  02/11 a 04/11/2021  
     
 
Efemérides

Dia 02/11: 306.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1885, nascimento de Harlow Shapley, pioneiro americano na determinação da distância das estrelasenxames e do centro da Via Láctea

Corajosamente e corretamente afirmava que os enxames globulares encontravam-se à volta da Galáxia e que esta era muito maior do que inicialmente se pensava, centrada a milhares de anos-luz na direção de Sagitário. Foi diretor do Observatório de Harvard durante muitos anos.
Em 1917, inauguração do telescópio de 100 polegadas do Monte Wilson.
Em 2000, chegava à ISS a primeira tripulação residente, a bordo da Soyuz TM-31. A ISS tem sido tripulada continuamente desde aí.
Observações: Por volta das 21:30, dependendo da posição do observador, a estrela Capella, de magnitude zero, está à mesma altitude a nordeste que Vega a oeste-noroeste. Com que precisão consegue determinar o momento deste evento? Não é necessário um sextante... mas ajudava.
Esta semana Júpiter cruza o meridiano (o seu ponto mais alto a sul) entre as 19:00 e as 20:00, dependendo de quão para este ou oeste está o observador no seu fuso horário. E este mês, quando Júpiter cruza o meridiano, também o faz a estrela do nariz virado de cima para baixo de Pégaso: Enif, ou Epsilon Pegasi. "Enif" é árabe para "nariz". Com magnitude 2,4, Enif é fácil de avistar, 25º para cima de Júpiter. Corresponde mais ou menos a 2,5 punhos à distância do braço esticado. Bons olhos, ou binóculos, revelam que é amarelo-alaranjada; uma supergigante K3.
Enif é o ponto de começo para encontrar o bonito enxame globular M15, localizado 5º para noroeste da estrela (para cima e para a direita estas noites). Com magnitude 6,28, M15 é visível através de binóculos como uma bola difusa e pequena, e um telescópio de 6 polegadas já pode começar a resolver algumas estrelas.

Dia 03/11: 307.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1957, primeira forma de vida e morte terrestre no espaço: a cadela Laika é lançada a bordo do soviético Sputnik 2.

Até 2002, pensava-se que ela tinha morrido depois de uma semana em órbita. Mas nesse ano foi tornada pública a verdadeira causa e hora da sua morte: a Laika morreu em poucas horas devido a demasiado calor, possivelmente provocado por uma falha do componente R-7 em separar-se da carga.
Em 1973 era lançada a Mariner 10. Chegou a Vénus a 5 de fevereiro de 1974, maior aproximação a 5700 km. Devolveu imagens do topo das nuvens venusianas. A 29 de março de 1974, torna-se na primeira sonda a alcançar Mercúrio.
Observações: Antes do amanhecer, tente avistar a fina Lua, Mercúrio e Espiga, que formam um triângulo muito baixo a este-sudeste. Utilize binóculos caso não apanhe o breve intervalo de tempo entre o triângulo ficar demasiado baixo e o céu começar a ficar demasiado brilhante para Espiga, o objeto mais ténue dos três.

Dia 04/11: 308.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 2003 foi registada a mais forte erupção solar conhecida.

Observações: Esta semana, após o anoitecer, Capella brilha a nordeste e as Plêiades estão a este-nordeste três punhos à distância do braço esticado para a direita de Capella. Com o passar das horas, encontrará a alaranjada Aldebarã subindo bem abaixo de M45.
Pelas 22:00, Orionte já está totalmente visível acima do horizonte, por baixo de Aldebarã.

 
     
 
Curiosidades


A estrela mais pequena, atualmente conhecida, chama-se EBLM J0555-57Ab. Foi descoberta em 2017. É uma anã vermelha que mal tem massa suficiente para permitir a fusão de hidrogénio no seu núcleo: 85,2 +/- 4 (provavelmente 83) massas de Júpiter, ou 0,081 massas solares. Tem o equivalente a 0,08 raios solares (cerca de 59.000 km), ligeiramente mais pequena que Saturno, embora seja 250 vezes mais massiva.

 
 
   
Resultados científicos da Juno fornecem primeira visão 3D da atmosfera de Júpiter

Novos achados da sonda Juno da NASA, em órbita de Júpiter, dão uma imagem mais completa de como as características atmosféricas distintas e coloridas do planeta fornecem pistas sobre os processos invisíveis abaixo das suas nuvens. Os resultados destacam o funcionamento interno das faixas e zonas de nuvens que rodeiam Júpiter, bem como dos seus ciclones polares e até mesmo da Grande Mancha Vermelha.

 
As faixas de Júpiter são criadas pela "camada climática" formadora de nuvens. Esta composição (da esquerda para a direita) mostra vistas de Júpiter no infravermelho e no visível obtidas pelo Telescópio Gemini North e pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA, respetivamente.
Crédito: Observatório Gemini/NOIRLab/NSF/AURA/NASA/ESA, M.H. Wong e I. de Pater (UC Berkeley) et al.
 

Os investigadores publicaram vários artigos científicos sobre as descobertas atmosféricas da Juno a semana passada na revista Science e na revista Journal of Geophysical Research: Planets. Artigos científicos adicionais foram publicados em duas edições recentes da revista Geophysical Research Letters.

"Estas novas observações da Juno abrem um 'baú do tesouro' de novas informações sobre as enigmáticas características observáveis de Júpiter," disse Lori Glaze, diretora da Divisão de Ciência Planetária da NASA na sede da agência em Washington. "Cada artigo lança luz sobre diferentes aspetos dos processos atmosféricos do planeta - um exemplo maravilhoso de como as nossas equipas científicas fortalecem a compreensão do nosso Sistema Solar."

A Juno entrou na órbita de Júpiter em 2016. Durante cada uma das 37 passagens da nave pelo planeta, até ao momento, um conjunto especializado de instrumentos espiou abaixo da sua turbulenta camada de nuvens.

"Anteriormente, a Juno surpreendeu-nos com indícios de que os fenómenos na atmosfera de Júpiter eram mais profundos do que o esperado," disse Scott Bolton, investigador principal da Juno no SwRI (Southwest Research Institute) em San Antonio, no estado norte-americano do Texas, autor principal do artigo publicado na revista Science sobre a profundidade dos vórtices de Júpiter. "Agora, estamos a começar a juntar todas estas peças individuais e a obter a nossa primeira compreensão real de como funciona a bela e violenta atmosfera - em 3D."

O radiómetro de micro-ondas (MWR) da Juno permite que os cientistas da missão olhem por baixo das nuvens de Júpiter e investiguem a estrutura das suas numerosas tempestades em vórtice. A mais famosa destas tempestades é o icónico anticiclone conhecido com Grande Mancha Vermelha. Mais largo do que a Terra, este vórtice carmesim tem intrigado os cientistas desde a sua descoberta há quase dois séculos.

Os novos resultados mostram que os ciclones são mais quentes no topo, com menores densidades atmosféricas, enquanto são mais frios em baixo, com densidades mais altas. Os anticiclones, que giram na direção oposta, são mais frios em cima, mas mais quentes em baixo.

As descobertas também indicam que estas tempestades são bem mais altas do que o esperado, algumas estendendo-se por 100 km abaixo do topo das nuvens e outras, incluindo a Grande Mancha Vermelha, estendendo-se por mais de 350 km. Esta descoberta surpreendente demonstra que os vórtices cobrem regiões para lá daquelas onde a água se condensa e forma nuvens, abaixo da profundidade onde a luz solar aquece a atmosfera.

A altura e o tamanho da Grande Mancha Vermelha significam que a concentração de massa atmosférica dentro da tempestade pode ser parcialmente detetável por instrumentos que estudam o campo gravitacional de Júpiter. Duas passagens rasantes da Juno sobre a mancha mais famosa de Júpiter forneceram a oportunidade de procurar pela assinatura gravitacional da tempestade e complementar os resultados da sua profundidade pelo MRW.

Quando a Juno passou bem perto do topo de nuvens de Júpiter, a cerca de 209.000 km/h, os cientistas da missão foram capazes de medir mudanças de velocidade tão pequenas quanto 0,01 milímetros por segundo usando uma antena de rastreamento da DSN (Deep Space Network) da NASA, a uma distância de mais de 650 milhões de quilómetros. Isto permitiu que a equipa restringisse a profundidade da Grande Mancha Vermelha a cerca de 500 km abaixo do topo das nuvens.

"A precisão necessária para obter a gravidade da Grande Mancha Vermelha durante o 'flyby' de julho de 2019 é impressionante," disse Marzia Parisi, cientista da Juno no JPL da NASA no sul da Califórnia e autora principal de um artigo publicado na revista Science sobre os voos gravitacionais pela Grande Mancha Vermelha. "Ser capaz de complementar a descoberta do MRW sobre a profundidade dá-nos grande confiança de que experiências futuras de gravidade em Júpiter produzam resultados igualmente intrigantes."

 
Esta ilustração combina uma imagem de Júpiter obtida pela JunoCam a bordo da sonda Juno da NASA com uma composição da Terra que ilustra o tamanho e a profundidade da Grande Mancha Vermelha de Júpiter.
Crédito: dados da JunoCam - NASA/JPL-Caltech/SwRI/MSSS; processamento da imagem da JunoCam - Kevin M. Gill; imagem da Terra - NASA
 

Faixas e zonas

Além de ciclones e anticiclones, Júpiter é conhecido pelas suas faixas e zonas - bandas de nuvens brancas e avermelhadas que envolvem o planeta. Fortes ventos este-oeste, movendo-se em direções opostas, separam as bandas. A Juno descobriu anteriormente que estes ventos, ou correntes, atingem profundidades de aproximadamente 3200 km. Os investigadores ainda estão a tentar resolver o mistério de como as correntes se formam. Os dados recolhidos pelo MWR da Juno, ao longo de várias passagens, revelam uma possível pista: que o gás amónia da atmosfera viaja para cima e para baixo num notável alinhamento com as correntes observadas.

"Ao seguir a amónia, encontrámos células de circulação nos hemisférios sul e norte que são semelhantes em natureza às 'Células de Ferrel' que controlam grande parte do nosso clima aqui na Terra," disse Keren Duer, estudante do Instituto Weizmann de Ciência em Israel e autora principal do artigo científico publicado na revista Geophysical Research Letters sobre as células semelhantes às de Ferrel em Júpiter. "Ao passo que a Terra tem uma célula de Ferrel por hemisfério, Júpiter tem oito - cada uma pelo menos 30 vezes maior."

Os dados do MWR da Juno também mostram que as faixas e zonas passam por uma transição a cerca de 65 km abaixo das nuvens de água de Júpiter. A profundidades menores, as bandas de Júpiter são mais brilhantes em micro-ondas do que as zonas vizinhas. Mas a níveis mais profundos, abaixo das nuvens de água, acontece o oposto - o que revela uma semelhança com os nossos oceanos.

"Estamos a chamar a este nível 'Joviclina' em analogia a uma camada de transição vista nos oceanos da Terra, conhecida como termoclina - onde a água do mar transita abruptamente de quente para relativamente fria," disse Leigh Fletcher, cientista participante da Juno na Universidade de Leicester no Reino Unido e autor principal do artigo publicado na revista Journal of Geophysical Research: Planets, realçando as observações da Juno em micro-ondas das faixas e zonas temperadas.

Ciclones polares

A Juno já havia descoberto arranjos poligonais de tempestades ciclónicas gigantes em ambos os polos de Júpiter - oito arranjadas num padrão octagonal no norte e cinco arranjadas num padrão pentagonal no sul. Agora, cinco anos depois, os cientistas da missão, usando observações pelo JIRAM (Jovian Infrared Auroral Mapper) da sonda, determinaram que estes fenómenos atmosféricos são extremamente resistentes, permanecendo no mesmo local.

"Os ciclones de Júpiter afetam o movimento uns dos outros, fazendo com que oscilem em torno de uma posição de equilíbrio," disse Alessandro Mura, coinvestigador da Juno no Instituto Nacional de Astrofísica em Roma e autor principal de um artigo recente publicado na Geophysical Research Letters sobre as oscilações e estabilidade nos ciclones polares de Júpiter. "O comportamento destas oscilações lentas sugere que têm raízes profundas."

Os dados do JIRAM também indicam que, como os furacões na Terra, estes ciclones querem mover-se em direção aos polos, mas os ciclones localizados no centro de cada polo empurram-nos para trás. Este equilíbrio explica onde os ciclones residem e os números diferentes em cada polo.

// NASA (comunicado de imprensa)
// Universidade de Cornell (comunicado de imprensa)
// SwRI (comunicado de imprensa)
// Instituto Weizmann de Ciência (comunicado de imprensa)
// Universidade de Leicester (comunicado de imprensa)
// Artigo científico #1 (Science)
// Artigo científico #2 (Science)
// Artigo científico #3 (Geophysical Research Letters)
// Artigo científico #3 (arXiv.org)
// Artigo científico #4 (Journal of Geophysical Research: Planets)
// Conferência de imprensa sobre as descobertas em Júpiter (NASA via YouTube)
// Animação de Júpiter (Instituto Weizmann de Ciência via YouTube)

 


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Júpiter:
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Grande Mancha Vermelha (Wikipedia)

Missão Juno:
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Como encontrar oceanos ocultos em mundos distantes? Use-se a química

Um novo estudo mostra como as substâncias químicas na atmosfera de um exoplaneta podem, em alguns casos, revelar se a temperatura à sua superfície é demasiado alta para água líquida.

No nosso Sistema Solar, os planetas ou são pequenos e rochosos (como a Terra) ou grandes e gasosos (como Neptuno). Mas, em torno de outras estrelas, os astrónomos encontraram planetas que se situam no meio - mundos ligeiramente maiores do que a Terra, mas mais pequenos do que Neptuno. Estes planetas podem ter superfícies rochosas ou oceanos de água líquida, mas a maioria provavelmente terá atmosferas muitas vezes mais espessas que a da Terra e opacas.

 
Planetas que têm entre 1,7 e 3,5 vezes o diâmetro da Terra são por vezes chamados "sub-Neptunos". Não há planetas deste género no nosso Sistema Solar, mas os cientistas pensam que muitos sub-Neptunos têm espessas atmsoferas, potencialmente escondendo superfícies rochosas ou oceanos líquidos.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 

No novo estudo, aceite na revista The Astrophysical Journal Letters, investigadores mostram como a química dessas atmosferas pode revelar pistas sobre o que está por baixo - especificamente, que planetas são quentes demais para suportar oceanos de água líquida. Visto que a água líquida é um ingrediente necessário para a vida como a conhecemos, esta técnica pode ajudar os cientistas a restringir a sua busca por exoplanetas potencialmente habitáveis, ou planetas para lá do Sistema Solar. Já foram confirmados mais de 4500 exoplanetas na nossa Galáxia, com mais de 7700 candidatos ainda à espera de confirmação, mas os cientistas estimam que existam centenas de milhares de milhões.

Alguns telescópios espaciais equipados com espectrómetros podem revelar a composição química da atmosfera de um exoplaneta. Um perfil químico da Terra não seria capaz de revelar fotos de, digamos, vacas ou humanos à superfície do planeta, mas mostraria dióxido de carbono e metano produzidos por mamíferos e oxigénio produzido por árvores. Nenhum destes elementos químicos, por si só, seria um sinal de vida, mas em combinação apontariam para a possibilidade de que o nosso planeta seria habitado.

O novo artigo científico mostra que elementos químicos podem apontar para oceanos ocultos em exoplanetas entre 1,7 e 3,5 vezes o diâmetro da Terra. Dado que Neptuno tem aproximadamente 4 vezes o diâmetro da Terra, estes planetas são às vezes chamados "sub-Neptunos".

Uma espessa atmosfera num sub-Neptuno reteria o calor à superfície e aumentaria a temperatura. Se a atmosfera atingir um certo limite - normalmente cerca de 770º C - passará por um processo chamado equilíbrio termoquímico que muda o seu perfil químico. Depois do equilíbrio termoquímico ocorrer - e assumindo que a atmosfera do planeta é composta principalmente de hidrogénio, o que é típico para exoplanetas gasosos - o carbono e o azoto estarão predominantemente na forma de metano e amónia.

Estas substâncias químicas estariam em grande parte em falta numa atmosfera mais fria e fina, onde o equilíbrio termoquímico não ocorreu. Nesse caso, as formas dominantes de carbono e azoto seriam o dióxido de carbono e moléculas com dois átomos de azoto.

De acordo com o estudo, um oceano de água líquida sob a atmosfera deixaria sinais adicionais, incluindo a ausência quase total de amónia, que seria dissolvida no oceano. O gás amónia é altamente solúvel em água, dependendo do pH do oceano (o seu nível de acidez). Os investigadores descobriram que, ao longo de uma ampla gama de níveis plausíveis de pH oceânico, a atmosfera deveria estar virtualmente livre de amónia quando há um enorme oceano por baixo.

Além disso, haveria mais dióxido de carbono do que monóxido de carbono na atmosfera; em contraste, após o equilíbrio termoquímico, deveria haver mais monóxido de carbono do que dióxido de carbono, a haver quantidades detetáveis de qualquer um destes compostos.

"Se virmos as assinaturas do equilíbrio termodinâmico, vamos concluir que o planeta é demasiado quente para ser habitável," disse Renyu Hu, investigador no JPL da NASA, que liderou o estudo. "E vice-versa, se não virmos a assinatura do equilíbrio termoquímico e virmos também as assinaturas do gás dissolvido num oceano de água líquida, vamos considerá-las como um forte indício de habitabilidade."

O Telescópio Espacial James Webb da NASA, com lançamento previsto para o dia 18 de dezembro, vai transportar um espectrómetro capaz de estudar as atmosferas exoplanetárias. Cientistas como Hu estão a trabalhar para prever que tipos de perfis químicos o Webb conseguirá ver nestas atmosferas e o que podem revelar sobre estes mundos distantes. O observatório tem capacidade para identificar sinais de equilíbrio termoquímico nas atmosferas dos sub-Neptunos - por outras palavras, sinais de um oceano escondido - conforme identificado no artigo científico.

À medida que o Webb descobrir novos planetas ou fizer estudos mais aprofundados de planetas conhecidos, esta informação poderá ajudar os cientistas a decidir quais são dignos de observações adicionais, especialmente se os cientistas querem ter como alvo planetas que possam abrigar vida.

"Não temos evidências observacionais diretas que digam quais as características físicas comuns dos sub-Neptunos," disse Hu. "Muitos deles podem ter atmosferas massivas de hidrogénio, mas alguns ainda podem ser 'planetas oceânicos'. Espero que este artigo científico motive muitas mais observações para, num futuro próximo, as descobrir."

// JPL/NASA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal Letters)
// Artigo científico (arXiv.org)
// Tipos de exoplanetas: mundos para lá do nosso Sistema Solar (NASA via YouTube)

 


Saiba mais

Sub-Neptuno:
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Exoplanetas:
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Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
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JWST (Telescópio Espacial James Webb):
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JWST vai unir forças com o EHT para revelar o buraco negro supermassivo da Via Láctea

No topo de montanhas isoladas por todo o planeta, os cientistas aguardam a notícia de que "é esta noite": a complexa coordenação entre dezenas de telescópios no solo e no espaço está completa, o céu está limpo, as questões tecnológicas foram resolvidas - as estrelas metafóricas estão alinhadas. É hora de olhar para o buraco negro supermassivo no coração da nossa Galáxia, a Via Láctea.

Este "Sudoku de agendamento", como os astrónomos o chamam, ocorre todos os dias durante uma campanha de observação pela colaboração EHT (Event Horizon Telescope) e em breve poderão contar com um novo jogador; o Telescópio Espacial James Webb da NASA vai juntar-se aos esforços. Durante a primeira série de observações do Webb, os astrónomos irão usar o seu poder de imagem infravermelha para abordar alguns dos desafios únicos e persistentes apresentados pelo buraco negro da Via Láctea, de nome Sagitário A* (Sgr A*; o asterisco pronuncia-se como "estrela").

 
Um enorme vórtice rodopiante de gás quente brilha no infravermelho, assinalando a localização aproximada do buraco negro supermassivo no coração da nossa Galáxia, a Via Láctea. Esta composição em vários comprimentos de onda inclui luz infravermelha próxima capturada pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA e foi a imagem infravermelha mais nítida já feita da região do centro da Galáxia quando divulgada em 2009. Surtos dinâmicos oscilantes na região imediatamente ao redor do buraco negro, chamado Sagitário A*, complicaram os esforços da colaboração EHT para criar uma imagem mais próxima e detalhada. Embora o buraco negro propriamente dito não emita luz e não possa ser detetado por um telescópio, a equipa do EHT está a trabalhar para fotografá-lo, obtendo uma imagem nítida do gás quente brilhante e da poeira diretamente ao seu redor. O Telescópio Espacial James Webb da NASA, com lançamento previsto para dezembro de 2021, combinará a resolução do Hubble com ainda mais deteção de luz infravermelha. No seu primeiro ano de operações científicas, o Webb vai juntar-se ao EHT na observação de Sagitário A*, emprestando os seus dados infravermelhos para comparação com os dados de rádio do EHT, tornando mais fácil determinar quando os surtos brilhantes estão presentes, produzindo uma imagem geral mais nítida da região. Na composição mostrada aqui, as cores representam diferentes comprimentos de onda de luz. As observações no infravermelho próximo pelo Hubble são mostradas a amarelo, revelando centenas de milhares de estrelas, berçários estelares e gás aquecido. As observações infravermelhas mais profundas do Telescópio Espacial Spitzer da NASA são vistas a vermelho, revelando ainda mais estrelas e nuvens de gás. A luz detetada pelo Observatório de raios-X Chandra da NASA é mostrada a azul e violeta, indicando onde o gás é aquecido a milhões de graus por explosões estelares e fluxos do buraco negro supermassivo.
Crédito: NASA, ESA, SSC, CXC, STScI
 

Em 2017, o EHT usou o poder de imagem combinado de oito instalações de radiotelescópios por todo o planeta para capturar a primeira visão histórica da região imediatamente em torno de um buraco negro supermassivo, na galáxia M87. Sgr A* está mais perto, mas é mais escuro do que o buraco negro de M87, e o material em redor cintila, de modo que altera o padrão de luz de hora a hora, apresentando desafios para os astrónomos.

"O buraco negro supermassivo da nossa Galáxia é o único que se conhece ter este tipo de surto e, embora isso tenha dificultado bastante a captura de uma imagem da região, também torna Sagitário A* ainda mais interessante cientificamente," disse o astrónomo Farhad Yusef-Zadeh, professor da Universidade Northwestern e investigador do programa Webb para a observação de Sgr A*.

Estas proeminências aparecem devido à aceleração temporária, mas intensa, das partículas em torno do buraco negro para energias muito mais altas, com a emissão de luz correspondente. Uma grande vantagem de observar Sgr A* com o Webb é a capacidade de capturar dados em dois comprimentos de onda infravermelhos (F210M e F480M) simultaneamente e continuamente, a partir da localização do telescópio para lá da Lua. O Webb terá uma visão ininterrupta, observando ciclos de atividade e de calmaria que a equipa do EHT pode usar como referência com os seus próprios dados, resultando numa imagem mais limpa.

A fonte ou mecanismo que causa os surtos de atividade ao redor de Sgr A* é altamente debatida. As respostas sobre como as erupções de Sgr A* começam, atingem o pico e se dissipam podem ter implicações de longo alcance para o estudo futuro dos buracos negros, bem como da física de partículas e do plasma, até mesmo das erupções solares.

"Os buracos negros são incríveis," disse Sera Markoff, astrónoma da equipa de investigação de Sgr A* do Webb e atualmente vice-presidente do Conselho Científico do EHT. "A razão pela qual os cientistas e agências espaciais de todo o mundo se esforçam tanto para estudar os buracos negros é porque são os ambientes mais extremos do Universo conhecido, onde podemos colocar as nossas teorias fundamentais, como a relatividade geral, num teste prático."

 
Gás aquecido gira em torno da região do buraco negro supermassivo da Galáxia, a Via Láctea, iluminada por luz infravermelha capturada pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA. Divulgada em 2009 para comemorar o Ano Internacional da Astronomia, esta foi a imagem infravermelha mais nítida já feita da região do centro da nossa Galáxia. O Telescópio Espacial James Webb da NASA, com lançamento previsto para dezembro de 2021, continuará esta investigação, combinando a resolução do Hubble com ainda mais capacidade de deteção no infravermelho. De particular interesse para os astrónomos serão as observações do Webb das erupções na área, que não foram observadas ao redor de qualquer outro buraco negro supermassivo e cuja causa é desconhecida. Esta atividade complicou a tentativa da colaboração EHT em capturar uma imagem da área imediatamente ao redor do buraco negro e os dados infravermelhos de Webb deverão ajudar em muito na produção de uma imagem limpa.
Crédito: NASA, ESA, STScI, Q. Daniel Wang (UMass)
 

Os buracos negros, previstos por Albert Einstein como parte da sua teoria da relatividade geral, são, em certo modo, o oposto do que o seu nome indica - em vez de um buraco vazio no espaço, os buracos negros são as regiões de matéria mais densas e compactadas conhecidas. O campo gravitacional de um buraco negro é tão forte que curva o tecido do espaço em torno de si próprio, e qualquer material que se aproxime demais fica preso ali para sempre, juntamente com qualquer luz que o material emita. É por isso que os buracos negros aparecem "negros". Qualquer luz detetada pelos telescópios não provém realmente do buraco negro propriamente dito, mas da área em redor. Os cientistas chamam ao limite interno final desta luz o horizonte de eventos e é daí que a colaboração EHT recebe o seu nome.

A imagem de M87 pelo EHT foi a primeira prova visual direta de que a previsão do buraco negro de Einstein estava correta. Os buracos negros continuam a ser uma zona experimental para a teoria de Einstein e os cientistas esperam que observações cuidadosamente programadas em vários comprimentos de onda de Sgr A* pelo EHT, pelo Webb, em raios-X e por outros observatórios diminuam a margem de erro nos cálculos da relatividade geral, ou talvez apontem para novos reinos da física que não entendemos atualmente.

Por mais excitante que seja a perspetiva de um novo entendimento e/ou de uma nova física, Markoff e Zadeh realçam que isto é apenas o começo. "É um processo. Provavelmente teremos mais perguntas do que respostas ao início," disse Markoff. A equipa de investigação Sgr A* planeia pedir mais tempo de observação com o Webb nos próximos anos, para testemunhar outros eventos e construir uma base de conhecimento, determinando padrões de atividade a partir de eventos aparentemente aleatórios. As informações obtidas com o estudo de Sgr A* serão então aplicadas a outros buracos negros, para aprender o que é fundamental à sua natureza vs. o que torna um buraco negro único.

Portanto, este stressante Sudoku de agendamento vai continuar por algum tempo, mas os astrónomos concordam que o esforço vale a pena. "É a coisa mais nobre que os humanos podem fazer: procurar a verdade," disse Zadeh. "Está na nossa natureza. Queremos saber como o Universo funciona porque fazemos parte do Universo. Os buracos negros podem conter pistas para algumas destas grandes questões."

O Telescópio Espacial James Webb será o principal observatório de ciências espaciais do mundo quando for lançado ainda no final deste ano. O Webb resolverá mistérios no nosso Sistema Solar, olhará mais além para mundos distantes em redor de outras estrelas e investigará as misteriosas estruturas e origens do nosso Universo e o nosso lugar nele. O Webb é um programa internacional liderado pela NASA com os seus parceiros, a ESA e a Agência Espacial Canadiana.

// NASA (comunicado de imprensa)

 


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Sagitário A*:
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Buraco negro supermassivo:
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Também em destaque
  Cientista vira-se para IA, lentes, a fim de encontrar planetas "flutuantes" (via NASA)
O Telescópio Espacial Nancy Grace Roman vai realizar um levantamento para descobrir muitos exoplanetas usando técnicas poderosas disponíveis a um telescópio de campo amplo. As estrelas na nossa Galáxia, a Via Láctea, movem-se, e alinhamentos aleatórios podem ajudar-nos a encontrar planetas "flutuantes". Quando um planeta flutuante se alinha precisamente com uma estrela distante, isso pode fazer com que a estrela brilhe. Durante esses eventos, a gravidade do planeta atua como uma lente que amplia brevemente a luz da estrela de fundo. Embora o RST possa encontrar planetas fugitivos por meio dessa técnica, chamada microlente gravitacional, há uma desvantagem - a distância ao planeta que atua como lente é pouco conhecida. Ler fonte
 
   
Álbum de fotografias - NGC 289: Espiral no Hemisfério Sul
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Mike Selby
 
A cerca de 70 milhões de anos-luz de distância, a linda galáxia espiral NGC 289 é maior do que a nossa Via Láctea. Vista quase de face, o seu núcleo brilhante e disco central colorido dão lugar a braços espirais azulados e ténues. Os braços extensos estendem-se por mais de 100 mil anos-luz a partir do centro da galáxia. Para baixo e para a direita neste retrato nítido e telescópico da galáxia, o braço espiral principal parece encontrar uma pequena galáxia companheira elíptica e difusa em interação com a enorme NGC 289. Claro, as estrelas com picos de difração encontram-se no plano da frente desta cena. Estão dentro da Via Láctea, na direção da constelação do hemisfério sul de Escultor.
 
   
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