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  Astroboletim #1889  
  15/04 a 18/04/2022  
     
 

Apresentação às Estrelas | Entre Eclipses
Data: 12 de maio de 2022
Hora: 20:30-22:30
Local: Centro Ciência Viva do Algarve
Estamos numa altura do ano propícia à ocorrência de eclipses! Vamos explicar o porquê disto, e falar no eclipse lunar que aí vem. Após a apresentação, e se a meteorologia for favorável, iremos observar o céu com telescópio.
Adulto: 4€
Jovem: 2€
Menores de 12 anos: gratuito.
A observação astronómica com telescópio depende de condições meteorológicas favoráveis.
Pré-inscrição: siga este link
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
     
 
Efemérides

Dia 15/04: 105.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1707 nascia Leonhard Euler, matemático e físico suiço.

Fez importantes descobertas em vários campos como o cálculo infinitesimal e teoria dos grafos. Também introduziu muita da terminologia matemática moderna e da notação, particularmente da análise matemática, como por exemplo a noção de função matemática. Também trabalhou na mecânica, dinâmica de fluidos, ótica, astronomia e teoria musical. Relativamente à astronomia, os seus feitos incluem a determinação, com uma grande precisão, da órbita de cometas e de outros corpos celestes, a compreensão da natureza dos cometas e o cálculo da paralaxe do Sol.
Em 1793 nascia Friedrich Georg Wilhelm von Struve, astrónomo báltico-alemão. Struve é conhecido pelo seu enorme estudo das estrelas duplas e foi um dos primeiros astrónomos a identificar os efeitos da extinção interestelar.
Em 1800, James Ross descobre o polo magnético norte
Em 1961, Yuri Gagarin, o primeiro ser humano no espaço, é galardoado com a Ordem de Lenine
Observações: Esta noite a Lua, quase Cheia, está para cima da estrela Espiga. Mais distante, mas para a esquerda, encontra-se a brilhante estrela Arcturo.

Dia 16/04: 106.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1495 nascia Petrus Apianus, humanista alemão, conhecido pelos seus trabalhos na matemática, astronomia e cartografia.
Em 1972, os Estados Unidos lançavam a Apollo 16 para a Lua, a décima missão tripulada do programa Apollo, a quinta e a penúltima a aterrar no nosso satélite natural.

Observações: Lua Cheia, pelas 19:55.
Ao cair da noite, a Lua encontra-se nos ténues pés da figura da constelação de Virgem. Espiga brilha 9º para cima e para a sua direita (quase um punho à distância do braço esticado), talvez esforçando-se por ser vista através do luar. A mais brilhante Arcturo encontra-se a cerca de 30º para cima e para a esquerda do nosso satélite natural.

Dia 17/04: 107.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1598 nascia Giovanni Battista Riccioli, astrónomo italiano e padre jesuíta que estudou extensivamente a Lua e foi a primeira pessoa a medir a aceleração de um corpo em queda livre. Também introduziu a nomenclatura lunar atual.
Em 1967, lançamento da Surveyor 3, a segunda missão do programa Surveyor a aterrar suavemente na Lua. 
Em 1970, após dias de aflição, a Apollo 13 regressava sã e salva à Terra.

Em 2014, o telescópio Kepler confirma a descoberta do primeiro planeta do tamanho da Terra na zona habitável de outra estrela.
Observações: Antes do nascer-do-Sol, aproveite para observar a linha constituída pelos planetas (a começar em cima, andando para baixo e para a esquerda até ao horizonte) Saturno, Marte, Vénus e Júpiter, baixos a sul-sudeste. É necessário um horizonte desimpedido.

Dia 18/04: 108.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1955, falecia Albert Einstein.

Em 2000, uma equipa de cientistas do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica usa o Observatório de raios-X Chandra durante 7,5 horas para obter imagens do espectro de um buraco negro estelar na direção da constelação de Ursa Maior.
Observações:
Depois do cair da noite, a "foice de Leão" apoia-se na vertical, alta a sul. A sua estrela de baixo é Régulo, a mais brilhante da constelação. A figura do leão, propriamente dito, está a caminhar na horizontal, para oeste. A "foice" forma a sua pata da frente, peito, juba e parte da sua cabeça.

 
 
   
Astrónomos detetam precursor de buraco negro supermassivo à espreita nos dados de arquivo do Hubble

Uma equipa internacional de astrónomos, utilizando dados de arquivo do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA e outros observatórios espaciais e terrestres, descobriram um objeto único no Universo distante e primitivo que é uma ligação especial entre as galáxias formadoras de estrelas e o aparecimento dos primeiros buracos negros supermassivos. Este objeto é o primeiro do seu género a ser descoberto tão cedo na história do Universo e tem passado despercebido numa das áreas mais bem estudadas do céu noturno.

 
Impressão de artista de GNz7q.
Crédito: ESA/Hubble, N. Bartmann
 

Os astrónomos têm lutado para compreender o aparecimento de buracos negros supermassivos no início do Universo desde que estes objetos foram descobertos a distâncias correspondentes a um período apenas 750 milhões de anos após o Big Bang. O rápido crescimento de buracos negros em galáxias empoeiradas e com formação estelar precoce está previsto por teorias e simulações de computador, mas até agora não tinham sido observados. Agora, porém, os astrónomos relataram a descoberta de um objeto - a que deram o nome de GNz7q - que se pensa ser o primeiro buraco negro de crescimento muito rápido a ser encontrado no início do Universo. Os dados de arquivo do instrumento ACS (Advanced Camera for Surveys) do Hubble ajudaram a equipa a estudar a emissão ultravioleta do disco de acreção do buraco negro e a determinar que GNz7q existiu apenas 750 milhões de anos após o Big Bang.

"A nossa análise sugere que GNz7q é o primeiro exemplo de um buraco negro de crescimento rápido no núcleo empoeirado de uma galáxia 'starburst' numa época próxima do primeiro buraco negro supermassivo conhecido no Universo," explica Seiji Fujimoto, astrónomo do Instituto Niels Bohr da Universidade de Copenhaga, na Dinamarca, e autor principal do artigo que descreve esta descoberta. "As propriedades do objeto, por todo o espectro eletromagnético, estão em excelente concordância com as previsões das simulações teóricas."

As teorias atuais preveem que os buracos negros supermassivos começam a sua vida nos núcleos envoltos em poeira de galáxias "starburst" (com formação estelar explosiva), antes de expulsarem o gás e a poeira circundantes e de emergir como quasares extremamente luminosos. Embora sejam extremamente raros, foram detetados exemplos tanto de galáxias "starburst" poeirentas como de quasares luminosos no início do Universo. A equipa pensa que GNz7q pode ser o "elo que falta" entre estas duas classes de objetos.

"GNz7q proporciona uma ligação direta entre estas duas raras populações e proporciona uma nova via para compreender o rápido crescimento de buracos negros supermassivos nos primeiros dias do Universo," continuou Fujimoto. "A nossa descoberta é um precursor dos buracos negros supermassivos que observamos em épocas posteriores."

Apesar de outras interpretações dos dados da equipa não poderem ser completamente excluídas, as propriedades observadas de GNz7q estão em forte concordância com as previsões teóricas. A galáxia hospedeira de GNz7q está a formar estrelas a um ritmo de 1600 massas solares por ano (isto não quer dizer que se formam 1600 estrelas parecidas com o Sol por ano, mas uma variedade de estrelas com massas diferentes que totalizam 1600 vezes a massa do nosso Sol) e o próprio GNz7q aparece muito brilhante no ultravioleta, mas muito ténue em raios-X. A equipa interpretou isto - juntamente com o brilho infravermelho da galáxia hospedeira - para sugerir que abriga um buraco negro de crescimento rápido ainda obscurecido pelo núcleo poeirento do seu disco de acreção no centro da galáxia hospedeira.

 
Ampliação de GNz7q no campo GOODS-North do Hubble (a mancha vermelha no centro da inserção).
Crédito: NASA, ESA, G. Illingworth (Universidade da Califórnia, Santa Cruz), P. Oesch (Universidade da Califórnia, Santa Cruz; Universidade de Yale), R. Bouwens e I. Labbé (Universidade de Leiden), e a equipa científica de S. Fujimoto et al. (DAWN e Universidade de Copenhaga)
 

Para além da importância de GNz7q para a compreensão das origens dos buracos negros supermassivos, esta descoberta é notável pela sua localização no campo GOODS (Great Observatories Origins Deep Survey) North do Hubble, uma das áreas mais escrutinadas do céu noturno.

"GNz7q é uma descoberta única que foi encontrada mesmo no centro de um famoso e bem estudado campo celeste - mostrando que mesmo as grandes descobertas podem muitas vezes estar escondidas mesmo à nossa frente," comentou Gabriel Brammer, outro astrónomo do Instituto Niels Bohr da Universidade de Copenhaga e membro da equipa por detrás deste resultado. "É improvável que a descoberta de GNz7q, dentro da área relativamente pequena do levantamento GOODS-N, tenha sido apenas sorte, mas a prevalência de tais fontes pode, de facto, ser significativamente maior do que se pensava anteriormente."

A descoberta de GNz7q, escondido à vista de todos, só foi possível graças aos conjuntos de dados únicos e detalhados, em vários comprimentos de onda, disponíveis para o GOODS-North. Sem esta riqueza de dados, GNz7q teria sido fácil de ignorar, uma vez que lhe faltam as características distintas normalmente utilizadas para identificar os quasares no início do Universo. A equipa espera agora procurar sistematicamente objetos semelhantes utilizando levantamentos dedicados de alta resolução e tirar partido dos instrumentos espectroscópicos do Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA para estudar objetos como GNz7q com detalhes sem precedentes.

"A caracterização completa destes objetos e o estudo da sua evolução e física subjacente com muito mais detalhe tornar-se-á possível com o Telescópio Espacial James Webb," conclui Fujimoto. "Uma vez em funcionamento regular, o Webb terá o poder de determinar conclusivamente quão comuns estes buracos negros de crescimento rápido realmente são."

// ESA/Hubble (comunicado de imprensa)
// NASA (comunicado de imprensa)
// Hubblesite (comunicado de imprensa)
// Universidade de Copenhaga (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature)
// Artigo científico (arXiv.org)
// Space Sparks ep. 11 - Astrónomos detetam precursor de buraco negro supermassivo à espreita nos dados de arquivo do Hubble (HubbleESA via YouTube)

 


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Telescópio Espacial Hubble:
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Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

GOODS (Great Observatories Origins Deep Surveys):
STScI
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Hubble confirma o maior núcleo cometário alguma vez visto

O Telescópio Espacial Hubble da NASA determinou o tamanho do maior núcleo gelado de um cometa alguma vez visto pelos astrónomos. O diâmetro estimado ronda os 130 quilómetros, mais ou menos correspondente à distância, em linha reta, que separa Lisboa e Odemira. O núcleo é cerca de 50 vezes maior do que o encontrado no coração da maioria dos cometas conhecidos. A sua massa está estimada em 500 biliões de toneladas, cem mil vezes maior do que a massa de um cometa típico encontrado muito mais próximo do Sol.

O cometa gigante, C/2014 UN271 (Bernardinelli-Bernstein), está a dirigir-se na direção do Sol a 35,4 mil quilómetros por hora desde a orla do Sistema Solar. Mas não se preocupe. Nunca se aproximará mais do que 1,6 mil milhões de quilómetros do Sol, ligeiramente mais do que a distância do planeta Saturno. E isso só será no ano 2031.

 
Esta sequência mostra como o núcleo do cometa C/2014 UN271 (Bernardinelli-Bernstein) foi isolado de uma vasta concha de poeira e gás que rodeava o núcleo sólido gelado. À esquerda encontra-se uma fotografia do cometa tirada pelo instrumento WFC3 (Wide Field Camera 3) do Telescópio Espacial Hubble da NASA, a 8 de janeiro de 2022. Um modelo da cabeleira (painel central) foi obtido através do encaixe do perfil de brilho da superfície com a imagem observada à esquerda. Isto permitiu que a cabeleira fosse subtraída, desvendando o brilho pontiagudo do núcleo. Em combinação com dados de radiotelescópios, os astrónomos chegaram a uma medição precisa do tamanho do núcleo. É uma pequena proeza para algo a cerca de 3,2 mil milhões de quilómetros de distância. Embora se estime que o núcleo tenha até 137 quilómetros de diâmetro, está tão longe que não pode ser resolvido pelo Hubble. O seu tamanho deriva da sua refletividade tal como medida por Hubble. Estima-se que o núcleo seja tão escuro como o carvão. A área do núcleo foi recolhida a partir de observações de rádio.
Crédito: NASA, ESA, Man-To Hui (Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau), David Jewitt (UCLA); Processamento de imagem - Alyssa Pagan (STScI)
 

O recordista anterior de maior cometa conhecido é C/2002 VQ94, com um núcleo estimado em mais ou menos 97 quilómetros. Foi descoberto em 2002 pelo projeto LINEAR (Lincoln Near-Earth Asteroid Research).

"Este cometa é literalmente a ponta do iceberg para muitos milhares de cometas que são demasiado fracos para serem vistos nas partes mais distantes do Sistema Solar," disse David Jewitt, professor de ciência planetária e astronomia na UCLA (Universidade da Califórnia, Los Angeles), coautor do novo estudo publicado na revista The Astrophysical Journal Letters. "Sempre suspeitámos que este cometa tinha de ser grande porque é tão brilhante a uma distância tão grande. Agora confirmámo-lo."

O Cometa C/2014 UN271 foi descoberto pelos astrónomos Pedro Bernardinelli e Gary Bernstein em imagens de arquivo do DES (Dark Energy Survey) no Observatório Interamericano de Cerro Tololo, Chile. Foi observado pela primeira vez apenas por acaso em novembro de 2010, quando se encontrava a uns impressionantes 4,8 mil milhões de quilómetros do Sol, mais do que a distância média que separa Neptuno do Sol. Desde então, tem sido intensivamente estudado por telescópios terrestres e espaciais.

"Este é um objeto espantoso, dado o quão ativo é quando ainda está tão longe do Sol," disse o autor principal do estudo Man-To Hui da Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau. "Adivinhámos que o cometa podia ser bastante grande, mas precisávamos dos melhores dados para o confirmar." Assim sendo, a sua equipa usou o Hubble para tirar cinco fotografias do cometa a 8 de janeiro de 2022.

O desafio na medição deste cometa foi como discriminar o núcleo sólido da enorme cabeleira de poeira que o envolve. O cometa está atualmente demasiado distante para o seu núcleo ser resolvido visualmente pelo Hubble. Ao invés, os dados do Hubble mostram um pico de luz brilhante na localização do núcleo. Hui e a sua equipa a seguir fizeram um modelo informático da cabeleira circundante e ajustaram-no para se adaptar às imagens do Hubble. Depois, o brilho da cabeleira foi subtraído para deixar para trás o núcleo visualmente parecido a uma estrela.

Hui e a sua equipa compararam o brilho do núcleo com anteriores observações de rádio pelo ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) no Chile. Os dados combinados limitam o diâmetro e a refletividade do núcleo. As novas medições do Hubble estão próximas das estimativas anteriores de tamanho do ALMA, mas sugerem convincentemente uma superfície mais escura do que se pensava. "É grande e mais escuro que o carvão," disse Jewitt.

 
Este diagrama compara o tamanho do núcleo gelado e sólido do cometa C/2014 UN271 (Bernardinelli-Bernstein) com vários outros cometas. A maioria dos núcleos cometários observados são mais pequenos do que o cometa Halley. Têm tipicamente menos de 1,6 km de diâmetro. O cometa C/2014 UN271 é atualmente o detentor do recorde de maior cometa conhecido. E pode ser apenas a ponta do iceberg. Podem haver muitos mais "monstros" por aí para os astrónomos identificarem à medida que os mapeamentos do céu melhoram a sua sensibilidade. Embora os astrónomos saibam que este cometa deve ser grande, para ser detetado a uma distância de mais de 3,2 mil milhões de quilómetros da Terra, apenas o Telescópio Espacial Hubble tem a nitidez e sensibilidade para fazer uma estimativa definitiva do tamanho do núcleo.
Crédito: ilustração - NASA, ESA, Zena Levy (STScI)
 

O cometa tem vindo a aproximar-se do Sol há mais de 1 milhão de anos. Vem do "ninho" hipotético de biliões de cometas, chamada Nuvem de Oort. Pensa-se que a nuvem difusa tenha uma orla interior 2000 a 5000 vezes a distância entre a Terra e o Sol. A sua orla exterior pode estender-se pelo menos a um-quarto da distância às estrelas mais próximas do nosso Sol, no sistema Alpha Centauri.

Os cometas da Nuvem de Oort não se formaram tão longe do Sol; em vez disso, foram atirados para fora do Sistema Solar há milhares de milhões de anos por um "jogo de pinball" gravitacional entre os massivos planetas exteriores, quando as órbitas de Júpiter e Saturno ainda estavam a evoluir. Os longínquos cometas só regressam ao Sol e aos planetas se as suas órbitas distantes forem perturbadas pela atração gravitacional de uma estrela passageira - como o sacudir de maçãs numa árvore.

O Cometa Bernardinelli-Bernstein segue uma órbita elíptica de 3 milhões de anos, levando-o para tão longe do Sol quanto cerca de meio ano-luz. O cometa está agora a menos de 3,2 mil milhões de quilómetros do Sol, caindo quase perpendicularmente ao plano do nosso Sistema Solar. A essa distância, as temperaturas são apenas de -211º C. No entanto, é suficientemente quente para o monóxido de carbono se sublimar a partir da superfície para produzir a cabeleira empoeirada.

O cometa Bernardinelli-Bernstein fornece uma pista inestimável para a distribuição do tamanho dos cometas na Nuvem de Oort e, consequentemente, da sua massa total. As estimativas da massa da Nuvem de Oort variam muito, chegando a atingir 20 vezes a massa da Terra.

Teorizada pela primeira vez em 1950 pelo astrónomo holandês Jan Oort, a Nuvem de Oort continua a ser uma hipótese porque os inúmeros cometas que a compõem são demasiado ténues e distantes para serem diretamente observados. Ironicamente, isto significa que a maior estrutura do Sistema Solar é praticamente invisível. Estima-se que o par de naves espaciais Voyager da NASA só chegue ao reino interior da Nuvem de Oort daqui a 300 anos, e que possa demorar até 30.000 anos a atravessá-la.

As evidências circunstanciais provêm de cometas em queda que podem ser rastreados até este local de nidificação. Aproximam-se do Sol de todas as diferentes direções, o que significa que a nuvem deve ter uma forma esférica. Estes cometas são amostras pristinas da composição do Sistema Solar primitivo, preservadas durante milhares de milhões de anos. A realidade da Nuvem de Oort é reforçada pela modelagem teórica da formação e evolução do Sistema Solar. Quanto mais evidências observacionais puderem ser recolhidas através de levantamentos do céu profundo, juntamente com observações em vários comprimentos de onda, melhor os astrónomos podem compreender o papel da Nuvem de Oort na evolução do Sistema Solar.

// NASA (comunicado de imprensa)
// Hubblesite (comunicado de imprensa)
// UCLA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal Letters)
// Hubble confirma o maior núcleo cometário alguma vez visto (NASA Goddard via YouTube)

 


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20/07/2021 - Observatório Las Cumbres descobre atividade no maior cometa já descoberto

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O instrumento mais frio do Telescópio Webb atinge a temperatura de funcionamento

O Telescópio Espacial James Webb da NASA vai ver as primeiras galáxias formadas após o Big Bang, mas para isso os seus instrumentos primeiro precisam de ficar frios - realmente frios. No dia 7 de abril, o MIRI (Mid-Infrared Instrument) do Webb - desenvolvido em conjunto pela NASA e pela ESA - atingiu a sua temperatura final de funcionamento abaixo dos 7 K (-266º C).

Juntamente com os outros três instrumentos do Webb, o MIRI arrefeceu inicialmente à sombra do escudo de calor do Webb, do tamanho de um campo de ténis, caindo para cerca de 90 K (-183º C). Mas a queda para menos de 7 K exigiu um dispositivo de arrefecimento elétrico. Na semana passada, a equipa passou um ponto particularmente desafiante, chamado "pinch point", no qual o instrumento passa de 15 K (-258º C) para 6,4 K (-267º C).

 
Nesta ilustração, o escudo de calor, de várias camadas, do Telescópio Espacial James Webb da NASA estende-se por baixo do espelho de "favo de mel" do observatório. O escudo solar foi o primeiro passo para arrefecer os instrumentos infravermelhos do Webb, mas o MIRI (Mid-Infrared Instrument) requer ajuda adicional para atingir a sua temperatura de funcionamento.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA/CIL/Adriana Manrique Gutierrez
 

"A equipa de arrefecimento do MIRI investiu muito trabalho no desenvolvimento do procedimento para este 'pinch point'," disse Analyn Schneider, gestora de projeto do MIRI no JPL da NASA no sul da Califórnia. "A equipa estava ao mesmo tempo entusiasmada e nervosa, entrando na atividade crítica. No final, foi uma execução típica deste procedimento e o desempenho do instrumento é ainda melhor do que o esperado."

A baixa temperatura é necessária porque todos os quatro instrumentos do Webb detetam luz infravermelha - comprimentos de onda ligeiramente maiores do que aqueles que os olhos humanos podem ver. Galáxias distantes, estrelas escondidas em casulos de poeira, planetas para lá do nosso Sistema Solar, todos emitem luz infravermelha. Mas o mesmo acontece com outros objetos quentes, incluindo o próprio hardware eletrónico e ótico do Webb. O arrefecimento dos detetores dos quatro instrumentos e do hardware circundante suprime estas emissões infravermelhas. O MIRI deteta comprimentos de onda infravermelhos mais longos do que os outros três instrumentos, o que significa que precisa de ficar ainda mais frio.

Outra razão pela qual os detetores do Webb precisam de estar frios é para suprimir algo chamado corrente escura, ou corrente elétrica criada pela vibração dos átomos nos próprios detetores. A corrente escura imita um sinal verdadeiro nos detetores, dando a falsa impressão de terem sido atingidos pela luz de uma fonte externa. Esses sinais falsos podem "afogar" os sinais reais que os astrónomos querem encontrar. Uma vez que a temperatura é uma medida de quão rápido os átomos do detetor estão a vibrar, a redução da temperatura significa menos vibração, o que, por sua vez, significa menos corrente escura.

A capacidade do MIRI de detetar comprimentos de onda infravermelhos mais longos também o torna mais sensível à corrente escura, pelo que necessita de ficar mais frio do que os outros instrumentos para remover completamente esse efeito. Por cada grau que a temperatura do instrumento sobe, a corrente escura sobe por um factor de cerca de 10.

Assim que o MIRI alcançou 6,4 K, os cientistas começaram uma série de verificações para se certificarem que os detetores estavam a funcionar como esperado. Tal como um médico que procura qualquer sinal de doença, a equipa do MIRI analisa os dados que descrevem a saúde do instrumento, depois dá ao instrumento uma série de comandos para ver se ele pode executar corretamente as tarefas. Este marco é o culminar do trabalho de cientistas e engenheiros de várias instituições para além do JPL, incluindo a Northtop Grumman, que construiu o dispositivo de arrefecimento e o Centro de Voo Espacial Goddard da NASA, que supervisionou a integração do MIRI e do refrigerador no resto do observatório.

"Passámos anos a treinar para esse momento, correndo os comandos e as verificações que fizemos no MIRI," disse Mike Ressler, cientista do projeto MIRI no JPL. "Foi como um guião de um filme: tudo o que devíamos ter feito estava escrito e ensaiado. Quando os dados dos testes apareceram, fiquei entusiasmado por ver que eram exatamente como esperado e que tínhamos um instrumento saudável."

Há ainda mais desafios que a equipa terá que enfrentar antes do MIRI poder dar início à sua missão científica. Agora que o instrumento está à temperatura de funcionamento, os membros da equipa vão tirar imagens de teste de estrelas e outros objetos conhecidos que podem ser utilizados para a calibração e para verificar o funcionamento e funcionalidade do instrumento. A equipa vai realizar estes preparativos juntamente com a calibração dos outros três instrumentos, fornecendo as primeiras imagens científicas do Webb este verão.

"Estou imensamente orgulhoso por fazer parte deste grupo de cientistas e engenheiros altamente motivados e entusiasmados, vindos de toda a Europa e dos EUA," disse Alistair Glasse, cientista do instrumento MIRI do ATC (Astronomy Technology Centre), em Edimburgo, Escócia. "Este período é a nossa 'prova de fogo', mas já é claro para mim que os laços pessoais e o respeito mútuo que construímos ao longo dos últimos anos é o que nos levará nos próximos meses a fornecer, à comunidade astronómica mundial, um instrumento fantástico."

// NASA (comunicado de imprensa)

 


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Os telescópios MAGIC observaram a nova Ophiuchi RS brilhando em raios-gama a uma energia extremamente elevada. Os raios-gama emanam de protões que são acelerados a energias muito elevadas na frente de choque após a explosão. Isto sugere que as novas são também uma fonte da radiação cósmica omnipresente no Universo que consiste principalmente em protões ricos em energia, que correm através do espaço quase à velocidade da luz. Ler fonte
 
   
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(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASAESA; Processamento: Josh Lake
 
Estrelas massivas, ventos abrasivos, montanhas de poeira e luz energética esculpem uma das maiores e mais pitorescas regiões de formação estelar no Grupo Local de Galáxias. Conhecida como N11, a região é visível à direita e para cima em muitas imagens da sua galáxia-mãe, a vizinha da Via Láctea, a Grande Nuvem de Magalhães. A imagem em destaque foi obtida para propósitos científicos pelo Telescópio Espacial Hubble e reprocessada para fins artísticos. Embora a secção na imagem acima seja conhecida como NGC 1763, a totalidade da nebulosa de emissão N11 é a segunda em tamanho na Grande Nuvem de Magalhães, atrás da Nebulosa da Tarântula. Na imagem também são visíveis glóbulos compactos de poeira escura que albergam jovens estrelas. Um recente estudo das estrelas variáveis na Grande Nuvem de Magalhães, com o Hubble, ajudou a recalibrar a escala de distâncias do Universo observável, mas resultou numa escala ligeiramente diferente da encontrada utilizando o fundo cósmico de micro-ondas.
 
   
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