Apresentação às Estrelas | Cometa do Ano Novo Data: 10 de novembro de 2022 Hora: 18:30-20:30
Esta noite falaremos sobre cometas, para chamar a atenção para o "C/2022 E3 (ZTF)", que estará no céu antes do nascer-do-Sol, entre dezembro e janeiro especialmente. Após esta breve apresentação, e se a meteorologia o permitir, faremos observação noturna com telescópio. Adulto: 4€ Jovem: 2€ Menores de 12 anos: gratuito.
A observação astronómica depende de condições meteorológicas favoráveis. Inscrições obrigatórias (info@ccvalg.pt) Telefone: 289 890 920 E-mail: info@ccvalg.pt
Efemérides
Dia 21/10: 294.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1959, o presidente norte-americano Dwight D. Eisenhower assina uma ordem executiva transferindo Wernher von Braun e outros cientistas alemães do Exército dos EUA para a NASA.
Em 1965, o cometa Ikeya-Seki aproxima-se do periélio, passando a 450.000 km do Sol.
Em 2003 foram tiradas as imagens do planeta anão Eris que conduziram à sua descoberta subsequente feita pelos astrónomos Michael E. Brown, Chad Trujillo e David L. Rabinowitz. Observações: Com o avançar do outono, o Grande Quadrado de Pégaso flutua cada vez mais alto após o anoitecer. Vire-se para este-sudeste ao início da noite e olhe para muito alto. O Quadrado está apoiado num canto.
Olhe cuidadosamente para as suas quatro estrelas. São de segunda e terceira magnitudes. Três são brancas, uma é uma gigante "vermelha" (na realidade laranja-amarelada). Consegue ver qual delas é a olho nu? Uns binóculos ajudam a revelar facilmente que é a do topo, Beta Pegasi ou Scheat. É da classe M2.5, uma estrela velha e evoluída com cerca de 2,1 vezes a massa do Sol, a cerca de 196 anos-luz de distância.
Dia 22/10: 295.º dia do calendário gregoriano.
História: No ano 2136 AC, primeiros registos de um eclipse solar total, testemunhado por astrónomos chineses. O imperador Zhong Kang supostamente decapita estes dois astrónomos, Hsi e Ho, por falharem em prever o eclipse.
Em 1905, nascia Karl Jansky, físico e engenheiro americano que descobriu ondas de rádio oriundas da Via Láctea. É considerado um dos fundadores da radioastronomia.
Em 1966, a União Soviética lança a Luna 12.
Em 1968, a Apollo 7 aterra com sucesso no Oceano Atlântico após orbitar a Terra 163 vezes.
Em 1975, a sonda soviética Venera 9 aterra em Vénus.
Em 2008, a Índia lança a sua primeira missão lunar não-tripulada, a Chandrayaan-1. Observações: Aviste a brilhante estrela Altair alta a sudoeste pouco depois do cair da noite. A mais brilhante Vega está para a sua direita.
Acima de Altair estão duas pequenas mas interessantes constelações: Golfinho, a pouco mais de um punho à distância do braço esticado para cima e para a esquerda de Altair, e a mais pequena e ténue Sagitta (Flecha ou Seta), ligeiramente menos distante mas para cima e para a esquerda de Altair.
Dia 23/10: 296.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1885, é tirada a primeira fotografia de uma chuva de meteoros.
Em 1977, o Meteosat 1 torna-se no primeiro satélite a ser posto em órbita pela Agência Espacial Europeia (ESA).
Em 2014, a agência espacial chinesa lança a missão não-tripulada Chang'e 5-T1, em preparação para uma missão de recolha de amostras lunares. Observações: Esta é a altura do ano em que a Ursa Maior situa-se na horizontal, baixa a norte-noroeste após o anoitecer. Quão baixa? Quanto mais para sul estiver o observador, mais baixa estará. Vista perto dos 40º N (Coimbra ou Figueira da Foz, por exemplo), até as suas estrelas mais baixas brilham quase a dez graus do horizonte. Mas a 26º N (já em África), toda a Ursa Maior desaparece de vista abaixo do horizonte a norte.
Dia 24/10: 297.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1851, William Lassell descobre as luas Umbriel e Ariel em órbita de Úrano.
Em 1946, uma câmara a bordo do foguetão V-2 n.º 13 tira a primeira fotografia da Terra a partir do espaço.
Em 1957, a Força Aérea dos EUA começa o programa X-20 Dyna-Soar.
Em 1960, catástrofe de Nedelin: um missil balístico R-16 explode na plataforma de lançamento do cosmódromo de Baikonur, matando mais de 100 pessoas. A União Soviética só desclassificou o evento em 1989.
Em 1962, a Mars 2MV-4 No.1, também conhecida como Sputnik 22, falha a deixar a órbita da Terra.
Em 1998, lançamento da missão Deep Space 1.
Em 2007, o Chang'e 1, o primeiro satélite do Programa de Exploração Lunar da China, é lançado a partir do Centro de Lançamento Xichang.
Em 2014, a agência espacial chinesa lança uma missão experimental lunar, Chang'e 5-T1, que testou tecnologias de reentrada atmosférica para uma missão de recolha de amostras lunares. Observações: Vem aí o "Halloween" e, assim sendo, Arcturo, a estrela que brilha baixa a oeste-noroeste ao anoitecer, está a tomar o seu lugar como o "Fantasma dos Sóis de Verão". O que é que isto significa? Ao longo de vários dias que rodeiam 25 de outubro, todos os anos, Arcturo ocupa um lugar muito especial acima do horizonte. Marca com grande precisão o local onde o Sol esteve à mesma hora, durante os quentes meses de junho e julho - em plena luz do dia, claro. Assim, com o aproximar do "Halloween", podemos ver Arcturo como o frio fantasma do Sol de verão.
Investigadores descobrem novo buraco negro "praticamente no nosso quintal"
A descoberta de um chamado buraco negro monstruoso, que tem cerca de 12 vezes a massa do Sol, está descrita num novo artigo submetido à revista The Astrophysical Journal, cuja autora principal é a Dra. Sukanya Chakrabarti, professora de física na Universidade do Alabama em Huntsville, EUA.
"Está mais perto do Sol do que qualquer outro buraco negro conhecido, a uma distância de 1550 anos-luz", diz a Dra. Chakrabarti, catedrática do Departamento de Física. "Portanto, está praticamente no nosso 'quintal'".
Os buracos negros são vistos como exóticos porque, embora a sua força gravitacional seja claramente sentida por estrelas e por outros objetos na vizinhança, nenhuma luz pode escapar a um buraco negro, pelo que não podem ser vistos da mesma forma que as estrelas visíveis.
A estrela parecida com o Sol, que tem como companheiro um buraco negro, está no centro desta imagem.
Crédito: SDSS/S. Chakrabarti et al.
"Em alguns casos, como para o dos buracos negros supermassivos nos centros das galáxias, podem impulsionar a formação e evolução galáctica", explica a Dra. Chakrabarti.
"Ainda não é claro como estes buracos negros não-interativos afetam a dinâmica galáctica na Via Láctea. Se forem numerosos, podem muito bem afetar a formação da nossa Galáxia e a sua dinâmica interna".
Para encontrar o buraco negro, a Dra. Chakrabarti e uma equipa de cientistas analisaram dados de quase 200.000 estrelas binárias divulgados durante o verão pela missão Gaia da ESA.
"Procurámos objetos que alegadamente tinham grandes massas companheiras, mas cujo brilho podia ser atribuído a uma única estrela visível", diz. "Por isso, temos uma boa razão para pensar que a companheira é escura".
Fontes interessantes foram acompanhadas com medições espectrográficas de vários telescópios, incluindo o APF (Automated Planet Finder) no estado norte-americano da Califórnia, os Telescópios Magalhães no Chile e o Observatório W. M. Keck no Hawaii.
"A atração do buraco negro sobre a estrela visível parecida com o Sol pode ser determinada a partir destas medições espectroscópicas, que nos dão uma velocidade de linha de visão devido ao efeito Doppler", diz a Dra. Chakrabarti. O efeito Doppler é a mudança de frequência de uma onda em relação a um observador, tal como a forma como o som da sirene de uma ambulância muda à medida que passa por nós.
"Ao analisar as velocidades da linha de visão da estrela visível - e esta estrela visível é semelhante ao nosso próprio Sol - podemos inferir quão massivo é o buraco negro companheiro, bem como o período de rotação e quão excêntrica é a órbita", diz. "Estas medições espectroscópicas confirmaram independentemente a solução Gaia que também indicou que este sistema binário é composto por uma estrela visível que está em órbita de um objeto muito massivo".
O buraco negro tem de ser inferido a partir da análise dos movimentos da estrela visível, porque não está a interagir com a estrela luminosa. Os buracos negros não-interativos não têm tipicamente um anel de acreção de poeira e material que acompanha os buracos negros que estão a interagir com outro objeto. A acreção torna o tipo de interação relativamente mais fácil de observar opticamente, razão pela qual foram encontrados muitos mais deste tipo.
"A maioria dos buracos negros em sistemas binários são binários de raios-X - por outras palavras, são brilhantes em raios-X devido a alguma interação com o buraco negro, muitas vezes devido ao buraco negro que devora a outra estrela", diz a Dra. Chakrabarti. "À medida que o material da outra estrela cai neste profundo poço gravitacional, podemos ver raios-X".
Estes sistemas em interação tendem a estar em órbitas de curto período, acrescenta.
"Neste caso estamos a olhar para um buraco negro monstruoso, mas está numa órbita de longo período de 185 dias, ou cerca de meio ano. Está bastante longe da estrela visível e não está a fazer quaisquer avanços na sua direção".
As técnicas que os cientistas utilizaram também devem ser aplicáveis à descoberta de outros sistemas não interativos.
"Esta é uma nova população sobre a qual estamos apenas a começar a aprender e que nos dirá mais sobre a formação dos buracos negros, de modo que tem sido muito excitante trabalhar nisto", diz Peter Craig, candidato a doutoramento no Instituto de Tecnologia de Rochester que é orientado pela Dra. Chakrabarti.
"Estimativas simples sugerem que, na nossa Galáxia, existem cerca de um milhão de estrelas visíveis que têm buracos negros enormes como companheiros", realça a Dra. Chakrabarti. "Mas há cem mil milhões de estrelas na Via Láctea, por isso é como procurar uma agulha num palheiro. A missão Gaia, com as suas medições incrivelmente precisas, facilitou e restringiu a nossa procura".
Os cientistas estão a tentar compreender as vias de formação dos buracos negros não-interativos.
"Existem atualmente várias maneiras diferentes propostas pelos teóricos, mas os buracos negros não-interativos em torno de estrelas luminosas são um tipo de população muito novo," comenta a Dra. Chakrabarti. "Por isso, é provável que demoremos algum tempo a compreender a sua demografia, como se formam e como estas maneiras são diferentes - ou se são semelhantes - da população mais conhecida de buracos negros em interação".
NEOWISE obtém filme de todo o céu ao longo de 12 anos
De seis em seis meses, a nave NEOWISE (Near-Earth Object Wide Field Infrared Survey Explorer) da NASA completa meia-viagem em torno do Sol, obtendo imagens em todas as direções. Juntas, essas imagens formam um mapa de todo o céu que mostra a localização e o brilho de centenas de milhões de objetos. Utilizando 18 mapas de todo o céu produzidos pela missão espacial (com os 19.º e 20.º a serem lançados em março de 2023), os cientistas criaram o que é essencialmente um filme do céu, revelando mudanças que se estendem por uma década.
Cada mapa é um recurso tremendo para os astrónomos, mas quando vistos em sequência, serve como um recurso ainda mais forte para tentar compreender melhor o Universo. A comparação dos mapas pode revelar objetos distantes que mudaram de posição ou brilho ao longo do tempo, o que é conhecido como astronomia do domínio do tempo.
Este mosaico é composto por várias imagens e abrange todo o céu, imagens estas tiradas pelo WISE (Wide-field Infrared Survey Explorer) como parte da publicação de dados de 2012 do WISE. Ao observar todo o céu, o WISE pode procurar objetos fracos, como por exemplos galáxias distantes, ou rastrear grupos de objectos cósmicos.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/UCLA
"Se sairmos à rua e olharmos para o céu noturno, pode parecer que nada muda, mas não é esse o caso", disse Amy Mainzer, investigadora principal para o NEOWISE na Universidade do Arizona, em Tucson, EUA. "As estrelas têm surtos e explodem. Os asteroides passam por nós e cintilam. Os buracos negros despedaçam estrelas. O Universo é um lugar realmente movimentado e ativo".
O NEOWISE originalmente era um projeto de processamento de dados para recuperar deteções de asteroides e suas características a partir do WISE - um observatório lançado em 2009 e encarregado de analisar todo o céu para encontrar e estudar objetos para lá do nosso Sistema Solar. A nave espacial utilizava detetores refrigerados criogenicamente que os tornavam sensíveis à luz infravermelha.
Não visível ao olho humano, a luz infravermelha é irradiada por uma pletora de objetos cósmicos, incluindo estrelas frias e próximas e algumas das galáxias mais luminosas do Universo. A missão WISE terminou em 2011 após o líquido de refrigeração a bordo - necessário para algumas observações infravermelhas - se ter esgotado, mas a nave espacial e alguns dos seus detetores infravermelhos ainda estavam funcionais. Por isso, em 2013 a NASA redirecionou-a para rastrear asteroides e outros objetos próximos da Terra. Tanto a missão como a nave espacial receberam um novo nome: NEOWISE.
Apesar da mudança, o telescópio infravermelho tem continuado a varrer o céu a cada seis meses e os astrónomos têm continuado a utilizar os dados para estudar objetos para lá do nosso Sistema Solar.
Por exemplo, em 2020, os cientistas lançaram a segunda iteração de um projeto chamado CatWISE: um catálogo de objetos de 12 mapas de todo o céu pelo NEOWISE. Os investigadores usam o catálogo para estudar anãs castanhas, uma população de objetos encontrados por toda a Galáxia e à espreita na escuridão perto do nosso Sol. Embora se formem como estrelas, as anãs castanhas não acumulam massa suficiente para iniciar a fusão nuclear, o processo que faz as estrelas brilharem.
Devido à sua proximidade com a Terra, as anãs castanhas próximas parecem mover-se mais rapidamente através do céu do que as estrelas mais distantes que se movem à mesma velocidade. Assim, uma forma de identificar anãs castanhas no meio de milhares de milhões de objetos no catálogo é procurar objetos que se movem. Um projeto complementar ao CatWISE chamado Backyard Worlds: Planet 9 convida os cientistas cidadãos a vasculharem os dados do NEOWISE em busca de objetos em movimento que as pesquisas por computador possam ter perdido.
Esta ilustração mostra a nave espacial WISE (Wide-field Infrared Survey Explorer) em órbita da Terra. A missão WISE foi concluída em 2011, mas em 2013 a nave espacial foi reativada para encontrar e estudar asteroides e outros objetos próximos da Terra. A missão e a nave espacial receberam o novo nome NEOWISE.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
Com dois mapas originais de todo o céu do WISE, os cientistas encontraram cerca de 200 anãs castanhas até 65 anos-luz do nosso Sol. Os mapas adicionais revelaram outras 60 e duplicaram o número de anãs Y conhecidas, o tipo mais frio de anã castanha. Em comparação com as anãs castanhas mais quentes, as anãs Y podem ter uma história mais estranha para contar em termos de como se formaram e quando se formaram. Estas descobertas ajudam a iluminar a coleção de objetos no nosso bairro solar. E uma contagem mais completa das anãs castanhas perto do Sol diz aos cientistas quão eficiente é a formação de estrelas na nossa Galáxia e quão cedo ela começou.
Ver o céu a mudar ao longo de mais de uma década também contribuiu para estudos sobre o modo como as estrelas se formam. O NEOWISE pode espreitar para dentro dos mantos poeirentos que rodeiam as protoestrelas, ou bolas de gás quente a caminho de se tornarem estrelas. Com o passar dos anos, as protoestrelas piscam e têm surtos à medida que acumulam mais massa das nuvens de poeira que as rodeiam. Os cientistas estão a realizar uma monitorização a longo prazo de quase 1000 protoestrelas com o NEOWISE para obterem conhecimentos sobre as fases iniciais da formação estelar.
Os dados do NEOWISE também melhoraram a compreensão dos buracos negros. O levantamento WISE original descobriu milhões de buracos negros supermassivos no centro de galáxias distantes. Num estudo recente, os cientistas usaram os dados do NEOWISE e uma técnica chamada ecomapeamento para medir o tamanho dos discos de gás quente e brilhante que rodeiam os buracos negros distantes, que são demasiado pequenos e distantes para os telescópios observarem.
"Nunca antecipámos que a nave espacial estivesse a operar durante tanto tempo e não creio que pudéssemos ter antecipado a ciência que poderíamos fazer com tantos dados", disse Peter Eisenhardt, astrónomo no JPL da NASA e cientista do projeto WISE.
A contabilização mais precisa, até agora, da energia escura e da matéria escura
Os astrofísicos realizaram uma nova e poderosa análise que estabelece os limites mais precisos até agora na composição e evolução do Universo. Com esta análise, apelidada de Pantheon+, os cosmólogos encontram-se numa encruzilhada.
O Pantheon+ descobre convincentemente que o cosmos é composto por cerca de dois-terços de energia escura e um-terço de matéria - na sua maioria sob a forma de matéria escura - e tem vindo a expandir-se a um ritmo acelerado ao longo dos últimos milhares de milhões de anos. No entanto, o Pantheon+ também cimenta um grande desacordo sobre o ritmo dessa expansão que ainda tem que ser resolvido.
G299 é um remanescente de uma classe particular de supernova chamada Tipo Ia.
Crédito: NASA/CXC/U. Texas
Ao colocar as teorias cosmológicas modernas predominantes, conhecidas como o Modelo Padrão da Cosmologia, numa base evidenciária e estatística ainda mais firme, Pantheon+ fecha ainda mais a porta a enquadramentos alternativos que contabilizam a energia escura e a matéria escura. Ambas são os fundamentos do Modelo Padrão da Cosmologia, mas ainda não foram diretamente detetadas e estão entre os maiores mistérios do modelo. No seguimento dos resultados do Pantheon+, os investigadores podem agora prosseguir com testes de observação mais precisos e aperfeiçoar as explicações para o cosmos ostensivo.
"Com estes resultados Pantheon+, somos capazes de colocar as restrições mais precisas até à data na dinâmica e história do Universo", diz Dillon Brout, do Centro para Astrofísica | Harvard & Smithsonian. "Examinámos os dados e podemos agora dizer com mais confiança do que nunca como o Universo evoluiu ao longo dos éones e que as melhores teorias atuais sobre energia escura e matéria escura se mantêm fortes".
Brout é o autor principal de uma série de artigos científicos que descrevem a nova análise Pantheon+, publicados num número especial da revista The Astrophysical Journal.
Pantheon+ baseia-se no maior conjunto de dados do seu género, compreendendo mais de 1500 explosões estelares chamadas supernovas do Tipo Ia. Estas explosões brilhantes ocorrem quando estrelas anãs brancas - remanescentes de estrelas como o nosso Sol - acumulam demasiada massa e sofrem uma reação termonuclear. Uma vez que as supernovas do Tipo Ia têm um brilho superior ao de galáxias inteiras, estas detonações estelares podem ser vislumbradas a distâncias que excedem os 10 mil milhões de anos-luz, ou voltar atrás no tempo até cerca de três-quartos da idade total do Universo. Dado que as supernovas têm um brilho intrínseco quase uniforme, os cientistas podem utilizar o brilho aparente das explosões, que diminui com a distância, juntamente com as medições do desvio para o vermelho, como marcadores do tempo e do espaço. Essa informação, por sua vez, revela a rapidez a que o Universo se expande durante épocas diferentes, que é depois utilizada para testar teorias sobre os componentes fundamentais do Universo.
A descoberta revolucionária, em 1998, da expansão acelerada do Universo, deveu-se a um estudo de supernovas do Tipo Ia feito desta maneira. Os cientistas atribuem a expansão a uma energia invisível, portanto denominada energia escura, inerente ao tecido do próprio Universo. As décadas seguintes de trabalho continuaram a compilar conjuntos de dados cada vez maiores, revelando supernovas ao longo de uma gama ainda mais ampla de espaço e tempo, e o Pantheon+ reuniu-os agora na análise estatisticamente mais robusta até à data.
"Em muitos aspetos, esta última análise Pantheon+ é o culminar de mais de duas décadas de esforços diligentes de observadores e teóricos de todo o mundo na decifração da essência do cosmos", diz Adam Riess, um dos vencedores do Prémio Nobel da Física em 2011 pela descoberta da expansão acelerada do Universo, professor na Universidade Johns Hopkins e do STScI (Space Telescope Science Institute) em Baltimore, no estado norte-americano de Maryland. Riess é também um ex-aluno da Universidade de Harvard, com um doutoramento em astrofísica.
A própria carreira de Brout em cosmologia remonta aos seus anos de licenciatura na Universidade Johns Hopkins, onde foi ensinado e orientado por Riess. Lá, Brout trabalhou com o então estudante de doutoramento e também orientado por Riess, Dan Scolnic, que é agora professor assistente de física na Universidade Duke e outro coautor da nova série de trabalhos.
Há vários anos atrás, Scolnic desenvolveu a análise original Pantheon com aproximadamente 1000 supernovas.
Agora, Brout e Scolnic e a sua nova equipa Pantheon+ acrescentaram cerca de 50% mais pontos de dados de supernovas ao Pantheon+, juntamente com melhorias nas técnicas de análise e no tratamento de potenciais fontes de erro, o que acabou por produzir o dobro da precisão do Pantheon original.
"Este salto, tanto na qualidade do conjunto de dados como na nossa compreensão da física que lhe está subjacente, não teria sido possível sem uma equipa brilhante de estudantes e colaboradores trabalhando diligentemente para melhorar todas as facetas da análise", diz Brout.
Tomando os dados como um todo, a nova análise defende que 66,2% do Universo se manifesta como energia escura, com os restantes 33,8% uma combinação de matéria escura e matéria normal. Para chegar a uma compreensão ainda mais abrangente dos componentes constituintes do Universo em diferentes épocas, Brout e colegas combinaram o Pantheon+ com outras medições fortemente evidenciadas, independentes e complementares da estrutura em grande escala do Universo e com medições da luz mais antiga do Universo, o fundo cósmico de micro-ondas.
Outro resultado chave do Pantheon+ relaciona-se com um dos objetivos principais da cosmologia moderna: a obtenção do ritmo de expansão do Universo, conhecida como a constante de Hubble. A junção da amostra do Pantheon+ com dados da colaboração SH0ES (Supernova H0 for the Equation of State), liderada por Riess, resultou na medição local mais rigorosa do ritmo atual de expansão do Universo.
Pantheon+ e SH0ES, juntos, determinaram uma constante de Hubble de 73,4 quilómetros por segundo por megaparsec com apenas 1,3% de incerteza. Dito de outra maneira, por cada megaparsec, ou 3,26 milhões de anos-luz, a análise estima que no Universo próximo, o próprio espaço está a expandir-se a mais de 260.000 quilómetros por hora.
Contudo, observações de uma época completamente diferente da história do Universo preveem algo diferente. As medições da luz mais antiga do Universo, o fundo cósmico de micro-ondas, quando combinadas com o atual Modelo Padrão da Cosmologia, fixam consistentemente a constante de Hubble num valor significativamente inferior ao das observações feitas através das supernovas do Tipo Ia e com outros marcadores astrofísicos. Esta discrepância considerável entre as duas metodologias tem sido denominada a tensão de Hubble.
Os novos conjuntos de dados do Pantheon+ e do SH0ES amplificam esta tensão de Hubble. De facto, a tensão passou agora o importante limiar de 5 sigma (a hipótese, de cerca de um em um milhão, de surgir devido ao acaso) que os físicos utilizam para distinguir entre possíveis falhas estatísticas e algo que deve ser compreendido em conformidade. O alcançar deste novo nível estatístico realça o desafio tanto para os teóricos como para os astrofísicos de tentar explicar a discrepância na constante de Hubble.
"Pensámos que seria possível encontrar pistas para uma nova solução destes problemas no nosso conjunto de dados, mas em vez disso estamos a descobrir que os nossos dados excluem muitas destas opções e que as profundas discrepâncias permanecem tão teimosas como sempre", diz Brout.
Os resultados do Pantheon+ poderiam ajudar a apontar para onde reside a solução para a tensão de Hubble. "Muitas teorias recentes começaram a apontar para nova física exótica no Universo primitivo, contudo tais teorias não verificadas devem resistir ao processo científico e a tensão de Hubble continua a ser um grande desafio", diz Brout.
No geral, o Pantheon+ fornece aos cientistas uma visão abrangente ao longo de grande parte da história cósmica. As primeiras e mais distantes supernovas do conjunto de dados brilham a 10,7 mil milhões de anos-luz de distância, ou seja, de quando o Universo tinha aproximadamente um-quarto da sua idade atual. Nessa época, a matéria escura e a sua gravidade associada mantiveram o ritmo de expansão do Universo sob controlo. Este estado das coisas mudou drasticamente ao longo dos vários milhares de milhões de anos seguintes, à medida que a influência da energia escura ultrapassava a da matéria escura. Desde então, a energia escura tem vindo a afastar o conteúdo do cosmos cada vez mais e a um ritmo cada vez maior.
"Com este conjunto combinado de dados Pantheon+, obtemos uma visão precisa do Universo desde o tempo em que era dominado pela matéria escura até quando o Universo se tornou dominado pela energia escura", diz Brout. "Este conjunto de dados é uma oportunidade única de ver a energia escura a 'ligar-se' e a impulsionar a evolução do cosmos nas maiores escalas ao longo dos tempos atuais".
O estudo desta mudança, agora com evidências estatísticas ainda mais fortes, levará, assim os cientistas esperam, a novos conhecimentos sobre a natureza enigmática da energia escura.
"O Pantheon+ está a dar-nos a nossa melhor oportunidade até à data de restringir a energia escura, as suas origens e a sua evolução", conclui Brout.
Cientistas compilam observações únicas dos anéis de Saturno pela Cassini (via SwRI)
Cientistas compilaram 41 observações de ocultações solares dos anéis de Saturno pela missão Cassini. A compilação, publicada recentemente na revista científica Icarus, informará futuras investigações sobre a distribuição do tamanho das partículas e a composição dos anéis de Saturno, elementos chave para compreender a sua formação e evolução. Ler fonte
Nova ferramenta permite que os cientistas perscrutem o interior das estrelas de neutrões (via IAS)
Imagine pegar numa estrela com o dobro da massa do Sol e esmagá-la até ao tamanho de Manhattan. O resultado seria uma estrela de neutrões - um dos objetos mais densos encontrados em qualquer parte do Universo, excedendo a densidade de qualquer material encontrado naturalmente na Terra por um factor de dezenas de biliões. As estrelas de neutrões são extraordinários objetos astrofísicos por direito próprio, mas as suas densidades extremas podem também permitir-lhes funcionar como laboratórios de estudo de questões fundamentais da física nuclear, em condições que nunca poderiam ser reproduzidas na Terra. Ler fonte
Álbum de fotografias - Pilares da Criação
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: ciência - NASA, ESA, CSA, STScI, NIRCam;
Processamento - Joseph DePasquale (STScI), Anton M. Koekemoer (STScI), Alyssa Pagan (STScI)
Uma imagem agora famosa capturada pelo Telescópio Espacial Hubble apresentava estas colunas estreladas de gás frio e poeira com anos-luz de comprimento dentro de M16, a Nebulosa da Águia, apelidada de Pilares da Criação. Esta imagem em destaque, obtida pelo instrumento NIRCam do Telescópio Espacial James Webb, expande a exploração do Hubble dessa região em maior detalhe e profundidade dentro do icónico berçário estelar. Particularmente impressionante na visão infravermelha próxima do Web, a emissão avermelhada telescópica de nós de material em colapso gravitacional para formar estrelas dentro das nuvens natais. A Nebulosa da Águia está a cerca de 6500 anos-luz de distância. A maior nebulosa de emissão é ela própria um alvo fácil para binóculos ou pequenos telescópios. M16 encontra-se no plano da nossa Galáxia, a Via Láctea, numa parte do céu rica em nebulosas, na direção da constelação de Serpente.
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