APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
Olá, planeta Mercúrio! Data: 13 de abril de 2023 Hora: 20:30-22:30
Não é todos os dias que vemos alguns planetas, e Mercúrio é talvez o que se mostra menos tempo acima do horizonte. Que segredos quererá ele esconder de nós? Este é o tema da apresentação que antecede a observação com telescópio nesta atividade.
A observação astronómica com telescópio depende de condições meteorológicas favoráveis!
Adulto: 4€ Jovem: 2€ Menores de 12 anos: gratuito. Inscrição obrigatória
(info@ccvalg.pt)
Pré-inscrições válidas até às 17:00 do dia anterior à realização da atividade. Após a hora referida o lugar pode não ser garantido. Telefone: 289 890 920 E-mail: info@ccvalg.pt
NOITES ASTRONÓMICAS EM TAVIRA
Observação noturna Data: 26 de abril de 2023 Hora: 21:00 Local:Forte do Rato
Nesta noite realiza-se a sessão de observação de estrelas e Lua no Forte do Rato. Será também feito um reconhecimento das constelações. A sessão é gratuita.
Participe! Inscrição obrigatória.
A realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas e está sujeita a um número mínimo e máximo de participantes Informações e inscrições:
281 326 231 | 924 452 528 E-mail: geral@cvtavira.pt
EFEMÉRIDES
DIA 11/04: 101.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1862 nascia William Wallace Campbell, observador pioneiro dos movimentos estelares e das suas velocidades radiais. Diretor do Observatório Lick entre 1901 e 1930, também foi presidente da Universidade da Califórnia e da Academia Nacional de Ciências.
Em 1905, Albert Einstein revela a sua Teoria da Relatividade (relatividade especial).
Em 1960, era iniciada a primeira pesquisa no rádio em busca de civilizações extraterrestres, por Frank Drake (Projecto Ozma).
Em 1970, lançamento da Apollo 13, com a intenção de ser a terceira missão a aterrar na Lua.
No entanto, a explosão de um tanque de oxigénio dois dias depois põe a missão em modo de emergência e a nave perde energia, calor e água. Circum-navega a Lua sem aterrar e os astronautas regressam em segurança à Terra.
Em 1986, a 65 milhões de quilómetros, o Cometa Halley faz a sua maior aproximação da Terra durante esta passagem, a 30.ª vez que visita a nossa vizinhança planetária. HOJE, NO COSMOS:
Logo após o anoitecer, Orionte ainda está razoavelmente alto a sudoeste na sua orientação primaveril: inclinado para a direita com a sua cintura na horizontal. O Hexágono de Inverno rodeia-o.
A cintura de Orionte aponta para a esquerda para Sirius e para a direita em direção a Aldebarã e, um pouco mais distantes, para as Plêiades e para Vénus.
DIA 12/04: 102.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1633, começa o inquérito formal de Galileu pela Inquisição.
Em 1849, de Gasparis descobre o asteroide Hygiea.
Em 1851, nascia Edward Walter Maunder, astrónomo inglês famoso pelo seu estudo das manchas solares e do ciclo magnético solar, que levou à sua identificação do período entre 1645 e 1715 que é agora conhecido como Mínimo de Maunder.
Em 1961, o cosmonauta Yuri Alekseyevich Gagarin torna-se no primeiro homem no espaço.
Orbita a Terra apenas uma vez a bordo da nave Vostok 1. O voo dura 1 hora e 48 minutos, num percurso elíptico com um apogeu de 327 km e um perigeu de 180 km.
Em 1981, começa a era do vaivém espacial. Lançamento da missão STS-1 do vaivém Columbia, adiado desde 10 de abril. O comandante John Young e o piloto Robert Crippen orbitam a Terra 37 vezes durante dois dias antes de regressarem. Os objetivos principais do voo inaugural eram testar os sistemas principais, completar uma ascensão até órbita com sucesso e regressar à Terra em segurança. HOJE, NO COSMOS:
A Lua nasce depois das 02:00. Antes do amanhecer, procure-a no céu a sul, na direção da constelação de Sagitário.
DIA 13/04: 103.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1960, os EUA lançam o Transit 1-B, o primeiro satélite de navegação do mundo.
Em 1970, "Houston, we have a problem". Foram estas as palavras que o astronauta Jack Swigert disse ao controlo da missão em Houston depois do tanque de oxigénio n.º 2 do módulo de serviço da nave Apollo 13 ter explodido.
Os astronautas Swigert, Jim Lovell e Fred Haise movem-se então para o módulo lunar, que permaneceu sem danos. O voo continuou até e em volta da Lua e de novo até à Terra. Todo o mundo observava com atenção à medida que a equipa terrestre e a tripulação da Apollo 13 ultrapassavam todos os obstáculos para salvar os astronautas. Estes conseguiram regressar em segurança à Terra.
Em 1974, a Western Union (em cooperação com a NASA e a Hughes Aircraft) lança o primeiro satélite comercial de comunicações geosíncrono, o Westar 1. HOJE, NO COSMOS:
Lua em Quarto Minguante, pelas 10:11.
Esta é a altura do ano em que a Ursa Menor, ao anoitecer, estende-se para a direita da Estrela Polar. A maior parte da constelação é ténue, mas Kochab, na parte dianteira da "frigideira", tem quase brilho semelhante ao da Estrela
Polar. Aviste esta estrela 16º para a direita da Polar: cerca de punho e meio à distância do braço esticado.
Bem acima de Kochab e da outra estrela da parte dianteira da "frigideira" da Ursa Menor (Pherkad), encontrará as estrelas-guia da Ursa Maior.
CURIOSIDADES
A missão JUICE da ESA é uma colaboração de 18 institutos e 83 empresas espalhadas por 23 países (estados-membros europeus, juntamente com os EUA, o Japão e Israel), envolvendo mais de 2000 pessoas e um custo total de 1,6 mil milhões de euros.
JUICE - uma viagem sem precedentes a Júpiter
Será que existe vida para além da Terra - talvez mesmo no Sistema Solar? Esta questão fundamental continua a motivar a comunidade científica de todo o mundo. No dia 13 de abril de 2023, uma nave espacial partirá do porto espacial europeu em Kourou, Giana Francesa, numa longa viagem de investigação para abordar esta e muitas outras questões. Uma viagem como nenhuma outra - a missão JUICE (JUpiter ICy Moons Explorer) da ESA vai passar oito anos a viajar até ao maior planeta do Sistema Solar, onde irá olhar de perto para as suas misteriosas luas geladas.
Impressão de artista da sonda JUICE no sistema de Júpiter.
Crédito: sonda - ESA/ATG medialab; Júpiter - NASA/ESA/J. Nichols (Universidade de Leicester); Ganimedes - NASA/JPL; Io - NASA/JPL/Universidade do Arizona; Callisto e Europa - NASA/JPL/DLR
No processo, a JUICE alcançará muitos "primeiros". Será a primeira sonda a utilizar uma passagem extremamente rasante - a apenas 750 km - da Lua e, 36 horas depois, da Terra, para obter momento, a primeira a mudar de órbita em torno de um planeta, para órbita de uma das suas luas, e a primeira a orbitar uma lua que não a da nossa Terra. O instrumento GALA (GAnymede Laser Altimeter) é o primeiro do seu género a ser utilizado no Sistema Solar exterior, com a tarefa de analisar a superfície em três dimensões e assim determinar a topografia e a forma destas luas.
A agência espacial alemã, parte do DLR (Deutsches Zentrum für Luft- und Raumfahrt), está a apoiar a JUICE, fazendo a maior contribuição individual de qualquer estado-membro da ESA - 21%. Estes fundos fazem parte do financiamento da nave espacial, do lançamento com o foguetão Ariane 5 e das operações da missão. Além disso, aproximadamente 100 milhões de euros vão para sete de um total de 10 instrumentos científicos na nave espacial.
"A missão JUICE é o resultado de colaborações bem-sucedidas a nível nacional e europeu. Após um voo pelo Sistema Solar, o instrumento GALA do DLR a bordo da JUICE irá criar um modelo de elevação da lua gelada de Júpiter, Ganimedes. O altímetro laser será utilizado para medir a deformação da crosta de gelo de Ganimedes ao longo de um período de meses. A partir desta deformação, seremos capazes de determinar se existe um oceano de água líquida sob a crosta gelada e qual a espessura da crosta", explica Anke Kaysser-Pyzalla, presidente do Conselho Executivo do DLR. "E que seria desta missão sem uma câmara, para que nós, na Terra, possamos sentir-nos parte dela? Os componentes-chave do hardware da câmara da JUICE foram desenvolvidos e construídos no Instituto de Investigação Planetária do DLR em Berlim. O sistema de câmaras JANUS, construído pelos nossos parceiros italianos, irá fornecer-nos imagens de alta resolução das superfícies geladas de Ganimedes, Calisto e Europa, de apenas algumas centenas de quilómetros de distância".
"A maior missão interplanetária da ESA até à data está a partir para o maior planeta do Sistema Solar. A JUICE irá observar e medir Júpiter e as suas três maiores luas geladas - Ganimedes, Calisto e Europa - com 'flybys' e a partir de órbita utilizando câmaras, espectrómetros, radar e lasers. Dois importantes instrumentos foram desenvolvidos e construídos sob liderança alemã.
Além do GALA, um segundo instrumento a bordo foi desenvolvido e construído na Alemanha - o SWI (Submillimetre Wave Instrument) do Instituto Max Planck para Pesquisa do Sistema Solar) em Gotinga. Este irá estudar a atmosfera média de Júpiter, bem como as atmosferas extremamente finas e as superfícies das luas galileanas Ganimedes, Europa e Calisto. Para o instrumento italiano JANUS (Jovis, Amorum ac Natorum Undique Scrutator), que observará principalmente as estruturas geológicas das luas geladas parcialmente a alta resolução, o Instituto de Investigação Planetária do DLR desenvolveu partes chave do sistema de câmaras.
Em adição, a Agência Espacial Alemã no DLR está a financiar contribuições para o espectrómetro de partículas PEP (Particle Environment Package), para o J-MAG (Jupiter Magnetometer), para o instrumento RIME (Radar for Icy Moons Exploration) e para o instrumento 3GM (Gravity and Geophysics of Jupiter and Galilean Moons).
A JUICE, preparando-se para o lançamento.
Crédito: ESA-CNES-Arianespace/CSG/S. Martin
Um viajante como nenhum outro
Para uma viagem especial, é também necessário um "veículo" especial. A nave espacial da missão JUICE tem de cumprir tarefas complexas no seu caminho para o primeiro planeta do Sistema Solar exterior. Só a distância apresenta três desafios. Primeiro, os dados recolhidos levam 30 a 50 minutos a viajar até à Terra e os novos comandos demoram o mesmo tempo a chegar à sonda. Em segundo lugar, o gigante gasoso fica a uma distância média de 778 milhões de quilómetros de distância do Sol. Consequentemente, é um local frio e escuro. Mas, dado que a sonda, durante a sua viagem, também vai passar por Vénus, que fica bem mais perto do Sol, tem de suportar flutuações de temperatura de +250 a -230º C na sua viagem. Um elaborado sistema de controlo térmico, composto por componentes ativos e passivos, incluindo um novo tipo de MLI (Multi-Layer Insulation), irá manter a temperatura interna estável. E, em terceiro lugar, a luz do Sol é extremamente fraca em Júpiter - 25 vezes mais fraca do que na Terra. Dois grupos de cinco painéis solares cada, cobrindo uma enorme área de 85 metros quadrados, fornecem aproximadamente 700 a 900 watts de energia elétrica. As baterias a bordo permitem que a nave espacial resista a eclipses que durem até cinco horas. Assim que a JUICE chegar a Júpiter, o campo de radiação mais forte do Sistema Solar "espreita" em frente e, sobretudo, atrás do gigante de gás.
Os instrumentos também tiveram de ser construídos para permanecerem funcionais apesar do severo ambiente de radiação. Perto de Júpiter, as partículas como protões, eletrões e iões do vento solar e das ejeções vulcânicas da lua Io são capturadas pelo campo magnético do planeta: "O campo magnético acelera estas partículas, transformando-as em pequenos projéteis carregados que vão bombardear o nosso altímetro laser GALA. Para proteger os componentes particularmente sensíveis do instrumento contra esta radiação extremamente forte, foi desenvolvido um conceito muito especial. Esta é a primeira vez que tal instrumento é utilizado no Sistema Solar exterior", explica Heike Rauer, líder do Instituto de Investigação Planetária do DLR e acrescenta: "A JUICE está realmente a desbravar novos caminhos científicos e irá gerar conjuntos de dados, com as suas medições, que farão possivelmente novas afirmações científicas e que vão complementar perfeitamente os resultados de outras missões como a Europa Clipper da NASA".
A linha temporal da viagem da JUICE até Júpiter e dentro do sistema joviano.
Crédito: ESA
Um itinerário como nenhum outro
"Para chegar ao Sistema de Júpiter em segurança e dentro do prazo previsto, a nave espacial irá tomar um percurso muito especial. Como em qualquer viagem longa, a JUICE passará por vários pontos de 'reabastecimento' de energia cinética. Após o seu lançamento para uma órbita em torno do Sol, a sonda realizará em primeiro lugar um 'flyby' pela Terra e pela Lua em agosto de 2024 para ganhar impulso. Este momento irá catapultar a JUICE para o vizinho da Terra, Vénus, onde novamente ganhará significativamente mais velocidade com outro 'flyby' planetário em agosto de 2025. Depois, regressará à Terra mais duas vezes, em setembro de 2026 e janeiro de 2029. A JUICE terá então ganho tanto impulso que alcançará finalmente Júpiter em julho de 2031", diz Christian Chlebek, gestor do projeto JUICE na Agência Espacial Alemã do DLR, explicando as complexas manobras de voo da missão JUICE. Assim que chegar a Júpiter, a nave entrará em órbita do planeta e fará um total de 35 passagens rasantes das luas geladas de julho de 2031 a novembro de 2034.
Depois disso, as coisas voltarão a ficar excitantes em dezembro de 2034. Pela primeira vez, uma nave espacial irá mudar de órbita de um planeta para orbitar uma das suas luas. Quando a JUICE chegar à lua Ganimedes, será também a primeira nave espacial a orbitar uma lua que não o satélite natural da Terra. Na parte final desta viagem, o instrumento GALA do DLR irá principalmente sondar a concha de gelo desta lua em busca de evidências de um oceano subterrâneo, antes da sonda colidir com a superfície da lua no final da missão.
Júpiter e as suas luas geladas
Júpiter foi formado após o nascimento do Sol, há cerca de 4,5 mil milhões de anos. A gravidade juntou gás e poeira para criar este gigante gasoso, cujo diâmetro de 138.000 quilómetros é mais de 10 vezes superior ao da Terra. Júpiter absorveu a maior parte da massa remanescente da formação do Sol e acabou com mais do dobro do material que todos os outros corpos do Sistema Solar juntos. De facto, Júpiter tem os mesmos componentes que uma estrela, mas não se tornou suficientemente massivo para se transformar numa.
Suspeita-se que as luas Ganimedes, Calisto e Europa, também referidas como as "luas galileanas" em honra ao seu descobridor, abriguem oceanos de água sob as suas superfícies geladas. Este é o elemento que torna a Terra tão única e é considerado um pré-requisito fundamental para a vida.
Júpiter e as suas luas geladas não são apenas uma parte significativa do Sistema Solar, como podem também ajudar os cientistas a aprender mais sobre o ambiente em torno de outras estrelas. Já foram descobertos milhares de exoplanetas. Muitos destes mundos distantes são gigantes de gás como Júpiter. Estão demasiado longe para o envio e estudo por naves espaciais, mas, ao estudar Júpiter, podem ser tiradas conclusões sobre características destes mundos.
Hubble vê um possível buraco negro fugitivo a criar um rasto de estrelas
Há um monstro invisível à solta e viajando pelo espaço intergaláctico tão depressa que se estivesse no nosso Sistema Solar, podia viajar da Terra à Lua em 14 minutos. Este buraco negro supermassivo, com até 20 milhões de vezes a massa do Sol, deixou para trás um rasto de estrelas recém-nascidas com o dobro do diâmetro da nossa Galáxia, a Via Láctea. É provavelmente o resultado de um raro e bizarro "jogo de bilhar" galáctico entre três buracos negros enormes.
Em vez de engolir estrelas à sua frente, como um Pac-Man cósmico, o buraco negro veloz está a lavrar gás à sua frente para desencadear a formação de novas estrelas ao longo de um corredor estreito. O buraco negro está a viajar demasiado depressa para se alimentar. Nunca se tinha visto nada assim, mas foi capturado por acidente pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA.
Impressão artística de um buraco negro supermassivo fugitivo que foi expelido da sua galáxia hospedeira como resultado de uma "luta" com outros dois outros buracos negros. À medida que o buraco negro atravessa o espaço intergaláctico, comprime gás ténue à sua frente. Isto precipita o nascimento de estrelas azuis quentes. Esta ilustração baseia-se nas observações do Telescópio Espacial Hubble de um rasto estelar com 200.000 anos-luz atrás de um buraco negro em fuga.
Crédito: NASA, ESA, Leah Hustak (STScI)
"Pensamos estar a ver um rasto atrás do buraco negro onde o gás arrefece e é capaz de formar estrelas", disse Pieter van Dokkum da Universidade de Yale em New Haven, no estado norte-americano de Connecticut. "O que estamos a ver é o rescaldo. Como o rasto atrás de um navio, estamos a ver o rasto atrás do buraco negro". Deve ter muitas estrelas novas, dado que tem quase metade do brilho da galáxia hospedeira a que está ligado.
O buraco negro encontra-se numa das extremidades da coluna que se estende até à sua galáxia-mãe. Há um nó extremamente brilhante de oxigénio ionizado na ponta mais externa da coluna. Os investigadores pensam que o gás é provavelmente chocado e aquecido pelo movimento do buraco negro quando o atinge, ou pode ser radiação de um disco de acreção em torno do buraco negro. "O gás à sua frente é chocado devido a este impacto supersónico do movimento do buraco negro. Mas não sabemos exatamente como funciona", disse van Dokkum.
"Tropeçámos nele por pura sorte", acrescentou van Dokkum. O cientista estava à procura de enxames globulares numa galáxia anã próxima. "Estava apenas a analisar a imagem do Hubble e reparei que tínhamos um pequeno risco. Pensei imediatamente, 'oh, um raio cósmico a atingir o detetor da câmara e a causar um artefacto linear'. Quando eliminámos os raios cósmicos, percebemos que ainda lá estava. Não se parecia com nada que já tivéssemos visto antes".
Por ser tão estranho, van Dokkum e a equipa fizeram espectroscopia de acompanhamento com os Observatórios W. M. Keck no Hawaii. Ele descreve o rasto estelar como "bastante espantoso, muito, muito brilhante e muito invulgar". Isto levou à conclusão de que ele estava a observar o rescaldo de um buraco negro a voar através de um halo de gás que rodeava a galáxia hospedeira.
Este "fogo-de-artifício" intergaláctico é provavelmente o resultado de múltiplas colisões de buracos negros supermassivos. Os astrónomos suspeitam que as duas primeiras galáxias se tenham fundido há talvez 50 milhões de anos. Isso juntou dois buracos negros supermassivos nos seus centros. Giravam um à volta do outro como um buraco negro binário.
Esta fotografia obtida pelo Telescópio Espacial Hubble captura uma curiosa característica linear tão rara que foi ao início descartada como um artefacto das câmaras do Hubble. Mas observações espectroscópicas de seguimento revelam que é uma cadeia de estrelas azuis jovens com 200.000 anos-luz de comprimento. Um buraco negro supermassivo encontra-se na extremidade inferior esquerda. O buraco negro foi ejetado da galáxia na parte superior direita. Comprimiu gás no seu caminho para deixar um longo rasto de jovens estrelas azuis. Nunca se tinha visto nada assim no Universo. Este acontecimento invulgar ocorreu quando o Universo tinha aproximadamente metade da sua idade atual.
Crédito: NASA, ESA, Pieter van Dokkum (Yale); processamento de imagem - Joseph DePasquale (STScI)
Depois surgiu outra galáxia com o seu próprio buraco negro supermassivo. Isto segue a velha expressão: "dois é companhia, três é uma multidão". Esta mistura de três buracos negros supermassivos levou-os a uma configuração caótica e instável. Um dos buracos negros roubou momento aos outros dois e foi expulso da galáxia hospedeira. O binário original pode ter permanecido intacto, ou o novo buraco negro intruso pode ter substituído um dos dois que estavam no binário original e expulso o companheiro anterior.
Quando o buraco negro individual foi expelido numa direção, os buracos negros do binário foram disparados na direção oposta. Há uma característica vista no lado oposto da galáxia hospedeira que pode ser o buraco negro binário fugitivo. Uma evidência circunstancial disto é que não existem sinais de um buraco negro ativo no núcleo da galáxia. O próximo passo é fazer observações de acompanhamento com o Telescópio Espacial James Webb e com o Observatório de raios-X Chandra para confirmar a explicação proposta pelos investigadores.
O futuro Telescópio Espacial Nancy Grace Roman da NASA terá uma visão de grande angular do Universo com a requintada resolução do Hubble. Como um telescópio de levantamento, as observações do RST poderão encontrar mais destes raros e improváveis "rastos estelares" noutras partes do Universo. Segundo van Dokkum, isto pode exigir aprendizagem de máquina, utilizando algoritmos que são muito bons a encontrar formas estranhas específicas num mar de outros dados astronómicos.
O artigo científico foi publicado no dia 6 de abril na revista The Astrophysical Journal Letters.
Estudo ajuda a explicar fontes ultraluminosas de raios-X que quebram limites
Nesta ilustração de uma fonte ultraluminosa de raios-X , dois "rios" de gás quente são puxados para a superfície de uma estrela de neutrões. Campos magnéticos fortes, mostrados a verde, podem alterar a interação da matéria e da luz perto da superfície das estrelas de neutrões, aumentando a sua luminosidade.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
Objetos cósmicos exóticos, conhecidos como fontes ultraluminosas de raios-X, produzem cerca de 10 milhões de vezes mais energia do que o Sol. Na verdade, são tão radiantes que parecem ultrapassar um limite físico chamado limite de Eddington, que coloca uma restrição no brilho que um objeto pode ter com base na sua massa. Estas ULXs (sigla inglesa para "Ultra-luminous X-ray sources") excedem regularmente este limite em 100 a 500 vezes, deixando os cientistas perplexos.
Num estudo recente publicado na revista The Astrophysical Journal, os investigadores relatam uma primeira medição de uma ULX feita com o NuSTAR (Nuclear Spectroscopic Telescope Array) da NASA. A descoberta confirma que estes emissores de luz são, de facto, tão brilhantes como parecem e que quebram o limite de Eddington. Uma hipótese sugere que este brilho avassalador é devido aos fortes campos magnéticos da ULX. Mas os cientistas só podem testar esta ideia através de observações: até milhares de milhões de vezes mais poderosos do que os ímanes mais fortes alguma vez construídos na Terra, os campos magnéticos das ULXs não podem ser reproduzidos num laboratório.
Quebrando o limite
As partículas de luz, chamadas fotões, exercem um pequeno empurrão sobre objetos que encontram. Se um objeto cósmico como uma ULX emitir luz suficiente por determinada área, o empurrão dos fotões pode ser superior à atração da gravidade do objeto. Quando isto acontece, um objeto atingiu o limite de Eddington e a luz do objeto, teoricamente, empurrará para longe qualquer gás ou outro material que caia na sua direção.
Essa mudança - quando a luz derrota a gravidade - é importante, porque o material que cai sobre uma ULX é a fonte do seu brilho. Isto é algo que os cientistas observam frequentemente em buracos negros: quando a sua forte gravidade atrai gás e poeira, esses materiais podem aquecer e irradiar luz. Os cientistas costumavam pensar que as ULX deviam ser buracos negros rodeados por grandes quantidades de gás brilhante. Mas, em 2014, os dados do NuSTAR revelaram que uma ULX com o nome de M82 X-2 é, na realidade, um objeto menos massivo chamado de estrela de neutrões. Tal como os buracos negros, as estrelas de neutrões formam-se quando uma estrela morre e colapsa, "embalando" mais do que a massa do nosso Sol numa área não muito maior do que uma cidade média.
Esta densidade incrível também cria uma atração gravitacional, à superfície da estrela de neutrões, cerca de 100 biliões de vezes mais forte do que a atração gravitacional à superfície da Terra. O gás e outros materiais atraídos por essa gravidade são acelerados até milhões de quilómetros por hora, libertando tremendas quantidades de energia quando atingem a superfície da estrela de neutrões (um marshmallow deixado cair sobre a superfície de uma estrela de neutrões atingi-la-ia com a energia de cem mil bombas de hidrogénio). Isto produz os raios-X altamente energéticos que o NuSTAR deteta.
O estudo recente visou a mesma ULX no coração da descoberta de 2014 e descobriu que, tal como um parasita cósmico, M82 X-2 está a roubar cerca de 9x10^21 de toneladas de material, por ano, a uma estrela vizinha, o equivalente a 1,5 vezes a massa da Terra. Sabendo a quantidade de material que atinge a superfície da estrela de neutrões, os cientistas podem estimar quão brilhante deve ser a ULX e os seus cálculos coincidem com medições independentes da sua luminosidade. O trabalho confirmou que M82 X-2 excede o limite de Eddington.
Sem ilusões
Se os cientistas conseguirem confirmar o brilho de mais ULXs, podem colocar de lado uma hipótese persistente que explicaria o brilho aparente destes objetos sem que as ULXs tivessem de exceder o limite de Eddington. Essa hipótese, com base em observações de outros objetos cósmicos, postula que ventos fortes formam um cone oco em torno da fonte de luz, concentrando a maior parte da emissão num só sentido. Se apontado diretamente para a Terra, o cone poderia criar uma espécie de ilusão ótica, fazendo-o aparecer [falsamente] como se a ULX estivesse a exceder o limite de luminosidade.
Mesmo que esse seja o caso para algumas ULXs, uma hipótese alternativa apoiada pelo novo estudo sugere que fortes campos magnéticos distorcem os átomos aproximadamente esféricos em formas alongadas. Isto reduziria a capacidade dos fotões em afastar átomos, acabando por aumentar o brilho máximo possível de um objeto.
"Estas observações permitem-nos ver os efeitos destes campos magnéticos incrivelmente fortes que nunca poderíamos reproduzir na Terra com a tecnologia atual", disse Matteo Bachetti, astrofísico do Observatório de Cagliari, Itália, autor principal do estudo recente. "Esta é a beleza da astronomia. Observando o céu, expandimos a nossa capacidade de investigar como o Universo funciona. Por outro lado, não podemos realmente fazer experiências para obter respostas rápidas; temos de esperar que o Universo nos mostre os seus segredos".
Cientistas mapeiam ventos fortes num distante sistema estelar que contém uma estrela de neutrões (via MIT)
Um disco de acreção é um turbilhão colossal de gás e poeira que se reúne em torno de um buraco negro ou de uma estrela de neutrões, como algodão doce, ao puxar o material de uma estrela próxima. À medida que o disco gira, cria ventos fortes que empurram e puxam o plasma em rotação. Estes fluxos massivos podem afetar o ambiente dos buracos negros, aquecendo e soprando o gás e a poeira à sua volta. Ler fonte
Webb revela novos detalhes de Cassiopeia A (via ESA/Webb)
A explosão de uma estrela é um acontecimento dramático, mas os restos que a estrela deixa para trás podem ser ainda mais dramáticos. Uma nova imagem, no infravermelho médio, obtida pelo Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA, fornece um exemplo espantoso. Mostra o remanescente da supernova Cassiopeia A, criada por uma explosão estelar há 340 anos. A imagem mostra cores vivas e estruturas intrincadas. Cassiopeia A é o mais jovem remanescente conhecido de uma explosão estelar massiva na nossa Galáxia, oferecendo aos astrónomos uma oportunidade de realizar perícias forenses estelares para compreender a morte da estrela. Ler fonte
A estrela supergigante, brilhante e azul, Rigel, marca o pé de Orionte, o Caçador, no céu noturno do planeta Terra. Designada Beta Orionis, está no centro deste campo de visão extraordinariamente profundo e amplo. A cor azulada de Rigel indica que é muito mais quente do que a sua rival supergigante, também em Orionte, Betelgeuse (Alpha Orionis), de tom amarelado, embora ambas as estrelas sejam suficientemente massivas para eventualmente terminarem os seus dias como supernovas de colapso do núcleo. A cerca de 860 anos-luz de distância, Rigel é também mais quente do que o Sol e estende-se até cerca de 74 vezes o raio solar. Isso corresponde aproximadamente ao tamanho da órbita de Mercúrio. Nesta imagem da rica constelação, que abrange cerca de 10 graus no céu, a Nebulosa de Orionte encontra-se na parte superior esquerda. À direita de Rigel e iluminada pela sua brilhante luz azul encontra-se a Nebulosa da Cabeça da Bruxa. Rigel faz parte de um sistema estelar múltiplo, embora as suas estrelas companheiras sejam muito mais fracas.
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