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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
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  Astroboletim #2190  
  04/03 a 06/03/2025  
     
 
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NOITES ASTRONÓMICAS EM FARO
O Centro Ciência Viva do Algarve, em conjunto com o Centro Ciência Viva de Tavira, vai realizar uma observação da Lua. A atividade é gratuita. Participe!
Data: 6 de março de 2025
Hora: 19:00 - 21:00
Local: Jardim Manuel Bívar, junto à marina
A realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas.
Informações: 289 890 920 | info@ccvalg.pt

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OBSERVAÇÃO ASTRONÓMICA EM TAVIRA
Em março haverá um eclipse solar e nós estaremos na Ponte Romana em Tavira para o observar com toda a segurança. O eclipse solar também será observado em simultâneo em Faro, pelo Centro Ciência Viva do Algarve e em Lagos pelo Centro Ciência Viva de Lagos. A atividade é gratuita. Participe!
Data: 29 de março de 2025
Hora: 10:00 - 12:00
Local: Ponte Romana em Tavira
Coordenadas GPS: 37.12535, -7.646739
Esta atividade depende das condições atmosféricas
Informações: 281 326 231
924 452 528 | geral@cvtavira.pt

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EFEMÉRIDES

DIA 04/03: 63.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1675, John Flamsteed é nomeado o primeiro Astrónomo Real de Inglaterra.
Em 1881, nascia Richard Chace Tolman, físico americano, uma autoridade em mecânica estatística. 
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Fez importantes contribuições para a cosmologia teórica nos anos após a descoberta da relatividade geral por Einstein. 
Em 1979, a sonda Voyager 1 descobre os anéis de Júpiter
Em 1986, a sonda soviética Vega 1 começa a enviar imagens do Cometa Halley, as primeiras imagens de sempre do seu núcleo. 
Em 1994, a missão STS-62 do vaivém espacial (Columbia 16) é lançada para órbita. 
Em 1999, voo rasante do asteroide 1998 VD35 pela Terra (0,169 UA).
Em 2004, a Rosetta completa o seu primeiro "flyby" pela Terra. 
Em 2006, última tentativa de contacto com a Pioneer 10, pela Deep Space Network. Nenhuma resposta foi recebida.
HOJE, NO COSMOS:
A Lua Crescente brilha para baixo e para a direita das Plêiades, de Júpiter e de Aldebarã.

 

DIA 05/03: 64.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1512 nascia Gerardus Mercator, famoso cartógrafo.
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Em 1616, o livro de Nicolau CopérnicoDe revolutionibus orbium coelestium (Das revoluções das esferas celestes) é banido pela Igreja Católica.
Em 1958, lançamento da sonda Explorer 2, mas falha a alcançar órbita.
Em 1978, lançamento do Landsat 3 a partir da Base da Força Aérea em Vandenberg, Califórnia. 
Em 1979 as sondas soviéticas Venera 11Venera 12 e o satélite solar americano Helios II são atingidos por raios gama, o que leva à descoberta da primeira explosão de raios gama, proveniente dos enigmáticos objetos de nome magnetares. No mesmo ano, a sonda Voyager 1 faz a sua maior aproximação de Júpiter, quando passa a 206.700 quilómetros do topo das nuvens do planeta. 
Em 1982, a sonda Venera 14 aterra em Vénus
Em 1998, a NASA anuncia que a sonda Clementine, em órbita da Lua, descobriu água suficiente para suportar uma colónia humana.
HOJE, NO COSMOS:
Aviste a Lua quase em Quarto Crescente a cerca de 7º de Júpiter. Para baixo do nosso satélite natural encontra-se M45 (Plêiades).

 

DIA 06/03: 65.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1787 nascia Joseph Fraunhofer, espetroscopista pioneiro alemão, de quem as proeminentes linhas de absorção no espetro do Sol receberam o seu nome.
Em 1986, entre dia 6 e 14, primeiro voo rasante por um cometa, pelas sondas Vega 1 e Giotto (580 km), no Cometa Halley.
Em 2015, depois de orbitar Vesta durante 14 meses em 2011 e 2012, a sonda Dawn da NASA chega a Ceres.
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HOJE, NO COSMOS:
Lua em Quarto Crescente, pelas 16:32.

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Hubble fornece uma visão panorâmica do ecossistema da galáxia de Andrómeda
 
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Esta é uma vista de grande angular da distribuição das galáxias satélite conhecidas que orbitam a grande galáxia de Andrómeda (M31), localizada a 2,5 milhões de anos-luz de distância. O Telescópio Espacial Hubble foi usado para estudar toda a população de 36 mini-galáxias circuladas a amarelo. Andrómeda é o objeto brilhante em forma de fuso no centro da imagem. Todas as galáxias anãs parecem estar confinadas a um plano, orbitando todas na mesma direção. A vista de campo largo foi obtida a partir de fotografia terrestre. A estabilidade ótica, a clareza e a eficiência do Hubble tornaram possível este ambicioso estudo. À direita estão imagens, pelo Hubble, de quatro galáxias anãs. A galáxia anã mais proeminente é M32 (NGC 221), uma galáxia elipsoidal compacta que pode ser o núcleo remanescente de uma galáxia maior que colidiu com Andrómeda há alguns milhares de milhões de anos.
Crédito: NASA, ESA, Alessandro Savino (Universidade da Califórnia em Berkeley), Joseph DePasquale (STScI), Akira Fujii do DSS2
 

Situada a 2,5 milhões de anos-luz de distância, a majestosa galáxia de Andrómeda aparece a olho nu como um objeto ténue, em forma de fuso, com um tamanho angular parecido ao da Lua cheia. O que os observadores amadores não veem é um enxame de quase três dúzias de pequenas galáxias satélite que rodeiam a galáxia de Andrómeda, como abelhas à volta de uma colmeia.

Estas galáxias satélite representam um "ecossistema" galáctico turbulento que o Telescópio Espacial Hubble da NASA está a estudar com um detalhe sem precedentes. Este ambicioso Programa do Tesouro do Hubble utilizou observações de mais de 1000 órbitas do Hubble. A estabilidade ótica, a clareza e a eficiência do Hubble tornaram possível este ambicioso rastreio. Este trabalho incluiu a construção de um mapa 3D preciso de todas as galáxias anãs que "zumbem" em torno de Andrómeda e a reconstrução da eficácia com que formaram novas estrelas ao longo dos quase 14 mil milhões de anos de vida do Universo.

No estudo publicado na revista The Astrophysical Journal, o Hubble revela um ecossistema marcadamente diferente do pequeno número de galáxias satélite que rodeiam a nossa Via Láctea. Isto fornece pistas forenses sobre a forma como a nossa Via Láctea e Andrómeda evoluíram de forma diferente ao longo de milhares de milhões de anos. A nossa Via Láctea tem estado relativamente calma. Mas parece que Andrómeda teve uma história mais dinâmica, que foi provavelmente afetada por uma grande fusão com outra grande galáxia há alguns milhares de milhões de anos. Este encontro, e o facto de Andrómeda ser duas vezes mais massiva do que a nossa Via Láctea, poderia explicar a sua abundante e diversificada população de galáxias anãs.

O levantamento de todo o sistema de satélites da Via Láctea de uma forma tão abrangente é um grande desafio porque estamos inseridos na nossa Galáxia. Também não pode ser feito para outras galáxias grandes porque estão demasiado longe para estudar as pequenas galáxias satélite com tanto pormenor. A galáxia mais próxima de massa comparável à Via Láctea, para além de Andrómeda, é M81, a cerca de 12 milhões de anos-luz.

Esta visão panorâmica do sistema de satélites de Andrómeda permite-nos decifrar o que impulsiona a evolução destas pequenas galáxias. "Vemos que a duração da formação de novas estrelas pelas satélites depende realmente da sua massa e da sua proximidade à galáxia de Andrómeda", disse o autor principal Alessandro Savino da Universidade da Califórnia em Berkeley. "É um indício claro de como o crescimento das galáxias pequenas é perturbado pela influência de uma galáxia massiva como Andrómeda".

"Tudo o que se encontra disperso no sistema de Andrómeda é muito assimétrico e perturbado. Parece que algo significativo aconteceu não há muito tempo", disse o investigador principal Daniel Weisz da Universidade da Califórnia em Berkeley. "Há sempre uma tendência para usar o que compreendemos na nossa própria Galáxia para extrapolar de forma mais geral para as outras galáxias do Universo. Sempre houve preocupações sobre se o que estamos a aprender na Via Láctea se aplica de forma mais ampla a outras galáxias. Ou será que há mais diversidade entre as galáxias exteriores? Terão elas propriedades semelhantes? O nosso trabalho mostrou que as galáxias de baixa massa noutros ecossistemas seguiram caminhos evolutivos diferentes dos que conhecemos das galáxias satélite da Via Láctea".

Por exemplo, metade das galáxias satélite de Andrómeda parecem estar todas confinadas a um plano, orbitando todas na mesma direção. "É estranho. Na verdade, foi uma surpresa total encontrar as satélites com essa configuração e ainda não compreendemos totalmente porque é que aparecem assim", disse Weisz.

A galáxia companheira mais brilhante de Andrómeda é Messier 32 (M32). Esta é uma galáxia elipsoidal compacta que pode ser apenas o núcleo remanescente de uma galáxia maior que colidiu com Andrómeda há alguns milhares de milhões de anos. Depois de ter sido gravitacionalmente despojada de gás e de algumas estrelas, continuou na sua órbita. A galáxia M32 contém estrelas mais antigas, mas há evidências de que teve uma vaga de formação estelar há alguns milhares de milhões de anos. Para além de M32, parece haver uma população única de galáxias anãs em Andrómeda que não se vê na Via Láctea. Formaram a maior parte das suas estrelas muito cedo, mas depois não pararam. Continuaram a formar estrelas a partir de um reservatório de gás a um ritmo muito baixo durante muito mais tempo.

"A formação de estrelas continuou realmente até muito mais tarde, o que não é de todo o que se esperaria para estas galáxias anãs", continuou Savino. "Isto não aparece nas simulações de computador. Até agora, ninguém sabe bem porquê".

"Descobrimos que há muita diversidade que precisa de ser explicada no sistema de satélites de Andrómeda", acrescentou Weisz. "A forma como as coisas se juntam é muito importante para compreender a história desta galáxia".

O Hubble está a fornecer o primeiro conjunto de imagens em que os astrónomos medem os movimentos das galáxias anãs. Dentro de mais cinco anos, o Hubble ou o Telescópio Espacial James Webb da NASA poderão obter o segundo conjunto de observações, permitindo aos astrónomos fazer uma reconstrução dinâmica para todas as 36 galáxias anãs, o que ajudará os astrónomos a rebobinar os movimentos de todo o ecossistema de Andrómeda milhares de milhões de anos no passado.

// NASA (comunicado de imprensa)
// STScI (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal)

 


Quer saber mais?

Galáxia de Andrómeda (M31):
SEDS
Wikipedia
Galáxias satélite de M31 (Wikipedia)

Galáxia satélite:
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
Hubblesite
STScI
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais
Arquivo de Ciências do eHST
Wikipedia

 
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Webb fornece informações sobre o raro Neptuno ultraquente LTT 9779 b
 
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Ilustração de LTT 9779 b, o único Neptuno ultraquente conhecido. Este planeta orbita tão perto da sua estrela que a sua atmosfera é escaldante, brilhando com o seu próprio calor e refletindo a luz da estrela. Como sofre acoplamento de maré - mostrando sempre o mesmo lado para a sua estrela - uma metade está permanentemente à luz do dia enquanto a outra permanece na escuridão. As novas observações do JWST com o NIRISS revelam uma atmosfera dinâmica: ventos poderosos varrem o planeta, moldando nuvens minerais à medida que estas se condensam num arco branco e brilhante no lado ocidental, ligeiramente mais frio, do lado do dia. À medida que estas nuvens se deslocam para leste, evaporam-se sob o calor intenso, deixando o lado oriental do dia com céu limpo.
Crédito: Benoit Gougeon, Universidade de Montréal
 

Uma equipa de investigadores internacionais utilizou o Telescópio Espacial James Webb para explorar a atmosfera exótica de LTT 9779 b, um raro "Neptuno ultraquente". Os resultados foram publicados na revista Nature Astronomy.

O estudo fornece novas perspetivas sobre os padrões climáticos extremos e as propriedades atmosféricas deste fascinante exoplaneta, LTT 9779 b, que reside no chamado deserto neptuniano, uma categoria de planetas onde excecionalmente poucos são conhecidos. Ao passo que os planetas gigantes que orbitam muito perto das suas estrelas hospedeiras - muitas vezes chamados Júpiteres quentes - são normalmente detetados utilizando os métodos atuais de procura de exoplanetas, os Neptunos ultraquentes como LTT 9779 b continuam a ser extremamente raros.

"Encontrar um planeta deste tamanho tão perto da sua estrela hospedeira é como encontrar uma bola de neve que não derreteu no fogo", diz o estudante Louis-Philippe Coulombe do IREx (Trottier Institute for Research on Exoplanets) da Universidade de Montréal, que liderou o estudo. "É um testemunho da diversidade dos sistemas planetários e oferece uma janela para a forma como os planetas evoluem em condições extremas".

Um laboratório único para o clima extraterrestre

Orbitando a sua estrela hospedeira em menos de um dia, LTT 9779 b está sujeito a temperaturas abrasadoras que atingem quase 2000°C no seu lado diurno. O planeta sofre acoplamento de marés (semelhante à Lua da Terra), o que significa que um lado está constantemente virado para a sua estrela, enquanto o outro permanece em perpétua escuridão. Apesar destes extremos, a equipa descobriu que o lado diurno do planeta tem nuvens refletoras no hemisfério ocidental, que é mais frio, criando um contraste impressionante com o lado oriental, que é mais quente. "Este planeta fornece um laboratório único para compreender como as nuvens e o transporte de calor interagem nas atmosferas de mundos altamente irradiados", diz Coulombe.

O Dr. Jake Taylor, da Universidade de Oxford, trabalhou com Coulombe na análise dos dados. A dupla já tinha efetuado uma primeira análise atmosférica do espetro do planeta, cujos resultados foram publicados na revista The Astrophysical Journal Letters em 2024: "O nosso estudo original do espetro de transmissão sugeria a necessidade de nuvens de grande altitude para explicar as observações; o nosso último estudo confirma a existência dessas nuvens", explica.

A análise da equipa, realizada com o JWST como parte do programa NEAT (NIRISS Exploration of Atmospheric Diversity of Transiting Exoplanets) de Tempo Garantido de Observação, revelou uma assimetria na refletividade diurna do planeta. A equipa propôs que a distribuição desigual do calor e das nuvens é causada por ventos fortes que transportam calor à volta do planeta. Estas descobertas ajudam a aperfeiçoar os modelos que descrevem a forma como o calor é transportado através de um planeta e a formação de nuvens em atmosferas de exoplanetas, ajudando a colmatar o fosso entre a teoria e a observação.

Mapeando a atmosfera de um Neptuno ultraquente

A equipa de investigação estudou a atmosfera em pormenor, analisando tanto o calor emitido pelo planeta como a luz que este reflete da sua estrela. Para criar uma imagem mais clara, observaram o planeta em várias posições da sua órbita e analisaram as suas propriedades em cada fase individualmente. Descobriram nuvens feitas de materiais como minerais de silicato, que se formam no lado oeste, ligeiramente mais frio, do lado diurno do planeta. Estas nuvens refletoras ajudam a explicar a razão pela qual este planeta é tão brilhante nos comprimentos de onda visíveis, fazendo refletir grande parte da luz da estrela.

Combinando esta luz refletida com as emissões de calor, a equipa conseguiu criar um modelo detalhado da atmosfera do planeta. As suas descobertas revelam um equilíbrio delicado entre o calor intenso da estrela e a capacidade do planeta para redistribuir energia. O estudo também detetou vapor de água na atmosfera, fornecendo pistas importantes sobre a composição do planeta e os processos que governam o seu ambiente extremo.

"Ao modelar a atmosfera de LTT 9779 b em pormenor, estamos a começar a desvendar os processos que determinam os seus padrões climáticos alienígenas", explica o professor Björn Benneke, coautor do estudo e orientador de investigação de Coulombe.

Implicações para a ciência exoplanetária

Este raro sistema planetário continua a desafiar a compreensão dos cientistas sobre o modo como os planetas se formam, migram e perduram face a forças estelares implacáveis. As nuvens refletoras do planeta e a sua elevada metalicidade podem lançar luz sobre a forma como as atmosferas evoluem em ambientes extremos. LTT 9779 b é um laboratório notável para explorar estas questões, fornecendo uma visão dos processos mais amplos que moldam a arquitetura dos sistemas planetários em toda a Galáxia.

"Estas descobertas dão-nos uma nova perspetiva para compreender a dinâmica atmosférica em gigantes gasosos mais pequenos", diz Coulombe. "Isto é apenas o início do que o JWST irá revelar sobre estes mundos fascinantes". Outros instrumentos estão também a ser utilizados para estudar exaustivamente estes raros sistemas planetários: "Ainda não acabámos de reunir a informação sobre este planeta", conclui o Dr. Taylor. "Estamos atualmente a utilizar observações do Telescópio Espacial Hubble e do Very Large Telescope para estudar a estrutura das nuvens diurnas com mais pormenor, para aprendermos o máximo possível".

// Universidade de Oxford (comunicado de imprensa)
// Universidade de Montréal (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal Letters)

 


Quer saber mais?

CCVAlg - Astronomia:
25/09/2020 - O primeiro "Neptuno ultra-quente", LTT 9779b, é um dos planetas mais improváveis da natureza
03/11/2020 - Novo estudo revela atmosfera de "Neptuno quente" que não devia existir

LTT 9779 b:
NASA
ipac
Exoplanet.eu

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de exoplanetas mais próximos (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Lista de exoplanetas candidatos a albergar água líquida (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
NASA
Exoplanet.eu

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
STScI (website para o público)
ESA
ESA/Webb
Wikipedia
Facebook
X/Twitter
Instagram
Blog do JWST (NASA)
Ciclo 3 GO do Webb (STScI)
Ciclo 3 GTO do Webb (STScI)
Ciclo 3 DDT do Webb (STScI)
NIRISS (NASA)
NIRCam (NASA)
MIRI (NASA)
NIRSpec (NASA)

 
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Missão cumprida para o INTEGRAL, o telescópio de raios gama da ESA
 
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Impressão artística do INTEGRAL da ESA.
Crédito: ESA/Medialab
 

O INTEGRAL (INTErnational Gamma-Ray Astrophysics Laboratory) da ESA foi lançado a 17 de outubro de 2002, a partir do Cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, numa missão de observação do cosmos em constante mudança, poderoso e extremo.

"Durante mais de duas décadas, o INTEGRAL mostrou-nos repetidamente como é importante olhar para o céu em raios gama", observa Jan-Uwe Ness, cientista do projeto INTEGRAL da ESA. "Algumas das explosões de luz associadas a eventos físicos extremos no nosso Universo só podem ser totalmente compreendidas se apanharmos os raios que vêm do centro das explosões: os raios gama".

Ao contrário da luz visível e da luz de rádio provenientes do espaço, que podemos observar a partir do solo, os raios gama cósmicos só podem ser captados no espaço. Isto deve-se ao facto de a atmosfera da Terra atuar como um escudo que nos protege destes raios nocivos.

"O INTEGRAL transformou a nossa compreensão do Universo dinâmico a altas energias e da física em condições extremas", acrescenta a professora Carole Mundell, Diretora de Ciência da ESA.

"O facto da nave espacial e da instrumentação terem tido um desempenho tão excelente durante tantos anos é uma prova da qualidade da tecnologia desenvolvida pela comunidade científica europeia e pela indústria espacial no virar do milénio, bem como pelas equipas científicas e de engenharia da ESA que têm operado esta missão desde então. Parabéns a todas as nossas comunidades pela sua dedicação e pelos seus resultados".

Resolvendo mistérios e desbravando novos caminhos

As observações do INTEGRAL têm sido fundamentais para resolver os mistérios das explosões de raios gama (GRBs), os poderosos flashes de luz energética que surgem algures no céu cerca de uma vez por dia. Estes clarões são frequentemente mais brilhantes do que todas as outras fontes de raios gama em conjunto.

Atualmente, os cientistas atribuem a origem dos eventos GRB "mais longos", que duram vários segundos, ao colapso descontrolado de estrelas massivas que se transformam em supernovas, enquanto as explosões mais curtas se devem ao choque entre buracos negros e estrelas de neutrões.

"O que considero impressionante no INTEGRAL são as suas descobertas inesperadas", comenta Jan-Uwe. "Descobriu-se que o INTEGRAL era ideal para tarefas que não estavam previstas quando a missão foi concebida. Um exemplo é a sua capacidade de localizar as fontes no céu que geraram algumas das ondas gravitacionais e neutrinos de energia ultra-alta captados por instrumentos especializados no solo".

Na altura do lançamento do INTEGRAL, os cientistas nem sequer tinham a certeza de que as ondas gravitacionais pudessem alguma vez ser detetadas diretamente; a primeira observação destas elusivas ondulações no espaço-tempo foi feita 13 anos após o lançamento do INTEGRAL pelos detetores de ondas gravitacionais LIGO nos EUA, em 2015.

As descobertas continuaram a aparecer.

"Só nos últimos dois anos, mais ou menos, fiquei surpreendido com novos e excitantes resultados. O INTEGRAL captou o mais poderoso flash de raios gama alguma vez observado e a explosão teve impacto na camada protetora de ozono da atmosfera", continua Jan-Uwe. "Este GRB teve lugar numa galáxia a quase dois mil milhões de anos-luz de distância - é espantoso pensar que a Terra pode ser afetada por um evento que teve lugar num canto remoto do Universo, há dois mil milhões de anos".

 
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Uma explosão de raios gama atinge a Terra, oriunda de uma supernova distante.
Crédito: ESA/ATG Europe
 

Duas outras descobertas recentes centram-se num surto magnetar extremamente raro de 0,1 segundos que emitiu tanta energia como a que o nosso Sol produz em meio milhão de anos, e na descoberta de que as explosões termonucleares impulsionam jatos numa estrela de neutrões.

Visão aguçada em raios gama

Aquando do lançamento, o INTEGRAL era o mais avançado observatório de raios gama e o primeiro observatório espacial capaz de ver objetos celestes simultaneamente em raios gama, raios X e luz visível.

Três características da instrumentação do INTEGRAL tornaram possíveis estas muitas descobertas: um campo de visão muito grande, cobrindo cerca de 900 graus quadrados do céu nos raios X e gama mais energéticos; a capacidade de obter, simultaneamente, imagens e espetros detalhados nas energias mais elevadas; a capacidade de monitorização das câmaras de raios X e óticas para ajudar a localizar as fontes de raios gama.

Reduzindo a intensidade

"Depois de 2886 órbitas e 22 anos a olhar para as profundezas do nosso cosmos, os instrumentos sensíveis do INTEGRAL deixarão [hoje] de recolher dados científicos. Mas o legado do observatório de raios gama da ESA irá servir os cientistas durante muitos mais anos", conclui Matthias Ehle, Diretor da Missão INTEGRAL na ESA.

"A riqueza dos dados recolhidos ao longo de duas décadas será armazenada no Arquivo do Legado Científico do INTEGRAL. Será essencial para a investigação futura e para inspirar uma nova geração de astrónomos e engenheiros a desenvolver novas e excitantes missões".

Após o fim das suas observações científicas, a nave espacial continuará a orbitar a Terra durante mais quatro anos. Os engenheiros da ESA irão monitorizar o satélite até à sua reentrada na atmosfera terrestre no início de 2029. Graças a uma queima especial de quatro propulsores executada em 2015, a entrada do satélite na atmosfera cumprirá a promessa da ESA de minimizar os detritos espaciais.

// ESA (comunicado de imprensa)
// Simulação de uma fusão entre duas estrelas de neutrões (ESO via YouTube)

 


Quer saber mais?

CCVAlg - Astronomia:
26/04/2024 - Estrela morta ilumina galáxia próxima
29/03/2024 - Integral avista explosões gigantes que alimentam jatos de uma estrela de neutrões
17/11/2023 - Uma explosão de raios gama e os seus efeitos na ionosfera terrestre fazem relembrar os eventos de extinção em massa
31/03/2023 - A mais brilhante explosão de raios-gama ilumina a nossa Galáxia como nunca antes

INTEGRAL (INTErnational Gamma-Ray Astrophysics Laboratory):
ESA
Wikipedia
Arquivo do Legado Científico do INTEGRAL

GRB:
Wikipedia

Ondas gravitacionais:
GraceDB (Gravitational Wave Candidate Event Database)
Wikipedia
Astronomia de ondas gravitacionais - Wikipedia
Ondas gravitacionais: como distorcem o espaço - Universe Today
Detetores: como funcionam - Universe Today
As fontes de ondas gravitacionais - Universe Today
O que é uma onda gravitacional (YouTube)

 
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Álbum de fotografias
Enxames Estelares Abertos M35 e NGC 2158

exemplo
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Evan Tsai, LATTE: Telescópio Lulin-ASIAA
 
Enquadrados neste campo telescópico, dois enxames estelares abertos, M35 e NGC 2158. Localizados dentro dos limites da constelação de Gémeos, parecem estar lado a lado. As suas estrelas concentram-se no canto superior direito, mas M35 está relativamente perto. M35 (também catalogado como NGC 2168) está apenas a 2800 anos-luz de distância, com cerca de 400 estrelas espalhadas por um volume com cerca de 30 anos-luz de diâmetro. As estrelas azuis brilhantes distinguem frequentemente os enxames abertos mais jovens como M35, cuja idade está estimada em 150 milhões de anos. Em baixo à esquerda, NGC 2158 está cerca de quatro vezes mais distante do que M35 e é muito mais compacto, brilhando numa luz mais amarelada de uma população de estrelas mais de 10 vezes mais velha. Em geral, os enxames estelares abertos encontram-se ao longo do plano da nossa Galáxia, a Via Láctea. Gravitacionalmente pouco ligadas, as estrelas que os compõem tendem a dispersar-se ao longo de milhares de milhões de anos, à medida que os enxames abertos orbitam o Centro Galáctico.
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