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  Astroboletim #2256  
  21/10 a 23/10/2025  
     
 
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MANHÃS ASTRONÓMICAS EM FARO
O Centro Ciência Viva do Algarve irá realizar uma sessão de observação do Sol na seguinte data:
Data: 24 de outubro de 2025
Hora: 10:30 - 12:00
Local: Jardim Manuel Bívar, junto à marina
A realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas.
A sessão é gratuita e não sujeita a marcação.
Participe!
Informações: 289 890 920 | info@ccvalg.pt

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EFEMÉRIDES

DIA 21/10: 294.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1959, o presidente norte-americano Dwight D. Eisenhower assina uma ordem executiva transferindo Wernher von Braun e outros cientistas alemães do Exército dos EUA para a NASA.
Em 1965, o cometa Ikeya-Seki aproxima-se do periélio, passando a 450.000 km do Sol.
Em 2003 foram tiradas as imagens do planeta anão Eris que conduziram à sua descoberta subsequente feita pelos astrónomos Michael E. BrownChad Trujillo e David L. Rabinowitz.
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HOJE, NO COSMOS:
Lua Nova, pelas 13:25.
A chuva de meteoros das Oriónidas atinge, esta noite de 21 para 22, o seu pico, que está previsto para as horas que antecedem o amanhecer. Esta chuva relativamente longa fica ativa alguns dias antes e depois do pico. Não haverá Lua. O radiante da chuva situa-se no topo da "moca" de Oríon, nos pés de Gémeos. Pode esperar, em média, 10-20 meteoros por hora.

 

DIA 22/10: 295.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

No ano 2136 AC, primeiros registos de um eclipse solar total, testemunhado por astrónomos chineses. O imperador Zhong Kang supostamente decapita estes dois astrónomos, Hsi e Ho, por falharem em prever o eclipse.
Em 1905, nascia Karl Jansky, físico e engenheiro americano que descobriu ondas de rádio oriundas da Via Láctea. É considerado um dos fundadores da radioastronomia
Em 1966, a União Soviética lança a Luna 12.
Em 1968, a Apollo 7 aterra com sucesso no Oceano Atlântico após orbitar a Terra 163 vezes. 
Em 1975, a sonda soviética Venera 9 aterra em Vénus.
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Em 2008, a Índia lança a sua primeira missão lunar não-tripulada, a Chandrayaan-1.
HOJE, NO COSMOS:
Aproveite a noite para observar telescopicamente alguns enxames globulares: M71, em Seta; M15, no nariz de Pégaso; M2 em Aquário; M30 em Capricórnio.
Ceres, o maior asteroide e o primeiro a ser descoberto, permanece ao alcance de uns binóculos com magnitude 7,7. Está agora perto de Phi1 Ceti.

 

DIA 23/10: 296.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1885, é tirada a primeira fotografia de uma chuva de meteoros
Em 1977, o Meteosat 1 torna-se no primeiro satélite a ser posto em órbita pela Agência Espacial Europeia (ESA).
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Em 2014, a agência espacial chinesa lança a missão não-tripulada Chang'e 5-T1, em preparação para uma missão de recolha de amostras lunares.
HOJE, NO COSMOS:
Procure a brilhante Capella brilhando baixa a nordeste por estas noites. Procure o enxame das Plêiades cerca de três punhos à distância do braço esticado para a direita de Capella. Estes prenúncios dos meses frios sobem mais alto com o passar da noite. E observe Aldebarã a nascer para baixo de M45.
Para a direita de Capella, e para cima e para a esquerda das Plêiades, as estrelas de Perseu situam-se em frente da Via Láctea.

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Sinais de rádio de um buraco negro a destruir uma estrela
 
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Interpretação artística de dois buracos negros massivos numa galáxia. Um evento de perturbação de marés desenrola-se em torno do buraco negro massivo que reside longe do centro galáctico e a matéria de uma estrela perturbada gira num disco de acreção brilhante, lançando um fluxo energético e resultando em duas brilhantes erupções de rádio.
Crédito: NSF/AUI/NRAO da NSF/P.Vosteen
 

Uma equipa internacional de astrónomos descobriu o primeiro evento de perturbação de marés (com a sigla inglesa "TDE", "tidal disruption event") que ocorre fora do centro de uma galáxia, utilizando o VLA (Very Large Array) e o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), juntamente com vários telescópios parceiros. O evento, designado AT2024tvd, revelou os sinais de rádio de evolução mais rápida alguma vez observados neste tipo de catástrofe cósmica.

A descoberta, liderada pelos investigadores principais Itai Sfaradi e Raffaella Margutti da Universidade da Califórnia, Berkeley, e outros, representa um grande avanço na compreensão da forma como buracos negros massivos se podem esconder em locais inesperados do Universo.

"Isto é verdadeiramente extraordinário", disse Sfaradi, autor principal do estudo. "Não só é a primeira vez que observamos uma emissão de rádio tão brilhante de um evento de perturbação de marés que ocorre longe do centro de uma galáxia, mas também está a evoluir mais rapidamente do que qualquer coisa que tenhamos visto antes".

Os eventos de perturbação de marés ocorrem quando uma estrela se aventura demasiado perto de um buraco negro massivo e é despedaçada pelas imensas forças gravitacionais do buraco negro. Embora estes eventos ocorram tipicamente nos centros das galáxias onde residem buracos negros supermassivos, AT2024tvd foi descoberto a cerca de 0,8 kiloparsecs (cerca de 2600 anos-luz) de distância do centro da sua galáxia hospedeira.

A campanha de monitorização rádio da equipa internacional, que incluiu comprimentos de onda do centímetro ao milímetro, revelou características sem precedentes. O evento mostrou duas erupções rádio distintas com escalas de tempo de evolução muito superiores a tudo o que foi observado anteriormente em TDEs. A primeira erupção subiu pelo menos tão rápido quanto t9 (onde t é o tempo desde a descoberta ótica) e declinou como t-6, enquanto a segunda erupção exibiu um aumento inicial de t18 e declínio de t-12.

"A emissão rádio de AT2024tvd evolui tão rapidamente que se destaca mesmo entre os eventos cósmicos mais extremos que conhecemos", explicou a coinvestigadora principal Raffaella Margutti. "Estas observações estão a revelar uma nova física sobre a forma como o material se comporta quando é lançado da vizinhança de buracos negros", acrescentou Kate Alexander, investigadora principal do programa VLA e professora na Universidade do Arizona.

A descoberta utilizou uma extensa rede de radiotelescópios, incluindo o VLA e o ALMA, o AMI-LA (Arcminute Microkelvin Imager Large Array), o ATA (Allen Telescope Array) e o SMA (Submillimeter Array). Esta abordagem multitelescópica permitiu à equipa seguir a evolução do evento através de uma vasta gama de frequências de rádio durante aproximadamente 300 dias.

A investigação sugere que a rápida evolução rádio resulta de pelo menos um - e possivelmente dois - fluxos lançados significativamente após a perturbação estelar inicial. A análise da equipa indica que estes fluxos foram provavelmente lançados 80 e 170 dias após a descoberta ótica, desafiando os modelos tradicionais de como se desenrolam os eventos de perturbação de marés.

"O que torna esta descoberta ainda mais notável é o facto de revelar um buraco negro massivo que, de outra forma, nos seria invisível", disse Raffaella Margutti. "A única razão pela qual podemos detetar este buraco negro errante é porque ele rasgou uma estrela e produziu estes sinais de rádio incrivelmente brilhantes".

A posição não nuclear deste TDE fornece informações cruciais sobre a população de buracos negros massivos que podem estar a vaguear pelas galáxias ou a retrair-se de interações passadas. As teorias atuais sugerem que tais buracos negros podem resultar de interações de buracos negros triplos ou ser remanescentes de fusões de galáxias.

A sofisticada análise da equipa marca também a primeira vez que tanto a absorção livre-livre como o arrefecimento por Compton inverso foram considerados em conjunto na modelação da emissão de rádio de um TDE, fornecendo novas ferramentas para compreender estes eventos extremos.

"Esta descoberta abre possibilidades inteiramente novas para encontrar buracos negros escondidos no Universo", observou Itai Sfaradi. "Com os próximos levantamentos do céu, poderemos descobrir que estes eventos de perturbação de marés não-nucleares são mais comuns do que pensávamos".

A investigação também revelou uma potencial ligação entre o lançamento de fluxos emissores de rádio e alterações na emissão de raios-X do evento, sugerindo uma ligação a processos de acreção em torno do buraco negro.

AT2024tvd foi inicialmente descoberto pelo ZTF (Zwicky Transient Facility) no dia 25 de agosto de 2024, em comprimentos de onda óticos, antes de observações de seguimento revelarem o seu brilho no rádio e a sua natureza não nuclear.

Os resultados foram publicados na revista The Astrophysical Journal Letters.

// NRAO (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal Letters)

 


Quer saber mais?

CCVAlg - Astronomia:
13/05/2025 - O Hubble localiza um enorme buraco negro errante

AT2024tvd:
Transient Name Server

Evento de perturbação de marés:
Wikipedia

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia

Absorção livre-livre:
Wikipedia

Efeito Compton:
Wikipedia

VLA (Karl G. Jansky Very Large Array):
Página principal
NRAO
Wikipedia

ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array):
Página principal
ALMA (NRAO)
ALMA (ESO)
Wikipedia

AMI-LA (Arcminute Microkelvin Imager Large Array):
Universidade de Cambridge
Wikipedia

ATA (Allen Telescope Array):
Instituto SETI
Wikipedia

SMA (Submillimeter Array):
Página principal
Wikipedia

ZTF (Zwicky Transient Facility):
Caltech
ipac
Wikipedia

 
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Descoberta inesperada em Titã desafia a nossa visão da química antes do aparecimento da vida
 
Há muito que os investigadores se interessam pela maior lua de Saturno, Titã, e pelo seu ambiente gelado, que alberga lagos, mares, dunas de areia e uma atmosfera espessa repleta de azoto, metano e uma química complexa à base de carbono. Titã partilha alguns pontos em comum com a evolução inicial do nosso planeta e pode, por isso, dar aos investigadores pistas sobre a origem da vida.
Crédito: NASA/JPL/SSI
 

Investigadores da Universidade Técnica Chalmers, na Suécia, e da NASA fizeram uma descoberta inesperada que desafia uma das regras básicas da química e fornece novos conhecimentos sobre a enigmática lua de Saturno, Titã. No seu ambiente extremamente frio, substâncias normalmente incompatíveis podem misturar-se. Esta descoberta alarga a nossa compreensão da química antes do aparecimento da vida.

Há muito que os cientistas se interessam pela maior lua de Saturno, de cor alaranjada, pois a sua evolução pode ensinar-nos mais sobre o nosso planeta e sobre os primeiros passos químicos em direção à vida. O ambiente frio de Titã, e a sua espessa atmosfera repleta de azoto e metano, tem muitas semelhanças com as condições que se pensa terem existido na jovem Terra há milhares de milhões de anos. Ao estudar Titã, os investigadores esperam encontrar pistas sobre a origem da vida.

Martin Rahm, professor do Departamento de Química e Engenharia Química de Chalmers, trabalha há muito tempo para compreender melhor o que se passa em Titã. Espera agora que a surpreendente descoberta do grupo de investigação, de que certas substâncias polares e apolares se podem combinar, sirva de base a futuros estudos sobre Titã (as substâncias polares são constituídas por moléculas com uma distribuição de carga assimétrica - um lado positivo e um lado negativo, enquanto os materiais apolares têm uma distribuição de carga simétrica. As moléculas polares e apolares raramente se misturam, porque as moléculas polares atraem-se preferencialmente umas às outras através de interações eletrostáticas).

"Estas descobertas são muito interessantes e podem ajudar-nos a compreender algo a uma escala muito grande, uma lua tão grande como o planeta Mercúrio", afirma.

Novos conhecimentos sobre os blocos constituintes da vida em ambientes extremos

O artigo científico dos investigadores, publicado na revista científica PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences), mostra que o metano, o etano e o cianeto de hidrogénio - que existem em grandes quantidades na atmosfera e na superfície de Titã - podem interagir de uma forma que não era anteriormente considerada possível. O facto de o cianeto de hidrogénio, uma molécula excecionalmente polar, poder formar cristais com substâncias completamente apolares, como o metano e o etano, é surpreendente porque essas substâncias normalmente permanecem estritamente separadas, tal como o óleo e a água.

"A descoberta da interação inesperada entre estas substâncias pode afetar a forma como compreendemos a geologia de Titã e as suas estranhas paisagens de lagos, mares e dunas de areia. Além disso, é provável que o cianeto de hidrogénio desempenhe um papel importante na criação abiótica de vários dos blocos constituintes da vida, por exemplo, os aminoácidos, que são utilizados para a construção de proteínas, e as nucleobases, que são necessárias para o código genético. Assim, o nosso trabalho também contribui para a compreensão da química antes do aparecimento da vida e da forma como esta pode ocorrer em ambientes extremos e inóspitos", afirma Martin Rahm, que liderou o estudo.

Uma pergunta em aberto levou a uma colaboração com a NASA

O estudo de Chalmers tem como pano de fundo uma pergunta em aberto acerca de Titã: o que acontece ao cianeto de hidrogénio depois de ser criado na atmosfera de Titã? Há metros de cianeto depositados na superfície ou este interagiu ou reagiu de alguma forma com o meio envolvente? Para procurar a resposta, um grupo do JPL da NASA, na Califórnia, começou a realizar experiências em que misturou cianeto de hidrogénio com metano e etano a temperaturas tão baixas como 90 K (cerca de -180º C). A estas temperaturas, o cianeto de hidrogénio é um cristal e o metano e o etano são líquidos.

Quando estudaram estas misturas utilizando espetroscopia laser, um método para examinar materiais e moléculas ao nível atómico, descobriram que as moléculas estavam intactas, mas que algo tinha acontecido. Para perceberem o que se passava, contactaram o grupo de investigação de Martin Rahm, em Chalmers, que tinha realizado uma extensa investigação sobre o cianeto de hidrogénio.

"Este facto levou a uma colaboração teórica e experimental empolgante entre Chalmers e a NASA. A pergunta que nos colocámos era um bocado extravagante: será que as medições podem ser explicadas por uma estrutura cristalina em que o metano ou o etano estão misturados com cianeto de hidrogénio? Isto contradiz uma regra da química, 'semelhante dissolve semelhante', que basicamente significa que não deveria ser possível combinar estas substâncias polares e apolares", afirma Martin Rahm.

Alargando as fronteiras da química

Os investigadores de Chalmers utilizaram simulações computacionais em grande escala para testar milhares de formas diferentes de organizar as moléculas no estado sólido, em busca de respostas. Na sua análise, descobriram que os hidrocarbonetos tinham penetrado na estrutura cristalina do cianeto de hidrogénio e formado novas estruturas estáveis, conhecidas como cocristais.

"Isto pode acontecer a temperaturas muito baixas, como as de Titã. Os nossos cálculos previram não só que as misturas inesperadas são estáveis nas condições de Titã, mas também espetros de luz que coincidem bem com as medições da NASA", afirma.

A descoberta desafia uma das regras mais conhecidas da química, mas Martin Rahm não acha que seja altura de reescrever os livros de química.

"Vejo isto como um bom exemplo de quando as fronteiras são movidas na química e uma regra universalmente aceite nem sempre se aplica", diz.

Em 2034, a sonda espacial Dragonfly da NASA deverá chegar a Titã, com o objetivo de investigar o que existe na sua superfície. Até lá, Martin Rahm e os seus colegas planeiam continuar a explorar a química do cianeto de hidrogénio, em parte em colaboração com a NASA.

"O cianeto de hidrogénio encontra-se em muitos locais do Universo, por exemplo, em grandes nuvens de poeira, nas atmosferas planetárias e nos cometas. Os resultados do nosso estudo podem ajudar-nos a compreender o que acontece noutros ambientes frios do espaço. E talvez possamos descobrir se outras moléculas apolares podem também entrar nos cristais de cianeto de hidrogénio e, em caso afirmativo, o que isso pode significar para a química que precede o aparecimento da vida", conclui.

// Universidade Técnica Chalmers (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (PNAS)

 


Quer saber mais?

Polaridade química:
Wikipedia

Titã:
NASA
Solarviews
Wikipedia

Dragonfly:
NASA
JHUAPL
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Brilho misterioso na Via Láctea pode ser uma evidência de matéria escura
 
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A Via Láctea por cima dos telescópios de Roque de los Muchachos em La Palma, Ilhas Canárias.
Crédito: Ralf Geithe/Getty Images
 

Investigadores identificaram o que poderá ser uma pista convincente na caça em curso para provar a existência da matéria escura.

Um misterioso brilho difuso de raios gama perto do centro da Via Láctea tem deixado os investigadores perplexos durante décadas, enquanto tentam discernir se a luz provém de partículas de matéria escura em colisão ou de estrelas de neutrões em rápida rotação.

Acontece que ambas as teorias são igualmente prováveis, de acordo com uma nova investigação publicada na revista Physical Review Letters.

Se o excesso de raios gama não for proveniente de estrelas moribundas, pode tornar-se a primeira prova de que a matéria escura existe.

"A matéria escura domina o Universo e mantém as galáxias unidas. É extremamente importante e estamos sempre a pensar desesperadamente em ideias para a detetar", disse o coautor Joseph Silk, professor de física e astronomia na Universidade Johns Hopkins e investigador no Instituto de Astrofísica da Universidade de Sorbonne e no CNRS (Centre national de la recherche scientifique). "Os raios gama, e especificamente o excesso de luz que estamos a observar no centro da nossa Galáxia, podem ser a nossa primeira pista".

Silk e uma equipa internacional de investigadores, liderada por Moorits Muru, do Instituto Leibniz de Astrofísica de Potsdam, utilizaram supercomputadores para criar mapas da localização da matéria escura na Via Láctea, tendo em conta, pela primeira vez, a história da formação da Galáxia.

Atualmente, a Via Láctea é um sistema relativamente fechado, sem materiais a entrar ou a sair dela. Mas nem sempre foi assim. Durante os primeiros mil milhões de anos, muitos sistemas semelhantes a galáxias mais pequenas, feitos de matéria escura e outros materiais, entraram e tornaram-se os blocos de construção da jovem Via Láctea. À medida que as partículas de matéria escura gravitavam em direção ao centro da Galáxia e se agrupavam, o número de colisões de matéria escura aumentava.

Quando os investigadores consideraram colisões mais realistas, os mapas simulados corresponderam aos mapas de raios gama reais obtidos pelo Telescópio Espacial de Raios Gama Fermi.

Estes mapas concordantes completam uma tríade de evidências que sugerem que o excesso de raios gama no centro da Via Láctea pode ter origem na matéria escura. Os raios gama provenientes de colisões de partículas de matéria escura produziriam o mesmo sinal e teriam as mesmas propriedades que os observados no mundo real, disseram os investigadores - embora não seja uma prova definitiva.

A luz emitida por estrelas de neutrões velhas e revigoradas que giram rapidamente - os chamados pulsares de milissegundo - também poderia explicar o mapa de raios gama existente, as medições e a assinatura do sinal. Mas os investigadores disseram que esta teoria dos pulsares de milissegundo é imperfeita. Para que esses cálculos funcionem, os investigadores têm de assumir que existem mais pulsares de milissegundo do que os que observaram.

As respostas poderão vir com a construção de um novo e enorme telescópio de raios gama chamado CTAO (Cherenkov Telescope Array Observatory). Os investigadores pensam que os dados do telescópio de maior resolução, que tem a capacidade de medir sinais de alta energia, ajudarão os astrofísicos a quebrar o paradoxo.

A equipa de investigação está a planear uma nova experiência para testar se estes raios gama da Via Láctea têm energias mais elevadas, o que significa que são pulsares de milissegundo, ou se são o produto de energias mais baixas de colisões de matéria escura.

"Um sinal limpo seria uma arma fumegante, na minha opinião", disse Silk.

Entretanto, os investigadores vão trabalhar em previsões sobre onde deverão encontrar matéria escura em várias galáxias anãs selecionadas que rodeiam a Via Láctea. Quando tiverem mapeado as suas previsões, podem compará-las com os dados de alta resolução.

"É possível que vejamos os novos dados e confirmemos uma teoria em detrimento da outra", disse Silk. "Ou talvez não encontremos nada e, nesse caso, será um mistério ainda maior para resolver".

// Universidade Johns Hopkins (comunicado de imprensa)
// Instituto Leibniz de Astrofísica de Potsdam (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Physical Review Letters)
// Artigo científico (arXiv)

 


Quer saber mais?

Matéria escura:
Wikipedia

Via Láctea:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia
SEDS

Estrelas de neutrões:
Wikipedia
Universidade de Maryland

Pulsares:
Wikipedia
Pulsares de milissegundo (Wikipedia)
Catálogo ATNF de Pulsares

Telescópio Espacial Fermi:
NASA
Wikipedia

CTAO (Cherenkov Telescope Array Observatory):
Página principal
Wikipedia

 
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Álbum de fotografias
Ida e Dactyl

exemplo
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASAJPLMissão Galileo
 
Este asteroide tem uma lua. A nave espacial Galileo, que explorou o sistema joviano em 1993, encontrou e fotografou dois asteroides durante a sua longa viagem interplanetária. Descobriu-se que o segundo planeta menor que fotografou, 243 Ida, tem uma lua. A pequena lua, chamada Dactyl, tem apenas cerca de 1,6 quilómetros de diâmetro e é vista como um pequeno ponto à direita na imagem. Em contraste, Ida é muito maior, medindo cerca de 60 km de comprimento e 25 km de largura. De facto, Dactyl é a primeira lua de um asteroide alguma vez descoberta. Mas agora sabe-se que muitos asteroides têm luas. Os nomes dos planetas menores Ida e Dactyl foram inspirados pela mitologia grega.
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