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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 459
De 18/10 a 21/10/2008
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  ATRIBUIÇÃO DE BOLSA DE GESTÃO EM CIÊNCIA E TECNOLOGIA
   

A Sociedade Portuguesa de Astronomia abre concurso para recrutamento de um bolseiro de gestão em ciência e tecnologia (BGCT) para a gestão, organização e implementação de projectos na área de comunicação e educação em Astronomia no âmbito da organização Portuguesa do Ano Internacional da Astronomia, um iniciativa da União Astronómica Internacional com o apoio da Organização das Nações Unidas. Sem prejuizo de deslocações que venham a ser necessárias no âmbito das tarefas acima descritas, os bolseiros terão como instituição de acolhimento o Museu de Ciência da Universidade de Coimbra.

DADOS SOBRE AS BOLSAS. A bolsa, com início previsto a 10 de Novembro de 2008, rege-se pelo Regulamento de Bolsas de Formação Avançada e Qualificação de Recursos Humanos da FCT (http://alfa.fct.mctes.pt/apoios/bolsas/regulamento.phtml.pt).

PERFIL DO CANDIDATO. Licenciatura em Astronomia & Astrofísica, bem como em áreas científicas afins. Dá-se preferência a candidatos com experiência profissional em gestão de ciência e tecnologia ou gestão e dinamização de projectos em comunicação e educação em Astronomia.

ORIENTAÇÃO CIENTÍFICA. A orientação científica do trabalho a desenvolver está a cargo dos Profs. Drs. João Fernandes (Single Point of Contact IAU; U. Coimbra) e Miguel Avillez (Presidente da Sociedade Portuguesa de Astronomia; U. de Évora).

PRAZO DO CONCURSO E CANDIDATURA. A candidatura deve incluir os seguintes documentos: Carta de motivação, CV detalhado, certificado de habilitações e duas cartas de recomendação. O Concurso encontra-se aberto de 13 a 24 de Outubro de 2008, pelo que as candidaturas deverão ser enviadas por e-mail para jmfernan@mat.uc.pt e por correio para

Sociedade Portuguesa de Astronomia/AIA2009
Prof. Dr. João Fernandes
Departamento de Matemática, Universidade de Coimbra
Largo D. Dinis
3000 Coimbra

 
  ESA APROXIMA-SE DA VERDADEIRA ORIGEM DA MAIOR LUA DE MARTE
   

Cientistas espaciais europeus estão mais perto de desvendar a origem da maior lua de Marte, Phobos. Graças a uma série de encontros com a sonda Mars Express da ESA, a lua parece ser quase de certeza um 'amontoado de entulho', ao invés de um único objecto sólido. No entanto, ainda permanecem alguns mistérios sobre a origem deste entulho.

A lua de Marte, Phobos.
Crédito: ESA/DLR/FU Berlin (G. Neukum)
(clique na imagem para ver versão maior)

Ao contrário da Terra, com a sua única grande lua, Marte é o anfitrião de duas pequenas luas. A maior é Phobos, um bocado irregular de rocha espacial com apenas 27 km x 22 km x 19 km.

Durante o Verão, a Mars Express fez uma série de voos rasante por Phobos. Capturou imagens em quase todas estas aproximações com a câmara HRSC (High Resolution Stereo Camera). Uma equipa liderada por Gerhard Neukum, da Universidade de Berlim, também envolvendo cientistas do Centro Aeroespacial Alemão (DLR), está agora usando estes e outros dados recolhidos anteriormente para construir um modelo tridimensional mais exacto de Phobos, para que o seu volume seja determinado com mais precisão.

Modelo 3D de Phobos, com texturas baseadas em imagens reais.
Crédito: ESA/DLR (K. Willner)/FU Berlin (G. Neukum)
(clique na imagem para ver animação em formato MPEG)

Além do mais, durante um dos mais próximos "fly-bys", o instrumento MaRS (Mars Express Radio Science), conduzido pela equipa liderada por Martin Pätzold, do Rheinisches Institut fuer Umweltforschung da Universidade de Cologne, estudou cuidadosamente os sinais de rádio da sonda. A equipa registou as mudanças em frequência provocadas pela gravidade de Phobos sobre a Mars Express. Estes dados estão a ser usados por Tom Andert, da Universität der Bundeswehr Muenchen e Pascal Rosenblatt, do Observatório Real da Bélgica, ambos membros da equipa do MaRS, para calcular a massa precisa da lua marciana.

Órbita da Mars Express desviada por Phobos.
Crédito: Equipa do MaRS/Observatório Real da Bélgica
(clique na imagem para ver animação em formato WMV)

Ao juntar os dados da massa e do volume, as equipas serão capazes de calcular a densidade. Eventualmente, esta será uma nova e importante pista de como a lua se formou.

Anteriormente, estudos de rádio da missão soviética Phobos 88 e de sondas em órbita de Marte ao longo de décadas passadas tinham já providenciado uma massa exacta. "Podemos hoje ser dez vezes mais precisos nas nossas medições," diz Rosenblatt. A actual massa estimada da equipa para Phobos é 1,072x10^16 kg.

Espectacular aproximação de Phobos.
Crédito: ESA/DLR/FU Berlim (G. Neukum)
(clique na imagem para ver versão maior)

Os cálculos preliminares da densidade sugerem que é de apenas 1,85 gramas por centímetro cúbico. Este número é menor que a densidade das rochas à superfície de Marte, que está entre os 2,7 e os 3,3 gramas por centímetro cúbico, mas muito semelhante à de alguns asteróides.

A classe particular de asteróides que partilham a densidade de Phobos é conhecida como classe-D. Acredita-se que sejam corpos altamente fracturados que contêm cavernas gigantes porque não são sólidos. Pelo contrário, são uma concentração de bocados, mantidos juntos pela gravidade. Os cientistas chamam-lhes de amontoados de entulho.

Foto-mosaico de Phobos em super-resolução.
Crédito: ESA/DLR (S. Semm, M. Wählisch, K. Willner)/FU Berlim (G. Neukum)
(clique na imagem para ver versão maior)

Mais, dados espectroscópicos da Mars Express e de sondas mais antigas mostram que Phobos tem uma composição semelhante a esses asteróides. Isto sugere que Phobos, e provavelmente o seu irmão mais pequeno Deimos, são asteróides capturados. No entanto, uma observação permanece difícil de explicar neste cenário.

Normalmente, os asteróides capturados são injectados em órbitas aleatórias em torno do planeta que os enrolam gravitacionalmente, mas Phobos orbita por cima do equador de Marte - um caso muito específico. Os cientistas não compreendem ainda como é que isto aconteceu.

Primeira imagem a cores de Phobos, pelo HRSC.
Crédito: ESA/DLR/FU Berlim (G. Neukum)

Noutro cenário, Phobos pode ter sido constituído por rochas marcianas que foram expelidas para o espaço durante um impacto de um grande meteorito. Esses bocados não caíram completamente, criando assim o amontoado de entulho.

Por isso a questão mantém-se, de onde é que veio o material original - da superfície de Marte ou da cintura de asteróides? O radar MARSIS a bordo da Mars Express também recolheu dados históricos sobre a subsuperfície de Phobos. Estes dados, em conjunto com aqueles da superfície e da vizinhança da lua, recolhidos por outros instrumentos da sonda, irão também ajudar a restringir a sua origem. É claro que toda a verdade será apenas conhecida quando amostras forem trazidas para a Terra para análise em laboratórios.

Esta excitante possibilidade pode em breve tornar-se realidade porque os russos tentarão alcançar este feito com a sua missão Phobos-Grunt, com lançamento previsto para o próximo ano. Para aterrar em Phobos, precisarão de conhecimentos precisos da massa, medida pelo instrumento MaRS, de modo a navegar correctamente, e também estão a fazer uso das imagens da HRSC para seleccionar o local de aterragem.

Zoom do HRSC nos possíveis locais de aterragem da missão Phobos-Grunt.
Crédito: ESA/DLR/FU Berlim (G. Neukum)
(clique na imagem para ver versão maior)

Links:

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
SPACE.com
PHYSORG.com

Mars Express:
Página oficial da ESA
Wikipedia

Phobos:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
 
 
EFEMÉRIDES:

Dia 18/10: 292.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1959, a sonda soviética Luna 3 envia as primeiras fotos do outro lado da Lua.
Em 1967, a sonda soviética Venera 4 entra na atmosfera de Vénus.

Em 1989, a sonda Galileu era lançada a partir da missão STS-34.
Observações: Nesta altura do ano, ao anoitecer, irá encontrar Arcturo brilhando baixa a Oeste-Noroeste - à mesma altura por cima do horizonte que Capela a Nordeste. Arcturo está a pôr-se, Capela a nascer. Quão detalhadamente consegue registar a hora a que estão à mesma altura?

Dia 19/10: 293.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1900, Max Planck entrega uma nova teoria quântica a Berliner Physikalische Gesellschaft.

A sua teoria revoluciona a ciência.
Em 1983, a Academia Real Sueca atribui o prémio Nobel da Física ao professor Subrahmanyan Chandrasekhar da Universidade de Chicago, EUA, pelos seus estudos teóricos dos processos físicos da estrutura e evolução das estrelas. O Professor William A. Fowler, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, por outro lado, recebe também o prémio pelos seus estudos teóricos e experimentais das reacções nucleares da importância da formação dos elementos químicos no Universo.
Observações: Alguma vez observou h e chi Persei? Com os nomes de catálogo de NGC 869 e NGC 884 respectivamente, são dois pequenos enxames abertos da constelação de Perseu, que se encontram perto um do outro e que podem ser observados através com binóculos num céu escuro. Este mapa da constelação de Perseu pode ajudar a descobrir a posição do enxame duplo.

Dia 20/10: 294.º dia do calendário gregoriano.
Observações: Bem alta no céu a Nordeste durante estas noites está a famosa constelação de Cassiopeia. A sua forma de W está actualmente inclinada. Igualmente bem alto no céu a Este encontra-se o bem maior Quadrado de Pégaso, um dos outros sinais de Outono.

Dia 21/10: 295.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 2003 foram tiradas as imagens do planeta Eris que conduziram à sua descoberta subsequente feita pelos astrónomos Michael E. Brown, Chad Trujillo, e David L. Rabinowitz.

Observações: Lua em Quarto Minguante, pelas 12:56.

 
 
CURIOSIDADES:

O Telescópio Espacial Hubble, está em bom estado após a NASA ter ultrapassado com sucesso um problema (que forçou o adiamento da missão de serviço para Fevereiro de 2009) e ressuscitado uma peça sobresselente com 18 anos. O telescópio está novamente em modo automático, reacendendo as ligações entre os seus instrumentos e o computador.
 
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS:

Foto

Orionte através de uma máquina fotográfica
Crédito: John Gauvreau

Orionte, o Caçador, é uma das mais facilmente reconhecidas constelações do céu nocturno do planeta Terra. Mas as estrelas e nebulosas de Orionte não parecem tão coloridas para o olho humano como nesta bonita fotografia, tirada no princípio do mês passado. Nesta exposição única, a fria gigante vermelha Betelgeuse, a estrela mais brilhante à esquerda, tem um tom amarelado. Por outro lado, as quentes estrelas azuis de Orionte estão em grande número, com a supergigante Rigel contrastando com Betelgeuse no canto superior direito, Bellatrix no canto superior esquerdo, e Saiph, no canto inferior direito. Alinhadas na cintura de Orionte (baixo para cima) estão Alnitak, Alnilam e Mintaka, todas a cerca de 1500 anos-luz de distância, nascidas nas bem estudadas nuvens interestelares da constelação. E se a "estrela" do meio da espada de Orionte lhe parece avermelhada e difusa, é porque é mesmo. É o berçário estelar conhecido como a Grande Nebulosa de Orionte.
Ver imagem em alta-resolução

 
 
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