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Edição n.º 860
01/06 a 04/06/2012
 
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EFEMÉRIDES

Dia 01/06: 153.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1633 nascia Geminiano Montanari, astrónomo italiano, fabricante de lentes e proponente da abordagem experimental na Ciência.

É mais conhecido pela sua observação, por volta de 1667, que a segunda estrela mais brilhante de Perseu, Algol, variava em brilho.
Observações: Com o Verão a menos de um mês, o grande Triângulo de Verão começa a aparecer a Este. A sua estrela mais alta e mais brilhante, Vega, é fácil de observar. Procure mais para baixo e para a esquerda de Vega, a cerca de dois ou três punhos à distância de um braço esticado, Deneb, a estrela mais brilhante dessa área. Para baixo e para a direita de Vega está Altair, a última das três estrelas do Triângulo de Verão a nascer (por volta das 22 horas).

Dia 02/06: 154.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1966, a Surveyor 1 torna-se na primeira sonda a aterrar com sucesso noutro mundo, a Lua
Em 1983, era lançada a Venera 15, uma missão dupla (em conjunto com a Venera 16) com o objectivo de estudar e mapear a superfície de Vénus.

Em 2003, a sonda Mars Express,carregando o "lander" britânico, Beagle 2, é lançada num foguetão russo Soyuz-Fregat, a partir de Baikonur (Cazaquistão) às 17:45 GMT.
Observações: A Lua brilha a Sul-Sudeste após o anoitecer. Procure bem para baixo e para a sua esquerda em busca da alaranjada Antares. Quase a meio da distância entre Antares e a Lua está a linha de três estrelas que marcam a cabeça de Escorpião.

Dia 03/06: 155.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1965 era lançada a Gemini 4, a primeira missão espacial tripulada com uma duração de vários dias.

Neste mesmo dia Edward White andou no exterior de uma nave espacial pela primeira vez num passeio que durou 21 minutos.
Observações: Perto da meia-noite, já a constelação de Hércules está alta o suficiente para permitir uma boa observação telescópica do seu famoso enxame globular, M13.

Dia 04/06: 156.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 781 a.C. era registado pela primeira vez um eclipse solar total na China. 

Em 1769, um trânsito de Vénus é seguido cinco horas depois de um eclipse solar total, o intervalo de tempo mais curto para tais eventos na História.
Em 1996, o primeiro lançamento do Ariane 5, que explode após 20 segundos de voo. Transportava o satélie Cluster.
Em 2010, voo inaugural do Falcon 9, o foguetão da companhia SpaceX, lançado a partir de do Complexo de Lançamento Espacial 40, em Cabo Canaveral.
Observações: Lua Cheia, pelas 12:12.

 
CURIOSIDADES


Existem linhas de caminho de ferro suficientes para ir à Lua e voltar várias vezes.

 
HUBBLE MOSTRA QUE VIA LÁCTEA ESTÁ DESTINADA A COLIDIR DE FRENTE COM ANDRÓMEDA
Esta ilustração mostra um estágio na fusão prevista entre a Via Láctea e a vizinha Galáxia de Andrómeda, que irá acontecer daqui a alguns milhares de milhões de anos.Nesta imagem, representando o céu nocturno da Terra daqui a 3,75 mil milhões de anos, Andrómeda (esquerda) ocupa o campo de visão e começa a distorcer a Via Láctea.
Crédito: NASA, ESA, Z. Levay e R. van der Marel, STScI, T. Hallas e A. Mellinger
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Astrónomos da NASA anunciaram ontem que já conseguem prever com certeza o próximo grande evento cósmico afectar a nossa Galáxia, o Sol e o Sistema Solar: a colisão titânica da nossa Via Láctea com a vizinha Galáxia de Andrómeda.

A Via Láctea está destinada a sofrer uma grande mudança durante o encontro, que se prevê acontecer daqui a 4 mil milhões de anos. É provável que o Sol seja atirado para uma nova região da nossa Galáxia, mas a Terra e o Sistema Solar não estão em perigo de serem destruídos.

"Os nossos achados são estatisticamente consistentes com uma colisão frontal entre a Galáxia de Andrómeda e a nossa Via Láctea," afirma Roeland van der Marel com STScI (Space Telescope Science Institute) em Baltimore, Maryland, EUA.

Chegaram a esta conclusão através de meticulosas medições, com o Telescópio Espacial Hubble, do movimento de Andrómeda, que é também conhecida como M31. A galáxia está a 2,5 milhões de anos-luz de distância, mas está a cair inexoravelmente na direcção da Via Láctea devido à atracção mútua da gravidade entre as duas galáxias e à matéria escura invisível que as rodeia.

"Após quase um século de especulação acerca do futuro de Andrómeda e da Via Láctea, temos finalmente uma imagem clara de como os eventos irão decorrer ao longo dos próximos milhares de milhões de anos," afirma Sangmo Tony Sohn do STScI.

As simulações computacionais derivadas dos dados do Hubble mostram que demorará uns 2 mil milhões de anos adicionais após o encontro até que as galáxias em interacção se fundam completamente sobre a força da gravidade e formem uma única galáxia elíptica, semelhante às que vemos no Universo local.

Embora as galáxias se misturem uma na outra, as estrelas dentro de cada uma estão tão distantes que não colidem com outras estrelas durante o encontro. No entanto, as estrelas serão atiradas para órbitas diferentes em torno do novo centro galáctico. As simulações mostram que o nosso Sistema Solar será provavelmente expelido para muito mais longe do núcleo galáctico do que está na actualidade.

Para tornar o caso ainda mais complicado, a pequena companheira de M31, a galáxia do Triângulo, ou M33, irá juntar-se à colisão e talvez mais tarde fundir-se com o par M31/Via Láctea. Existe uma pequena hipótese de M33 colidir primeiro com a Via Láctea.

Esta ilustração mostra o percurso de colisão da nossa Via Láctea com a Galáxia de Andrómeda. As galáxias movem-se na direcção uma da outra devido à força da gravidade. Uma outra galáxia mais pequena, M33 ou galáxia do Triângulo, poderá fazer parte da fusão.
Crédito: NASA, ESA, A. Feild e R. van der Marel, STScI
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O Universo está a expandir-se e a acelerar, e as colisões entre galáxias próximas ainda acontecem porque estão ligadas pela gravidade da matéria escura que as rodeia. O incrível olho do Telescópio Hubble mostra que estes encontros entre galáxias eram mais comuns no passado, quando o Universo era mais pequeno.

Há um século atrás, os astrónomos não sabiam que M31 era uma galáxia separada, bem para lá das estrelas da Via Láctea. Edwin Hubble mediu a sua vasta distância ao descobrir uma estrela variável que serviu como "marcador".

Hubble mais tarde veio a descobrir um Universo em expansão onde as galáxias afastam-se de nós, mas sabe-se há muito que M31 move-se na direcção da Via Láctea a mais de 400.000 quilómetros por hora. Esta velocidade é suficiente para viajar da Terra à Lua em menos de uma hora. A medição foi feita usando o efeito Doppler, que é uma mudança na frequência e no comprimento de ondas produzidas por uma fonte em movimento relativamente a um observador, para medir como a luz estelar na galáxia foi comprimida pelo movimento de Andrómeda na nossa direcção.

Anteriormente, não se sabia se este encontro futuro iria falhar, apenas raspar ou acertar em cheio na Via Láctea. Isto depende do movimento tangencial de M31. Até agora, os astrónomos não tinham sido capazes de medir o movimento lateral de M31 no céu, apesar de várias tentativas que remontam há mais de um século. A equipa do Hubble, liderada por van der Marel, levou a cabo observações extraordinariamente precisas do movimento lateral de M31, que removem quaisquer dúvidas de que está destinada a colidir e a fundir-se com a Via Láctea.

"Chegámos a esta conclusão ao observar repetidamente regiões da galáxia durante períodos entre cinco a sete anos," afirma Jay Anderson do STScI.

"Na simulação do pior dos cenários, M31 choca com a Via Láctea frontalmente e as estrelas são todas espalhadas para órbitas diferentes," afirma Gurtina Besla da Universidade de Columbia em Nova Iorque. "As populações estelares de ambas as galáxias são empurradas, e a Via Láctea perde a sua forma achatada tipo panqueca com a maioria das estrelas em órbitas quase circulares. Os núcleos das galáxias fundem-se e as estrelas ajustam-se em órbitas aleatórias para criar uma galáxia elíptica."

Esta série de ilustrações mostra a fusão prevista entre a nossa Via Láctea e a vizinha Galáxia de Andrómeda.

  • Primeira linha, esquerda: actualidade;
  • Primeira linha, direita: daqui a 2 mil milhões de anos o disco de Andrómeda é consideravelmente maior.
  • Segunda linha, esquerda: daqui a 3,75 mil milhões de anos Andrómeda preenche todo o campo de visão.
  • Segunda linha, direita: daqui a 3,85 mil milhões de anos o céu está repleto de novas regiões de formação estelar.
  • Terceira linha, esquerda: daqui a 3,9 mil milhões de anos, a formação estelar continua.
  • Terceira linha, direita: daqui a 4 mil milhões de anos Andrómeda é esticada devido às forças de marés e a Via Láctea torna-se distorcida.
  • Quarta linha, esquerda: daqui a 5,1 mil milhões de anos os núcleos da Via Láctea e de Andrómeda aparecem como um par de lóbulos brilhantes.
  • Quarta linha, direita: daqui a 7 mil milhões de anos as galáxias fundidas formam uma grande galáxia elítptica, com o seu brilhante núcleo dominando o céu nocturno.

Crédito: NASA, ESA, Z. Levay e R. van der Marel, STScI, T. Hallas e A. Mellinger
(clique na imagem para ver versão maior)

 

As missões de serviço pelos vaivéns espaciais actualizaram o Hubble com câmaras cada vez mais poderosas, o que proporcionou aos astrónomos uma base de tempo longa o suficiente para fazer as medições críticas necessárias para desvendar o movimento de M31. As observações do Hubble e as consequências da fusão estão detalhadas em três artigos científicos que vão aparecer numa edição futura da revista Astrophysical Journal.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Videocast - Spacetelescope.org
Hubblesite
Nature
SPACE.com
Universe Today
PHYSORG
Discovery News
BBC News
UPI.com
Spaceref
AFP

Via Láctea:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
SEDS

Galáxia de Andrómeda (M31):
SEDS
Wikipedia

Galáxia do Triângulo (M33):
SEDS
Wikipedia

Matéria escura:
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - "Star Trails" na Anta da Masmorra
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Ricardo Bentes
 
Fixe a sua máquina fotográfica a um tripé e conseguirá registar os graciosos traços desenhados pelas estrelas à medida que o planeta Terra gira sobre o seu eixo. Esta Nikon D90 em particular foi montada junto à Anta da Masmorra, um monumento megalítico que data do 3.º milénio AC e que está situado na Freguesia de Cachopo, Concelho de Tavira, Portugal. Obtida ao longo de 50 minutos na noite de 25 de Maio pelo astrofotógrafo Ricardo Bentes, a imagem é na realidade uma composição de 100 fotografias consecutivas com duração individual de 30 segundos, apontadas na direcção Norte. O pólo celeste Norte, no meio dos arcos estelares, está para a direita do centro na imagem. A antiga câmara mortuária dolménica toma lugar de destaque no pano da frente, que pode ser vista como as pedras montadas na vertical em baixo e à esquerda. Rodeando o pólo celeste Norte, os arcos das estrelas têm distorção em barril devido à lente com grande angular usada. Embora o local seja muito pouco iluminado, é facilmente visível perto do horizonte a poluição luminosa das localidades em volta, uma situação demasiado familiar para os observadores urbanos do céu.
 

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