Problemas ao ver este email? Consulte a versão web.

Edição n.º 872
13/07 a 16/07/2012
 
Siga-nos:      
 
 
 
EFEMÉRIDES

Dia 13/07: 195.º dia do calendário gregoriano.
Observações:  A Via Láctea encontra-se já alta no início da noite, o que significa que chegou a altura de observar muitas nebulosas e enxames, especialmente nas constelações de Escorpião e Sagitário.

Dia 14/07: 196.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1965 era realizado o primeiro voo rasante de Marte, pela sonda Mariner 4.
Em 2000, o Observatório Chandra observa raios-X do oxigénio e azoto do Cometa C/1999 S4.

Isto mostra que os raios-X emitidos de cometas são produzidos por colisões de iões que se movimentam na direcção oposta à do Sol (vento solar), em conjunto com o gás do cometa.
Em 2000, uma poderosa proeminência solar, mais tarde denominada evento Dia da Bastilha, provoca uma tempestade geomagnética na Terra.
Observações: Durante a madrugada e até ao amanhecer de Sábado, a Lua está a Este, para cima e para a direita de Júpiter, bem como para a direita das Plêaides. Para baixo de Júpiter encontra-se o planeta Vénus.

Dia 15/07: 197.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1943 nascia Jocelyn Bell, astrofísica britânica que descobriu os primeiros pulsares de rádio.
Em 1975 eram lançadas as missões Apollo 18 e Soyuz 19 que viriam a efectuar o primeiro acoplamento internacional (Apollo/Soyuz) no Espaço.

Observações: Durante a madrugada e até ao amanhecer de Domingo, a Lua está dramaticamente perto de Júpiter (0,5º) e Vénus. É uma boa oportunidade fotográfica!
Saturno na sua quadratura Este, pelas 04:55.

Dia 16/07: 198.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1969, a Apollo 11 era lançada do cabo Kennedy.

Pousou na superfície lunar em 20 de Julho de 1969, num local chamado "Sea of Tranquility" (Mar da Tranquilidade). Neil Armstrong (comandante do voo) e Edwin E. "Buzz" Aldrin (piloto do Módulo Lunar, chamado nesta missão de Eagle - Águia em inglês) tornaram-se os primeiros homens a caminhar no solo lunar. Michael Collins (piloto do Módulo de Comando, chamado nesta missão de Columbia) permaneceu em órbita no Módulo de Comando.
Em 1994, o cometa Shoemaker-Levy 9 colide com Júpiter. Os impactos continuam até dia 22 de Julho.
Observações:  Com o Verão já a um terço do caminho, a Ursa Maior desce a Noroeste após o anoitecer, como que a ir "buscar água" ao horizonte para a transbordar nas noites da Primavera.

 
CURIOSIDADES


O colapso de uma nuvem molecular que dá origem a uma estrela é muito rápido comparado com o seu tempo de vida. Para uma estrela como Sol, que durará cerca de 10 mil milhões de anos, o colapso dura entre 10.000 anos e 1.000.000 de anos.

 
HUBBLE DESCOBRE QUINTA LUA EM TORNO DE PLUTÃO
Esta imagem, obtida pelo Telescópio Hubble, mostra cinco luas em órbita do distante e gelado planeta anão Plutão. O círculo verde marca a lua recém-descoberta, designada P5, fotografada pelo instrumento WFC3 do Hubble a 7 de Julho. As observações vão ajudar os cientistas no planeamento do voo de Julho de 2015 da sonda New Horizons por Plutão. P4 foi descoberto em imagens do Hubble em 2011.
Crédito: NASA, ESA, M. Showalter, Instituto SETI
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Uma equipa de astrónomos usando o Telescópio Espacial Hubble anunciou a descoberta de outra lua em órbita do planeta anão gelado, Plutão.

Estima-se que a lua tenha uma forma irregular e entre 10 a 25 km de diâmetro. Encontra-se num órbita circular com um diâmetro de 95.000 km em torno de Plutão, que se assume ser co-planar com os outros satélites do sistema (partilha o mesmo plano).

"As luas formam uma série de órbitas perfeitamente aninhadas, um pouco como bonecas russas," afirma Mark Showalter, membro da equipa que fez a descoberta, e também do Instituto SETI em Mountain View, no estado americano da Califórnia.

A descoberta aumenta o número de luas conhecidas em órbita de Plutão para cinco.

A equipa de Plutão está curiosa como um planeta tão pequeno pode ter uma colecção complexa de satélites. A nova descoberta providencia novas pistas para a formação e evolução do sistema de Plutão. A teoria mais provável é que todas as luas são relíquias de uma colisão entre Plutão e outro grande objecto da cintura de Kuiper, que ocorreu há milhares de milhões de anos atrás.

A nova detecção vai ajudar os cientistas a navegar a sonda New Horizons da NASA pelo sistema plutoniano em 2015, quando fizer um voo rasante histórico e há muito esperado pelo mundo distante.

A equipa está a usar o poderoso olho do Hubble para varrer o sistema de Plutão em busca de potenciais perigos para a sonda New Horizons. A passar pelo planeta anão a uma velocidade de 14,3 km/s, a New Horizons pode ser destruída numa colisão até mesmo com um bocado de detrito orbital do tamanho de um pequeno chumbo.

"A descoberta de tantas luas pequenas diz-nos indirectamente que devem existir muitas partículas pequenas escondidas no sistema de Plutão," afirma Harold Weaver do Laboratório de Física Aplicada da Universidade John Hopkins em Laurel, Maryland, EUA.

As órbitas das cinco luas conhecidas de Plutão. A sonda New Horizons vai passar a 10.000 km de Plutão em Julho de 2015.
Crédito: NASA/ESA/ A. Feild (STScI)
 

"O inventário que estamos a fazer do sistema plutoniano com o Hubble vai ajudar a equipa da New Horizons a desenhar uma trajectória mais segura para a sonda," acrescenta Alan Stern do Instituto de Pesquisa do Sudoeste em Boulder, Colorado, o investigador principal da missão.

A maior lua de Plutão, Caronte, foi descoberta em 1978 graças a observações feitas no Observatório Naval dos Estados Unidos em Washington, D.C. Observações do Hubble em 2006 descobriram duas luas adicionais, Nix e Hydra. Em 2011, outra lua, P4, foi descoberta em dados do Hubble.

Provisionalmente designado S/2012 (134340) 1, ou P5, o satélite mais recente foi detectado em nove conjuntos separados de imagens obtidas pelo instrumento WFC3 do Hubble (Wide Field Camera 3) a 26, 27, 29 de Junho, e a 7 e 9 de Julho.

A equipa aproveitou a oposição de Plutão a 29 de Junho, quando o pequeno mundo estava a "apenas" 31,25 UA de distância. "P5 está a um segundo de arco de Plutão e é 100.000 vezes mais ténue. Cada vez me surpreendo mais com o que o Hubble consegue fazer com observações bem afinadas", exclama Showalter. Mesmo com o poderoso olho do Hubble, P5 aparece como nada mais do que um pequeníssimo ponto. A sua magnitude é de apenas 27.

Nos anos que se seguem após a passagem rasante da New Horizons por Plutão, os astrónomos planeiam usar a visão infravermelha do sucessor planeado do Hubble, o Telescópio Espacial James Webb da NASA, para levar a cabo observações subsequentes. O telescópio James Webb será capaz de medir a química superficial de Plutão, das suas luas, e de muitos outros corpos situados na distante cintura de Kuiper juntamente com Plutão.

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
01/11/2005 - Duas novas luas descobertas em torno de Plutão
23/06/2006 - Novas luas de Plutão chamadas Hidra e Nix
22/07/2011 - Hubble descobre outra lua em torno de Plutão

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Hubble (comunicado de imprensa)
Hubblesite (comunicado de imprensa)
Sky & Telescope
SPACE.com
Universe Today
Science 2.0
COSMOS
Wired
ScienceNews
PHYSORG
Scientific American
BBC News
National Geographic
UPI.com
io9
Discovery News
sapo tek
Rádio Renascença
dnoticias.pt
TSF
astroPT

Sistema de Plutão:
Wikipedia
Caronte (Wikipedia)
Nix (Wikipedia)
Hydra (Wikipedia)
S/2011 P1 (ou P4) (Wikipedia)
S/2012 P1 (ou P5) (Wikipedia)

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Wikipedia

New Horizons:
Página oficial
Wikipedia

 
ENCONTRADAS PELA PRIMEIRA VEZ GALÁXIAS ESCURAS NO UNIVERSO PRIMORDIAL

Foram encontradas pela primeira vez galáxias escuras - uma fase inicial da formação de galáxias prevista pela teoria mas que até agora nunca tinha sido observada. Estes objectos são essencialmente galáxias ricas em gás mas sem estrelas. Utilizando o Very Large Telescope do ESO, uma equipa internacional detectou estes objectos evasivos ao observá-los a brilhar devido a estarem a ser iluminados por um quasar.

As galáxias escuras são galáxias pequenas ricas em gás do Universo primordial, muito pouco eficazes na formação de estrelas. São previstas pelas teorias de formação galáctica e pensa-se que sejam os blocos constituintes das actuais galáxias brilhantes ricas em estrelas. Os astrónomos pensam que estes objectos devem ter alimentado as galáxias maiores com o gás que posteriormente deu origem às estrelas que existem actualmente.

Uma vez que são essencialmente desprovidas de estrelas, estas galáxias escuras não emitem muita radiação, o que as torna muito difíceis de detectar. Durante anos, os astrónomos tentaram desenvolver novas técnicas para confirmar a existência destas galáxias. Pequenos decréscimos em absorção nos espectros de fontes luminosas de fundo apontavam para a sua existência. No entanto, este novo estudo marca a primeira vez que estes objectos foram vistos directamente.

Esta imagem profunda mostra a região do céu em torno do quasar HE 0109-3518. O quasar está marcado com um círculo vermelho próximo do centro da imagem. A radiação energética do quasar faz com que as galáxias escuras brilhem, ajudando assim os astrónomos a compreender as fases iniciais da formação de galáxias. As imagens ténues do brilho de 12 galáxias escuras estão marcadas com círculos azuis. As galáxias escuras são essencialmente desprovidas de estrelas e por isso não emitem radiação que possa ser detectada pelos telescópios. Este aspecto torna-as virtualmente impossíveis de observar, a menos que sejam iluminadas por uma fonte exterior de luz como, por exemplo, um quasar. Esta imagem combina observações obtidas com o Very Large Telescope, preparado para detectar as emissões fluorescentes produzidas pelo facto do quasar iluminar as galáxias escuras, com dados de cor do Digitized Sky Survey 2.
Crédito: ESO, Digitized Sky Survey 2 e S. Cantalupo (UCSC)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"A nossa aproximação ao problema de detectar uma galáxia escura foi simplesmente a de a iluminar com uma luz brilhante," explica Simon Lilly (ETH Zurich, Suíça), co-autor do artigo científico que descreve o resultado. "Procurámos o brilho fluorescente do gás em galáxias escuras quando estas são iluminadas pela radiação ultravioleta de um quasar próximo muito brilhante. A radiação do quasar ilumina as galáxias escuras num processo semelhante ao das lâmpadas ultravioletas que iluminam as roupas brancas numa discoteca."

A equipa tirou partido da grande área colectora e sensibilidade do VLT (Very Large Telescope) e duma série de exposições muito longas, para detectar o brilho fluorescente extremamente ténue das galáxias escuras. A equipa utilizou o instrumento FORS2 para mapear a região do céu em torno do quasar brilhante HE 0109-3518, à procura da radiação ultravioleta emitida pelo hidrogénio gasoso quando sujeito a radiação intensa. Devido à expansão do Universo, esta radiação é, na realidade, observada com uma tonalidade de violeta quando chega ao VLT.

"Depois de vários anos de tentativas para detectar a emissão fluorescente das galáxias escuras, os nossos resultados demonstram o potencial deste método para descobrir e estudar estes fascinantes objectos previamente invisíveis," afirma Sebastiano Cantalupo (Universidade da Califórnia, Santa Cruz), autor principal do estudo.

A equipa detectou quase 100 objectos gasosos que se situam num raio de alguns milhões de anos-luz do quasar. Depois de uma análise detalhada com o intuito de excluir objectos nos quais a emissão possa estar a vir de formação estelar interna nas galáxias, em vez da radiação do quasar, o número de objectos chegou a 12. São as identificações mais convincentes até à data de galáxias escuras no Universo primordial.

Esta imagem mostra 12 imagens de pormenor de galáxias escuras. Estes objectos são essencialmente desprovidos de estrelas e seriam por isso normalmente invisíveis aos telescópios. No entanto, o seu gás está a ser iluminado pela intensa radiação que vem de um quasar próximo, tornando-os assim visíveis ao VLT.
Crédito: ESO, Digitized Sky Survey 2 e S. Cantalupo (UCSC)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os astrónomos conseguiram determinar também algumas das propriedades das galáxias escuras. Estimam que a massa do gás nestes objectos seja de cerca de um milhar de milhão de vezes a do Sol, típica de galáxias de pequena massa ricas em gás, existentes no Universo primordial. A equipa conseguiu também estimar que a eficiência da formação estelar é suprimida de um factor maior que 100 relativamente a galáxias típicas com formação estelar encontradas em fases semelhantes na história cósmica.

"As nossas observações com o VLT mostram evidências da existência de nuvens escuras compactas e isoladas. Com este estudo demos um importante passo em frente no sentido de revelar e compreender as fases iniciais da formação de galáxias e de como as galáxias adquirem o seu gás", conclui Sebastiano Cantalupo.

O espectrógrafo de campo integral MUSE, que chegará ao VLT em 2013, será uma ferramenta extremamente poderosa no estudo destes objectos.

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Artigo científico (formato PDF)
Universe Today
PHYSORG
National Geographic
ars technica

Galáxias escuras:
Wikipedia

Quasares:
Wikipedia

VLT:
Página oficial
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Uma Linha Madrugadora de Estrelas e Planetas
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Yuri Beletsky (Observatório Las CampanasInstituto Carnegie para a Ciência)
 
Quem se levanta cedo desde a semana passada que tem logo antes do amanhecer um espectáculo astronómico, especialmente quando as estrelas brilhantes e planetas pareciam alinhar. Na imagem acima, facilmente visível da esquerda para a direita, estão as Plêiades, Júpiter, Vénus e a estrela Aldebarã, todos vistos à frente de um céu estrelado. Foi obtida no deserto de Atacama na América do Sul. O brilho do Sol já pode ser visto por cima do horizonte a Este. Júpiter e Vénus vão continuar a deslumbrar os madrugadores do planeta Terra até ao fim do mês - embora o alinhamento dos planetas já não ocorra, os astros ainda estão próximos uns dos outros.
 

Arquivo | Feed RSS | CCVAlg.pt | CCVAlg - Facebook | CCVAlg - Twitter | Remover da lista

Os conteúdos das hiperligações encontram-se na sua esmagadora maioria em Inglês. Para o boletim chegar sempre à sua caixa de correio, adicione listmaster@ccvalg.pt à sua lista de contactos. Este boletim tem apenas um carácter informativo. Por favor, não responda a este email. Contém propriedades HTML - para vê-lo na sua devida forma, certifique-se que o seu cliente suporta este tipo de mensagem, ou utilize software próprio, como o Outlook, o Windows Live Mail ou o Thunderbird.

Recebeu esta mensagem por estar inscrito na newsletter do Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve. Se não a deseja receber ou se a recebe em duplicado, faça a devida alteração clicando aqui ou contactando-nos.

Esta mensagem do Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve destina-se unicamente a informar e não pode ser considerada SPAM, porque tem incluído contacto e instruções para a remoção da nossa lista de email (art. 22.º do Decreto-lei n.º 7/2004, de 7 de Janeiro).

2012 - Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve.