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Edição n.º 882
17/08 a 20/08/2012
 
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EFEMÉRIDES

Dia 17/08: 230.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1958, é lançada a Pioneer 0, a primeira tentativa dos EUA de órbita lunar, usando os primeiros foguetões Thor-Able. A missão falha. No entanto, é notável por ser uma das primeiras a ir para lá da Terra.
Em 1966 era lançada a sonda Pioneer 7.
Em 1970 a sonda soviética Venera 7 é lançada a partir do cosmódromo Baikonur. Chega a Vénus em 15 de Dezembro de 1970. É a primeira nave a enviar dados para a Terra a partir de outro planeta. A Venera 7 teve também uma sonda gémea, lançada a 22 de Agosto, mas que permaneceu em órbita da Terra.
Em 1980, depois de 1400 órbitas em torno de Marte, a sonda Viking 1 foi desligada. Lançada a 25 de Agosto de 1975, a missão Viking revelou, na altura, as melhores imagens do planeta. Uma das suas fotografias mais famosas é a "Cara em Marte". 
Em 1999 passava pela Terra (1166 km) a sonda Cassini sobre o lado Este do Pacífico Sul.

Este é um de 4 voos rasantes planetários (Vénus, Vénus, Terra e Júpiter), para uma assistência gravitacional em ordem à sonda chegar a Saturno em 2004. Este voo rasante deu à Cassini um aumento de velocidade de 20,000 quilómetros por hora. As vozes contra a Cassini e o seu plutónio respiraram de alívio.
Observações: Lua Nova, pelas 16:54.
Arcturo é a estrela mais brilhante a Oeste ao lusco-fusco. Para a sua direita a Noroeste está a Ursa Maior. Fique atento a esta constelação ao longo da noite pois vai descendo para baixo na direcção do horizonte.

Dia 18/08: 231.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1868, Pierre Janssen em conjunto com Norman Lockyer observam pela primeira vez hélio no espectro do Sol.
Em 1877 a lua de Marte, Phobos, é observada pela primeira vez por Asaph Hall no Observatório Naval dos EUA.
Em 1985 era lançado o Suisei, a segunda missão japonesa a estudar o cometa Halley.

Detectou água cometária, monóxido de carbono e iões de dióxido de carbono.
Observações: Nestas poucas semanas que restam do Verão, o Grande Quadrado de Pégaso já se encontra a subir a Este após o anoitecer. Está apoiado num canto.

Dia 19/08: 232.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1960, os cães espaciais russos Belka ("Squirrel") e Strelka ("Little Arrow") começaram a orbitar a Terra a bordo do satélite Korabl-Sputnik-2.

Iam também na missão 40 ratos brancos, 2 ratazanas e diversas qualidades de plantas. No dia seguinte todos foram recuperados em perfeitas condições.
Observações: Aproveite a noite para observar Júpiter e os seus satélites. Às 02:30 da manhã são já visíveis, baixos a Este.

Dia 20/08: 233.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1633, Galileu Galilei é julgado diante a Congregação da Doutrina da Fé por ensinar que a Terra orbita o Sol.

Em 1975, a NASA lança a sonda Viking 1 para Marte.
Em 1977, a nasa lança a sonda Voyager 2
Em 1999, o Telescópio Espacial de Raios-X Chandra, lançado a 23 de Julho de 1999, revela características ainda não observadas nos restos de três explosões de supernovas. 
Observações: Aproveite a noite para observar Albireu. Consegue discernir as diferentes cores das estrelas?

 
CURIOSIDADES


A missão do Curiosity tem tido muita atenção pelo público em geral. Aqui fica um vídeo satírico que brinca com a aterragem e os controladores da NASA.

 
O INCRÍVEL ENXAME DA FÉNIX

Astrónomos descobriram um enxame galáctico extraordinário, um dos maiores objectos do Universo, que quebra vários importantes recordes cósmicos. As observações do Enxame da Fénix com o Observatório de raios-X Chandra da NASA, com o Telescópio do Pólo Sul da NSF (National Science Foundation) e outros observatórios podem forçar os astrónomos a repensar como é que estas estruturas colossais e as galáxias que aí habitam evoluem.

As estrelas formam-se no Enxame da Fénix ao maior ritmo já observado para um enxame galáctico de tamanho médio. O objecto é também, de todos os enxames conhecidos, o maior produtor de raios-X e está entre os mais massivos. Os dados também sugerem que a taxa de gás quente que arrefece nas regiões centrais do enxame é a maior já observada.

O Enxame da Fénix está localizado a cerca de 5,7 mil milhões de anos-luz da Terra. Não tem apenas o nome da constelação onde se encontra, mas também devido às suas incríveis propriedades.

O extraordinário enxame galáctico, conhecido oficialmente como SPT-CLJ2344-4243. A imagem à direita é uma impressão de artista.
Crédito: Chandra, NASA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Enquanto as galáxias no centro da maioria dos enxames ficam dormentes durantes milhares de milhões de anos, a galáxia central no enxame parece voltar à vida com uma explosão de formação estelar," afirma Michael McDonald, do MIT (Massachusetts Institute of Technology) e o autor principal do estudo que aparece na edição de ontem da revista Nature. "A mitologia da Fénix, uma ave que nasce das cinzas, é uma excelente maneira de descrever este objecto reactivado."

Tal como os outros enxames galácticos, a Fénix contém um vasto reservatório de gás quente, que só por si contém mais matéria normal -- não matéria escura -- que todas as galáxias do enxame combinadas. Este reservatório pode ser detectado apenas com telescópios em raios-X como o Chandra. O conhecimento actual tem sido que este gás quente devia arrefecer com o passar do tempo e "afundar-se" na galáxia no centro do enxame, formando grandes números de estrelas. No entanto, a maioria dos enxames galácticos formou muito poucas estrelas durante os últimos milhares de milhões de anos. Os astrónomos pensam que o buraco negro supermassivo na galáxia central de um enxame fornece energia ao sistema, prevenindo que o arrefecimento do gás provoque uma explosão de formação estelar.

O famoso enxame de Perseu é um exemplo de buraco negro que fornece energia e impede que o gás arrefeça para formar estelas a uma velocidade elevada. As explosões repetidas sob a forma de poderosos jactos do buraco negro no centro de Perseu criaram cavidades gigantes e produziram ondas sonoras num Si bemol incrivelmente grave, 57 oitavas abaixo do Dó médio, o que, por sua vez, mantém o gás quente.

O Enxame da Phoenix.
Crédito: NASA, Chandra
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Nós pensamos que estes sons muito graves podem ser descobertos em qualquer dos enxames galácticos," afirma Ryan Foley, co-autor do estudo, do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica em Cambridge, Massachusetts. "O Enxame da Fénix mostra-nos que não é este o caso -- ou pelo menos existem alturas em que a música essencialmente pára. Os jactos do buraco negro gigante no centro do enxame não são aparentemente poderosos o suficiente para impedir o arrefecimento do gás do enxame."

Com o seu buraco negro não produzindo jactos poderosos o suficiente, o centro do Enxame da Fénix está repleto de estrelas que se formam cerca de 20 vezes mais depressa que no Enxame de Perseu. Esta taxa é a mais alta já vista no centro de um enxame de galáxias mas não é a mais alta do Universo conhecido. No entanto, outras áreas com as taxas mais altas de formação estelar, localizadas fora de enxames, têm taxas apenas duas vezes maiores.

O ritmo frenético de formação estelar e arrefecimento gasoso no Enxame da Fénix faz com que a galáxia e o buraco negro ganhem massa muito depressa -- uma fase importante que os investigadores estimem seja relativamente curta.

"A galáxia e o seu buraco negro crescem a um ritmo insustentável," afirma Bradford Benson, co-autor do artigo, da Universidade de Chicago. "Esta explosão de formação estelar não pode durar mais do que 100 milhões de anos. Caso contrário, a galáxia e o buraco negro tornar-se-iam muito maiores que os seus homólogos no Universo vizinho."

Notavelmente, o Enxame da Phoenix e a sua galáxia central e buraco negro supermassivo estão já entre os objectos mais massivos conhecidos do seu género. Graças ao seu tamanho tremendo, os enxames galácticos são objectos cruciais para o estudo da evolução cosmológica e galáctica, por isso a descoberta destas propriedades extremas como no Enxame da Phoenix são importantes.

"Esta espectacular formação estelar é uma descoberta muito importante porque sugere que temos que repensar como as galáxias massivas no centro dos enxames crescem," afirma Martin Rees da Universidade de Cambridge, especialista de renome em cosmologia que não esteve envolvido no estudo. "O arrefecimento do gás quente pode ser uma fonte muito mais importante de estrelas do que se pensava anteriormente."

O Enxame de Fénix foi originalmente detectado com o Telescópio do Pólo Sul da NSF, e foi mais tarde observado no visível com o Observatório Gemini, com o telescópio Blanco de 4 metros e o telescópio Magalhães, todos no Chile. O gás quente e o seu ritmo de arrefecimento foram estimados com dados do Chandra. Para medir a taxa de formação estelar no Enxame da Fénix, foram usados vários telescópios espaciais, incluindo o WISE (Wide-field Infrared Survey Explorer) da NASA e GALEX (Galaxy Evolution Explorer) e Herschel da ESA.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Chandra (comunicado de imprensa)
MIT (comunicado de imprensa)
Nature (requer subcrição)
Entrevista com Michael McDonald (Chandra)
Entrevista com Rashid Sunyaev (Chandra)
Science
Animação (formato Quicktime)
Sky & Telescope
SPACE.com
New Scientist
National Geographic
PHYSORG
Reuters
Forbes
BBC News
UPI.com
EurekAlert!

Enxames galácticos:
Wikipedia

Buracos negros supermassivos:
Wikipedia
O que é um buraco negro (Hubblesite)

Telescópio do Pólo Sul:
Página principal
Wikipedia

WISE:
Wikipedia
NEOWISE (NASA)
U. Berkeley

GALEX:
Página principal
Wikipedia

Observatório Espacial Herschel:
ESA (ciência e tecnologia)
ESA (centro científico)
ESA (página de operações)
NASA
Caltech
Wikipedia

Observatório Chandra:
Página oficial (Harvard)
Página oficial (NASA)
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - NGC 6888: A Nebulosa Crescente
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: J-P Metsävainio (Astro Anarchy)
 
NGC 6888, também conhecida como Nebulosa Crescente, é uma bolha cósmica com cerca de 25 anos-luz de diâmetro, soprada por ventos da sua brilhante e massiva estrela central. Este retrato colorido da nebulosa usa dados de imagens de banda-estreita combinados graças ao Hubble. Mostra a emissão dos átomos de enxofre, hidrogénio e oxigénio na nebulosa em tons de vermelho, verde e azul, respectivamente. A estrela central de NGC 6888 está classificada como uma estrela Wolf-Rayet (WR 136). A estrela está a libertar o seu invólucro exterior num forte vento estelar, ejectando o equivalente à massa do Sol a cada 10.000 anos. As complexas estruturas da nebulosa são provavelmente o resultado deste vento forte interagindo com o material expelido numa fase anterior. Queimando combustível a um ritmo extraordinário e perto do fim da sua vida, esta estrela deverá morrer numa espectacular explosão de supernova. Situada na constelação rica em nebulosas, Cisne, NGC 6888 encontra-se a aproximadamente 5000 anos-luz da Terra.
 

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