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Edição n.º 1167
15/05 a 18/05/2015
 
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15/05/15 - OBSERVAÇÃO NOTURNA
21:00 – 23:00 - Observação noturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável)
Local: Hotel Vila Galé Albacora - Tavira

22/05/15 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
20:30 – 22:30 - Apresentação sobre tema de astronomia, seguida de observação astronómica noturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável).
Público: Público em geral
Local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens/ estudantes/ reformados (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: consultar este link
Telefone: 289 890 922
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 15/05: 135.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1618, Johannes Kepler confirma a sua descoberta, previamente rejeitada, da terceira lei do movimento planetário (descobriu-a primeiro a 8 de março mas rejeitou a ideia após ter feito alguns cálculos iniciais).
Em 1836, Francis Baily, um explorador e corretor de bolsa Britânico virado para a Astronomia aos 50 anos, observa na Escócia um eclipse total do Sol, no qual explica o fenómeno que ocorre no princípio e no fim da totalidade, agora conhecido como Contas de Baily. Baily ajudou a fundar a Real Sociedade de Astronomia em Londres, reviu catálogos estelares e estudou meteorologia. Morreu a 30 de agosto de 1844.
Em 1857, nascia Williamina Fleming, astrónoma escocesa que ajudou a desenvolver uma designação comum para as estrelas e catalogou milhares de estrelas e outros fenómenos astronómicos.

É especialmente famosa pela sua descoberta da Nebulosa Cabeça de Cavalo em 1888. 
Em 1859, nascia Pierre Curie, físico francês, pioneiro na cristalografia, magnetismopiezoelectricidade e radioatividade. Em 1903, recebeu o Prémio Nobel da Física, juntamente com a sua mulher (Marie Curie) e Henri Becquerel.
Em 1958, lançamento do Sputnik 3.
Em 1960, a União Soviética lança o Sputnik 4
Em 1963, lançamento da última missão do programa Mercury, o Mercury-Atlas 9 com o astronauta L. Gordon Cooper a bordo. Torna-se no primeiro americano a ficar mais de um dia no espaço.
Observações: Vénus encontra-se no ponto médio entre Procyon e Capella (25º para a esquerda e 25º para a direita).

Dia 16/05: 136.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1925, nascia Nancy Roman, astrónoma americana. Ao longo da sua carreira, foi oradora pública, educadora e defensora das mulheres nas ciências. É tida como a "mãe" do Telescópio Hubble.
Em 1969, a sonda soviética, Venera 5, aterra em Vénus.
Em 1992, o vaivém espacial Endeavour aterra em segurança após o seu voo inaugural
Em 1997, a STS-84 atraca com a MIR para a sexta missão STS-MIR.

É o 122.º dia de Jerry Linenger como membro da tripulação da MIR.
No mesmo ano, imagens de todo o mundo do Cometa Halle-Bopp são colocadas online.
Em 2011, a STS-134 (sequência ULF6 da construção da ISS) é lançada a partir do Centro Espacial Kennedy, o 25.º e último voo do vaivém Endeavour.
Observações: Arcturo brilha alto a sudeste por estas noites. Vega brilha muito mais abaixo a nordeste. A um-terço do caminho de Arcturo até Vega procure a ténue constelação de Coroa Boreal, que tem apenas uma estrela modestamente brilhante, Alphecca ou Gemma. A dois-terços de Arcturo até Vega encontra-se a constelação de Hércules. Continue o mesmo caminho passando por Vega e chega a Cisne.

Dia 17/05: 137.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1836 nascia J. Norman Lockyer, descobridor do elemento hélio em 1868. J. N. L. fazia estudos espectrais do Sol quando atribuíu linhas desconhecidas de absorção ao novo elemento, só "descoberto" na Terra em 1891. 

Sir Lockyer também é conhecido como o Pai da Arqueoastronomia. Foi um dos primeiros a propôr cientificamente que Stonehenge era um observatório astronómico e que as pirâmides do Egipto e as grandes catedrais Cristãs medievais foram construídas ao longo de orientações astronómicas importantes.
Em 1882 foi descoberto um cometa em fotografias da coroa solar tiradas durante um eclipse total; o cometa nunca mais foi visto. Provavelmente era um "suicida", em rota de colisão com o Sol.
Em 1969, a soviética Venera 6começa a sua descida pela atmosfera de Vénus, enviando dados atmosféricos antes de ser destruída pela pressão.
Observações: Trânsito de Europa, entre as 22:37 e as 01:35 (já de dia 18).
O Triângulo de Verão está totalmente visível a este-nordeste pouco tempo depois das 23 horas. A sua estrela de topo é Vega, a estrela mais brilhante do céu a Este. A cerca de dois punhos à distância de um braço esticado para baixo e para a esquerda, está Deneb. Para baixo e para a direita de Vega está Altair. Se tem acesso a um céu escuro, conseguirá ver que a Via Láctea passa entre as três estrelas.

Dia 18/05: 138.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1048, nascia Omar Khayyám, astrónomo, matemático, filósofo e poeta persa. Foi um dos grandes astrónomos da época medieval, que contribuiu muito para a reforma do calendário e que por vezes é tido como proponente da teoria heliocêntrica.
Em 1711, nascia Ruder Josip Boscovic, físico, astrónomo, matemático, filósofo, diplomata, poeta, teólogo e padre jesuita, da república de Ragusa (atualmente Croácia). Produziu um percursor da teoria atómica e fez muitas contribuições para a astronomia, incluindo o primeiro procedimento geométrico para a determinação do equador de um planeta em rotação e da computação da órbita de um planeta. Em 1753, descobriu a ausência de atmosfera na Lua
Em 1910, a Terra passa pela cauda do cometa Halley.
Em 1969 era lançada a Apollo 10, a quarta missão tripulada do programa Apollo, que foi a segunda a orbitar a Lua.

A Apollo 10 detém o recorde da maior velocidade já atingida por um veículo tripulado: 39.896 km/h. Este foi atingido durante o regresso da Lua a 26 de Maio de 1969.
Em 2005, uma segunda foto do Hubble confirmava que Plutão tinha mais duas luas: Nix e Hydra. Atualmente, conhecem-se cinco no total.
Observações: Trânsito da sombra de Europa, entre as 01:09 e as 04:06.
Lua Nova, pelas 05:13.

 
CURIOSIDADES


O Telescópio Espacial Kepler começou a procurar planetas para lá do nosso Sistema Solar há já seis anos (desde 12 de maio de 2009). Aqui ficam algumas curiosidades sobre o observatório.

 
O LADO NEGRO DOS ENXAMES ESTELARES

Observações obtidas com o VLT (Very Large Telescope) do ESO, no Chile, deram a conhecer uma nova classe de enxames estelares globulares "escuros" situados em torno da galáxia gigante Centaurus A. Estes objetos misteriosos parecem-se com enxames normais, mas contêm muito mais massa e podem albergar quantidades inesperadas de matéria escura ou então conter buracos negros massivos. Nenhuma destas hipóteses era algo que se esperasse nem se percebe o seu porquê.

Os enxames estelares globulares são enormes bolas de milhares de estrelas que orbitam a maioria das galáxias. Tratam-se dos sistemas estelares mais velhos do Universo, tendo sobrevivido durante a maior parte do tempo do crescimento e evolução das galáxias.

Matt Taylor, estudante de doutoramento na Pontificia Universidad Catolica de Chile, Santiago, Chile, e bolseiro do ESO, é o autor principal deste novo estudo. Matt explica: "Os enxames estelares e as suas estrelas constituintes são a chave para compreender a formação e evolução das galáxias. Durante décadas, os astrónomos pensaram que as estrelas que constituíam um determinado enxame globular tinham todas a mesma idade e composição química - mas agora sabemos que estes objetos são bem mais estranhos e complexos."

A galáxia Centaurus A, também chamada NGC 5128, é a galáxia gigante e elíptica mais próxima da Via Láctea e pensa-se que albergue cerca de 2000 enxames globulares. Muitos destes enxames são mais brilhantes e mais massivos do que os cerca de 150 que orbitam a Via Láctea.

Esta enorme galáxia elíptica, NGC 5128 (também conhecida por Centaurus A), é a galáxia deste tipo mais próxima da Terra, situada a cerca de 12 milhões de anos-luz de distância. Observações obtidas com o VLT do ESO, no Chile, descobriram uma nova classe de enxames estelares globulares "escuros" em torno desta galáxia. Estes objetos encontram-se assinalados a vermelhos. Os enxames normais estão assinalados a azul e os enxames globulares que apresentam propriedades semelhantes às das galáxias anãs estão a verde. Os enxames escuros são muito parecidos aos outros enxames da galáxia, no entanto contêm muito mais massa.
Crédito: ESO/Digitized Sky Survey; Reconhecimento: Davide de Martin
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Matt Taylor e a sua equipa levaram a cabo o estudo mais detalhado feito até à data de uma amostra de 125 enxames globulares que se situam em torno de Centaurus A, com o auxílio do instrumento FLAMES montado no VLT do ESO, no Observatório do Paranal, no norte do Chile.

A equipa usou estas observações para deduzir a massa dos enxames e comparar este resultado com o quão brilhante cada um deles é.

Para a maioria dos enxames do novo rastreio, os mais brilhantes apresentam maior massa da maneira esperada - se um enxame contém mais estrelas tem um brilho total maior e mais massa total. Mas para alguns dos enxames globulares observou-se algo inesperado: eram muitas vezes mais massivos do que pareciam. E mais estranho ainda, quanto mais massivos eram estes enxames invulgares, maior a fração de material escuro. Algo nestes enxames era escuro, escondido e massivo. Mas o quê?

Existem várias possibilidades. Talvez os enxames escuros contenham buracos negros ou outro tipo de restos estelares escuros nos seus núcleos. Este é um fenómeno que pode explicar alguma da massa escondida, mas a equipa concluiu que tem que haver algo mais. E matéria escura? Os enxames globulares são normalmente considerados praticamente desprovidos desta substância misteriosa mas, talvez devido a alguma razão desconhecida, alguns enxames tenham retido uma quantidade significativa de nodos de matéria escura no seu interior. Este aspecto poderá explicar as observações, no entanto não se enquadra nas teorias convencionais.

Esta enorme galáxia elíptica, NGC 5128 (também conhecida por Centaurus A), é a galáxia deste tipo mais próxima da Terra, situada a cerca de 12 milhões de anos-luz de distância. Observações obtidas com o VLT do ESO, no Chile, descobriram uma nova classe de enxames estelares globulares "escuros" em torno desta galáxia. Créditos: ESO, ESA/Hubble, NASA. Digitized Sky Survey; Reconhecimento: Davide de Martin
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Thomas Puzia, coautor do trabalho, acrescenta: "A nossa descoberta de enxames estelares com massas invulgarmente elevadas para o número de estrelas que contêm sugere a existência de várias famílias de enxames globulares, com diferentes histórias de formação. Aparentemente alguns enxames estelares parecem ser bastante vulgares, mas na realidade podem ter muito mais, literalmente, do que o que efetivamente observamos."

Estes objetos permanecem um mistério. A equipa está também a trabalhar num rastreio maior de outros enxames globulares noutras galáxias e existem algumas pistas intrigantes de que tais enxames escuros se encontram também noutros lugares.

Matt Taylor sumariza a situação: "Encontrámos uma nova e misteriosa classe de enxames estelares! Isto mostra o quanto ainda temos a aprender sobre todos os aspetos da formação de enxames globulares. Trata-se de um resultado importante e o próximo passo consiste em descobrir mais exemplos destes enxames escuros em torno de outras galáxias."

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Artigo científico
Astronomy
SPACE.com
PHYSORG
UPI
AstroPT

Centaurus A:
SEDS
Wikipedia

Galáxias elípticas:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
SEDS
Wikipedia

VLT:
Página oficial
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
EXPERIÊNCIAS REVELAM QUE MATERIAL ESCURO E MISTERIOSO DE EUROPA PODE SER SAL MARINHO
A experiência de laboratório "Europa numa lata" imita condições de temperatura, quase vácuo e alta radiação à superfície da lua gelada de Júpiter.
Crédito. NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Experiências laboratoriais da NASA sugerem que o material escuro que reveste algumas características geológicas da lua de Júpiter, Europa, é provavelmente sal do oceano subterrâneo, descolorido por exposição à radiação. A presença de sal marinho à superfície de Europa sugere que o oceano está a interagir com o seu fundo do mar rochoso - algo importante a ter em conta quando determinando se a lua gelada pode suportar vida.

O estudo foi aceite para publicação na revista Geophysical Research Letters e está disponível online.

"Nós temos muitas perguntas sobre Europa, a mais importante e mais difícil de responder é: será que tem vida? Investigações como esta são importantes porque concentram-se em questões que podemos responder definitivamente, como por exemplo saber se Europa é ou não habitável," afirma Curt Niebur, cientista do Programa Outer Planets na sede da NASA em Washington. "Assim que tenhamos essas respostas, podemos enfrentar a grande questão da existência de vida no oceano por baixo da concha gelada de Europa."

Ampliação de grãos de sal descoloridos por radiação após exposição à experiência de laboratório "Europa numa lata" no JPL.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Durante mais de uma década, os cientistas procuraram saber mais sobre a natureza do material escuro que reveste fraturas longas e lineares e outras características geológicas relativamente jovens na superfície de Europa. A sua associação com terrenos jovens sugere que o material entrou em erupção a partir do interior de Europa, mas com poucos dados disponíveis, a composição química do material tem permanecido difícil de determinar.

"Se é apenas sal do oceano subsuperficial, isso seria uma solução simples e elegante para o material escuro e misterioso," afirma o investigador principal Kevin Hand, cientista planetário do JPL da NASA em Pasadena, no estado americano da Califórnia.

Uma certeza é que Europa é banhada por radiação criada pelo poderoso campo magnético de Júpiter. Os eletrões e iões batem na superfície da lua com a intensidade de um acelerador de partículas. As teorias propostas para explicar a natureza do material escuro incluem esta radiação como parte provável do processo.

Depois de dezenas de horas de exposição a condições parecidas com as de Europa, as amostras de cloreto de sódio tornaram-se amarelo-acastanhadas. A cor é espectralmente parecida com a das características escuras em Europa fotografadas pela sonda Galileu da NASA.
Crédito: NAASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Estudos anteriores usando dados do satélite Galileu da NASA e vários telescópios atribuíram as descolorações na superfície de Europa a compostos que contêm enxofre e magnésio. Embora o enxofre processado por radiação possa explicar algumas das cores de Europa, as novas experiências revelam que os sais irradiados podem explicar a cor dentro das regiões mais jovens da superfície da lua.

Para identificar o material escuro, Hand e o coautor Robert Carlson, também do JPL, criaram uma área simulada da superfície de Europa num teste de laboratório para testar as substâncias candidatas. Para cada material, recolheram os espectros - que são como impressões digitais químicas - codificados na luz refletida pelos compostos.

"Nós chamamos a este teste 'Europa numa lata'," comenta Hand. "A configuração do laboratório imita as condições da superfície de Europa em termos de temperatura, pressão e exposição à radiação. O espectro destes materiais pode então ser comparado com aqueles recolhidos pelas sondas espaciais e pelos telescópios."

Uma amostra de sal, "cozido" até tons acastanhados por radiação, depois de exposição a condições parecidas com as de Europa.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Para esta investigação em particular, os cientistas testaram amostras comuns de sal - cloreto de sódio - juntamente com misturas de sal e água, na sua câmara de vácuo à temperatura gelada de -173º C da superfície de Europa. Bombardearam, então, as amostras salgadas com um feixe de eletrões para simular a intensa radiação à superfície da lua.

Após algumas dezenas de horas de exposição a este ambiente hostil, que corresponde a quase um século em Europa, as amostras de sal, inicialmente brancas como o sal de mesa, tornaram-se amarelo-acastanhadas, semelhantes às características na lua gelada. Os investigadores descobriram que a cor destas amostras, como o seu espectro, mostrava uma forte semelhança com a cor dentro de fraturas em Europa fotografadas pela missão Galileu da NASA.

"Este trabalho diz-nos que a assinatura química do cloreto de sódio 'cozido' pela radiação coincide de modo convincente com os dados recolhidos de Europa," afirma Hand.

Adicionalmente, quanto mais tempo as amostras foram expostas à radiação, mais escuras ficaram. Hand pensa que os cientistas podem usar este tipo de variação de cor para ajudar a determinar as idades das características geológicas ejetadas de quaisquer plumas que possam existir em Europa.

Observações telescópicas anteriores mostraram pistas reveladoras das características espectrais vistas pelos cientistas nos seus sais irradiados. Mas nenhum telescópio terrestre ou no espaço pode observar Europa com poder de resolução suficientemente elevado para identificá-las com confiança. Os investigadores sugerem que isto pode ser realizado em observações futuras por uma sonda que visite Europa.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
AGU (comunicado de imprensa)
Geophysical Research Letters
Astronomy
SPACE.com
astrobiology web
PHYSORG
Discovery News
Blah blah blah 2

Europa:
NASA
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

Sonda Galileu:
Página oficial (NASA)
Wikipedia

 
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