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Edição n.º 1243
05/02 a 08/02/2016
 
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26/02/16 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
20:00 - Apresentação sobre tema de astronomia, seguida de observação astronómica noturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável).
Público: Público em geral
Local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: consultar este link
Telefone: 289 890 922
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 05/02: 36.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1924, o Observatório Real de Greenwich começa a emissão dos sinais horários conhecidos como o Sinal de Greenwich.
Em 1937 nascia Alar Toomre, astrónomo estónio-americano, cuja pesquisa se focou na dinâmica das galáxias. 
Em 1967, a Lunar Orbiter 3 é lançada a partir de Cabo Canaveral, com o objetivo de descobrir locais de aterragem para as Surveyor e Apollo
Em 1971, o módulo lunar da missão Apollo 14 fazia a sua alunagem.
Alan Shepard em Fra Mauro (Crédito: NASA)
Em 1974, passagem da Mariner 10 por Vénus. A sonda mostra que as nuvens contornam o planeta em apenas 4 dias terrestres, embora o planeta propriamente dito demore 243 dias terrestres a completar uma rotação sobre o seu eixo.
Observações: Ao amanhecer, aviste a fina Lua Minguante apontando para Vénus e Mercúrio, baixa a sudeste.

Dia 06/02: 37.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1582, nascia Mario Bettinus, astrónomo, matemático e filósofo italiano. A cratera Bettinus, na Lua, tem o seu nome.
Em 1927, nascia Gerard K. O'Neill, físico americano e ativista espacial que desenvolveu um plano para construir habitações humanas no espaço, incluindo um habitat conhecido como cilindro de O'Neill.
Em 1959, era lançado com sucesso de Cabo Canaveral o primeiro míssil balístico Titan.

Em 1971, Alan Shepard (Apollo 14) dá as primeiras tacadas de golfe na Lua.
Observações: Eclipse de Io, entre as 01:04 e as 03:26.
Ocultação de Io, entre as 01:49 e as 04:08.
Eclipse de Europa, entre as 18:19 e as 21:14.
Ocultação de Europa, entre 19:44 e as 22:31.
Trânsito da sombra de Io, entre as 22:24 e as 00:43 (já de dia 7).
Trânsito de Io, entre as 23:06 e as 01:23 (já de dia 7).
A fina Lua Minguante, o brilhante Vénus e o tímido planeta Mercúrio formam um triângulo baixo a sudeste, ao amanhecer.

Dia 07/02: 38.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1979, Plutão movia-se para dentro da órbita de Neptuno pela primeira vez desde a sua descoberta. Sai de dentro da órbita de Neptuno no dia 11 de fevereiro de 1999.
Em 1984, durante a missão STS-41-B do programa do vaivém espacial, os astronautas Bruce McCandless II e Robert L. Stewart fazem o pimeiro passeio espacial sem ligação ao vaivém usando a Unidade de Manobra Tripulada.
Em 1991, a nave Salyut 7 despenha-se na atmosfera sobre a Argentina.
Em 1999, lançamento da sonda Stardust da NASA. Foi a primeira missão a recolher amostras de poeira cometária (Wild 2) e poeira cósmica.
Em 2001, lançamento da missão STS-98, do vaivém Atlantis, com o módulo "Destiny" da Estação Espacial Internacional. O lançamento ao pôr-do-Sol é descrito por muitos observadores experientes como dos lançamentos mais bonitos que alguma vez viram.

Observações: Mercúrio na sua maior elongação oeste.
Marte na sua quadratura oeste, pelas 11:34.
Eclipse de Io, entre as 19:33 e as 21:55.
Ocultação de Io, entre as 20:16 e as 22:35.

Dia 08/02: 39.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1969, o meteorito Allende cai perto de Pueblito de Allende, Chihuahua, México.

Em 1974, após 84 dias no espaço, a última tripulação da primeira estação espacial americana, a Skylab, regressa à Terra.
Em 1992, a sonda espacial Ulysses usa a gravidade de Júpiter para poder explorar os pólos do Sol.
Observações: Lua Nova, pelas 14:39.
A brilhante Capella, quase por cima das nossas cabeças, e Rigel, no pé de Orionte, estão quase à mesma ascensão. Isto significa que atravessam agora o meridiano norte-sul do céu quase à mesma hora (dependendo de onde vive). Por isso, quando Capella passa na sua mais alta posição no céu, Rigel marca o sul verdadeiro. E vice-versa.

 
CURIOSIDADES


Nordlingen é uma cidade no sul da Alemanha que foi construída no interior de uma cratera, feita por um asteroide há 15 milhões de anos.

 
EXPLOSÃO DE BURACO NEGRO NUMA GALÁXIA MUITO, MUITO DISTANTE
A radiogaláxia Pictor A.
Crédito: raios-X - NASA/CXC/Univ. de Hertfordshire/M. Hardcastle et al.; rádio - CSIRO/ATNF/ATCA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A saga da "Guerra das Estrelas" conta com a fictícia "Estrela da Morte", que pode disparar raios poderosos de radiação no espaço. O Universo, no entanto, produz fenómenos que muitas vezes ultrapassam o que a ficção científica pode imaginar.

A galáxia Pictor A é um destes objetos impressionantes. Esta galáxia, localizada a quase 500 milhões de anos-luz da Terra, contém um buraco negro supermassivo no seu centro. É libertada uma quantidade enorme de energia gravitacional à medida que o material espirala em direção ao horizonte de ventos, o ponto de não retorno para o material em queda. Esta energia produz um feixe gigantesco, ou jato, de partículas que viajam quase à velocidade da luz no espaço intergaláctico.

Para captar imagens deste jato, os cientistas usaram o Observatório de raios-X Chandra da NASA em vários momentos dos últimos 15 anos. Os dados em raios-X pelo Chandra (azul) foram combinados com dados no rádio obtidos pelo ATCA (Australia Telescope Compact Array, a vermelho) a fim de produzir esta nova composição.

Ao estudar os detalhes da estrutura vista tanto em raios-X como no rádio, os cientistas procuram ganhar uma compreensão mais profunda destas explosões colimadas.

O jato [para a direita] em Pictor A é o mais próximo de nós. Exibe uma emissão contínua em raios-X com quase 300.000 anos-luz. Em comparação, a Via Láctea mede cerca de 100.000 anos-luz em diâmetro. Dada a relativa proximidade e a capacidade do Chandra em obter imagens detalhadas em raios-X, os cientistas podem observar características detalhadas no jato e testar ideias de como a emissão de raios-X é produzida.

Além do jato proeminente visto a apontar para a direita na imagem, os investigadores anunciaram evidências de outro jato apontando na direção oposta. Embora evidências deste jato já tivessem sido relatadas anteriormente, estes novos dados do Chandra confirmam a sua existência. O brilho ténue do jato oposto é provavelmente devido ao seu movimento, para lá da linha de visão da Terra.

A imagem rotulada mostra a localização do buraco negro supermassivo, do jato e do jato oposto. Também está legendado um "lóbulo rádio" onde o jato empurra o gás em redor e um "hotspot" provocado por ondas de choque - semelhante com explosões sónicas de um avião supersónico - perto da ponta do jato.

A imagem de Pictor A, em raios-X pelo Chandra, mostra um jato espetacular emanado por um buraco negro no centro da galáxia e que se prolonga por cerca de 300.000 anos-luz, na direção de um "hotspot" brilhante e um jato oposto que aponta na direção oposta.
Crédito: raios-X - NASA/CXC/Univ. de Hertfordshire/M. Hardcastle et al.; rádio - CSIRO/ATNF/ATCA (clique na imagem para ver versão maior)
 

As propriedades detalhadas do jato e do jato oposto, observadas com o Chandra, mostram que a sua emissão de raios-X vem provavelmente de eletrões que espiralam em redor das linhas do campo magnético, um processo chamado emissão de sincotrão. Neste caso, os eletrões devem ser continuamente re-acelerados à medida que avançam ao longo do jato. Não se percebe ainda muito bem como é que isto ocorre.

Os investigadores descartaram um mecanismo diferente para a produção da emissão de raios-X do jato. Nesse cenário, os eletrões viajando para longe do buraco negro no jato, perto da velocidade da luz, movem-se pelo mar de radiação cósmica de fundo deixada para trás pela fase quente do Universo após o Big Bang. Quando um eletrão em rápido movimento colide com um destes fotões da radiação cósmica de fundo, pode aumentar a energia do fotão na banda dos raios-X.

O brilho de raios-X do jato depende da potência do feixe de eletrões e da intensidade da radiação de fundo. O brilho relativo dos raios-X oriundos do jato e do jato oposto em Pictor A não corresponde com o esperado neste processo que envolve a radiação cósmica de fundo, e efetivamente elimina-a como a fonte de produção de raios-X no jato.

O artigo que descreve estes resultados foi publicado na Monthly Notices da Sociedade Astronómica Real e está disponível online.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Observatório de raios-X Chandra (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Monthly Notices da Sociedade Astronómica Real
Astronomy
EarthSky
Astronomy Now
PHYSORG
redOrbit
BBC News
engadget
gizmodo

Pictor A:
Wikipedia
NED

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia

Observatório Chandra:
Página oficial (Harvard)
Página oficial (NASA)
Wikipedia

ATCA:
Página principal
Wikipedia

 
LUA FOI PRODUZIDA POR UMA COLISÃO FRONTAL ENTRE A TERRA E UM PLANETA EM FORMAÇÃO
Impressão de artista do evento que produziu a Lua.
Crédito: William K. Hartmann
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Segundo geoquímicos da UCLA (Universidade da Califórnia, Los Angeles), a Lua foi formada por uma violenta colisão de frente entre a Terra primitiva e um "embrião planetário" chamado Theia aproximadamente 100 milhões de anos depois da formação do nosso planeta.

Os cientistas já sabiam deste acidente a alta velocidade, que ocorreu quase há 4,5 mil milhões de anos atrás, mas muitos pensavam que a Terra colidiu com Theia a um ângulo de 45 graus ou mais - uma poderosa colisão de lado. Novas evidências divulgadas na edição de 29 de janeiro da revista Science reforçam consideravelmente o caso de um ataque frontal.

Os investigadores analisaram sete rochas trazidas para a Terra da Lua pelas missões Apollo 12, 15 e 17, bem como seis rochas vulcânicas do manto da Terra - cinco do Hawaii e uma do estado americano do Arizona.

A chave para a reconstrução do impacto gigante foi uma assinatura química revelada nos átomos de oxigénio das rochas (o oxigénio constitui 90% do volume das rochas e 50% do seu peso). Mais de 99,9% do oxigénio da Terra é O-16, assim chamado porque cada átomo contém 8 protões e 8 neutrões. Mas também existem pequenas quantidades de isótopos de oxigénio mais pesados: O-17, que tem um neutrão extra, e O-18, que tem dois neutrões extra. A Terra, Marte e outros corpos planetários no nosso Sistema Solar têm, cada um, um rácio único de O-17 para O-16 - cada um, uma "impressão digital" distinta.

Em 2014, uma equipa de cientistas alemães divulgou na Science que a Lua também tem o seu próprio e único rácio de isótopos de oxigénio, diferente do da Terra. A nova investigação descobriu que tal não é o caso.

Paul Warren, Edward Young (com uma amostra de rocha lunar na mão) e Issaku Kohl.
Crédito: Christelle Snow/UCLA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Nós não vemos nenhuma diferença entre os isótopos de oxigénio da Terra e da Lua; são indistinguíveis," afirma Edward Young, autor principal do novo estudo e professor de geoquímica e cosmoquímica na UCLA.

A equipa de pesquisa de Young usou tecnologia e técnicas topo-de-gama para fazer medições extraordinariamente precisas e cuidadosas, e verificou-as com o novo espectrómetro de massa da universidade.

O facto de que o oxigénio nas rochas da Terra e da Lua partilham assinaturas químicas foi muito revelador, afirma Young. Caso a Terra e Theia tivessem colidido num golpe lateral, a vasta maioria da Lua seria principalmente constituída pelo corpo Theia, e a Terra e a Lua teriam diferentes isótopos de oxigénio. Uma colisão de frente, no entanto, provavelmente teria resultado na composição química semelhante da Terra e da Lua.

"Theia foi bem misturado tanto na Terra como na Lua e uniformemente disperso entre os dois," comenta Young. "Isto explica porque é que não vemos uma assinatura diferente de Theia na Lua em relação à Terra."

Theia, que não sobreviveu à colisão (exceto que agora compõe grande parte da Terra e da Lua), estava a crescer e provavelmente ter-se-ia tornado um planeta caso a colisão não tivesse ocorrido, acrescenta Young. Ele e outros cientistas pensam que o corpo tinha aproximadamente o mesmo tamanho que a Terra; outros acham que era mais pequeno, talvez parecido com Marte.

Outra questão interessante é saber se a colisão com Theia removeu qualquer água que a Terra primitiva pudesse conter. Depois da colisão - talvez dezenas de milhões de anos mais tarde - pequenos asteroides provavelmente atingiram a Terra, incluindo aqueles ricos em água. As colisões de corpos em crescimento ocorreram com muita frequência naquela época, afirma Young, embora Marte tivesse evitado grandes colisões.

A colisão frontal foi inicialmente proposta em 2012 por Matija Cuk, agora no Instituto SETI, e Sarah Stewart, professora na Universidade Davis da Califórnia; e, separadamente durante o mesmo ano, por Robin Canup do SwRI (Southwest Research Institute).

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
04/04/2014 - Nova pesquisa descobre "relógio geológico" que ajuda a determinar a idade da Lua
19/10/2012 - Novo estudo reforça ideia que Lua foi formada a partir de gigante colisão planetária

Notícias relacionadas:
UCLA (comunicado de imprensa)
Science
Astronomy
SPACE.com
Universe Today
RedOrbit
COSMOS
Astronomy Now
POPULAR SCIENCE
PHYSORG
POPULAR MECHANICS
Discovery News
METRO
Forbes
CNN
Observador
ZAP.aeiou

Theia:
Wikipedia

Lua:
Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve 
Wikipedia
Teoria de Impacto Gigante (Wikipedia)

 
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(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: ESARosetta, NAVCAM
 
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