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Edição n.º 1282
21/06 a 23/06/2016
 
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24/06/16 - "SOLSTÍCIO DE JUNHO" + OBSERVAÇÃO ASTRONÓMICA NOTURNA
21:30 - Este evento inclui uma apresentação sobre o tema - “Solstício de Junho”, seguido de observação astronómica noturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável).
Local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: siga este link
Telefone: 289 890 922
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 21/06: 173.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1863, nascia Max Wolf, astrónomo alemão e pioneiro no campo da astrofotografia.
Em 2003, quase 20 anos depois da sua viagem ao espaço, Sally Ride entra para o Corredor da Fama dos Astronautas, tornando-se na primeira mulher a ser honrada por esta instituição. 

Em 2004, o SpaceShipOne torna-se no primeiro avião espacial privado a voar no espaço.
Em 2006, as recém-descobertas luas de Plutão são oficialmente denominadas Nix e Hydra.
Observações: Vega é a estrela mais brilhante muito alta a este. Mesmo para baixo e para a sua esquerda está uma das melhores estrelas múltiplas do céu: Epsilon Lyrae. Forma um dos cantos de um triângulo quase equilátero com Vega e Zeta Lyrae. O triângulo tem menos de 2º de lado. Os binóculos resolvem facilmente Epsilon, mas um telescópio superior a 4 polegadas e 100x de ampliação deverá resolver as quatro estrelas dos dois pares. Zeta Lyrae também é um binário binocular; mais difícil, mas facilmente resolvido através um telescópio. Delta Lyrae, por baixo de Zeta, é mais larga e fácil.

Dia 22/06: 174.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1633, a Congregação para a Doutrina da Fé, em Roma, força Galileu a retirar a sua visão que o Sol, não a Terra, era o centro do Universo.

Em 1675 era fundado o Observatório Real de Greenwich
Em 1978 James Christy, do Observatório Naval dos Estados Unidos em Flagstaff, Arizona, descobre o satélite de Plutão, Caronte, acerca do qual quase nada se sabia mais de uma década depois. Plutão foi também descoberto em Flagstaff (no Observatório Lowell) em 1930.
Observações: Com o passar da noite, até a estrela mais baixa do Triângulo de Verão sobe alta a este. Essa estrela é Altair, a três ou quatro punhos à distância de um braço esticado para baixo e para a direita de Vega. Para a esquerda de Altair, por mais de um punho, está a pequena constelação de Golfinho.

Dia 23/06: 175.º dia do calendário gregoriano.
Observações: Agora que a Lua demora a nascer, desvie o seu telescópio de Marte e Saturno e dê uma volta pelos ténues enxames globulares por aí perto, a este de Antares.
Trânsito de Io, entre as 23:19 e as 01:38 (já de dia 24).

 
CURIOSIDADES


A sonda Juno transporta uma placa dedicada a Galileu Galilei, que contém um retrato do astrónomo e um texto escrito por ele em janeiro de 1610. A sonda também transporta 3 figuras Lego que representam Galileu (com o seu telescópio), o deus romano Júpiter e a sua mulher, Juno. As figuras são de alumínio, não de plástico como é normal, para sobreviver às condições extremas do espaço.

 
INESPERADO EXCESSO DE PLANETAS GIGANTES EM ENXAME DE ESTRELAS
Esta impressão artística mostra um planeta do tipo de Júpiter quente em órbita próximo de uma das estrelas do rico e velho enxame estelar Messier 67, situado na constelação de Caranguejo. Os astrónomos descobriram muito mais planetas deste tipo no enxame do que o esperado. Este resultado surpreendente foi obtido com vários telescópios e instrumentos, entre os quais o espectrógrafo HARPS no Observatório de La Silla do ESO. O meio denso do enxame originará interações mais frequentes entre planetas e estrelas próximas, o que pode explicar o excesso deste tipo de exoplanetas.
Crédito: ESO/L. Calçada
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Uma equipa internacional de astrónomos descobriu que existem muito mais planetas do tipo de Júpiter quente do que os esperados num enxame estelar chamado Messier 67. Este resultado surpreendente foi obtido com vários telescópios e instrumentos, entre os quais o espectrógrafo HARPS no Observatório de La Silla do ESO. O meio denso do enxame originará interações mais frequentes entre planetas e estrelas próximas, o que pode explicar o excesso deste tipo de exoplanetas.

Uma equipa chilena, brasileira e europeia liderada por Roberto Saglia do Max-Planck-Institut für extraterrestrische Physik, em Garching, Alemanha, e Luca Pasquini do ESO, passou vários anos a fazer medições de alta precisão de 88 estrelas pertencentes ao enxame Messier 67. Este enxame estelar aberto tem cerca da mesma idade do Sol e pensa-se que o Sistema Solar teve origem num meio denso similar.

A equipa utilizou o HARPS, entre outros instrumentos, para procurar assinaturas de planetas gigantes em órbitas de período curto, esperando ver a oscilação de uma estrela causada pela presença de um objeto massivo numa órbita próxima, um tipo de planeta conhecido por Júpiter quente. A assinatura deste tipo de exoplanetas foi encontrada em três estrelas do enxame, juntando-se a anteriores evidências da existência de vários outros planetas.

Um Júpiter quente é um exoplaneta gigante com uma massa de mais de um-terço da massa de Júpiter. Estes planetas estão "quentes" porque orbitam muito próximo da sua estrela progenitora, como indicado pelo seu período orbital (o seu "ano") que dura menos de dez dias. São muito diferentes do Júpiter ao qual estamos habituados no nosso Sistema Solar, que tem um ano que dura cerca de 12 anos terrestres e é muito mais frio do que a Terra.

"Usamos um enxame estelar aberto como se fosse um laboratório para explorar as propriedades dos exoplanetas e as teorias de formação planetária," explica Roberto Saglia. "Isto porque nestes locais encontramos não só muitas estrelas que possivelmente albergam planetas, mas também temos um meio denso, no qual os planetas se devem ter formado."

Esta imagem de grande angular do céu em torno do enxame estelar aberto Messier 67 foi criada a partir de dados do Digitized Sky Survey 2. O enxame aparece-nos como um grupo de muitas estrelas no centro da imagem. M67 contém estrelas que têm todas cerca da mesma idade e composição química do Sol.
Crédito: ESO/Digitized Sky Survey 2; Reconhecimento: Davide De Martin
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O estudo mostrou que os exoplanetas do tipo de Júpiter quente são mais comuns em torno das estrelas de M67 do que no caso de estrelas fora de enxames. "Este é verdadeiramente um resultado surpreendente," diz Anna Brucalassi, que levou a cabo a análise. "Os novos resultados significam que existem planetas do tipo de Júpiter quente em torno de cerca de 5% das estrelas estudadas de M67 — muitos mais do que os encontrados em estudos comparáveis de estrelas que não se encontram em enxames, onde esta taxa é cerca de 1%."

Os astrónomos pensam que é bastante improvável que estes gigantes exóticos se tenham formado onde os encontramos agora, uma vez que as condições do meio próximo da estrela progenitora não seriam inicialmente as adequadas para a formação de planetas do tipo de Júpiter. É por isso que se pensa que estes planetas se formaram mais afastados, tal como provavelmente também aconteceu com Júpiter, e só depois se aproximaram da estrela progenitora. O que seriam antes planetas gigantes, distantes e frios são agora objetos muito mais quentes. A questão que se põe é então: o que é que fez com que estes planetas migrassem para perto da sua estrela?

Existe um número de possíveis respostas a esta questão, mas os autores concluem que o mais provável é que esta migração seja o resultado de encontros próximos entre estrelas vizinhas, ou até entre planetas em sistemas solares vizinhos, e que o meio próximo de um sistema solar possa ter um impacto significativo no modo como este evolui.

Num enxame como Messier 67, onde as estrelas se encontram muito mais próximas do que a média, tais encontros poderão ser muito mais comuns, o que explicaria o enorme número de exoplanetas do tipo de Júpiter quente encontrado.

O coautor e colíder Luca Pasquini do ESO reflete sobre a notável história recente do estudo de planetas em enxames: "Até há alguns anos atrás nunca tínhamos encontrado exoplanetas do tipo de Júpiter quente em enxames abertos. Em três anos o paradigma mudou da total ausência destes planetas ao seu excesso!"

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Instituto Max Planck Para Física Extraterrestre (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Astronomy
ScienceDaily
(e) Science News
Astronomy Now
PHYSORG
spaceref
UPI
Jornal de Notícias
Correio da Manhã
AstroPT

Messier 67:
SEDS
Wikipedia

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

Observatório La Silla:
ESO
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
ALMA DETETA O OXIGÉNIO MAIS DISTANTE OBSERVADO ATÉ À DATA
Este diagrama mostra os principais marcos da evolução do Universo desde o Big Bang, há cerca de 13,8 mil milhões de anos atrás. O esquema não se encontra à escala.
O Universo estava num estado neutro 400 milhares de anos após o Big Bang e assim se manteve até que a radiação emitida pela primeira geração de estrelas começou a ionizar o hidrogénio. Após várias centenas de milhões de anos, o gás do Universo encontrava-se completamente ionizado.
Crédito: NAOJ
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Com o auxílio do ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), uma equipa de astrónomos conseguiu detetar oxigénio brilhante numa galáxia distante observada apenas 700 milhões de anos depois do Big Bang. Trata-se da galáxia mais longínqua na qual foi detetado oxigénio de forma inequívoca, que está certamente a ser ionizado pela forte radiação emitida por estrelas gigantes jovens. Esta galáxia pode bem ser um exemplo de um dos tipos de fontes responsáveis pela reionização cósmica na história primordial do Universo.

Astrónomos do Japão, Suécia, Reino Unido e ESO utilizaram o ALMA para observar uma das mais distantes galáxias conhecidas. SXDF-NB1006-2 tem um desvio para o vermelho de 7,2, o que significa que a observamos apenas 700 milhões de anos após o Big Bang.

A equipa esperava investigar os elementos químicos pesados presentes na galáxia, uma vez que estes elementos nos informam sobre o nível de formação estelar existente, fornecendo assim pistas sobre o período da história do Universo conhecido por reionização cósmica.

Painel da direita: A galáxia vermelha no centro da imagem trata-se da galáxia muito distante SXDF-NB1006-2.
Painéis da esquerda: Imagens de grande plano da galáxia SXDF-NB1006-2. Crédito: NAOJ
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Procurar elementos pesados no Universo primordial é um passo essencial para explorar a formação estelar neste período," disse Akio Inoue da Universidade de Osaka Sangyo, Japão, o autor principal do artigo científico que descreve estes resultados e que foi publicado na revista Science. "Estudar elementos pesados dá-nos também pistas para compreender como é que as galáxias se formaram e o que é que causou a reionização cósmica," acrescentou.

Na época anterior à formação dos objetos, o Universo encontrava-se cheio de gás eletricamente neutro. No entanto, quando os primeiros objetos começaram a brilhar, algumas centenas de milhões de anos após o Big Bang, emitiram forte radiação que começou a quebrar os átomos neutros — ionizando o gás. Durante esta fase — conhecida por reionização cósmica — todo o Universo se modificou de forma drástica. No entanto, não há consenso sobre quais os tipos de objetos que causaram a reionização. Estudar as condições existentes em galáxias muito distantes pode ajudar a responder a esta questão.

Antes de observarem esta galáxia distante, os astrónomos fizeram simulações de computador para prever quão facilmente se poderia observar evidências de oxigénio ionizado com o ALMA. Levaram também em linha de conta observações de galáxias semelhantes, mas que se encontram muito mais próximas da Terra e concluíram que a emissão do oxigénio poderia ser detetada, mesmo a grandes distâncias.

A radiação emitida pelo oxigénio ionizado detetado pelo ALMA mostra-se a verde. A radiação emitida pelo hidrogénio ionizado detetado pelo Telescópio Subaru e a radiação ultravioleta detetada pelo Telescópio Infravermelho do Reino Unido (UKIRT) estão a azul e vermelho, respectivamente.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO), NAOJ
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Seguidamente a equipa levou a cabo observações de elevada sensibilidade com o ALMA e descobriu radiação emitida por oxigénio ionizado em SXDF-NB1006-2, sendo esta a deteção inequívoca de oxigénio mais distante obtida até à data. Trata-se assim de evidência sólida da presença de oxigénio no Universo primordial, apenas 700 milhões de anos após o Big Bang.

Descobriu-se que o oxigénio na galáxia SXDF-NB1006-2 é dez vezes menos abundante do que no Sol. "A baixa abundância encontrada é esperada, uma vez que o Universo era ainda jovem, apresentando uma curta história de formação estelar nessa altura," comentou Naoki Yoshida da Universidade de Tóquio. "As nossas simulações previram efetivamente uma abundância dez vezes menor que a do Sol. No entanto, temos outro resultado que é inesperado: uma pequena quantidade de poeira."

A equipa não conseguiu detetar nenhuma emissão de carbono vinda da galáxia, sugerindo que esta jovem galáxia contém muito pouco hidrogénio gasoso não ionizado. Os astrónomos descobriram ainda que a galáxia contém apenas uma pequena quantidade de poeira, constituída por elementos pesados. "Algo invulgar se passa nesta galáxia," disse Inoue. "Penso que quase todo o gás se encontra altamente ionizado."

Esta galáxia alberga muitas estrelas jovens brilhantes, que ionizam o gás existente tanto no interior da galáxia como à sua volta. A cor verde indica oxigénio ionizado detectado pelo ALMA, enquanto que o roxo mostra a distribuição do hidrogénio ionizado detectado pelo Telescópio Subaru.
Crédito: NAOJ
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A deteção de oxigénio ionizado indica que muitas estrelas muito brilhantes, dezenas de vezes mais massivas que o Sol, se formaram na galáxia e se encontram a emitir radiação ultravioleta intensa, necessária à ionização dos átomos de oxigénio.

A falta de poeira na galáxia permite que a radiação ultravioleta escape e ionize enormes quantidades de gás fora da galáxia. "SXDF-NB1006-2 poderá bem ser um protótipo das fontes de radiação responsáveis pela reionização cósmica," disse Inoue.

"Este é um passo importante no sentido de compreendermos que tipo de objetos causaram a reionização cósmica," explicou Yoichi Tamura da Universidade de Tóquio. "As nossas próximas observações com o ALMA já começaram. Observações de mais alta resolução permitir-nos-ão ver a distribuição e os movimentos do oxigénio ionizado na galáxia, fornecendo-nos assim informações vitais que nos ajudarão a compreender as propriedades desta galáxia."

Links:

Notícias relacionadas:
ESO (comunicado de imprensa)
Observatório ALMA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
SPACE.com
Astronomy Now
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(e) Science News
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COSMOS
PHYSORG
POPULAR SCIENCE
Forbes
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AstroPT

Universo:
Universo (Wikipedia)
Idade do Universo (Wikipedia)
Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)
Big Bang (Wikipedia)
Cronologia do Big Bang (Wikipedia)
Reionização (Wikipedia)

ALMA:
Página principal
ALMA (NRAO)
ALMA (NAOJ)
ALMA (ESO)
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
SONDA JUNO PRESTES A CHEGAR AO AMBIENTE DE RADIAÇÃO MAIS PERIGOSO DO SISTEMA SOLAR
Esta impressão de artista mostra a sonda Juno da NASA a fazer um voo rasante por Júpiter.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

No dia 4 de julho, a NASA vai fazer passar uma sonda, movida a energia solar e com o tamanho de um campo de basquetebol, a 4667 quilómetros do topo das nuvens do maior planeta do nosso Sistema Solar.

Até quinta-feira passada, a sonda Juno estava a 13,8 milhões de quilómetros de Júpiter. Na noite de 4 de julho, a Juno disparará o seu motor principal durante 35 minutos, colocando-a numa órbita polar em redor do gigante gasoso. Durante os "flybys", a Juno vai estudar o interior das camadas de nuvens de Júpiter e as suas auroras para aprender mais sobre as origens, estrutura, atmosfera e magnetosfera do planeta.

"Por esta altura, o ano passado, a nossa sonda New Horizons aproximava-se de Plutão para os primeiros olhares da humanidade, de perto, deste planeta anão," afirma Diane Brown, executiva do programa Juno na sede da NASA em Washington. "Agora, a Juno está pronta para ir mais perto de Júpiter do que qualquer outra sonda jamais foi, a fim de desbloquear os mistérios do que está lá dentro."

Uma série de 37 passagens rasantes planeadas vai eclipsar o recorde anterior em Júpiter, estabelecido em 1974 pela sonda Pioneer 11 da NASA, em 43.000 quilómetros. Esta distância tão pequena a Júpiter tem um preço - um que será pago de cada vez que a órbita da Juno a levar em direção ao tumulto de nuvens alaranjadas, brancas, vermelhas e castanhas que cobrem o gigante gasoso.

"Não estamos à procura de encrencas, estamos à procura de dados," comenta Scott Bolton, investigador principal da Juno e do SwRI (Southwest Research Institute) em San Antonio, Texas, EUA. "O problema é que, em Júpiter, para obter o tipo de dados que queremos, temos que ir para zonas onde podemos ficar muito rapidamente em apuros."

A fonte do potencial problema pode ser encontrada dentro do próprio Júpiter. Bem abaixo do topo das nuvens jovianas, está uma camada de hidrogénio sob uma pressão tão incrível que age como um condutor elétrico. Os cientistas acreditam que a combinação deste hidrogénio metálico, juntamente com a rápida rotação de Júpiter - um dia em Júpiter é de apenas 10 horas -, cria um poderoso campo magnético que rodeia o planeta com eletrões, protões e iões que viajam quase à velocidade da luz. O desafio final, para qualquer veículo que entra neste campo de partículas altamente energéticas com a forma de um donut, é um encontro com o ambiente de radiação mais severo no Sistema Solar.

"Ao longo da vida da missão, a Juno será exposta ao equivalente a mais de 100 milhões de raios-X dentais," afirma Rick Nybakken, gerente do projeto Juno no JPL da NASA em Pasadena, no estado americano da Califórnia. "Mas, estamos prontos. Projetámos uma órbita em torno de Júpiter que minimiza a exposição ao seu duro ambiente de radiação. Esta órbita permite-nos sobreviver o tempo suficiente para obter os dados científicos para que tanto viajámos."

A órbita de Juno assemelha-se com uma oval achatada. O seu "design" é cortesia dos navegadores da missão, que delinearam uma trajetória que se aproxima de Júpiter sobre o seu polo norte e que rapidamente cai para uma altitude abaixo das cinturas de radiação do planeta enquanto a Juno se desloca em direção ao polo sul. Cada voo rasante pelo planeta tem a duração aproximada de um dia terrestre. Em seguida, a órbita da Juno irá levá-la para baixo do polo sul e para longe do planeta, bem além do alcance da radiação prejudicial.

Embora a Juno esteja repleta de componentes eletrónicos resistentes à radiação e uma blindagem que rodeia os seus vários sensores, a parte mais importante da sua "armadura" alberga um cofre de titânio, o primeiro do seu género, onde estão alojados o computador de voo e o coração eletrónico de muitos dos seus instrumentos científicos. Com quase 172 kg, este cofre vai reduzir a exposição à radiação por 800 vezes, em comparação com o exterior das paredes de titânio.

Sem esta proteção muito especial, o cérebro eletrónico da Juno muito provavelmente "fritaria" antes do fim do primeiro "flyby" pelo planeta. Mas, apesar do titânio conseguir fazer milagres, não o consegue fazer para sempre neste ambiente de radiação tão extrema como o de Júpiter. A quantidade e a energia das partículas é simplesmente avassaladora. No entanto, a órbita especial da Juno faz com que a dose de radiação e a degradação se acumule lentamente, permitindo com que a sonda estude o planeta durante 20 meses.

"Ao longo da missão, os eletrões mais energéticos vão penetrar o cofre, criando um spray de fotões e partículas," explica Heidi Becker, líder da equipa de Investigação e Monitorização de Radiação da Juno. "O bombardeamento constante vai quebrar as ligações atómicas na eletrónica da Juno."

A sonda Juno foi lançada no dia 5 de agosto de 2011 a partir de Cabo Canaveral, na Flórida.

Links:

Cobertura da missão Juno pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
02/08/2011 - Juno mostra campo magnético de Júpiter em HD
09/04/2010 - NASA começa a construir nova sonda para visitar Júpiter
26/11/2008 - Juno, a próxima missão a Júpiter

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Júpiter: Para o Desconhecido (trailer da missão Juno, NASA via YouTube)
The Planetary Society
SPACE.com
ScienceDaily
Scientific American
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COSMOS
Science alert
National Geographic
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The Verge

Missão Juno:
NASA
SwRI
Wikipedia

Júpiter:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
PEQUENO ASTEROIDE É COMPANHEIRO CONSTANTE DA TERRA
O asteroide 2016 HO3 tem uma órbita em torno do Sol que o mantém como companheiro constante da Terra.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Foi descoberto um pequeno asteroide, numa órbita em torno do Sol, que faz com que seja um companheiro constante da Terra e assim permanecerá durante séculos.

À medida que orbita o Sol, este novo asteroide, designado 2016 HO3, parece também rodar em torno da Terra. Está demasiado distante para ser considerado um verdadeiro satélite do nosso planeta, mas é o melhor e mais estável exemplo, até à data, de um companheiro próximo da Terra, ou "quási-satélite".

"Dado que 2016 HO3 dá voltas em redor do nosso planeta, mas nunca se aventura para muito longe enquanto os dois astros orbitam o Sol, referimo-nos a ele como um quási-satélite da Terra," afirma Paul Chodas, gerente do Centro para Estudos de NEOs (Near-Earth Objects) no JPL da NASA em Pasadena, Califórnia, EUA. "Um outro asteroide - 2003 YN107 - seguiu um padrão orbital semelhante por mais de 10 anos, mas, desde aí, partiu da nossa vizinhança. Este novo asteroide está muito mais atraído à Terra. Os nossos cálculos indicam que 2016 HO3 tem sido um estável quási-satélite da Terra há quase um século, e vai continuar a seguir esse padrão como companheiro da Terra durante séculos."

Na sua jornada anual em redor do Sol, o asteroide 2016 HO3 passa cerca de metade do seu tempo mais perto do Sol que a Terra e passa à frente do nosso planeta, e cerca de metade do seu tempo mais longe, fazendo com que se mova para trás. A sua órbita também é um pouco inclinada, fazendo com que oscile para cima e para baixo cada ano através do plano orbital da Terra. Com efeito, este pequeno asteroide "joga à rã" com a Terra e assim vai continuar durante centenas de anos.

A órbita do asteroide também passa por um processo lento de vai-e-vem ao longo várias décadas. "As voltas do asteroide em torno da Terra deslocam-se um pouco para a frente ou para trás de ano para ano, mas quando se afasta muito para a frente ou para trás, a gravidade da Terra é forte o suficiente para inverter a tendência e agarrar o asteroide, para que nunca vagueie mais do que aproximadamente 100 vezes a distância à Lua," explica Chodas. "O mesmo efeito também impede com que o asteroide se aproxime demasiado, até cerca de 38 distâncias lunares."

O asteroide 2016 HO3 foi detetado pela primeira vez no dia 27 de abril de 2016, pelo telescópio de rastreio de asteroides Pan-STARRS 1 em Haleakala, Hawaii, operado pelo Instituto de Astronomia da Universidade do Hawaii e financiado pelo Gabinete de Coordenação de Defesa Planetária da NASA. O tamanho deste objeto ainda não foi estabelecido com firmeza, mas deverá provavelmente fixar-se entre os 40 e os 100 metros.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Asteroide 2016 HO3 - O Companheiro Constante da Terra (NASA via YouTube)
Science
Astronomy
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Quási-satélite:
Wikipedia
As "outras" luas da Terra (Wikipedia)

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  "Vento elétrico" pode retirar oceanos e atmosferas a planetas parecidos com a Terra (via NASA)
Segundo novos resultados da missão Venus Express da ESA, Vénus tem um "vento elétrico" forte o suficiente para remover componentes como a água da sua atmosfera superior, o que poderá ter desempenhado um papel importante no desaparecimento dos oceanos deste gémeo da Terra. Ler fonte
     
  Novos dados comparam e contrastam as luas geladas de Plutão (via NASA)
Uma observação espectral recém-transmitida pela sonda New Horizons, da lua Nix de Plutão, fornece evidências convincentes de que a sua superfície está coberto por água gelada, parecida com o que a equipa descobriu há pouco tempo para outro dos satélites de Plutão, Hidra. Este novo resultado fornece mais pistas sobre a formação do sistema de satélites de Plutão. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Sputnik Planum vs. Krun Macula
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASAUniversidade Johns Hopkins/APLSwRI
 
As planícies com buracos encontram-se com as terras altas acidentadas nesta vista deslumbrante de Plutão. À esquerda encontra-se uma extensão sudeste da região brilhante informalmente conhecida como Sputnik Planum. À direita, a orla de uma região escura, informalmente conhecida como Krun Macula, que sobe 2,5 km acima das planícies geladas. Ao longo da fronteira, grupos ligados de grandes poços formam vales profundos, alguns com mais de 40 km de comprimento e com pisos sombrios. O azoto gelado é provavelmente o responsável pelas planícies mais refletivas. Pensa-se que o tom vermelho-escuro das terras altas seja devido a compostos complexos chamados tholins, um produto da radiação ultravioleta que induz reações químicas com o metano na atmosfera de Plutão. A imagem a cores, melhorada digitalmente, inclui porções das imagens de mais alta-resolução obtidas pela sonda New Horizons durante a sua passagem rasante por Plutão durante julho de 2015.
 

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