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Edição n.º 1316
18/10 a 20/10/2016
 
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28/10/16 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS + OBSERVAÇÃO COM TELESCÓPIO
19:30 - Este evento inclui uma apresentação sobre um tema a determinar, seguido de observação astronómica noturna com telescópio (dependente de meteorologia favorável). Este mês iremos tratar da mudança de hora sob o pont de vista astronómico.
Local: CCVAlg
Preço: 2€ - adultos, 1€ jovens (crianças até 12 anos grátis)
Pré-inscrição: siga este link
Telefone: 289 890 922
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 18/10: 292.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 320, Pappus de Alexandria, um filósofo grego, observa um eclipse do Sol e escreve um comentário no Almagest.
Em 1959, a sonda soviética Luna 3 envia as primeiras fotos do outro lado da Lua.
Em 1967, a sonda soviética Venera 4 entra na atmosfera de Vénus e torna-se na primeira a medir a atmosfera de outro planeta.

Em 1977, Charles Kowal descobre Chiron, o primeiro de uma população de pequenos objetos gelados, conhecida como centauros, que reside no Sistema Solar exterior. 
Em 1989, a sonda Galileu era lançada a partir da missão STS-34.
Observações: A Lua, a caminho da fase minguante, encontra-se baixa a este-nordeste pelas 22 horas. A estrela brilhante um pouco para baixo e para a sua esquerda é Aldebarã, da constelação de Touro. As Plêiades encontram-se para cima da Lua.

Dia 19/10: 293.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1900, Max Planck descobre uma nova teoria quântica (lei de Planck).

A sua teoria revoluciona a ciência. 
Em 1983, a Academia Real Suecaatribui o prémio Nobel da Física ao professor Subrahmanyan Chandrasekhar da Universidade de Chicago, EUA, pelos seus estudos teóricos dos processos físicos da estrutura e evolução das estrelas. O Professor William A. Fowler, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, por outro lado, recebe também o prémio pelos seus estudos teóricos e experimentais das reações nucleares da importância da formação dos elementos químicos no Universo.
Em 2014, o cometa Siding Spring passa a 140.000 km de Marte. 
Observações: O Grande Quadrado de Pégaso está agora alto a este-sudeste após o anoitecer - no entanto, por agora, está apoiado num canto (a partir de latitudes médias norte).
A modesta chuva de meteoros das Oriónidas já deverá dar um ar da sua graça durante as próximas madrugadas (atinge o pico dia 21), mas a luz da Lua vai interferir com as observações.

Dia 20/10: 294.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1891, nascia James Chadwick, físico inglês que em 1935 ganhou o Prémio Nobel da Física pela sua descoberta do neutrão (efetuada em 1932).

Observações: Após o cair da noite, aviste o "W" de Cassiopeia na vertical e alto a nordeste. O terceiro segmento do "W", contando de cima, aponta quase sempre para baixo. Prolongue este segmento de reta duas vezes e chega ao Enxame Duplo de Perseu. Este par de aglomerados estelares é demasiado ténue para ser observado à vista desarmada, mas é visível através de binóculos ou de um telescópio.

 
CURIOSIDADES


A missão europeia ExoMars chega a meio da "época das tempestades de areia" de Marte. Um dos seus instrumentos estará no local ideal, à hora ideal, para investigar as intensas tempestades de areia do planeta.

 
EXOMARS PREPARADA PARA O PLANETA VERMELHO

Esta semana, a sonda ExoMars da ESA tem apenas uma chance de ser capturada pela gravidade de Marte. A missão e os seus controladores estão preparados para a chegada.

A ExoMars TGO (Trace Gas Orbiter) está numa missão de vários anos para compreender o metano e outros gases a níveis baixos na atmosfera de Marte, gases estes que podem ser evidências de uma possível atividade biológica ou geológica.

A nave-mãe, com 3,7 toneladas, libertou o "lander" Shiaparelli de 577 kg às 15:42 (hora portuguesa) de domingo. Este irá testar tecnologias-chave em preparação para a missão de 2020 da ESA que consiste de um rover.

Impressão de artista que visualiza a separação do módulo de entrada, descida e aterragem do módulo demonstrador, Schiaparelli, da TGO (Trace Gas Orbiter).
Crédito: ESA/ATG medialab
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O par já quase completou a sua viagem de 496 milhões de quilómetros e estes estão agora numa fase crítica: a descida do veículo e consequente aterragem terá lugar na quarta-feira, à mesma hora que o orbitador começa a orbitar o planeta.

"Estão numa rota de colisão a alta velocidade com Marte, o que é bom para o 'lander' - vai continuar neste caminho a fim de fazer a sua aterragem controlada," afirma Michel Denis no controle da missão em Darmstadt, Alemanha.

No entanto, para colocar a nave-mãe em órbita, foi feito ontem um ajuste vital para evitar colidir com o planeta. E, no dia 19, tem que disparar o seu motor num momento preciso e durante 139 minutos para travar para órbita. "Só temos uma oportunidade."

Após meses de simulações intensivas, a equipa está agora em turnos de "tempo real/tempo completo" e a trabalhar na sala de controle principal.

A ExoMars TGO e o seu módulo Schiaparelli em aproximação a Marte.
Crédito: ESA/ATG medialab
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A equipa supervisionou a separação, o ajuste 12 horas depois a fim de evitar colidir com Marte e, finalmente, irá supervisionar a queima do motor principal às 14:05 (hora portuguesa) de quarta-feira.

Os controladores da missão têm, diariamente, janelas de comunicações de várias horas com a ExoMars via estações de rastreamento da ESA e da NASA, que estão a fornecer ligações de dados principais e redundantes, especialmente durante os momentos mais críticos.

A preparação para a chegada a Marte envolveu anos de trabalho cuidadoso por parte de equipas da ESA e em cooperação com peritos da indústria europeia.

A equipa de controle da missão é na verdade uma 'equipa de equipas' constituída por especialistas em operações, dinâmica de voo, estações terrestres, software e sistemas. Trabalham em estreita coordenação para operar a atual frota de naves espaciais, enquanto desenvolvem sistemas e procedimentos que serão usados para as missões futuras da ESA, incluindo a BepiColombo, a Solar Orbiter e a JUICE.

A equipa de controle da missão em treino de simulação no Centro Europeu de Operações Espaciais da ESA em Darmstadt, Alemanha, no dia 15 de setembro de 2016. A equipa estava a treinar reações a situações de contingência que poderão ocorrer antes da entrada em órbita de Marte de dia 19 de outubro.
Crédito: ESA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O centro também controla a primeira missão marciana da ESA, a Mars Express, que alcançou o Planeta Vermelho em 2003. Está a desempenhar um papel crucial na chegada da ExoMars, registando os sinais do "lander" durante a descida.

"Depois de muitas simulações e dada a vasta experiência que as nossas equipas ganharam através de missões interplanetárias como a Mars Express, Rosetta e Venus Express, estou muito confiante da inserção orbital," afirma Rolf Densing, Diretor de Operações da ESA.

A sonda está em grande forma, as equipas estão preparadas para regressar a Marte e ansiosas por uma chegada sem problemas durante esta semana.

Links:

Cobertura da missão ExoMars 2016 pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
14/10/2016 - O que esperar da câmara do módulo Schiaparelli
07/10/2016 - Os perigos de aterrar em Marte
15/03/2016 - Missão ExoMars parte para Marte
08/03/2016 - Sonda ExoMars com lançamento previsto para a próxima semana

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
Chegada e aterragem da ExoMars (ESA)
ExoMars em Marte (vídeo da ESA)
Órbitas da chegada a Marte (vídeo da ESA)
A descida do Schiaparelli até Marte (vídeo da ESA)
Nature
SPACE.com
Astronomy Now
Science Daily
spaceref
PHYSORG
redOrbit
New Scientist
BBC News
RTP
tvi24
TSF
SAPO24
Observador
ZAP.aeiou

ExoMars TGO:
ESA
Wikipedia

"Lander" Schiaparelli:
ESA
Wikipedia

ExoMars 2020:
ESA
Wikipedia

Mars Express: 
ESA 
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

BepiColombo:
ESA
Wikipedia

Solar Orbiter:
ESA
Wikipedia

JUICE (JUpiter ICy moons Explorer):
ESA
Wikipedia

 
HUBBLE REVELA QUE UNIVERSO OBSERVÁVEL CONTÉM 10 VEZES MAIS GALÁXIAS DO QUE SE PENSAVA

Graças a um novo censo de céu profundo montado a partir de estudos obtidos pelo Telescópio Espacial Hubble e por outros observatórios, o Universo, de repente, parece muito mais cheio.

Os astrónomos chegaram à conclusão surpreendente que existem pelo menos 10 vezes mais galáxias no Universo observável do que se pensava.

Esta imagem cobre uma porção de um grande censo de galáxias com o nome GOODS (Great Observatories Origins Deep Survey).
Crédito: NASA, ESA e Equipa GOODS, e M. Giavalisco (Universidade de Massachusetts, Amherst)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os resultados têm implicações claras para a formação de galáxias e também ajudam a lançar luz sobre um antigo paradoxo astronómico - porque é que o céu é escuro à noite?

Ao analisar os dados, uma equipa liderada por Christopher Conselice da Universidade de Nottingham, Reino Unido, descobriu que o número de galáxias agrupadas num determinado volume do espaço, no início do Universo, era 10 vezes superior ao do presente. A maioria destas galáxias eram relativamente pequenas e ténues, com massas parecidas àquelas das galáxias satélite em redor de Via Láctea. À medida que se fundiam para formar galáxias maiores, a densidade populacional das galáxias no espaço diminuiu. Isto significa que as galáxias não estão distribuídas uniformemente ao longo da história do Universo, resultado este que será publicado na revista The Astrophysical Journal.

"Estes resultados são uma poderosa evidência de que teve lugar uma significativa evolução galáctica ao longo da história do Universo, o que reduziu drasticamente o número de galáxias por meio de fusões - assim reduzindo o seu número total. Isto fornece uma verificação da chamada formação estrutural descendente no Universo," explica Conselice.

Uma das questões mais fundamentais da astronomia é a de quantas galáxias o Universo contém. O marco HDF (Hubble Deep Field), obtido em meados da década de 1990, forneceu a primeira visão real da população galáctica do Universo. Observações sensíveis subsequentes, como o HUDF (Hubble's Ultra Deep Field), revelaram uma miríade de galáxias fracas. Isto levou a uma estimativa de que o Universo observável continha cerca de 200 mil milhões de galáxias.

A nova investigação mostra que esta estimativa é, pelo menos, dez vezes demasiado baixa.

Conselice e a sua equipa chegaram a esta conclusão usando imagens de céu profundo obtidas pelo Hubble e dados já publicados por outras equipas. Eles converteram meticulosamente as imagens para 3-D a fim de fazerem medições precisas do número de galáxias em épocas diferentes da história do Universo. Além disso, usaram novos modelos matemáticos, o que lhes permitiu inferirem a existência de galáxias que a atual geração de telescópios não consegue observar. Isto levou à surpreendente conclusão de que, para o número de galáxias que vemos atualmente e suas massas equivalerem ao esperado, devem existir mais 90% de galáxias no Universo observável que são demasiado ténues e distantes para poderem ser observadas com telescópios atuais. Esta miríade de galáxias pequenas no início do Universo fundiu-se ao longo do tempo em galáxias maiores que agora podemos observar.

"É inacreditável que mais de 90% das galáxias no Universo ainda não foram estudadas. Quem sabe que propriedades interessantes vamos encontrar quando descobrirmos essas galáxias com as gerações futuras de telescópios? No futuro próximo, o Telescópio Espacial James Webb será capaz de estudar estas galáxias ultrafracas, comenta Conselice.

A diminuição do número de galáxias, à medida que o tempo avançava, também contribuiu para a solução do paradoxo de Olbers (formulado pela primeira vez no início do século XVIII pelo astrónomo alemão Heinrich Wilhelm Olbers: porque é que o céu é escuro à noite se o Universo contém uma infinidade de estrelas? A equipa chegou à conclusão que há, efetivamente, uma abundância tal de galáxias que, em princípio, cada pedaço do céu contém parte de uma galáxia.

No entanto, a luz estelar das galáxias é invisível ao olho humano e à maioria dos telescópios modernos devido a outros fatores conhecidos que reduzem a luz visível e ultravioleta no Universo. Esses fatores são o "avermelhamento" da luz devido à expansão do espaço, à natureza dinâmica do Universo e à absorção de luz pela poeira e gás intergalácticos. Tudo combinado, isto mantém escuro o céu noturno.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
ESA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Quantas galáxias existem? (Hubble/ESA via YouTube)
Hubblesite
Science
Astronomy
Sky & Telescope
Astronomy Now
SPACE.com
Universe Today
redOrbit
Smithsonian
New Scientist
COSMOS
Popular Science
Scientific American
EarthSky
Popular Mechanics
Forbes
UPI
CNN
Gizmodo
Vox
ZAP.aeiou

Universo:
Universo (Wikipedia)
Idade do Universo (Wikipedia)
Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)
Big Bang (Wikipedia)
Cronologia do Big Bang (Wikipedia)
Reionização (Wikipedia)
Formação estrutural (Wikipedia)

Paradoxo de Olbers:
Wikipedia
Universidade da Califórnia, Riverside

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Blocos de construção dos blocos de construção da vida vêm da luz estelar (via NASA)
A vida existe numa miríade de formas esplêndidas, mas se quebrarmos qualquer organismo nos seus elementos mais básicos, é sempre o mesmo: átomos de carbono ligados a hidrogénio, oxigénio, azoto e outros elementos. Mas há muito que o modo como estas substâncias fundamentais eram criadas no espaço era um mistério. Ler fonte
     
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Orionte pelo Herschel
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: ESA/Herschel/PACS/SPIRE
 
Esta imagem dramática espreita o interior de M42, a Nebulosa de Orionte, a grande região de formação estelar mais próxima. Usando dados obtidos no infravermelho pelo Observatório Espacial Herschel, esta composição a cores falsas explora a nuvem cósmica natal a uns meros 1500 anos-luz de distância. Filamentos frios e densos de poeira que de outra forma seriam escuros no visível são aqui mostrados em tons avermelhados. Com anos-luz de comprimento, os filamentos tecem manchas brilhantes que correspondem a regiões de protoestrelas em colapso. A área azulada mais brilhante perto do topo da imagem é poeira mais quente aquecida pelo enxame estelar do Trapézio, que também alimenta o brilho visível da nebulosa. Os dados do Herschel indicaram recentemente que a radiação ultravioleta das estrelas quentes recém-nascidas provavelmente contribui para a criação de moléculas de carbono-hidrogénio, os blocos de construção da vida. Esta imagem do Herschel estende-se por cerca de 3 graus no céu. Isso corresponde a aproximadamente 80 anos-luz à distância da Nebulosa de Orionte.
 

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