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Edição n.º 1355
03/03 a 06/03/2017
 
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EFEMÉRIDES

Dia 03/03: 62.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1915, é fundada a NACA, antecessora da NASA.
Em 1959, lançamento da sonda Pioneer 4, a primeira missão à Lua com êxito.

Falhou a Lua por 59.500 km em vez dos esperados 32.000 km, pelo que não conseguiu testar as câmaras, mas enviou dados excelentes sobre a radiação através dos seus contadores Geiger.
Em 1968, nascia Brian Cox, físico inglês, conhecido por apresentar vários programas televisivos de ciência. 
Em 1969, lançamento da Apollo 9, com o objetivo de testar o módulo lunar.
Observações: Esta é a altura do ano em que, ao anoitecer, Orionte encontra-se na vertical a sul. Mais tarde na noite, e mais tarde no mês, o Caçador começa a sua longa inclinação para oeste.
A Lua encontra-se para baixo de Aldebarã, das Híades e das Plêiades a oeste.

Dia 04/03: 63.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1675, John Flamsteed é nomeado o primeiro Astrónomo Real de Inglaterra.
Em 1881, nascia Richard Chace Tolman, físico americano, uma autoridade em mecânica estatística. 

Fez importantes contribuições para a cosmologia teórica nos anos após a descoberta da relatividade geral por Einstein. 
Em 1979, a sonda Voyager 1 descobre os anéis de Júpiter
Em 1986, a sonda soviética Vega 1 começa a enviar imagens do Cometa Halley, as primeiras imagens de sempre do seu núcleo. 
Em 1994, a missão STS-62 do vaivém espacial (Columbia 16) é lançada para órbita. 
Em 1999, voo rasante do asteróide 1998 VD35 pela Terra (0,169 UA).
Em 2004, a Rosetta completa o seu primeiro "flyby" pela Terra. 
Em 2006, última tentativa de contacto com a Pioneer 10, pela Deep Space Network. Nenhuma resposta foi recebida.
Observações: Trânsito da sombra de Io, entre as 01:28 e as 03:42.
Trânsito de Io, entre as 02:13 e as 04:29.
A Lua encontra-se muito perto de Aldebarã e oculta várias estrelas das Híades. Para a grande dos EUA, México e América Central, a Lua oculta Aldebarã.
Eclipse de Io, entre as 22:35 e as 00:52 (já de dia 5).
Ocultação de Io, entre as 23:20 e as 01:37 (já de dia 5).

Dia 05/03: 64.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1512 nascia Gerardus Mercator, famoso cartógrafo.

Em 1616, o livro de Nicolau CopérnicoDe revolutionibus orbium coelestium (Das revoluções das esferas celestes) é banido pela Igreja Católica.
Em 1958, é lançada a sonda Explorer 2, mas falha a alcançar órbita.
Em 1978, lançamento do Landsat 3 a partir da Base da Força Aérea em Vandenberg, Califórnia. 
Em 1979 as sondas soviéticas Venera 11Venera 12 e o satélite solar americano Helios II são atingidos por raios-gama, o que leva à descoberta da primeira explosão de raios-gama, proveniente dos enigmáticos objetos de nome magnetares. No mesmo ano, a sonda Voyager 1 fez a sua maior aproximação de Júpiter, quando passou a 206.700 quilómetros do topo das nuvens do planeta. 
Em 1982, a sonda Venera 14 aterra em Vénus
Em 1998, a NASA anuncia que a sonda Clementine, em órbita da Lua, descobriu água suficiente para suportar uma colónia humana.
Observações: A Lua encontra-se entre as constelações de Touro e Orionte.
Na divisão tradicional entre o céu de inverno e o de primavera encontra-se a ténue constelação de Caranguejo. Está entre Gémeos para oeste e Leão para este. Caranguejo tem uma característica única: o enxame do Presépio, ou M44. É visível a olho nu só em céus com pouca poluição luminosa. Procure o enxame estelar um pouco menos do caminho entre Pollux e Régulo. Binóculos ajudam.

Dia 06/03: 65.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1787 nascia Joseph Fraunhofer, espectroscopista pioneiro alemão, de quem as proeminentes linhas de absorção no espectro do Sol receberam o seu nome.
Em 1986, entre dia 6 e 14, primeiro voo rasante de um cometa, pela sonda Vega 1 e Giotto (580 km), no Cometa Halley.
Em 2015, depois de orbitar Vesta durante 14 meses em 2011 e 2012, a sonda Dawn da NASA chega a Ceres.

Observações: Tem notado o movimento da Lua pelo céu ao longo destas últimas noites? Hoje encontra-se entre as constelações de Orionte e Gémeos. Além disso, tem também reparado que está cada vez mais Cheia?

 
CURIOSIDADES


A NASA divulgou o seu catálogo de software para 2017-2018, que fornece um portfólio extenso de produtos, dedicados a uma grande variedade de aplicações técnicas. Todos são grátis para o público. Consulte o documento em PDF para saber mais.

 
MUDANÇAS RÁPIDAS APONTAM PARA A ORIGEM DOS VENTOS ULTRARRÁPIDOS DOS BURACOS NEGROS
Impressão de artista que mostra um buraco negro supermassivo com emissão raios-X a emanar da sua região interna (rosa) e ventos ultrarrápidos oriundos do disco em redor (púrpura).
Crédito: ESA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os telescópios espaciais da ESA e da NASA fizeram a observação mais detalhada de um vento ultrarrápido que flui da vizinhança de um buraco negro, a quase um-quarto da velocidade da luz.

A saída de gás é uma característica comum dos buracos negros supermassivos que residem no centro de grandes galáxias. Milhões a mil milhões de vezes mais massivos do que o Sol, esses buracos negros alimentam-se do gás circundante que gira em torno deles. Os telescópios espaciais veem isso como emissões brilhantes, incluindo raios-X, da parte mais interna do disco ao redor do buraco negro.

Ocasionalmente, os buracos negros "comem" demais e expelem um vento ultrarrápido. Estes ventos são uma característica de estudo importante, porque poderiam ter uma forte influência na regulação do crescimento da galáxia hospedeira, removendo o gás circundante e, portanto, suprimindo o nascimento de estrelas.

Usando os telescópios XMM-Newton da ESA e o NuStar da NASA, os cientistas fizeram a observação mais detalhada, até hoje, de tal efusão, vinda de uma galáxia ativa identificada como IRAS 13224-3809. Os ventos registados a partir do buraco negro atingem 71.000 km/s - 0,24 vezes a velocidade da luz - colocando-os no top 5% dos ventos de buracos negros mais rápidos conhecidos.

O XMM-Newton concentrou-se no buraco negro durante 17 dias seguidos, revelando a natureza extremamente variável dos ventos.

"Temos muitas vezes apenas uma observação de um determinado objeto; depois, vários meses ou mesmo anos mais tarde, observamo-lo novamente e vemos se houve uma mudança", diz Michael Parker do Instituto de Astronomia de Cambridge, Reino Unido, autor principal do artigo publicado esta semana na Nature e que descreve o novo resultado.

"Graças a esta longa campanha de observação, observámos, pela primeira vez, mudanças nos ventos numa escala de tempo de menos de uma hora. "

As mudanças foram observadas no aumento da temperatura dos ventos, uma assinatura da sua resposta a uma maior emissão de raios-X do disco adjacente ao buraco negro.

Além disso, as observações também revelaram mudanças nas impressões digitais químicas do gás expelido: à medida que a emissão de raios-X aumentou, removeu eletrões dos seus átomos no vento, apagando as assinaturas de vento observadas nos dados.

"As impressões químicas do vento mudaram com a força dos raios-X em menos de uma hora, centenas de vezes mais rápido do que alguma vez observado", diz o coautor Andrew Fabian, também do Instituto de Astronomia e investigador principal do projeto.

"Isso permite-nos vincular a emissão de raios-X, que surge do material de arremesso no buraco negro, para a variabilidade do vento de saída mais distante. "

"Encontrar essa variabilidade, e encontrar evidências para esta conexão, é um passo fundamental para entender como os ventos de buracos negros são lançados e acelerados, o que por sua vez é uma parte essencial da compreensão da sua capacidade de abrandar a formação de estrelas na galáxia de acolhimento”, acrescenta Norbert Schartel, cientista do projeto XMM-Newton da ESA.

Links:

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
Caltech (comunicado de imprensa)
Universidade de Maryland (comunicado de imprensa)
Nature
ScienceDaily
PHYSORG

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia

Observatório XMM-Newton:
ESA
Wikipedia

NuSTAR:
NASA
Caltech
Wikipedia

 
"ARMADILHAS DE POEIRA" ESPONTÂNEAS: ASTRÓNOMOS DESCOBREM ELO PERDIDO NA FORMAÇÃO PLANETÁRIA

Pensa-se que os planetas se formam nos discos de gás e poeira encontrados em redor de estrelas jovens. Mas os astrónomos têm lutado para montar uma teoria completa da sua origem e que explica como é que a poeira inicial se desenvolve em sistemas planetários. Uma equipa francesa, britânica e australiana pensa que tem agora a resposta. As suas simulações mostram a formação de "armadilhas de poeira" onde fragmentos do tamanho de seixos se reúnem e aglomeram, para dar origem aos blocos de construção dos planetas. Publicaram os seus resultados na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

O nosso Sistema Solar (e outros sistemas planetários) começou com discos de gás e grãos de poeira em redor de uma estrela jovem. Os processos que convertem esses grãos minúsculos, cada com micrómetros de diâmetro, em agregados com alguns centímetros, e o mecanismo para fabricar núcleos planetários a partir de "planetesimais" de tamanho quilométrico, são bem compreendidos.

O estágio intermédio, que pega em seixos e os aglomera em objetos com o tamanho de asteroides, é menos claro, mas, com mais de 3500 planetas já descobertos em redor de outras estrelas, todo o processo parece ser omnipresente.

Uma imagem de um disco protoplanetário, obtida usando resultados de um novo modelo, após a formação de armadilhas de poeira espontâneas, visível como um brilhante anel de poeira. O gás tem tons de azul e a poeira de vermelho.
Crédito: Jean-François Gonzalez
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O Dr. Jean-François Gonzalez, do Centro de Pesquisa Astrofísica de Lyon, França, liderou o novo trabalho. Ele comenta: "Até agora, temos lutado para explicar como é que seixos se juntam para formar planetas e, mesmo assim, já descobrimos grandes números de planetas em órbita de outras estrelas. Isso levou-nos a pensar sobre como resolver este mistério."

Existem duas barreiras principais que precisam ser superadas para que os seixos se tornem em planetesimais. Em primeiro lugar, o arrasto do gás sobre as partículas de poeira num disco faz com que se desloquem rapidamente em direção à estrela central, onde são destruídos, não deixando nenhum material para formar planetas. O segundo desafio é que os grãos em crescimento podem ser quebrados por colisões a alta velocidade, fragmentando-os num grande número de peças mais pequenas e invertendo o processo de agregação.

Os únicos locais, nos discos de formação planetária, onde estes problemas podem ser superados são chamados de "armadilhas de poeira". Nestas regiões de alta pressão, o movimento de deriva diminui, permitindo com que os grãos de poeira se acumulem. Com a sua velocidade reduzida, os grãos também podem evitar a fragmentação quando colidem.

Até agora, os astrónomos pensavam que as armadilhas de poeira só podiam existir em ambientes muito específicos, mas as simulações de computador executadas pela equipa indicam que são muito comuns. O seu modelo presta especial atenção à forma como a poeira num disco arrasta o componente gasoso. Na maioria das simulações astronómicas, o gás faz com que a poeira se mova, mas às vezes, nas configurações mais densas, a poeira atua mais fortemente sobre o gás.

Esta ilustração mostra os estágios do mecanismo de formação das armadilhas de poeira. A estrela central é vista a amarelo, rodeada pelo disco protoplanetário, aqui visto a azul. Os grãos de poeira formam a banda no disco. No primeiro estágio, os grãos de poeira crescem em tamanho e movem-se para o interior em direção à estrela central. Os grãos, agora com o tamanho de seixos (segundo painel), aglomeram-se para cima e para baixo, e no terceiro estágio o gás é empurrado para fora pela retro-reacção, criando regiões onde a poeira se acumula, as chamadas armadilhas de poeira. As armadilhas permitem com que os seixos se continuem a agregar para formar planetesimais e, eventualmente, planetas.
Crédito: Volker Shurbert
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Este efeito, conhecido como retro-reação aerodinâmica de arrasto, é geralmente negligenciável e tem sido, até agora, ignorado nos estudos de grãos em crescimento e fragmentação. Mas os seus efeitos tornam-se importantes em ambientes ricos em poeira, como aqueles encontrados onde os planetas se formam.

O efeito de retro-reação retarda a deriva interna dos grãos, o que lhes dá tempo para crescer em tamanho. Uma vez suficientemente grandes, os grãos tornam-se os seus próprios "donos", e o gás deixa de poder governar os seus movimentos. O gás, sob a influência desta reação inversa, é empurrado para fora e forma uma região de alta pressão: a armadilha de poeira. Estas armadilhas espontâneas concentram então os grãos oriundos das regiões mais externas do disco, criando um anel muito denso de sólidos e dando uma ajuda à formação dos planetas.

Gonzalez conclui: "Ficámos muito satisfeitos ao descobrir que, com os ingredientes corretos no lugar, as armadilhas de poeira se podem formar espontaneamente numa ampla gama de ambientes. Esta é uma solução simples e robusta para um problema de longa data na formação planetária."

Observatórios como o ALMA, no Chile, já vêm anéis brilhantes e escuros em sistemas de formação planetária que se pensa serem armadilhas de poeira. Gonzalez e a sua equipa, e outros grupos de investigação espalhados pelo mundo, planeiam agora estender o modelo de armadilha até ao processo de formação dos planetesimais.

Links:

Notícias relacionadas:
Sociedade Astronómica Real (comunicado de imprensa)
Universidade Swinburne (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
Monthly Notices of the Royal Astronomical Society
EurekAlert!
ScienceDaily
Universe Today
Space Daily
PHYSORG

Discos protoplanetários:
Wikipedia

ALMA:
Página principal
ALMA (NRAO)
ALMA (NAOJ)
ALMA (ESO)
Wikipedia

 
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Quatro Imagens de um Quasar Rodeiam uma Lente Galáctica
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: ESA/HubbleNASASherry Suyu et al.
 
Uma coisa estranha acerca do grupo de luzes perto do centro é que quatro delas são o mesmo quasar distante. Isto porque a galáxia em primeiro plano - no centro das imagens do quasar e da imagem em destaque - está a agir como uma lente gravitacional. Uma coisa talvez ainda mais estranha é que ao observarmos estes quasares distantes a cintilar, podemos estimar a velocidade de expansão do Universo. Isto porque o sincronismo da cintilação aumenta à medida que a velocidade de expansão aumenta. Mas, para alguns astrónomos, o mais estranho de tudo é que estas imagens multiplicadas do mesmo quasar indicam um Universo que se está a expandir um pouco mais depressa do que estimado por métodos diferentes que se aplicam ao Universo primitivo. E isto porque... bem, ninguém tem a certeza da razão. As razões podem incluir uma distribuição inesperada de matéria escura, algum efeito inesperado da gravidade, ou algo completamente diferente. Talvez as observações e análises futuras, deste e de outros quasares similares, possam esclarecer todas as dúvidas.
 

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