Problemas ao ver este email? Consulte a versão web.

Edição n.º 1421
20/10 a 24/10/2017
 
Siga-nos:      
 
EFEMÉRIDES

Dia 20/10: 293.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1891, nascia James Chadwick, físico inglês que em 1935 ganhou o Prémio Nobel da Física pela sua descoberta do neutrão (efetuada em 1932).

Observações: Procure Capella baixa a nordeste por estes dias. Procure também as Plêiades cerca de três punhos à distância do braço esticado para a sua direita. Estes mensageiros dos meses frios sobem no céu com o passar da noite.

Dia 21/10: 294.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1959, o presidente norte-americano Dwight D. Eisenhower assina uma ordem executiva transferindo Wernher von Braun e outros cientistas alemães do Exército dos EUA para a NASA.
Em 1965, o cometa Ikeya-Seki aproxima-se do periélio, passando a 450.000 km do Sol.
Em 2003 foram tiradas as imagens do planeta anão Eris que conduziram à sua descoberta subsequente feita pelos astrónomos Michael E. BrownChad Trujillo e David L. Rabinowitz

Observações: A chuva de meteoros das Oriónidas atinge o seu pico antes do amanhecer sob um céu sem Lua.
Esta é a altura do ano em que a Ursa Maior situa-se baixa a norte-noroeste após o anoitecer. Quão baixa? Quanto mais para sul estiver o observador, mais baixa estará.

Dia 22/10: 295.º dia do calendário gregoriano.
História: No ano 2136 AC, primeiros registos de um eclipse solar total, testemunhado por astrónomos chineses. O imperador Zhong Kang supostamente decapita estes dois astrónomos, Hsi e Ho, por falharem em prever o eclipse.
Em 1905, nascia Karl Jansky, físico e engenheiro americano que descobriu ondas de rádio oriundas da Via Láctea. É considerado um dos fundadores da radioastronomia
Em 1966, a União Soviética lança a Luna 12.
Em 1968, a Apollo 7 aterra com sucesso no Oceano Atlântico após orbitar a Terra 163 vezes. 
Em 1975, a sonda soviética Venera 9 aterra em Vénus.

Em 2008, a Índia lança a sua primeira missão lunar não-tripulada, a Chandrayaan-1.
Observações: Ainda consegue observar Antares, baixa a sudoeste ao lusco-fusco? A Lua Crescente, ainda muito fina, encontra-se para a sua direita, como que dizendo "adeus, até para o ano que vem!"

Dia 23/10: 296.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1885, é tirada a primeira fotografia de uma chuva de meteoros
Em 1977, o Meteosat 1 torna-se no primeiro satélite a ser posto em órbita pela Agência Espacial Europeia (ESA).

Em 2014, a agência espacial chinesa lança a missão não-tripulada Chang'e 5-T1, em preparação para uma missão de recolha de amostras lunares, planeada para 2017.
Observações: Aproveite a hora de jantar para observar a Lua Crescente, baixa a sudoeste. O ponto brilhante para a sua esquerda é o planeta Saturno.

 
CURIOSIDADES


A webcam a bordo da Mars Express foi originalmente instalada para servir como confirmação visual da separação do "lander" Beagle 2 em 2003. Em 2007, foi ligada novamente e tem vindo a ser usada principalmente para a divulgação científica, educação e ciência amadora. As suas imagens são colocadas automaticamente neste site Flickr, por vezes apenas 75 minutos depois de serem obtidas em Marte.

 
POTENCIAL HABITAT HUMANO LOCALIZADO NA LUA

Um estudo publicado na revista Geophysical Research Letters confirma a existência de um grande tubo de lava aberto na região de Montes Marius na Lua, que pode ser usado para proteger os astronautas de condições perigosas à superfície.

Ninguém já esteve na Lua mais de três dias, em grande parte porque os fatos espaciais por si só não conseguem proteger os astronautas dos elementos: variações extremas de temperatura, radiação e impactos de meteoritos. Ao contrário da Terra, a Lua não tem uma atmosfera ou um campo magnético para proteger os seus habitantes.

De acordo com o estudo, o local mais seguro para procurar abrigo é no interior de um tubo de lava intacto.

A "claraboia" dos Montes Hills, observada pela equipa japonesa SELENE/Kaguya.
Crédito: NASA/Goddard/Universidade Estatal do Arizona
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os tubos de lava são canais naturais formados quando um fluxo de lava desenvolve uma crosta dura, que ganha espessura e forma um telhado acima do fluxo de lava que ainda flui por baixo. Assim que a lava deixa de fluir, o túnel às vezes é drenado, formando um vazio.

"É importante saber onde estão e quão grandes são os tubos de lava lunar, se queremos construir uma base," comenta Junichi Haruyama, investigador sénior da JAXA, a agência espacial japonesa. "Mas conhecer estas coisas também é importante para a ciência básica. Podemos obter novos tipos de amostras rochosas, dados sobre fluxos de calor e dados de observação de sismos lunares."

A JAXA analisou dados de radar da sonda SELENE para detetar os tubos de lava subjacentes. Perto da "Claraboia" de Montes Hills, uma entrada para o tubo, encontraram um padrão distinto de eco: uma diminuição no poder de eco seguido por um segundo e grande pico de eco, que acreditam ser evidências de um tubo. Os dois ecos correspondem a reflexões de radar da superfície da Lua e do chão e teto do tubo aberto. A equipa encontrou padrões de eco similares em vários locais em redor do buraco, indicando que pode haver mais que um.

O sistema de radar da nave SELENE não foi desenhado para detetar tubos de lava - foi construído para estudar as origens da Lua e a sua evolução geológica. Por estas razões, não voou perto o suficiente da superfície da Lua para obter informações extremamente precisas sobre o que está (ou não) por baixo.

Quando a equipa da JAXA decidiu usar os seus dados para tentar encontrar tubos de lava, consultaram cientistas da missão GRAIL, um esforço da NASA para recolher dados de alta qualidade do campo gravitacional da Lua. Ao investigar as áreas onda a GRAIL encontrou déficits de massa, ou menos massa à superfície, reduziram os dados que precisavam analisar.

"Eles conheciam a 'claraboia' nos Montes Hills, mas não tinham ideia da profundidade dessa cavidade subterrânea," comenta Jay Melosh, coinvestigador da GRAIL e professor de Ciências Terrestres, Atmosféricas e Planetárias da Universidade de Purdue. "O nosso grupo em Purdue usou dados de gravidade dessa área para inferir que a abertura fazia parte de um sistema maior. Ao usar esta técnica complementar de radar, conseguiram descobrir a profundidade e altura das cavidades."

A cidade norte-americana de Filadélfia no interior de um hipotético tubo de lava lunar.
Crédito: Universidade de Purdue/David Blair
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Existem tubos de lava na Terra, mas os seus homólogos lunares são muito maiores. Para um tubo de lava ser detetável em dados de gravidade, teria que medir vários quilómetros em comprimento e ter pelo menos um quilómetro de altura e largura - o que significa que o tubo de lava perto dos Montes Hills é suficientemente espaçoso para abrigar uma grande cidade, caso os resultados de gravidade estejam corretos.

A existência de tubos de lava na Lua já foi especulada no passado, mas esta combinação de dados de radar e gravidade fornece a imagem mais clara do seu aspeto e do seu tamanho. Esta informação pode ser mais útil do que o esperado anteriormente.

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade de Purdue (comunicado de imprensa)
Geophysical Research Letters
ScienceDaily
Universe Today
Science alert
PHYSORG
Gizmodo
ZAP.aeiou

Lua:
Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve 
Wikipedia

Tubo de lava:
Wikipedia
Tubo de Lava Virtual

SELENE:
JAXA
Wikipedia

GRAIL:
NASA
Wikipedia

 
ESTUDO MOSTRA COMO A ÁGUA PODE TER CORRIDO À SUPERFÍCIE DE UM PLANETA MARTE JOVEM, FRIO E GELADO
Uma extensa rede de vales cobre terras altas no sul de Marte. Estas características geológicas sugerem que o planeta já foi mais quente e húmido. No entanto, uma nova investigação mostra que a água pode ter percorrido a superfície, intermitentemente, num jovem Marte frio e gelado.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Universidade Estatal do Arizona
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Uma investigação por cientistas planetários da Universidade de Brown descobriu que o derretimento de camadas de gelo num frio planeta Marte do passado teria formado água suficiente para esculpir os antigos vales e leitos vistos atualmente no planeta.

Para os cientistas que tentam entender o aspeto passado de Marte, o Planeta Vermelho fornece alguns sinais confusos. Os vales esculpidos por água e os leitos deixam poucas dúvidas de que a água já fluiu à superfície. Mas os modelos climáticos para o passado de Marte sugerem que as temperaturas médias em todo o globo ficavam bem abaixo do ponto de congelamento.

Um estudo recente liderado por geólogos da Universidade Brown apresenta uma ponte potencial entre a história "quente e húmida" contada pela geologia marciana e o passado "frio e gelado" sugerido pelos modelos atmosféricos. O estudo mostra que é plausível, mesmo que Marte estivesse no geral congelado, que o pico das temperaturas diárias no verão pudesse subir acima de zero o suficiente para provocar o derretimento nos bordos dos glaciares. Essa água derretida, produzida em quantidades relativamente pequenas ano após ano, poderia ter sido suficiente para esculpir as características observadas no planeta hoje, concluem os investigadores.

O estudo foi publicado online na revista Icarus. Ashley Palumbo, estudante de doutoramento da Universidade Brown e líder do estudo, diz que a investigação foi inspirada pela dinâmica climática encontrada na Terra.

"Nós vemos isto nos Vales Secos Antárticos, onde a variação sazonal da temperatura é suficiente para formar e sustentar lagos, mesmo que a temperatura média anual permaneça bem abaixo de zero," comenta Palumbo. "Nós queríamos ver se algo semelhante era possível no passado de Marte."

Os cientistas começaram com um modelo climático de Marte topo-de-grama - um que assume que a atmosfera antiga era composta principalmente por dióxido de carbono (como é hoje). O modelo geralmente produz um Marte frio e gelado, em parte porque pensa-se que a energia do Sol era muito mais fraca no início da história do Sistema Solar. Os investigadores correram o modelo para um amplo conjunto de parâmetros e variáveis que podem ter sido importantes há cerca de 4 mil milhões de anos, quando as icónicas redes de vales nas terras altas do sul do planeta foram formadas.

Apesar dos cientistas concordarem, no geral, que a atmosfera marciana era mais espessa no passado, não sabemos quão espessa realmente era. Da mesma forma, enquanto a maioria dos cientistas concorda que a atmosfera era constituída principalmente por dióxido de carbono, podia também existir pequenas quantidades de outros gases de efeito de estufa. De modo que Palumbo e colegas correram o modelo com várias espessuras atmosféricas plausíveis e quantidades extra de efeito de estufa.

Também não se sabe exatamente o aspeto das variações da órbita de Marte há 4 mil milhões de anos, de modo que os investigadores testaram uma série de cenários orbitais plausíveis. Testaram diferentes graus de inclinação axial, que influenciam a quantidade de luz solar que as latitudes superiores e inferiores do planeta recebem, bem como diferentes graus de excentricidade - a medida em que a órbita do planeta em redor do Sol se desvia de um círculo, o que pode ampliar as mudanças sazonais de temperatura.

O modelo produziu cenários em que o gelo cobria a região perto da localização das redes de vales. E enquanto a temperatura média anual do planeta nesses cenários permanecia bem abaixo de zero, o modelo produziu temperaturas máximas de verão, nas terras altas a sul, que subiram acima de zero.

Para que o mecanismo possa explicar as redes de vales, este deve produzir o volume correto de água no tempo de formação da rede de vales, e a água deve percorrer a superfície a taxas comparáveis às exigidas para as incisões na rede de vales. Há alguns anos atrás, Jim Head, coautor do presente estudo e Eliot Rosenberg, na altura estudante de Brown, publicaram uma estimativa da quantidade mínima de água necessária para esculpir o maior dos vales de Marte. Usando essa estimativa como guia, juntamente com as estimativas das taxas de escoamento e da duração da formação da rede de vales obtidas por outros estudos, Palumbo mostrou que o modelo se adapta a um cenário altamente excêntrico. Esse grau de excentricidade necessária fica bem dentro da gama de órbitas possíveis para Marte há 4 mil milhões de anos, comenta Palumbo.

Como um todo, realça Palumbo, os resultados fornecem um potencial meio de conciliar as evidências geológicas de água corrente no passado de Marte com as evidências atmosféricas de um planeta frio e gelado.

"Este trabalho acrescenta uma hipótese plausível para explicar a forma como a água líquida pode ter-se formado no início de Marte, de forma semelhante ao derretimento sazonal que produz os rios e lagos que observamos durante o nosso trabalho de campo nos Vales Secos Antárticos de McMurdo," explica Head. "Estamos atualmente a explorar candidatos adicionais a mecanismos de aquecimento, incluindo vulcanismo e crateras de impacto, que também podem contribuir para o derretimento de um Marte jovem, frio e gelado."

Apesar do trabalho não encerrar o debate "frio e gelado" vs. "quente e molhado", ilustra que um Marte jovem e principalmente gelado é uma possibilidade distinta.

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade Brown (comunicado de imprensa)
Icarus
PHYSORG
Universe Today

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Webcam na Mars Express estuda nuvens a alta altitude (via ESA)
Um catálogo sem precedentes com mais de 21.000 imagens captadas por uma webcam a bordo da sonda Mars Express está a provar o seu valor como instrumento científico, fornecendo um levantamento global de nuvens a alta altitude no Planeta Vermelho. Ler fonte
     
  À procura do Planeta Nove (via Universidade do Michigan)
Uma estudante de doutoramento da Universidade do Michigan registou duas linhas de evidência que podem apoiar a existência de um planeta que poderá fazer parte do nosso Sistema Solar, situado pará da órbita de Neptuno. Alguns astrónomos pensam que este suposto planeta, chamado Planeta Nove, existe devido à forma como alguns objetos no espaço, chamados "Objetos Trans-Neptunianos" (OTN), se comportam. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Estrelas e Poeira em Coroa Austral
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Eric Coles & Martin Pugh
 
Nuvens azuis de poeira e estrelas energéticas habitam esta paisagem telescópica, a menos de 500 anos-luz de distância na direção do limite norte da constelação de Coroa Austral. As nuvens de poeira efetivamente bloqueiam luz de estrelas de fundo mais distantes na Via Láctea. Mas o complexo impressionante de nebulosas de reflexão catalogadas como NGC 6726, 6727 e IC 4812 produzem uma cor azul característica, uma vez que a luz das brilhantes estrelas azuis da região é refletida pela poeira cósmica. A poeira também obscurece estrelas ainda no processo de formação. À esquerda, a mais pequena nebulosa amarelada NGC 6729 curva-se em redor da jovem estrela variável R Coronae Australis. Logo abaixo, arcos e loops incandescentes chocados por fluxos de estrelas recém-nascidas embebidas são identificados como objetos Herbig-Haro. No céu, este campo de visão abrange cerca de um grau, correspondendo a quase nove anos-luz à distância estimada desta região de formação estelar próxima.
 

Arquivo | Feed RSS | CCVAlg.pt | CCVAlg - Facebook | CCVAlg - Twitter | Remover da lista

Os conteúdos das hiperligações encontram-se na sua esmagadora maioria em Inglês. Para o boletim chegar sempre à sua caixa de correio, adicione noreply@ccvalg.pt à sua lista de contactos. Este boletim tem apenas um carácter informativo. Por favor, não responda a este email. Contém propriedades HTML - para vê-lo na sua devida forma, certifique-se que o seu cliente suporta este tipo de mensagem, ou utilize software próprio, como o Outlook, o Windows Mail ou o Thunderbird.

Recebeu esta mensagem por estar inscrito na newsletter do Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve. Se não a deseja receber ou se a recebe em duplicado, faça a devida alteração clicando aqui ou contactando-nos.

Esta mensagem do Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve destina-se unicamente a informar e não pode ser considerada SPAM, porque tem incluído contacto e instruções para a remoção da nossa lista de email (art. 22.º do Decreto-lei n.º 7/2004, de 7 de Janeiro).

2017 - Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve