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Edição n.º 1449
26/01 a 29/01/2018
 
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EFEMÉRIDES

Dia 26/01: 26.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1949, é inaugurado o telescópio Hale no Observatório Palomar, sob a direção de Edwin Hubble, e torna-se no telescópio com maior abertura ótica até à construção do BTA-6 em 1975.
Em 1962, é lançada a Ranger 3 com o objetivo de estudar a Lua. A sonda falha o satélite por 35.400 km.
Em 1978 o satélite "International Ultraviolet Explorer" (IUE) é lançado para uma órbita geosíncrona.

Durante os anos de operação, enviou 104.470 imagens de alta e baixa resoluções de 9600 fontes astronómicas de todas as classes de objetos celestes na banda ultravioleta entre 1150-3350 Å. O satélite foi desligado a 30 de setembro de 1996.
Observações: A Lua, dois dias depois do Quarto Crescente, brilha esta noite para a direita de Aldebarã e para baixo e para a esquerda das Plêiades.

Dia 27/01: 27.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1593, começa no Vaticano o julgamento de Giordano Bruno, que durou sete anos.
Em 1941 nascia Beatrice Tinsley, astrónoma e cosmóloga neo-zelandesa cuja pesquisa fez contribuições importantes para a compreensão de como as galáxias evoluem com o passar do tempo.
Em 1967, os astronautas da Apollo 1 - Virgil (Gus) Grissom, Edward H. White II e Roger B. Chaffee - morrem num incêndio na plataforma de lançamento, durante um teste da Apollo 204 (AS-204), que era para ser a primeira missão tripulada do programa lunar, com lançamento a 21 de Fevereiro de 1967.

No mesmo ano, os Estados Unidos, o Reino Unido e a União Soviética assinam o Tratado do Espaço Exterior em Washington, D.C., proibindo a utilização de armas nucleares no espaço e limitando a Lua e os outros corpos espaciais para fins pacíficos.
Observações: Depois do anoitecer, o Grande Quadrado de Pégaso desce a oeste, apoiado num canto. Entretanto, a Ursa Maior sobe a norte-nordeste, estando a sua "frigideira" na vertical.

Dia 28/01: 28.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1608 nascia Giovanni Alfonso Borelli, físico e matemático italiano e renascentista. Contribuiu para o princípio moderno da investigação científica através da continuação do costume de Galileu, de testar hipóteses contra observações. Fez também estudos prolongados das luas de Júpiter.
Em 1611, nascia Johannes Hevelius, que seria o primeiro astrónomo a observar as fases de Mercúrio.

Hevelius também ganhou reputação como "fundador da topografia lunar" e descreveu dez novas constelações, sete das quais são ainda hoje reconhecidas pelos astrónomos. Morreria neste mesmo dia em 1687, quando fazia 76 anos. 
Em 1612, Galileu observa pela primeira vez o planeta Neptuno, confundindo-o com uma estrela 233 anos antes da sua descoberta.
Em 1622 nascia Adrien Auzout, astrónomo francês que fez observações de cometas e argumentou a favor das suas órbitas elípticas ou parabólicas. Foi um dos membros fundadores do Observatório de Paris. 
Em 1986, o vaivém espacial Challenger explode 73 segundos depois de descolar. A tripulação inteira morre: Francis Scobee, Michael Smith, Judith Resnik, Ellison Onizuka, Ronald McNair, Gregory Jarvis e Sharon Christa McAuliffe.
Observações: Esta noite, a Lua brilha entre Pollux e Castor (Gémeos), para a sua esquerda, e Betelgeuse e Bellatrix (Orionte) para a sua direita. Para baixo e para a esquerda do nosso satélite natural está Procyon (Cão Menor), e para baixo e para a direita encontra-se Sirius (Cão Maior).

Dia 29/01: 29.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1986 ocorreu o incidente Height 611 em que uma bola de fogo terá sido vista pela população inteira de uma povoação, tendo desaparecido de seguida.

Observações: A Lua forma um triângulo com Pollux (ou Castor) e Procyon. Se seguirmos esta orientação Castor-Lua-Procyon, chegamos a Sirius, a estrela mais brilhante do céu noturno.

 
CURIOSIDADES

O rover Opportunity da NASA comemorou ontem 14 anos [terrestres] em Marte. Tinha uma missão original de 90 sols (dias marcianos). Isto quer dizer que ultrapassou o seu "período de garantia" em 4880 dias marcianos.

 
O QUE ACONTECERIA SE A TERRA FOSSE REALMENTE PLANA?
Se a Terra fosse plana, nós saberíamos, porque muitas coisas funcionavam de maneira diferente.
Crédito: Pexels
 

Bem-vindos a 2018. A Terra voltou a completar uma volta ao Sol. Mas não tão depressa. Se concorda com a ideia de uma Terra plana, então acreditará que tal não aconteceu, porque o Sol gira num círculo em redor do céu.

Os seres humanos sabem há muito tempo que o planeta é redondo, mas a crença numa Terra plana recusa-se a morrer. Há até uma organização dedicada a este tema. Vamos examinar, então, como os princípios bem conhecidos da física e da ciência funcionariam (ou não) numa Terra plana.

A Gravidade Falha

Em primeiro lugar, um planeta com a forma de uma panqueca não teria gravidade. Não está claro como é que a gravidade funcionaria neste mundo, afirma James Davis, geofísico do Observatório Lamont-Doherty da Universidade de Columbia. Isto é muito importante, já que a gravidade explica uma ampla gama de observações terrestres e cósmicas. A mesma força mensurável que faz com que uma maçã caia de uma árvore também faz com que a Lua orbite a Terra e que todos os planetas orbitem o Sol.

As pessoas que acreditam numa Terra plana assumem que a gravidade puxaria para baixo, mas não há evidências que sugerem que isso funcionasse assim. O que sabemos sobre a gravidade sugere que puxaria para o centro do disco. Isto significa que só puxaria para baixo num ponto - no centro do disco. À medida que nos afastamos do centro, a gravidade puxaria cada vez mais horizontalmente. Isto teria alguns impactos estranhos, como: "chupava" toda a água para o centro do mundo e faria com que as árvores e as plantas crescessem diagonalmente, pois desenvolvem-se na direção oposta à atração da gravidade.

Problemas Solares

E depois temos o Sol. No modelo cientificamente suportado do Sistema Solar, a Terra gira em torno do Sol porque este último astro é muito mais massivo e tem mais gravidade. No entanto, a Terra não cai para o Sol porque viaja numa órbita. Por outras palavras, a gravidade do Sol não está a agir sozinha. O planeta também viaja numa direção perpendicular ao puxo gravitacional da estrela; se fosse possível desligar essa gravidade, a Terra seria disparada em linha reta e sairia do Sistema Solar. Ao invés, o momento linear e a gravidade do Sol combinam-se, resultando numa órbita quási-circular em redor do Sol.

O modelo da Terra plana coloca o nosso planeta no centro do Universo, mas não sugere que o Sol orbita a Terra. Em vez disso, o Sol circula no topo do mundo como um carrossel, iluminando e aquecendo-nos como um candeeiro de mesa. Sem o momento linear e perpendicular que ajuda a gerar uma órbita, não está claro que força manteria o Sol e a Lua a pairar sobre a Terra, em vez de bater nela.

Da mesma forma, num mundo plano, os satélites provavelmente não seriam possíveis. Como é que orbitariam um plano? "Existem inúmeros satélites dos quais a sociedade depende que simplesmente não funcionariam," explica Davis. Por esta razão, acrescenta, "não consigo perceber como é que o sistema GPS funcionaria numa Terra plana."

Se o Sol e a Lua apenas se deslocassem num dos lados da Terra plana, presumivelmente podia haver uma precessão de dias e noites. Mas tal não explicaria as estações, os eclipses e muitos outros fenómenos. O Sol também, presumivelmente, teria que ser mais pequeno que a Terra, de modo a não queimar ou colidir com o nosso planeta ou com a Lua. No entanto, nós sabemos que o Sol tem um diâmetro mais de 100 vezes superior ao da Terra.

Removendo o Céu e a Terra

Nas profundezas do interior terrestre, o núcleo sólido gera o campo magnético do planeta. Mas num planeta plano, isso teria que ser substituído por outra coisa. Talvez uma folha plana de metal líquido. Tal, no entanto, não giraria de forma a produzir um campo magnético. Sem um campo magnético, as partículas carregadas do Sol fritariam o planeta. Podem destruir a atmosfera, como aconteceu com Marte depois de perder o seu campo magnético, e o ar e os oceanos escapariam para o espaço.

O movimento das placas tectónicas e a sismicidade dependem de uma Terra redonda, porque somente numa esfera todas as placas encaixam de maneira sensata, realça Davis. Os movimentos das placas num lado da Terra afetam os movimentos no outro. As áreas da Terra que fabricam crosta, como por exemplo a dorsal mesoatlântica, são contrabalançadas por locais que consomem crosta, como por exemplos as zonas de subducção. Numa Terra plana, nada disto pode ser explicado adequadamente. Teria também que haver uma explicação para o que acontece às placas na orla do mundo. Pode-se imaginar que caem, mas isso provavelmente prejudicaria a proposta "parede" que impede as pessoas de caírem do mundo em forma de disco.

Como alguns apoiantes da Terra plana mapeiam o planeta. O Ártico está no centro, e uma "parede de gelo" em torno da orla supostamente impede as pessoas de cairem da Terra.
Crédito: Wiki Commons
 

Talvez uma das estranhezas mais flagrantes é que o mapa proposto da Terra plana é totalmente diferente. Coloca o Ártico no centro enquanto a Antártica forma uma "parede de gelo" em redor da borda. Em tal mundo, as viagens seriam muito diferentes. Voar da Austrália até certas partes da Antártica, por exemplo, levaria muito tempo - teríamos que viajar por cima do Ártico e de ambas as Américas para lá chegar. Além disso, certas façanhas do mundo real, como percorrer a Antártica (o que já foi feito muitas vezes), seriam impossíveis.

Esbatendo no Chão

Contrariamente à crença popular, é um equívoco pensar que muitas sociedades de pessoas sérias e educadas realmente alguma vez acreditaram na ideia da Terra plana. "Com extraordinárias exceções, nenhuma pessoa educada na história da civilização ocidental, a partir do século III AC em diante, acreditava que a Terra era plana," comentou o historiador Jeffrey Burton Russell em 1997. "Uma Terra redonda aparece, pelo menos, tão cedo quanto o século VI AC com Pitágoras, que foi seguido por Aristóteles, Euclides e Aristarco, entre outros, na observação de que a Terra era uma esfera."

Como escreveu o cientista e autor Stephen Jay Gould, a ideia de que muitas pessoas - incluindo espanhóis e Cristóvão Colombo - acreditavam que a Terra era plana foi inventada em grande parte por escritores no século XIX como Washington Irvin, Jean Letronne e outros. Letronne era um "académico de fortes preconceitos antirreligiosos... que inteligentemente se baseou em ambos para deturpar os líderes da Igreja e os seus sucessores medievais como acreditando numa Terra plana," observou Russell.

De qualquer forma, embora seja divertido imaginar cenários contrafatuais, a ciência avança com o desenvolvimento de teorias científicas para explicar observações. No que toca a estas teorias, quanto mais simples, melhor, diz Davis. A noção de uma Terra plana, no entanto, começa claramente com a ideia de que o planeta é plano e, em seguida, tenta torcer outras observações para seu benefício. Podemos encontrar explicações estranhas para fenómenos individuais sob este quadro, realça Davis, mas "desmoronam-se muito rapidamente."

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade de Columbia (comunicado de imprensa)

Ideia da Terra plana:
Wikipedia
Organizações modernas que acreditam na Terra plana (Wikipedia)

Terra:
Wikipedia

 
TEMPESTADES DE POEIRA LIGADAS À FUGA ATMOSFÉRICA DE MARTE

Alguns especialistas em Marte estão ansiosos e otimistas para que uma tempestade de poeira, este ano, cresça tanto que seja capaz de escurecer os céus em todo o Planeta Vermelho.

Este maior fenómeno no ambiente moderno de Marte poderá ser examinado como nunca antes, usando a combinação de naves atualmente em órbita.

Um estudo publicado esta semana com base em observações da sonda MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) da NASA, obtidas durante a mais recente tempestade global de poeira marciana - em 2007 - sugere que essas tempestades desempenham um papel no processo contínuo de escape de gás no topo da atmosfera de Marte. Esse processo transformou há muito tempo o Marte antigo, mais quente e mais húmido no Marte gelado e árido de hoje.

"Descobrimos que há um aumento no vapor de água na atmosfera média em ligação com as tempestades de areia," afirma Nicholas Heavens da Universidade de Hampton, no estado norte-americano de Virgínia, autor principal do artigo publicado na revista Nature Astronomy. "O vapor de água é transportado com a mesma massa de ar que sobe com a poeira."

Duas imagens obtidas em 2001, pelo orbitador Mars Global Surveyor da NASA, que mostram uma mudança dramática na aparência do planeta quando neblina levantada por atividade de tempestades de areia no sul se tornou distribuída globalmente. As imagens foram obtidas com um mês de separação.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Uma ligação entre a presença de vapor de água na atmosfera média de Marte - aproximadamente entre 50 e 100 km de altura - e a fuga de hidrogénio do topo da atmosfera já tinha sido detetada pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA e pela sonda Mars Express da ESA, mas principalmente em anos sem as mudanças dramáticas produzidas por uma tempestade global de areia. A missão MAVEN da NASA chegou a Marte em 2014 para estudar o processo de escape atmosférico.

"Seria ótimo ter uma tempestade global de poeira que pudéssemos observar com todos os recursos atualmente em Marte, e isso poderá acontecer este ano," comenta David Kass do JPL da NASA em Pasadena, Califórnia. Ele é coautor do novo artigo e investigador principal adjunto do instrumento que é a principal fonte de dados do relatório, o MCS (Mars Climate Sounder) da MRO.

Nem todos os observadores de Marte estão entusiasmados com a ideia de uma tempestade global de poeira, que pode afetar negativamente as missões em curso. Por exemplo: o Opportunity, um rover movido a energia solar, teria que entrar em modo poupança de energia; os parâmetros do futuro "lander" InSight teriam que ser ajustados para uma entrada, descida e aterragem segura em novembro; e todas as câmaras nos rovers e orbitadores teriam que lidar com a baixa visibilidade.

A subida de ar durante uma tempestade global de poeira marciana em 2007 elevou vapor de água para a atmosfera média do planeta, aprenderam cientistas a partir de dados derivados de observações pelo instrumento MCS a bordo da sonda MRO da NASA.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Universidade de Hampton
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Décadas de observações de Marte documentam um padrão de múltiplas tempestades regionais de poeira que surgem durante a primavera e durante o verão no hemisfério norte. Na maioria dos anos marcianos, que são quase duas vezes mais longos que os anos terrestres, todas as tempestades regionais se dissipam e nenhuma cresce até uma tempestade global. Mas tais expansões ocorreram em 1977, 1982, 1994, 2001 e 2007. A próxima temporada de tempestades marcianas de poeira deverá começar este verão e durar até ao início de 2019.

O instrumento MCS a bordo da MRO pode examinar a atmosfera para detetar diretamente partículas de poeira e gelo e pode, indiretamente, detetar concentrações de vapor de água a partir dos seus efeitos na temperatura. Heavens e coautores do novo artigo científico relatam que os dados do instrumento mostram ligeiros aumentos no vapor de água presente na atmosfera média durante tempestades regionais de poeira e revelam um salto acentuado na altitude alcançada pelo vapor de água durante a tempestade global de poeira de 2007. Usando métodos de análise recentemente refinados para os dados de 2007, os cientistas descobriram um aumento no vapor de água superior a 100 vezes na atmosfera média durante essa tempestade global.

Antes da MAVEN alcançar Marte, muitos cientistas esperavam ver uma perda de hidrogénio no topo da atmosfera a um ritmo bastante estável, com variações ligadas às mudanças no fluxo de partículas carregadas do vento solar. Os dados da MAVEN e da Mars Express não encaixam nesse modelo, mostrando ao invés um padrão que parece mais relacionado com as estações marcianas do que com a atividade solar. Heavens e coautores indicam a elevação do vapor de água, até maiores altitudes, pelas tempestades de areia, como a chave provável para o padrão sazonal no escape do hidrogénio no topo da atmosfera. As observações da MAVEN durante os efeitos mais fortes de uma tempestade global de poeira podem aumentar a compreensão da sua possível ligação com a fuga de gás da atmosfera.

Links:

Cobertura da missão MAVEN pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
02/01/2018 - Missão marciana lança luz sobre habitabilidade de exoplanetas
24/10/2017 - MAVEN descobre que Marte tem uma "cauda torcida"
04/04/2017 - Sonda MAVEN revela que maior parte da atmosfera marciana foi perdida para o espaço
06/11/2015 - MAVEN revela velocidade a que o vento solar retira atmosfera de Marte
23/06/2015 - Marte é uma "estrela de rock"
20/03/2015 - MAVEN deteta auroras e misteriosa nuvem de poeira em torno de Marte
19/12/2014 - MAVEN identifica elos da cadeia que leva a perda atmosférica
23/09/2014 - MAVEN chega a Marte, amanhã é a vez da indiana Mangalyaan
19/09/2014 - MAVEN chega a Marte este fim-de-semana 
19/11/2013 - Lançamento da MAVEN 
15/11/2013 - MAVEN vai investigar o que aconteceu em Marte 
01/11/2013 - NASA prepara lançamento da 1.ª missão de exploração da atmosfera marciana

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Universidade do Colorado em Boulder (comunicado de imprensa)
Nature Astronomy
Science alert
PHYSORG

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

MAVEN:
NASA
NASA - 2
Wikipedia

MRO:
NASA 
JPL 
Wikipedia

Mars Express: 
ESA 
Wikipedia

 
CIENTISTAS DESCOBREM EVIDÊNCIAS DE FORTES VENTOS PERTO DE BURACOS NEGROS
Ilustração de ventos fortes a perturbar o disco exterior de material em redor de um buraco negro de massa estelar.
Crédito: NASA/Swift/A. Simmonet, Universidade Estatal de Sonoma
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Uma nova investigação mostra a primeira evidência de ventos fortes em torno de buracos negros ao longo de eventos explosivos e brilhantes nos quais os buracos negros consomem massa rapidamente.

O estudo lança nova luz sobre o modo como a massa é transferida para os buracos negros e como podem afetar o ambiente em seu redor.

"Os ventos devem expelir uma grande fração da matéria que um buraco negro podia comer," comenta Bailey Tetarenko, estudante de doutoramento da Universidade de Alberta e autora principal do estudo. "Num dos nossos modelos, os ventos removeram 80% da potencial refeição do buraco negro."

A investigação foi realizada por uma equipa internacional de investigadores liderada por Tetarenko e cientistas do Departamento de Física da Universidade de Alberta.

Ao examinarem 20 anos de dados de três agências espaciais internacionais, os cientistas usaram novas técnicas estatísticas para estudar explosões oriundas de sistemas binários de raios-X compostos por buracos negros de massa estelar. Viram evidências de ventos consistentes e fortes em redor de buracos negros durante as explosões. Até agora, os ventos fortes só haviam sido vistos em partes limitadas destes eventos.

Também observaram que os buracos negros de massa estelar têm a capacidade de consumir tudo até um raio de três a 150 km, dependendo do seu tamanho.

"Nem mesmo a luz pode escapar de tão perto de um buraco negro," explica Gregory Sivakoff, professor associado de física e coautor do artigo. Outros buracos negros, muito maiores, chamados buracos negros supermassivos, parecem ter afetado a formação de galáxias inteiras.

"Mas até os buracos negros supermassivos são mais pequenos que o nosso Sistema Solar. Embora sejam pequenos, os buracos negros podem ter efeitos surpreendentemente amplos," explica Sivakoff.

Então, o que exatamente provoca estes ventos no espaço? Por enquanto, continua um mistério.

"Nós pensamos que os campos magnéticos desempenham um papel fundamental. Mas precisamos de investigar muito mais para compreender estes ventos," comenta Craig Heinke, professor associado de física e coautor.

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade de Alberta (comunicado de imprensa)
Nature
ScienceDaily
PHYSORG

Buracos negros:
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Um "Júpiter quente" com ventos invulgares (via Universidade McGill)
O ponto mais quente num planeta gasoso, perto de uma estrela distante, não está onde os astrofísicos esperavam - uma descoberta que desafia a compreensão dos cientistas dos muitos planetas deste tipo já encontrados noutros sistemas solares além do nosso. Ler fonte
     
  Um novo "desequilíbrio atmosférico" pode ajudar a detetar vida noutros planetas (via Universidade de Washington)
À medida que o Telescópio Espacial James Webb da NASA e outros telescópios gigantes entram em funcionamento, vão precisar de novas estratégias para procurar evidências de vida noutros planetas. Um estudo descobriu uma nova abordagem para procurar vida que poderá ser mais promissora do que apenas a busca por oxigénio. Ler fonte
     
  Cientista propõe nova definição de planeta (via Universidade Johns Hopkins)
Plutão é o foco no debate científico contínuo sobre o que é e o que não é um planeta, mas existe igualmente uma discussão menos conspícua sobre o status planetário de objetos massivos para lá do nosso Sistema Solar. A disputa não é apenas sobre semântica, pois está intimamente relacionada com o modo como os planetas gigantes como Júpiter se formam. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Os Girinos de IC 410
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Juan Ignacio Jimenez
 
Esta ampliação telescópica mostra a de outra forma ténue nebulosa de emissão IC 410. Também salienta dois habitantes notáveis do lago cósmico de gás e poeira para baixo e para a esquerda do centro, os "girinos" de IC 410. Parcialmente obscurecida por poeira em primeiro plano, a nebulosa propriamente dita rodeia NGC 1893, um jovem enxame de estrelas. Formadas na nuvem interestelar há apenas 4 milhões de anos, as intensamente quentes e brilhantes estrelas do enxame energizam o gás incandescente. Compostos por poeira e gás mais frio e denso, os girinos medem cerca de 10 anos-luz de comprimento e são provavelmente locais de formação estelar contínua. Esculpidas por ventos e radiação das estrelas do enxame, as suas cabeças são delineadas por cumes brilhantes de gás ionizado enquanto as suas caudas afastam-se da região central do enxame. IC 410 fica a mais ou menos 10.000 anos-luz de distância, na direção da constelação rica em nebulosas de Cocheiro.
 

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