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Edição n.º 1459
02/03 a 05/03/2018
 
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29/03/18 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS + PALESTRA
19:30 - Este evento inclui uma apresentação sobre um tema de astronomia, seguida de observação astronómica noturna com telescópio no nosso maravilhoso terraço (dependente de meteorologia favorável).
Local: CCVAlg
Preço: 2€
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Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 02/03: 61.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1972, é lançada a sonda americana Pioneer 10. Torna-se na primeira a passar pela cintura de asteroides e a alcançar o planeta Júpiter (em 1973).

Torna-se também na primeira sonda a navegar para lá da órbita dos planetas do Sistema Solar exterior. A Pioneer 10 transporta uma placa desenhada para identificar a sua origem caso seja encontrada à deriva pela Via Láctea. Em 2003, após 31 anos, a Pioneer 10 deixa finalmente de se ouvir.
Em 1978, o astronauta checo Vladimir Remek torna-se no primeiro não-russo ou não-americano a ir ao espaço, a bordo da Soyuz 28.
Em 1998, dados enviados pela sonda Galileu indicam que a lua de Júpiter, Europa, tem um oceano líquido por baixo de uma espessa crosta de gelo.
Observações: Lua Cheia, pelas 00:51.
Esta é a altura do ano em que, ao anoitecer, Orionte encontra-se na vertical a sul. Mais tarde na noite, e mais tarde no mês, o Caçador começa a sua longa inclinação para oeste.

Dia 03/03: 62.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1915, é fundada a NACA, antecessora da NASA.
Em 1959, lançamento da sonda Pioneer 4, a primeira missão à Lua com êxito.

Falhou a Lua por 59.500 km em vez dos esperados 32.000 km, pelo que não conseguiu testar as câmaras, mas enviou dados excelentes sobre a radiação através dos seus contadores Geiger.
Em 1968, nascia Brian Cox, físico inglês, conhecido por apresentar vários programas televisivos de ciência. 
Em 1969, lançamento da Apollo 9, com o objetivo de testar o módulo lunar.
Em 2005, graças a observações do VLT do ESO e do XMM-Newton da ESA, astrónomos anunciam a descoberta da estrutura mais distante e mais massiva do Universo até à data. É um remoto enxame galáctico com milhares de vezes a massa da Via Láctea e está a mais de 9 mil milhões de anos-luz de distância.
Observações: Trânsito de Europa, entre as 01:13 e as 03:35.
Pouco depois do pôr-do-Sol, use binóculos para começar a procurar Vénus e Mercúrio juntos pouco acima do horizonte a oeste. Hoje é a noite em que estão mais próximos um do outro. Amanhã estão quase à mesma distância.

Dia 04/05: 63.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1675, John Flamsteed é nomeado o primeiro Astrónomo Real de Inglaterra.
Em 1881, nascia Richard Chace Tolman, físico americano, uma autoridade em mecânica estatística. 

Fez importantes contribuições para a cosmologia teórica nos anos após a descoberta da relatividade geral por Einstein. 
Em 1979, a sonda Voyager 1 descobre os anéis de Júpiter
Em 1986, a sonda soviética Vega 1 começa a enviar imagens do Cometa Halley, as primeiras imagens de sempre do seu núcleo. 
Em 1994, a missão STS-62 do vaivém espacial (Columbia 16) é lançada para órbita. 
Em 1999, voo rasante do asteroide 1998 VD35 pela Terra (0,169 UA).
Em 2004, a Rosetta completa o seu primeiro "flyby" pela Terra. 
Em 2006, última tentativa de contacto com a Pioneer 10, pela Deep Space Network. Nenhuma resposta foi recebida.
Observações: Neptuno em conjunção, pelas 13:49.
Agora que já chegámos a março, a Ursa Maior está tão alta a nordeste como Cassiopeia a noroeste pouco depois do anoitecer. Entre as duas constelações, como sempre, está a Estrela Polar.

Dia 05/05: 64.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1512 nascia Gerardus Mercator, famoso cartógrafo.

Em 1616, o livro de Nicolau CopérnicoDe revolutionibus orbium coelestium (Das revoluções das esferas celestes) é banido pela Igreja Católica.
Em 1958, é lançada a sonda Explorer 2, mas falha a alcançar órbita.
Em 1978, lançamento do Landsat 3 a partir da Base da Força Aérea em Vandenberg, Califórnia. 
Em 1979 as sondas soviéticas Venera 11Venera 12 e o satélite solar americano Helios II são atingidos por raios-gama, o que leva à descoberta da primeira explosão de raios-gama, proveniente dos enigmáticos objetos de nome magnetares. No mesmo ano, a sonda Voyager 1 fez a sua maior aproximação de Júpiter, quando passou a 206.700 quilómetros do topo das nuvens do planeta. 
Em 1982, a sonda Venera 14 aterra em Vénus
Em 1998, a NASA anuncia que a sonda Clementine, em órbita da Lua, descobriu água suficiente para suportar uma colónia humana.
Observações: Na divisão tradicional entre o céu de inverno e o de primavera encontra-se a ténue constelação de Caranguejo. Está entre Gémeos para oeste e Leão para este. Caranguejo tem uma característica única: o enxame do Presépio, ou M44. É visível a olho nu só em céus com pouca poluição luminosa. Procure o enxame estelar um pouco menos do caminho entre Pollux e Régulo. Binóculos ajudam.

 
CURIOSIDADES

Mercúrio tem uma órbita com uma inclinação de 7º relativamente ao plano da ecliptica.
 
IMPRESSÕES DIGITAIS DAS PRIMEIRAS ESTRELAS DO UNIVERSO
Esta impressão de artista mostra as primeiras estrelas, massivas e azuis, do Universo, embebidas em filamentos gasosos, com o fundo cósmico de micro-ondas visível nos limites. Usando observações de rádio do Universo distante, investigadores descobriram a influência destas primeiras estrelas no gás primordial. Embora não possam ver diretamente a luz das estrelas massivas, a equipa foi capaz de inferir a sua presença pela diminuição da radiação cósmica de fundo, um resultado dos filamentos gasosos que absorvem a radiação ultravioleta das estrelas. A radiação cósmica de fundo é mais fraca do que se esperava, indicando que os filamentos podem ser mais frios do que o esperado, possivelmente devido a interações com a matéria escura.
Crédito: N. R. Fuller, NSF
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Há muito tempo, cerca de 400.000 após o Big Bang, o Universo era escuro. Não havia estrelas ou galáxias e estava repleto, principalmente, de hidrogénio gasoso neutro.

Durante os 50-100 milhões de anos seguintes, a gravidade aglomerou lentamente as regiões mais densas de gás até que colapsaram nalguns locais para formar as primeiras estrelas.

Como eram essas primeiras estrelas e quando se formaram? Como é que afetaram o resto do Universo? Estas são questões que os astrónomos e os astrofísicos há muito tempo ponderam.

Agora, após 12 anos de esforço experimental, uma equipa de cientistas liderada pelo astrónomo Judd Bowman da Escola de Exploração Terrestre e Espacial da Universidade Estatal do Arizona descobriu indícios das primeiras estrelas no Universo. Usando sinais de rádio, a deteção fornece as primeiras evidências dos antepassados mais velhos da nossa árvore genealógica cósmica, nascidos uns meros 180 milhões de anos após o início do Universo.

Esta deteção envolveu um grande desafio técnico, já que as fontes de ruído podem ser mil vezes mais brilhantes do que o sinal - é como estar no meio de um furacão e tentar ouvir o bater das asas de um beija-flor," comenta Peter Kurczynski, do NSF que apoiou este estudo. "Estes investigadores, com uma pequena antena de rádio no deserto, viram mais longe do que os telescópios espaciais mais poderosos, abrindo uma nova janela no Universo inicial."

Esta linha temporal atualizada do Universo reflete a descoberta recente de que as primeiras estrelas se formaram cerca de 180 milhões de anos aós o Big Bang.
Crédito: N. R. Fuller/NSF
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Radioastronomia

Para encontrar estas impressões digitais, a equipa de Bowman usou um instrumento terrestre chamado espectrómetro de rádio, localizado no Observatório de Radioastronomia Murchison da Agência Científica Nacional Australiana. Através do instrumento EDGES (Experiment to Detect the Global EoR Signature), a equipa mediu o espectro de rádio médio de todos os sinais astronómicos recebidos ao longo da maioria do céu do hemisfério sul e procurou pequenas mudanças na energia como função do comprimento de onda (ou frequência).

À medida que as ondas de rádio entram na antena terrestre, são ampliadas por um recetor e, em seguida, digitalizadas e registadas por computador, da mesma maneira que os recetores rádio FM e TV funcionam. A diferença é que o instrumento está calibrado muito precisamente e projetado para funcionar o mais uniformemente possível em vários comprimentos de onda de rádio.

Os sinais detetados pelo espectrómetro de rádio neste estudo vieram do hidrogénio gasoso primordial que preenchia o jovem Universo e existia entre todas as estrelas e galáxias. Estes sinais possuem uma riqueza de informações que abre uma nova janela sobre como as primeiras estrelas - e mais tarde os buracos negros e as galáxias - se formaram e evoluíram.

"É improvável que, durante as nossas vidas, possamos ver ainda mais cedo a história das estrelas," acrescenta Bowman. "Este projeto mostra que uma nova técnica promissora pode funcionar e abriu caminho para décadas de novas descobertas astrofísicas."

Esta deteção destaca a excecional quietude de rádio do Observatório Murchison, particularmente porque a característica encontrada pelo EDGES sobrepõe-se à frequência usada pelas estações de rádio FM. A legislação nacional australiana limita o uso de transmissores de rádio até 260 km do local, reduzindo substancialmente a interferência que, de outra forma, podia afogar as sensíveis observações astronómicas.

Os resultados deste estudo foram recentemente publicados na revista Nature por Bowman, com os coautores Alan Rogers do Observatório Haystack do MIT (Massachusetts Institute of Technology), Rauel Monsalve da Universidade do Colorado e Thomas Mozdzen e Nivedita Mashesh também da Escola de Exploração Terrestre e Espacial da Universidade Estatal do Arizona.

O espectrómetro terrestre de rádio EDGES, no Observatório de Radioastronomia Murchison, Austrália. Em cada instrumento, ondas de rádio são recolhidas por uma antena que consiste de dois painéis metálicos retangulares montados horizontalmente em pernas de fibra de vidro por cima de uma rede metálica.
Crédito: CSIRO Austrália
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Resultados inesperados

Os resultados confirmam as expetativas teóricas gerais de quando as primeiras estrelas se formaram e as propriedades mais básicas das primeiras estrelas.

"O que aconteceu neste período é que parte da radiação das primeiras estrelas começa a permitir com que o hidrogénio seja visto," comenta Rogers. "Está a fazer com que o hidrogénio comece a absorver a radiação de fundo, de modo que começamos a vê-lo em silhueta em frequências de rádio específicas. Este é o primeiro sinal real de que as estrelas estão a começar a formar-se e a começar a afetar o meio em seu redor."

A equipa originalmente ajustou o seu instrumento para olhar mais tarde no tempo cósmico, mas em 2015 decidiram ampliar a sua busca.

"Assim que mudámos o nosso sistema para esta banda mais baixa, começámos a ver coisas que achámos podiam ser uma assinatura real," comenta Rogers. "Vemos esta diminuição mais fortemente perto dos 78 megahertz e essa frequência corresponde a aproximadamente 180 milhões de anos após o Big Bang. Em termos de deteção direta de um sinal do hidrogénio gasoso propriamente dito, esta deve ser a mais antiga."

O estudo também revelou que o gás no Universo era provavelmente muito mais frio do que o esperado - menos de metade da temperatura prevista. Isto sugere que ou os esforços teóricos dos astrofísicos ignoraram algo significativo ou que esta pode ser a primeira evidência de física não-padrão: especificamente, que os bariões (matéria normal) podem ter interagido com a matéria escura e lentamente ter perdido energia para a matéria escura no início do Universo, um conceito originalmente proposto por Rennan Barkana da Universidade de Tel Aviv.

"Se a ideia de Barkana for confirmada, então aprendemos algo novo e fundamental acerca da misteriosa matéria escura que representa 85% da matéria no Universo, fornecendo o primeiro vislumbre da física para lá do modelo padrão," comenta Bowman.

Os próximos passos nesta linha de investigação são que outro instrumento confirme a deteção desta equipa e será melhorar o desempenho dos instrumentos, de modo que se possa aprender mais sobre as propriedades das primeiras estrelas.

"Trabalhámos arduamente nos últimos dois anos para validar a deteção, mas ter outro grupo a confirmá-la de forma independente é uma parte crítica do processo científico," explica Bowman.

Bowman também gostaria de ver uma aceleração dos esforços para utilizar novos radiotelescópios como o HERA (Hydrogen Epoch of Reionization Array) e o OVRO-LWA (Owens Valley Long Wavelength Array).

"Agora que sabemos que este sinal existe, precisamos rapidamente de colocar online novos radiotelescópios que serão capazes de minar o sinal muito mais profundamente," disse.

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade Estatal do Arizona (comunicado de imprensa)
Universidade Swinburne de Tecnologia (comunicado de imprensa)
MIT News (comunicado de imprensa)
Artigo na Nature
Artigo companheiro - Nature
O nascimento das primeiras estrelas (NSF via YouTube)
Science
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Nature
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Universo:
Universo (Wikipedia)
Idade do Universo (Wikipedia)
Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)
Big Bang (Wikipedia)
Cronologia do Big Bang (Wikipedia)

Matéria escura:
Wikipedia

EDGES (Experiment to Detect the Global EoR Signature):
LoCo Lab
Observatório Haystack do MIT

Observatório de Radioastronomia Murchison:
CSIRO
Wikipedia

HERA (Hydrogen Epoch of Reionization Array):
NSF
Wikipedia

OVRO-LWA (Owens Valley Long Wavelength Array):
Caltech
Wikipedia

 
PODEROSA PROEMINÊNCIA DE PROXIMA CENTAURI DETETADA COM O ALMA
Impressão de artista de uma anã vermelha como Proxima Centauri, a estrela mais próxima do nosso Sol. Uma nova análise de observações do ALMA revela que Proxima Centauri emitiu uma poderosa proeminência que teria criado condições inóspitas para planetas nesse sistema.
Crédito: NRAO/UAI/NSF; D. Berry
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Usando dados do ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), uma equipa de astrónomos descobriu que uma forte proeminência estelar entrou em erupção em Proxima Centauri em março de 2017. O achado, publicado na revista The Astrophysical Journal Letters, levanta questões sobre a habitabilidade do vizinho exoplanetário mais próximo do nosso Sistema Solar, Proxima b, que orbita Proxima Centauri.

No seu pico, a recém-reconhecida proeminência foi 10 vezes mais brilhante do que as maiores proeminências do nosso Sol, quando observadas em comprimentos de onda semelhantes. As proeminências estelares ainda não foram bem estudadas nos comprimentos de onda milimétricos e submilimétricos detetados pelo ALMA, especialmente em torno de estrelas do tipo de Proxima Centauri, anãs M, as estrelas mais comuns na nossa Galáxia.

"O dia 24 de março de 2017 não foi um dia normal para Proxima Cen," comenta Meredith MacGregor, astrónoma do Instituto Carnegie para Ciência, Departamento de Magnetismo Terrestre em Washington, D.C, EUA, que liderou a investigação com a colega astrónoma Alycia Weinberger também de Carnegie. Juntamente com David Wilner do Centro Harvard-Smithsonian para Astrofísica e Adam Kowlaski e Steven Cranmer da Universidade do Colorado em Boulder, descobriram a enorme proeminência quando reanalisaram observações do ALMA recolhidas o ano passado.

O brilho de Proxima Centauri observado pelo ALMA durante os dois minutos do evento de dia 24 de março de 2017. A massiva proeminência estelar é vista em vermelho, com a proeminência mais pequena em laranja e a emissão melhorada em redor da proeminência que pode imitar um disco está a azul. No seu pico, a proeminência aumentou o brilho de Proxima Centauri 1000 vezes. A área sombreada representa a incerteza.
Crédito: Meredith MacGregor, Carnegie
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A proeminência aumentou em 1000 vezes, durante 10 segundos, o brilho de Proxima Centauri. Foi precedida por uma proeminência mais pequena; em conjunto, todo o evento durou menos de dois minutos das 10 horas que o ALMA observou a estrela, entre janeiro e março do ano passado.

As proeminências estelares ocorrem quando uma mudança no campo magnético da estrela acelera eletrões até velocidades que se aproximam da luz. Os eletrões acelerados interagem com o plasma altamente carregado que compõe a maioria da estrela, provocando uma erupção que produz emissões em todo o espectro eletromagnético.

"É provável que Proxima b tenha sido banhada em radiação altamente energética durante esta proeminência," explicou MacGregor, acrescentando que já se sabia que Proxima Centuari emitia proeminências regulares, embora menores, em raios-X. "Durante os milhares de milhões de anos desde a formação de Proxima b, proeminências como esta podem ter evaporado qualquer atmosfera ou oceano e esterilizado a superfície, sugerindo que a habitabilidade pode envolver mais do que apenas a distância ideal à estrela hospedeira para poder albergar água líquida."

Impressão de artista de uma proeminência em Proxima Centauri, modelada usando os "loops" de gás quente e brilhante vistos nas maiores proeminências do Sol. Uma impressão de artista do exoplaneta Proxima b está no plano da frente. Proxima b orbita a sua estrela a uma distância 20 vezes menor do que a Terra orbita o Sol. Uma proeminência 10 vezes maior do que uma grande proeminência solar banharia Proxima b com 4000 vezes mais radiação do que a Terra recebe das proeminências do nosso Sol.
Crédito: Roberto Molar Candanosa/Instituto Carnegie para Ciência, NASA/SDO, NASA/JPL
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Um artigo anterior que também usou os mesmos dados do ALMA interpretou a sua luminosidade média, que incluiu o fluxo de luz tanto da estrela como da proeminência, como sendo provocada por múltiplos discos de poeira que circundam Proxima Centauri, não muito diferentes das cinturas de asteroides e de Kuiper do nosso Sistema Solar.

Mas quando MacGregor, Weinberger e a equipa analisaram os dados do ALMA como uma função do tempo de observação, em vez de calcular uma média global, foram capazes de ver a explosão transitória de radiação emitida por Proxima Centauri pelo que realmente era.

"Agora não há razão para pensar que existe uma quantidade substancial de poeira em redor de Proxima Cen," realça Weinberger. "Também não há nenhuma informação que indique que a estrela possui um rico sistema planetário como o nosso."

Links:

Notícias relacionadas:
Observatório ALMA (comunicado de imprensa)
NRAO (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
The Astrophysical Journal Letters
Estrela Anã em Movimento (NRAO Outreach via vimeo)
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XMM-NEWTON DESCORTINA AS PRIMEIRAS EMISSÕES EVIDENTES DE RAIOS-X DE FAROL ESTELAR MASSIVO

Em 2014, o XMM-Newton da ESA detetou raios-X que emanavam da estrela massiva Rho Ophiuchi A e, no ano passado, descobriu que estes oscilam e fluem periodicamente sob a forma de emissões intensas - ambos resultados inesperados. A equipa já usou o VLT (Very Large Telescope) do ESO para descobrir que a estrela possui um campo magnético forte, confirmando o seu status como um farol cósmico.

Estrelas como o Sol são conhecidas por produzirem fortes emissões de raios-X, mas as estrelas massivas parecem ser muito diferentes. Nas estrelas acima de oito massas solares, a emissão de raios-X está estável e nenhuma destas estrelas foi observada de forma confiável a emitir repetidamente nesta parte do espectro - até recentemente.

Em 2014, uma equipa de cientistas usou o observatório espacial XMM-Newton da ESA para observar uma estrela massiva denominada Rho Ophiuchi A. Esta estrela fica no coração da Nuvem Negra Rho Ophiuchi, uma região próxima que é conhecida por formar ativamente novas estrelas. Surpreendentemente, os dados mostraram uma abundância de raios-X a fluir da estrela, levando a equipa a observá-la mais atentamente.

Esta imagem obtida pelo observatório espacial XMM-Newton da ESA mostra uma estrela massiva de nome Rho Ophiuchi A. A estrela, visível no centro, está situada no coração da Nuvem Negra Rho Ophiuchi, uma região próxima que é conhecida por formar ativamente novas estrelas localizada a cerca de 350 anos-luz de distância.
Em 2014, uma equipa de cientistas usou o XMM-Newton da ESA para avistar raios-X emanados da estrela massiva Rho Ophiuchi A; observações posteriores e mais longas com o telescópio mostraram estes fluxos sob a forma de intensas proeminências, variando ao longo de um período de aproximadamente 1,2 dias, enquanto a estrela girava. A equipa subsequentemente usou o VLT do ESO para descobrir que a estrela possui um campo magnético forte, confirmando o seu status como um farol cósmico.
Este achado foi inesperado tendo em conta o que se conhece e tendo em conta o comportamento das estrelas massivas: estrelas como o Sol são conhecidas por produzirem fortes emissões de raios-X, mas as estrelas massivas parecem ser muito diferentes. Nas estrelas acima de oito massas solares, a emissão de raios-X está estável e nenhuma destas estrelas foi observada de forma confiável a emitir repetidamente nesta parte do espectro - até Rho Ophiuchi A.
Crédito: ESA/XMM Newton; I. Pillitteri (INAF - Observatório Astronómico de Palermo)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Observámos a estrela, através do XMM-Newton, durante quase 40 horas, e achámos algo ainda mais inesperado, " diz Ignazio Pillitteri, do INAF - Observatório Astronómico de Palermo, Itália, e líder da equipa de investigação.

" Ao invés de uma emissão suave e estável, os raios-X pulsaram periodicamente para fora de Rho Ophiuchi A, variando ao longo de um período de cerca de 1,2 dias à medida que a estrela rodava - como um farol de raios-X! Este é um fenómeno bastante novo em estrelas maiores do que o Sol."

Rho Ophiuchi A é muito mais quente e mais massiva do que a nossa estrela-mãe. Desconhece-se como os raios-X são gerados em tais pesos pesados estelares; uma possibilidade é um forte magnetismo intrínseco, que seria observável através de sinais de magnetismo superficial. No entanto, como tal campo magnético funcionaria - e como estaria ligado a qualquer emissão de raios-X - ainda não está claro.

"Conjeturámos que podia haver um ponto magnético gigante ativo na superfície de Rho Ophiuchi A - um pouco como uma mancha solar, apenas muito maior e mais estável, " acrescenta Pillitteri.

"À medida que a estrela gira, este ponto entraria e ficaria fora do campo de visão, causando os raios-X pulsantes observados. No entanto, essa ideia era algo improvável; as manchas nas estrelas formam-se quando um campo magnético interior aparece na superfície e nós sabemos que apenas uma em cada dez estrelas massivas possui um campo magnético mensurável."

Outra maneira de criar o "efeito de farol" pulsante é através de um companheiro em órbita de massa inferior, que adicionou os seus próprios raios-X copiosos à luz atribuída a Rho Ophiuchi A; essa emissão de raios-X variaria de força à medida que a pequena e hipotética estrela cruzava na frente e atrás de Rho Ophiuchi A, durante a sua órbita de 1,2 dias. A equipa também considerou esta possibilidade: que Rho Ophiuchi A poderia ter uma pequena, invisível, companheira, de massa baixa, numa órbita muito apertada.

A visão cintilante da estrela massiva Rho Ophiuchi A, como observado pelo XMM-Newton da ESA em 2016.
Esta e observações anteriores com o XMM-Newton mostraram que esta estrela liberta periodicamente emissões de raios-X da sua superfície enquanto gira - um comportamento pouco parecido com um farol cósmico. As observações de acompanhamento da equipa de investigação, usando o VLT do ESO, confirmaram que esta estrela possui um campo magnético forte e que as suas emissões de raios-X estão assim ligadas a uma região magnética ativa na superfície da estrela que gira para dentro e para fora do nosso campo de visão.
Esta sequência é composta por 40 imagens obtidas entre 22 e 23 de fevereiro de 2016, cada obtida com aproximadamente uma hora de intervalo. Mostra a emissão da estrela em raios-X; quanto mais claro o tom azulado, mais forte é a emissão, o branco representando a intensidade máxima. A intensidade das emissões de raios-X de Rho Ophiuchi A pode ser vista a aumentar no início e no fim da sequência; isto porque os dados cobrem mais do que um período do ciclo de emissões de raios-X da estrela, que dura cerca de 1,2 dias.
Crédito: ESA/XMM Newton; I. Pillitteri (INAF - Observatório Astronómico de Palermo)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"Para descobrir de uma forma ou outra, apressámo-nos para obter medições magnéticas de Rho Ophiuchi A, utilizando um dos maiores telescópios terrestres existentes: o VLT do ESO," diz Lida Oskinova, da Universidade de Potsdam, Alemanha, um membro da equipa internacional que realizou o estudo.

"De maneira emocionante, estas medições confirmaram uma das nossas previsões e mostraram que os raios-X, provavelmente, estão ligados a estruturas magnéticas na superfície da estrela."

Estas medições foram feitas no visível, utilizando uma técnica conhecida como espectro-polarimetria, que envolve o estudo de vários comprimentos de onda de luz polarizada que emanam de uma estrela. Os dados mostraram que Rho Ophiuchi A tem um campo magnético intenso, cerca de 500 vezes mais forte que o do Sol.

"Um campo tão forte é facilmente capaz de produzir o tipo de erupções que descobrimos," diz Pillitteri.

"Isto confirma que o que descobrimos, utilizando o XMM-Newton, foram de facto raios-X em Rho Ophiuchi A, que as estrelas massivas podem ser magneticamente ativas - como mostrado pelas observações óticas - e que essa atividade pode ser vista em raios-X."

Os dados combinados indicam que Rho Ophiuchi A é a única estrela do seu género a ter uma região magnética ativa confirmada, na sua superfície, que emite raios-X. Procurar um comportamento semelhante em estrelas como Rho Ophiuchi A, ajudará os cientistas a compreender o quão prevalente é esse fenómeno e a desvendar mais sobre as propriedades magnéticas dessas estrelas.

"Este estudo é importante na nossa exploração de estrelas massivas - há muitas coisas que ainda não entendemos sobre estes objetos," diz Norbert Schartel, cientista do projeto XMM-Newton da ESA.

"Em conjunto, as extraordinárias capacidades do XMM-Newton e do VLT já revelaram outro pedaço do quebra-cabeças."

"Como um bónus, ilustra ainda o processo da ciência muito bem - de encontrar algo interessante ou incomum, investigar e inventar algumas hipóteses possíveis, e acompanhar com mais observações para descobrir o que está correto. É um exemplo maravilhoso de uma colaboração internacional entre telescópios, em órbita e no chão, trabalhando juntos para explorar e explicar os fenómenos que vemos ao longo do cosmos."

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Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
Artigo científico 1 (Astronomy & Astrophysics)
Artigo científico 2 (Astronomy & Astrophysics)
Artigo científico 2 (ArXiv.org)
Artigo científico 3 (Astronomy & Astrophysics)
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Rho Ophiuchi:
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Observatório XMM-Newton:
ESA
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VLT:
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ESO:
Página oficial
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Crédito: Henrik Adamsson
 
O impressionante X nesta paisagem lunar é facilmente visível através de binóculos ou de um pequeno telescópio, apesar de muitos ainda não o terem visto. O problema é que este X é fugaz e apenas aparente nas horas antes da primeira fase de quarto da Lua. Ao longo da linha de sombra entre o dia e a noite lunar, a ilusão X é produzida por uma configuração de crateras vistas aqui à esquerda, Blanchinus, La Caille e Purbach. Quase no Quarto Crescente, um astronauta situado próximo da posição das crateras veria o Sol subindo lentamente muito perto do horizonte. Temporariamente, as paredes das crateras ficariam à luz solar enquanto o chão estaria ainda na escuridão. Vistas a partir do planeta Terra, as secções contrastantes de paredes brilhantes contra o chão escuro, por acaso, parecem-se extraordinariamente com um X. Esta imagem nítida do X lunar foi captada no dia 22 de fevereiro. Para outra ilusão engraçada, desloque o seu olhar ao longo do terminador lunar e também conseguirá detetar o V lunar.
 

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