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Edição n.º 1477
04/05 a 07/05/2018
 
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EFEMÉRIDES

Dia 04/05: 124.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1989 era lançada a missão Magalhães para Vénus.

O seu objetivo era obter imagens de alta-resolução de toda a superfície do planeta. Tempo de duração da viagem: 1 ano, 3 meses e 6 dias. Depois uma missão carregada de êxitos, ordenou-se à sonda para penetrar na densa atmosfera do planeta a 11 de outubro de 1994.
Observações: Saturno a 2º da Lua
O verão está a sete semanas de distância, mas o Triângulo de Verão já começa a fazer a sua aparição a este, uma estrela após outra. A primeira a nascer é Vega. Brilha já baixa a nordeste ao lusco-fusco.
A seguinte é Deneb, para baixo e para a esquerda de Vega, cerca de dois ou três punhos à distância do braço esticado. Deneb nasce aproximadamente uma hora depois de Vega, dependendo da latitude do observador.
A terceira é Altair, que aparece para baixo e para a direita das duas estrelas anteriores, por volta da meia-noite.

Dia 05/05: 125.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1961, Alan Shepard torna-se o primeiro norte-americano no espaço, a bordo da nave Freedom 7

O seu voo sub-orbital dura 15 minutos.
Observações: Antes do amanhecer, a Lua brilha perto de Saturno e Marte. Saturno está para a direita do nosso satélite natural, e Marte para baixo e para a esquerda da Lua.
Trânsito da sombra de Europa, entre as 22:57 e as 01:35 (já de dia 6).
Trânsito de Europa, entre as 23:10 e as 01:30 (já de dia 6).

Dia 06/05: 126.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1872, nascia Willem de Sitter, matemático, físico e astrónomo holandês.

Fez grandes contribuições para o campo da cosmologia física. Foi coautor, juntamente com Einstein, de um artigo onde explicavam que deveria existir grandes quantidades de matéria que não emitia luz, atualmente chamada matéria escura. É também famoso pela sua pesquisa sobre o planeta Júpiter.
Observações: A Lua encontra-se logo por cima do planeta Marte, antes do amanhecer a sul-sudeste. O ponto brilhante para a direita destes dois astros é o planeta Saturno.
A Lua Minguante partilha o céu com a chuva de meteoros das Eta Aquáridas, no seu pico antes do amanhecer. É a melhor chuva do ano para o hemisfério sul, não é tão visível no hemisfério norte.
Trânsito da sombra de Ganimedes, entre as 21:51 e as 01:12 (já de dia 7).
Trânsito de Ganimedes, entre as 22:16 e as 00:12 (já de dia 7).

Dia 07/05: 127.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1975, era lançado o Observatório Espacial de raios-X, Explorer 53
Em 1992, o vaivém espacial Endeavour descolava pela primeira vez (STS-49).

Em 1997, a sonda Galileo fazia o seu quarto voo rasante por Ganimedes.
Observações: Antes do amanhecer, olhe para sul-sudeste. Encontre a Lua a sudeste. Forma uma linha com o planeta Marte (para a sua direita) e com o planeta Saturno (para a direita de Marte).

 
CURIOSIDADES

Ao contrário do que costuma acontecer, o "lander" InSight da NASA será lançado no dia 5 de maio, não a partir da costa este dos EUA (Cabo Canaveral, Flórida, mais propriamente), mas a partir da costa oeste (Base Vandenberg da Força Aérea, Califórnia).
 
HUBBLE DETETA HÉLIO NA ATMOSFERA DE UM EXOPLANETA PELA PRIMEIRA VEZ

Usando o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA, astrónomos detetaram hélio na atmosfera do exoplaneta WASP-107b. É a primeira vez que este elemento foi detetado na atmosfera de um planeta para lá do Sistema Solar. A descoberta demonstra a capacidade de usar espectros infravermelhos para estudar as atmosferas estendidas de exoplanetas.

Uma equipa internacional de astrónomos, liderada por Jessica Spake, estudante de doutoramento da Universidade de Exeter no Reino Unido, usou o instrumento WFC3 (Wide Field Camera 3) do Hubble para descobrir hélio na atmosfera do exoplaneta WASP-107b. Esta é a primeira deteção do género.

Spake explica a importância da descoberta: "O hélio é o segundo elemento mais comum no Universo, depois do hidrogénio. É também um dos principais constituintes dos planetas Júpiter e Saturno no nosso Sistema Solar. No entanto, até agora o hélio não havia sido detetado em exoplanetas - apesar das buscas."

A equipa fez a deteção através da análise do espectro infravermelho da atmosfera de WASP-107b. Deteções prévias de atmosferas estendidas de exoplanetas foram feitas através do estudo do espectro em comprimentos de onda ultravioleta e no ótico; esta deteção, portanto, demonstra que as atmosferas dos exoplanetas também podem ser estudadas em comprimentos de onda mais longos.

O exoplaneta WASP-107b é um gigante gasoso que orbita uma estrela de sequência principal, altamente ativa, do tipo K. A estrela fica a cerca de 200 anos-luz da Terra. Usando espectroscopia, os cientistas foram capazes de encontrar hélio na atmosfera que escapa do planeta - a primeira deteção desse elemento na atmosfera de um exoplaneta.
Crédito: ESA/Hubble, NASA, M. Kornmesser
(clique na imagem para ver versão maior)
 

"O forte sinal do hélio que medimos demonstra uma nova técnica para estudar camadas superiores de atmosferas exoplanetárias numa ampla gama de planetas," comenta Spake. "Os métodos atuais, que usam a luz ultravioleta, estão limitados aos exoplanetas mais próximos. Sabemos que existe hélio na atmosfera superior da Terra e esta nova técnica pode ajudar-nos a detetar atmosferas em torno de exoplanetas do tamanho da Terra - o que é muito difícil com a tecnologia atual."

WASP-107b é um dos planetas de densidade mais baixa conhecidos: apesar do planeta ter aproximadamente o mesmo tamanho que Júpiter, tem apenas 12% da sua massa. O exoplaneta fica a mais ou menos 200 anos-luz da Terra e leva menos de seis dias a completar uma órbita em torno da sua estrela hospedeira.

A quantidade de hélio detetado na atmosfera de WASP-107b é tão grande que a sua atmosfera superior deve estender-se dezenas de milhares de quilómetros para o espaço. É também a primeira vez que uma atmosfera estendida foi descoberta em comprimentos de onda infravermelhos.

Dado que a sua atmosfera é tão grande, o planeta está a perder uma quantidade significativa dos seus gases atmosféricos para o espaço - entre ~0,1-4% da massa total da atmosfera a cada mil milhões de anos.

Já em 2000, previa-se que o hélio seria um dos gases mais facilmente detetáveis em exoplanetas gigantes, mas, até agora, as buscas não tinham tido sucesso.

David Sing, coautor do estudo e também da Universidade de Exeter, conclui: "O nosso novo método, juntamente com telescópios futuros como o Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA, permitirá analisar atmosferas de exoplanetas em maior detalhe do que nunca."

Links:

Notícias relacionadas:
ESA/Hubble (comunicado de imprensa)
Universidade de Exeter (comunicado de imprensa)
Artigo científico (PDF)
Artigo científico na revista Nature
Impressão de artista de WASP-107b (HubbleESA via YouTube)
Criação de linhas de absorção (HubbleESA via YouTube)
Luz a interagir com atmosfera (HubbleESA via YouTube)
Hubblesite
Nature
Sky & Telescope
SPACE.com
ScienceDaily
New Scientist
EurekAlert!
Seeker
PHYSORG
spaceref
Observador
Destak
SAPO24
Diário de Notícias
PORTO canal
SIC Notícias
tvi24

WASP-107b:
Exoplanet.eu
Universidade de Quioto

Hélio:
Wikipedia

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

JWST (Telescópio Espacial James Webb):
NASA
STScI
ESA
Wikipedia

 
DADOS VELHOS, NOVOS TRUQUES: RESULTADOS RECENTES DA SONDA GALILEO

Do outro lado do Sistema Solar, de onde a Terra aparece apenas como um pálido ponto azul, a nave Galileo da NASA passou oito anos a orbitar Júpiter. Durante esse tempo, a entusiástica sonda - um pouco maior que uma girafa adulta - transmitiu muitas descobertas sobre as luas do gigante gasoso, incluindo a observação de um ambiente magnético em redor de Ganimedes que era distinto do campo magnético de Júpiter. A missão terminou em 2003, mas os dados recém-ressuscitados do primeiro voo rasante da Galileo por Ganimedes estão a fornecer novas informações sobre o ambiente da lua - diferente de qualquer outro no Sistema Solar.

"Estamos a regressar mais de 20 anos depois a fim de examinar alguns dos dados que nunca foram publicados e para terminar a história," afirma Glyn Collinson, do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland e autor principal de um estudo recente sobre a magnetosfera de Ganimedes. "Descobrimos que há uma secção inteira que ninguém conhecia."

Os novos resultados mostraram uma cena tempestuosa: partículas expulsas da superfície gelada da lua como resultado da "chuva" de plasma e fortes fluxos de plasma empurrados entre Júpiter e Ganimedes devido a um evento magnético explosivo que ocorre entre os ambientes magnéticos dos dois corpos. Os cientistas pensam que estas observações podem ser a chave para desvendar os segredos da lua, como por exemplo o porquê das auroras de Ganimedes serem tão brilhantes.

Esta imagem de Ganimedes, uma das luas de Júpiter e a maior lua do Sistema Solar, foi obtida pela sonda Galileo.
Crédito: NASA
 

Em 1996, pouco depois de chegar a Júpiter, a Galileo fez uma descoberta surpreendente: Ganimedes tinha o seu próprio campo magnético. Apesar da maioria dos planetas no nosso Sistema Solar, incluindo a Terra, terem ambientes magnéticos - conhecidos como magnetosferas - ninguém esperava que uma lua tivesse também um.

Entre 1996 e 2000, a Galileo fez seis "flybys" por Ganimedes, com vários instrumentos a recolher dados sobre a magnetosfera da lua. Estes incluíam o PLS (Plasma Subsystem), que media a densidade, temperatura e direção do plasma - gás excitado e eletricamente carregado - que fluía pelo ambiente em redor da Galileo. Os novos resultados, publicados recentemente na revista Geophysical Research Letters, revela detalhes interessantes sobre a estrutura única da magnetosfera.

Sabemos que a magnetosfera da Terra - além de fazer as bússolas funcionarem e de provocar auroras - é fundamental para sustentar a vida no nosso planeta, porque ajuda a proteger contra a radiação proveniente do espaço. Alguns cientistas pensam que a magnetosfera da Terra também foi essencial para o desenvolvimento inicial da vida, já que essa radiação prejudicial pode erodir a nossa atmosfera. O estudo das magnetosferas no Sistema Solar não só ajuda os cientistas a aprender mais sobre os processos físicos que afetam esse ambiente magnético em redor da Terra, também ajuda a compreender as atmosferas em torno de outros mundos potencialmente habitáveis, tanto no nosso próprio Sistema Solar como além.

Este infográfico descreve a magnetosfera de Ganimedes.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA/Mary Pat Hrybyk-Keith
(clique na imagem para ver versão maior em PDF)
 

A magnetosfera de Ganimedes dá-nos a oportunidade de explorar um ambiente magnético único localizado dentro da muito maior magnetosfera de Júpiter. Aí aninhada, está protegida do vento solar, tornando a sua forma diferente das outras magnetosferas no Sistema Solar. Tipicamente, as magnetosferas são moldadas pela pressão de partículas supersónicas do vento solar que passam por elas. Mas, em Ganimedes, o plasma relativamente mais lento em torno de Júpiter esculpe a magnetosfera da lua numa forma longa semelhante a um chifre que se estende à sua frente e na direção da sua órbita.

Passando por Ganimedes, a Galileo foi continuamente atingida por partículas altamente energéticas - um ataque que a lua de Júpiter também conhece. As partículas de plasma aceleradas pela magnetosfera joviana "chovem" continuamente sobre os polos de Ganimedes, onde o campo magnético os canaliza para a superfície. A nova análise dos dados do PLS da Galileo mostrou que o plasma foi expelido da superfície gelada da lua devido à chuva de plasma que aí cai.

"Existem partículas voando a partir das regiões polares e podem dizer-nos algo sobre a atmosfera de Ganimedes, que é muito fina," comenta Bill Paterson, coautor do estudo em Goddard, que trabalhou na equipa do PLS da Galileo durante a missão. "Também nos pode dizer como as auroras de Ganimedes se formam."

Nesta ilustração, a lua Ganimedes orbita o gigante gasoso Júpiter. Ganimedes é representado com auroras, que foram observadas pelo Telescópio Espacial Hubble da NASA.
Crédito: NASA/ESA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Ganimedes tem auroras, tal como a Terra. No entanto, ao contrário do nosso planeta, as partículas que provocam as auroras de Ganimedes vêm do plasma em torno de Júpiter e não do vento solar. Ao analisarem os dados, os cientistas notaram que durante o seu primeiro voo rasante por Ganimedes, a Galileo viajou por acaso mesmo por cima das regiões aurorais de Ganimedes, como evidenciado pelos iões que observou a choverem na superfície da calote polar da lua. Ao compararem o local onde os iões em queda foram observados com dados do Hubble, os cientistas foram capazes de determinar a localização da zona auroral, o que os ajudará a resolver mistérios, como por exemplo o que provoca as auroras.

Enquanto orbitava Júpiter, a Galileo também sobrevoou um evento explosivo provocado pelo emaranhamento e rompimento de linhas do campo magnético. Este evento, chamado reconexão magnética, ocorre nas magnetosferas do nosso Sistema Solar. Pela primeira vez, a Galileo observou fortes fluxos de plasma empurrados entre Júpiter e Ganimedes devido a um evento de reconexão magnética que ocorria entre as duas magnetosferas. Pensa-se que esta bomba de plasma seja responsável por tornar as auroras de Ganimedes anormalmente brilhantes.

O estudo futuro dos dados desse encontro obtidos pelo PLS ainda poderá fornecer novas informações relacionadas com oceanos subsuperficiais previamente descobertos no interior da Lua, usando dados da Galileo e do Telescópio Espacial Hubble.

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
13/03/2015 - Observações do Hubble sugerem existência de oceano subterrâneo em Ganimedes

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Geophysical Research Letters
A Magnetosfera de Júpiter (NASA via YouTube)
ScienceDaily
PHYSORG
UPI
Gizmodo

Ganimedes:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

Júpiter:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

Galileo:
NASA
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  NGC 6231: retrato de família estelar em raios-X (via Observatório de raios-X Chandra)
De certa forma, os enxames estelares são como famílias gigantes com milhares de irmãos e irmãs. Estas estrelas têm as mesmas origens - uma nuvem comum de gás e poeira - e estão ligadas umas às outras pela gravidade. Os astrónomos pensam que o nosso Sol nasceu num enxame estelar há cerca de 4,6 mil milhões de anos, que rapidamente foi dispersado. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - No Lado Oposto do Pôr-do-Sol
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Roy Spencer
 
No dia 30 de abril, uma Lua Cheia surgiu em oposição ao pôr-do-Sol. O seu brilho lunar encontra-se em silhueta contra uma crista baixa e arborizada ao longo da Montanha Lewis nesta paisagem celeste do nordeste do estado norte-americano do Alabama. Partilhando o campo de visão da teleobjetiva, oposto ao Sol, a sombra cinza da Terra, a rosada Cintura de Vénus e o brilhante planeta Júpiter. Perto da sua própria oposição para 2018 de dia 8 de maio, Júpiter é flanqueado por pequenos pontos de luz, três das suas grandes luas galileanas. Europa fica logo abaixo de Júpiter, e Ganimedes e Calisto logo por cima. Mais perto e mais brilhante, o nosso próprio satélite natural parece grande, mas a Lua é fisicamente um pouco mais pequena que Ganimedes e Calisto, e ligeiramente maior que o mundo de água, Europa. Olhos atentos também conseguirão localizar dois jatos a voar pelo céu.
 

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