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  Astroboletim #1583  
  10/05 a 13/05/2019  
     
 

24/05/19 - Noites Astronómicas em Tavira
21:30-22:30 - Enquanto nos despedimos de algumas constelações de outono/inverno vamos aproveitar para dar as boas vindas a algumas constelações de primavera/verão assim como ao gigante planeta do nosso Sistema Solar, Júpiter. Esta atividade é gratuita.
Local: Forte do Rato
Informações e incrições:
281 326 231; 924 452 528; geral@cvtavira.pt (pré-inscrição obrigatória; a realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas e está sujeita a um número mínimo de participantes)

 
     
 
Efemérides

Dia 10/05: 130.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 28 AC, era observada uma mancha solar por astrónomos da Dinastia Han, durante o reinado do Imperador Cheng de Han, uma das mais antigas observações de manchas solares na China.
Em 1900 nascia Cecilia Helena Payne-Gaposchkin

Descobriu a composição química das estrelas e que o hidrogénio e hélio são os seus elementos mais abundantes e, por isso, também do Universo. Em 1976 recebeu o prestigiado Prémio Henry Norris Russell da Sociedade Astronómica Americana.
Em 1930, nascia George E. Smith, físico americano, coinventor da CCD
Em 1946, primeiro lançamento bem sucedido de um foguetão V-2 nos EUA. 
Em 1971 era lançada a Kosmos 419 (USSR). Não conseguiu sair da órbita da Terra.
Observações: A Lua, quase em Quarto Crescente, está esta noite muito perto do enxame estelar M44 (Presépio). Aviste o nosso satélite natural a oeste, depois do anoitecer. O enxame está 3º para cima e para a esquerda. Ambos os objetos cabem no campo de visão de uns binóculos.

Dia 11/05: 131.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1918 nascia Richard Feynman que, em conjunto com Julian Schwinger e Sin-Itiro Tomonaga, ganhou o prémio Nobel da Física pelo seu trabalho sobre electrodinâmica quântica. Também trabalhou na investigação do desastre do vaivém Challenger.
Em 1916 morria Karl Schwarzschild.

Usando a teoria da gravitação de Einstein, que descreve a forma como o espaço-tempo é curvado pela matéria, explica que quando uma estrela se contrai, existe um ponto em que a sua gravidade é tão forte que nem a luz pode escapar, o agora famoso buraco negro. Este ponto é conhecido como o raio de Schwarzchild e é igual à massa do objecto multiplicada pelo dobro da constante da gravidade e dividida pela velocidade da luz ao quadrado.
Observações: Ocultação de Ganimedes, entre as 01:30 e as 04:06.
A Lua encontra-se entre as constelações de Caranguejo e Leão. Perfaz um triângulo com Régulo e Algieba, que estão para cima e para a esquerda do nosso satélite natural.

Dia 12/05: 132.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1965, a sonda soviética Luna 5 colide com a Lua.

Observações: Lua em Quarto Crescente, pelas 02:12. Brilha esta noite ao lado de Régulo (que está para baixo). Para cima e para a direita da Lua está Algieba, de brilho mais baixo que Régulo. Ambas as estrelas fazem parte da "foice" de Leão.
Eclipse de Io, entre as 03:59 e as 06:16.
Ocultação de Io, entre as 04:39 e as 06:55.

Dia 13/05: 133.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1713, nascia Alexis Claude Clairaut, astrónomo, matemático e geofísico francês, conhecido pelo seu teorema de Clairaut e pela sua co-computação do regresso do Halley em 1759, entre outros.
Em 1733, num registo de um eclipse solar transmitido para a Sociedade Real, o astrónomo sueco Bigerus Vassenius torna-se na primeira pessoa a notar o brilho da Terra na Lua durante a totalidade.

Ele escreve que o seu telescópio, com um diâmetro focal de 6,4 metros, consegue observar algumas das principais características da Lua durante a obscuridade total.
Em 1861, o Grande Cometa de 1861 é descoberto por John Tebbutt em Windsor, Nova Gales do Sul, Austrália.
Observações: Trânsito da sombra de Io, entre as 01:16 e as 03:33.
Trânsito de Io, entre as 01:56 e as 04:13.
Três estrelas de magnitude zero brilham no céu noturno em maio: Arcturo, bem alta a sudeste, Vega bem baixo a nordeste e Capella a noroeste. Parecem tão brilhantes porque cada uma é pelo menos 60 vezes mais luminosa que o Sol, e porque estão relativamente perto: 37,25 e 42 anos-luz de distância, respetivamente.

 
     
 
Curiosidades


As estrelas que observamos no céu estão tão distantes que na realidade estamos a vê-las como eram à sua distância estimada em anos-luz. Por exemplo, Antares, em Escorpião, está a 550 anos-luz de distância, logo vê-mo-la como era há 550 anos atrás.

 
 
   
Novas pistas sobre como as primeiras galáxias iluminaram o Universo
 
Esta imagem ultraprofunda do céu obtida pelos telescópios Hubble e Spitzer é dominada por galáxias, incluindo algumas muito ténues e distantes com um círculo vermelho. A inserção em baixo e à direita mostra a luz recolhida de uma dessas galáxias durante uma observação com um tempo de exposição longo.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/ESA/Spitzer/P. Oesch/S. De Barros/I. Labbe
 

O Telescópio Espacial Spitzer da NASA revelou que algumas das primeiras galáxias do Universo eram mais brilhantes do que o esperado. O excesso de luz é um subproduto das galáxias que libertam quantidades incrivelmente altas de radiação ionizante. A descoberta fornece pistas para a causa da Época da Reionização, um grande evento cósmico que transformou o Universo de opaco à brilhante paisagem estelar que vemos hoje.

Num novo estudo, investigadores relatam observações de algumas das primeiras galáxias formadas no Universo, menos de mil milhões de anos após o Big Bang (ou há pouco mais de 13 mil milhões de anos). Os dados mostram que, em alguns comprimentos de onda específicos no infravermelho, as galáxias são consideravelmente mais brilhantes do que os cientistas antecipavam. O estudo é o primeiro a confirmar este fenómeno para uma grande amostra de galáxias deste período, mostrando que não eram casos especiais de brilho excessivo, mas que até as galáxias médias presentes naquela época eram muito mais brilhantes nestes comprimentos de onda do que as galáxias que vemos hoje.

Ninguém sabe ao certo quando é que surgiram as primeiras estrelas do nosso Universo. Mas as evidências sugerem que entre 100 milhões e 200 milhões de anos após o Big Bang, o Universo estava preenchido principalmente com hidrogénio gasoso neutro que talvez tivesse apenas começado a coalescer em estrelas, que então começaram a formar as primeiras galáxias. Cerca de mil milhões de anos após o Big Bang, o Universo tinha-se tornado num firmamento cintilante. Outra coisa também tinha mudado: os eletrões do hidrogénio gasoso neutro omnipresente haviam sido removidos num processo chamado ionização. A Época da Reionização - a mudança de um Universo cheio de hidrogénio neutro para um preenchido com hidrogénio ionizado - está bem documentada.

Antes desta transformação universal, a luz em comprimentos de onda longos, como ondas de rádio e luz visível, atravessavam o Universo mais ou menos livremente. Mas os comprimentos de onda mais curtos - incluindo luz ultravioleta, raios-X e raios-gama - eram interrompidos pelos átomos de hidrogénio neutro. Estas colisões retirariam os eletrões dos átomos de hidrogénio neutro, ionizando-os.

 
Esta impressão de artista mostra o possível aspeto de uma das primeiras galáxias do Universo. Níveis altos de formação e morte estelar violenta teriam iluminado o gás que preenche o espaço entre as estrelas, tornando a galáxia muito opaca e sem uma estrutura clara.
Crédito: James Josephides (Swinburne Astronomy Productions)
 

Mas o que pode ter produzido radiação ionizante suficiente para afetar todo o hidrogénio no Universo? Será que foram as estrelas individuais? Galáxias gigantes? O culpado, a ser um destes dois primeiros colonizadores cósmicos, teria sido diferente da maioria das estrelas e galáxias modernas, que normalmente não libertam grandes quantidades de radiação ionizante. Mesmo assim, talvez outra coisa tenha provocado o evento, como por exemplo quasares - galáxias com centros incrivelmente brilhantes, alimentados por quantidades enormes de material em órbita de buracos negros supermassivos.

"É uma das maiores questões em aberto na cosmologia observacional," disse Stephane De Barros, autor principal do estudo e investigador pós-doutorado da Universidade de Genebra, Suíça. "Sabemos que aconteceu, mas o que a desencadeou? Estas novas descobertas podem ser uma grande pista."

À procura de luz

Para retroceder no tempo, até à era mesmo antes do fim da Época da Reionização, o Spitzer observou duas regiões do céu durante mais de 200 horas cada, permitindo que o telescópio espacial recolhesse luz que havia viajado durante mais de 13 mil milhões de anos para chegar até nós.

Sendo algumas das mais longas observações científicas já realizadas pelo Spitzer, fizeram parte de uma campanha de observação chamada GREATS (GOODS Re-ionization Era wide-Area Treasury from Spitzer; GOODS é ainda outra sigla: Great Observatories Origins Deep Survey, uma campanha que realizou as primeiras observações de alguns alvos do GREATS). O estudo, publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, também usou dados de arquivo do Telescópio Espacial Hubble da NASA.

Usando estas observações ultraprofundas do Spitzer, a equipa de astrónomos observou 135 galáxias distantes e descobriu que eram particularmente brilhantes em dois comprimentos de onda específicos no infravermelho, produzidos por radiação ionizante que interage com os gases hidrogénio e oxigénio dentro das galáxias. Isto implica que estas galáxias foram dominadas por estrelas jovens e massivas compostas principalmente por hidrogénio e hélio. Contêm quantidades muito pequenas de elementos "pesados" (como azoto, carbono e oxigénio) em comparação com as estrelas encontradas nas galáxias modernas comuns.

Estas estrelas não foram as primeiras estrelas formadas no Universo (essas seriam apenas compostas por hidrogénio e hélio), mas ainda assim fazem parte de uma geração muito antiga de estrelas. A Época da Reionização não foi um evento instantâneo, de modo que embora os novos resultados não sejam suficientes para fechar o capítulo sobre este evento cósmico, ainda assim fornecem novos detalhes sobre como o Universo evoluiu neste momento e como a transição decorreu.

"Não esperávamos que o Spitzer, com um espelho não muito maior do que um Hula-Hoop, fosse capaz de ver galáxias tão próximas da aurora do tempo," disse Michael Werner, cientista do projeto Spitzer no JPL da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia. "Mas a Natureza está cheia de surpresas e o brilho inesperado destas primeiras galáxias, juntamente com o excelente desempenho do Spitzer, coloca-as ao alcance do nosso pequeno, mas poderoso observatório."

O Telescópio Espacial James Webb da NASA, com lançamento previsto para 2021, vai estudar o Universo em muitos dos mesmos comprimentos de onda observados pelo Spitzer. Mas o espelho primário do Spitzer mede apenas 85 cm de diâmetro e o do Webb é de 6,5 metros - cerca de 7,5 vezes maior - permitindo que o Webb estude estas galáxias em muito maior detalhe. De facto, o Webb vai tentar detetar a luz das primeiras estrelas e galáxias do Universo. O novo estudo mostra que, devido ao seu brilho nesses comprimentos de onda infravermelhos, as galáxias observadas com o Spitzer serão mais fáceis de estudar com o Webb do que se pensava anteriormente.

"Estes resultados do Spitzer são certamente mais um passo para resolver o mistério da reionização cósmica," disse Pascal Oesch, professor assistente da Universidade de Genebra e coautor do estudo. "Sabemos agora que as condições físicas nestas galáxias iniciais eram muito diferentes das das galáxias típicas de hoje. O trabalho do Telescópio Espacial James Webb será o de descobrir o porquê."

// NASA (comunicado de imprensa)
// Universidade da Califórnia em Santa Cruz (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


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A expansão acelerada do Universo (Wikipedia)
Universo (Wikipedia)
Idade do Universo (Wikipedia)
Época da Reionização (Wikipedia)
Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)
Big Bang (Wikipedia)
Cronologia do Big Bang (Wikipedia)

Telescópio Espacial Spitzer:
Página oficial 
NASA
Centro Espacial Spitzer 
Wikipedia

Telescópio Espacial Hubble:
Hubble, NASA 
ESA
STScI
SpaceTelescope.org
Base de dados do Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais

 
   
A dinâmica do anel de Haumea
 
Por meio de simulações computacionais, investigadores desvendam detalhes deste objeto do Sistema Solar localizado para lá da órbita de Plutão, na Cintura de Kuiper.
Crédito: NASA
 

Observado pela primeira vez em 2004, Haumea é um planeta anão localizado para lá da órbita de Plutão, numa região do Sistema Solar chamada Cintura de Kuiper. Foi por causa da descoberta desse e de outros planetas anões que, em 2006, Plutão foi oficialmente desclassificado como planeta.

Haumea foi reconhecido oficialmente como planeta anão em 2008. Tem um formato alongado que lembra uma bola de futebol americano, além de duas luas e um anel.

Por ter um anel, Haumea integra o grupo de objetos do Sistema Solar composto por Saturno, Úrano, Neptuno e Júpiter, além dos asteroides Chariklo e Chiron, que desenham órbitas entre Júpiter e Neptuno.

O anel de Haumea nunca foi observado diretamente. A sua existência foi inferida por um grupo internacional de astrónomos em 2017, a partir da análise do brilho de uma estrela que passou atrás do planeta anão.

"A descoberta foi feita por ocultação. O brilho da estrela foi observado da Terra e diminuiu quando Haumea passou na frente. Isso permitiu obter informações sobre o formato do planeta anão", disse Othon Cabo Winter, professor titular na Faculdade de Engenharia da Universidade Estadual Paulista (Unesp), campus de Guaratinguetá.

"Mas o brilho da estrela também diminuiu quando o anel passou em sua frente, permitindo, assim, que os pesquisadores obtivessem informações sobre o anel", disse.

O trabalho faz parte do Projeto Temático "A relevância dos pequenos corpos em dinâmica orbital", financiado pela FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), e contou com apoio também da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Os investigadores que descobriram o anel em 2017 chegaram a sugerir que ele ocuparia em torno de Haumea uma órbita muito próxima à chamada região de ressonância 1 para 3 (1:3) – a cada três rotações completas que o planeta anão dá em torno do próprio eixo, as partículas que formam o anel completam uma órbita em seu redor.

Um novo estudo feito por Winter, Taís Ribeiro e Gabriel Borderes Motta, do Grupo de Dinâmica Orbital e Planetologia da Unesp (Universidade Estadual Paulista), mostrou ser necessária uma certa excentricidade (medida que representa o afastamento de uma órbita da forma circular) para que a tal ressonância atuasse sobre as partículas do anel.

Segundo Winter, o facto de o anel ser estreito e praticamente circular inviabiliza a atuação dessa ressonância. Em contrapartida, o grupo identificou um tipo peculiar de órbitas periódicas (que se repetem de maneira idêntica) estáveis e quase circulares, na mesma região onde se localiza o anel de Haumea.

"Nosso estudo não é observacional. Não observamos diretamente os anéis. Ninguém jamais o fez", disse Winter. Isso porque os anéis são muito tênues e estão por demais distantes para poderem ser observados pelos observatórios astronómicos da Terra. A distância média de Haumea em relação ao Sol é 43 vezes maior do que a distância da Terra ao Sol.

"Nosso estudo é inteiramente computacional. Foi a partir de simulações com os dados obtidos que chegamos à conclusão de que o anel não se encontra naquela região do espaço devido à ressonância 1:3, mas sim devido a uma família de órbitas periódicas estáveis", disse Winter.

Num artigo publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, os cientistas da Unesp exploraram a dinâmica de partículas individuais na região em que o anel está localizado.

"O objetivo principal do trabalho foi identificar a estrutura da região do anel de Haumea em termos de localização e tamanho das regiões estáveis e também a razão de sua existência. De particular interesse foi tentar entender a estrutura dinâmica associada à ressonância 1:3", disse Winter.

Regiões estáveis

Os pesquisadores usaram o método de Superfície de Secção de Poincaré para explorar a dinâmica na região em que se localiza o anel. Com a simulação da evolução das trajetórias das partículas na região, foram gerados em computador gráficos (secções) que mostram visualmente as regiões de estabilidade representadas por ilhas (curvas fechadas), enquanto as regiões instáveis aparecem como uma distribuição de pontos dispostos irregularmente.

As ilhas de estabilidade que foram identificadas em consequência da ressonância 1:3 têm trajetórias muito excêntricas, mais do que seria compatível com o anel (estreito e circular).

"Por outro lado, identificamos ilhas de estabilidade na mesma região, mas com trajetórias de baixa excentricidade, compatíveis com o anel. Essas ilhas foram identificadas por causa de uma família de órbitas periódicas", disse Winter.

Haumea tem um diâmetro de 1456 quilômetros, menos da metade de Marte, e possui um formato oval, sendo duas vezes mais longo do que largo. Leva 284 anos para completar uma volta em torno do Sol. O planeta anão fica tão distante, e a radiação solar que lá chega é tão rarefeita, que a temperatura à superfície é de 223°C negativos.

Por ter sido detetado pelas lentes dos observatórios gigantes instalados no cume do vulcão extinto Mauna Kea, no Hawaii, os seus descobridores batizaram-no com o nome da deusa da fertilidade da mitologia havaiana. O planeta anão possui duas luas: Namaka e Hi'iaka, as filhas da deusa Haumea. Acredita-se que essas luas se formaram como resultado de uma colisão entre Haumea e algum outro corpo.

Haumea completa uma rotação a cada quatro horas, o que o torna um dos objetos grandes com rotação mais rápida no Sistema Solar. Tal aspeto pode estar relacionado a um passado violento.

Estima-se que, na origem do Sistema Solar, Haumea era muito parecido com Plutão, metade rocha e metade água. Há milhares de milhões de anos atrás, um grande objeto pode ter colidido com Haumea, expulsando a maior parte do gelo de sua superfície e fazendo com que girasse muito depressa em comparação com outros planetas anões.

// FAPESP (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


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Haumea:
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Para o InSight, as limpezas de poeira fornecem nova ciência
 
Este é o segundo "selfie" do InSight em Marte. Desde que obteve o primeiro, o "lander" removeu a sua sonda de calor e o sismómetro do convés, colocando-os à superfície de Marte; uma fina camada de poeira cobre agora o módulo.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 

Os mesmos ventos que cobrem Marte com poeira também podem soprar a poeira para longe. As catastróficas tempestades de poeira têm o potencial de terminar uma missão, como aconteceu com o rover Opportunity da NASA. Mas, com muito mais frequência, os ventos passageiros limparam os painéis solares do veículo e deram-lhe um impulso energético. Estas limpezas de poeira permitiram que o Opportunity e o seu irmão gémeo, Spirit, sobrevivessem anos para lá dos seus prazos de validade de 90 dias.

As limpezas de poeira também são esperadas para o mais recente habitante de Marte, o "lander" InSight. Dado que o módulo tem sensores meteorológicos, cada limpeza também pode fornecer dados científicos cruciais sobre estes eventos - e a missão já tem um vislumbre disso.

No dia 1 de fevereiro, o 65.º dia marciano, ou sol, da missão, o InSight detetou um vórtice passageiro de vento (também conhecido como diabo marciano se levantar poeira e tornar-se visível; as câmaras do Insight não observaram, neste caso em específico, o vórtice). Ao mesmo tempo, os dois grandes painéis solares do "lander" sofreram duas pequenas subidas de energia - cerca de 0,7% num painel e 2,7% no outro - sugerindo que limpou uma pequena quantidade de poeira.

Estes são meros sussurros comparados com as limpezas observadas pelos rovers Spirit e Opportunity, onde as rajadas de vento que expulsavam a poeira ocasionalmente aumentavam a energia até 10% e deixavam os painéis solares visivelmente mais limpos. Mas o evento recente deu aos cientistas as suas primeiras medições de vento e poeira interagindo "em direto" à superfície marciana; nenhum dos rovers a energia solar da NASA incluíam sensores meteorológicos que registavam tantos dados continuamente. Com o tempo, os dados das limpezas de poeira podem informar o planeamento das missões alimentadas a energia solar bem como investigações sobre o modo como o vento esculpe a paisagem.

"Não fez uma diferença significativa na nossa produção de energia, mas este primeiro evento é ciência fascinante," disse Ralph Lorenz, membro da equipa científica da missão InSight, no Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins em Laurel, no estado norte-americano da Maryland. "Dá-nos um ponto de partida para entender como o vento cria mudanças à superfície. Ainda não sabemos realmente quanto vento é necessário para levantar poeira em Marte."

Os engenheiros calculam regularmente um "fator de poeira", uma medida da quantidade de poeira que cobre os painéis, ao analisar a energia solar do InSight. Embora não tenham visto nenhuma mudança no fator de poeira aquando da passagem deste diabo marciano, viram um claro aumento na corrente elétrica, sugerindo que limpou um pouco de poeira.

 
O primeiro "selfie" do InSight em Marte, obtido no dia 6 de dezembro de 2018 (sol 10).
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 

A chave para medir estas limpezas está nos sensores meteorológicos do InSight, conhecidos coletivamente como APSS (Auxiliary Payload Sensor Suite). Durante este primeiro evento de poeira, o APSS viu um aumento constante na velocidade do vento e uma queda acentuada na pressão do ar - a assinatura de um diabo marciano passageiro.

A direção do vento mudou cerca de 180 graus, o que seria de esperar se um diabo marciano tivesse passado diretamente sobre o "lander". O APSS mediu uma velocidade máxima para o vento de 20 metros por segundo. Mas também detetou a maior queda de pressão de ar já registada por uma missão à superfície de Marte: 9 Pa (pascal), ou 13% da pressão ambiente. Esta queda de pressão sugere que podem ter havido ventos ainda mais fortes, demasiado turbulentos para os sensores registarem.

"O vento mais rápido que já medimos diretamente, até agora, pelo InSight, rondou os 28 metros por segundo, de modo que o vórtice que limpou poeira dos nossos painéis solares esteve entre os ventos mais fortes que já vimos," disse Aymeric Spiga, do Laboratório de Meteorologia Dinâmica da Universidade Sorbonne, em Paris. "Sem vórtice passageiro, os ventos estão tipicamente entre os 2 e os 10 metros por segundo, dependendo da hora do dia."

Este levantamento de poeira ocorreu às 13:33, hora local marciana, que também é consistente com a deteção de um diabo marciano. Tanto em Marte como na Terra, os níveis mais altos de atividade de diabos de poeira são normalmente entre o meio-dia e as 3 da tarde, quando a intensidade da luz solar é mais forte e o solo está quente em comparação com o ar por cima.

O InSight pousou no dia 26 de novembro de 2018, em Elysium Planitia, uma região ventosa do equador marciano. O "lander" já detetou muitos diabos marcianos e Lorenz disse que é provável que o módulo veja uma série de grandes limpezas de poeira ao longo da sua missão principal de dois anos.

Cada um dos painéis solares do InSight, com o tamanho de uma mesa de jantar, reuniu uma fina camada de poeira desde o pouso. A sua produção energética caiu cerca de 30% desde então, tanto devido à poeira quanto ao afastamento do planeta em relação ao Sol. Hoje, os painéis solares produzem cerca de 2700 watt-hora por sol - energia mais que suficiente para as operações diárias, que requerem cerca de 1500 watts-hora por sol.

Os engenheiros de energia da missão ainda estão à espera do tipo de limpeza que o Spirit e o Opportunity tiveram. Mas mesmo que demore a acontecer, têm energia suficiente.

// NASA (comunicado de imprensa)

 


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Cobertura da missão InSight pelo CCVAlg:
26/04/2019 - InSight captura áudio do seu primeiro sismo marciano
08/03/2019 - "Toupeira" do InSight faz uma pausa na escavação
19/02/2019 - InSight prepara-se para medir a temperatura de Marte
08/02/2019 - Sismómetro do InSight tem agora um abrigo aconchegante em Marte
21/12/2018 - InSight coloca primeiro instrumento no solo marciano
11/12/2018 - Lander InSight "ouve" ventos marcianos
27/11/2018 - "Lander" InSight aterra em Marte
23/11/2018 - InSight aterra em Marte no dia 26
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03/04/2018 - NASA pronta para estudar o coração de Marte
03/04/2018 - Sismos marcianos podem revolucionar ciência planetária
21/08/2012 - Nova missão da NASA vai estudar directamente e pela primeira vez o interior de Marte

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Rovers Spirit e Opportunity:
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Marte:
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  Será que supernova rara pode resolver um grande debate sobre a origem desta classe de objetos? (via Carnegie Science)
A deteção de uma supernova com uma composição química invulgar pode albergar a chave para resolver o mistério de longa data da fonte destas violentas explosões. A supernova em estudo é ASASSN-18tb, que tem uma emissão de hidrogénio muito distintiva. Ler fonte
 
   
Álbum de fotografias - "Berlinde" de Júpiter, pela Juno
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASA/JPL-Caltech/SwRI/MSSS; Processamento: Kevin M. Gill
 
Qual o aspeto de Júpiter, quando visto de perto? A maioria das imagens de Júpiter são obtidas de longe, seja da Terra ou a uma distância suficientemente grande que quase metade do planeta é visível. Esta imagem, no entanto, é composta por imagens captadas relativamente perto, onde menos de metade do planeta era visível. Daqui, Júpiter ainda parece esférico, mas a distorção de perspetiva agora faz com que pareça um berlinde. Visíveis no topo das nuvens de Júpiter, estão uma cintura horizontal escura proeminente contendo uma nuvem oval branca e uma zona com uma nuvem branca, ambas circulando o planeta. A Grande Mancha Vermelha aparece no canto superior direito. A imagem em destaque foi obtida pela sonda robótica Juno em fevereiro, durante a sua 17.ª passagem rasante pelo maior planeta do nosso Sistema Solar. A missão da Juno, agora estendida até 2021, é estudar Júpiter de novas maneiras. Os dados da Juno já permitiram descobertas que incluem um campo magnético de Júpiter surpreendentemente grumoso, e que alguns dos sistemas de nuvens de Júpiter estendem-se cerca de 3000 km no planeta.
 
   
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