Atividades astronómicas planeadas para o mês de agosto:
06/08 - Tavira, a partir das 21:30, junto ao Forte do Rato (atividade realizada pelo CCVTavira)
07/08 - Praia de Faro, a partir das 10:00, observação do Sol no Centro Náutico (atividade realizada pelo CCVAlg)
09/08 - Praia de Faro, a partir das 10:00, observação do Sol no Centro Náutico (atividade realizada pelo CCVAlg)
09/08 - Tavira, a partir das 21:30, observação da Lua, na Praça da República (atividade realizada pelo CCVTAvira)
10/08 - Praia de Faro, a partir das 13:00, observação do Sol no Centro Náutico (atividade realizada pelo CCVAlg)
12/08 - Praia de Faro, a partir das 10:00, observação do Sol no Centro Náutico (atividade realizada pelo CCVAlg)
13/08 - Albufeira, a partir das 21:00, no Miradouro que fica na descida do Pau da Bandeira em direção à praia do Inatel, junto ao acesso do Restaurante Reis dos Mares (atividade realizada pelo CCVAlg)
14/08 - Tavira, a partir das 22:00, observação da Lua, na Praça da República (atividade realizada pelo CCVTAvira)
19/08 - Ria Formosa, a partir das 20:30, frente ao Centro de Educação Ambiental de Marim, astros e sons noturnos da Ria Formosa
20/08 - Carvoeiro, a partir das 21:30, junto ao Forte de Nossa Senhora da Encarnação (atividade realizada pelo CCVAlg)
22/08 - Castelo de Paderne, a partir das 20:30 (atividade realizada pelo CCVAlg)
27/08 - Tavira, a partir das 21:30, junto ao Forte do Rato (atividade realizada pelo CCVTavira)
(todas as atividades estão dependentes de condições meteorológicas favoráveis; consulte cada uma das atividades para obter mais informações e para fazer a sua inscrição)
Efemérides
Dia 06/08: 218.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1961, era lançada a Vostok 2 pela União Soviética, levando a bordo o cosmonauta Gherman Titov, que fez o primeiro voo soviético com a duração de um dia.
Em 1996, a NASA anuncia que o meteorito ALH 84001, que se pensa ser originário de Marte, continha evidências de formas de vidas primitivas. No entanto, atualmente os resultados são tidos como inconclusivos e insuficientes.
Em 2012, o rover Curiosity aterra na superfície de Marte. Observações: Aviste Espiga a cerca de 10º para baixo e para a direita da Lua ao cair da noite, e a mais brilhante Arcturo, muito mais alta, para cima e para a direita do nosso satélite natural.
Ocultação de Io, entre as 20:12 e as 22:28.
Dia 07/08: 219.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1959, lançamento do Explorer 6 que, com uma massa de 64,4 kg, torna-se no primeiro satélite a enviar fotos da Terra a partir de órbita.
Em 1976, a Viking 2 entra em órbita de Marte.
Em 2000, uma equipa internacional de pesquisa planetária descobre em Epsilon Eridani, a apenas 10,5 anos-luz da Terra, um novo planeta gasoso. A descoberta foi, alguns anos depois, colocada em causa. Observações: Lua em Quarto Crescente, pelas 18:31. Esta noite a Lua brilha em Balança, para oeste (direita) de Júpiter e da cabeça de Escorpião.
À medida que noite cai, procure Beta Librae (Zubeneschamali) 5º para cima da Lua e Alpha Lib (Zubenelgenubi) a uma distância idêntica para baixo e para a direita do nosso satélite natural. Ambas têm mais ou menos magnitude 2,5.
Dia 08/08: 220.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1576, é colocada a pedra angular do observatório Uraniborg de Tycho Brahe, em Ven, Dinamarca.
Em 1977, a estação soviética Salyut 5 arde na atmosfera. Lançada no dia 22 de junho de 1976, a estação esteve tripulada durante 67 dias.
Em 1989 era lançada a missão STS-28, a quarta missão secreta do Departamento de Defesa americano.
Em 2001, lançamento da sonda Genesis, a primeira missão de recolha de material desde o programa Apollo, a primeira a enviar material desde para lá da órbita da Lua (amostras de vento solar). Observações: A Lua Crescente encontra-se para cima e um pouco para a direita da fila vertical de estrelas que assinala a cabeça de Escorpião.
Curiosidades
Vénus tem uma temperatura média, à superfície, de 462º C. É o planeta mais quente do Sistema Solar, apesar de Mercúrio estar mais perto do Sol.
A Via Láctea em três dimensões
O Telescópio Warsaw e as Cefeidas da Via Láctea descobertas pelo levantamento OGLE.
Crédito: K. Ulaczyk/J. Skowron/OGLE/Observatório Astronómico da Universidade de Varsóvia
Quando Galileu apontou o seu primeiro telescópio à Via Láctea no início do século XVII, ele notou que consiste principalmente de inúmeras estrelas. Desde aquela época, o estudo das propriedades e da história da nossa Galáxia tem absorvido muitas gerações de cientistas. Na revista Science, astrónomos polacos do Observatório Astronómico da Universidade de Varsóvia apresentaram um mapa tridimensional único da Via Láctea. O mapa fornece informações sobre a estrutura e sobre a história da nossa Galáxia.
Desde o século XVII que os astrónomos estão cientes de que a Terra, o Sol e os outros planetas do Sistema Solar, juntamente com milhares de milhões de estrelas vistas com telescópios, formam a nossa Galáxia. Estas estrelas, se observadas longe das luzes da cidade, parecem "leite derramado" no céu e formam a faixa da Via Láctea.
Atualmente, pensa-se que a Via Láctea é uma típica galáxia espiral barrada que consiste de uma região central em forma de barra rodeada por um disco plano de gás, poeira e estrelas. O disco compreende quatro braços espirais e tem um diâmetro de aproximadamente 120.000 anos-luz. O Sistema Solar está localizado dentro do disco, a cerca de 27.000 anos-luz do Centro Galáctico, e é por isso que as estrelas do disco, vistas de dentro, parecem uma faixa ténue no céu - a Via Láctea.
O conhecimento atual sobre a forma do disco da Via Láctea é baseado em vários elementos (como contagens de estrelas ou observações de moléculas de gás no rádio) informados pela extrapolação de estruturas vistas noutras galáxias. No entanto, as distâncias destas características são medidas indiretamente e dependem do modelo. O método mais robusto de estudar a forma da Via Láctea seria medir diretamente as distâncias de uma grande amostra de estrelas de um tipo específico, o que permitiria a construção de um mapa tridimensional da Galáxia.
A estrutura tridimensional da Via Láctea foi cartografada usando distâncias de Cefeidas brilhantes.
Crédito: Jan Skowron/OGLE/Observatório Astronómico da Universidade de Varsóvia
As estrelas variáveis Cefeidas são perfeitas para esta tarefa. As Cefeidas são supergigantes jovens pulsantes: o seu brilho muda com um padrão muito regular e muito bem definido, que pode variar de horas a várias dúzias de dias.
"As Cefeidas seguem uma relação entre o período de pulsação e a luminosidade, permitindo inferir a luminosidade intrínseca de uma Cefeida a partir do seu período. A distância pode então ser determinada comparando o brilho aparente e intrínseco," diz a Dra. Dorota Skowron, autora principal do estudo. Ela acrescenta: a dificuldade adicional surge da presença de poeira e gás interestelar que pode diminuir o brilho de uma Cefeida. Felizmente, as observações no infravermelho reduzem essas incertezas.
As distâncias às Cefeidas podem ser determinadas com uma precisão superior a 5%.
O novo mapa tridimensional da Via Láctea foi construído usando uma amostra de mais de 2400 Cefeidas, a maioria das quais foram recentemente identificadas nos dados fotométricos recolhidos pelo levantamento OGLE (Optical Gravitational Lensing Experiment).
"O levantamento OGLE está entre as maiores pesquisas de variabilidade do céu, monitoriza o brilho de quais dois mil milhões de estrelas. As coleções de estrelas variáveis do OGLE, incluindo as Cefeidas da Via Láctea, são as maiores do mundo e são utilizadas por muitos investigadores para vários estudos do Universo," salienta o professor Andrzej Udalski, do projeto OGLE.
O mapa tridimensional recém-construído da Via Láctea é o primeiro mapa que se baseia em distâncias diretas de milhares de objetos individuais tão distantes quanto o limite esperado do disco Galáctico. O mapa demonstra que o disco da Via Láctea não é plano, é deformado a distâncias maiores que 25.000 anos-luz de Centro Galáctico.
Galáxia deformada com a distribuição de estrelas jovens (Cefeidas) no seu disco inferida com Cefeidas da Via Láctea.
Crédito: J. Skowron/OGLE/Observatório Astronómico da Universidade de Varsóvia
"A deformação do disco Galáctico já tinha sido detetada antes, mas esta é a primeira vez que podemos usar objetos individuais para traçar a sua forma em três dimensões," diz Przemek Mróz, estudante da Universidade de Varsóvia. Estrelas nas partes externas do disco da Via Láctea podem estar deslocadas do plano Galáctico até 4500 anos-luz em relação às regiões centrais da Galáxia. A deformação pode ter sido provocada por interações com galáxias satélites, gás intergaláctico ou matéria escura.
O disco Galáctico não tem uma espessura constante, cresce com a distância ao Centro Galáctico. O disco Galáctico tem cerca de 500 anos-luz de espessura perto do Sol, enquanto excede 3000 anos-luz perto da orla.
A idade das Cefeidas pode ser determinada com base nos seus períodos de pulsação, o que permitiu que os astrónomos realizassem uma tomografia etária da Via Láctea. As Cefeidas mais jovens estão localizadas perto do Centro Galáctico, enquanto que as mais velhas estão perto do limite da Via Láctea.
"Encontrámos muitas subestruturas alongadas no disco, compostas por estrelas de idade semelhante. Isto indica que as Cefeidas ali localizadas devem ter-se formado mais ou menos ao mesmo tempo num dos braços espirais. No entanto, as Cefeidas formadas num braço espiral não seguem a localização exata desse braço, porque as velocidades de rotação dos braços espirais e das estrelas são ligeiramente diferentes," explica o Dr. Jan Skowron, coautor do estudo.
Os astrónomos realizaram uma simulação simples para testar esta hipótese. Injetaram vários episódios de formação estelar nos braços espirais e atribuíram movimentos e velocidades típicas às estrelas aí presentes.
"As estruturas simuladas e observadas são surpreendentemente semelhantes. Isto mostra que a nossa ideia sobre a história recente do disco Galáctico é plausível e que pode explicar as estruturas que vemos," resume o Dr. Jan Skowron.
Hubble descobre exoplaneta "metálico" em forma de bola de rugby
Esta impressão de artista mostra um mundo alienígena que está a perder os gases magnésio e ferro da sua atmosfera. As observações representam a primeira vez que os chamados "metais pesados" - elementos mais massivos que o hidrogénio e hélio - foram detetados a escapar de um Júpiter quente, um exoplaneta gasoso que orbita muito perto da sua estrela. O planeta, conhecido como WASP-121b, orbita uma estrela mais brilhante e mais quente que o Sol. O planeta está tão perigosamente perto da sua estrela que a sua atmosfera superior atinge uma ardente temperatura superior a 2530º C. Uma torrente de luz ultravioleta da estrela hospedeira está a aquecer a atmosfera superior do planeta, o que faz com que os gases magnésio e ferro escapem para o espaço. As observações feitas com o instrumento STIS do Hubble detetaram as assinaturas espectrais de magnésio e ferro longe do planeta. A pequena distância que separa o planeta da estrela significa que está prestes a ser rasgado pelas forças de maré gravitacionais da estrela. As poderosas forças gravitacionais alteraram a forma do planeta para que se parecesse mais como uma bola de rugby. O sistema WASP-121 fica a cerca de 900 anos-luz da Terra.
Crédito: NASA, ESA e J. Olmsted (STScI)
Como pode um planeta ser "mais quente do que quente?" A resposta é quando se detetam metais pesados que escapam da atmosfera do planeta, em vez de se condensarem em nuvens.
Observações do Telescópio Espacial Hubble da NASA revelam magnésio e ferro gasosos a escapar do estranho mundo para lá do nosso Sistema Solar conhecido como WASP-121b. As observações representam a primeira vez que os chamados "metais pesados" - elementos mais pesados que o hidrogénio e o hélio - foram vistos a escapar de um Júpiter quente, um exoplaneta grande e gasoso muito próximo da sua estrela.
Normalmente, os planetas quentes do tamanho de Júpiter ainda estão frios o suficiente para condensar, em nuvens, elementos mais pesados como magnésio e ferro.
Mas este não é o caso com WASP-121b, que orbita tão perigosamente perto da sua estrela que a sua atmosfera superior atinge uma ardente temperatura superior a 2530º C. O sistema WASP-121 reside a cerca de 900 anos-luz da Terra.
"Os metais pesados já foram vistos noutros Júpiteres quentes, mas apenas na atmosfera interior," explicou o investigador David Sing, da Universidade Johns Hopkins em Baltimore, no estado norte-americano de Maryland. "Por isso não sabemos se estão a escapar ou não. Com WASP-121b, vemos os gases magnésio e ferro tão longe do planeta, que não estão gravitacionalmente ligados."
A luz ultravioleta da estrela hospedeira, que é mais brilhante e mais quente do que o Sol, aquece a atmosfera superior e ajuda a escapar. Além disso, os gases magnésio e ferro que escapam podem estar a contribuir para o pico de temperatura, afirmou Sing. "Estes metais tornam a atmosfera mais opaca no ultravioleta, o que poderá estar a contribuir para o aquecimento da atmosfera superior," explicou.
O planeta escaldante está tão perto da estrela que está prestes a ser dilacerado pela sua gravidade. Esta distância significa que o planeta não é redondo, tem uma forma mais parecida com uma bola de rugby devido às forças de maré gravitacionais.
"Nós escolhemos este planeta porque é tão extremo," disse Sing. "Nós pensámos que havia a hipótese de ver elementos mais pesados a escapar. É tão quente e tão favorável para observar, é a melhor chance de encontrar a presença de metais pesados. Estávamos à procura principalmente de magnésio, mas havia indícios de ferro nas atmosferas de outros exoplanetas. Porém, foi uma surpresa vê-lo claramente nos dados e em tão grandes altitudes tão longe do planeta. Os metais pesados estão a escapar em parte porque o planeta é tão grande e inchado que a sua gravidade é relativamente fraca. Este é um planeta cuja atmosfera está a ser ativamente removida."
Os investigadores usaram o instrumento STIS (Space Telescope Imaging Spectrograph) para investigar, no ultravioleta, as assinaturas espectrais do magnésio e do ferro impressas na luz estelar filtradas através da atmosfera de WASP-121b à medida que o planeta passava em frente, ou transitava, a face da sua estrela-mãe.
Este exoplaneta é também um alvo perfeito para o futuro Telescópio Espacial James Webb da NASA procurar, no infravermelho, água e dióxido de carbono, que podem ser detetados em comprimentos de onda mais longe e vermelhos. A combinação das observações do Hubble e do Webb proporcionarão aos astrónomos um inventário mais completo dos elementos químicos que compõem a atmosfera do planeta.
O estudo de WASP-121b faz parte do levantamento PanCET (Panchromatic Comparative Exoplanet Treasury), um programa do Hubble para observar 20 exoplanetas, variando em tamanho desde super-Terras (várias vezes a massa da Terra) até Júpiteres (que têm mais de 100 vezes a massa da Terra), no primeiro estudo comparativo no ultravioleta, visível e infravermelho em larga escala de mundos distantes.
As observações de WASP-121b contribuem para o desenvolvimento da história de como os planetas perdem as suas atmosferas primordiais. Quando os planetas se formam, recolhem uma atmosfera contendo gás do disco em que o planeta e a estrela se formaram. Estas atmosferas consistem principalmente de gases primordiais mais leves, hidrogénio e hélio, os elementos mais abundantes do Universo. Esta atmosfera dissipa-se quando um planeta se aproxima da sua estrela.
"Os Júpiteres quentes são compostos principalmente de hidrogénio e o Hubble é muito sensível ao hidrogénio, de modo que sabemos que estes planetas podem perder gás com relativa facilidade," acrescentou Sing. "Mas, no caso de WASP-121b, o hidrogénio e hélio estão a fluir, quase como um rio, e estão a arrastar com eles estes metais. É um mecanismo muito eficiente de perda de massa."
Os resultados foram publicados na revista The Astronomical Journal.
Continuando o legado das Apollo: estudo mostra que a Lua é mais antiga do que se pensava
Amostra 12054 das Apollo: esta amostra é um basalto de ilmenita recolhido durante a Apollo 12. Tem vidro, depositado pelos "salpicos" de material quando outro basalto foi atingido por um impactor. Amostras como a 12054 permitem-nos reconstruir a história da Lua com as histórias que contam.
Crédito: Maxwell Thiemens, 2019
Um novo estudo encabeçado por cientistas da Terra no Instituto de Geologia e Mineralogia da Universidade de Colónia limitou a idade da Lua até aproximadamente 50 milhões de anos após a formação do Sistema Solar. O Sistema Solar foi formado há 4,56 mil milhões de anos e a Lua há aproximadamente 4,51 mil milhões de anos. O novo estudo determinou assim que a Lua é significativamente mais velha do que se pensava anteriormente - investigações anteriores estimaram que a Lua se tinha formado aproximadamente 150 milhões de anos após a formação do Sistema Solar. Para alcançar estes resultados, os cientistas analisaram a composição química de uma gama diversificada de amostras recolhidas durante as missões Apollo. O estudo foi publicado na revista Nature Geoscience.
No dia 21 de julho de 1969, a humanidade deu os seus primeiros passos noutro corpo celeste. Nas suas poucas horas à superfície da Lua, a tripulação da Apollo 11 recolheu e trouxe para a Terra 21,55 kg de amostras. Quase exatamente 50 anos depois, essas amostras ainda nos ensinam mais sobre os principais eventos do Sistema Solar primitivo e sobre a história do sistema Terra-Lua. A determinação da idade da Lua é importante para entender como e quando a Terra se formou e como evoluiu no início do Sistema Solar.
Este estudo foca-se nas assinaturas químicas de diferentes tipos de amostras recolhidas pelas diferentes missões Apollo. "Ao comparar as quantidades relativas de diferentes elementos nas rochas que se formaram em diferentes épocas, é possível aprender como cada amostra está relacionada com o interior lunar e com a solidificação do oceano de magma," disse o Dr. Raúl Fonseca da Universidade de Colónia, que estuda processos que ocorreram no interior da Lua em experiências de laboratório juntamente com o seu colega Dr. Felipe Leitzke.
A Lua provavelmente formou-se no rescaldo de uma colisão gigante entre um corpo planetário do tamanho de Marte e a Terra primitiva. Com o tempo, a Lua acretou-se da nuvem de material lançada para órbita da Terra. A Lua recém-nascida estava coberta por um oceano de magma, que formou diferentes tipos de rocha à medida que este arrefecia. "Estas rochas registaram informações sobre a formação da Lua e ainda podem ser encontradas hoje na superfície lunar," explicou o Dr. Maxwell Thiemens, ex-investigador da Universidade de Colónia e autor principal do estudo. O Dr. Peter Sprung, coautor do estudo, acrescentou: "Tais observações já não são possíveis na Terra, pois o nosso planeta tem estado geologicamente ativo ao longo do tempo. A Lua, portanto, fornece uma oportunidade única para estudar a evolução planetária."
Os cientistas de Colónia usaram a relação entre os elementos raros háfnio, urânio e tungsténio como uma sonda para compreender a quantidade de fusão que ocorreu para gerar os mares basálticos, isto é, as regiões escuras na superfície lunar. Devido a uma precisão de medição sem precedentes, o estudo pôde identificar tendências distintas entre os diferentes conjuntos de rochas, o que agora permite uma melhor compreensão do comportamento destes elementos raros.
O estudo do háfnio e do tungsténio na Lua são particularmente importantes porque constituem um relógio radioativo natural do isótopo háfnio-182 que decai para tungsténio-182. Este decaimento radioativo só teve lugar nos primeiros 70 milhões de anos do Sistema Solar. Combinando as informações de háfnio e tungsténio medidas nas amostras das Apollo com informações de experiências de laboratório, o estudo descobriu que a Lua começou a solidificar-se tão cedo quanto 50 milhões de anos após a formação do Sistema Solar. "Esta informação sobre a idade significa que qualquer impacto gigantesco deve ter ocorrido antes, o que responde a uma questão ferozmente debatida entre a comunidade científica sobre a formação da Lua," acrescentou o professor Dr. Carsten Münker do Instituto de Geologia e Mineralogia da Universidade de Colónia, autor sénior do estudo.
Maxwell Thiemens conclui: "Os primeiros passos da Humanidade noutro mundo, há exatamente 50 anos, produziram amostras que nos permitem entender o tempo e a evolução da Lua. Dado que a formação da Lua foi o maior evento planetário final após a formação da Terra, a idade da Lua também fornece uma idade mínima para a Terra."
A incerteza na deteção de planetas (via Universidade Estatal da Carolina do Norte)
A incerteza na ciência é algo positivo. Porque o método científico funciona assim: observamos um fenómeno, depois formamos uma hipótese sobre o fenómeno que está a ter lugar, e depois testamos a hipótese, que pode levar ao desenvolvimento de novas hipóteses, e assim por diante. Este processo significa que pode ser difícil realmente saber algo. Ao invés, os cientistas trabalham para compreender a incerteza nas medições, nos modelos, nas suas conclusões. Ler fonte
Álbum de fotografias - Nuvem Escura Camaleão II
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Don Goldman
Uma pequena constelação escondida perto do polo celeste sul, Camaleão não possui estrelas brilhantes. No entanto, estão a formar-se estrelas dentro dos limites da constelação, numa região de nuvens moleculares escuras e empoeiradas. A cerca de 500 anos-luz de distância, a nebulosa escura Camaleão II habita esta vista onde as nuvens de poeira cósmica destacam-se principalmente em silhueta contra o céu estrelado do hemisfério sul. A imagem telescópica tem aproximadamente o tamanho angular de uma Lua Cheia e estende-se por cerca de 5 anos-luz à distância estimada da nuvem escura. Espalhados perto do centro, um brilho avermelhado revelador dos objetos Herbig-Haro identificados pode ser visto na imagem nítida, jatos de gás incandescente emanados de estrelas recém-formadas.
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