Atividades astronómicas planeadas para o restante mês de julho:
24/07 - Marim, Olhão, a partir das 21:15, frente ao Centro de Educação Ambiental de Marim (atividade realizada pelo CCVAlg)
28/07 - Santa Catarina da Fonte do Bispo, a partir das 22:00, junto à Cooperativa Agrícola dos Produtores de Azeite de Santa Catarina da Fonte do Bispo (atividade realizada pelo CCVTavira)
31/07 - Carvoeiro, a partir das 21:30, junto ao Forte de Nossa Senhora da Encarnação (atividade realizada pelo CCVAlg)
Atividades astronómicas planeadas para o mês de agosto:
04/08 - Castelo de Paderne, Albufeira, a partir das 21:15, junto ao Castelo de Paderne (atividade realizada pelo CCVAlg)
05/08 - Ruinas Romanas de Milreu, Estoi, a partir das 21:15, no interior do Núcleo Museológico das Ruínas Romanas de Milreu (atividade realizada pelo CCVAlg)
07/08 - Rocha da Pena, Loulé, a partir das 20:45, ponto de encontro no estacionamento do café Bar das Grutas, no início do caminho para a Rocha da Pena (atividade realizada pelo CCVAlg)
07/08 - Tavira, a partir das 22:00, junto ao Forte do Rato (atividade realizada pelo CCVTavira)
14/08 - Passeio noturno pela Ria Formosa em barco solar, encontro às 20:30 no cais de embarque junto à Porta Nova (cais das portas do mar) na muralha Villa Adentro (parte antiga da cidade de Faro); atividade com custo (atividade realizada pelo CCVAlg)
18/08 - Santa Rita - Vila Nova de Cacela, a partir das 22:00, junto à Aldeia de Santa Rita, Vila Nova de Cacela (atividade realizada pelo CCVTavira)
22/08 - Portela, São Brás de Alportel, a partir das 21:00, junto ao Miradouro do Alto da Arroteia (atividade realizada pelo CCVAlg)
23/08 - Albufeira, Praia dos Salgados, a partir das 21:00, junto ao estacionamento da Praia dos Salgados (atividade realizada pelo CCVAlg)
26/08 - Castro Marim, a partir das 21:30, no parque de estacionamento do Agrupamento de Escolas de Castro Marim (atividade realizada pelo CCVTavira)
(obrigatório utilizar equipamento de proteção individual - máscara ou viseira - e seguir as instruções de higienização e distanciamento social; número limitado de presenças nas atividades seguindo as atuais regras de segurança da DGS; todas as atividades estão dependentes de condições meteorológicas favoráveis; consulte cada uma das atividades para obter mais informações e para fazer a sua inscrição obrigatória)
Efemérides
Dia 24/07: 206.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1969, a Apollo 11 regressava à Terra em segurança. A cápsula com os astronautas cai no Oceano Pacífico. Observações: Com o avançar do verão, Arcturo desce a oeste. O seu tom amarelado e pálido ajuda a identificá-la.
Arcturo forma a parte de baixo do "papagaio-de-papel" de Boieiro. O papagaio-de-papel é estreito, ligeiramente torto e mede 23º de altura: cerca de dois punhos à distância do braço esticado. A parte de cima da constelação está ligeiramente dobrada, como se tivesse batido contra alguma coisa.
Trânsito de Io, entre as 23:06 e as 01:25 (já de dia 25).
Trânsito da sombra de Io, entre as 23:21 e as 01:43 (já de dia 25).
Dia 25/07: 207.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1973 era lançada a sonda soviética Mars 5.
Em 1976, a sonda Viking 1 obtém a famosa foto da "Face de Marte".
Em 1984 a cosmonauta russa Svetlana Savitskaya torna-se a primeira mulher a caminhar no espaço ao abandonar a estação Salyut 7. Observações: O "bule de chá" de Sagitário encontra-se a sul por estas noites; encontre-o para a direita de Júpiter e de Saturno. Com o avançar do verão, o "bule de chá" começa a inclinar-se e a "deitar o chá" para a direita. Vai continuar a inclinar-se durante o resto da estação - ou durante o resto da noite se ficar acordado(a) até mais tarde.
Ocultação de Io, entre as 20:16 e as 22:35.
Eclipse de Io, entre as 20:31 e as 22:52.
Trânsito de Calisto, entre as 22:45 e as 03:06 (já de dia 26).
Dia 26/07: 208.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1958, lançamento do Explorer 4.
Em 1963, era lançado o Syncom 2, o primeiro satélite geosíncrono.
Em 1971 era lançada a Apollo 15, a quarta aterragem do Homem na Lua.
Em 2005, lançamento da missão STS-114 do vaivém espacial Discovery, o primeiro voo desde o desastre do Columbia em 2003. Observações: Ocultação de Europa, entre as 00:39 e as 03:34.
Eclipse de Europa, entre as 01:14 e as 04:09.
Trânsito da sombra de Calisto, entre as 01:26 e as 05:59.
A cauda de Escorpião encontra-se baixa a sul após o cair da noite, para baixo e para a direita do "bule de chá" de Sagitário. Quão baixa depende de quão para norte ou para sul está o observador: quanto mais para sul, mais alta estará.
Procure as duas estrelas especialmente perto uma da outra na cauda. Estas são Lambda e a mais ténue Upsilon Scorpii, conhecidas como os "Olhos de Gato". Estão inclinadas; o "gato" parece estar a inclinar a sua cabeça e a piscar um olho.
Uma linha que passe pelos Olhos de Gato aponta para oeste (direita), e quase a um punho à distância do braço esticado, chega a Mu Scorpii, um par ainda mais íntimo conhecido como os "Olhos do Gato Pequeno". O par está orientado quase da mesma maneira que Lambda e Upsilon. Consegue discernir o par Mu Scorpii sem binóculos? É preciso ter um bom olho!
Dia 27/07: 209.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1801 nascia George Biddell Airy, "Astronomer Royal" (título, agora honorário, que se dá ao diretor do Observatório Real de Greenwich) entre 1835 e 1881.
Forneceu importantes contributos nos campos da Matemática e da Astronomia, nomeadamente a descoberta de irregularidades nos movimentos de Vénus e da Terra, e no seu método de cálculo da densidade média do planeta Terra. Observações: Lua em Quarto Crescente, pelas 13:32.
Trânsito de Europa, entre as 18:54 e as 21:46.
Trânsito da sombra de Europa, entre as 19:34 e as 22:26.
Telescópio do ESO captura a primeira imagem de sempre de um sistema planetário múltiplo em órbita de uma estrela do tipo do Sol
Esta imagem, obtida com o instrumento SPHERE montado no VLT do ESO, mostra a estrela TYC 8998-760-1 acompanhada por dois exoplanetas gigantes. Esta é a primeira vez que os astrónomos observaram de forma direta mais do que um planeta em órbita de uma estrela semelhante ao Sol.
A imagem foi capturada ao bloquear a radiação emitida pela estrela jovem (no canto superior esquerdo) com um coronógrafo, permitindo assim detectar os planetas muito mais ténues que a orbitam. Os anéis brilhantes e escuros que vemos na imagem da estrela são artefactos ópticos, não sendo por isso reais. Os dois planetas podem ser vistos como dois pontos brilhantes no centro e em baixo à direita.
Crédito: ESO/Bohn et al.
O VLT (Very Large Telescope) do ESO obteve a primeira imagem de sempre de uma estrela jovem semelhante ao Sol acompanhada por dois exoplanetas gigantes. Imagens de sistemas com vários exoplanetas são extremamente raras e, até agora, os astrónomos nunca tinham observado de forma direta mais do que um planeta em órbita de uma estrela do tipo solar. Estas observações ajudam os cientistas a compreender melhor como é que os planetas se formaram e evoluíram em órbita do nosso Sol.
Há cerca de dois meses, o ESO descobriu um sistema planetário a formar-se, revelado numa imagem nova extraordinária obtida pelo VLT. Agora, com o auxílio do mesmo telescópio e também do mesmo instrumento, obteve-se a primeira imagem direta de um sistema planetário em órbita de uma estrela semelhante ao nosso Sol, situada a cerca de 300 anos-luz de distância e conhecida por TYC 8998-760-1.
"Esta descoberta pode ser comparada a tirar uma fotografia a um ambiente muito semelhante ao nosso Sistema Solar, mas numa fase muito mais precoce da sua evolução," disse Alexander Bohn, estudante de doutoramento da Universidade de Leiden, na Holanda, que liderou este novo trabalho publicado hoje na revista da especialidade The Astrophysical Journal Letters.
"Apesar dos astrónomos terem detetado de forma indireta milhares de planetas na nossa Galáxia, apenas uma fração muito pequena destes objetos foram observados de forma direta," explica o coautor do estudo Matthew Kenworthy, Professor Associado na Universidade de Leiden, acrescentando que "as observações diretas são importantes para a procura de ambientes que possam sustentar vida." Imagens diretas de dois ou mais exoplanetas em órbita da mesma estrela são ainda mais raras; apenas dois destes sistemas foram observados de forma direta até à data, ambos em torno de estrelas marcadamente diferentes do nosso Sol. A nova imagem obtida com o auxílio do VLT do ESO é a primeira imagem direta de mais de um exoplaneta em órbita de uma estrela do tipo solar. O VLT foi também o primeiro telescópio a observar diretamente um exoplaneta, quando capturou em 2004 um pontinho de luz em torno de uma anã castanha, um tipo de estrela "falhada".
"A nossa equipa capturou a primeira imagem de dois companheiros gigantes gasosos que orbitam uma estrela jovem parecida ao Sol," disse Maddalena Reggiani, investigadora de pós-doutoramento na KU Leuven, Bélgica, que também participou no estudo. Os dois planetas podem ser vistos na nova imagem como dois pontos de luz brilhante afastados da sua estrela progenitora, a qual se encontra no canto superior esquerdo da imagem (veja a imagem completa). Ao obter diferentes imagens em momentos diferentes, a equipa conseguiu destacar estes planetas das estrelas de fundo.
Os dois gigantes gasosos orbitam a sua estrela hospedeira a distâncias de 160 e cerca de 320 vezes a distância entre a Terra e o Sol, o que coloca estes planetas muito mais distantes da sua estrela do que Júpiter e Saturno, também eles gigantes gasosos, se encontram do Sol (situados a apenas 5 e 10 vezes a distância Terra-Sol, respetivamente). A equipa descobriu também que os dois exoplanetas são muito mais massivos do que os do nosso Sistema Solar; o planeta mais interior apresenta uma massa 14 vezes maior do que a massa de Júpiter e o mais exterior tem uma massa 6 vezes maior que esse valor.
A equipa de Bohn obteve imagens deste sistema enquanto procurava planetas gigantes jovens em torno de estrelas semelhantes ao nosso Sol mas mais jovens. A estrela TYC 8998-760-1 tem apenas 17 milhões de anos de idade e situa-se na constelação austral da Mosca. Bohn descreve esta estrela como sendo "uma versão muito jovem do nosso próprio Sol."
A obtenção destas imagens deveu-se ao elevado desempenho do instrumento SPHERE montado no VLT do ESO no deserto chileno do Atacama. O SPHERE bloqueia a luz brilhante da estrela com um aparelho chamado coronógrafo, o que faz com que consigamos observar os planetas que a orbitam, apesar destes serem muito mais ténues. Enquanto os planetas mais velhos, tais como os que existem no nosso Sistema Solar, são demasiado frios para poderem ser descobertos através desta técnica, os planetas mais jovens são mais quentes e por isso brilham mais intensamente na radiação infravermelha. Ao obter várias imagens ao longo de todo o ano passado, e também fazendo uso de dados mais antigos (até 2017), a equipa de investigadores confirmou que estes dois planetas fazem parte deste sistema estelar.
Mais observações do sistema, incluindo observações que serão realizadas com o futuro Extremely Large Telescope (ELT) do ESO, permitirão aos astrónomos testar se estes planetas se formaram nas suas posições atuais, longe da estrela, ou se migraram de outros lados. O ELT ajudará também a investigar a interação entre dois planetas jovens no mesmo sistema. Bohn conclui: "A possibilidade de que futuros instrumentos, tais como os que estarão disponíveis no ELT, sejam capazes de detetar planetas com massas ainda mais pequenas em torno desta estrela, assinala um marco importante no estudo e compreensão de sistemas planetários múltiplos, com implicações potenciais na história do nosso próprio Sistema Solar."
Redescoberta de mundo "perdido" é um passo em frente para encontrar planetas habitáveis
O NGTS (Next-Generation Transit Survey) situado no Deserto do Atacama, no Chile.
Crédito: Universidade de Warwick
A redescoberta de um planeta perdido poderá pavimentar o caminho para a deteção de um mundo dentro da zona habitável de um sistema solar distante.
O planeta, do tamanho e massa de Saturno com uma órbita de 35 dias, está entre centenas de mundos "perdidos" onde astrónomos da Universidade de Warwick estão a utilizar um novo método para rastrear e caracterizar na esperança de encontrar planetas mais frios como aqueles no nosso Sistema Solar, e até planetas potencialmente habitáveis.
Relatado na revista The Astrophysical Journal Letters, o planeta chamado NGTS-11b orbita uma estrela a 620 anos-luz de distância e está localizado cinco vezes mais perto da sua estrela do que a Terra do Sol.
O planeta foi originalmente descoberto por um levantamento exoplanetário em 2018 usando dados do telescópio TESS da NASA. O TESS usa o método de trânsito para avistar planetas, procurando a luz reveladora da estrela que indica que um objeto passou entre o telescópio e a estrela. No entanto, o TESS apenas analisa secções do céu durante 27 dias. Isto significa que muitos dos planetas de período maior apenas transitam uma vez nos dados do TESS. A equipa liderada pela Universidade de Warwick acompanhou um destes planetas "perdidos" usando os telescópios NGTS (Next-Generation Transit Survey) no Chile e observou a estrela durante setenta e nove noites, eventualmente avistando o planeta a transitar pela segunda vez quase um ano após o primeiro trânsito detetado.
O Dr. Samuel Gill do Departamento de Física da Universidade de Warwick, disse: "Ao perseguir o segundo trânsito, encontrámos um planeta de período mais longo. Esperamos que seja a primeira de muitas descobertas levando a períodos mais longos.
"Estas descobertas são raras, mas importantes, pois permitem-nos encontrar planetas com períodos mais longos do que outros astrónomos estão a encontrar. Planetas com períodos mais longos são mais frios, mais parecidos com os planetas do nosso próprio Sistema Solar.
"NGTS-11b tem uma temperatura de apenas 160º C - mais frio que Mercúrio e Vénus. Embora ainda seja quente demais para suportar vida como a conhecemos, está mais perto da zona habitável do que muitos planetas descobertos anteriormente, que normalmente têm temperaturas acima dos 1000º C."
A zona habitável refere-se à gama de órbitas que permitem que um planeta ou lua suporte água líquida: demasiado perto da sua estrela e será demasiado quente, mas muito distante e será demasiado frio.
O Dr. Daniel Bayliss, coautor do estudo e também da Universidade de Warwick, explicou: "Este planeta está numa órbita de 35 dias, o que é um período muito mais longo do que normalmente encontramos. É excitante ver a zona habitável quase ao nosso alcance."
O professor Pete Wheatley, também coautor e da mesma universidade, acrescenta: "O trânsito original apareceu apenas uma vez nos dados do TESS, e foi o trabalho de detetive da nossa equipa que nos permitiu encontrá-lo novamente um ano depois com o NGTS.
"O NGTS possui doze telescópios de última geração, o que significa que podemos monitorizar várias estrelas por meses a fio, à procura de planetas perdidos. A diminuição de brilho durante o trânsito corresponde apenas a 1% e ocorre apenas uma vez a cada 35 dias, colocando-o de fora do alcance de outros telescópios."
O Dr. Gill acrescenta: "Existem centenas de trânsitos únicos detetados pelo TESS que vamos estar a monitorizar usando este método. Isto permitirá descobrir exoplanetas mais frios de todos os tamanhos, incluindo planetas mais parecidos com os do nosso próprio Sistema Solar. Alguns serão pequenos planetas rochosos na zona habitável, frios o suficiente para hospedar oceanos de água líquida e potencialmente vida extraterrestre."
No painel à esquerda, impressão de artista de como estes buracos negros estão envoltos em casulos de material, tornando difícil a sua identificação precisa. O casulo (vermelho) rodeia um disco de material que cai para o buraco negro, mais um vento de material (azul) que sopra para longe do disco. Uma porção do casulo está cortado para mostrar o buraco negro altamente obscurecido. Esta descoberta tem importantes implicações para a compreensão de como os buracos negros supermassivos crescem e evoluem ao longo de milhares de milhões de anos.
No painel à direita, a posição dos 28 buracos negros identificados, anteriormente classificados erroneamente, na imagem do levantamento CDF-S. As cores vermelho, verde e azul representam raios-X de baixa energia, média e alta que o Chandra deteta.
Crédito: NASA/CXC/M. Weiss; raios-X - NASA/CXC/Penn State/B. Luo et al.
Graças a um conjunto de telescópios, incluindo o Observatório de raios-X Chandra da NASA, os astrónomos descobriram um tipo de buraco negro supermassivo mascarado como outro. A verdadeira identidade destes buracos negros ajuda a resolver um mistério de longa data na astrofísica.
Os buracos negros mal identificados são de um levantamento conhecido como CDF-S (Chandra Deep Field-South), a imagem de raios-X mais profunda jamais obtida.
Os buracos negros supermassivos crescem puxando material circundante, que é aquecido e que produz radiação numa ampla gama de comprimentos de onda, incluindo raios-X. Muitos astrónomos pensam que este crescimento inclui uma fase, ocorrida há milhares de milhões de anos, em que um denso casulo de poeira e gás cobre a maioria dos buracos negros. Estes casulos de material são a fonte de combustível que permite com que o buraco negro cresça e gere radiação.
Com base no conhecimento atual, deviam existir muitos buracos negros imersos nestes casulos (referidos como buracos negros "altamente obscurecidos"). No entanto, este tipo de buraco negro em crescimento é notoriamente difícil de encontrar, e até agora o número observado ficou aquém das previsões - mesmo nas imagens mais profundas, como a do levantamento CDF-S.
"Com as nossas novas identificações, encontrámos muitos buracos negros altamente obscurecidos anteriormente não descobertos," disse Erini Lambrides da Universidade Johns Hopkins em Baltimore, no estado norte-americano de Maryland, que liderou o estudo. "Gostamos de dizer que encontrámos estes buracos negros gigantes, mas na realidade já lá estavam o tempo todo."
O último estudo combinou mais de 80 dias de tempo de observação com o Chandra no CDF-S com grandes quantidades de dados em diferentes comprimentos de onda de outros observatórios, incluindo o Telescópio Espacial Hubble e o Telescópio Espacial Spitzer. A equipa analisou buracos negros localizados a 5 mil milhões de anos-luz ou mais da Terra. A estas distâncias, os cientistas já haviam encontrado 67 buracos negros altamente obscurecidos no CDF-S com dados de raios-X e no infravermelho. Neste estudo mais recente, os autores identificaram outros 28.
Estes 28 buracos negros supermassivos foram anteriormente classificados de maneira diferente - como buracos negros de crescimento lento, com casulos de baixa densidade ou inexistentes, ou como galáxias distantes.
Combinando observações profundas do Chandra com dados do Hubble, do Spitzer e de outros telescópios, os astrónomos identificaram 28 buracos negros numa área do céu em que receberam outra classificação.
Crédito: raios-X - NASA/CXC/Penn State/B. Luo et al.; Ótico/Infravermelho: NASA/STScI/JHU/E. Lambrides et al.
"Isto pode ser considerado um caso de buracos negros com identidade equivocada," disse o coautor Marco Chiaberge do STScI (Space Telescope Science Institute) em Baltimore, Maryland, "mas estes buracos negros são excecionalmente bons a esconder exatamente o que são."
Lambrides e colegas compararam os seus dados com as expetativas de um buraco negro em típico crescimento. Usando dados de todos os comprimentos de onda, exceto raios-X, previram a quantidade de raios-X que deviam estar a detetar em cada buraco negro. Os investigadores descobriram um nível muito menor de raios-X do que o esperado em 28 fontes, o que implica que o casulo em seu redor é cerca de dez vezes mais denso do que os cientistas estimaram previamente para estes objetos.
Levando em consideração a densidade mais alta do casulo, a equipa mostrou que os buracos negros mal identificados estão a produzir mais raios-X do que se pensava anteriormente, mas o casulo mais denso impede que a maioria destes raios-X escapem e alcancem o telescópio Chandra. Isto implica que estão a crescer mais depressa.
Grupos anteriores não aplicaram a técnica de análise adotada por Lambrides e pela sua equipa, nem utilizaram todo o conjunto de dados disponíveis para o CDF-S, fornecendo-lhes poucas informações sobre a densidade dos casulos.
Estes casulos são importantes para modelos teóricos que estimam o número de buracos negros no Universo e suas taxas de crescimento, incluindo aqueles com diferentes quantidades de obscurecimento (por outras palavras, quão densos são os seus casulos). Os cientistas projetam estes modelos para explicar um brilho uniforme de raios-X pelo céu, chamado "fundo de raios-X", descoberto pela primeira vez na década de 1960. Os buracos negros individuais e em crescimento, observados em imagens como a do levantamento CDF-S, são responsáveis pela maior parte do fundo de raios-X.
O fundo de raios-X atualmente não resolvido em fontes individuais é dominado por raios-X com energias acima do limiar que o Chandra consegue detetar. Os buracos negros altamente obscurecidos são uma explicação natural para este componente não resolvido porque os raios-X menos energéticos são mais absorvidos pelo casulo do que os raios-X mais energéticos e, portanto, são menos detetáveis. Os buracos negros altamente obscurecidos adicionais aqui relatados ajudam a reconciliar as diferenças passadas entre os modelos teóricos e as observações.
"É como se o fundo de raios-X fosse uma imagem desfocada que vem lentamente a ser focada há décadas," disse o coautor Roberto Gilli do INAF (Istituto Nazionale de Astrofisica) em Bolonha, Itália. "O nosso trabalho envolveu a compreensão da natureza dos objetos que foram alguns dos últimos a serem resolvidos."
Além de ajudar a explicar o fundo de raios-X, estes resultados são importantes para compreender a evolução dos buracos negros supermassivos e das suas galáxias hospedeiras. As massas das galáxias e dos seus buracos negros supermassivos estão relacionadas, o que significa que quanto mais massiva a galáxia, mais massivo o buraco negro.
O artigo que descreve os resultados deste estudo foi publicado na revista The Astrophysical Journal e está disponível online.
O que está a criar a estrutura das caudas do Cometa NEOWISE? Das duas caudas evidentes, a azulada cauda de iões à esquerda aponta diretamente na direção oposta à do Sol e é empurrada pelo vento solar carregado. A estrutura da cauda iónica vem de diferentes taxas de iões azuis e brilhantes expulsos do núcleo do cometa, bem como da estrutura sempre complexa e em constante mudança do vento do nosso Sol. O mais invulgar do Cometa C/2020 F3 (NEOWISE), no entanto, é a estrutura ondulada da sua cauda de poeira. Esta cauda de poeira é empurrada para longe pela luz solar, mas curva à medida que partículas mais pesadas de poeira são capazes melhor resistir a esta pressão da luz e continuam ao longo de uma órbita solar. As impressionantes estrias da cauda de poeira do Cometa NEOWISE ainda não são totalmente compreendidas, mas provavelmente estão relacionadas com correntes rotacionais de poeira refletiva libertadas pelo derretimento de gelo no seu núcleo com 5 km de diâmetro. Este mosaico composto por 40 imagens foi melhorado digitalmente, capturado há 5 dias atrás nos céus escuros do deserto de Gobi, na Mongólia Interior, China. O Cometa NEOWISE fez ontem a sua maior aproximação à Terra enquanto se move para longe do Sol. O cometa, já a diminuir de brilho, mas ainda visível a olho nu, deverá desvanecer ainda mais depressa à medida que se afasta da Terra.
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