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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
  Astroboletim #1766  
  09/02 a 11/02/2021  
     
 
Efemérides

Dia 09/02: 40.º dia do calendário gregoriano.
História:
Em 1913, é visível ao longo da costa este do continente americano um grupo de meteoros, levando os astrónomos a concluir que a fonte foi um satélite natural da Terra, pequeno e de curta vida.
Em 1971, o módulo lunar da missão Apollo 14 volta à Terra após ter colocado homens na Lua pela 3ª vez.
Em 1975, a Soyuz 17 regressa à Terra.
Em 1986 regressava o cometa Halley.

Em 1995, os astronautas do vaivém espacial, na missão STS-63Bernard A. Harris, Jr. e Michael Foale tornam-se no primeiro africano-americano e primeiro inglês, respetivamente, a fazer passeios espaciais.
Observações: Depois do anoitecer, olhe para este, não muito alto, à procura da estrela Régulo. Estendendo-se para cima e para a esquerda, a "foice" de Leão, um ponto de interrogação ao contrário.

Dia 10/02: 41.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1974, "flyby" da Mars 4 por Marte. Falha a inserção orbital.
Em 2009, os satélites de comunicação Iridium 33 e Kosmos-2251 colidem em órbita, resultando na destruição de ambos.

Observações: Por estas noites temos bem alto a rica área da Via Láctea nos pés da figura de Castor, um dos Gémeos. Nesta zona encontram-se duas estrelas gigantes vermelhas de terceira magnitude e o grande mas disperso enxame estelar aberto M35, de magnitude 5,5. Mas há mais: o enxame compacto NGC 2129 perto de um par de estrelas com magnitude 7 e 8; o grupo disperso Collinder 29 com um pequeno asterismo em forma de Y ao lado; e as estrelas vermelhas TV e 6 (ou V) Geminorum.

Dia 11/02: 42.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1970, lançamento do Lambda 4S-5, o primeiro satélite japonês.
Em 1997, o vaivém espacial Discovery é lançado numa missão com o objetivo de reparar o Hubble.

Em 1999, Plutão torna-se novamente mais distante que Neptuno e, consequentemente, no planeta mais longínquo do Sistema Solar (classificação alterada para planeta anão em 2006). Só em abril de 2231 é que Plutão voltará a ficar mais perto do Sol que Neptuno.
Em 2000, lançamento da missão STS-99 do vaivém Endeavour
Observações: Lua Nova, pelas 19:06.
Num céu muito escuro a figura de Cão Maior é fácil de ver - o cão está em perfil, orientado para a direita e apoiado nas suas patas traseiras, com Sirius sendo a sua brilhante medalha da coleira - mas para a maioria de nós apenas as suas cinco estrelas mais brilhantes são visíveis através da poluição luminosa. Estas formam o asterismo do Cutelo. Sirius e Mirzam (a três dedos à distância do braço esticado para a sua direita) formam a parte da frente do cutelo, com Sirius brilhando no seu topo. Para baixo e para a esquerda de Sirius está a outra extremidade do cutelo, incluindo a sua pega curta, formada pelo triângulo de Adhara, Wezen e Aludra. Está a "cortar" para baixo e para a direita.

 
     
 
Curiosidades


O rover Perseverance da NASA também já faz faz parte da coleção de modelos da Hot Wheels!

 
 
   
Rover Perseverance a poucos dias de pousar em Marte

Quando o rover Perseverance da NASA pousar dia 18 de fevereiro na superfície de Marte, fá-lo-á na Cratera Jezero, que preserva evidências de uma época em que os rios fluíam no Planeta Vermelho.

A missão dará o próximo salto na ciência espacial, procurando sinais de vida passada. Não os marcianos da ficção científica, mas micróbios antigos que podem ter vivido nos rios e lagos há milhares de milhões de anos.

Este local de aterragem cientificamente importante no interior da Cratera Jezero foi selecionado pela NASA após uma apresentação por Briony Horgan, professora associada de ciências planetárias da Universidade Purdue, que é membro da equipa científica do Perverance. Horgan liderou um estudo da mineralogia do local, que produziu um dos principais resultados que contribuíram para a sua seleção. Ela também fez parte da equipa que projetou a câmara que será os olhos científicos do Perseverance.

 
Briony Horgan, professora associada de Ciências da Terra, Atmosféricas e Planetárias na Universidade Purdue, está a trabalhar para determinar se estamos sozinhos no Universo ou se existiu vida noutros planetas como Marte.
Crédito: Universidade Purdue/John Underwood
 

A missão

A missão principal do rover Perseverance é procurar sinais de vida passada em Marte. Horgan e colegas abordam o trabalho como detetives forenses, em busca de pistas e evidências literalmente microscópicas.

Qualquer vida que já possa ter existido no Planeta Vermelho teria deixado pistas químicas que os cientistas esperam ainda estar presentes nas rochas.

"O objetivo desta missão é procurar sinais de vida passada em Marte e também recolher amostras para um futuro envio à Terra," diz Horgan. "É possivelmente a única chance que teremos de fazer as duas coisas, especialmente o envio de amostras. É muito difícil de fazer e é caro."

 
O rover Perseverance vai chegar ao Planeta Vermelho no dia 18 de fevereiro. A cientista planetária Briony Horgan fez parte da equipa científica que selecionou o local de aterragem na Cratera Jezero, logo a norte do equador do planeta.
Crédito: Centro de Pesquisa Ames da NASA/USGS/JPL/Corrine Rojas
 

"Sabemos que poderíamos ter apenas esta chance de fazer isto, e foi difícil selecionar o local. Se tivéssemos que escolher apenas um local na Terra para reunir todos os dados sobre toda a história do planeta - bem, para onde é que nos dirigíamos? Mas nós pensamos que a Cratera Jezero é o melhor local para procurar evidências de que existiu vida em Marte, se é que alguma vez existiu. E o que encontrarmos ajudar-nos-á a saber mais sobre se estamos ou não sozinhos no Universo."

O Perseverance vai passar o seu tempo a tirar fotos, vídeos, a pulverizar rochas com lasers (para que os cientistas possam determinar a sua composição química), a usar microscópios para procurar moléculas orgânicas, a perfurar, a analisar e a fazer uma variedade de tarefas científicas. Isto vai produzir enormes volumes de dados que os cientistas levarão anos a analisar.

A NASA planeia, na próxima década, enviar uma missão para recuperar as amostras recolhidas, que estarão armazenadas no Perseverance.

"Obter amostras de Marte seria incrível," diz Horgan. "Não seria apenas um feito incrível de engenharia recuperar as amostras e enviá-las para a Terra, como seria a primeira vez que teríamos amostras trazidas de outro planeta para o nosso. Isto seria bastante histórico."

 
O rover marciano Perseverance tem o tamanho de um SUV e é um feito de engenharia tanto do ponto de vista tecnológico como do ponto de vista científico.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 

O rover

O primeiro rover marciano, o pequeno Sojourner com o tamanho de um micro-ondas, pousou no dia 4 de julho de 1997. O público achou o rover fascinante, possivelmente até adorável: a empresa Hot Wheels até começou a produzir um popular modelo de brinquedo do veículo.

O Perseverance, o quinto rover marciano da NASA, mais do que compensa em capacidades científicas o que lhe falta em "fofura". É o maior rover, o mais pesado, o mais bem "limpo", e contém um conjunto futurístico de tecnologias. Tem lasers para vaporizar rochas (para que os cientistas possam ver os comprimentos de onda da luz produzidos a fim de entender a composição química), capacidades de navegação autónoma para que possa mover-se mais depressa para o próximo local de investigação, brocas para recolher amostras do tamanho de um lápis, um sistema robótico interno para recolher e armazenar as amostras, um sistema de teste para criar oxigénio respirável a partir da atmosfera de Marte. E um drone semelhante a um helicóptero, que tentará voar numa atmosfera que é 100 vezes mais fina do que a da Terra.

Mas, para a equipa científica, a atenção estará focada no braço robótico com mais de 2 metros no exterior do veículo; na extremidade do braço está um conjunto de instrumentos do tamanho de um cortador de relva.

"Este braço robótico é que fará a maior parte do trabalho," disse Horgan. "Podemos colocá-lo com precisão milimétrica, o que é inacreditável. E no braço estarão estes incríveis microscópios para mapear minerais e materiais orgânicos em escala muito fina."

No topo do mastro está uma câmara de lente dupla especial, a Mastcam-Z, pela qual Horgan tem uma afinidade especial porque faz parte da equipa que a construiu e porque ajudará a operá-la em Marte.

A câmara tem uma capacidade de ampliação forte o suficiente para ser usada para ver uma mosca na outra extremidade de um campo de futebol. A câmara pode obter imagens a cores, em 3D e vídeo. É precisa o suficiente para que os cientistas possam usá-la para análises composicionais do terreno circundante.

"Nós podemos realmente fazer alguma espectroscopia simples olhando para a dependência do comprimento de onda da luz solar refletida nas rochas para ajudar a identificar as suas impressões digitais minerais," diz Horgan.

 
O local de pouso do rover Perseverance é aqui visto na oval perto da fronteira da Cratera Jezero. Está na orla do que se pensa ter sido um antigo delta de um rio. Nesta imagem, o verde corresponde a maiores elevações e o azul a elevações mais baixas.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 

O local de pouso

O Perseverance deverá pousar num local específico a norte do equador marciano, numa cratera com 45 km de diâmetro chamada Jezero, um local selecionado por uma equipa científica. O local é atrativo porque pensa-se que a cratera já tenha contido um lago do tamanho do Lago Tahoe.

"Se olharmos para o local, podemos ver evidências de um grande canal que leva à cratera, criando um delta onde entrava num lago, e um segundo canal saindo da cratera," diz Horgan. "Este local de aterragem é empolgante porque temos evidências realmente claras de que este antigo lago existiu, que teve água líquida persistente por tempo suficiente para criar este antigo delta, e que havia água suficiente para transbordar e criar o canal de escoamento. Isto sugere que o lago era um ambiente estável e de vida longa que podia ter sido habitado por vida microbiana antiga."

O rover vai tentar pousar na orla da cratera, perto do delta, para que possa explorar ambas as paisagens. O local de destino é conhecido como "elipse de pouso".

"A elipse de pouso para o rover Mars 2020 tem cerca de 7 por 9 km, o que é realmente muito pouco. Se voltarmos atrás no tempo, há 17 anos, quando enviámos os dois rovers Spirit e Opportunity para Marte, a sua elipse de pouso tinha cerca de 100 quilómetros de comprimento. De modo que ficámos muito bons em localizar o nosso local de aterragem," diz.

 
Cientistas que procuram em Marte sinais de vida passada focam-se numa área rica em minerais chamados carbonatos (a cor verde nesta imagem), que na Terra são conhecidos por preservar vida fossilizada.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS/JHU-APL/Purdue/USGS
 

A ciência

Para esta missão a Marte, os cientistas estão à procura de sinais de vida passada, em busca de bioassinaturas, pistas de que a vida já lá existiu. As bioassinaturas podem variar de algo tão pequeno como isótopos específicos ou substâncias químicas produzidas por seres vivos, como colesterol, até algo muito maior, como fósseis microscópicos.

"Um osso de dinossauro é um exemplo de uma bioassinatura que encontramos em rochas antigas na Terra," diz Horgan. "Eu adoraria encontrar evidências de que os dinossauros já vaguearam por Marte, mas, ao invés, vamos procurar bioassinaturas de micróbios do tamanho de bactérias."

É aqui que as amostras armazenadas no Perseverance entram em jogo. O plano é que uma missão separada, a ser feita em parceria com a ESA, vá a Marte, recupere as amostras e as envie para a Terra.

"Assim que estiverem na Terra, podemos usar ferramentas muito mais poderosas, como microscópicos eletrónicos de varrimento, para confirmar se estas bioassinaturas foram criadas por micróbios," diz Horgan.

"Como parte do nosso trabalho para avaliar Jezero durante a seleção do local, liderei uma equipa para estudar a mineralogia dos depósitos do lago. E obtivemos alguns resultados bastante interessantes."

Horgan e colegas descobriram evidências de carbonatos em torno da margem do antigo lago, no que Horgan descreve como um "anel de banheira". O anel de carbonatos ocorre exatamente onde antigas linhas costeiras e praias do lago estão previstas, de modo que a equipa propôs que se formaram à beira do lago.

Na Terra, os carbonatos são conhecidos por duas coisas. Em primeiro lugar, indicam que o local onde se encontram já conteve água. Em segundo lugar, formam sedimentos que geralmente são ricos em fósseis.

"Isto é realmente emocionante porque é exatamente o tipo de lugar onde procuraríamos bioassinaturas microbianas de um lago na Terra. Quando esses minerais precipitam da água, podem capturar qualquer coisa, incluindo micróbios e materiais orgânicos," diz. "Portanto, a nossa equipa tem trabalhado muito para tentar planear como vamos explorar este local."

 
Esta ilustração mostra os eventos que ocorrem nos minutos finais dos quase sete meses de viagem do rover Perseverance da NASA. Centenas de eventos críticos devem ser executados na perfeição e exatamente à hora planeada para que o rover aterre em segurança em Marte no dia 18 de fevereiro de 2021.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
 

A aterragem

"A aterragem é sempre muito stressante porque basicamente estamos a enviar o nosso valioso rover, no qual passámos tantas horas a pensar e a trabalhar, numa bola gigante de fogo que poderá colidir com a superfície de um planeta," realça. "A bola de fogo forma-se porque o rover entra na atmosfera de Marte a 21.000 km/h, produzindo um enorme invólucro de plasma em redor da cápsula. Não é possível obter sinais de rádio através desta bola de fogo de plasma. O rover leva sete minutos para descer até à superfície desde que entra na atmosfera.

"Mas também são necessários sete minutos para o sinal de rádio chegar até à Terra. Assim sendo, quando recebemos o sinal de que o rover atingiu a atmosfera, ou este está realmente à superfície do planeta, de boa saúde, ou colidiu com o chão. Simplesmente não sabemos, de modo que estaremos ansiosos por receber o primeiro sinal do veículo para saber que pousou em segurança. É por isso que chamamos a este espaço de tempo os 'sete minutos de terror'."

 
Por vezes, para estudar Marte, os investigadores têm primeiro que estudar locais parecidos na Terra que possam assemelhar-se com terreno marciano, que os cientistas chamam de ambiente análogo. Por exemplo, a oito horas de Istambul, encontra-se um lago profundo, o Lago Salda, que tem carbonatos e micróbios fossilizados na forma de estromatólitos, exatamente o tipo que os cientistas que estudam Marte esperam encontrar na Cratera Jezero.
Crédito: Universidade Purdue/Briony Horgan
 

O futuro

"Um dos melhores aspetos de uma missão a Marte como esta é que é uma grande oportunidade para envolver os alunos. Tenho na equipa alguns alunos que estão a ajudar com a análise do local de aterragem e que vão ajudar a operar o rover em Marte," comenta Horgan. "Estamos também a planear ter alunos de Purdue a trabalhar no processamento e na análise de dados do rover".

Às vezes, o trabalho com os estudantes inclui trabalho de campo em locais na Terra que podem assemelhar-se ao terreno de Marte, que os cientistas chamam de ambiente análogo. Por exemplo, em setembro de 2019 Horgan, o estudante de doutoramento Bradley Garczynski e uma equipa de investigação viajaram oito horas de Istambul, Turquia, até ao Lago Salda. O lago tem carbonatos e micróbios fossilizados na forma de estromatólitos, exatamente o tipo que os cientistas que estudam Marte esperam encontrar na Cratera Jezero.

"É assim que treinamos o futuro da ciência planetária. Trazemo-los para a missão e, daqui a alguns anos, podem tornar-se líderes científicos," conclui Horgan.

// Universidade Purdue (comunicado de imprensa)
// NASA (comunicado de imprensa)
// Perseverance chega a Marte: 18 de fevereiro de 2021 (trailer da missão, NASA JPL via YouTube)

 


Saiba mais

Cobertura da missão do rover Perseverance pelo CCVAlg - Astronomia:
10/11/2020 - Estudo mostra a dificuldade em encontrar evidências de vida em Marte
31/07/2020 - Missão do rover Perseverance a caminho do Planeta Vermelho
30/06/2020 - Aproxima-se o lançamento do rover Perseverance
29/05/2020 - O detetive a bordo do rover Perseverance
19/11/2019 - Rover Mars 2020 vai procurar fósseis microscópicos
15/02/2019 - Sonda MAVEN vai diminuir a sua órbita em preparação para o rover 2020 da NASA
15/05/2018 - NASA planeia levar um helicóptero até Marte
29/05/2018 - Rochas marcianas podem conter sinais de vida

Marte:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia

Cratera Jezero:
Wikipedia

Rover Perseverance:
NASA
NASA - 2
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Wikipedia

 
   
Deformação na Via Láctea ligada a colisão galáctica

Quando a maior parte de nós imagina a forma da Via Láctea, a Galáxia que contém o nosso próprio Sol e centenas de milhares de milhões de estrelas, pensamos numa massa central rodeada por um disco achatado de estrelas em espiral. No entanto, os astrónomos sabem que, em vez de ser simétrica, a estrutura do disco é deformada, mais como a borda de um chapéu de feltro, e que as bordas empenadas estão constantemente a mover-se em torno da orla externa da Galáxia.

"Se já viu o público a fazer uma onda num estádio, é muito semelhante a esse conceito," disse Xinlun Cheng, estudante de astronomia da Faculdade de Artes e Ciências da Universidade da Virgínia. "Cada membro da plateia levanta-se e depois senta-se no momento certo e na ordem certa para criar a onda que percorre o estádio. Isso é exatamente o que as estrelas da nossa Galáxia estão a fazer. Só que neste caso, à medida que a onda percorre o disco da Galáxia, o disco também gira em torno do centro. Em termos de analogias desportivas, é como se o próprio estádio também estivesse a girar."

 
Uma representação gráfica da Via Láctea que mostra as suas orlas distorcidas.
Crédito: Xinlun Cheng
 

O que provocou esta distorção tem sido objeto de debate. Alguns investigadores sugerem que o fenómeno é resultado da instabilidade da própria Via Láctea, enquanto outros afirmam que é o remanescente de uma colisão com outra galáxia no passado distante.

Um artigo recente publicado na revista The Astrophysical Journal por Cheng, que estuda os movimentos das estrelas, e pelos seus colegas Borja Anguiano, investigador pós-doutorado e Steven Majewski, professor do Departamento de Astronomia da mesma faculdade, pode finalmente terminar esse debate.

Usando dados do observatório espacial Gaia, um satélite lançado em 2013 pela ESA a fim de medir as posições, distâncias e movimentos de milhares de milhões de estrelas e informações do APOGEE (Apache Point Observatory Galactic Evolution Experiment), um espectrógrafo infravermelho desenvolvido pela Universidade da Virgínia para examinar a composição química e os movimentos das estrelas, os astrónomos têm agora as ferramentas para observar os movimentos das estrelas na Via Láctea com um grau de precisão sem precedentes.

"Ao combinar as informações do instrumento APOGEE com informações do satélite Gaia, estamos a começar a entender como os diferentes componentes da Via Láctea se movem," disse Anguiano, que se interessa tanto pelos movimentos desses componentes quanto por quais os fenómenos que podem ter originalmente provocado esses movimentos.

"Agora é possível caracterizar esses movimentos com uma sensibilidade sem precedentes devido à precisão e robustez estatística do enorme catálogo de estrelas analisadas pelo satélite Gaia," explicou Majewski. "Entretanto, a nossa própria grande base de dados de químicas estelares gerada pelo APOGEE dá-nos a capacidade única de inferir idades estelares. Isto permite-nos explorar como é que estrelas de idades diferentes participam na distorção e permite-nos ver quando foi produzida. Sabendo isto dá-nos então uma ideia de porque é que foi produzida."

Usando esses dados, Cheng e colegas desenvolveram um modelo que caracteriza os parâmetros da distorção Galáctica, onde começa no disco externo, a velocidade com que a distorção está a mover-se e a forma da distorção. O modelo ajudou-os a determinar que a deformação, que não afeta o nosso próprio Sol, mas que está a passar pelo nosso Sistema Solar agora a velocidades que permitem com que faça uma rotação completa em torno da Galáxia cada 450 milhões de anos, não é resultado da massa interna da própria Via Láctea. Ao invés, é a relíquia de um puxão gravitacional no disco da Via Láctea devido à passagem próxima de uma galáxia satélite, possivelmente a Galáxia Anã de Sagitário, há cerca de 3 mil milhões de anos.

"Ainda podemos ver o disco da nossa Galáxia a 'tremer' como resultado," disse Anguiano.

Os dados que a equipa recolheu com as novas ferramentas disponíveis para os astrónomos podem ser apenas o início de uma nova onda de descobertas sobre o nosso Universo e de como surgiu.

"Estamos a entrar numa nova era da astronomia, especialmente na astronomia Galáctica, em que medimos o movimento das estrelas com um tal nível de precisão que podemos mapear os seus percursos orbitais passados e começar a entender como podem ter sido afetados e como outras galáxias que se aproximaram da nossa interagiram com estrelas conforme estas nasciam," disse Anguiano. "Este nível de precisão abriu uma nova porta para a compreensão do passado da nossa Galáxia e de como foi organizada."

// Universidade da Virgínia (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


Saiba mais

CCVAlg - Astronomia:
06/03/2020 - Gaia sugere que distorção da Via Láctea foi provocada por colisão galáctica
25/09/2018 - Gaia faz alusão à vida turbulenta da nossa Galáxia

Via Láctea:
CCVAlg - Astronomia
Wikipedia
SEDS

Anã de Sagitário:
SolStation.com
Wikipedia

Gaia:
ESA
ESA - 2
Gaia/ESA
Programa Alertas de Ciência Fotométrica do Gaia
EDR3 do Gaia
SPACEFLIGHT101
Wikipedia

APOGEE:
SDSS

 
   
Instrumento SPIRou realiza a primeira medição da densidade de um planeta muito jovem
 
Impressão de artista da estrela anã vermelha muito jovem AU Mic e do seu planeta recém-descoberto AU Mic b. No plano de fundo pode ser visto o disco de detritos a partir do qual o planeta foi formado. Ver poster completo
Crédito: NASA-JPL/Caltech
 

Uma equipa de investigação liderada por cientistas do IRAP (CNRS/CNES/Université Toulouse III - Paul Sabatier) e do IPAG (CNRS/UGA) mediu pela primeira vez a densidade interna de um exoplaneta muito jovem que orbita uma estrela extremamente ativa e recém-formada. Apesar do "ruído" gerado pela atividade da estrela, conseguiram fazê-lo usando o instrumento de caça exoplanetária SPIRou acoplado ao CFHT (Canada-France-Hawaii Telescope). Os resultados foram publicados a semana passada na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

A estrela AU Microscopii (AU Mic) não tem mais do que 22 milhões de anos. Por outras palavras, apenas alguns meses caso a vida útil de uma estrela fosse reduzida à de um ser humano. Portanto, é muito jovem, assim como o sistema planetário em seu redor, que abriga um gigante gasoso chamado AU Mic b.

A massa e a densidade de AU Mic, b, que foi detetado pela primeira vez pelo satélite TESS da NASA, foram agora determinadas usando o espectropolarímetro SPIRou. Os valores revelaram-se muito semelhantes aos de Neptuno, que é mais de 4 mil milhões de anos mais velho. No entanto, a órbita do exoplaneta está 450 vezes mais próxima da sua estrela do que Neptuno está do Sol. A sua atmosfera tem uma temperatura de cerca de 300º C, pelo que pertence à família dos "Neptunos quentes".

A sua estrela, que é altamente ativa por ser tão jovem, gera campos magnéticos muito fortes, tornando extremamente difícil a análise do sinal de AU Mic b. No entanto, as capacidades de alto desempenho do SPIRou, juntamente com o trabalho realizado pelos cientistas do IRAP e do IPAG, finalmente tornaram possível a determinação da sua massa e, portanto, da sua densidade, apesar do "ruído" gerado pela atividade de AU Mic.

Esta é a primeira vez que os astrónomos medem com sucesso a massa (usando o SPIRou) e o raio (graças ao TESS) de um exoplaneta com menos de 200 milhões de anos. É também o primeiro exoplaneta cuja massa foi medida pelo SPIRou, um instrumento de próxima geração projetado e construído sob a supervisão de equipas francesas e recentemente acoplado ao CFHT.

Noutros três artigos científicos publicados recentemente, as equipas envolvidas com o SPIRou também confirmaram o desempenho incomparável do novo instrumento e estudaram outra característica de AU Mic b, a inclinação da sua órbita. Esta acabou por estar bem alinhada com o planeta equatorial da sua estrela, sugerindo que a sua formação não foi afetada por outros objetos massivos.

Todas estas descobertas fornecem informações adicionais que vão ajudar os cientistas a refinar os modelos de formação e migração planetária.

// CNRS (comunicado de imprensa)
// CFHT (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)
// Artigo científico (arXiv.org)
// Artigo científico #2 (Astronomy & Astrophysics)
// Artigo científico #2 (arXiv.org)
// Artigo científico #3 (Astronomy & Astrophysics)
// Artigo científico #3 (arXiv.org)
// Artigo científico #4 (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)
// Artigo científico #4 (arXiv.org)

 


Saiba mais

CCVAlg - Astronomia:
26/06/2020 - TESS e Spitzer descobrem um mundo em órbita de jovem estrela única

AU Mic:
Wikipedia
AU Mic b (Exoplanet.eu)

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

CFHT (Canada-France-Hawaii Telescope):
Página oficial
Wikipedia

SPIRou:
Página principal

TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite):
NASA
NASA/Goddard
Programa de Investigadores do TESS (HEASARC da NASA)
MAST (Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais)
Exoplanetas descobertos pelo TESS (NASA Exoplanet Archive)
Wikipedia

 
   
Álbum de fotografias - Primeira foto de Marte pela Tianwen-1
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Agência Espacial Chinesa
 
De acordo com a Agência Espacial Chinesa, a sonda Tianwen-1 transmitiu a sua primeira imagem de Marte, enquanto a missão se prepara para pousar no Planeta Vermelho mais tarde, mas ainda este ano. A nave, lançada em julho, deverá entrar em órbita de Marte por volta do dia 10 de fevereiro. Esta foto a preto e branco, divulgada na sexta-feira, mostra características geológicas, incluindo a cratera Schiaparelli e Valles Marineris, um gigantesco sistema de desfiladeiros. A imagem foi obtida a cerca de 2,2 milhões de quilómetros de Marte. A nave Tianwen-1, de cinco toneladas, inclui um orbitador marciano, um módulo de aterragem e um rover que irá estudar o solo do planeta. A China espera pousar o rover em maio em Utopia Planitia, uma enorme bacia de impacto.
 
   
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