Apresentação às Estrelas | E se o inverno quisesse ser primavera? Data: 10 de março de 2022 Hora: 19:00-21:00
Os últimos fins de semana de março trazem-nos um equinócio e uma mudança de hora ao relógio. Este será o tema da Apresentação Às Estrelas deste mês, que inclui ainda a observação astronómica com telescópio se a meteorologia nos for favorável! Adulto: 4€ Jovem: 2€ Menores de 12 anos: gratuito. Lotação máxima de 12 pessoas.
A observação astronómica depende de condições meteorológicas favoráveis. Pré-inscrição:siga este link Telefone: 289 890 920 E-mail: info@ccvalg.pt
Efemérides
Dia 04/03: 63.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1675, John Flamsteed é nomeado o primeiro Astrónomo Real de Inglaterra.
Em 1881, nascia Richard Chace Tolman, físico americano, uma autoridade em mecânica estatística.
Fez importantes contribuições para a cosmologia teórica nos anos após a descoberta da relatividade geral por Einstein.
Em 1979, a sonda Voyager 1 descobre os anéis de Júpiter.
Em 1986, a sonda soviética Vega 1 começa a enviar imagens do Cometa Halley, as primeiras imagens de sempre do seu núcleo.
Em 1994, a missão STS-62 do vaivém espacial (Columbia 16) é lançada para órbita.
Em 1999, voo rasante do asteroide 1998 VD35 pela Terra (0,169 UA).
Em 2004, a Rosetta completa o seu primeiro "flyby" pela Terra.
Em 2006, última tentativa de contacto com a Pioneer 10, pela Deep Space Network. Nenhuma resposta foi recebida. Observações: Fevereiro foi o mês em que Orionte esteve o mais alto a sul ao início da noite. Agora março empurra a constelação para oeste e traz o seu cão para o centro do palco no meridiano: Cão Maior, com a "medalha" Sirius no seu peito.
Sirius não é apenas a estrela mais brilhante do céu após o Sol, é também a estrela mais próxima do Sol visível a olho nu, a 8,6 anos-luz, para quem viva a latitudes médias norte.
O sistema Alpha Centauri é, de facto, o mais próximo do Sol, a 4,3 anos-luz, mas o observador tem que estar no hemisfério sul. E no hemisfério norte três anãs vermelhas estão mais próximas que Sirius, mas não são visíveis à vista desarmada.
Dia 05/03: 64.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1512 nascia Gerardus Mercator, famoso cartógrafo.
Em 1616, o livro de Nicolau Copérnico, De revolutionibus orbium coelestium (Das revoluções das esferas celestes) é banido pela Igreja Católica.
Em 1958, é lançada a sonda Explorer 2, mas falha a alcançar órbita.
Em 1978, lançamento do Landsat 3 a partir da Base da Força Aérea em Vandenberg, Califórnia.
Em 1979 as sondas soviéticas Venera 11, Venera 12 e o satélite solar americano Helios II são atingidos por raios-gama, o que leva à descoberta da primeira explosão de raios-gama, proveniente dos enigmáticos objetos de nome magnetares. No mesmo ano, a sonda Voyager 1 faz a sua maior aproximação de Júpiter, quando passa a 206.700 quilómetros do topo das nuvens do planeta.
Em 1982, a sonda Venera 14 aterra em Vénus.
Em 1998, a NASA anuncia que a sonda Clementine, em órbita da Lua, descobriu água suficiente para suportar uma colónia humana. Observações: Olhe para este ao anoitecer esta semana em busca de Leão subindo pelo céu. A sua estrela mais brilhante é Régulo. A "foice" de Leão (com cerca de punho e meio à distância do braço esticado) estende-se para cima e para a esquerda. A "foice" inclui Algieba, segunda em brilho depois de Régulo por apenas uma curta diferença.
Dia 06/03: 65.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1787 nascia Joseph Fraunhofer, espectroscopista pioneiro alemão, de quem as proeminentes linhas de absorção no espectro do Sol receberam o seu nome.
Em 1986, entre dia 6 e 14, primeiro voo rasante de um cometa, pela sonda Vega 1 e Giotto (580 km), no Cometa Halley.
Em 2015, depois de orbitar Vesta durante 14 meses em 2011 e 2012, a sonda Dawn da NASA chega a Ceres. Observações: Depos do anoitecer, Capella brilha alta a noroeste. Entre esta estrela e a Polar, 43º para baixo e para a direita a norte, está uma região não muito rica do céu - na realidade, "vazia" para os observadores com muita poluição luminosa. Este é o "terreno" celeste da enorme constelação de Girafa. Mesmo que não consiga discernir o seu um tanto ou quanto indecifrável padrão estelar, fica a saber a posição geral de outra constelação.
Dia 07/03: 66.º dia do calendário gregoriano. História: Em 1792 nascia John Herschel, astrónomo, matemático, químico e inventor/fotógrafo experimental, que deu nome a sete luas de Saturno e a quatro de Úrano.
Em 1837 nascia Henry Draper, o primeiro a fotografar o espectro estelar. Um importante catálogo de espectros estelares tem o seu nome.
Em 1958 nascia Alan Hale, astrónomo americano, codescobridor do Cometa Hale-Bopp.
Em 2009, é lançado o observatório espacial Kepler, desenhado para descobrir planetas parecidos com a Terra em órbita de outras estrelas.
Em 2012, a LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter) captura imagens do local de aterragem da Apollo 11. São visíveis as experiências, o equipamento e as pegadas de Buzz Aldrin e de Neil Armstrong. Observações: A Lua Crescente encontra-se para baixo do enxame aberto das Plêiades (M45), de Touro.
Sistema "com buraco negro mais perto de nós" não contém afinal buraco negro nenhum
Em 2020 uma equipa liderada por astrónomos do ESO (Observatório Europeu do Sul) anunciou a descoberta do buraco negro mais próximo da Terra, situado a apenas 1000 anos-luz de distância no sistema HR 6819. No entanto, estes resultados foram contestados por outros grupos de investigadores, entre eles uma equipa internacional sediada na KU Leuven, Bélgica. Num artigo publicado anteontem, as duas equipas uniram-se para anunciar que, de facto, não existe nenhum buraco negro em HR 6819, que é, em vez disso, um sistema "vampiro" de duas estrelas num estágio raro e de curta duração da sua evolução.
O estudo original de HR 6819 recebeu especial atenção por parte tanto da imprensa como dos cientistas. Thomas Rivinius, astrónomo do ESO no Chile e autor principal do artigo na época, não ficou surpreendido com a reação da comunidade astronómica à sua descoberta do buraco negro. "Não só é normal, como é desejável que os resultados sejam bem escrutinados," disse ele, "e um resultado que chega a notícia de primeira página ainda mais."
Um novo trabalho de investigação que utilizou dados do VLT (Very Large Telescope) do ESO e do VLTI (Very Large Telescope) Interferometer) revelou que HR 6819, que se pensava anteriormente ser um sistema triplo com um buraco negro, é de facto um sistema com duas estrelas e sem buraco negro. Os cientistas, uma equipa conjunta da KU Leuven e do ESO, acreditam que estão a observar este sistema binário pouco tempo depois de uma das estrelas ter "sugado" a atmosfera da sua estrela companheira, um fenómeno normalmente referido por "vampirismo estelar". Esta imagem artística mostra como é que este sistema poderá ser: composto por uma estrela achatada com um disco em seu torno (uma estrela "vampira" do tipo Be, que vemos em primeiro plano) e uma estrela do tipo B à qual foi arrancada a sua atmosfera (no plano de fundo).
Crédito: ESO/L. Calçada
Rivinius e colegas estavam convencidos que a melhor explicação para os dados que tinham obtido, com o telescópio MPG/ESO de 2,2 metros, era que HR 6819 fosse um sistema triplo, com uma estrela a orbitar um buraco negro a cada 40 dias e uma segunda estrela numa órbita muito mais afastada. No entanto, um estudo liderado por Julia Bodensteiner, enquanto estudante de doutoramento na KU Leuven, Bélgica, propôs uma explicação diferente para os mesmos dados: HR 6819 podia ser também um sistema com apenas duas estrelas numa órbita de 40 dias e sem nenhum buraco negro. Este cenário alternativo necessitaria que uma das estrelas estivesse "despida", ou seja, que numa fase anterior tivesse perdido uma enorme fração da sua massa para a outra estrela.
"Tínhamos chegado ao limite dos dados existentes, por isso tivemos que nos virar para uma estratégia observacional diferente para decidir entre os dois cenários propostos pelas duas equipas,” disse a investigadora da KU Leuven, Abigail Frost, que liderou o novo estudo publicado hoje na revista da especialidade Astronomy & Astrophysics.
Para resolver este mistério, as duas equipas trabalharam em conjunto no sentido de obterem dados mais nítidos de HR 6819, usando para isso o VLT (Very Large Telescope) do ESO e o VLTI (Very Large Telescope Interferometer). "O VLTI era a única infraestrutura que nos podia dar dados conclusivos necessários para distinguir entre os dois cenários," disse Dietrich Baade, autor tanto do estudo original sobre HR 6819 como do novo artigo na revista Astronomy & Astrophysics. Uma vez que não fazia sentido pedir a mesma observação duas vezes, as duas equipas juntaram-se, o que permitiu que partilhassem competências e conhecimentos entre si com o objetivo de descobrirem a verdadeira natureza deste sistema.
"Os cenários que procurávamos eram bastante claros, diferentes e facilmente distinguíveis usando o instrumento certo," disse Rivinius. "Concordávamos que havia duas fontes de luz no sistema, por isso a questão era saber se orbitavam em torno uma da outra descrevendo órbitas próximas, como no cenário da estrela 'despida', ou se, pelo contrário, se encontrariam afastadas uma da outra, como no cenário do buraco negro."
Para distinguir entre as duas hipóteses, os astrónomos usaram os instrumentos GRAVITY, montado no VLTI e MUSE (Multi Unit Spectroscopic Explorer), do VLT do ESO.
"O MUSE confirmou que não existe nenhuma companheira brilhante numa órbita mais afastada, enquanto a resolução espacial do GRAVITY foi capaz de distinguir duas fontes brilhantes separadas por apenas um-terço da distância entre a Terra e o Sol," disse Frost. "Assim, estes dados provaram ser a peça final do puzzle e permitiram-nos concluir que HR 6819 é um sistema sem buraco negro."
"A nossa melhor interpretação até à data é que estamos a observar este sistema binário pouco tempo depois de uma das estrelas ter 'sugado' a atmosfera da sua estrela companheira. Trata-se de um fenómeno comum em sistemas binários próximos referido por 'vampirismo estelar'," explica Bodensteiner, atualmente bolseira do ESO, na Alemanha, e membro da equipa que levou a cabo o novo estudo. "Ao mesmo tempo que a estrela dadora se viu 'despida' de algum do seu material, a estrela recetora começou a girar mais rapidamente."
"Observar tal fase de pós-interação é extremamente difícil, já que a sua duração é muito curta," acrescenta Frost. "É isso que torna a nossa descoberta tão interessante, apresentando-nos um candidato perfeito para estudar como é que este tipo de vampirismo afeta a evolução de estrelas massivas e, por sua vez, a formação de fenómenos associados, incluindo ondas gravitacionais e explosões de supernova violentas."
A nova equipa conjunta recém-formada, Leuven-ESO, planeia agora monitorizar mais de perto o sistema HR 6819 com o auxílio do instrumento GRAVITY do VLTI. Os investigadores levarão a cabo um estudo conjunto do sistema ao longo do tempo para compreender melhor a sua evolução, constranger a suas propriedades e usar este conhecimento para aprender mais sobre outros sistemas binários.
Relativamente à procura de buracos negros, a equipa permanece otimista. "Os buracos negros de massa estelar continuam a ser muito elusivos devido à sua natureza," disse Rivinius. "No entanto, estimativas por alto preveem que existam dezenas a centenas de milhões de buracos negros só na nossa Via Láctea," acrescenta Baade. Trata-se apenas de uma questão de tempo até os astrónomos os encontrarem.
Poderosos ventos quentes vistos a soprar de uma estrela de neutrões ao rasgar a sua companheira
Usando os telescópios mais poderosos da Terra e no espaço, uma equipa de astrónomos encontrou pela primeira vez explosões de ventos quentes, amenos e frios de uma estrela de neutrões enquanto consome matéria de uma estrela próxima. A descoberta proporciona uma nova visão sobre os comportamentos de alguns dos objetos mais extremos do Universo.
Os binários de raios-X de baixa massa são sistemas que contêm uma estrela de neutrões ou um buraco negro. São alimentados por material arrancado de uma estrela vizinha, um processo conhecido como acreção. A maior parte da acreção ocorre durante erupções violentas, onde os sistemas brilham dramaticamente. Ao mesmo tempo, parte do material que entra em espiral é impedido de voltar ao espaço sob a forma de ventos de disco e jatos.
Impressão de artista do binário de raios-X Swift J1858. Vemos aqui como a estrela de neutrões se alimenta, através de um disco de acreção, do material que retirou da estrela que a acompanha, e como parte desse material é ejectado sob a forma de um vento quente.
Crédito: Gabriel Pérez Díaz, SMM (IAC)
Os sinais mais comuns da saída de material de objetos astronómicos estão associados a gás "ameno". Apesar disto, apenas ventos de gás "quente" ou "frio" têm sido observados em binários de raios-X transitórios, até agora.
Neste novo estudo, uma equipa de investigadores de onze países, liderada pela Universidade de Southampton, estudou a recente erupção do binário de raios-X conhecido como Swift J1858. Utilizaram uma combinação de telescópios, incluindo o Telescópio Espacial Hubble da NASA, o satélite XMM-Newton da ESA, o VLT (Very Large Telescope) do ESO e o GTC (Gran Telescopio Canarias).
Os resultados, publicados na revista Nature, mostraram assinaturas persistentes de um vento quente em comprimentos de onda ultravioleta ocorrendo ao mesmo tempo que assinaturas de um vento frio em comprimentos de onda óticos. Esta é a primeira vez que os ventos de um tal sistema são vistos através de diferentes bandas do espectro eletromagnético.
O autor principal Dr. Noel Castro Segura, da Universidade de Southampton, afirmou: "Erupções como esta são raras, e cada uma delas é única. Normalmente são fortemente obscurecidas pela poeira interestelar, o que torna a sua observação muito difícil. Swift J1858 foi especial, porque mesmo estando localizado no outro lado da nossa Galáxia, o obscurecimento foi suficientemente pequeno para permitir um estudo de multi-comprimento de onda completo."
"Apenas um outro sistema - o binário de raios-X com buraco negro, V404 Cyg - tem mostrado propriedades semelhantes. Contudo, a nossa tentativa de realizar a mesma experiência nesse sistema não teve êxito, porque a erupção terminou antes de conseguirmos que os telescópios terrestres e espaciais o observassem simultaneamente," disse o coautor Dr. Hernández Santisteban da Universidade de St. Andrews.
Swift J1858 é um evento transitório de raios-X recentemente descoberto que apresenta uma variabilidade extrema através do espectro eletromagnético, o que constitui uma oportunidade rara.
"Todos os astrónomos deste campo estavam incrivelmente entusiasmados, ao ponto de combinarmos os nossos esforços para cobrir todo o espectro, desde o rádio aos raios-X usando observatórios de última geração na Terra e no espaço," continuou o Dr. Castro Segura.
A coautora Nathalie Degenaar, da Universidade de Amesterdão, acrescentou: "As estrelas de neutrões têm uma atração gravitacional imensamente forte que lhes permite engolir gás de outras estrelas. As canibais estelares são, no entanto, comedoras desordenadas e muito do gás que as estrelas de neutrões puxam na sua direção não é consumido, mas atirado para o espaço a alta velocidade. Este comportamento tem um grande impacto tanto sobre a própria estrela de neutrões como sobre o seu ambiente imediato. Neste artigo relatamos uma nova descoberta que fornece informações chave sobre os padrões de alimentação desordenados destes 'monstros da bolacha' cósmicos."
"Desta vez tivemos a sorte cósmica do nosso lado, pois fomos capazes de coordenar dez telescópios e apontá-los para J1858, tudo enquanto este estava totalmente ativo. Isto permite-nos obter muito mais informação, uma vez que podemos utilizar diferentes técnicas em diferentes comprimentos de onda," disse o Dr. Hernández Santisteban.
A Dra. Degenaar acrescentou: "conceber uma campanha de observação tão ambiciosa - construída em redor dos melhores telescópios na Terra e no espaço - foi um enorme desafio. Portanto, é incrivelmente excitante que todo este trabalho tenha compensado e nos tenha permitido fazer uma descoberta chave que de outra forma não teria sido possível."
Além de descobrir os diferentes tipos de ventos, a equipa foi capaz de estudar a evolução temporal do gás que flui para fora. Descobriram que o vento quente não foi afetado pelas fortes variações de luminosidade do sistema. A ausência de tal resposta tinha sido anteriormente uma previsão teórica não confirmada, baseada em simulações sofisticadas.
"Nesta investigação combinámos as capacidades únicas do Hubble com os melhores telescópios terrestres, tais como o VLT e o GTC, para obter uma imagem completa da dinâmica do gás no sistema, desde os comprimentos de onda no infravermelho próximo até ao ultravioleta. Isto permitiu-nos revelar pela primeira vez a verdadeira natureza destes potentes fluxos," disse o Dr. Castro Segura.
"Os novos conhecimentos fornecidos pelos nossos resultados são fundamentais para compreender como estes objetos interagem com o seu ambiente. Ao libertarem energia e matéria para a Galáxia, contribuem para a formação de novas gerações de estrelas e para a evolução da própria Galáxia," concluiu o Dr. Castro Segura.
NuSTAR da NASA faz descobertas graças a radiação "incómoda"
Durante quase 10 anos, o observatório espacial de raios-X NuSTAR (Nuclear Spectroscopic Telescope Array) da NASA tem vindo a estudar alguns dos objetos mais energéticos do Universo, tais como estrelas mortas que colidem e enormes buracos negros que se banqueteiam de gás quente. Durante esse tempo, os cientistas tiveram de lidar com a fuga de radiação através dos lados do observatório, o que pode interferir com as observações, tal como o ruído externo pode afogar uma chamada telefónica.
Mas agora os membros da equipa descobriram como utilizar esses raios-X para aprenderem mais sobre objetos na visão periférica do NuSTAR, ao mesmo tempo que realizam observações orientadas normais. Este desenvolvimento tem o potencial de multiplicar os conhecimentos que o NuSTAR proporciona. um novo artigo científico na revista The Astrophysical Journal descreve a primeira utilização das observações dessa radiação periférica para aprender mais sobre um objeto cósmico - neste caso, uma estrela de neutrões.
Esta ilustração mostra o telescópio de raios-X NuSTAR da NASA no espaço. Dois componentes volumosos são separados por uma estrutura de 10 metros chamadamastro destacável, ou "boom". A luz é recolhida numa extremidade do mastro e é focada ao longo do seu comprimento antes de atingir os detetores na outra extremidade.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
"Pepitas" de material deixado para trás após o colapso de uma estrela, as estrelas de neutrões são alguns dos objetos mais densos do Universo, atrás apenas dos buracos negros. Os seus poderosos campos magnéticos prendem partículas de gás e afunilam-nas em direção à superfície da estrela de neutrões. À medida que as partículas são aceleradas e energizadas, libertam raios-X altamente energéticos que o NuSTAR consegue detetar.
O novo estudo descreve um sistema chamado SMC X-1, que consiste numa estrela de neutrões em órbita de uma estrela "viva" numa de duas pequenas galáxias que orbitam a Via Láctea. O brilho de SMC X-1 em raios-X parece variar muito quando visto por telescópios, mas décadas de observações diretas pelo NuSTAR e por outros telescópios revelaram um padrão nas flutuações. Os cientistas identificaram várias razões pelas quais a luminosidade de SMC X-1 muda quando estudada por telescópios de raios-X. Por exemplo, a luminosidade dos raios-X diminui à medida que a estrela de neutrões mergulha por trás da estrela "viva" a cada órbita. Segundo o artigo científico, os dados dos raios-X periféricos recolhidos pelo observatório são suficientemente sensíveis para captar algumas das alterações bem documentadas.
"Penso que este artigo mostra que a abordagem a esta radiação é fiável, porque observámos flutuações de brilho na estrela de neutrões em SMC X-1 que já confirmámos através de observações diretas," disse McKinley Brumback, astrofísica do Caltech em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia, autora principal do novo estudo. "Seguindo em frente, seria ótimo se pudéssemos usar os dados da radiação dispersa para observar objetos quando ainda não sabemos se estão a mudar regularmente de brilho e potencialmente usar esta abordagem para detetar alterações."
Forma e função
A nova abordagem é possível devido à forma do NuSTAR, que é semelhante a um osso de cão ou a um haltere: tem dois componentes volumosos em ambas as extremidades de uma estrutura estreita com 10 metros de comprimento chamada mastro destacável, ou "boom". Tipicamente, os investigadores apontam uma das extremidades - que contém a ótica, ou o hardware que recolhe os raios-X - para o objeto que querem estudar. A luz viaja ao longo do mastro até aos detetores, localizados na outra extremidade da nave espacial. A distância entre as duas é necessária para focar a radiação.
Mas a radiação dispersa também chegar aos detetores, entrando pelos lados do mastro, contornando a ótica. Aparece no campo de visão do NuSTAR juntamente com a radiação de qualquer objeto que o telescópio observe diretamente, e é muitas vezes bastante fácil de identificar a olho: forma um círculo ténue que emerge dos lados da imagem (sem surpresa, a radiação periférica é um problema para muitos outros telescópios espaciais e terrestres).
Um grupo de membros da equipa NuSTAR tem passado os últimos anos a separar a radiação dispersa de várias observações. Depois de identificarem fontes de raios-X brilhantes e conhecidas na periferia de cada observação, utilizaram modelos de computador para prever a quantidade de radiação lateral que deveria aparecer com base em que objeto brilhante estava próximo. Também observaram quase todas as observações NuSTAR para confirmar o sinal revelador dessa radiação. A equipa criou um catálogo com cerca de 80 objetos para os quais o NuSTAR tinha recolhido observações de radiação periférica, dando o nome "StrayCats" à coleção.
"Imagine sentar-se em silêncio num cinema, a ver um drama, e ouvir as explosões do filme de ação da sala ao lado," disse Brian Grefenstette, cientista de investigação sénior do Caltech e membro da equipa NuSTAR a liderar o trabalho StrayCats. "No passado, a radiação dispersa era assim - uma distração em relação àquilo que estávamos a tentar estudar. Agora temos as ferramentas para transformar esse ruído extra em dados úteis, abrindo uma nova forma de utilizar o NuSTAR para estudar o Universo."
Claro, os dados desta radiação secundária não podem substituir as observações diretas do NuSTAR. Para além de estarem desfocados, muitos objetos que o NuSTAR observa diretamente são demasiado fracos para aparecerem no catálogo de radiação dispersa. Mas Grefenstette disse que vários alunos do Caltech passaram os dados a pente fino e encontraram exemplos de aumento rápido de brilho em objetos periféricos, que podem ser vários acontecimentos dramáticos, como explosões termonucleares nas superfícies das estrelas de neutrões. A observação da frequência e da intensidade das alterações de brilho de uma estrela de neutrões pode ajudar os cientistas a decifrar o que está a acontecer a esses objetos.
"Se estivermos a tentar procurar um padrão no comportamento a longo prazo ou no brilho de uma fonte de raios-X, as observações desta radiação periférica podem ser uma ótima fonte de análise mais frequente e de estabelecer uma linha de base," disse Renee Ludlam, bolseira do Programa Einstein do Hubble da NASA no Caltech e membro da equipa StrayCats. "Também nos podem permitir apanhar comportamentos estranhos nestes objetos quando não os esperamos ou quando normalmente não seríamos capazes de apontar o NuSTAR diretamente. As observações desta radiação não subsituem as observações diretas, mas é sempre bom termos mais dados."
Nova investigação de astrobiologia prevê vida "como não a conhecemos" (via Universidade Estatal do Arizona)
A procura por vida alienígena tem sido restrita à utilização da vida na Terra como referência, procurando essencialmente "vida tal como a conhecemos" para além da Terra. Para os astrobiólogos que procuram vida noutros planetas, simplesmente não existem instrumentos para prever as características da "vida tal como nós não a conhecemos". Uma equipa de cientistas abordou esta restrição identificando padrões universais na química da vida que não parecem depender de moléculas específicas. Ler fonte
O que está a acontecer nas profundezas de mundos distantes? (via Instituto Carnegie para Ciência)
A física e a química que ocorrem nas profundezas do nosso planeta são fundamentais para a existência da vida tal como a conhecemos. Mas que forças estão em ação nos interiores de mundos distantes e como é que estas condições afetam o seu potencial de habitabilidade? O novo trabalho utiliza mímica baseada em laboratório para revelar uma nova estrutura cristalina que tem grandes implicações para a nossa compreensão dos interiores de grandes exoplanetas rochosos. Ler fonte
Álbum de fotografias - Proeminência Recorde Observada pela Solar Orbiter
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