APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS
Olá, planeta Mercúrio! Data: 13 de abril de 2023 Hora: 20:30-22:30
Não é todos os dias que vemos alguns planetas, e Mercúrio é talvez o que se mostra menos tempo acima do horizonte. Que segredos quererá ele esconder de nós? Este é o tema da apresentação que antecede a observação com telescópio nesta atividade.
A observação astronómica com telescópio depende de condições meteorológicas favoráveis!
Adulto: 4€ Jovem: 2€ Menores de 12 anos: gratuito. Inscrição obrigatória
(info@ccvalg.pt)
Pré-inscrições válidas até às 17:00 do dia anterior à realização da atividade. Após a hora referida o lugar pode não ser garantido. Telefone: 289 890 920 E-mail: info@ccvalg.pt
NOITES ASTRONÓMICAS EM TAVIRA
Observação noturna Data: 26 de abril de 2023 Hora: 21:00 Local:Forte do Rato
Nesta noite realiza-se a sessão de observação de estrelas e Lua no Forte do Rato. Será também feito um reconhecimento das constelações. A sessão é gratuita.
Participe! Inscrição obrigatória.
A realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas e está sujeita a um número mínimo e máximo de participantes Informações e inscrições:
281 326 231 | 924 452 528 E-mail: geral@cvtavira.pt
EFEMÉRIDES
DIA 28/03: 87.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1802, Heinrich Wilhem Matthäus Olbers descobre 2 Pallas, o segundo asteroide conhecido.
Em 1993 é descoberto um remanescente de supernova na galáxia M81 (Ursa Maior), pelo astrónomo amador espanhol Francisco Garcia Diaz. HOJE, NO COSMOS:
A Lua, praticamente em Quarto Crescente, encontra-se 6º para cima de Marte, o canto superior do temporário "Triângulo Laranja": os outros dois cantos do triângulo são Betelgeuse para baixo e para a esquerdad e Marte e Aldebarã para baixo e um pouco para a direita do Planeta Vermelho.
DIA 29/03: 88.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1807, Vesta, o asteroide mais brilhante e o único que por vezes pode ser visto a olho nu, é descoberto por Heinrich Wilhem Olbers.
Em 1941 nascia Joseph Hooton Taylor, Jr., astrofísico americano.
Foi laureado com o Prémio Nobel da Física pela sua descoberta, em conjunto com Russell Alan Hulse, de um novo tipo de pulsar num sistema binário, que usou para demonstrar a existência da radiação gravitacional, prevista por Einstein.
Em 1974, a sonda Mariner 10 torna-se a primeira a passar por Mercúrio. HOJE, NO COSMOS:
Lua em Quarto Crescente, pelas 03:32.
O luar não ajuda, mas esta noite Marte está a cerca de 1,2º do enxame aberto M35.
DIA 30/03: 89.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1982, acaba a missão STS-3, com a aterragem do Columbia no Novo México.
Em 2017, a SpaceX leva a cabo a sua primeira reutilização de um foguetão de classe orbital. HOJE, NO COSMOS:
Após o anoitecer, Sirius brilha a sul-sudoeste. Para baixo e para a esquerda de Sirius, a cerca de um punho à distância do braço esticado, está o triângulo (da direita para a esquerda) de Adhara, Wezen e Aludra. Formam a pata traseira, o rabo e a cauda de Cão Maior, respetivamente. Ou, alternativamente, a extremidade e "pega" do "cutelo".
Logo para a sua esquerda, formando um arco de estrelas de terceira e quarta magnitudes, estão as três estrelas superiores da constelação da Popa. Esta constelação fazia parte da antiga e maior constelação de Argo Navis, o navio de Jasão e os Argonautas, mas agora está dividida em três: Popa, Quilha e Vela. Este arco de estrelas são as únicas estrelas da antiga constelação de Argo Navis que conseguimos ver razovalmente bem a latitudes médias norte.
A apenas 1,5º para cima e para a direita do meio das três estrelas, os binóculos, numa noite escura, podem mostrar o enxame aberto M93 (sexta magnitude).
Hubble monitoriza o tempo e as estações em Júpiter e Úrano
Composição que mostra uma das duas novas imagens de Júpiter (à esquerda) e também a nova imagem de Úrano (à direita).
Crédito: NASA, ESA, STScI, A. Simon (NASA-GSFC), M. H. Wong (UC Berkeley), J. DePasquale (STScI)
Desde o seu lançamento, em 1990, que o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA tem sido um observador meteorológico interplanetário, mantendo-se atento às atmosferas em constante mudança dos gigantes de gás do Sistema Solar exterior. E é um "olho sem pestanejar" que permite a nitidez e sensibilidade do Hubble para monitorizar um caleidoscópio de atividades complexas ao longo do tempo. Recentemente foram partilhadas novas imagens de Júpiter e Úrano.
Os planetas exteriores para lá de Marte não têm superfícies sólidas para afetar o clima como na Terra. E a luz solar é muito menos capaz de impulsionar a circulação atmosférica. No entanto, estes são mundos em constante mudança. E o Hubble - no seu papel de meteorologista interplanetário - está a acompanhar, como faz todos os anos. O clima de Júpiter é conduzido de dentro para fora, à medida que mais calor atravessa o seu interior do que recebe do Sol. Este calor impulsiona indiretamente ciclos de mudança de cor nas nuvens, como o ciclo que atualmente destaca um sistema alternante de ciclones e anticiclones. Úrano tem estações que passam ao ritmo de um caracol porque são necessários 84 anos terrestres para completar uma órbita em torno do Sol. Mas essas estações são extremas, porque Úrano está inclinado para o lado. À medida que o verão se aproxima no hemisfério norte, o Hubble vê uma crescente calota polar de névoa fotoquímica a alta altitude que parece semelhante ao "smog" sobre as cidades da Terra.
Inaugurado em 2014, o programa OPAL (Outer Planet Atmospheres Legacy) do Telescópio Espacial Hubble tem vindo a fornecer-nos uma visão anual dos planetas gigantes. Aqui ficam algumas imagens recentes.
Júpiter
Duas novas imagens Hubble de Júpiter, a da esquerda obtida a 12 de novembro de 2022 e a segunda (direita) capturada no dia 6 de janeiro de 2023. Clique aqui para ver apenas a da esquerda; clique aqui para ver somente a da direita.
Crédito:
NASA, ESA, STScI, A. Simon (NASA-GSFC), M. H. Wong (UC Berkeley), J. DePasquale (STScI)
A previsão meteorológica para Júpiter é tempo tempestuoso a baixas latitudes norte. É visível uma cadeia proeminente de tempestades alternadas, formando uma "rua de vórtices", como alguns astrónomos planetários lhe chamam. Este é um padrão ondulatório de ciclones e anticiclones aninhados, juntos como as engrenagens alternadas de uma máquina que se move no sentido horário e anti-horário. Se as tempestades se aproximarem o suficiente umas das outras e se fundirem, podem construir uma tempestade ainda maior, potencialmente rivalizando com o tamanho atual da Grande Mancha Vermelha. O padrão escalonado de ciclones e anticiclones impede com que tempestades individuais se fundam. É também vista atividade no interior destas tempestades; na década de 1990 o Hubble não viu quaisquer ciclones e anticiclones com relâmpagos incorporados, mas estas tempestades surgiram na última década. As fortes diferenças de cor indicam que o Hubble está também a ver diferentes alturas e profundidades de nuvens.
A lua laranja Io "fotobomba" esta vista do topo das nuvens multicoloridas de Júpiter, lançando uma sombra em direção ao limbo ocidental do planeta. A resolução do Hubble é tão nítida que consegue ver o aspeto laranja salpicado de Io, o resultado dos seus numerosos vulcões ativos. Estes vulcões foram descobertos pela primeira vez quando a nave espacial Voyager 1 passou pelo sistema joviano em 1979. O interior derretido da lua é sobreposto por uma fina crosta através da qual os vulcões ejetam o material. O enxofre assume várias tonalidades a diferentes temperaturas, razão pela qual a superfície de Io é tão colorida. Esta fotografia foi obtida a 12 de novembro de 2022.
Na segunda imagem de Júpiter, a lendária Grande Mancha Vermelha de Júpiter assume um lugar de destaque. Embora este vórtice seja suficientemente grande para engolir a Terra, na realidade encolheu até ao seu menor tamanho de sempre, de acordo com os registos de observação que datam até há 150 anos. A lua gelada de Júpiter, Ganimedes, pode ser vista a transitar pelo planeta gigante na parte inferior direita. Ligeiramente maior do que o planeta Mercúrio, Ganimedes é a maior lua do Sistema Solar. É um mundo craterado e tem uma superfície principalmente de água gelada com fluxos glaciares aparentes impulsionados pelo calor interno. Esta imagem foi capturada no dia 6 de janeiro de 2023.
Júpiter e as suas grandes luas oceânicas (Ganimedes, Calisto e Europa), são o alvo da Juice (Jupiter Icy Moons Explorer) da ESA. Estão atualmente em curso preparativos para o lançamento desta nave espacial a partir da Guiana Francesa no dia 13 de abril de 2023. Ganimedes é o principal alvo da Juice. Como a próxima ousada missão da humanidade ao Sistema Solar exterior, a Juice irá completar numerosos "flybys" por Ganimedes e eventualmente entrar em órbita da lua. A missão vai explorar vários tópicos chave: o misterioso campo magnético de Ganimedes, o seu oceano oculto, o seu núcleo complexo, o seu conteúdo de gelo e concha, as suas interações com o ambiente local e com o de Júpiter, a sua atividade passada e presente e se a lua poderá ou não ser um ambiente habitável.
Úrano
Duas imagens Hubble de Úrano, a primeira (esquerda) obtida em 2014 e a segunda (direita) no dia 10 de novembro de 2022. Clique aqui para ver apenas a da esquerda; clique aqui para ver somente a da direita.
Crédito: NASA, ESA, STScI, A. Simon (NASA-GSFC), M. H. Wong (UC Berkeley), J. DePasquale (STScI)
O excêntrico planetário, Úrano, gira em torno do Sol de lado à medida que segue a sua órbita de 84 anos, em vez de girar numa posição mais "vertical" como a Terra. O seu eixo de rotação, inclinado horizontalmente, está a apenas 8 graus do plano orbital do planeta. Uma teoria recente propõe que Úrano já teve uma lua tão massiva que o desestabilizou gravitacionalmente e depois colidiu com o planeta. Outras possibilidades incluem impactos gigantescos durante a formação planetária, ou mesmo planetas gigantes exercendo torques ressonantes uns sobre os outros ao longo do tempo. As consequências da inclinação de Úrano são que, durante períodos de tempo até 42 anos, partes de um hemisfério ficam completamente sem luz solar. Quando a sonda Voyager 2 o visitou durante a década de 1980, o polo sul do planeta estava apontado quase diretamente para o Sol. A vista mais recente do Hubble mostra o polo norte a inclinar-se agora para o Sol.
A primeira é uma imagem Hubble de Úrano tirada em 2014, sete anos após o equinócio da primavera no norte, quando o Sol brilhava diretamente sobre o equador do planeta, e mostra uma das primeiras imagens do programa OPAL. Múltiplas tempestades com nuvens de cristais de metano gelado aparecem a latitudes médias norte acima da atmosfera inferior ciano do planeta. O Hubble fotografou o sistema de anéis em 2007, mas os anéis começaram a abrir-se sete anos mais tarde nesta imagem. Nesta altura, o planeta tinha várias pequenas tempestades e até algumas bandas de nuvens ténues.
Na segunda imagem, de 2022, o polo norte de Úrano mostra uma névoa fotoquímica espessa que parece semelhante ao "smog" sobre as cidades. Várias pequenas tempestades podem ser vistas perto da orla da névoa polar. O Hubble tem vindo a seguir o tamanho e brilho da calota polar norte e continua a ficar a mais brilhante ano após ano. Os astrónomos estão a desenredar vários efeitos - da circulação atmosférica, propriedades das partículas e processos químicos - que controlam a forma como a calota polar atmosférica muda com as estações do ano. No equinócio uraniano de 2007, nenhum dos polos era particularmente brilhante. À medida que o solstício de verão no norte se aproxima - terá lugar em 2028 -, a calota pode ficar ainda mais brilhante e estará diretamente apontada para a Terra, permitindo uma boa visão dos anéis e do polo norte; o sistema de anéis aparecerá então de face. Esta imagem foi obtida no dia 10 de novembro de 2022.
Estrelas pequenas podem hospedar planetas maiores do que se pensava anteriormente
De acordo com um novo estudo liderado por investigadores da UCL (University College London) e da Universidade de Warwick, estrelas com menos de metade da massa do nosso Sol são capazes de hospedar planetas gigantes ao estilo de Júpiter, em conflito com a teoria mais amplamente aceite de como tais planetas se formam.
Os gigantes gasosos, tal como outros planetas, formam-se a partir de discos de material que rodeiam as jovens estrelas. Segundo a teoria da acreção do núcleo, formam primeiro um núcleo de rocha, gelo e outros sólidos pesados, atraindo uma camada exterior de gás assim que este núcleo seja suficientemente massivo (cerca de 15 a 20 vezes superior à Terra).
Impressão de artista do nascer-do-"Sol" no exoplaneta NGTS-1b, um gigante gasoso anteriormente descoberto em torno de uma estrela de baixa massa.
Crédito: Universidade de Warwick/Mark Garlick
No entanto, as estrelas de baixa massa têm discos de baixa massa que, os modelos preveem, não forneceriam material suficiente para formar um gigante de gás desta forma, ou pelo menos não depressa o suficiente antes do disco se dispersar.
No estudo, aceite para publicação na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, investigadores examinaram 91.306 estrelas de baixa massa, utilizando observações do TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA, e em 15 casos encontraram quedas no brilho da luz correspondente à passagem de um gigante gasoso em frente da estrela.
Cinco dos 15 potenciais planetas gigantes foram desde então confirmados como planetas utilizando métodos independentes. Um destes planetas confirmados orbita uma estrela que tem um-quinto da massa do Sol - o que não seria possível de acordo com os modelos de formação planetária.
O autor principal Dr. Ed Bryant, do MSSL (Mullard Space Science Laboratory) na UCL, anteriormente da Universidade de Warwick, que iniciou o trabalho como parte do seu doutoramento, afirmou: "As estrelas de baixa massa são melhores na formação de planetas gigantes do que pensávamos. Os nossos resultados levantam sérias questões para os modelos de formação planetária. Em particular, a nossa deteção de gigantes gasosos em órbita de estrelas tão pequenas quanto 20% da massa do Sol entra em conflito com a teoria atual".
O Dr. Vincent Van Eylen, coautor do estudo e também do MSSL na UCL, explica: "O facto de, embora raros, os gigantes de gás existirem em torno de estrelas de baixa massa é uma descoberta inesperada e significa que os modelos de formação planetária terão de ser revistos".
Uma interpretação possível é que os gigantes de gás não se formam através da acreção do núcleo, mas através da instabilidade gravitacional, onde o disco que envolve uma estrela se fragmenta em "tufos" de poeira e gás do tamanho de um planeta. Se for este o caso, as estrelas de baixa massa poderiam acolher gigantes de gás muito grandes, com duas ou três vezes a massa de Júpiter. Contudo, isto é considerado improvável, uma vez que os discos em torno de estrelas de baixa massa não parecem ser suficientemente massivos para se fragmentarem desta forma.
Outra explicação, dizem os investigadores, é que os astrónomos subestimaram o quão massivo pode ser o disco de uma estrela, o que significa que estrelas pequenas poderiam afinal formar planetas gigantes através da acreção do núcleo.
Isto pode ser devido a se ter calculado incorretamente a massa dos discos que podemos observar através de telescópios, ou porque os discos têm uma massa maior no início da vida de uma estrela, quando são muito difíceis de observar (pois estão embebidas em nuvens de poeira), em comparação com mais tarde na vida de uma estrela, quando podemos observá-las.
O coautor Dr. Dan Bayliss (Universidade de Warwick) disse: "É possível que não compreendamos as massas destes discos protoplanetários tão bem como pensávamos que compreendíamos. Novos instrumentos poderosos como os do Telescópio Espacial James Webb serão capazes de estudar as propriedades destes discos com mais detalhe".
No seu trabalho, os investigadores procuraram identificar a frequência com que os planetas gigantes ocorreram em torno de estrelas de baixa massa, testando se esta taxa de ocorrência se enquadrava no que os modelos de acreção do núcleo previam.
Utilizaram um algoritmo para identificar os sinais dos gigantes de gás em trânsito na luz emitida pelas estrelas de baixa massa. Em seguida, examinaram estes sinais, descontando uma série de falsos positivos.
Para determinar a probabilidade do seu método em detetar gigantes gasosos reais em órbita destas estrelas, inseriram simulações de milhares de sinais de planetas em trânsito nos dados reais de luz estelar do TESS e depois executaram o seu algoritmo para ver quantos destes planetas seriam detetados.
Agora os investigadores estão a trabalhar para confirmar como planetas (ou descartar) nove dos 15 planetas candidatos que identificaram (cinco foram até agora confirmados como planetas, com um falso positivo). Estes candidatos podem, potencialmente, ser estrelas companheiras ou pode haver outra razão para as quedas em luminosidade. A equipa vai deduzir as massas destes objetos procurando uma "oscilação" na posição da estrela hospedeira, indicando o puxão gravitacional do possível planeta. Esta oscilação pode ser detetada através da análise espectroscópica da luz da estrela - medindo diferentes bandas de luz para rastrear o movimento da estrela, quer para longe de nós ou na nossa direção.
Engenheiros mantêm-se atentos ao combustível do orbitador marciano mais antigo da NASA
Impressão de artista do orbitador Mars Odyssey da NASA. A equipa da missão passou a maior parte de 2021 a avaliar a quantidade de propulsor que resta na sonda, concluindo que tem o suficiente para se manter ativa até pelo menos ao final de 2025.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
Desde que a NASA lançou o orbitador Mars Odyssey para o Planeta Vermelho, há quase 22 anos, a nave espacial já completou mais de 94.000 voltas em torno de Marte. Isto é mais ou menos equivalente a 2,21 mil milhões de quilómetros, uma distância que tem exigido uma gestão extremamente prudente do abastecimento de combustível da nave espacial. Este feito é ainda mais impressionante dado que a Odyssey não tem um indicador de combustível; ao invés, os engenheiros têm confiado na matemática.
O seu trabalho tem ajudado a Mars Odyssey a construir um legado científico: a nave espacial mapeou minerais em toda a superfície marciana, permitindo aos cientistas compreender melhor a história do planeta. A Odyssey encontrou depósitos de gelo que poderiam ser utilizados pelos futuros astronautas. Estudou a radiação que poderia prejudicar esses mesmos astronautas. E procurou potenciais locais de aterragem para as missões que se avizinham. A Mars Odyssey está também entre uma pequena constelação de orbitadores que retransmitem dados, para a Terra, dos rovers e "landers" (quase 150 gigabytes até à data, e a contar).
Mas, no ano passado, a Odyssey parecia que poderia estar a ficar sem combustível: os cálculos indicavam que o seu reservatório de hidrazina era muito mais baixo do que o esperado.
A Mars Odyssey foi lançada em 2001 com quase 225,3 kg do carburante hidrazina. Dado que não dispõe de indicador de combustível, os engenheiros têm usado uma variedade de formas para inferir a quantidade de hidrazina que a nave espacial tem consumido ao longo do tempo. Uma maneira de medir o combustível que os dois tanques ainda têm é aplicar-lhes calor e observar quanto tempo demoram a atingir uma determinada temperatura. Tal como um bule, um tanque de combustível quase vazio aqueceria mais depressa do que um cheio.
Isto é, de facto, o que pareceu ocorrer com uma estimativa de combustível realizada na Odyssey no verão de 2021. A matemática parecia mostrar que a nave ainda dispunha de aproximadamente 5 kg de carburante - menos do que a modelagem da missão tinha previsto. Outra estimativa, em janeiro de 2022, indicou que apenas restavam 2,8 kg de hidrazina.
Se os números estivessem corretos, a Mars Odyssey ficaria sem combustível em menos de um ano. Ou a sonda tinha sofrido algum tipo de falha, como uma fuga, ou algo estava errado nas medições da equipa.
Seguiram-se meses de testes e investigações intensas. Depois de estudar o mistério do combustível "desaparecido", os engenheiros da missão aprenderam coisas novas sobre como o complexo e envelhecido sistema de combustível da nave espacial se comporta em voo. A sua conclusão: o orbitador deveria realmente ter hidrazina suficiente para durar pelo menos até ao final de 2025.
O orbitador Mars Odyssey da NASA estuda a superfície marciana há mais de vinte anos. Em 2006, o instrumento THEMIS (Thermal Emission Imaging System) da missão capturou esta imagem de dunas de areia num lugar chamado Cratera Bunge.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/ASU
Como a Mars Odyssey utiliza hidrazina
A Mars Odyssey não precisa de muita hidrazina para sobreviver num determinado dia. Os painéis solares alimentam os seus sistemas, enquanto três rodas de reação estrategicamente colocadas ajudam o orbitador a apontar os seus instrumentos científicos para a superfície marciana. À medida que as rodas de reação giram dentro do corpo da nave espacial, criam torque que faz com que a Odyssey se mova na direção oposta.
"Estas rodas de reação têm de trabalhar em conjunto para manter a 'pontaria' da nave espacial", disse Jared Call, diretor da missão da Mars Odyssey no JPL da NASA no sul da Califórnia. "Mas com a Mars Odyssey a completar um ciclo completo a cada órbita, é preciso uma forma de descarregar o momento crescente".
É aí que entra a hidrazina da Mars Odyssey. Os propulsores da nave espacial libertam este carburante em pequenas explosões calculadas para contrariar o momento crescente das rodas de reação.
Trabalho de equipa
Assim, quando os cálculos da equipa mostraram que o seu reservatório de combustível era inferior ao esperado, os engenheiros do JPL trabalharam com os engenheiros da Lockheed Martin Space, que construiu a Mars Odyssey, mantém as operações da missão e fornece apoio à engenharia da nave espacial.
"Primeiro, tivemos de verificar que a nave espacial estava de boa saúde", disse Joseph Hunt, gestor do projeto Mars Odyssey no JPL. "Depois de excluirmos a possibilidade de uma fuga ou de estarmos a queimar mais combustível do que o estimado, começámos a analisar o nosso processo de medição".
A equipa concordou que precisavam de alguns novos olhos para avaliar a situação. Recorreram a Boris Yendler, um consultor externo que também é especialista na estimativa de combustível de naves espaciais.
Assim como todas as naves espaciais, a Mars Odyssey depende de aquecedores para manter várias peças, incluindo os tanques de combustível, a trabalhar no frio do espaço. Yendler perguntou-se se estava a ser acrescentado, ao combustível, calor de alguma outra fonte na nave espacial, complicando a medição. Após muitas experiências, a equipa confirmou que era esse o caso: os aquecedores, ao longo de uma linha de combustível que ligava os tanques, estavam a aquecê-los mais depressa do que o esperado, fazendo parecer que os tanques estavam quase vazios.
"O nosso método de medição está ótimo. O problema era que a dinâmica de fluídos, que ocorre a bordo da Odyssey, é mais complicada do que pensávamos", disse Call.
Depois de descobrir quanto calor não estava a ser contabilizado nos seus cálculos, a equipa concluiu que a Mars Odyssey ainda tem cerca de 4 kg de hidrazina. É o suficiente para a missão durar por mais alguns anos. Embora o número possa mudar à medida que a equipa trabalha para refinar as medições e para melhorar a sua precisão, a equipa descansa mais facilmente agora que compreende melhor a sua nave espacial.
"É um pouco como o nosso processo de descoberta científica", disse Call. "Explora-se um sistema de engenharia sem saber o que se vai encontrar. E quanto mais tempo se procura, mais se descobre o que não se esperava".
Uracilo encontrado nas amostras de Ryugu (via Universidade de Hokkaido)
Os investigadores analisaram amostras do asteroide Ryugu, recolhidas pela nave espacial Hayabusa2 da Agência Espacial Japonesa, e encontraram uracilo - uma das unidades informativas que compõem o ARN, as moléculas que contêm as instruções de como construir e operar organismos vivos. O ácido nicotínico, também conhecido como Vitamina B3 ou niacina, que é um cofactor importante para o metabolismo dos organismos vivos, também foi detetado nas mesmas amostras. Ler fonte
Álbum de fotografias O Cometa ZTF, Que Está de Saída
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: Rolando Ligustri
O antigo querido do céu noturno do hemisfério norte, o Cometa C/2022E3 (ZTF), desvaneceu. Durante a sua maior aproximação ao nosso planeta, no início de fevereiro, o Cometa ZTF estava a apenas 2,3 minutos-luz de distância. Então conhecido como o cometa verde, este visitante da remota nuvem de Oort está agora a quase 13,3 minutos-luz de distância. Nesta imagem de céu profundo, composta de exposições capturadas a 21 de março, o cometa ainda ostenta uma ampla e esbranquiçada cauda de poeira e uma cabeleira de cor esverdeada. Não muito longe, no céu, da brilhante estrela Rigel, pertencente à constelação de Orionte, o Cometa ZTF partilha o campo de visão com nebulosas fracas e poeirentas e galáxias distantes no fundo. A fotografia está repleta de estrelas da Via Láctea na direção da constelação de Erídano. A influência da gravidade de Júpiter, na órbita do cometa, à medida que o ZTF se dirigia para o Sistema Solar interior, pode ter colocado o cometa numa viagem de saída, para nunca mais voltar.
Centro Ciência Viva do Algarve
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