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  Arquivo | CCVAlg - Astronomia
Com o apoio do Centro Ciência de Tavira
   
 
  Astroboletim #2086  
  05/03 a 07/03/2024  
     
 
MANHÃS ASTRONÓMICAS EM FARO - OBSERVAÇÃO DO SOL
Data: 8 de março de 2024
Hora: 09:00-11:00
A manhã de 8 de março vai ser astronómica! Em conjunto com o Centro Ciência Viva Tavira iremos realizar esta sessão de observação do Sol pelas 09:00, no Jardim Manuel Bivar, em Faro.
A sessão é gratuita. Participe!
Local: Jardim Manuel Bívar, Faro
A realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas.
Informações: 289 890 920 | info@ccvalg.pt
 
     
 
EFEMÉRIDES

DIA 05/03: 65.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1512 nascia Gerardus Mercator, famoso cartógrafo.

Em 1616, o livro de Nicolau CopérnicoDe revolutionibus orbium coelestium (Das revoluções das esferas celestes) é banido pela Igreja Católica.
Em 1958, é lançada a sonda Explorer 2, mas falha a alcançar órbita.
Em 1978, lançamento do Landsat 3 a partir da Base da Força Aérea em Vandenberg, Califórnia. 
Em 1979 as sondas soviéticas Venera 11Venera 12 e o satélite solar americano Helios II são atingidos por raios-gama, o que leva à descoberta da primeira explosão de raios-gama, proveniente dos enigmáticos objetos de nome magnetares. No mesmo ano, a sonda Voyager 1 faz a sua maior aproximação de Júpiter, quando passa a 206.700 quilómetros do topo das nuvens do planeta. 
Em 1982, a sonda Venera 14 aterra em Vénus
Em 1998, a NASA anuncia que a sonda Clementine, em órbita da Lua, descobriu água suficiente para suportar uma colónia humana.
HOJE, NO COSMOS:
Ainda é boa altura para procurar a luz zodiacal caso viva a latitudes médias norte, agora que o céu ao início da noite está sem Lua e a eclíptica está a inclinar-se no horizonte oeste ao anoitecer. A partir de um local escuro e sem nuvens, olhe para oeste ao final do lusco-fusco em busca de uma enorme, alta e ténue pirâmide de luz perolada. Está inclinada para a esquerda, alinhada com as constelações do zodíaco. O que está a ver é poeira interplanetária iluminada pelo Sol a orbitar a nossa estrela perto do plano da eclíptica.

 

DIA 06/03: 66.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1787 nascia Joseph Fraunhofer, espectroscopista pioneiro alemão, de quem as proeminentes linhas de absorção no espetro do Sol receberam o seu nome.
Em 1986, entre dia 6 e 14, primeiro voo rasante de um cometa, pela sonda Vega 1 e Giotto (580 km), no Cometa Halley.
Em 2015, depois de orbitar Vesta durante 14 meses em 2011 e 2012, a sonda Dawn da NASA chega a Ceres.

HOJE, NO COSMOS:
Nesta altura do ano, logo após o anoitecer, cinco constelações carnívoras estão alinhadas (acordando da sua hibernação?) desde o nordeste até sul. Estão representadas todas em perfil, com os seus narizes apontados para cima e os seus pés (se é que os têm) para a direita: Ursa Maior a nordeste, Leão a este, Hidra, a Serpente do Mar, a sudeste, Cão Menor um pouco mais alta a sul-sudeste, e Cão Maior a sul.

 

DIA 07/03: 67.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...

Em 1792 nascia John Herschel, astrónomo, matemático, químico e inventor/fotógrafo experimental, que deu nome a sete luas de Saturno e a quatro de Úrano.
Em 1837 nascia Henry Draper, o primeiro a fotografar o espectro estelar. Um importante catálogo de espectros estelares tem o seu nome.
Em 1958 nascia Alan Hale, astrónomo americano, codescobridor do Cometa Hale-Bopp
Em 2009, é lançado o observatório espacial Kepler, desenhado para descobrir planetas parecidos com a Terra em órbita de outras estrelas.

Em 2012, a LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter) captura imagens do local de aterragem da Apollo 11. São visíveis as experiências, o equipamento e as pegadas de Buzz Aldrin e de Neil Armstrong.
HOJE, NO COSMOS:
Alta no céu do hemisfério norte por estas noites, no "deserto" aparentemente vazio entre Capella e a Estrela Polar, encontra-se a grande e ténue constelação da Girafa - talvez a maior constelação frequentemente visível que geralmente não observamos. A menos que tenhamos um céu realmente escuro, precisamos de binóculos para discernir o seu padrão solto, ténue e sem descrição, usando um mapa celeste - um desafio que irá construir as suas capacidades de relacionar corretamente o que vê nos binóculos com o que vê, muito mais pequeno, num mapa. Se é "novo" nisto, convém começar com constelações mais brilhantes e fáceis. Guarde a tímida Girafa para outra altura.

 
 
   
O par de buracos negros mais massivo alguma vez encontrado
 
A fusão de dois buracos negros supermassivos é um fenómeno há muito previsto, embora nunca diretamente observado. Uma teoria avançada pelos astrónomos diz que estes sistemas são tão massivos que esgotam a sua galáxia hospedeira do material estelar necessário para impulsionar a fusão. Usando dados de arquivo do telescópio Gemini Norte, uma equipa de astrónomos encontrou um buraco negro binário que fornece fortes indícios que apoiam esta ideia. A equipa calcula que a massa do binário é 28 mil milhões de vezes superior à do Sol, o que faz do par o buraco negro binário mais massivo alguma vez medido. Esta medição não só fornece um contexto valioso para a formação do sistema binário e para a história da galáxia que o acolhe, como também apoia a teoria de longa data de que a massa de um buraco negro binário supermassivo desempenha um papel fundamental na interrupção da fusão de buracos negros supermassivos.
Crédito: NOIRLab/NSF/AURA/J. daSilva/M. Zamani
 

Utilizando dados de arquivo do telescópio Gemini Norte, uma equipa de astrónomos mediu o par de buracos negros supermassivos mais pesado alguma vez encontrado. A fusão de dois buracos negros supermassivos é um fenómeno há muito previsto, mas nunca observado. Este par massivo dá pistas sobre a razão pela qual um tal acontecimento parece tão improvável no Universo.

Quase todas as galáxias massivas albergam um buraco negro supermassivo no seu centro. Quando duas galáxias se fundem, os seus buracos negros podem formar um par binário, o que significa que se orbitam um ao outro. Teoriza-se que estes binários estão destinados a fundir-se, mas tal nunca foi observado. A questão de saber se tal acontecimento é possível tem sido um tópico de discussão entre os astrónomos durante décadas. Num artigo científico publicado recentemente na revista The Astrophysical Journal, uma equipa de astrónomos apresentou uma nova perspetiva sobre esta questão.

A equipa utilizou dados do telescópio Gemini Norte no Hawaii, uma metade do Observatório Gemini operado pelo NOIRLab (National Optical-Infrared Astronomy Research Laboratory) da NSF (National Science Foundation), para analisar um buraco negro binário supermassivo localizado na galáxia elíptica B2 0402+379. Este é o único buraco negro binário supermassivo alguma vez resolvido com detalhe suficiente para ver ambos os objetos separadamente (já foram feitas observações anteriores de galáxias contendo dois buracos negros supermassivos, mas nesses casos estão separados por milhares de anos-luz - demasiado longe para se orbitarem um ao outro) e detém o recorde de ter a menor separação alguma vez medida diretamente - apenas 24 anos-luz (existem outras fontes idênticas com, possivelmente, separações menores, mas foram apenas inferidas usando observações indiretas e portanto só podem ser classificados como candidatos a binário). Embora esta separação próxima prenuncie uma fusão poderosa, outros estudos revelaram que o par está "parado" a esta distância há mais de três mil milhões de anos, o que levanta a questão: porquê a demora?

Para compreender melhor a dinâmica deste sistema e a sua fusão "interrompida", a equipa recorreu a dados de arquivo do instrumento GMOS (Gemini Multi-Object Spectrograph), que lhes permitiu determinar a velocidade das estrelas na vizinhança dos buracos negros. "A excelente sensibilidade do GMOS permitiu-nos mapear as velocidades crescentes das estrelas à medida que nos aproximamos do centro da galáxia", disse Roger Romani, professor de física da Universidade de Stanford e coautor do artigo científico. "Com isso, conseguimos inferir a massa total dos buracos negros que lá residem".

A equipa estima que a massa do binário seja 28 mil milhões de vezes superior à do Sol, o que faz do par o buraco negro binário mais massivo alguma vez medido. Esta medição não só fornece um contexto valioso para a formação do sistema binário e para a história da sua galáxia hospedeira, como também apoia a teoria de longa data de que a massa de um buraco negro binário supermassivo desempenha um papel fundamental no bloqueio de uma potencial fusão (esta teoria foi apresentada pela primeira vez em 1980 por Begelman et al. e há muito que se defende a sua ocorrência com base em décadas de observações dos centros das galáxias).

"O arquivo de dados que serve o Observatório Gemini contém uma mina de ouro de descobertas científicas inexploradas", diz Martin Still, diretor do programa NSF para o Observatório Gemini. "As medições da massa deste extremo buraco negro binário supermassivo são um exemplo inspirador do impacto potencial de nova investigação que explora esse rico arquivo."

Compreender como é que este binário se formou pode ajudar a prever se e quando se irá fundir - e algumas pistas apontam para que o par se tenha formado através de múltiplas fusões de galáxias. A primeira é que B2 0402+379 é um "enxame fóssil", o que significa que é o resultado da fusão de estrelas e gás de todo um enxame de galáxias numa única galáxia massiva. Além disso, a presença de dois buracos negros supermassivos, juntamente com a sua grande massa combinada, sugere que resultaram da fusão de vários buracos negros mais pequenos de várias galáxias.

Após uma fusão galáctica, os buracos negros supermassivos não colidem de frente. Em vez disso, começam a passar uns pelos outros à medida que se estabelecem numa órbita. Com cada passagem que fazem, a energia é transferida dos buracos negros para as estrelas que os rodeiam. À medida que perdem energia, o par é arrastado para cada vez mais perto, até ficarem a apenas alguns anos-luz de distância, altura em que a radiação gravitacional assume o controlo e se fundem. Este processo foi observado diretamente em pares de buracos negros de massa estelar - o primeiro caso registado foi em 2015, através da deteção de ondas gravitacionais - mas nunca num binário da variedade supermassiva.

Com o novo conhecimento da massa extremamente elevada do sistema, a equipa concluiu que teria sido necessário um número excecionalmente grande de estrelas para abrandar a órbita do binário o suficiente para os aproximar tanto. No processo, os buracos negros parecem ter expelido quase toda a matéria na sua vizinhança, deixando o núcleo da galáxia sem estrelas e sem gás. Sem mais matéria disponível para abrandar ainda mais a órbita do par, a fusão estagnou na sua fase final.

"Normalmente, parece que as galáxias com pares de buracos negros mais leves têm estrelas e massa suficientes para os juntar rapidamente", disse Romani. "Uma vez que este par é tão pesado, eram necessárias muitas estrelas e gás para o fazer. Mas o binário retirou essa matéria da galáxia central, deixando-a estagnada e acessível para o nosso estudo."

Ainda não se sabe se o par vai ultrapassar a sua estagnação e acabar por se fundir em escalas de tempo de milhões de anos, ou se vai continuar no limbo orbital para sempre. Se se fundirem, as ondas gravitacionais resultantes serão cem milhões de vezes mais poderosas do que as produzidas pela fusão de buracos negros de massa estelar. É possível que o par conquiste a distância final através de outra fusão de galáxias, que injetaria no sistema material adicional, ou potencialmente um terceiro buraco negro, para abrandar a órbita do par o suficiente para se fundir. No entanto, dado o estatuto de B2 0402+379 como enxame fóssil, outra fusão galáctica é improvável.

"Aguardamos com expetativa o acompanhamento das investigações do núcleo de B2 0402+379, onde iremos analisar a quantidade de gás presente", diz Tirth Surti, estudante de Stanford e autor principal do artigo científico. "Isto deverá dar-nos mais informações sobre se os buracos negros supermassivos podem eventualmente fundir-se ou se ficarão presos como binários".

// NOIRLab (comunicado de imprensa)
// Observatório Gemini (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal)
// Artigo científico (arXiv.org)
// O par de buracos negros mais massivo alguma vez encontrado (NOIRLab via YouTube)

 


Quer saber mais?

CCVAlg - Astronomia:
30/06/2017 - Incrível descoberta confirma existência de buracos negros supermassivos em órbita um do outro

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Buraco negro supermassivo:
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Buraco negro binário:
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Galáxia B2 0402+379:
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Observatório Internacional Gemini:
Página principal
Wikipedia
GMOS (Observatório Gemini)

 
   
Astrónomos descobrem nova ligação entre água e formação planetária
 
Os astrónomos descobriram vapor de água no disco que rodeia uma estrela jovem, exatamente numa região onde se podem estar a formar planetas. Esta imagem, de novas observações do ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), do qual o ESO é um parceiro, mostra o vapor de água em tons azulados. Perto do centro do disco, onde reside a estrela jovem, o meio é mais quente e o gás mais brilhante. Os anéis em tons avermelhados são de observações ALMA anteriores e mostram a distribuição da poeira em torno da estrela.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)/S. Facchini et al.
 

Os investigadores descobriram vapor de água no disco que rodeia uma estrela jovem, exatamente numa região onde se podem estar a formar planetas. Para além de ser um ingrediente chave para a vida na Terra, pensa-se que a água desempenha também um papel importante na formação planetária. No entanto, até agora, nunca tínhamos conseguido mapear a forma como a água se distribui num disco frio e estável — o tipo de disco que fornece as condições mais favoráveis para a formação de planetas em torno de estrelas. Os novos resultados foram obtidos com o auxílio do ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), do qual o ESO é um parceiro.

"Nunca imaginei que pudéssemos obter uma imagem de oceanos de vapor de água na mesma região em que um planeta se está provavelmente a formar", afirma Stefano Facchini, astrónomo da Universidade de Milão, na Itália, que liderou o estudo publicado na revista da especialidade Nature Astronomy. As observações revelam, pelo menos, três vezes mais água do que em todos os oceanos da Terra, no disco interior de HL Tauri, uma estrela jovem semelhante ao Sol, situada a 450 anos-luz de distância da Terra, na direção da constelação de Touro.

"É verdadeiramente notável que possamos não só detetar, mas também obter imagens detalhadas e resolver espacialmente o vapor de água a uma distância de 450 anos-luz", acrescenta o coautor Leonardo Testi, astrónomo da Universidade de Bolonha, na Itália. As observações ALMA "espacialmente resolvidas" permitem aos astrónomos determinar a distribuição da água em diferentes regiões do disco. "Participar numa descoberta tão importante como esta no icónico disco de HL Tauri foi muito mais do que eu estava à espera para a minha primeira experiência de investigação em astronomia," acrescenta Mathieu Vander Donckt da Universidade de Liège, na Bélgica, que era estudante de mestrado quando participou neste trabalho de investigação.

Foi encontrada uma quantidade significativa de água na região onde existe uma lacuna conhecida no disco de HL Tauri. Estas lacunas em forma de anel são "esculpidas" em discos ricos em gás e poeira por corpos jovens semelhantes a planetas, em órbita da estrela progenitora, à medida que estes vão acumulando material e crescendo. "As nossas imagens recentes revelam uma quantidade substancial de vapor de água a uma série de distâncias da estrela que incluem um espaço onde um planeta se pode estar a formar atualmente", diz Facchini, o que sugere que este vapor de água poderá afetar a composição química dos planetas que se estão a formar nessas regiões.

Observar água com um telescópio colocado no solo não é uma tarefa fácil, uma vez que o vapor de água que existe em abundância na atmosfera terrestre degrada os sinais astronómicos. O ALMA, operado pelo ESO em conjunto com os seus parceiros internacionais, é uma rede de telescópios instalada no deserto chileno do Atacama, a cerca de 5000 metros de altitude, e que foi construído num ambiente alto e seco especificamente para minimizar esta degradação, proporcionando condições de observação excecionais. "Até à data, o ALMA é a única infraestrutura de que dispomos capaz de resolver espacialmente a água num disco frio de formação planetária", diz o coautor Wouter Vlemmings, professor na Universidade de Tecnologia de Chalmers, na Suécia.

"É verdadeiramente excitante testemunhar diretamente, numa imagem, moléculas de água a serem libertadas de partículas de poeira gelada”, diz Elizabeth Humphreys, uma astrónoma do ESO que também participou neste estudo. Os grãos de poeira que compõem um disco são as sementes da formação planetária, colidindo e aglomerando-se em corpos cada vez maiores que orbitam a estrela. Os astrónomos acreditam que em locais suficientemente frios, onde a água congela nos grãos de poeira, as partículas aderem mais eficientemente — um local ideal para a formação de planetas. "Os nossos resultados mostram como a presença da água pode influenciar o desenvolvimento de um sistema planetário, tal como aconteceu há cerca de 4,5 mil milhões de anos no nosso próprio Sistema Solar", acrescenta Facchini.

Com as atualizações que estão a decorrer no ALMA e com o ELT (Extremely Large Telescope) do ESO a entrar em funcionamento antes do final desta década, a formação planetária e o papel que a água desempenha nessa formação tornar-se-ão mais claros do que nunca. Em particular, o instrumento METIS (Mid-infrared ELT Imager and Spectrograph), dará aos astrónomos uma visão sem igual das regiões internas dos discos de formação planetária, os locais onde se formam planetas como a Terra.

// ESO (comunicado de imprensa)
// Observatório ALMA (comunicado de imprensa)
// Universidade Técnica Chalmers (comunicado de imprensa)
// Universidade de Manchester (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature Astronomy)
// Astrónomos descobrem nova ligação entre água e formação planetária (ESO via YouTube)

 


Quer saber mais?

CCVAlg - Astronomia:
07/01/2022 - "Três anéis que a todos retenham": história cósmica pode explicar as propriedades de Mercúrio, Vénus, da Terra e de Marte
27/05/2016 - ALMA revela "pegadas" de formação planetária num disco de gás
07/11/2014 - Imagem revolucionária obtida pelo ALMA revela génesis planetária

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HL Tauri:
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Catálogo de Discos Circunstelares

Discos protoplanetários:
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Formação planetária (Wikipedia)

ALMA:
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ALMA (NRAO)
ALMA (ESO)
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ESO:
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Uma nova reviravolta na superfície em ebulição de Betelgeuse
 
Uma comparação direta de uma simulação computacional de uma supergigante vermelha sem rotação com observações ALMA de Betelgeuse. Se não for suficientemente resolvida nos telescópios, a convecção em grande escala pode resultar num mapa de velocidade dipolar. A linha de cima mostra mapas de intensidade, a linha de baixo mostra mapas de velocidade radial. A coluna da esquerda mostra a simulação da estrela em resolução total; a coluna do meio mostra observações simuladas com resolução reduzida. A coluna da direita mostra a observação ALMA atual.
Crédito: Instituto Max Planck de Astrofísica, Jing-Ze Ma et al., 2024
 

Betelgeuse é uma conhecida estrela supergigante vermelha na direção da constelação de Orionte. Recentemente ganhou muita atenção, não só porque as variações no seu brilho levaram a especulações de que uma explosão poderia estar iminente, mas também porque as observações indicaram que está a girar muito mais depressa do que o esperado. Esta última interpretação é agora posta em causa por uma equipa internacional liderada por astrónomos do Instituto Max Planck de Astrofísica, que propõem que a superfície escaldante de Betelgeuse pode ser confundida com rotação mesmo através dos telescópios mais avançados. Outros astrónomos estão a analisar ativamente novos dados observacionais para testar estas hipóteses.

Sendo uma das estrelas mais brilhantes do hemisfério norte, Betelgeuse pode ser facilmente encontrada a olho nu na constelação de Orionte. Betelgeuse é uma das maiores estrelas conhecidas. Com um diâmetro superior a mil milhões de quilómetros, é quase 1000 vezes maior do que o Sol. Se estivesse no nosso Sistema Solar, teria engolido a Terra com uma atmosfera que chegaria a Júpiter. Não é suposto uma estrela tão grande girar rapidamente. Ao longo da sua evolução, a maioria das estrelas expande-se e gira mais devagar para conservar o momento angular. No entanto, observações recentes sugerem que Betelgeuse está a girar muito rapidamente (a 5 km/s), duas ordens de grandeza mais depressa do que uma estrela evoluída deveria girar.

A evidência mais proeminente da rotação de Betelgeuse veio do ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array). As 66 antenas do ALMA trabalham em conjunto como se fossem um único telescópio gigante. Utilizam uma técnica conhecida como interferometria, em que duas ou mais antenas captam um sinal do Universo e unem forças para analisar o sinal e obter informações sobre a sua fonte de emissão. Utilizando esta técnica, os astrónomos descobriram um mapa de velocidade radial dipolar na camada exterior de Betelgeuse: metade da estrela parece estar a aproximar-se de nós e a outra metade parece estar a afastar-se. Esta observação, juntamente com estudos anteriores, levou à interpretação de que Betelgeuse está a girar rapidamente.

Esta interpretação teria sido clara, se Betelgeuse fosse uma esfera perfeitamente redonda. No entanto, a superfície de Betelgeuse é um mundo vibrante, governado por um processo físico chamado convecção. Podemos observar a convecção na nossa vida quotidiana quando fervemos água, mas em Betelgeuse, este processo é muito mais violento: as bolhas em ebulição podem ser tão grandes como a órbita da Terra em torno do Sol, cobrindo uma grande fração da superfície de Betelgeuse. Sobem e descem a uma velocidade de até 30 km/s, mais depressa do que qualquer nave espacial tripulada.

Com base neste quadro físico, uma equipa internacional liderada por Jing-Ze Ma, estudante de doutoramento no Instituto Max Planck de Astrofísica, fornece agora uma explicação alternativa para o mapa de velocidades dipolares de Betelgeuse: a superfície em ebulição de Betelgeuse imita a rotação. Um grupo de bolhas em ebulição sobe de um lado da estrela e outro grupo de bolhas afunda-se do outro lado. Devido à resolução limitada do telescópio ALMA, estes movimentos convectivos estariam desfocados em observações reais, o que resultaria no mapa de velocidade dipolar.

A equipa desenvolveu um novo pacote de pós-processamento para produzir imagens sintéticas do ALMA e espetros submilimétricos a partir das suas simulações hidrodinâmicas de radiação 3D de estrelas supergigantes vermelhas sem rotação. Em 90% das simulações, a estrela seria interpretada como estando a girar a vários km/s simplesmente devido aos movimentos de ebulição em grande escala na superfície que não são claramente vistos pelo telescópio ALMA.

São necessárias mais observações para melhor avaliar a rápida rotação de Betelgeuse, e a equipa fez previsões para futuras observações com maior resolução espacial. Felizmente, outros astrónomos já fizeram observações de maior resolução de Betelgeuse em 2022. Os novos dados estão a ser analisados neste momento, o que irá pôr à prova as previsões e ajudar a desvendar a máscara de Betelgeuse.

"A maioria das estrelas são apenas pequenos pontos de luz no céu noturno. Betelgeuse é tão incrivelmente grande e está tão próxima que, com os melhores telescópios, é uma das poucas estrelas em que podemos efetivamente observar e estudar a sua superfície fervente. Ainda parece um pouco como um filme de ficção científica, como se tivéssemos viajado até lá para a ver de perto", diz a coautora Selma de Mink (diretora do Instituto Max Planck de Astrofísica). "E os resultados são muito interessantes. Se Betelgeuse estiver, realmente, a girar rapidamente, então pensamos que deve ter sido 'acelerada' depois de comer uma pequena estrela companheira que a orbitava."

"Há tanta coisa que ainda não compreendemos sobre estrelas gigantescas em ebulição como Betelgeuse", diz o coautor Andrea Chiavassa, astrónomo do CNRS (Centre national de la recherche scientifique). "Como é que elas funcionam realmente? Como é que perdem massa? Que moléculas se podem formar nos seus fluxos? Porque é que Betelgeuse ficou subitamente menos brilhante? Estamos a trabalhar arduamente para tornar as nossas simulações computacionais cada vez melhores, mas precisamos realmente dos incríveis dados de telescópios como o ALMA".

// Instituto Max Planck de Astrofísica (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal Letters)
// Artigo científico (arXiv.org)

 


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16/08/2022 - Hubble vê supergigante vermelha Betelgeuse a recuperar lentamente após explodir o seu topo
18/06/2021 - Desvendado o mistério da diminuição de brilho de Betelgeuse
18/08/2020 - Hubble ajuda a resolver o mistério do escurecimento de Betelgeuse
03/03/2020 - Os últimos suspiros de uma estrela massiva
18/02/2020 - Telescópio do ESO observa a superfície de Betelgeuse a diminuir de brilho
23/12/2016 - Betelgeuse gira mais depressa do que o esperado; poderá ter engolido uma companheira há 100.000 anos atrás
25/01/2013 - Betelgeuse prepara-se para colisão

Betelgeuse:
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Supergigante vermelha:
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ALMA:
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ALMA (NRAO)
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  Missão Juno mede produção de oxigénio em Europa (via NASA)
Cientistas da missão Juno calcularam que a taxa de oxigénio produzido na lua joviana, Europa, é substancialmente inferior à da maioria dos estudos anteriores. Publicados na revista Nature Astronomy, os resultados foram obtidos através da medição da libertação de hidrogénio da superfície da lua gelada, utilizando dados recolhidos pelo instrumento JADE (Jovian Auroral Distributions Experiment). Ler fonte
     
  A espessura da camada de gelo revela a temperatura da água nos mundos oceânicos (via Universidade de Cornell)
Décadas antes de qualquer sonda mergulhar um "dedo do pé" - e um termómetro - nas águas de mundos oceânicos distantes, os astrobiólogos de Cornell conceberam uma nova forma de determinar as temperaturas dos oceanos com base na espessura das suas conchas de gelo, efetivamente realizando oceanografia a partir do espaço. Os dados disponíveis que mostram a variação da espessura do gelo já permitem uma previsão para o oceano superior de Encélado, uma lua de Saturno, e o estudo orbital planeado por uma missão da NASA da camada de gelo de Europa deverá fazer o mesmo para a lua joviana, muito maior, melhorando as conclusões da missão sobre a possibilidade desta suportar vida. Ler fonte
 
   

Álbum de fotografias
AM1054: As Estrelas Formam-se com a Colisão de Galáxias

(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASAESASTScI; Processamento - J. English (U. de Manitoba); Ciência - M. Rodruck (Universidade do Estado da Pensilvânia e Randolph-Macon C.et al.;
Texto - Jayanne English (U. de Manitoba)
 
Quando as galáxias colidem, quantas estrelas nascem? Para AM1054-325, aqui apresentada numa imagem recentemente divulgada pelo Telescópio Espacial Hubble, a resposta é milhões. Em vez de as estrelas serem destruídas quando a galáxia AM1054-325 e uma galáxia vizinha se orbitam uma à outra, a sua gravidade e movimento desencadearam a criação de estrelas. A formação estelar ocorre rapidamente nos detritos gasosos que se estendem do corpo amarelado de AM1054-325 devido à atração gravitacional da outra galáxia. O hidrogénio gasoso que rodeia as estrelas recém-nascidas brilha a rosa. Estrelas brilhantes recém-nascidas têm tons azulados e agrupam-se em berçários compactos de milhares a milhões de estrelas. AM1054-325 possui mais de 100 destes intensos enxames de estrelas azuis, semelhantes a pontos, alguns parecendo um colar de pérolas. A análise da luz ultravioleta ajudou a determinar que a maioria destas estrelas tem menos de 10 milhões de anos: bebés estelares. Muitos destes berçários podem vir a transformar-se em enxames globulares, enquanto o grupo de estrelas jovens na ponta inferior poderá até separar-se e formar uma pequena galáxia.
 
   
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