MANHÃS ASTRONÓMICAS EM FARO
O Centro Ciência Viva do Algarve, em conjunto com o Centro Ciência Viva de Tavira, irá realizar uma sessão de observação do Sol na seguinte data: Data: 28 de abril de 2025 Hora: 10:00 - 12:00 Local: Jardim Manuel Bívar, junto à marina
A realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas.
A sessão é gratuita e não sujeita a marcação.
Participe! Informações: 289 890 920 | info@ccvalg.pt
EFEMÉRIDES
DIA 25/04: 115.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1983 a sonda Pioneer 10 passava para lá da órbita de Plutão.
Em 1990, astronautas a bordo do vaívem espacial Discovery (STS-31) colocam o Telescópio Espacial Hubble em órbita. HOJE, NO COSMOS:
Esta é a altura do ano em que, ao anoitecer, a pequena Ursa Menor estende-se para a direita da Estrela Polar e um pouco para cima. Bem para cima da "frigideira" da Ursa Menor, encontrará a "frigideira" da Ursa Maior.
DIA 26/04: 116.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1803, milhares de fragmentos de meteoros caem sobre os céus de L'Aigle, França; o evento convence a ciência europeia da existência dos meteoros.
Em 1920 decorria o debate Shapley-Curtis sobre a natureza e distância das "nebulosas" espirais, na Academia Nacional de Ciências em Washington, D.C.. Shapley acreditava que a Via Láctea era todo o Universo, enquanto Curtis apoiava a teoria de um "universo-ilha".
Em 1933 nascia Arno Penzias, que ganhou o prémio Nobel pelo seu contributo na descoberta da radiação cósmica de fundo.
Em 1962, a sonda Ranger 4 da NASA colide com a Lua.
Em 1993, o vaivém espacial Columbia parte na sua missão STS-55 para realizar experiências a bordo do módulo Spacelab.
Em 1994, físicos anunciam a primeira evidência da partícula subatómicaT-quark. HOJE, NO COSMOS:
Assim que ficar noite procure, altas a oeste, as estrelas Pollux e Castor, as cabeças dos Gémeos, alinhadas quase horizontalmente (dependendo da latitude do observador). O planeta Marte encontra-se para a sua esquerda.
Pollux e Castor formam o topo do enorme Arco da Primavera. Para baixo e para a sua esquerda, aviste Procyon, o lado esquerdo do Arco. Mais longe, mas desta vez para a direita, está a outra ponta, formada por Menkalinan (Beta Aurigae) e depois a brilhante Capella. O Arco "afunda-se" a oeste ao longo da noite.
DIA 27/04: 117.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1999, passagem do asteroide 1989 ML pela Terra (0,2520 UA).
Em 2002, última telemetria bem sucedida da Pioneer 10.
Em 2013, o satélite Fermi avistou uma erupção de alta-energia na direção da constelação de Leão, com uma energia de pelo menos 94 GeV, cerca de 35 mil milhões de vezes a energia da luz visível, cerca de 3 vezes superior ao recorde anterior. HOJE, NO COSMOS:
Lua Nova, pelas 20:31.
Arcturo é a estrela mais brilhante a este por estas noites. Espiga brilha mais baixa e para a direita, a cerca de três punhos à distância do braço esticado. Para a direita de Espiga, a metade dessa distância, está a pequena constelação de Corvo.
DIA 28/04: 118.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1900, nascia Jan Oort, astrónomo holandês pioneiro no campo da radioastronomia, que quantificou as características da rotação da Via Láctea e propôs um vasto reservatório de cometas em redor do Sol que se estende até quase metade da distância às estrelas mais próximas.
A nuvem de Oort tem o seu nome.
Em 1903, M. Wolf descobre o asteroide Iolanda (509).
Em 1906, nascia Bart Bok, astrónomo americano, natural da Holanda, conhecido pelo seu trabalho na estrutura e evolução da Via Láctea e pela descoberta dos glóbulos de Bok.
Em 1913, G. Neujmin descobre o asteroide Faïna (751). J. Palisa descobre o asteroide Oskar (750).
Em 1916, M. Wolf descobre o asteroide Henrika (826).
Em 1924, J. Hartmann descobre o asteroide La Plata (1029).
Em 1928, nascia Eugene Shoemaker, geólogo americano e um dos fundadores da ciência planetária. É famoso pela sua descoberta do Cometa Shoemaker-Levy 9, juntamente com a sua esposa Carolyn Shoemaker e David Levy.
Em 1932, C. Jackson descobre o asteroide Zambesia (1242).
Em 2001, o milionário Dennis Tito torna-se no primeiro turista espacial. HOJE, NO COSMOS:
Vega, a Estrela de Verão e de magnitude zero, tal como Arcturo, brilha agora baixa a nordeste ao cair da noite... dependendo da latitude do observador. Quanto mais para norte estiver, mais alta Vega estará. Quanto mais para sul, mais terá de esperar para ela aparecer.
Lucy fotografa o asteroide Donaldjohanson
O asteroide Donaldjohanson visto pelo instrumento L'LORRI (Long-Range Reconnaissance Imager) da sonda Lucy. Esta é uma das imagens mais detalhadas obtidas pela nave espacial durante o seu "flyby". Foi obtida às 18:51 (hora portuguesa) de 20 de abril de 2025, perto da maior aproximação, a uma distância de aproximadamente 1100 km. A nave espacial passou a um mínimo de 960 km do asteroide, mas a imagem aqui mostrada foi capturada aproximadamente 40 segundos antes. A imagem foi processada para aumentar o contraste.
Crédito: NASA/Goddard/SwRI/APL de Johns Hopkins/NOIRLab
No seu segundo encontro com um asteroide, a sonda espacial Lucy da NASA conseguiu observar de perto um fragmento de um asteroide com um aspeto único, formado há cerca de 150 milhões de anos. A nave espacial começou a transmitir imagens que foram recolhidas quando passou a cerca de 960 km do asteroide Donaldjohanson no passado dia 20 de abril.
O asteroide foi anteriormente observado como tendo grandes variações de brilho ao longo de um período de 10 dias, pelo que algumas das expetativas dos membros da equipa da Lucy foram confirmadas quando as primeiras imagens mostraram o que parecia ser um binário de contacto alongado (um objeto formado quando dois corpos mais pequenos colidem). No entanto, a equipa ficou surpreendida com a forma estranha do pescoço estreito que liga os dois lóbulos, que se assemelha a dois cones de gelado aninhados.
"O asteroide Donaldjohanson tem uma geologia surpreendentemente complicada", diz Hal Levison, investigador principal da Lucy no SwRI (Southwest Research Institute), em Boulder, Colorado, EUA. "À medida que estudarmos as estruturas complexas em pormenor, elas revelarão informações importantes sobre os blocos de construção e os processos de colisão que formaram os planetas do nosso Sistema Solar".
A partir de uma análise preliminar das primeiras imagens disponíveis obtidas pelo instrumento L'LORRI da nave espacial, o asteroide parece ser maior do que o inicialmente estimado, com cerca de 8 km de comprimento e 3,5 km de largura no ponto mais largo. Neste primeiro conjunto de imagens de alta resolução transmitidas pela nave espacial, não é visível o asteroide por completo, uma vez que é maior do que o campo de visão da câmara. A equipa demorará mais alguns dias a receber os restantes dados do encontro; este conjunto de dados vai fornecer uma imagem mais completa da forma geral do asteroide.
O asteroide Donaldjohanson visto pelo instrumento L'LORRI (Long-Range Reconnaissance Imager) da sonda Lucy durante o seu "flyby". Este pequeno vídeo mostra imagens capturadas aproximadamente a cada 2 segundos, começando às 18:50 (hora portuguesa)de dia 20 de abril de 2025. O asteroide gira muito lentamente; a sua rotação aparente aqui deve-se ao movimento da nave espacial enquanto passa por Donaldjohanson a uma distância de 1600 a 1100 km. A maior aproximação foi 960 km, mas as imagens aqui mostradas foram obtidas cerca de 40 segundos antes, as mais próximas a uma distância de 1100 km.
Crédito: NASA/Goddard/SwRI/APL de Johns Hopkins
Tal como o primeiro "flyby" da Lucy, por Dinkinesh, Donaldjohanson não é um alvo científico primário da missão. Como planeado, a passagem por Dinkinesh foi um teste dos sistemas da missão, enquanto que este "flyby" foi um ensaio geral, no qual a equipa realizou uma série de observações densas para maximizar a recolha de dados. Os dados recolhidos pelos outros instrumentos científicos da Lucy, a câmara a cores e o espetrómetro infravermelho, de nome L'Ralph, e o espetrómetro térmico, chamado L'TES (Thermal Emission Spectrometer), serão recebidos e analisados nas próximas semanas.
A sonda Lucy passará a maior parte do que resta de 2025 a viajar pela cintura principal de asteroides. Irá encontrar o primeiro alvo principal da missão, o asteroide troiano de Júpiter Euríbates, em agosto de 2027.
"Estas primeiras imagens de Donaldjohanson mostram mais uma vez as enormes capacidades da nave espacial Lucy como motor de descoberta", disse Tom Statler, cientista do programa da missão Lucy na sede da NASA em Washington. "O potencial para realmente abrir uma nova janela para a história do nosso Sistema Solar quando a Lucy chegar aos asteroides troianos é imenso".
Astrónomos descobrem um exoplaneta que se está a desintegrar rapidamente, produzindo uma cauda semelhante à de um cometa
Um planeta em desintegração orbita uma estrela gigante. "A dimensão da cauda é gigantesca, estendendo-se a mais de 14 milhões de quilómetros", diz Marc Hon, pós-doutorado no Instituto Kavli de Astrofísica e Investigação Espacial do MIT.
Crédito: Jose-Luis Olivares, MIT
Astrónomos do MIT (Massachusetts Institute of Technology) descobriram um planeta a cerca de 140 anos-luz da Terra que está a desfazer-se rapidamente em pedaços.
O mundo em desintegração tem aproximadamente a massa de Mercúrio, embora orbite cerca de 20 vezes mais perto da sua estrela do que Mercúrio do Sol, completando uma revolução a cada 30,5 horas. A uma tal proximidade da sua estrela, o planeta está provavelmente coberto de magma que é perdido para o espaço. À medida que o planeta gira em torno da sua estrela, está a libertar uma enorme quantidade de minerais da superfície e efetivamente a evaporar-se.
Os astrónomos detetaram o planeta usando o TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA, uma missão liderada pelo MIT que monitoriza as estrelas mais próximas em busca de trânsitos, ou quedas periódicas no brilho estelar que podem ser sinais de exoplanetas em órbita. O sinal que chamou a atenção dos astrónomos foi um trânsito peculiar, com um mergulho que variava em profundidade em cada órbita.
Os cientistas confirmaram que o sinal é de um planeta rochoso em órbita íntima que é seguido por uma longa cauda de detritos, semelhante à de um cometa.
"A dimensão da cauda é gigantesca, estendendo-se a mais de 14 milhões de quilómetros, ou seja, cerca de metade da órbita completa do planeta", diz Marc Hon, pós-doutorado no Instituto Kavli de Astrofísica e Investigação Espacial do MIT.
Parece que o planeta se está a desintegrar a um ritmo dramático, libertando uma quantidade de material equivalente a um Monte Evereste de cada vez que orbita a sua estrela. A este ritmo, dada a sua pequena massa, os investigadores preveem que o planeta se possa desintegrar completamente daqui a cerca de 1 milhão a 2 milhões de anos.
"Tivemos a sorte de o avistar exatamente quando está realmente a desaparecer", diz Avi Shporer, um colaborador da descoberta que também pertence ao gabinete científico do TESS. "É como se estivesse no seu último suspiro".
A "assar"
O novo exoplaneta, que os cientistas rotularam de BD+05 4868 Ab, foi detetado quase por acaso.
"Não estávamos à procura deste tipo de planeta", diz Hon. "Estávamos a fazer a típica verificação de planetas e, por acaso, detetei este sinal que parecia muito invulgar".
O sinal típico de um exoplaneta em órbita parece uma breve queda numa curva de luz, que se repete regularmente, indicando que um corpo compacto, como um planeta, está a passar brevemente à frente da luz da sua estrela hospedeira, bloqueando-a temporariamente.
Este padrão típico é diferente do que Hon e colegas detetaram na estrela hospedeira BD+05 4868 A, localizada na constelação de Pégaso. Embora aparecesse um trânsito a cada 30,5 horas, o brilho demorava muito mais tempo a voltar ao normal, sugerindo uma longa estrutura que continuava a bloquear a luz estelar. Ainda mais intrigante é o facto da profundidade da queda mudar a cada órbita, sugerindo que o que quer que estivesse a passar à frente da estrela não tinha sempre a mesma forma nem bloqueava a mesma quantidade de luz.
"A forma do trânsito é típica de um cometa com uma cauda longa", explica Hon. "Exceto que é improvável que esta cauda contenha gases voláteis e gelo, como se espera de um cometa real - estes não sobreviveriam muito tempo a uma proximidade tão grande da estrela hospedeira. No entanto, os minerais evaporados da superfície planetária podem permanecer o tempo suficiente para apresentar uma cauda tão distinta".
Dada a proximidade à sua estrela, a equipa estima que o planeta esteja a "assar" a cerca de 1600º C. À medida que a estrela "assa" o planeta, quaisquer minerais na sua superfície estão provavelmente a ferver e a escapar para o espaço, onde arrefecem numa longa e poeirenta cauda.
O dramático declínio deste planeta é uma consequência da sua baixa massa, que está entre a de Mercúrio e a da Lua. Planetas terrestres mais massivos, como a Terra, têm uma atração gravitacional mais forte e, por isso, conseguem manter as suas atmosferas. No caso de BD+05 4868 Ab, os investigadores suspeitam que há muito pouca gravidade para manter o planeta unido.
"Este é um objeto muito pequeno, com uma gravidade muito fraca, por isso perde facilmente muita massa, o que enfraquece ainda mais a sua gravidade, perdendo ainda mais massa", explica Shporer. "É um processo descontrolado e só está a piorar cada vez mais para o planeta".
Rasto mineral
Dos quase 6000 exoplanetas que os astrónomos descobriram até agora, os cientistas conhecem apenas três outros em desintegração para lá do nosso Sistema Solar. Cada um destes mundos em ruínas foi detetado há mais de 10 anos, utilizando dados do Telescópio Espacial Kepler da NASA. Todos os três exoplanetas foram detetados com caudas semelhantes a cometas. BD+05 4868 Ab tem a cauda mais longa e os trânsitos mais profundos dos quatro planetas em desintegração conhecidos até à data.
"Isso implica que a sua evaporação é a mais catastrófica e que vai desaparecer muito mais depressa do que os outros planetas", explica Hon.
A estrela que acolhe o planeta está relativamente perto e, por isso, é mais brilhante do que as estrelas que hospedam os outros três exoplanetas em desintegração, o que torna este sistema ideal para observações posteriores com o Telescópio Espacial James Webb da NASA, que pode ajudar a determinar a composição mineral da cauda de poeira, identificando as cores de luz infravermelha que absorve.
Este verão, Hon e o estudante Nicholas Tusay, da Universidade do Estado da Pensilvânia, EUA, vão liderar as observações de BD+05 4868 Ab usando o Webb. "Esta será uma oportunidade única para medir diretamente a composição interior de um planeta rochoso, o que nos poderá dizer muito sobre a diversidade e potencial habitabilidade de planetas terrestres para lá do nosso Sistema Solar", diz Hon.
Os investigadores também vão procurar nos dados do TESS sinais de outros mundos em desintegração.
"Por vezes, com a comida vem o apetite, e estamos agora a tentar iniciar a procura exatamente deste tipo de objetos", diz Shporer. "São objetos estranhos, e a forma do sinal muda com o tempo, o que é algo difícil de encontrar. Mas é algo em que estamos a trabalhar ativamente".
Estas são uma combinação de imagens de Marte tiradas pelo Telescópio Espacial Hubble de 28 a 30 de dezembro de 2024. No ponto médio das observações, Marte estava a aproximadamente 98 milhões de quilómetros da Terra. As nuvens finas de água gelada que são aparentes na luz ultravioleta dão ao "Planeta Vermelho" uma aparência gelada. A calote polar norte estava a experienciar o início da primavera marciana.
Crédito: NASA, ESA, STScI
Para comemorar os 35 anos do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA em órbita da Terra, foram divulgadas várias imagens recentemente captadas pelo Hubble. Estas vão desde o planeta Marte a imagens do nascimento e morte de estrelas e de uma magnífica galáxia vizinha. Após mais de três décadas a analisar o nosso Universo, o Hubble continua a ser o telescópio mais conhecido da história da ciência.
Os astrónomos sabiam que colocar um telescópio acima da atmosfera turva da Terra lhes permitiria ver o Universo como nunca antes. A visão do Hubble seria dez vezes mais nítida do que a dos telescópios terrestres convencionais da altura. A sua elevada sensibilidade permitiria descobrir objetos extremamente mais fracos do que as estrelas mais ténues vistas pelo olho humano. Não filtrada pela atmosfera terrestre, a sua ampla cobertura de comprimentos de onda estender-se-ia desde o ultravioleta até ao infravermelho próximo. Gloriosas maravilhas celestes tornar-se-iam visíveis. Além disso, o Hubble seria um audacioso salto em frente na imaginação humana, nas capacidades de engenharia e na curiosidade sem limites.
Antes do Hubble, nenhuma geração tinha tido acesso a vistas inimaginavelmente vibrantes do espaço, que se estendiam quase até ao início dos tempos. Durante a maior parte da história, a complexidade e a extensão do vasto cosmos foram deixadas em grande parte à imaginação humana. Mas o Hubble entrou no sprint final da corrida até ao limite do Universo visível. No início da década de 1920, o homónimo do telescópio, o astrónomo Edwin Hubble, começou esta maratona com a descoberta de galáxias fora da nossa Via Láctea.
Atualmente, o Hubble está no auge do seu retorno científico graças à dedicação, perseverança e competências de engenheiros, cientistas e operadores da missão. As tripulações dos vaivéns espaciais perseguiram e encontraram-se com o Hubble em cinco missões de manutenção, de 1993 a 2009. Os astronautas atualizaram as câmaras, os computadores e outros sistemas de apoio do Hubble.
Nebulosa planetária NGC 2899: Este objeto tem um fluxo de gás diagonal, bipolar e cilíndrico. Este é impulsionado pela radiação e pelos ventos estelares de uma anã branca no centro, com uma temperatura de cerca de 22.000 graus Celsius. De facto, pode haver duas estrelas companheiras que estão a interagir e a esculpir a nebulosa, que é "apertada" no meio por um anel ou toro fragmentado - parecendo um donut meio comido. Tem uma floresta de "pilares" gasosos que apontam para a fonte de radiação e ventos estelares. As cores provêm do hidrogénio e do oxigénio incandescentes. A nebulosa encontra-se a cerca de 4500 anos-luz de distância, na constelação austral de Vela.
Crédito: NASA, ESA, STScI
Ao prolongar a vida operacional do Hubble, o telescópio fez cerca de 1,7 milhões de observações, olhando para aproximadamente 55.000 alvos astronómicos. As descobertas do Hubble deram origem a mais de 22.000 artigos científicos e a mais de 1,3 milhões de citações até fevereiro de 2025. Todos os dados recolhidos pelo Hubble estão arquivados e totalizam atualmente mais de 400 terabytes. A procura por tempo de observação continua a ser muito elevada, com um excesso de subscrições de 6:1, o que faz dele um dos observatórios mais procurados atualmente.
A longa vida operacional do Hubble permitiu aos astrónomos observar mudanças astronómicas que abrangem mais de três décadas: a variabilidade sazonal nos planetas do nosso Sistema Solar, jatos de buracos negros que viajam quase à velocidade da luz, convulsões estelares, colisões de asteroides, bolhas de supernovas em expansão e muito mais.
Um legado duradouro
O legado do Hubble é a ponte entre o nosso conhecimento passado e futuro de um Universo que é incrivelmente glorioso, bem como turbulento - com galáxias em colisão, buracos negros vorazes e implacáveis fogos de artifício estelares. O Hubble, mais do que qualquer outro telescópio, vê o Universo através dos olhos de Einstein: microlentes, a dilatação do tempo, a constante cosmológica, matéria que desaparece num buraco negro e uma fonte de ondas gravitacionais.
Antes de 1990, os potentes telescópios óticos da Terra só conseguiam ver até metade do cosmos. As estimativas da idade do Universo eram muito divergentes. Suspeitava-se apenas que os buracos negros supermassivos fossem as potências por detrás de um raro "zoo" de fenómenos energéticos. Não se tinha visto um único planeta à volta de outra estrela.
Entre a sua longa lista de descobertas: os campos profundos do Hubble revelaram uma miríade de galáxias que remontam ao início do Universo; a medição precisa da expansão do Universo; descobriu que os buracos negros supermassivos são comuns entre as galáxias; fez as primeiras medições das atmosferas de exoplanetas; contribuiu para a descoberta da "energia escura", que está a acelerar o Universo.
Nebulosa Roseta: Esta é uma fotografia do Telescópio Espacial Hubble de uma pequena porção da Nebulosa Roseta, uma enorme região de formação estelar com 100 anos-luz de diâmetro e localizada a 5200 anos-luz de distância. O Hubble faz zoom numa pequena porção da nebulosa que tem apenas quatro anos-luz de diâmetro (a distância aproximada entre o nosso Sol e o vizinho sistema estelar Alpha Centauri). Nuvens escuras de hidrogénio gasoso misturado com poeira estão em silhueta na imagem. As nuvens estão a ser corroídas e moldadas pela intensa radiação do enxame de estrelas no centro da nebulosa (NGC 2440). Uma estrela incrustada, vista na ponta de uma nuvem escura na parte superior direita da imagem, está a lançar jatos de plasma que embatem na nuvem fria que a rodeia. A onda de choque resultante está a causar um brilho vermelho. As cores provêm da presença de hidrogénio, oxigénio e azoto. Ver aqui a imagem no contexto mais abrangente da Nebulosa Roseta.
Crédito: NASA, ESA, STScI
Após mais de três décadas, o Hubble continua a ser o instrumento científico mais reconhecido e celebrado da história da humanidade. As descobertas e imagens do Hubble foram nada menos do que transformadoras para a perceção que o público tem do cosmos. Ao contrário de qualquer outro telescópio anterior, o Hubble tornou a astronomia muito relevante, cativante e acessível a pessoas de todas as idades. O Hubble tornou-se "o telescópio do povo", tocando as mentes e as emoções de centenas de milhões de pessoas em todo o mundo.
Uma única fotografia do Hubble pode mostrar o Universo como espantoso, misterioso e belo - e, ao mesmo tempo, caótico, avassalador e ameaçador. Estas imagens tornaram-se icónicas, seminais e intemporais. Comunicam visceralmente o valor da ciência: a admiração e a vontade de procurar compreender o nosso lugar no cosmos. Em comemoração, a NASA e a ESA divulgaram imagens de alvos astronómicos que foram selecionados para a celebração, desde planetas a nebulosas e galáxias.
O ritmo incessante das descobertas pioneiras do Hubble deu início a uma nova geração de telescópios espaciais para o século XXI. O poderoso Telescópio Espacial James Webb poderia não ter sido construído sem o Hubble, que revelou um "país por descobrir" de galáxias longínquas e aparentemente incontáveis. O Hubble forneceu as primeiras evidências observacionais de que havia muito para o Webb investigar em comprimentos de onda infravermelhos que alcançam distâncias ainda maiores para além do olhar do Hubble. Atualmente, o Hubble e o Webb são frequentemente utilizados em complemento para estudar tudo, desde exoplanetas à dinâmica de galáxias.
Galáxia espiral barrada NGC 5335: Este objeto é classificado como uma galáxia espiral floculante, com manchas irregulares de formação estelar ao longo do seu disco. Há uma falta notável de braços espirais bem definidos que são normalmente encontrados entre as galáxias, incluindo a nossa Via Láctea. Uma notável estrutura em forma de barra atravessa o centro da galáxia. A barra canaliza o gás para dentro em direção ao centro galáctico, alimentando a formação de estrelas. Estas barras são dinâmicas nas galáxias e podem aparecer e desaparecer em intervalos de dois mil milhões de anos. Aparecem em cerca de 30 por cento das galáxias observadas, incluindo a nossa Via Láctea.
Crédito: NASA, ESA, STScI
A ciência e as descobertas do Hubble nos últimos anos
Mesmo com a impressionante idade de 35 anos, não se registou qualquer abrandamento na investigação e nas novas descobertas feitas com o Hubble - antes pelo contrário. Os astrónomos europeus utilizam intensamente o telescópio, com a quota de tempo de observação atribuída a programas liderados pela Europa a ser consistentemente superior aos 15% garantidos pela participação da ESA na missão Hubble, graças às suas muitas propostas com forte mérito científico.
Isto conduziu diretamente a descobertas, incluindo evidências de um buraco negro de massa intermédia em Omega Centauri, um precursor dos primeiros buracos negros supermassivos, uma explosão bizarra de luz extraordinariamente brilhante com origem longe de qualquer galáxia hospedeira, a queima de hidrogénio em estrelas anãs brancas e a ausência de estrelas da População III tão longe no tempo quanto o Hubble pode ver. Um destaque particular, e uma demonstração das incríveis capacidades do Hubble, foi a descoberta em 2022 de Earendel. A estrela mais distante alguma vez observada, Earendel é vista 12,9 mil milhões de anos no passado, quando o Universo tinha menos de mil milhões de anos.
Beneficiando da longa vida operacional do Hubble, o programa OPAL celebrou uma década de estudo dos planetas exteriores do Sistema Solar. Descobertas como a evidência de vapor de água nas luas de Júpiter, Europa e Ganimedes, "raios anelares" nos anéis de Saturno, o tamanho da Grande Mancha Vermelha de Júpiter e as cores de Úrano e Neptuno são apenas alguns dos resultados. Os corpos mais pequenos do Sistema Solar também foram alvo da atenção do Hubble - nomeadamente o asteroide Dimorphos, alvo do teste de redireccionamento de asteroides DART. O Hubble captou imagens de Dimorphos antes e depois do impacto, juntamente com o Webb, produzindo mais tarde um filme dos detritos e detetando as rochas ejetadas. Um projeto de ciência cidadã também descobriu milhares de rastos de asteroides em mais de duas décadas de imagens arquivadas do Hubble.
Para além do Sistema Solar, o Hubble provou a sua importância contínua no campo de investigação em rápido crescimento dos exoplanetas. Estudou os padrões climáticos na atmosfera de um exoplaneta, observou a formação de uma nova atmosfera em torno de um exoplaneta rochoso semelhante à Terra e encontrou um pequeno exoplaneta com vapor de água na sua atmosfera. Em 2021, foi também concluída uma compilação de galáxias hospedeiras de supernovas a partir de 18 anos de estudo, imagens que foram utilizadas para medir a constante de Hubble com a maior precisão de sempre. Também este ano foi o culminar do maior fotomosaico de sempre da Galáxia de Andrómeda, criado a partir de dez anos de observações do Hubble da nossa vizinha próxima.
Evidências de uma galáxia anã, desprovida de matéria escura, desafiam modelos convencionais de formação galáctica (via Observatório Keck)
Os astrónomos que utilizam o Observatório W. M. Keck, em Maunakea, na ilha do Hawaii, encontraram evidências convincentes da existência de uma galáxia anã deficiente em matéria escura, FCC 224. Esta galáxia ultradifusa está localizada na periferia do Enxame Fornax, a cerca de 60-65 milhões de anos-luz da Terra. A descoberta desafia o paradigma cosmológico tradicional, que assume que a matéria escura é um componente fundamental na formação das galáxias. Anteriormente, galáxias deficientes em matéria escura, sem qualquer formação estelar em curso, só tinham sido reivindicadas num outro local, o grupo NGC 1052, e as novas observações sugerem que tais objetos podem estar mais espalhados do que se pensava. Ler fonte
Álbum de fotografias Webb Espia Espiral Através de Lente Cósmica
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