NOITES ASTRONÓMICAS EM TAVIRA
Observação da Lua na Ponte Romana em Tavira. Ação em parceria com o Centro Ciência Viva do Algarve. Data: 6 de junho de 2025 Hora: 20:00:00 - 22:00 Local: Ponte Romana em Tavira Coordenadas GPS: 37.12535, -7.646739
A atividade é gratuita e a sua realização está dependente das condições atmosféricas. Informações: 281 326 231
924 452 528 | geral@cvtavira.pt
MANHÃS ASTRONÓMICAS EM FARO
O Centro Ciência Viva do Algarve, em conjunto com o Centro Ciência Viva de Tavira, irá realizar uma sessão de observação do Sol. Data: 20 de junho de 2025 Hora: 10:00 - 12:00 Local: Jardim Manuel Bívar, junto à marina
A realização desta atividade está dependente das condições atmosféricas.
A sessão é gratuita e não sujeita a marcação.
Participe! Informações: 289 890 920 | info@ccvalg.pt
EFEMÉRIDES
DIA 06/06: 157.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1580, nascia Godefroy Wendelin, astrónomo da Flandres (norte da Bélgica), que mediu a distância entre a Terra e o Sol usando o método de Aristarco de Samos (que resultou em 60% do valor verdadeiro) e que reconheceu que a terceira lei de Kepler também se aplicava aos satélites de Júpiter.
Em 1966, aterragem da Gemini 9.
Em 1971 era lançada a Soyuz 11, a primeira e única missão tripulada que acoplou com a primeira estação espacial, a Salyut 1.
A missão acabou em desastre a 30 de junho, quando a cápsula ficou despressurizada durante a reentrada, matando os cosmonautas a bordo.
Em 1983, lançamento da Venera 16, com destino Vénus.
Em 2002, um asteroide próximo da Terra, com um diâmetro estimado em 10 metros, explode sob o Mar Mediterrâneo entre a Grécia e a Líbia.
Em 2024, lançamento do teste IFT-4 do foguetão Starship da SpaceX. HOJE, NO COSMOS:
Após o cair da noite, Vega é a estrela mais brilhante a este. Apenas um pouco para baixo e para a sua esquerda está Epsilon Lyrae, de quarta magnitude, o Duplo Duplo. Epsilon forma um canto de um triângulo mais ou menos equilátero com Vega e Zeta Lyrae. O triângulo tem menos de 2º de lado, quase a largura de um polegar à distância do braço esticado.
Uns binóculos resolvem Epsilon facilmente. E um telescópio de quatro polegadas com 120x de ampliação ou mais deverá resolver cada dos dois componentes de Epsilon num par íntimo.
Zeta Lyrae é também um binário binocular, mas mais difícil.
Delta Lyrae, por baixo de Zeta, é um par mais largo e fácil, dourado e azul.
DIA 07/06: 158.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1992, era lançado o EUVE (Extreme Ultraviolet Explorer). HOJE, NO COSMOS:
A "frigideira" da Ursa Maior está alta a noroeste ao anoitecer. As Estrelas Guia, atualmente as duas estrelas mais baixas do asterismo, apontam para baixo e para a direita até à Estrela Polar. Por cima da Polar, de aspeto muito idêntico, está Kochab, a ponta da "pega" da pequena "frigideira" de Ursa Menor. Kochab passa exatamente por cima da Estrela Polar por volta das 23:00-23:30, dependendo de quão para este ou oeste vive no seu fuso horário. Verifique a hora comparando com uma linha vertical, como por exemplo o lado de um prédio.
DIA 08/06: 159.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1625 nascia Giovanni Cassini.
Cassini foi um italiano que esteve à frente do Observatório de Paris durante muitos anos, o primeiro a observar as mudanças de estação em Marte e a medir a paralaxe (ou distância) do planeta, estabelecendo pela primeira vez a escala do Sistema Solar. Foi o primeiro a descrever as bandas e manchas de Júpiter e estudou as órbitas dos satélites jovianos. Descobriu quatro luas de Saturno, mas é mais conhecido por ter sido o primeiro a observar a divisão (agora com o seu nome) entre os anéis A e B de Saturno.
Em 1975, era lançada a Venera 9 (USSR). Alcançou Vénus a 22 de outubro de 1975. Foi a primeira sonda a transmitir imagens da superfície do planeta.
Em 2004 teve lugar o último trânsito de Vénus pelo Sol visível de Portugal, um evento que já não acontecia há mais de 120 anos. HOJE, NO COSMOS:
A Lua, quase Cheia, brilha para cima e para a direita de Antares. Com o avançar da noite, a cena fica mais alta e inclina-se para a direita, na direção sul.
DIA 09/06: 160.º DIA DO CALENDÁRIO GREGORIANO
NESTE DIA ACONTECEU...
Em 1812 nascia Johann Gottfried Galle, astrónomo alemão, que foi o primeiro a observar Neptuno sabendo do que se tratava.
Galle é também conhecido por ter sido assistente de Encke e foi um dos poucos astrónomos a observar o cometa Halley duas vezes - morrendo dois meses depois do cometa ter passado o periélio em 1910. HOJE, NO COSMOS:
Estamos quase no verão. Mas à medida que anoitece, procure Capella baixa a norte-noroeste. Quanto mais para norte o observador estiver, menos baixa aparecerá. Poderá precisar de recorrer a binóculos.
Hubble e Gaia revisitam o destino da nossa Galáxia
Esta seleção de imagens ilustra três cenários de encontro entre a nossa Via Láctea e a vizinha Galáxia de Andrómeda. No painel superior esquerdo, uma imagem DSS (Digitized Sky Survey ) de campo amplo mostrando as galáxias M81 e M82 serve como exemplo da Via Láctea e Andrómeda passando uma pela outra a grandes distâncias. O painel superior direito mostra NGC 6786, um par de galáxias em interação que exibe os sinais reveladores de perturbações de maré após um encontro próximo. O painel inferior mostra NGC 520, duas galáxias em fusão ativa.
Crédito: NASA, ESA, STScI, Till Sawala (Universidade de Helsínquia), DSS, J. DePasquale (STScI)
Os astrónomos utilizaram mais de uma década de dados do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA para reexaminar a previsão de longa data de que a Via Láctea irá colidir com a Galáxia de Andrómeda daqui a cerca de 4,5 mil milhões de anos. Descobriram que, com base nos últimos dados observacionais do Hubble e do Gaia, há apenas 50% de hipóteses de as duas galáxias colidirem nos próximos 10 mil milhões de anos.
O estudo concluiu também que a presença da Grande Nuvem de Magalhães pode afetar a trajetória da Via Láctea e tornar a colisão menos provável. Os investigadores sublinham que a previsão do futuro a longo prazo das interações entre galáxias é altamente incerta, mas as novas descobertas desafiam o consenso anterior e sugerem que o destino da Via Láctea continua a ser uma questão em aberto.
Já em 1912, os astrónomos tinham percebido que a Galáxia de Andrómeda - que na altura se pensava ser apenas uma nebulosa - vinha na nossa direção. Um século mais tarde, os astrónomos que utilizavam o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA conseguiram medir o movimento lateral de Andrómeda e descobriram que era tão insignificante que uma eventual colisão frontal com a Via Láctea parecia quase certa.
Uma colisão entre a nossa Galáxia e Andrómeda desencadearia uma tempestade de nascimento estelar, de supernovas e talvez colocasse o nosso Sol numa órbita diferente. As simulações sugeriam que era inevitável.
No entanto, um novo estudo que recorreu a dados do Hubble e do satélite Gaia da ESA sugere que este pode não ser necessariamente o caso. Os investigadores, combinando observações das duas missões espaciais, reexaminaram a previsão de longa data de uma colisão entre a Via Láctea e Andrómeda e descobriram que é muito menos inevitável do que os astrónomos suspeitavam anteriormente.
"Temos hoje o estudo mais compreensivo deste problema, que integra todas as incertezas observacionais", afirmou Till Sawala, astrónomo da Universidade de Helsínquia, na Finlândia, e principal autor do estudo, publicado na revista Nature Astronomy.
A sua equipa inclui investigadores da Universidade de Durham, no Reino Unido, da Universidade de Toulouse, França, e da Universidade da Austrália Ocidental. Eles concluíram que existe uma probabilidade aproximada de 50-50 de as duas galáxias colidirem nos próximos 10 mil milhões de anos. Basearam esta conclusão em simulações computorizadas utilizando os mais recentes dados de observação.
Till sublinhou que a previsão do futuro a longo prazo das interações entre galáxias é altamente incerta, mas as novas descobertas desafiam o consenso anterior e sugerem que o destino da Via Láctea continua a ser uma questão em aberto.
"Mesmo utilizando os dados observacionais mais recentes e precisos disponíveis, o futuro das várias dezenas de galáxias que compõem o Grupo Local é incerto. Curiosamente, encontramos uma probabilidade quase igual para o cenário de fusão amplamente divulgado, ou, inversamente, um cenário alternativo em que a Via Láctea e Andrómeda sobrevivem incólumes", disse Till.
A colisão das duas galáxias parecia muito mais provável em 2012, quando os astrónomos Roeland van der Marel e Tony Sohn, do STScI (Space Telescope Science Institute), em Baltimore, no estado norte-americano de Maryland, publicaram uma análise detalhada das observações do Hubble ao longo de um período de cinco a sete anos, indicando um impacto direto num período não superior a 5 mil milhões de anos.
"É um pouco irónico que, apesar da adição de dados mais precisos do Hubble obtidos nos últimos anos, tenhamos agora menos certezas sobre o resultado de uma potencial colisão. Isso deve-se à análise mais complexa e ao facto de considerarmos um sistema mais completo. Mas a única maneira de chegar a uma nova previsão do destino final da Via Láctea será com dados ainda melhores", disse Till.
Os astrónomos consideraram 22 variáveis diferentes que poderiam afetar a potencial colisão entre a nossa Galáxia e a nossa vizinha, e fizeram 100.000 simulações, utilizando o método de Monte Carlo, que se estendem até 10 mil milhões de anos no futuro.
"Como há tantas variáveis, cada uma com os seus erros, isso acumula uma incerteza bastante grande no resultado, levando à conclusão de que a probabilidade de uma colisão direta é de apenas 50% nos próximos 10 mil milhões de anos", disse Till.
Ele continua: "A Via Láctea e Andrómeda permaneceriam no mesmo plano enquanto se orbitam uma à outra, mas isso não significa que tenham de colidir. Podem continuar a passar uma pela outra".
Os investigadores também consideraram os efeitos das órbitas da grande galáxia satélite de Andrómeda, M33, e da galáxia satélite da Via Láctea chamada Grande Nuvem de Magalhães (GNM).
"A massa extra da galáxia satélite de Andrómeda, M33, puxa a Via Láctea um pouco mais na sua direção. No entanto, também mostrámos que a GNM puxa a Via Láctea para fora do plano orbital e para longe de Andrómeda. Isto não significa que a GNM nos vai salvar dessa fusão, mas torna-a um pouco menos provável", disse Till.
Em cerca de metade das simulações, as duas galáxias principais passam uma pela outra separadas por cerca de meio milhão de anos-luz ou menos (cinco vezes o diâmetro da Via Láctea). Movem-se para longe, mas depois voltam e acabam por se fundir num futuro distante. O decaimento gradual da órbita é causado por um processo chamado fricção dinâmica entre os vastos halos de matéria escura que rodeiam cada galáxia ao início.
Na maioria dos outros casos, as galáxias nem sequer se aproximam o suficiente para que a fricção dinâmica funcione eficazmente. Neste caso, as duas galáxias podem continuar a sua valsa orbital durante muito tempo.
O novo resultado deixa ainda uma pequena hipótese, de cerca de 2%, de uma colisão frontal entre as galáxias dentro de apenas 4 a 5 mil milhões de anos. Tendo em conta que o envelhecer do Sol tornará a Terra inabitável daqui a cerca de mil milhões de anos e que a nossa estrela se extinguirá provavelmente daqui a 5 mil milhões de anos, uma colisão com Andrómeda é a menor das nossas preocupações cósmicas.
Planeta gigante em órbita de estrela minúscula põe em causa teorias de formação planetária
Impressão artística do exoplaneta TOI-6894 b, um gigante gasoso de baixa densidade em órbita da estrela TOI-6894 - a estrela de menor massa a ter um planeta gigante em trânsito.
Crédito: Universidade de Warwick/Mark Garlick
Astrónomos da Universidade de Warwick e da UCL (University College London) descobriram a mais pequena estrela conhecida a albergar um planeta gigante em trânsito que, de acordo com as principais teorias de formação planetária, não deveria existir.
O planeta inesperado
A estrela TOI-6894 é como muitas outras na nossa Galáxia, uma pequena anã vermelha com apenas aproximadamente 20% da massa do nosso Sol. Como muitas estrelas pequenas, não se espera que forneça condições adequadas para formar e hospedar um planeta grande.
No entanto, tal como publicado na revista Nature Astronomy, uma colaboração global de astrónomos, incluindo parceiros no Chile, EUA e Europa, encontrou a assinatura inconfundível de um planeta gigante, chamado TOI-6894 b, em órbita desta pequena estrela.
Este sistema foi descoberto como parte de uma investigação em grande escala de dados do TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite), à procura de planetas gigantes em torno de estrelas de baixa massa, liderada pelo Dr. Edward Bryant, que completou este trabalho na Universidade de Warwick e no MSSL (Mullard Space Science Laboratory) da UCL.
O Dr. Edward Bryant, primeiro autor do artigo científico, afirmou: "Fiquei muito entusiasmado com esta descoberta. Inicialmente, procurei planetas gigantes nas observações TESS de mais de 91.000 estrelas anãs vermelhas de baixa massa.
"Depois, utilizando observações efetuadas com um dos maiores telescópios do mundo, o VLT do ESO, descobri TOI-6894 b, um planeta gigante que transita a estrela de menor massa conhecida, até à data, a acolher um planeta deste tipo. Não esperávamos que planetas como TOI-6894 b se pudessem formar em torno de estrelas de massa tão pequena. Esta descoberta será uma pedra angular para compreender os extremos da formação de planetas gigantes".
O planeta TOI-6894 b é um gigante gasoso de baixa densidade com um raio um pouco maior que o de Saturno, mas com apenas mais ou menos 50% da sua massa. TOI-6894 é, até à data, a estrela de menor massa a ter um planeta gigante em trânsito e tem apenas 60% do tamanho da seguinte estrela mais pequena a albergar um planeta deste tipo.
O Dr. Daniel Bayliss, professor associado da Universidade de Warwick, afirmou: "A maioria das estrelas na nossa Galáxia são estrelas pequenas exatamente como esta, com massas baixas e que anteriormente se pensava não poderem albergar planetas gigantes gasosos. Assim, o facto desta estrela hospedar um planeta gigante tem grandes implicações para o número total de planetas gigantes que estimamos existirem na nossa Galáxia".
Um desafio à teoria dominante
O Dr. Vincent Van Eylen, do MSSL da UCL, afirmou: "É uma descoberta intrigante. Não sabemos como é que uma estrela com tão pouca massa pode formar um planeta tão grande! Este é um dos objetivos da procura por mais exoplanetas. Ao encontrar sistemas planetários diferentes do nosso Sistema Solar, podemos testar os nossos modelos e compreender melhor como o nosso próprio Sistema Solar se formou".
A teoria mais aceite da formação de planetas é a chamada teoria da acreção do núcleo. Um núcleo planetário forma-se primeiro por acreção (acumulação gradual de material) e, à medida que o núcleo se torna mais massivo, eventualmente atrai gases que formam uma atmosfera. Depois, torna-se suficientemente massivo para entrar num processo descontrolado de acreção de gás e num gigante gasoso.
Nesta teoria, a formação de gigantes gasosos é mais difícil em torno de estrelas de baixa massa porque a quantidade de gás e poeira num disco protoplanetário em torno da estrela (a matéria-prima para a formação de planetas) é demasiado limitada para permitir a formação de um núcleo suficientemente massivo e da ocorrência do processo de acreção descontrolada.
No entanto, a existência de TOI-6894 b (um planeta gigante em órbita de uma estrela de massa extremamente baixa) sugere que este modelo pode não ser completamente exato e que são necessárias teorias alternativas.
O Dr. Edward Bryant acrescentou: "Dada a massa do planeta, TOI-6894 b pode ter sido formado através de um processo intermédio de acreção do núcleo, no qual um protoplaneta se forma e acreta gás de forma constante sem que o núcleo se torne suficientemente massivo para uma acreção descontrolada de gás.
"Em alternativa, pode ter sido formado devido a um disco gravitacionalmente instável. Em alguns casos, o disco que rodeia a estrela torna-se instável devido à força gravitacional que exerce sobre si próprio. Estes discos podem então fragmentar-se, com o gás e a poeira a colapsarem para formar um planeta".
Mas a equipa descobriu que nenhuma das teorias podia explicar completamente a formação de TOI-6894 b a partir dos dados disponíveis, o que deixa a origem deste planeta gigante, por agora, como uma questão em aberto.
Respostas atmosféricas
Um dos métodos para esclarecer o mistério da formação de TOI-6894 b é uma análise atmosférica detalhada. Ao medir a distribuição de material no interior do planeta, os astrónomos podem determinar o tamanho e a estrutura do núcleo do planeta, o que nos pode dizer se TOI-6894 b foi formado por acreção ou por um disco instável.
Esta não é a única característica interessante da atmosfera de TOI-6894 b; é invulgarmente fria para um gigante gasoso. A maioria dos gigantes gasosos encontrados por caçadores exoplanetários são Júpiteres quentes, gigantes gasosos massivos com temperaturas entre 1000 e 2000 K. TOI-6894 b, por comparação, tem apenas 420 K. A temperatura fria, juntamente com outras características deste planeta, como trânsitos muito profundos, fazem dele um dos planetas gigantes mais promissores, com uma atmosfera fria, para caracterização pelos astrónomos.
O professor Amaury Triaud, da Universidade de Birmingham, coautor e membro da colaboração SPECULOOS (Search for habitable Planets EClipsing ULtra-cOOl Stars), afirmou: "Com base na irradiação estelar de TOI-6894 b, esperamos que a atmosfera seja dominada pela química do metano, o que é muito raro de identificar. As temperaturas são suficientemente baixas para que as observações atmosféricas possam até mostrar-nos amoníaco, o que seria a primeira vez que tal substância seria encontrada na atmosfera de um exoplaneta.
"TOI-6894 b é provavelmente um exoplaneta de referência para o estudo de atmosferas dominadas por metano e o melhor 'laboratório' para estudar uma atmosfera planetária contendo carbono, azoto e oxigénio para lá do Sistema Solar".
A atmosfera de TOI-6894 b já está agendada para ser observada pelo Telescópio Espacial James Webb nos próximos 12 meses. Isto deverá permitir aos astrónomos determinar qual das teorias possíveis pode explicar a formação deste planeta inesperado.
O Dr. Andrés Jordán, coautor do estudo, investigador do MAS (Millennium Institute of Astrophysics) e professor na Universidade Adolfo Ibáñez, ambos no Chile, disse: "Este sistema constitui um novo desafio para os modelos de formação planetária e fornece um alvo muito interessante para observações de seguimento com o intuito de caracterizar a sua atmosfera.
"Esta descoberta é o resultado de um programa sistemático que temos vindo a desenvolver há vários anos a partir do Chile e do Reino Unido. Os nossos esforços permitiram-nos contribuir significativamente para uma melhor compreensão da frequência com que pequenas estrelas podem formar planetas gigantes, e estamos a fornecer alvos preferenciais para acompanhamento com plataformas espaciais".
Três buracos negros apanhados a comer estrelas gigantescas
Nesta ilustração, um disco de gás quente rodopia em torno de um buraco negro. Parte do gás veio de uma estrela que foi dilacerada pelo buraco negro, formando a longa corrente de gás quente à direita, que alimenta o disco.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
Os buracos negros são-nos invisíveis, a não ser que interajam com outro objeto. Alguns comem continuamente gás e poeira e parecem brilhar à medida que a matéria cai na sua direção. Mas outros buracos negros ficam à espera, secretamente, e durante anos, até que uma estrela se aproxime o suficiente para a devorar.
Um novo estudo que utiliza dados espaciais e terrestres da NASA, da ESA e de outras instituições, descreve três exemplos extremos de buracos negros supermassivos que se alimentam de estrelas massivas. Estes eventos libertaram mais energia do que 100 supernovas e representam o tipo mais energético de explosão cósmica, descoberto até agora, desde o Big Bang.
Cada buraco negro supermassivo situa-se no centro de uma galáxia distante e aumentou subitamente de brilho quando destruiu uma estrela três a dez vezes mais massiva do que o nosso Sol. O brilho manteve-se durante vários meses.
Os cientistas descrevem estas ocorrências raras como uma nova categoria de acontecimentos cósmicos designados por "transientes nucleares extremos". A procura de mais destes transientes nucleares extremos pode ajudar a desvendar alguns dos maiores buracos negros supermassivos do Universo que normalmente estão silenciosos.
"Estes eventos são a única forma de nos focarmos sobre buracos negros massivos que, de outra forma, estariam inativos", disse Jason Hinkle, estudante da Universidade do Hawaii e principal autor de um novo artigo científico publicado na revista Science Advances que descreve este fenómeno.
Estes acontecimentos libertam enormes quantidades de radiação altamente energética nas regiões centrais das suas galáxias hospedeiras. "Isto tem implicações para os ambientes em que estes eventos estão a ocorrer", disse Hinkle. "Se as galáxias têm estes eventos, são importantes para as próprias galáxias".
A destruição das estrelas produz uma luz altamente energética que demora mais de 100 dias a atingir o pico e depois mais de 150 dias a diminuir para metade do seu máximo. A forma como a radiação altamente energética afeta o ambiente resulta em emissões de baixa energia que os telescópios também podem detetar.
Um destes eventos de destruição de estrelas, apelidado de "Barbie" devido ao seu identificador de catálogo, ZTF20abrbeie, foi descoberto em 2020 pelo ZTF (Zwicky Transient Facility) no Observatório Palomar do Caltech, no estado norte-americano da Califórnia, e documentado em dois estudos de 2023. Os outros dois buracos negros foram detetados pela missão Gaia da ESA em 2016 e 2018 e foram estudados em pormenor neste novo artigo científico.
Esta ilustração mostra um fluxo brilhante de material de uma estrela que está a ser devorada por um buraco negro supermassivo. Quando uma estrela passa a uma certa distância de um buraco negro - suficientemente perto para ser perturbada gravitacionalmente - o material estelar é esticado e comprimido à medida que cai no buraco negro.
Crédito: NASA/JPL-Caltech
O Observatório Neil Gehrels Swift da NASA foi fundamental para confirmar que estes eventos deviam estar relacionados com buracos negros e não com explosões estelares ou outros fenómenos. A forma como os raios X, a radiação ultravioleta e a luz ótica subiram e diminuíram de intensidade ao longo do tempo foi como uma impressão digital que corresponde à de um buraco negro a dilacerar uma estrela.
Os cientistas também utilizaram dados do WISE da NASA, que funcionou de 2009 a 2011 e foi depois reativado como NEOWISE e aposentado em 2024. No âmbito da missão WISE, a nave espacial mapeou o céu em comprimentos de onda infravermelhos, encontrando muitos novos objetos distantes e fenómenos cósmicos. No novo estudo, os dados da missão ajudaram os investigadores a caracterizar a poeira no ambiente de cada buraco negro. Vários observatórios terrestres também contribuíram para esta descoberta, incluindo os telescópios do Observatório W. M. Keck e os levantamentos ATLAS (Asteroid Terrestrial-impact Last Alert System), Pan-STARRS (Panoramic Survey Telescope and Rapid Response System) e CRTS (Catalina Real-Time Transient Survey).
"O que acho tão excitante neste trabalho é o facto de estarmos a empurrar os limites superiores daquilo que entendemos serem os ambientes mais energéticos do Universo", disse Anna Payne, cientista do STScI (Space Telescope Science Institute) e coautora do estudo, que ajudou a procurar as impressões digitais químicas destes eventos com o Telescópio de 2,2 metros da Universidade do Hawaii.
Os resultados complementam observações recentes do Telescópio Espacial James Webb da NASA, que mostram como os buracos negros supermassivos se alimentam e crescem no Universo primitivo. Mas como apenas 10% dos primeiros buracos negros se alimentam ativamente de gás e poeira, os transientes nucleares extremos - ou seja, o apanhar de um buraco negro supermassivo a "comer" uma estrela massiva - são uma forma diferente de encontrar buracos negros no Universo primitivo.
Eventos como estes são tão brilhantes que podem ser visíveis mesmo no Universo distante e primitivo. O Swift mostrou que os transientes nucleares extremos emitem a maior parte da sua radiação no ultravioleta. Mas à medida que o Universo se expande, essa luz é esticada para comprimentos de onda mais longos e passa para o infravermelho - exatamente o tipo de radiação que o futuro Telescópio Espacial Nancy Grace Roman da NASA foi concebido para detetar.
Com a sua poderosa sensibilidade infravermelha e o seu amplo campo de visão, o Roman poderá detetar estas raras explosões de há mais de 12 mil milhões de anos, quando o Universo tinha apenas um-décimo da sua idade atual. Com lançamento previsto para 2027, e potencialmente já no outono de 2026, o Roman poderá descobrir muitos mais destes eventos dramáticos e fornecer uma nova forma de explorar como as estrelas, galáxias e buracos negros foram formados e evoluíram ao longo do tempo.
"Podemos pensar nestes três objetos como modelos para saber o que procurar no futuro", disse Payne.
IXPE obtém a primeira medição da polarização, em raios X, da explosão de um magnetar (via NASA)
O que acontece quando o objeto mais magnético do Universo brilha com a potência de 1000 sóis numa questão de segundos? Graças ao IXPE (Imaging X-ray Polarimetry Explorer) da NASA, uma missão em colaboração com a Agência Espacial Italiana, os cientistas estão um passo mais perto de compreender este evento extremo. Os magnetares são um tipo de estrela de neutrões jovem - um remanescente estelar formado quando uma estrela massiva chega ao fim da sua vida e colapsa sobre si própria, deixando para trás um núcleo denso com aproximadamente a massa do Sol, mas comprimido até ao tamanho de uma cidade. Ler fonte
Enxames de galáxias em vias de colidirem novamente (via NASA)
Novas observações do Observatório de raios X Chandra da NASA e de outros telescópios captaram um acontecimento cósmico raro: dois enxames de galáxias colidiram e estão agora prontos para voltar a "atacar-se" um ao outro. Os enxames galácticos são algumas das maiores estruturas do Universo. Mantidos juntos pela gravidade, são coleções monstruosas de centenas ou milhares de galáxias individuais, enormes quantidades de gás superaquecido e matéria escura invisível. Ler fonte
Álbum de fotografias Via Láctea a partir do Observatório Rubin
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