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BOLETIM ASTRONÓMICO - EDIÇÃO N.º 455
De 04/10 a 07/10/2008
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  MESSENGER REGRESSA A MERCÚRIO
   

No dia 6 de Outubro, pela segunda vez em menos de um ano, a sonda MESSENGER da NASA irá passar a apenas 200 quilómetros da superfície craterada de Mercúrio, capturando centenas de imagens e recolhendo uma variedade de outros dados do planeta à medida que recebe uma assistência gravitacional crítica que manterá a sonda no seu caminho para se tornar na primeira nave a orbitar o planeta mais próximo do Sol no começo de Março de 2011.

"Os resultados do primeiro voo rasante da MESSENGER por Mercúrio em Janeiro resolveram debates com mais de 30 anos," disse Sean C. Solomon, investigador principal da MESSENGER, do Instituto Carnegie em Washington. "As erupções vulcânicas produziram muitas das planícies de Mercúrio, o seu campo magnético parece ser gerado activamente por um núcleo líquido ferroso, e o planeta contraíu-se mais do que pensávamos." Este segundo encontro, diz Solomon, irá descobrir ainda mais coisas sobre o planeta.

Durante o primeiro voo rasante da MESSENGER, as suas câmaras enviaram imagens de aproximadamente 20% da superfície de Mercúrio até à altura não observada, revelando características novas e inesperadas. "Durante este segundo voo rasante, as câmaras tirarão mais de 1200 imagens a cores e em alta-resolução do planeta, incluíndo 30% da superfície que nunca foi antes observada," afirma Louise M. Prockter, cientista do instrumento MDIS (Mercury Dual Imaging System) da MESSENGER do Laboratório de Física Aplicada (APL) da Universidade Johns Hopkins em Laurel, Maryland, EUA. "O segundo 'flyby' da MESSENGER irá mostrar-nos uma área completamente nova da superfície de Mercúrio, do lado oposto do planeta que vimos durante o primeiro."


Imagem tirada pela sonda MESSENGER da NASA que revela um primeiro olhar de terreno não mapeado no planeta Mercúrio, após o voo rasante de 14 de Janeiro de 2008.
Crédito: NASA/Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins/Instituto Carnegie de Washington
(clique na imagem para ver versão maior)

O instrumento MLA (Mercury Laser Altimeter) irá medir a topografia do planeta, permitindo aos cientistas, pela primeira vez, correlacionar medições topográficas de alta-resolução com imagens em alta-resolução. "Ao contrário dos dados topográficos obtidos durante o primeiro voo rasante - que cobriu terreno que não tínhamos fotografado do espaço - estas medições com o MLA irão cobrir áreas que o MDIS capturou durante a primeira passagem," explica Brian J. Anderson, cientista do projecto MESSENGER e também do APL. "Mais, o terreno estudado pelo MLA no primeiro voo rasante será capturado em imagens pelo MDIS no segundo encontro."

Também se espera que o segundo voo rasante levante mais surpresas sobre os processos físicos únicos que dominam o sistema da magnetosfera-exosfera de Mercúrio, bem como informação adicional sobre partículas carregadas localizadas na e em torno da magnetosfera dinâmica de Mercúrio.

Um dos objectivos principais da fase orbital da missão da MESSEGNER é determinar a composição da superfície de Mercúrio, salienta Ralph L. McNutt, cientista do projecto MESSENGER, também do APL. Os instrumentos desenhados para fazer essas medições composicionais - o sub-instrumento VIRS (Visible-Infrared Spectrograph) do MASCS (Mercury Atmospheric and Surface Composition Spectrometer), o Espectómetro de Raios-X, e o Espectómetro de Raios-Gama e Neutrões - irão obter outro olhar sobre Mercúrio durante este voo rasante.

"As medições espectrais de alta-resolução do VIRS da superfície de Mercúrio irão sobrepôr-se com as imagens em alta-resolução e a cores tiradas com o MDIS, providenciando informações espectrais complementares sobre porções da superfície de Mercúrio num detalhe sem precedentes," afirma McNutt. "O segundo 'flyby' também providenciará um primeiro teste da uniformidade espectral ou variabilidade entre os dois hemisférios observados pelo MASCS nos dois voos rasantes."


Interpretação de artista da sonda MESSENGER à chegada a Mercúrio.
Crédito: NASA/JHUAPL/CIW
(clique na imagem para ver versão maior)

A sonda MESSENGER já percorreu mais de metade da sua viagem de 7,9 mil milhões de quilómetros até à órbita de Mercúrio, que inclui mais de 15 voltas em torno do Sol. "Já passou pela Terra uma vez (2 de Agosto de 2005), duas vezes por Vénus (24 de Outubro de 2006 e 5 de Junho de 2007), e uma vez por Mercúrio (14 de Janeiro de 2008). O próximo voo rasante e uma outra passagem por Mercúrio, em Setembro de 2009, irão usar o impulso da gravidade do planeta para progressivamente guiar a sonda MESSENGER cada vez mais perto de Mercúrio, para que a inserção orbital seja alcançada durante o quarto encontro com Mercúrio em Março de 2011.

"Além de providenciar dados que já estão a ser usados para começar a responder às questões científicas fundamentais da missão, as observações obtidas durante os voos rasantes por Mercúrio são críticas para o esforço de planeamento científico," diz Peter D. Bedini, gestor do projecto MESSENGER, também do APL. "A performance da sonda e dos seus instrumentos durante os voos rasantes ajudam-nos a estabelecer prioridades e a organizar as observações a serem feitas durante a fase orbital."

Links:

Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve:
04/08/03 - MESSENGER com destino a Mercúrio
08/01/12 - Sonda MESSENGER fará histórico voo rasante por Mercúrio
08/01/16 - Sonda MESSENGER passa por Mercúrio
08/01/26 - Mercúrio visto pela sonda MESSENGER
08/07/05 - Superfície de Mercúrio dominada por actividade vulcânica

Notícias relacionadas:
Comunicado de imprensa (APL)
Scientific American
New Scientist
The Register
AFP
Reuters
SpaceRef

Sonda MESSENGER:
NASA
JHUAPL
Wikipedia
Vídeo da aproximação da sonda MESSENGER até Mercúrio (formato Quicktime)

Mercúrio:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

 
  ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS
       
  Foto  
Jovens sóis de NGC 7129 - Crédito: Bob e Janice Fera (Fera Photography)
Jovens sóis ainda se encontram dentro da poeirenta NGC 7129, a uns 3000 anos-luz de distância na direcção da constelação de Cefeu. Enquanto estas estrelas se encontram numa idade relativamente tenra, com apenas 1 milhão de anos, é bastante provável que o nosso Sol se tenha formado num berçário estelar semelhante. O mais notável na espectacular imagem são as lindas nuvens de poeira com tons azuis que reflectem a jovem luz estelar, mas as formas mais pequenas, crescentes e com tons de vermelho profundo, são também marcos de objectos estelares jovens e energéticos. Conhecidos como objectos Herbig-Haro, a sua forma e cor é característica do brilhante hidrogénio gasoso que choca com jactos libertados de estrelas recém-nascidas. Eventualmente, o gás e poeira na região serão dispersados, as estrelas afastar-se-ão umas das outras à medida que o enxame solto orbita o centro da Galáxia. À distância estimada de NGC 7129, esta imagem telescópica cobre uma área com cerca de 40 anos-luz.
Ver imagem em alta-resolução
 
 
 
EFEMÉRIDES:

Dia 04/10: 278.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1957, era lançado o Sputnik 1, o primeiro satélite artifical.

Tinha começado a "corrida espacial".
Em 1959, lançamento da Luna 3 (missão soviética de flyby pela Lua).
Observações: Antares pisca para a direita da Lua ao começo da noite.

Dia 05/10: 279.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1882 nasce Robert Goddard, pioneiro no desenvolvimento dos foguetões

Em 1923, Edwin Hubble descobre a primeira variável de Cefeida em M31, a Galáxia de Andrómeda, estabelecendo que as "nebulosas" espirais são independentes e são sistemas estelares externos, tal como a Via Láctea.
Em 2000, astrónomos espanhóis e alemães publicam na revista Science a sua descoberta de planetas gigantes gasosos isolados, sem estrelas, a serem formados na região de Orion. Estes "super-júpiteres" flutuam livremente dentro de um enxame estelar, mas a distâncias suficientemente grandes para permitir escapar à atracção gravitacional das outras estrelas.

Dia 06/10: 280.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1990 é lançado o observatório solar da ESA e da NASA, Ulysses, a partir do vaivém Discovery.

Em Fevereiro de 1992, levou um puxão gravitacional de Júpiter, forçando-o a sair do plano da eclíptica. Completou a sua missão principal de vigiar os dois pólos do Sol, enviando resultados inesperados. Sabe-se que o pólo magnético sul é muito mais dinâmico e sem localização fixa.
Observações: Com um telescópio de baixa ampliação, aponte para Vénus, baixo a Oeste-Sudoeste à medida que anoitece, e procure a dupla Alpha Librae (ou Zubenelgenubi) a menos de 1º para Norte (direita e para cima). O próprio Vénus é pequeno (13" de diâmetro) e em crescente.
Júpiter brilha esta noite por cima da Lua. Júpiter encontra-se na sua quadratura Este, 90º Este do Sol.

Dia 07/10: 281.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1959 o sistema televisivo a bordo da Luna 3 obtém uma série de 29 fotografias ao longo de 40 minutos, cobrindo 70% da superfície da Lua.

Estas fotografias foram reveladas a bordo. Foram depois "digitalizadas" e 17 foram enviadas através de sinais de rádio para estações terrestres a 18 de Outubro.
Observações: Lua em Quarto Crescente, pelas 10:04.

 
 
CURIOSIDADES:

O primeiro beijo inter-racial em televisão foi na série de ficção científica "Star Trek", entre o Capitão Kirk e a Tenente Uhura.
 
 
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