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Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve
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ASTROBOLETIM N.º 507
De 06/03 a 08/03/2009
 
 
 

Dia 06/03: 65.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1787 nascia Joseph Fraunhofer, espectroscopista pioneiro alemão, de quem as proeminentes linhas de absorção no espectro do Sol receberam o seu nome.

Em 1986, entre dia 6 e 14, primeiro voo rasante de um cometa, pela sonda Vega 1 e Giotto (580 km), no Cometa Halley.
Observações: A Lua esta noites está bem alta, perto de Pollux e Castor em Gémeos.

Dia 07/03: 66.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1837 nascia Henry Draper, o primeiro a fotografar o espectro estelar. Um importante catálogo de espectros estelares tem o seu nome.

Observações: Aproveite a noite para observar Saturno e os seus anéis.

Dia 08/03: 67.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1977 os anéis de Urano eram descobertos durante observações aéreas de ocultações da NASA.

Em 1999, a primeira fase da missão de mapeamento de Marte pela sonda Mars Global Surveyor começa.
Em 2002, o asteróide 2002 EM7, com um tamanho entre 300 e 400 metros, passa a 450,000 quilómetros da Terra. Observadores só o descobriram quatro dias depois, a 12 de Março.
Observações: Aproveite a noite para observar M35, um bonito enxame aberto em Gémeos (magnitude 5,5).

 
 
 
O céu é azul porque a atmosfera, entrar em contacto com a luz solar, espalha as cores com os mais pequenos comprimentos de onda (violeta e azul) - e também porque os nossos olhos são sensíveis ao azul.
 
 
 
 
AIA 2009
 
 
  TELESCÓPIO KEPLER É LANÇADO HOJE  
 

Se o lançamento de hoje correr como planeado, e o novo Telescópio Espacial Kepler da NASA entrar em órbita heliocêntrica, a missão pode muito bem mudar o modo como olhamos para o Universo. O Kepler está desenhado para observar milhares de estrelas na nossa Via Láctea e para procurar sinais de planetas tipo-Terra, orbitando numa região adequada à vida.

"O Kepler irá empurrar os limites do desconhecido na nossa Via Láctea, e as suas descobertas podem fundamentalmente alterar a visão da Humanidade acerca de si própria," disse Jon Morse, director da Divisão de Astrofísica da NASA na sede da agência em Washington, D.C.

Técnicos que trabalham no complexo de Operações Espaciais Astrotech perto do Centro Espacial Kennedy da NASA observam a sonda Kepler pouco depois de ter chegado à Flórida, em preparação para o seu lançamento.
Crédito: NASA/Tim Jacobs
(clique na imagem para ver versão maior)

A sonda tem lançamento previsto para hoje a partir da Estação da Força Aérea em Cabo Canaveral, a bordo um foguetão Delta 2. A NASA atrasou a missão por um dia para testes extra no foguetão, após a perda de outra sonda aquando do seu lançamento a semana passada.

A missão Kepler, de 600 milhões de dólares, tem o nome de Johannes Kepler, cientista alemão do século XVII, pioneiro nos campos das ópticas e do movimento planetário. "Agora, 400 anos depois, estamos a usar as suas descobertas para responder à questão profunda e fundamental do nosso lugar no Universo: existem por aí outros planetas tipo-Terra?" afirma Morse.

O Kepler irá usar uma combinação sem precedentes de detectores de luz (totalizando cerca de 95 milhões de pixeis) para capturar as subtis oscilações na luz que caracteriza a passagem de um planeta extra-solar em frente da sua estrela-mãe. Em comparação, uma câmara digital comum poderá ter 10 megapixeis, mas os detectores do Kepler formam uma rede com 95 megapixeis, afirmam os cientistas da missão.

O Kepler serve como um medidor de luz ultra-sensível, que usa uma rede de CCDs que medem as mudanças de brilho numa estrela provocadas pelo trânsito de um planeta em frente da sua estrela-mãe.
Crédito: Ball Aerospace
(clique na imagem para ver versão maior)

Ao longo das últimas duas décadas, os cientistas avistaram mais de 300 planetas extra-solares em órbita de outras estrelas na nossa Galáxia. A maioria destes planetas tem aproximadamente o tamanho de Júpiter ou é ainda maior, o que torna improvável a presença de vida. Mas estes não são os alvos do Kepler.

"Estamos interessados em planetas como a Terra, planetas rochosos numa órbita onde a vida possa ser possível," disse o investigador principal para o Kepler, William Borucki do Centro de Pesquisa Ames da NASA em Moffett Field, Califórnia, EUA.

O Kepler irá apontar o seu telescópio com 0,95 metros e uma rede de 42 dispositivos (microchips sensíveis à luz, os chamados CCDs, também comuns nas máquinas digitais) a um grupo alvo pré-seleccionado de 100.000 estrelas. Irá então procurar flutuações na luz de cada estrela que resulta de um trânsito planetário - a passagem em frente da sua estrela-mãe, visto da perspectiva da Terra. Estas flutuações podem dizer aos cientistas quão grande é o planeta, bem como quão distante é a sua órbita em torno da sua estrela-mãe.

Na plataforma de lançamento 17-B da Estação da Força Aérea em Cabo Canaveral, na Flórida, EUA, trabalhadores cuidadosamente observam a segunda metade da cobertura sendo transferida para a torre móvel de serviço para ser colocada em torno do telescópio Kepler (esquerda), no dia 26 de Fevereiro de 2009.
Crédito: NASA/Jack Pfaller

"Quando um planeta passa em frente de uma estrela, bloqueia parte da sua luz," explica Borucki. "Quanto maior o planeta, mais luz bloqueia, por isso conseguimos obter o tamanho do planeta a partir da diminuição do brilho." Ao observar trânsitos múltiplos, a equipa do Kepler pode determinar o período orbital do planeta, ou quanto tempo o planeta demora a orbitar a sua estrela. Cada planeta terá que ser observado pelo menos durante três trânsitos, afirma Borucki, para determinar o período e para ter a certeza que a diminuição de brilho não é devida a outros fenómenos astronómicos, como uma mancha estelar. "Não queremos fazer falsas descobertas; queremos ter muita, muita certeza que quando dizemos que é um planeta tipo-Terra, o é realmente," afirma Borucki.

Se o planeta potencial tiver um curto período orbital (de poucos dias ou semanas), isto significa que orbita muito perto da estrela. Um longo período (de vários anos) significa que fica perto do limite do puxo gravitacional da estrela. No geral, tais órbitas extremas tornariam o planeta demasiado quente ou demasiado frio, respectivamente, para a vida aí nascer.

Borucki e o resto da equipa do Kepler estão interessados em descobrir planetas com uma órbita entre estes dois extremos, uma que "não é muito quente, nem muito fria, simplesmente adequada," afirma. Tais órbitas, que caem no que é chamado de "zona habitável" do Sol, significariam que a temperatura do planeta era amena o suficiente para existir água líquida à sua superfície.

Esta imagem ilustra os 3000 anos-luz da área-alvo da sonda Kepler.
Crédito: NASA/Jon Lomberg
(clique na imagem para ver versão maior)

Claro, esta zona amena não estará na mesma posição para cada estrela, que pode ter grandes variações consoante a quantidade de luz que a estrela liberta. O Kepler irá estudar três tipos principais de estrelas: estrelas tipo-A, estrelas tipo-G (o grupo a que pertence o nosso Sol), e anãs-M.

As estrelas tipo-A são as mais quentes das três, que empurram a sua zona habitável para mais longe. São "muito luminosas, libertam imensas quantidades de energia, e a sua zona habitável é na realidade muito mais longe da estrela do que a do nosso Sol," disse a astrónoma Debra Fischer da Universidade Estatal de São Francisco, EUA, que não está directamente envolvida na missão Kepler.

A zona habitável das estrelas tipo-G situa-se aproximadamente na órbita da Terra, por isso quaisquer candidatos a exoplanetas teriam que ter um período orbital de cerca de um ano.

As anãs-M, entretanto, situam-se no outro extremo. "Estas estrelas de luminosidade muito baixa não libertam tanta energia," explica Fischer. "Para nos encontramos na zona habitável de uma destas estrelas de baixa-massa, teríamos que nos mover para mais perto da estrela." Por isso os planetas na zona habitável de uma anã-M terão períodos orbitais muito mais rápidos do que aquelas nas zonas habitáveis das estrelas tipo-G ou A.


Área-alvo do Kepler na Via Láctea.
Crédito: Carter Roberts
(clique na imagem para ver versão maior)

"Sendo assim, o que o Kepler irá fazer é observar cuidadosamente, pois à medida que um planeta passa em frente de uma estrela, esta como que 'pisca', no sentido de diminuir a sua luz, e com as anãs-M, a frequência destes eventos planetários na zona habitável será muito maior," explica Fischer.

O Kepler não enviará de volta notícias de um gémeo da Terra rapidamente. Uma vez que se encontra na sua órbita e esteja devidamente calibrado, provavelmente enviará primeiro detecções de planetas maiores. Os primeiros planetas a "sair da linha de montagem do Kepler" serão provavelmente os chamados "Jupiteres Quentes", diz Fischer. Os planetas são interessantes para os astrónomos porque são do tamanho de Júpiter mas situam-se numa órbita comparável à de Mercúrio. "O gigantesco número destes objectos que o Kepler vai encontrar, ajudar-nos-á a aprender muito sobre estes sistemas," diz Fischer.

Os próximos a sair do forno serão os similarmente denominados 'Neptunos Quentes', e depois, finalmente, "a detecção mais difícil, e de longe a mais excitante, será a detecção de planetas tipo-Terra," afirma.


Impressão de artista do Telescópio Espacial Kepler no espaço.
Crédito: NASA
(clique na imagem para ver versão maior)

Embora o Kepler não seja capaz de transmitir aos astrónomos como é que estes planetas são, Fischer pensa que haverá grande variedade nas outras potenciais Terras por aí, por exemplo, 'mundos aquáticos' cobertos totalmente por oceanos. Penso que os escritores de ficção científica vão encontrar um desafio ao imaginar a diversidade do que poderemos esperar descobrir mesmo nestes tipos de planetas," disse.

Ninguém sabe qual será o número exacto de planetas tipo-Terra que o Kepler irá descobrir, "porque não sabemos o que se encontra por aí". "O Kepler está desenhado para encontrar centenas de planetas tipo-Terra, se tais planetas forem comuns em torno de outras estrelas; dúzias destes planetas se estiverem na zona habitável," afirma Borucki. "Se os descobrirmos, certamente significará que a vida pode muito bem ser comum por toda a Galáxia, porque é uma oportunidade para a vida ter um lar para evoluir."

"Se, por outro lado, não descobrirmos nenhum, esta será outra profunda descoberta. Isto significará que as Terras devem ser muito raras, e que poderemos ser a única vida no nosso Universo," disse Borucki. "Isto significa que não vai haver 'Caminho das Estrelas.'"

Borucki salientou que, independentemente do que o Kepler descubra, não serão pequenos homenzinhos verdes. "Embora o Kepler não vá descobrir o E.T., irá ajudar-nos a descobrir o seu lar," concluíu.

Links:

Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve:
20 de Fevereiro de 2008 - Muitas, talvez a maioria das estrelas tipo-Sol podem formar planetas
25 de Junho de 2008 - Astrónomos à beira de descobrir gémeo da Terra
4 de Fevereiro de 2009 - COROT descobre o planeta extrasolar mais pequeno até agora
6 de Fevereiro de 2009 - Telescópio Kepler irá pesquisar "Terras" extrasolares
18 de Fevereiro de 2009 - Via Láctea poderá ter milhares de milhões de "Terras"

Notícias relacionadas:
PHYSORG.com
SPACE.com
BBC News
MSNBC
USA Today
FOXNews.com
AFP

Telescópio Espacial Kepler:
NASA (página oficial)
Vídeo acerca da missão Kepler (via SPACE.com)
Mapa das zonas de estudo do Kepler (formato PDF)
Wikipedia

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Wikipedia (lista)
Wikipedia (lista de extremos)
Catálogo de planetas extrasolares vizinhos (PDF)
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Exosolar.net
Extrasolar Visions

 
     
 
 
  IDENTIFICADO ELUSIVO BURACO NEGRO DUPLO  
 

Descobrir uma agulha num palheiro pode até ser fácil quando comparado com a descoberta de dois buracos negros muito similares, orbitando-se um ao outro, numa galáxia distante.

Astrónomos do NOAO (National Optical Astronomy Observatory) em Tucson, Arizona, EUA, descobriram o que parecem ser dois buracos negros supermassivos orbitando-se um ao outro, no centro de uma galáxia. A existência de dois buracos negros gémeros já tinha sido postulada, mas para descobrir tal raro par, foi necessária a implementação de um tipo de pesquisa inovadora e sistemática.

Os buracos negros recém-identificados parecem estar separados por apenas 1/10 de um parsec - um décimo da distância da Terra à estrela mais próxima (que não o Sol). Esta descoberta do candidato mais provável a buraco negro binário poderá levar a uma maior compreensão de como os buracos negros se formam e evoluem no centro das galáxias. Os seus resultados foram publicados na edição desta semana da revista Nature.

Impressão de artista do sistema de buraco negro supermassivo binário. Cada buraco negro é rodeado por um disco de material que gradualmente espirala para o seu centro, libertand radiação desde raios-X a ondas de rádio. Os dois buracos negros completam um órbita em torno do seu centro de massa em cada 100 anos, viajando a uma velocidade relativa de 6000 quilómetros por segundo.
Crédito: p. Marenfeld e NOAO/AURA/NSF
(clique na imagem para ver versão maior)

Após a formação de uma galáxia, é improvável que um buraco negro supermassivo se forme no seu centro. Dado que muitas das galáxias se encontram em enxames galácticos, as galáxias individuais podem colidir umas com as outras à medida que orbitam o enxame. O mistério está em saber o que acontece a estes buracos negros centrais quando as galáxias colidem e em última análise se fundem. A teoria prevê que se orbitem um ao outro e que eventualmente se fundam num buraco negro ainda maior.

A assinatura de um buraco negro numa galáxia é já conhecida há muitos anos. O material "caíndo" para um buraco negro emite luz num comprimento de onda estreito, formando linhas de emissão que podem ser observadas quando a luz é dispersada num espectro. Estas linhas de emissão podem transportar informação acerca da velocidade e direcção do buraco negro e do material nele caíndo. Se existem aí dois buracos negros, estes orbitar-se-iam um ao outro antes de se fundir e teriam uma assinatura dupla e característica nas suas linhas de emissão. Esta assinatura foi agora descoberta.

O antigo director do NOAO, Todd Boroson e o astrónomo Tod Lauer, também do NOAO, usaram dados do SDSS (Sloan Digital Sky Survey), um telescópio com 2,5 metros em Apache Point, no sul do Novo México, para pesquisar esta característica assinatura de um buraco negro binário, entre 17.500 quasares descobertos pelo estudo. Conhecem-se mais de 100.000 quasares, a maioria dos quais descobertos pelo SDSS e a distâncias de milhares de milhões de anos-luz.

Os quasares são versões mais luminosas da classe geral de objectos conhecidos como galáxias activas, que podem ser cem vezes mais brilhantes que a nossa própria Via Láctea, e que são alimentadas pela acreção de material em buracos negros supermassivos no seus núcleos. A matéria caíndo para o buraco negro não entra directamente, mas orbita em torno do buraco negro formando um disco de acreção, tal como espuma de banho orbitando em torno do ralo.

Há muito que se pensa que todas as grandes galáxias devem ter um buraco negro supermassivo no seu centro e que algumas galáxias poderiam até dois ou mais buracos negros, pelo menos até que estes se fundam. Os buracos negros estariam tão perto uns dos outros que seria quase impossível observá-los separadamete, a eles ou aos seus discos de acreção. No entanto, a luz emitida dos discos de acreção, e a galáxia que contém o buraco negro, poderia ser identificável.

Boroson e Lauer tiveram que ter cuidado especial na eliminação da possibilidade que estariam a ver duas galáxias, cada com o seu próprio buraco negro, superimposto um sobre o outro. Para tentar eliminar esta possibilidade de superimposição, determinaram que os quasares teriam que estar à mesma distância, determinada pelo desvio para o vermelho, e que teria que haver uma assinatura de apenas uma galáxia.

Se os dois quasares fossem objectos independentes a diferentes distâncias, notar-se-ia que a assinatura espectral de ambas as galáxias teriam desvios para o vermelho diferentes, e por isso diferentes distâncias, embora estivessem na mesma linha de visão. A determinação da assinatura espectral foi de extrema importância, pois seria impossível observar as galáxias anfitriãs directamente contra o brilho do quasar.

"O conjunto duplo de linhas de emissão constitui provas bastantes conclusivas de dois buracos negros," afirma Boroson. "Se de facto esta fosse uma superimposição fortuita, um dos objectos deveria ser bastante invulgar. Um aspecto interessante acerca deste binário é que prevemos mudanças observáveis na sua velocidade daqui a poucos anos. Podemos testar a nossa teoria que o buraco negro duplo está embebido numa galáxia, ela própria o resultado de uma fusão de duas galáxias mais pequenas, cada uma com um dos dois buracos negros." O buraco negro mais pequeno tem uma massa 20 milhões de vezes a massa do Sol; o outro é 50 vezes maior, massas estas determinadas através das suas velocidades orbitais.

Links:

Notícias relacionadas:
NOAO (comunicado de imprensa)
Nature (requer subscrição)
Universe Today
Science
New Scientist
Live Science
Science Centric
National Geographic
Reuters
Scientific American
Science News
BBC News
The Register

NOAO:
Página oficial
Wikipedia

Buracos negros supermassivos:
Wikipedia

Núcleos galácticos activos (NGAs):
Wikipedia
Astronomia em raios-X (Cambridge)

 
     
 
 
  LUA RECÉM-DESCOBERTA PODE SER FONTE DE ANEL EXTERIOR DE SATURNO  
 

A sonda Cassini da NASA descobriu, dentro do anel G de Saturno, uma pequena lua embebida que aparece como uma pequena, ténue bola de luz em movimento. Os cientistas acreditam que é uma fonte principal do anel G e do seu único arco anular.

Os cientistas da equipa de imagem da Cassini, analisando imagens obtidas ao longo de um período de 600 dias, descobriram a pequena lua, com apenas meio quilómetro de diâmetro, embebida dentro de um anel parcial, ou arco anular, previamente descoberto pela Cassini no ténue anel G de Saturno.

Esta sequência de três imagens, obtidas pela sonda Cassini ao longo de aproximadamente 10 minutos, mostra o percurso de uma recém-descoberta pequena lua num brilhante arco do ténue anel G de Saturno.
Crédito: NASA/JPL/Space Science Institute
(clique na imagem para ver versão maior)

A descoberta foi anunciada dia 4 de Março numa circular da União Astronómica Internacional.

"Antes da Cassini, o anel G era o único anel poeirento que não estava claramente associado com uma lua conhecida, o que o tornava invulgar," disse Matthew Hedman, associado da equipa de imagem da Cassini, da Universidade Cornell em Ithaca, Nova Iorque, EUA. "A descoberta desta pequena lua, em conjunto com outros dados da Cassini, deverá ajudar-nos a compreender melhor este anteriormente misterioso anel."

Os anéis de Saturno têm nome consoante a ordem em que foram descobertos. De dentro para fora são: D, C, B, A, F, G e E. O anel G é um dos mais exteriores e difusos anéis. Dentro do ténue anel G encontra-se uma banda brilhante e estreita, com aproximadamente 250 km de largura, de material anular, que se prolonga por 150.000 km, ou um sexto da circunferência do anel. A pequena lua move-se dentro deste arco anular. Medições prévias de plasma e de poeira pela Cassini indicaram que este anel parcial podia ser produzido a partir de partículas de gelo relativamente grandes, embebidas dentro do arco, tais como esta pequena lua.

Os cientistas obtiveram imagens da pequena lua a 15 de Agosto de 2008, e depois confirmaram a sua presença ao descobri-la em duas imagens anteriores. Desde aí já observaram a lua em várias ocasiões, mais recentemente a 20 de Fevereiro de 2009. A lua é demasiado pequena para ser observada pelas câmaras da Cassini, por isso o seu tamanho não pode ser medido directamente. No entanto, os cientistas da Cassini estimaram o seu tamanho ao comparar o seu brilho com outra pequena lua de Saturno, Palene.

Hedman e seus colaboradores também descobriram que a órbita da lua está sendo perturbada pela maior e vizinha Mimas, responsável por manter a união do arco anular.

Este achado aumenta o número de arcos anulares saturnianos com luas embebidas, descobertos pela Cassini, para três. A nova e pequena lua pode não estar sozinha no arco do anel G. Medições anteriores com outros instrumentos da Cassini implicam a existência de uma população de partículas, possivelmente variando entre 1 e 100 metros de tamanho. "Os impactos de meteoróides e as colisões entre corpos e a lua podem libertar poeira para formar o arco," disse Hedman.

Carl Murray, membro da equipa de imagem da Cassini e professor da Universidade de Londres, disse: "A descoberta desta lua e a perturbação da sua trajectória pela luz vizinha, Mimas, realça a íntima associação entre as luas e os anéis que vemos por todo o sistema saturniano. Esperamos ser capazes de no futuro aprender mais sobre a formação destes arcos e da sua interacção entre os seus corpos-mãe."

No início do próximo ano, a câmara da Cassini irá observar com mais detalhe o arco e a pequena lua. A missão Equinócio da Cassini, uma extensão da missão original de quatro anos, está prevista continuar até ao Outono de 2010.

Links:

Notícias relacionadas:
06/09/08 - Núcleo de Astronomia do CCVAlg
NASA (comunicado de imprensa)
SPACE.com
New Scientist
Sky & Telescope
Nature
National Geographic
Universe Today
Discover
PHYSORG.com
Science News
Scientific American
Associated Press
Science Daily
UPI

Saturno:
Solarviews
Wikipedia

Cassini:
Página oficial (NASA)
Wikipedia

 
     
 
 
TAMBÉM EM DESTAQUE
 

Montanha em Marte pode responder a grande questão (via PHYSORG.com)
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A sonda da NASA, Mars Odyssey, que já orbita o Planeta Vermelho há quase oito anos, preciso de um reboot arriscado para corrigir uma há muito conhecida e potencial vulnerabilidade no seu sistema de memória. É arriscada devido ao tempo que a sonda tem sido exposta aos efeitos acumulados da radiação espacial desde o seu último reboot, que ocorreu a 31 de Outubro de 2003. [Ler fonte]

 
     
 
     
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Dentro da Nebulosa do Casulo está um enxame estelar recém-nascido. Catalogada como IC 5146, a linda nebulosa mede quase 15 anos-luz de diâmetro, e está localizada a uns 4.000 anos-luz de distância na direcção da constelação de Cisne. Tal como outras regiões de formação estelar, brilha no vermelho, hidrogénio gasoso excitado por estrelas jovens, quentes e azuis, e com luz estelar reflectida pela poeira no limite do que pelo contrário seria uma nuvem molecular invisível. De facto, a brilhante estrela perto do centro desta nebulosa tem provavelmente apenas umas centenas de milhares de anos, alimentando o brilho nebular à medida que esculpe uma cavidade na poeira e gás da nuvem molecular. Esta excepcionalmente profunda imagem a cores da Nebulosa do Casulo traça tantalizantes características dentro e ao redor deste berçário estelar poeirento.

 


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