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Edição n.º 984
09/08 a 12/08/2013
 
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EFEMÉRIDES

Dia 09/08: 221.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1973 era lançada a sonda soviética Mars 7. A 6 de Março de 1974 o orbiter/lander falha a entrada na órbita de Marte. A órbita torna-se assim solar. 

Observações: Ao lusco-fusco, cerca de meia-hora após o pôr-do-Sol, olhe perto do horizonte a Oeste, por baixo de Vénus, em busca de uma fina Lua Crescente. Binóculos ajudam.

Dia 10/08: 222.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1945, morria Robert Goddard, um homem de visão que propôs que se enviasse foguetões à Lua já nos anos 20.

Em 1966 era lançado o Lunar Orbiter 1, missão de estudo para a série Apollo
Em 1990, a sonda Magalhães chega a Vénus
Em 1999 os Sistemas de Ciência Espacial Malin anunciam a confirmação que descreve o nosso vizinho Marte como um local de mudanças meteorológicas e geológicas ao longo do tempo. Um planeta activo é mais provável de conter vida.
Em 2000, uma equipa liderada por astrónomos da Universidade de Columbia descobrem o mais jovem pulsar, nascido de uma explosão há cerca de 700 anos atrás. Situado no lado oposto da Via Láctea, possui características invulgares que podem forçar os cientistas a reconsiderar como os pulsares são criados e evoluem.
Em 2003, Yuri Malencheko torna-se na primeira pessoa a casar no espaço.
Observações: A Lua brilha para a esquerda de Vénus, baixo antes do anoitecer. Continue a observar a Lua com o passar dos dias, e conseguirá discernir o crescer da sua face iluminada, à medida que aumenta a sua separação angular do Sol.

Dia 11/08: 223.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1999 teve lugar o último eclipse solar total do século XX.

Observações: A fina Lua Crescente encontra-se para a direita da estrela Espiga, de Virgem. Se continuar a seguir a recta feita por estes dois astros, passará um pouco por baixo de Saturno, quase à mesma distância entre os dois primeiros objectos astronómicos.
Esta noite e amanhã serão as melhores alturas para observar a chuva de meteoros das Perseídas.

Dia 12/08: 224.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1877 era feita a primeira observação do satélite de MarteDeimos, por Asaph Halldo Observatório Naval dos EUA

Descobriu Phobos, a maior das duas luas, seis noites depois.
Em 1960 era lançado o Echo 1. O primeiro satélite experimental de comunicações é usado para redireccionar chamadas telefónicas transcontinentais e intercontinentais, rádio e sinais de televisão.
Em 1977, primeiro voo livre do vaivém espacial Enterprise
Em 1999, a porta do Observatório de Raios-X Chandra, que protege os seus espelhos, abre-se e o Chandra começa a sua exploração do Universo de alta energia.
Observações: A Lua encontra-se entre Espiga, da constelação de Virgem, e Saturno.
Pico da chuva de meteoros das Perseídas.

 
CURIOSIDADES


Dos 50 sistemas estelares mais próximos, até 17 anos-luz, o Sol está em quarto lugar em termos de massa.

 
PREPARE-SE PARA AS PERSEÍDAS DE 2013

Uma eterna favorita entre astrónomos, a chuva de meteoros das Perseídas faz o seu retorno anual nas noites de 11-12 e 12-13 de Agosto.

Este ano, a chuva de meteoros das Perseídas atinge o seu pico quando não há quase Lua, proporcionando um céu escuro para os espectadores noctívagos e contadores de estrelas cadentes. A fina Lua Crescente põe-se cedo, por isso interfere pouco no evento deste ano.

Os meteoros que aqui se vêm, ao retraçar os seus percursos, vão dar ao radiante, localizado na constelação de Perseu.
Crédito: Fred Bruenjes
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A Terra deve passar pela parte mais densa do fluxo de meteoros durante algumas horas do dia 12, por volta das 19-20:00 (hora de Portugal). Isto significa que o pico da chuva divide a diferença entre as primeiras horas de 12 de Agosto e as primeiras horas de dia 13, para nós cá na Europa. Por isso, o número que contar em cada destas noites, mesmo em condições ideais (sem poluição luminosa e com o radiante quase na sua altura máxima) pode não coincidir com o pico previsto pela Organização Internacional de Meteoros de 100 por hora. Mas as surpresas podem sempre acontecer.

Algumas Perseídas aparecem a partir das 21:00, mas são sempre melhores a partir das 23 horas ou meia-noite, até ao amanhecer. É quando o radiante da chuva a Norte de Perseu sobe no céu a Nordeste. Ou, dito de outra forma, é quando o nosso lado da Terra se vira mais directamente para o fluxo de meteoros.

Estas "estrelas cadentes" são na realidade detritos do Cometa 109P/Swift-Tuttle. Riscando a atmosfera superior da Terra a uns relativamente rápidos 60 km/s, criam plasma superaquecido (moléculas ionizadas de ar) ao longo do seu caminho. Este gás incandescente, que inclui vapor da partícula em incineração, cria os riscos momentâneos de luz que vemos no céu.

As partículas maiores criam estrelas cadentes maiores. Os cientistas descobriram que as Perseídas são mais ricas nestas "bolas de fogo" do que qualquer outra chuva. Além disso, o brilho médio de cada meteoro tem uma magnitude de -2,7, em comparação com -2,0 das Geminídeas (uma bola de fogo é qualquer meteoro com magnitude superior ou igual a -4,0).

Desde 2008, as Perseídas produziram mais bolas de fogo do que qualquer outra chuva anual. As Geminídeas vêm em segundo lugar, mas não são tão brilhantes como as Perseídas.
Crédito: NASA/Meteoroid Environment Office
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O Cometa Swift-Tuttle tem um enorme núcleo, cerca de 26 km em diâmetro. A maioria dos outros cometas são muito mais pequenos, com apenas alguns quilómetros de diâmetro. Como resultado, o Swift-Tuttle produz um maior número de meteoros, muitos dos quais são grandes o suficiente para produzir bolas de fogo.

Duas chuvas muito mais fracas estão também activas nesta época do ano, as Delta Aquáridas e as Kappa Cygnídeas.

Observar meteoros é muito fácil! Encontre um local com um céu aberto e sem luzes brilhantes. Deite-se numa cadeira reclinável ou no chão, aconchegue-se numa manta ou num saco-cama, protegido dos mosquitos e do frio, e observe as estrelas. Combine uma noitada com um ou mais amigos, e observem em direcções opostas para aumentar as hipóteses de avistarem meteoros. Pode esperar uma média de uma Perseída por minuto sob boas condições, menos se tiver poluição luminosa significativa. Pode também trazer um par de binóculos para examinar aqueles rastos deixados por maiores bolas de fogo, que podem persistir durante alguns segundos no céu.

Esteja atento aos sons. Será que consegue "ouvir" meteoros? A Ciência diz-nos que os sons não viajam pela ténue atmosfera acima dos 50 km, mas no entanto relatos de meteoros audíveis como um silvo ou uma crepitação persistem. Será apenas uma ilusão? Cientistas em 1988 estudaram este fenómeno, que por vezes é também relatado durante auroras. O culpado pode ser a produção localizada de ruídos electrofónicos pela radiação electromagnética de frequência muito baixa. Em todo o caso, até pode usar um rádio para detectar meteoros.

Os meteoros podem também ter cor. Verde é o tom mais comum. Se tiver gosto por fotografia, pode tirar longas exposições.

As Perseídas foram especialmente notáveis na década de 1990, aquando do regresso mais recente do Swift-Tuttle, mas desde então voltaram à sua aparência normal. O cometa tem passagem prevista pelo Sistema Solar interior em meados da década de 2120.

Links:

Perseídas:
Wikipedia
spacedex
NASA

Chuva de meteoros:
Wikipedia
Organização Internacional de Meteoros
E-book "Shooting Stars" (formato PDF)
Meteoros audíveis
Use um rádio para detectar meteoros

Cometa Swift-Tuttle:
Wikipedia
Centro de Planetas Menores da UAI
JPL/NASA

 
CAMPO MAGNÉTICO DO SOL ESTÁ PRESTES A INVERTER-SE

Algo importante está prestes a acontecer no Sol. Segundo medições de observatórios da NASA, o vasto campo magnético está prestes a inverter-se.

"Parece que estamos a 3 ou 4 meses de uma completa inversão de campo," afirma o físico solar Todd Hoeksema da Universidade de Stanford. "Esta mudança terá um efeito dominó em todo o Sistema Solar."

O campo magnético do Sol muda de polaridade aproximadamente a cada 11 anos. Acontece no pico de cada ciclo solar, à medida que o dínamo magnético e interno do Sol se reorganiza. A inversão vai marcar o ponto médio do Ciclo Solar 24. Metade do "máximo solar" estará atrás de nós, com metade ainda por vir.

O campo magnético do Sol está prestes a inverter-se, um evento que tem lugar a cada 11 anos.
Crédito: NASA
(clique na imagem para ver versão)
 

Hoeksema é o director do Observatório Solar Wilcox de Stanford, um dos poucos observatórios do mundo que monitorizam os campos magnéticos polares do Sol. Os pólos são um arauto da mudança. Assim como os cientistas da Terra estudam as regiões polares do nosso planeta em busca de sinais de mudança climática, os físicos solares fazem o mesmo para o Sol. Os magnetogramas de Wilcox têm seguido o magnetismo polar do Solar desde 1976, e já registaram três grandes inversões - com uma quarta num futuro próximo.

O físico solar Phil Scherrer, também da Universidade de Stanford, descreve o que acontece: "Os campos magnéticos polares do Sol enfraquecem, chegam a zero, e em seguida emergem com a polaridade oposta. Esta é uma parte regular do ciclo solar."

A inversão do campo magnético do Sol é, literalmente, um grande evento. O domínio da influência magnética do Sol (também conhecida como "heliosfera") estende-se por milhares de milhões de quilómetros além de Plutão. As mudanças na polaridade do campo ondulam todo o caminho até às sondas Voyager, na porta do espaço interestelar.

Quando os físicos solares falam sobre inversões de campo solares, a sua conversa muitas vezes gira em torno de uma faixa de corrente. A faixa de corrente é uma superfície extensa projectada para fora do equador do Sol, onde o lento campo magnético em rotação induz uma corrente eléctrica. A corrente propriamente dita é pequena, apenas um décimo de milhar de milionésimo de ampere por metro quadrado (0,0000000001 amps/m^2), mas é importante: a corrente flui através de uma região com 10.000 km de espessura e milhares de milhões de quilómetros de largura. Electricamente falando, toda a heliosfera está organizada em torno desta enorme faixa.

Impressão de artista da faixa heliosférica, que se torna mais ondulada quando os pólos do Sol se invertem.
Crédito: Observatório Wilcox/Stanford
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Durante a inversão de campo, a faixa torna-se muito ondulada. Scherrer compara as ondulações com costuras numa bola de futebol. À medida que a Terra orbita o Sol, mergulhamos dentro e fora da faixa. As transições de um lado para o outro podem provocar tempestades espaciais em torno do nosso planeta.

Os raios cósmicos também são afectados. Estes são partículas altamente energéticas aceleradas até quase à velocidade da luz por explosões de supernovas e outros eventos violentos na Galáxia. Os raios cósmicos são um perigo para os astronautas e sondas espaciais, e alguns investigadores dizem que podem afectar a nebulosidade e o clima da Terra. A estreita faixa heliosférica age como uma barreira para os raios cósmicos, desviando-os à medida que penetram no Sistema Solar interior. A folha ondulada e enrugada da heliosfera age como um melhor escudo contra estas partículas energéticas vindas do espaço profundo.

Ao aproximar-se a inversão de campo, os dados de Wilcox mostram que os dois hemisférios do Sol estão fora de sincronia.

"O pólo norte do Sol já mudou de sinal, enquanto o pólo sul está correndo para recuperar o atraso," afirma Shcerrer. "No entanto, em breve ambos os pólos estarão invertidos, e a segunda metade do máximo solar estará em andamento."

Quando isso acontecer, Hoeksema e Scherrer vão compartilhar as notícias com os seus colegas e com o público.

Links:

Notícias relacionadas:
Science@NASA (comunicado de imprensa)
Science@NASA (via YouTube)
PHYSORG
Universe Today
SPACE.com
redOrbit
Science World Report
Discovery News
National Geographic
UPI.com
RT

Faixa de corrente heliosférica:
Wikipedia

Campo magnético estelar:
Wikipedia

Sol:
Wikipedia
Núcleo de Astronomia do CCVAlg

Observatório Solar Wilcox:
Página oficial

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Explosão ilumina galáxia invisível na Idade das Trevas (via CfA)
Há mais de 12 mil milhões de anos atrás uma estrela explodiu, expelindo os seus restos para fora em jactos gémeos quase à velocidade da luz. Na sua morte, o seu brilho ultrapassou o brilho da sua galáxia por um milhão de vezes. Este flash brilhante viajou pelo espaço durante 12,7 mil milhões de anos até um planeta que não existia na altura da explosão - a nossa Terra. Ao analisar esta luz, os astrónomos aprenderam mais sobre uma galáxia que de outro modo seria demasiado pequena, ténue e distante para até o Hubble conseguir observar. Ler fonte ou Ler artigo científico
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - NGC 3370:
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASAESAHubble Heritage (STScI/AURA); Reconhecimento:  A. Reiss et al. (JHU)
 
Parecida em tamanho e estrutura com a nossa própria Via Láctea, a galáxia espiral NGC 3370 situa-se a cerca de 100 milhões de anos-luz na direcção da constelação de Leão. Capturada aqui em requintados detalhes pela câmara ACS (Advanced Camera for Surveys) do Telescópio Espacial Hubble, a linda e majestosa espiral rouba o espectáculo, mas a nítida imagem também revela uma impressionante variedade de galáxias de fundo no campo de visão, espalhadas pelo Universo mais distante. Olhando para dentro de NGC 3370, os dados de imagem provaram ser bons o suficiente para estudar estrelas pulsantes individuais conhecidas como Cefeidas, que podem ser usadas para determinar com precisão a distância desta galáxia. NGC 3370 foi escolhida para este estudo pois em 1994 a galáxia foi também o lar de uma explosão estelar bem estudada - uma supernova do tipo Ia. A combinação da distância conhecida desta supernova, com base em medições de Cefeidas, com observações de supernovas a distâncias ainda maiores, pode revelar o tamanho e taxa de expansão do próprio Universo.
 

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