Top thingy left
 
NOVA TÉCNICA PARA DETECTAR PLANETAS EXTRASOLARES "TIPO-TERRA"
5 de Fevereiro de 2010

 

Astrónomos descobriram uma nova técnica terrestre para estudar as atmosferas de planetas para lá do nosso Sistema Solar, acelerando a nossa busca por planetas tipo-Terra com moléculas relacionadas com a vida. O seu trabalho foi anunciado anteontem (3 de Fevereiro de 2010) na revista Nature.

Os cientistas desenvolveram a nova técnica ao usar um telescópio infravermelho da NASA, terrestre, para identificar uma molécula orgânica na atmosfera de um planeta com o tamanho de Júpiter a quase 63 anos-luz de distância. Usando um novo método de calibração para remover erros de observação sistemáticos, eles obtiveram uma medição que revela detalhes da composição atmosférica e das condições do exoplaneta, um feito sem precedentes a partir de um observatório terrestre.

A Dra. Giovanna Tinetti, da Universidade de Londres, cujo trabalho no projecto foi suportado pelo STFC (Science and Technology Facilities Council), afirma: "O objectivo final é observar a atmosfera de um planeta com a capacidade de suportar vida. Ainda não chegámos lá, mas a possibilidade de usar telescópios terrestres em combinação com observatórios espaciais, vai acelerar o estudo das atmosferas de planetas extrasolares."

O autor principal, Mark Swain, astrónomo no JPL da NASA, acrescenta: "O facto de termos usado um telescópio terrestre relativamente pequeno, é excitante porque implica que os maiores telescópios no chão, usando esta técnica, poderão ser capazes de caracterizar os alvos terrestres exoplanetários."

Actualmente, conhecem-se mais de 400 planetas extrasolares. A maioria deles são gasosos como Júpiter, mas pensa-se que algumas "super-Terras" sejam grandes mundos terrestres ou rochosos. Um verdadeiro planeta tipo-Terra, do tamanho do nosso e à mesma distância da sua estrela-mãe, ainda não foi descoberto. A missão Kepler da NASA está agora no espaço à procura, e espera-se que encontre alguns destes mundos terrestres.

A 11 de Agosto de 2007, Swain e a sua equipa usaram o telescópio infravermelho para observar o planeta HD 189733b, com o tamanho de Júpiter, na constelação de Raposa. A cada 2,2 dias, o planeta orbita uma estrela do tipo-K, ligeiramente mais fria e pequena que o nosso Sol. HD 189733b já proporcinou importantes descobertas na ciência exoplanetária, incluíndo detecções de vapor de água, metano e dióxido de carbono através de telescópios espaciais. Usando a nova técnica, os astrónomos conseguiram detectar dióxido de carbono e metano na atmosfera de HD 189733b com um espectógrafo, que quebra a luz nos seus componentes para revelar as assinaturas espectrais dos diferentes químicos. O seu trabalho principal foi o desenvolvimento de um novo método de calibração para remover os erros sistemáticos de observação provocados pela variabilidade da atmosfera da Terra e pela instabilidade devida ao movimento do sistema telescópico à medida que segue o alvo.

"Como consequência deste trabalho, temos agora a possibilidade excitante que outros telescópios terrestres relativamente pequenos, mas também razoavelmente equipados, sejam capazes de caracterizar exoplanetas," afirma John Rayner, o cientista do ITF (Infrared Telescope Facility) da NASA que construíu o espectógrafo SpeX usado nestas medições. "Nalguns dias não conseguimos sequer observar o Sol com o telescópio, e o facto de noutros conseguirmos obter o espectro de um exoplaneta a 63 anos-luz de distância, é impressionante."

Ao longo das suas observações, a equipa descobriu brilhantes e inesperadas emissões, no infravermelho, de metano, que sobressai no lado diurno de HD 198733b. Isto poderá indicar algum tpo de actividade na atmosfera do planeta, que poderá estar relacionada com o efeito da radiação ultravioleta da estrela-mãe ao atingir a atmosfera superior do planeta. No entanto, serão precisos estudos mais detalhados.

"Um objectivo imediato do uso desta técnica é caracterizar com mais precisão a atmosfera deste e de outros planetas extrasolares, incluíndo a detecção de moléculas orgânicas e até possivelmente prebióticas - como aquelas que precederam a evolução da vida na Terra, afirma Swain". Estamos prontos para levar a cabo esta tarefa. "Alguns dos primeiros alvos serão super-Terras. Usada em conjunto com observações do Hubble, do Spitzer e do futuro Telescópio Espacial James Webb, a nova técnica "dar-nos-á um modo absolutamente brilhante de caracterizar super-Terras," conclui Swain.

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
14/07/2007 - Descoberta água em planeta extrasolar
13/02/2008 - Detectadas moléculas orgânicas pela primeira vez num planeta extrasolar
22/03/2008 - Detectada a primeira molécula orgânica num planeta extrasolar
13/12/2008 - Hubble descobre dióxido de carbono num planeta extrasolar
23/10/2009 - Astrónomos fazem-no outra vez: descobrem moléculas orgânicas em "Júpiter-quente" extrasolar

Notícias relacionadas:
Science & Techonology Facilities Council (comunicado de imprensa)
Nature (requer subscrição)
Science Daily
SPACE.com
Universe Today
Scientific American
BBC News
UPI
AFP

HD 189733b:
Wikipedia

Planetas extrasolares:
Wikipedia
Wikipedia (lista)
Wikipedia (lista de extremos)
Catálogo de planetas extrasolares vizinhos (PDF)
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Exosolar.net
Extrasolar Visions

 
Impressão de artista de HD 189733b e do telescópio.
Crédito: NASA
(clique na imagem para ver versão maior)
 
Top Thingy Right