HUBBLE DESCOBRE UM PLANETA REALMENTE AZUL
16 de Julho de 2013
Astrónomos que faziam observações no visível com o Telescópio Hubble da NASA deduziram a cor real de um planeta em órbita de outra estrela a 63 anos-luz de distância.
O planeta é HD 189733b, um dos exoplanetas mais próximos que conseguimos ver cruzando a face da sua estrela.
O espectrógrafo de imagem do Hubble já tinha medido mudanças na cor da luz do planeta, durante e após uma passagem por trás da sua estrela. Houve uma pequena queda de luz e uma ligeira alteração na cor da luz emitida. "Vimos a luz tornar-se menos brilhante no azul mas não no verde ou vermelho. Faltava luz no azul mas não no vermelho quando estava escondido," afirma Frederic Pont, da Universidade de Exeter no sudoeste da Inglaterra, membro da equipa. "Isto significa que o objecto que desapareceu era azul."
Observações anteriores já tinham relatado evidências da dispersão de luz azulada no planeta. A mais recente observação do Hubble confirma a evidência.
Se fosse visto directamente, este planeta seria parecido com um ponto azul profundo, que lembra a cor da Terra vista do espaço. É aí que a comparação termina.
Neste mundo alienígena turbulento, a temperatura durante o dia ronda os 1090º C, e possivelmente chove vidro - de lado - devido a ventos de 7200 km/h. A cor azul-cobalto não vem do reflexo de um oceano tropical como acontece na Terra, mas sim de um ambiente nebuloso e incendiário, que contém nuvens altas rendilhadas com partículas de silicato. Os silicatos condensam no calor e podem formar pequenas gotas de vidro que dispersam mais luz azul que vermelha.
O Hubble e outros observatórios fizeram estudos intensivos de HD 189733b e descobriram que a sua atmosfera é mutável e exótica.
HD 189733b está entre uma classe bizarra de planetas chamada Júpiteres quentes, que orbitam perigosamente perto das suas estrelas-mãe. As observações dão-nos novas informações sobre a composição química e estrutura de nuvens de toda a classe.
As nuvens muitas vezes desempenham um papel-chave nas atmosferas planetárias. A detecção da presença e a importância das nuvens nos Júpiteres quentes é crucial para os astrónomos compreenderem a física e a climatologia de outros planetas.
HD 189733b foi descoberto em 2005. Está a apenas 4,6 milhões de quilómetros da sua estrela-mãe, tão perto que um lado está sempre voltado para a estrela e o outro lado está sempre escuro, tal como a Lua com a Terra.
Em 2007, o Telescópio Espacial Spitzer da NASA mediu a radiação infravermelha, ou calor, do planeta, levando a um dos primeiros mapas de temperatura de um planeta extrasolar. O mapa mostra que as temperaturas do lado diurno e do lado nocturno em HD 189733b diferem cerca de 260º C. Isto deve provocar fortes ventos que rugem do lado do dia para o lado da noite.
Esta impressão de artista mostra o exoplaneta HD 189733b em órbita da sua estrela amarelo-alaranjada. O Telescópio Espacial Hubble mediu a cor visível do planeta, que é um azul profundo.
Crédito: NASA, ESA e G. Bacon (STScI)
(clique na imagem para ver versão maior)
Este gráfico compara a cor dos planetas no nosso Sistema Solar com o exoplaneta HD 189733b. A cor azul do exoplaneta é produzida dos gotículas de silicatos, que dispersam luz azul na sua atmosfera.
Crédito: NASA, ESA e A. Feild (STScI)
(clique na imagem para ver versão maior)