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JAPÃO LANÇA COM SUCESSO HAYABUSA2
5 de Dezembro de 2014

 

O Japão lançou uma sonda numa missão ambiciosa para explodir um buraco num asteróide e enviar amostras da rocha espacial de volta à Terra.

A missão Hayabusa2 da JAXA, a agência espacial japonesa, levantou voo no dia 3 de Dezembro pelas 04:22 (hora portuguesa) a partir do Centro Espacial Tanegashima do Japão. Se tudo correr como o previsto, a nave deverá regressar à Terra com amostras do asteróide 1999 JU3 no final de 2020.

A Hayabusa2 é uma sequela mais ousada da histórica missão Hayabusa, que trouxe as primeiras amostras pristinas de um asteróide à Terra em 2010, após uma missão de sete anos.

Tal como a sua antecessora, a Hayabusa2 irá utilizar um motor iónico para viajar até ao asteróide e também irá recolher amostras. A primeira missão Hayabusa apenas conseguiu recolher uma pequena quantidade de material do asteróide Itokawa, mas a Hayabusa2 está desenhada para recolher mais durante a sua visita à rocha espacial.

O asteróide 1999 JU3 é carbonáceo, ou do tipo-C - diferente do asteróide Itokawa (tipo-S) visitado pela primeira Hayabusa. Os cientistas suspeitam que o asteróide 1999 JU3 contém água e materiais orgânicos - alguns dos blocos de construção do Sistema Solar.

"Acredita-se que os minerais e a água do mar que formam a Terra, bem como materiais para a vida, estejam fortemente ligados com a nebulosa solar primitiva no início do Sistema Solar," comunica a JAXA na descrição da missão. "Por isso esperamos clarificar a origem da vida ao analisar amostras obtidas de um corpo primordial como este asteróide e estudar a matéria orgânica e a água no Sistema Solar, e como coexistem enquanto afectam-se mutuamente."

Para alcançar o asteróide 1999 JU3, a Hayabusa2 levará a cabo uma passagem rasante pela Terra em 2015 a fim de ganhar velocidade e, em seguida, prosseguirá para um encontro com o asteróide em 2018. Espera-se que a Hayabusa2 orbite a rocha espacial durante 18 meses, aterrando três vezes para recolher amostras de material.

Enquanto a Hayabusa2 estuda o asteróide 1999 JU3 a partir de órbita, implantará três rovers e um "lander" alemão/europeu chamado MASCOT, todos os quais irão trabalhar de forma independente à superfície e recolherão informações sobre a composição e história do asteróide.

Os custos de desenvolvimento da missão Hayabusa2 estão estimados em quase 110 milhões de Euros (ao câmbio actual), com inúmeras melhorias em relação à missão do seu antecessor no asteróide Itokawa (Hayabusa significa "falcão" em japonês).

Os motores iónicos da Hayabusa2 têm 20% mais força propulsora do que a primeira sonda, lançada em 2003. As observações científicas da Hayabusa2 vão demorar 18 meses, em vezes de apenas três meses. E, embora o seu desenho básico seja semelhante ao da Hayabusa, a nova missão tem instrumentos mais sofisticados a bordo para estudar o asteróide alvo.

"A configuração da Hayabusa2 é basicamente a mesma que a Hayabusa, mas modificámos algumas partes através da introdução de novas tecnologias que evoluíram após a era da Hayabusa," escreve a JAXA. "Por exemplo, a antena da Hayabusa tinha uma forma parabólica, mas a da Hayabusa2 é achatada."

As melhorias permitem com que a sonda economize peso, acrescentam os funcionários da agência. "Graças ao desenho plano, o peso da antena foi reduzido em um-quarto em comparação com uma antena parabólica, cujo desempenho é o mesmo. Uma antena mais leve é melhor para um explorador espacial, por isso o desenho achatado é preferível. Além disso, é menos facilmente aquecido do que uma antena parabólica."

Os dois novos instrumentos incluem duas ferramentas que vão procurar água: um espectrómetro no infravermelho próximo e uma câmara infravermelha. A Hayabusa2 também transporta um pequeno impactador que vai atingir a superfície deliberadamente à medida que a sonda observa a partir de órbita. O impacto deverá permitir com que os cientistas observem o que acontece imediatamente após a criação de uma cratera. Seguidamente, espera-se que a Hayabusa2 aterre no local de impacto para recolher amostras de material subsuperficial escavado pela explosão.

A Hayabusa2 usará um marcador de alvo que deixará cair na superfície do asteróide 1999 JU3 para ajudar a guiar as suas descidas até à rocha espacial. Usando um altímetro laser, a sonda comunicará com o marcador para encontrar um local para pousar à superfície.

A sonda também está equipada com rastreadores estelares para determinar a sua posição e orientação no espaço, três câmaras de navegação óptica e múltiplas antenas - que variam desde alto a baixo-ganho - para se certificar que fica em contacto com a Terra durante todas as fases da missão.

Pouco se sabe sobre o asteróide 1999 JU3 porque o seu baixo albedo (reflectividade) faz com que a sua forma e rotação sejam difíceis de avaliar. Os astrónomos estimam que o asteróide mede cerca de 900 metros de diâmetro e que gira uma vez a cada 7,6 horas.

O que quer que a missão Hayabusa2 aprenda vai ajudar os investigadores a melhor compreender os primórdios do Sistema Solar.

"Pensamos que os asteróides têm informações sobre o nascimento do Sistema Solar e sobre a sua evolução," comunica a JAXA. "Para um grande corpo celeste como a Terra, os seus materiais originais já foram fundidos e, consequentemente, não há nenhuma maneira de saber a história antes da fusão. Por outro lado, a maioria das centenas de milhares de asteróides e cometas que descobrimos preservam a história do lugar e da era do seu nascimento no interior do Sistema Solar."

A sonda fará três pousos autónomos, cada vez recolhendo material e colocando-os numa câmara separada para regresso à Terra. Enquanto isso, os três rovers (colectivamente chamados Minerva II) e o pequeno módulo MASCOT vão transmitir informações a partir da superfície até à Hayabusa2.

Depois de completar as operações no asteróide 1999 JU3, a Hayabusa2 fará então uma viagem de um ano de volta à Terra, com aterragem prevista no interior australiano e no final de 2020.

Links:

Cobertura da missão Hayabusa pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
09/07/2010 - Possíveis partículas de asteróide descobertas no contentor de amostras da Hayabusa
15/06/2010 - Hayabusa regressa!
06/04/2010 - Sonda Hayabusa chegará em breve à Terra
25/11/2009 - Novas esperanças para valente missão japonesa
16/04/2008 - Sonda Hayabusa pode nunca regressar à Terra
29/08/2007 - Sonda Hayabusa recupera terceiro motor iónico
13/12/2005 - Missão Hayabusa provavelmente falhou
29/11/2005 - Missão Hayabusa com sucesso
22/11/2005 - Hayabusa falha aterragem
04/11/2005 - Apesar das imagens Hayabusa sofre retrocesso

Notícias relacionadas:
Lançamento do foguetão H-IIA que transporta a Hayabusa2 (JAXA via YouTube)
Vídeo sobre Hayabusa e Hayabusa2 (JAXA via YouTube)
SPACE.com
Sky & Telescope
The Planetary Society
Universe Today
Science
PHYSORG
NASAspaceflight.com
NewScientist
SPACENEWS
Popular Science
Discovery News
Reuters
CNN
Forbes

Hayabusa 2:
JAXA
JAXA - 2
Wikipedia

1999 JU3:
Wikipedia
JPL/NASA


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Descolagem do foguetão que transporta a sonda Hayabusa2.
Crédito: JAXA
(clique na imagem para ver versão maior)


Impressão de artista do encontro da Hayabusa2 com o asteróide 1999 JU3.
Crédito: Akihiro Ikeshita
(clique na imagem para ver versão maior)


Impressão de artista da sonda Hayabusa2 com o módulo MASCOT à superfície do asteróide 1999 JU3. A missão pretende recolher amostras da rocha e regressar à Terra em 2020.
Crédito: JAXA
(clique na imagem para ver versão maior)

 
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