O POLO NORTE DE JÚPITER É DIFERENTE DE TUDO O QUE JÁ VIMOS NO SISTEMA SOLAR
6 de setembro de 2016
A sonda Juno da NASA capturou esta imagem do polo norte de Júpiter cerca de duas horas antes da maior aproximação de dia 27 de agosto de 2016.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/SwRI/MSSS
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A sonda Juno da NASA transmitiu as primeiras imagens do polo norte de Júpiter, obtidas durante o primeiro voo rasante pelo planeta com os seus instrumentos ligados. As imagens mostram sistemas de tempestades e atividade meteorológica diferente de tudo visto anteriormente em qualquer outro dos gigantes gasosos do Sistema Solar.
A Juno executou com sucesso o primeiro de 36 voos rasantes no dia 27 de agosto, quando a nave espacial passou a 4200 km das rodopiantes nuvens de Júpiter. O download dos seis megabytes de dados, recolhidos durante o trânsito de seis horas, que cobrem desde o polo norte de Júpiter até ao polo sul, levou dia e meio. Embora a análise desta primeira recolha de dados esteja ainda em curso, já se fizeram algumas descobertas únicas.
"O primeiro vislumbre do polo norte de Júpiter e é diferente de tudo o que já vimos ou fotografámos antes," afirma Scott Bolton, investigador principal da Juno no SwRI (Southwest Research Institute), San Antonio, Texas, EUA. "É mais azulado do que outras partes do planeta e existem muitas tempestades. Não há nenhum sinal de bandas latitudinais nem das cinturas a que estamos habituados - esta imagem é dificilmente reconhecível como Júpiter. Vemos sinais de que as nuvens têm sombras, possivelmente indicando que estão a uma altitude superior a outras características."
Uma das descobertas mais notáveis destas primeiras imagens, de sempre, dos polos norte e sul de Júpiter, é algo que a câmara JunoCam não viu.
"Saturno tem um hexágono no polo norte," comenta Bolton. "Não há nada em Júpiter que se assemelhe a isso. O maior planeta do Sistema Solar é verdadeiramente único. Temos mais 36 'flybys' para estudar o quão único realmente é."
Além das fotografias da JunoCam durante a passagem rasante, todos os oito instrumentos científicos recolheram dados. O JIRAM (Jovian Infrared Auroral Mapper), fornecido pela Agência Espacial Italiana, obteve algumas espetaculares imagens infravermelhas das regiões polares norte e sul de Júpiter.
"O JIRAM observa por baixo da 'pele' de Júpiter, dando-nos os nossos primeiros vislumbres infravermelhos do planeta," comenta Alberto Adriani, coinvestigador do JIRAM no Instituto de Astrofísica e Planetologia Espacial, Roma. "Estas primeiras imagens infravermelhas das regiões polares norte e sul de Júpiter estão a revelar pontos amenos e quentes nunca antes vistos. E apesar de já sabermos que as primeiras imagens infravermelhas do polo sul de Júpiter iam revelar a aurora austral do planeta, ficámos espantados ao vê-la pela primeira vez. Nenhum outro instrumento, na Terra ou no espaço, foi capaz de ver as auroras no sul do planeta. Agora, com o JIRAM, vemos que parece ser muito brilhante e bem estruturada. O alto nível de detalhe nas imagens vai dizer-nos mais sobre a morfologia e dinâmica das auroras."
Entre os conjuntos de dados mais únicos recolhidos pela Juno durante a sua primeira "varredura" científica por Júpiter, estavam os dados recolhidos pela Radio and Plasma Wave Sensor (Waves), que registou transmissões fantasmagóricas emanadas acima do planeta. Estas emissões de rádio de Júpiter já são conhecidas desde a década de 1950, mas nunca tinham sido analisadas a partir de um ponto de vista tão íntimo.
"Júpiter está a falar-nos de uma forma como só os mundos gigantes e gasosos conseguem," comenta Bill Kurth, coinvestigador do instrumento e da Universidade de Iowa, em Iowa City. "A experiência detetou a assinatura da emissão de partículas energéticas que geram as auroras enormes que circundam o polo norte de Júpiter. Estas emissões são as mais fortes do Sistema Solar. Vamos agora tentar descobrir a origem dos eletrões que as geram."
A Juno encontrava-se a 78.000 km acima do topo das nuvens polares de Júpiter quando captou esta imagem, que mostra tempestades e características meteorológicas diferentes de tudo o já visto no Sistema Solar.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/SwRI/MSSS
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Esta imagem infravermelha pela Juno fornece uma vista sem precedentes da aurora austral de Júpiter. Estas perspetivas não são possíveis da Terra.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/SwRI/MSSS
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