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Edição n.º 1390
04/07 a 06/07/2017
 
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EFEMÉRIDES

Dia 04/07: 185.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1054, foi detetada pela primeira vez uma brilhante supernova registada pelos astrónomos chineses, árabes e possivelmente pelos povos indígenas do continente americano. Ficou visível durante meses, brilhante o suficiente para ser vista durante o dia. Deu origem ao remanescente de supernova chamado Nebulosa do Caranguejo, também conhecido por M1.
Em 1868 nascia Henrietta Swan Leavitt, astrónoma americana que examinou chapas fotográficas para medir e catalogar o brilho de estrelas.

Descobriu a relação entre a luminosidade e o período das estrelas variáveis Cefeidas. Foi a sua descoberta que permitiu aos astrónomos medirem a distância entre a Terra e as galáxias distantes. Após a sua morte, Edwin Hubble usou a relação do período-luminosidade das Cefeidas para determinar que a Via Láctea não era a única galáxia no Universo observável e que o Universo estava em expansão. 
Em 1997, a Pathfinder aterrava em Marte.
Em 1998, o Japão lança uma sonda para Marte e junta-se à lista de países que participam na exploração espacial. Devido a vários problemas com a Nozomi cerca de um ano depois, a missão foi abandonada.
Em 2005, a Deep Impact colide com o cometa Tempel 1
Em 2006, missão STS-121 do vaivém espacial Discovery.
Em 2012, é anunciada no CERN a descoberta de partículas consistentes com o bosão de Higgs no LHC (Large Hadron Collider).
Observações: Quando anoitecer completamente, já Altair brilha razoavelmente alta a este. Uma dica para a identificar é pela sua pequena companheira Tarazed (Gamma Aquilae), a um dedo de distância para cima ou para a cima e para sua esquerda. Não têm relação: Altair está a 17 anos-luz de distância; Tarazed a mais ou menos 460.
Para a esquerda de Altair encontra-se a pequena constelação de Golfinho.

Dia 05/07: 186.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1687, era publicado o Philosophiae Naturalis Principia Mathematica de Isaac Newton.

Pela primeira vez era dada uma explicação para a causalidade do movimento dos planetas e satélites.
Em 2016, a sonda Juno chega a Júpiter.
Observações: A Lua brilha para cima da alaranjada Antares esta noite. Para cima e para a direita de Antares, e para baixo e para a direita da Lua, encontra-se a fila quase vertical de três estrelas que assinalam a cabeça da contelação de Escorpião. A estrela do topo é Beta Scorpii ou Graffias, um bonito sistema duplo para telescópios.
Apenas 1º para baixo de Beta Sco está o mais ténue e mais largo par Omega1 e Omega2 Scorpii, orientado diagonalmente. Binóculos podem mostrar uma ligeira diferença de cores.
Para a esquerda de Beta, cerca de 1,6º, está Nu Scorpii, outro bom binário telescópico. Um mais alto poder de ampliação revela que o componente mais brilhante de Nu é ele próprio um binário íntimo, com uma separação de 2 segundos de arco.
Trânsito de Io, entre as 22:28 e as 00:44 (já de dia 6).

Dia 06/07: 187.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 2003, o radar planetário de Yevpatoria com 70 metros, envia uma mensagem METI para 5 estrelas: Hip 4872HD 24540955 CancriHD 10307 e 47 Ursae Majoris, que chegará em 2036, 2040, 2044 e 2049, respetivamente.

Observações: Júpiter na sua quadratura este, pelas 03:25.
Ocultação de Io, entre as 19:45 e as 22:02.
Aviste Saturno brilhando cerca de 3º para baixo da Lua esta noite.

 
CURIOSIDADES


Teoricamente, em Titã (lua de Saturno), um humano vestido com um fato de voo - com uma área de asas de 4,7 m^2 -, e assumindo uma velocidade de 11 m/s, conseguiria levantar voo e voar como um pássaro.

 
SONDA JUNO PASSARÁ DIRETAMENTE POR CIMA DA GRANDE MANCHA VERMELHA DE JÚPITER NO PRÓXIMO DIA 11

Poucos dias depois de comemorar o seu primeiro aniversário em órbita de Júpiter, a sonda Juno da NASA voará diretamente sobre a Grande Mancha Vermelha de Júpiter, a icónica tempestade com 16 mil quilómetros de largura do gigante gasoso. Esta será a primeira visão íntima da característica gigante pela Humanidade - uma tempestade monitorizada desde 1830 e que possivelmente existe há mais de 350 anos.

"A misteriosa Grande Mancha Vermelha de Júpiter é provavelmente a característica mais conhecida de Júpiter," comenta Scott Bolton, investigador principal da Juno no SwRI (Southwest Research Institute) em San Antonio. "Esta tempestade monumental 'enfurece' o maior planeta do Sistema Solar há séculos. Agora, a Juno e os seus instrumentos científicos penetrantes vão mergulhar para ver quão profundas são as raízes desta tempestade, e para nos ajudar a entender como é que funciona e o que a torna tão especial."

Este mosaico de Júpiter, a cores verdadeiras, foi construído a partir de imagens obtidas pela câmara de ângulo estreito da sonda Cassini no dia 29 de dezembro de 2000, durante a sua maior aproximação ao planeta gigante a uma distância de aproximadamente 10 milhões de quilómetros.
Crédito: NASA/JPL/SSI
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A recolha de dados da Grande Mancha Vermelha faz parte do sexto voo rasante científico da Juno por cima das misteriosas nuvens de Júpiter. O perijove (o ponto orbital mais próximo do centro de Júpiter) terá lugar terça-feira, dia 11 de julho, pelas 02:55 (hora portuguesa). Nessa altura, a Juno passará a cerca de 3500 km do topo das nuvens do planeta. Onze minutos e 33 segundos depois, a Juno terá coberto outros 39.771 quilómetros e estará diretamente por cima das rodopiantes nuvens carmesim da Grande Mancha Vermelha de Júpiter. A nave passará cerca de 9000 quilómetros acima das nuvens da enorme tempestade. Todos os oito instrumentos da sonda, bem como a sua câmara, JunoCam, estarão ligados durante o "flyby".

Às 03:30 (hora portuguesa) de dia 5 de julho, a Juno completará exatamente um ano em órbita de Júpiter. Aí, a nave terá totalizado, aproximadamente, 114,5 milhões de quilómetros em órbita do planeta gigante.

"O sucesso da recolha científica em Júpiter é testemunho da dedicação, criatividade e capacidades técnicas da equipa da NASA-Juno," realça Rick Nybakken, gestor do projeto Juno no JPL da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia. "Cada nova órbita aproxima-nos do coração da cintura de radiação de Júpiter, mas até agora a nave tem resistido à tempestade de eletrões que rodeiam Júpiter melhor do que alguma vez podíamos imaginar."

A Juno foi lançada no dia 5 de agosto de 2011, a partir de Cabo Canaveral, Flórida, EUA. Durante a sua missão de exploração, a Juno voa perto do topo das nuvens do planeta - até 3400 quilómetros. Nestes voos rasantes, a Juno sonda o interior da cobertura de nuvens e estuda as suas auroras para aprender mais sobre as origens, estrutura atmosfera e magnetosfera do planeta.

Os primeiros resultados científicos da missão Juno da NASA retratam o maior planeta do nosso Sistema Solar como um mundo turbulento, com uma estrutura interior intrigantemente complexa, uma aurora polar energética e grandes ciclones polares.

Links:

Cobertura da missão Juno pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
26/05/2017 - Um Júpiter completamente novo: primeiros resultados científicos da missão Juno
06/09/2016 - O polo norte de Júpiter é diferente de tudo o que já vimos no Sistema Solar
30/08/2016 - Juno completa com sucesso "flyby" por Júpiter
05/07/2016 - Juno está em órbita do poderoso Júpiter
21/06/2016 - Sonda Juno prestes a chegar ao ambiente de radiação mais perigoso do Sistema Solar
02/08/2011 - Juno mostra campo magnético de Júpiter em HD 
09/04/2010 - NASA começa a construir nova sonda para visitar Júpiter
26/11/2008 - Juno, a próxima missão a Júpiter

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
PHYSORG

Missão Juno:
NASA
SwRI
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Twitter
Wikipedia

Júpiter:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia
Grande Mancha Vermelha de Júpiter (Wikipedia)

 
ALMA REVELA NASCIMENTO TURBULENTO DE ESTRELAS GÉMEAS

Usando o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), investigadores obtiveram uma pista crítica para um problema subjacente: como é que se formam os sistemas binários de grande separação? A equipa descobriu estrelas gémeas recém-nascidas, de massa muito baixa, com eixos de rotação desalinhados. Este desalinhamento indica que se formaram num par de nuvens de gás fragmentadas produzidas por turbulência, não através de evolução de gémeas bem próximas uma da outra. Este achado apoia fortemente a teoria de fragmentação turbulenta da formação de estrelas binárias até ao regime subestelar.

Uma equipa internacional de astrónomos, liderada por Jeong-Eun Lee da Universidade de Kyung Hee, Coreia, observou o sistema duplo bebé IRAS 04191+1523 com o ALMA. Graças à alta resolução do ALMA, a equipa observou com sucesso a rotação dos discos de gás em redor das estrelas gémeas de massa muito baixa e descobriu que os eixos de rotação das duas estrelas estão desalinhados.

"Esta revelação é particularmente interessante porque as massas das duas estrelas bebé, derivadas a partir dos nossos dados ALMA, correspondem a cerca de 10% da massa do Sol, o que é um valor muito baixo. Mas o nosso resultado é uma forte evidência de que os binários largos destas estrelas de massa muito baixa, e até as anãs castanhas, se podem formar da mesma maneira que as estrelas normais, via fragmentação turbulenta," comenta Lee.

Mais de metade das estrelas no Universo nascem aos pares ou em sistemas múltiplos. Portanto, a determinação do mecanismo de formação das estrelas duplas é crucial para uma compreensão abrangente da evolução estelar.

Impressão de artista do sistema bebé IRAS 04191+1523.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Existem dois tipos de estrelas múltiplas: sistemas íntimos e sistemas amplamente separados. Os astrónomos testemunharam um sistema íntimo a ser formado através da fragmentação do disco de gás em torno das estrelas primogénitas. Por outro lado, não existem evidências claras de quão amplamente separados os sistemas se podem formar. Alguns investigadores assumem que um sistema íntimo evolui para um sistema amplo ao longo de milhões de anos devido a interações dinâmicas, mas outros acham que a turbulência numa nuvem de gás fragmenta a nuvem em secções mais pequenas e que se formam estrelas em cada uma das pequenas nuvens.

Com o objetivo de encontrar pistas sobre a formação de sistemas binários amplos, os cientistas selecionaram IRAS 04191+1523 como o alvo das suas observações com o ALMA. A separação das duas estrelas corresponde a mais ou menos 30 vezes a distância entre Neptuno e o Sol e tal valor classifica-as como um binário largo. Estima-se que a idade do sistema seja muito inferior a meio milhão de anos, sendo, portanto, um bom alvo para investigar a fase inicial da formação de binários amplos.

Composição do sistema bebé IRAS 04191+1523. O ALMA revelou os discos em torno de duas estrelas (branco) e um invólucro gasoso comum (amarelo). O tom avermelhado mostra a distribuição de uma nuvem densa vista no infravermelho longínquo, pelo Observatório Espacial Herschel.
Crédito: ALMA (ESO(NAOJ/NRAO), Lee et al., ESA/Herschel/PACS
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A equipa analisou o sinal das moléculas de dióxido de carbono nos discos para derivar o seu movimento e descobriu que os dois discos em redor das estrelas bebé não estão alinhados. O ângulo entre os eixos de rotação dos discos é de 77 graus.

"O sistema é demasiado jovem para o alinhamento dos eixos ter sido modificado pelas interações," realça Lee, "assim que concluímos que este sistema foi formado pela fragmentação turbulenta de uma nuvem, não pela fragmentação e migração do disco."

Se um sistema binário é formado através da fragmentação do disco, o momento de rotação do gás alinha os eixos das duas estrelas. Este alinhamento seria mantido mesmo que a separação entre as duas aumentasse via interações de maré. O desalinhamento dos eixos do sistema bebé IRAS 04191+1523 rejeita claramente este cenário.

Links:

Notícias relacionadas:
Observatório ALMA (comunicado de imprensa)

IRAS 04191+1523:
SIMBAD

Formação estelar:
Wikipedia

ALMA:
Página principal
ALMA (NRAO)
ALMA (NAOJ)
ALMA (ESO)
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - Montanhas de Poeira na Nebulosa Carina
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: NASAESA, e M. Livio (STScI)
 
É um caso de estrelas contra poeira na Nebulosa Carina e as estrelas estão a ganhar. Mais precisamente, a luz energética e os ventos de estrelas massivas recém-formadas estão a evaporar e a dispersar os berçários estelares poeirentos onde se formaram. Localizado na Nebulosa Carina e conhecido informalmente como Montanha Mística, a aparência deste pilar é dominada por poeira escura pese embora seja composto principalmente por hidrogénio gasoso claro. Os pilares de poeira como este são realmente são na realidade muito mais finos do que o ar e só parecem montanhas devido às quantidades relativamente pequenas de poeira interestelar opaca. A cerca de 7500 anos-luz de distância, a imagem em destaque foi obtida com o Telescópio Espacial Hubble e realça uma região interior de Carina que abrange mais ou menos três anos-luz. Daqui a alguns milhões de anos, as estrelas provavelmente ganham a "guerra" e toda a montanha de poeira evapora.
 

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