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Edição n.º 1422
24/10 a 26/10/2017
 
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EFEMÉRIDES

Dia 24/10: 297.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1851, William Lassell descobre as luas UmbrielAriel em órbita de Úrano.
Em 1946, uma câmara a bordo do foguetão V-2 n.º 13 tira a primeira fotografia da Terra a partir do espaço.
Em 1957, a Força Aérea dos EUA começa o programa X-20 Dyna-Soar.
Em 1960, catástrofe de Nedelin: um missil balístico R-16 explode na plataforma de lançamento do cosmódromo de Baikonur, matando mais de 100 pessoas. A União Soviética só desclassificou o evento em 1989.
Em 1962, a Mars 2MV-4 No.1, também conhecida como Sputnik 22, falha a deixar a órbita da Terra.
Em 1998, lançamento da missão Deep Space 1.

Em 2007, o Chang'e 1, o primeiro satélite do Programa de Exploração Lunar da China, é lançado a partir do Centro de Lançamento Xichang.
Observações: Ao lusco-fusco, Saturno aparece cerca de 4º para baixo e para a direita da Lua, ambos os astros baixos a sudoeste.

Dia 25/10: 298.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1671, Giovanni Cassini descobre a lua de Saturno, Jápeto.
Em 1877 nascia Henry Norris Russell, astrónomo americano que, juntamente com Ejnar Hertzsprung, desenvolveu o diagrama Hertzsprung-Russell em 1910. 
Em 1999, observações terrestres de um vulcão em erupção em Io, uma lua de Júpiter

Observações: Vem aí o "Halloween" e isso significa que Arcturo, a estrela que brilha baixa a oeste-noroeste ao anoitecer, está a tomar o seu lugar como o "Fantasma dos Sóis de Verão".
O que é que isto significa? Ao longo de vários dias que rodeiam 25 de outubro, todos os anos, Arcturo ocupa um lugar muito especial acima do horizonte. Marca com grande precisão o local onde o Sol esteve à mesma hora, durante os quentes meses de junho e julho - em plena luz do dia, claro. Assim, com o aproximar do "Halloween", podemos ver Arcturo como o frio fantasma do Sol de verão.

Dia 26/10: 299.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1968, o cosmonauta soviético Georgy Beregovoy pilota a Soyuz 3 para o espaço, numa missão de quatro dias.

Observações: Júpiter em conjunção com o Sol, pelas 19:00.
Desenhe uma linha a partir de Altair, a estrela mais brilhante alta para cima da Lua, que está a sudoeste depois do anoitecer, para a direita até à mais brilhante Vega, muito alta a oeste. Continue na mesma direção metade da distância já percorrida e encontra o asterismo de Lozenge: a cabeça de Dragão. A sua estrela mais brilhante é a alaranjada Eltanin, a ponta do nariz de Dragão, que aponta na direção de Vega.

 
CURIOSIDADES


O JPL da NASA colaborou com a Google para produzir "Access Mars", uma experiência VR interativa. Está disponível para computadores e para dispositivos móveis com headsets VR/AR.

 
NOVO ESTUDO MELHORA A PROCURA DE MUNDOS HABITÁVEIS

Uma nova investigação da NASA está a ajudar a refinar a nossa compreensão de candidatos a planeta para lá do nosso Sistema Solar que possam suportar vida.

"Usando um modelo que simula mais realisticamente as condições atmosféricas, descobrimos um novo processo que controla a habitabilidade dos exoplanetas, que irá guiar-nos na identificação de candidatos em estudos futuros," afirma Yuka Fujii do Instituto Goddard para Estudos Espaciais da NASA, em Nova Iorque, e do Instituto de Tecnologia do Japão, autora principal do artigo científico publicado no dia 17 de outubro na revista The Astrophysical Journal.

Os modelos anteriores simularam condições atmosféricas ao longo de uma dimensão, a vertical. Tal como noutros estudos recentes de habitabilidade, a nova investigação usou um modelo para calcular condições em todas as três dimensões, permitindo que a equipa simulasse a circulação da atmosfera e as características especiais dessa circulação, o que os modelos unidimensionais não conseguem fazer. O novo trabalho vai ajudar os astrónomos a atribuir o escasso tempo de observação aos candidatos mais promissores para a habitabilidade.

Esta ilustração mostra a luz de uma estrela a iluminar a atmosfera de um planeta.
Crédito: Centro Espacial Goddard da NASA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

A água líquida é necessária para a vida como a conhecemos, de modo que a superfície de um mundo alienígena (por exemplo, um exoplaneta) é considerada potencialmente habitável se a sua temperatura permitir que a água líquida esteja presente por tempo suficiente (milhares de milhões de anos) para que a vida possa prosperar. Se o exoplaneta estiver muito longe da sua estrela principal, será demasiado frio e os seus oceanos congelam. Se o exoplaneta estiver muito próximo, a luz da estelar será muito intensa e os oceanos acabarão por evaporar para o espaço. Isto acontece quando o vapor de água sobe para uma camada na atmosfera superior chamada estratosfera e é quebrado nos seus componentes elementares (hidrogénio e oxigénio) pela luz ultravioleta da estrela. Os átomos extremamente leves de hidrogénio podem então escapar para o espaço. Diz-se que os planetas no processo de perda dos seus oceanos entraram num efeito de estufa "húmido" devido às suas estratosferas húmidas.

Para que o vapor de água suba à estratosfera, os modelos anteriores previam que as temperaturas de superfície a longo prazo deveriam ser maiores do que que cá na Terra - mais de 66º C. Estas temperaturas produziriam fortes tempestades convectivas; no entanto, verifica-se que estas tempestades não são a razão pela qual a água atinge a estratosfera para planetas com rotação lenta que entram num efeito de estufa húmido.

"Encontrámos um papel importante do tipo de radiação que uma estrela emite e o efeito que tem na circulação atmosférica de um exoplaneta na produção do efeito de estufa húmido," comenta Fujii. Para os exoplanetas que orbitam perto das suas estrelas-mãe, a gravidade de uma estrela será forte o suficiente para diminuir a rotação de um planeta. Isso pode fazer com que sofra de efeito de bloqueio de maré, tendo o mesmo lado sempre apontado para a estrela - um dia eterno - e o outro sempre na direção oposta - noite eterna.

Quando isto acontece, formam-se nuvens espessas no lado diurno do planeta e agem como um guarda-sol para proteger a superfície de grande parte da luz estelar. Embora isto possa manter o planeta fresco e evitar que o vapor de água suba, a equipa descobriu que a radiação da estrela no infravermelho próximo pode fornecer o calor necessário para despoletar a entrada do planeta no efeito de estufa húmido. O infravermelho próximo é um tipo de luz invisível ao olho humano. A água como vapor no ar e as gotículas de água ou cristais de gelo nas nuvens absorvem fortemente a radiação no infravermelho próximo, aquecendo o ar. À medida que o ar aquece, sobe, transportando a água até à estratosfera onde forma o efeito de estufa húmido.

Este processo é especialmente relevante para os planetas em redor de estrelas de baixa massa que são mais frias e muito mais fracas que o Sol. Para serem habitáveis, os planetas devem estar muito mais próximos dessas estrelas do que a nossa Terra está do Sol. A uma distância tão curta, estes planetas provavelmente sofrem grandes efeitos de maré das suas estrelas, fazendo com que girem lentamente. Além disso, quanto mais fria for uma estrela, mais radiação no infravermelho próximo emite. O novo modelo demonstrou que dado que estas estrelas emitem a maior parte da sua luz nos comprimentos de onda no infravermelho próximo, daqui resultará um efeito de estufa húmido até em condições comparáveis ou um pouco mais quentes às dos trópicos da Terra. Para exoplanetas mais perto das suas estrelas, a equipa descobriu que o processo conduzido pela radiação no infravermelho próximo aumentou a humidade na estratosfera. Assim sendo, é possível, ao contrário das previsões dos antigos modelos, que um exoplaneta mais próximo da sua estrela-mãe possa permanecer habitável.

Este é uma ilustração da distribuição do gelo marinho num mundo oceânico com rotação síncrona. A estrela está para a direita, o azul é onde existe um oceano aberto e o branco é onde existe gelo.
Crédito: Anthony Del Genio/GISS/NASA
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Esta é uma observação importante para os astrónomos que procuram mundos habitáveis, uma vez que as estrelas de baixa massa são as estrelas mais comuns da Galáxia. Os seus números aumentam as hipóteses de que um mundo habitável possa ser encontrado, e o seu tamanho pequeno aumenta a probabilidade de detetar sinais planetários.

O novo trabalho ajudará os astrónomos a selecionar os candidatos mais promissores na busca por planetas que possam suportar vida. "Enquanto soubermos a temperatura da estrela, podemos estimar quais os planetas perto das suas estrelas com potencial para ter um efeito de estufa húmido," comenta Anthony Del Genio do Instituto Goddard para Estudos Espaciais da NASA, coautor do artigo. "A tecnologia atual será empurrada até ao limite com o objetivo de detetar pequenas quantidades de vapor de água na atmosfera de um exoplaneta. Se houver água suficiente para ser detetada, isso provavelmente significa que o planeta tem um efeito de estufa húmido."

Neste estudo, os investigadores assumiram um planeta com uma atmosfera como a da Terra, mas coberto inteiramente por oceanos. Estes pressupostos permitiram que a equipa visse claramente como a mudança da distância orbital e o tipo de radiação estelar afetavam a quantidade de vapor de água na estratosfera. No futuro, a equipa planeia variar características planetárias como a gravidade, o tamanho, a composição atmosférica e a pressão superficial para ver como afetam a circulação de vapor de água e a habitabilidade.

Links:

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
The Astrophysical Journal
Universe Today
Science alert
PHYSORG

Planetas extrasolares:
Wikipedia
NASA Exoplanet Arquive
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

 
MAVEN DESCOBRE QUE MARTE TEM UMA "CAUDA TORCIDA"
Impressão de artista do complexo ambiente do campo magnético de Marte. As linhas amarelas representam as linhas do campo magnético do Sol transportado pelo vento solar, as linhas azuis representam os campos magnéticos da superfície marciana, as "faíscas" brancas são atividade de reconexão e as linhas vermelhas são campos magnétcios reconectados que ligam a superfície ao espaço via magnetocauda marciana.
Crédito: Anil Rao/Universidade do Colorado/MAVEN/NASA GSFC
(clique na imagem para ver versão maior)
 

De acordo com uma nova investigação usando dados da sonda MAVEN da NASA, Marte tem uma "cauda" magnética invisível que é torcida pela interação com o vento solar.

A sonda MAVEN (Mars Atmosphere and Volatile Evolution Mission) da NASA está em órbita do Planeta Vermelho a recolher dados sobre o modo como Marte perdeu grande parte da sua atmosfera e da água, transformando-se de um mundo que poderia ter sustentado vida há milhares de milhões de anos num lugar frio e inóspito hoje. Segundo a equipa, o processo que forma a cauda torcida também pode permitir que parte da já fina atmosfera de Marte escape para o espaço.

"Nós descobrimos que a cauda magnética de Marte, ou magnetocauda, é única no Sistema Solar," comenta Gina DiBraccio do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano da Maryland. "Não é como a magnetocauda de Vénus, um planeta sem campo magnético próprio, nem é como a da Terra, um planeta rodeado pelo seu próprio campo magnético gerado internamente. Ao invés, é um misto das duas." DiBraccio é cientista do projeto MAVEN e apresentou a sua investigação numa conferência de imprensa no passado dia 19 de outubro durante a 49.ª reunião anual da Divisão de Ciências Planetárias da União Astronómica Americana em Provo, no estado do Utah.

A equipa descobriu que um processo chamado "reconexão magnética" deve ter um papel importante na criação da magnetocauda marciana porque, a ocorrer esta reconexão, esta faria uma torção na cauda.

"O nosso modelo previu que a reconexão magnética fará com que a magnetocauda marciana gire 45 graus em relação ao que se espera com base na direção do campo magnético transportado pelo vento solar," esclarece DiBraccio. "Quando comparámos essas previsões com os dados da MAVEN das direções dos campos magnéticos marciano e do vento solar, estas estavam em muito boa concordância."

Marte perdeu o seu campo magnético global há milhares de milhões de anos e agora tem apenas campos magnéticos remanescentes e "fósseis" embutidos em certas regiões da sua superfície. De acordo com o novo trabalho, a magnetocauda de Marte é formada quando os campos magnéticos transportados pelo vento solar se juntam com os campos magnéticos embutidos na superfície marciana num processo chamado reconexão magnética. O vento solar é uma corrente de gás eletricamente condutor continuamente "soprado" da superfície do Sol para o espaço a cerca de 1,6 milhões de quilómetros por hora. Transporta com ele campos magnéticos do Sol. Se o campo do vento solar estiver orientado na direção oposta à do campo da superfície marciana, os dois campos juntam-se em reconexão magnética.

O processo de reconexão magnética também pode impulsionar parte da atmosfera de Marte para o espaço. A atmosfera superior de Marte tem partículas carregadas (iões). Os iões respondem a forças elétricas e magnéticas e circulam pelas linhas do campo magnético. Uma vez que a magnetocauda marciana é formada pela ligação de campos magnéticos da superfície com campos do vento solar, os iões na atmosfera superior de Marte têm um caminho para o espaço se seguirem pela magnetocauda. Como um elástico subitamente adotando a sua forma original, a reconexão energética também liberta energia, o que poderia impulsionar ativamente os iões na atmosfera marciana pela magnetocauda e para o espaço.

Dado que Marte possui diversos campos magnéticos à superfície, os cientistas suspeitam que a magnetocauda marciana seja um complexo híbrido entre a de um planeta sem campo magnético global e aquela encontrada por trás de um planeta com um campo magnético global. Os extensos dados da MAVEN sobre o campo magnético de Marte permitiram que a equipa fosse a primeira a confirmar isto. A órbita da MAVEN muda constantemente de orientação em relação ao Sol, permitindo a obtenção de medições em todas as regiões de Marte e a construção de um mapa da magnetocauda e da sua interação com o vento solar.

Os campos magnéticos são invisíveis, mas a sua direção e força podem ser medidas pelo magnetómetro a bordo da MAVEN, que a equipa usou para fazer as observações. Planeiam examinar os dados de outros instrumentos da MAVEN para ver se as partículas que escapam correspondem às mesmas regiões onde vêm os campos magnéticos reconectados a fim de confirmar que a reconexão está a contribuir para a perda de atmosfera marciana e determinar a sua importância. Também esperam recolher mais dados com o magnetómetro ao longo dos próximos anos para ver como os vários campos magnéticos à superfície afetam a cauda à medida que o planeta gira. Esta rotação, juntamente com um campo magnético do vento solar em constante mudança, cria uma magnetocauda marciana extremamente dinâmica. "Marte é incrivelmente complexo e interessante ao mesmo tempo," conclui DiBraccio.

Links:

Cobertura da missão MAVEN pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
04/04/2017 - Sonda MAVEN revela que maior parte da atmosfera marciana foi perdida para o espaço
06/11/2015 - MAVEN revela velocidade a que o vento solar retira atmosfera de Marte
23/06/2015 - Marte é uma "estrela de rock"
20/03/2015 - MAVEN deteta auroras e misteriosa nuvem de poeira em torno de Marte
19/12/2014 - MAVEN identifica elos da cadeia que leva a perda atmosférica
23/09/2014 - MAVEN chega a Marte, amanhã é a vez da indiana Mangalyaan
19/09/2014 - MAVEN chega a Marte este fim-de-semana 
19/11/2013 - Lançamento da MAVEN 
15/11/2013 - MAVEN vai investigar o que aconteceu em Marte 
01/11/2013 - NASA prepara lançamento da 1.ª missão de exploração da atmosfera marciana

Notícias relacionadas:
NASA (comunicado de imprensa)
Apresentação Powerpoint sobre o tema
Science alert
PHYSORG

MAVEN:
NASA
NASA - 2
Wikipedia

Marte:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

Vento solar:
NASA
SWPC/NOAA
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Devoradora de planetas? Investigadores dão nome "Cronos" a estrela (via Universidade de Princeton)
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ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - A Dança de Dois Buracos Negros em 3C 75
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: raios-X - NASA/CXC/D. Hudson, T. Reiprich et al. (AIfA); Rádio: NRAO/VLA/ NRL
 
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