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Edição n.º 1438
19/12 a 21/12/2017
 
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29/12/17 - APRESENTAÇÃO ÀS ESTRELAS + PALESTRA
19:30 - Este evento inclui uma apresentação sobre um tema de astronomia, seguida de observação astronómica noturna com telescópio no nosso maravilhoso terraço (dependente de meteorologia favorável).
Local: CCVAlg
Preço: 2€
Pré-inscrição: siga este link
Telefone: 289 890 920
E-mail: info@ccvalg.pt

 
EFEMÉRIDES

Dia 19/12: 353.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1852 nascia Albert A. Michelson, físico americano conhecido pelo seu trabalho na medição da velocidade da luz e especialmente pela experiência Michelson-Morley.
Em 1972, a Apollo 17, a última missão lunar tripulada, regressava à Terra. 

Em 2013, a sonda europeia Gaia é lançada para o espaço.
Observações: As cinco estrelas que formam a constelação de Cassiopeia geralmente desenham um "W", mas por estas noites "dá a volta" à Polar e desenham um "M", muito alto a norte. Explore as jóias telescópicas de Cassiopeia com um telescópio.

Dia 20/12: 354.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1904, era fundado o Observatório Solar do Mt. Wilson
Em 1996, morria Carl Sagan, considerado por muitos o maior divulgador de Astronomia da História.
Em 1999, lançamento da missão STS-103 do vaivém Discovery, a terceira missão de serviço ao Telescópio Hubble.

Observações: Esta é a altura do ano em que M31, a Galáxia de Andrómeda, passa perto do zénite pouco depois do anoitecer caso viva a latitudes médias norte. A hora exata depende da longitude do observador. Uns binóculos mostram M31 mesmo para o lado do joelho levantado da figura de Andrómeda.

Dia 21/12: 355.º dia do calendário gregoriano.
História: Em 1968, lançamento da Apollo 8William A. AndersJames A. Lovell Jr. e Frank Borman tornaram-se nos primeiros seres humanos a sair da órbita da Terra.

Esta missão teve como objetivo alcançar a órbita da Lua, observar a sua superfície e o seu lado escuro. Duração da missão: 6 dias, 3 horas, 0 minutos e 42 segundos. 
Em 1984 era lançada a sonda soviética Vega 2.
Em 2015, a SpaceX faz história, tornando-se na primeira companhia a fazer regressar, com sucesso, o estágio de um veícullo de lançamento orbital à Terra para uma aterragem propulsiva numa plataforma de aterragem terrestre.
Observações: Hoje é o dia mais curto do ano para o hemisfério norte e o dia mais longo do ano para o hemisfério sul. O solstício de inverno occore às 16:28, quando o Sol atinge a sua declinação mais a sul para 2017 e começa a sua viagem de seis meses para norte.
A fraca chuva de meteoros das Ursídeas atinge o pico hoje e/ou amanhã à noite. O seu radiante (a perspetiva do seu ponto de origem) é circumpolar, perto de Kochab na "frigideira" da Ursa Menor. Assim sendo, a chuva está ativa, de certo modo, desde o anoitecer até ao amanhecer. Mas, salvo raras exceções, provavelmente só conseguirá observar um punhado de Ursídeas por hora de observação.
Conjunção de Saturno, pelas 21:03.

 
CURIOSIDADES


Grande Muralha de Hércules-Coroa Boreal é uma imensa superestrutura de galáxias que mede mais de 10 mil milhões de anos-luz. É a maior e mais massiva estrutura conhecida no Universo observável. Foi descoberta através do mapeamento de explosões de raios-gama que ocorrem no Universo distante.

 
MAIS INFORMAÇÕES SOBRE O OBJETO 'OUMUAMUA
Impressão de artista do objeto 'Oumuamua.
Crédito: ESO/M. Kornmesser
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Cientistas da Queen's University em Belfast lideraram investigações mundiais a um objeto misterioso que passou perto da Terra depois de chegar do espaço interestelar profundo.

Desde que o objeto foi avistado em outubro, o professor Alan Fitzsimmons e a Dra. Michele Bannister da Escola de Matemática e Física da Queen's University lideraram uma equipa internacional de astrónomos para reunir um perfil do estranho visitante, que recebeu o nome 'Oumuamua.

A equipa foi composta por cientistas de outros locais do Reino Unido, dos EUA, Canadá, Taiwan e Chile.

A equipa mediu o modo como 'Oumuamua reflete luz solar e descobriu que é parecido com objetos gelados cobertos com uma crosta seca. Isto porque 'Oumuamua está exposto aos raios cósmicos há milhões de anos, talvez milhares de milhões, tendo formado à superfície uma camada isolante rica em materiais orgânicos.

A investigação, publicada esta semana na revista Nature Astronomy, sugere que a crosta seca de 'Oumuamua poderá ter protegido o seu interior gelado de ser vaporizado - mesmo quando o objeto estava a apenas 37 milhões de quilómetros do nosso Sol em setembro, a sua aproximação máxima à nossa estrela.

Fitzsimmons comenta: "Descobrimos que a superfície de 'Oumuamua é parecida com a dos pequenos corpos do Sistema Solar ricos em carbono, cuja estrutura é alterada pela exposição aos raios cósmicos.

"Também descobrimos que um revestimento de meio metro de espessura, rico em materiais orgânicos, poderá ter protegido o interior rico em água gelada, interior este como o de um cometa, de vaporizar quando o objeto foi aquecido pelo Sol, apesar de ter alcançado uma temperatura superior a 300º C."

Bannister e sua equipa observaram 'Oumuamua enquanto ainda estava ao alcance dos maiores telescópios do mundo e os seus achados foram publicados a semana passada na revista Astrophysical Journal Letters. Descobriram que o objeto tem a mesma cor que alguns dos gelados planetas menores que estudam nos limites do nosso Sistema Solar. Isto significa que diferentes sistemas planetários na nossa Galáxia contêm planetas menores como o nosso.

Trabalhando juntos, os investigadores conseguiram descobrir alguns factos muitos importantes sobre 'Oumuamua.

Bannister explica: "Descobrimos que este é um planetesimal com uma crosta bem 'cozida' que se parece muito com os mundos mais pequenos nas regiões externas do nosso Sistema Solar, tem uma superfície acinzentada/vermelha e é altamente alongado, provavelmente com o tamanho e forma do arranha-céus Gherkin em Londres.

É fascinante que o primeiro objeto interestelar descoberto se pareça muito com um mundo minúsculo do nosso Sistema Solar. Isto sugere que o modo como os nossos planetas e asteroides se formaram pode ter semelhanças com a formação de sistemas em torno de outras estrelas."

Bannister acrescenta: "Continuamos a estudar 'Oumuamua e esperamos fazer mais descobertas no futuro próximo. Descobertas como esta realmente ajudam a dar um pequeno vislumbre do que existe por aí e encorajam as pessoas a olhar para cima e a sentirem-se maravilhadas."

Links:

Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
31/10/2017 - Pequeno asteroide ou cometa está apenas de "visita" ao Sistema Solar

Notícias relacionadas:
Queen's University em Belfast (comunicado de imprensa)
Nature Astronomy
ScienceNews
SPACE.com
PHYSORG
ScienceDaily

'Oumuamua:
JPL/NASA
Wikipedia

 
GAIA E AS NOSSAS VIZINHAS GALÁCTICAS

Medindo as posições e os movimentos de mais de mil milhões de estrelas, a missão Gaia da ESA aperfeiçoará o nosso conhecimento sobre o nosso lugar no Universo, fornecendo o melhor mapa estelar da nossa Via Láctea e das suas galáxias vizinhas.

Imagens da Grande Nuvem de Magalhães pelo Gaia. Clique aqui para saber mais detalhes.
Crédito: ESA/Gaia/DPAC
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Uma das galáxias mais próximas da nossa Galáxia é a Grande Nuvem de Magalhães (GNM), localizada a cerca de 166.000 anos-luz de distância e visível a olho nu a latitudes intermédias e sul.

Com uma massa aproximadamente equivalente a 10 mil milhões de vezes a massa do nosso Sol - a GNM é o lar de uma intensa atividade de formação estelar, produzindo estrelas a um ritmo cinco vezes superior ao da nossa Via Láctea. Diferentes aspetos da população estelar da Galáxia são retratados nestas duas imagens, com base em dados recolhidos pelo satélite Gaia durante os seus primeiros 14 meses de operações.

A imagem à esquerda, compilada por mapeamento da densidade total de estrelas detetados pelo Gaia em cada pixel da imagem, mostra a distribuição em grande escala de estrelas na GNM, delineando a extensão dos braços espirais. A imagem é salpicada por pontos brilhantes - estes são fracos enxames de estrelas.

Uma série de listras diagonais, visíveis ao longo da espessa estrutura central, ou barra, são um artefacto provocado pelo processo de digitalização do Gaia. Estas irão diminuir gradualmente à medida que mais dados forem reunidos ao longo da vida da missão.

À direita, uma imagem diferente fornece uma visão complementar que revela outros aspetos desta galáxia e das suas estrelas. Criado ao mapear a quantidade total de radiação, ou fluxo, gravado em cada pixel pelo Gaia, esta imagem é dominada pelas estrelas mais brilhantes e massivas, que superam em muito as suas homólogas mais fracas e leves. Nesta visão, a barra da GNM é mais claramente delineada, ao lado de regiões individuais de formação estelar como o reluzente 30 Doradus, visível logo acima do centro da galáxia.

As imagens seguintes, também obtidas usando dados dos primeiros 14 meses de operações científicas do Gaia, revelam duas galáxias espirais próximas: Andrómeda (também conhecida como M31), que é ligeiramente mais massiva que a Via Láctea e, a aproximadamente 2,5 milhões de anos-luz de distância, é a maior galáxia na nossa vizinhança; e a sua vizinha, a Galáxia do Triângulo (também conhecida como M33), o lar de aproximadamente 50 mil milhões de estrelas e localizada a mais ou menos 2,8 milhões de anos-luz de distância.

Imagens da Galáxia de Andrómeda pelo Gaia. Clique aqui para saber mais detalhes.
Crédito: ESA/Gaia/DPAC
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Como no caso da GNM, a imagem à esquerda é baseada na densidade total de estrelas, e mostra onde as estrelas de todos os tipos estão localizadas, enquanto a imagem à direita é baseada no fluxo e representa principalmente a população estelar mais brilhante de cada galáxia, rastreando as regiões de formação estelar mais intensa.

Imagens da Galáxia do Triângulo pelo Gaia. Clique aqui para saber mais detalhes.
Crédito: ESA/Gaia/DPAC
(clique na imagem para ver versão maior)
 

O primeiro conjunto de dados do Gaia, divulgado em 2016 e baseado nos 14 meses de operações científicas, contém a posição e brilho de mais de mil milhões de estrelas. A maioria das estrelas estão localizadas na Via Láctea, mas uma boa fração é extragaláctica, com cerca de 10 milhões pertencentes à GNM.

Para todas essas estrelas e mais, o segundo catálogo de dados do Gaia - planeado para abril de 2018 - também vai conter medições da sua paralaxe, que quantifica a distância da estrela e o seu movimento pelo céu. Os astrónomos aguardam ansiosamente este conjunto de dados sem precedentes para se debruçarem sobre os mistérios passados e presentes da nossa Galáxia e das suas vizinhas.

Ao analisar os movimentos de estrelas individuais em galáxias como a GNM, Andrómeda ou do Triângulo, será possível aprender mais sobre a rotação global de estrelas dentro dessas galáxias, bem como a órbita das próprias galáxias no enxame de que fazem parte, conhecido como Grupo Local.

No caso da GNM, uma equipa de astrónomos já tentou fazê-lo usando um subconjunto de dados do primeiro catálogo do Gaia, o TGAS (Tycho–Gaia Astrometric Solution), para o qual as paralaxes e movimentos próprios também foram fornecidos através da combinação dos novos dados com aqueles da primeira missão astrométrica da ESA, o satélite Hipparcos. No TGAS, que tem dados sobre dois milhões de estrelas, identificaram 29 estrelas na GNM com boas medições de movimentos próprios e usaram-nas para estimar a rotação da galáxia, fornecendo uma pequena amostra dos estudos que serão possíveis com os futuros catálogos de dados do Gaia.

As observações da GNM e da sua vizinha, a Pequena Nuvem de Magalhães (PNM), com o Gaia, são também extremamente importantes para o estudo de estrelas variáveis como Cefeidas e RR Lyrae. Estas estrelas podem ser usadas como indicadores de distâncias cósmicas em galáxias para lá da nossa, desde que sejam calibradas num laboratório "local", como a GNM e a PNM, onde é possível obter uma estimativa mais direta da sua distância usando a paralaxe determinada pela missão Gaia.

Os astrónomos do DPAC (Data Processing and Analysis Consortium) do Gaia testaram este método em centenas de estrelas variáveis na GNM presentes na amostra TGAS como parte da validação dos dados do primeiro catálogo. Os seus resultados, promissores mesmo que preliminares, são um exemplo excitante da rica colheita científica que será possível com os futuros lançamentos de dados que estão sendo reunidos pelo satélite Gaia.

Links:

Cobertura da missão Gaia pelo Núcleo de Astronomia do CCVAlg:
21/11/2017 - Como é que encontramos um enxame de estrelas? Simples, basta contá-las
01/09/2017 - Encontros próximos do tipo estelar
27/06/2017 - Cérebro artificial ajuda Gaia a encontrar estrelas velozes
17/02/2017 - Estrelas desaparecidas da vizinhança solar revelam velocidade do Sol e distância do Centro da Via Láctea
10/02/2017 - Nuvens de Magalhães estão ligadas por uma "ponte" de estrelas
16/09/2016 - O mapa de mil milhões de estrelas do Gaia sugere um tesouro vindouro
28/08/2015 - O primeiro ano de observações científicas do Gaia
07/07/2015 - Contando estrelas com o Gaia
21/01/2014 - Dados do Gaia-ESO mostram que Via Láctea pode ter sido formada de dentro para fora
20/12/2013 - Lançamento do Observatório Gaia

Notícias relacionadas:
ESA (comunicado de imprensa)
Gaia Data Release 1 - The archive visualisation service (Astronomy & Astrophysics)
First Gaia Local Group dynamics: Magellanic Clouds proper motion an rotation (The Astrophysical Journal Letters)
Gaia Data Release 1 - Testing parallaxes with local Cepheids and RR Lyrae stars (Astronomy & Astrophysics)

Via Láctea:
Núcleo de Astronomia do CCVAlg
Wikipedia

Nuvens de Magalhães:
Pequena Nuvem de Magalhães (Wikipedia)
Grande Nuvem de Magalhães (Wikipedia)

Galáxia de Andrómeda (M31):
SEDS
Wikipedia

Galáxia do Triângulo (M33):
SEDS
Wikipedia

Gaia:
ESA
ESA - 2
Arquivo de dados do Gaia
SPACEFLIGHT101
Wikipedia

Satélite Hipparcos:
ESA
Wikipedia

 
UM MELHOR MÉTODO PARA "PESAR" MILHÕES DE ESTRELAS SOLITÁRIAS
Astrónomos da Universidade de Vanderbilt descobriram uma maneira de melhor estimar as massas de estrelas solitárias e, consequentemente, dos seus planetas.
Crédito: Michael Smelzer, Universidade de Vanderbilt
(clique na imagem para ver versão maior)
 

Os astrónomos desenvolveram um método novo e melhorado para medir as massas de milhões de estrelas solitárias, especialmente aquelas com sistemas planetários.

A obtenção de medições precisas da massa das estrelas não só desempenha um papel crucial na compreensão de como as estrelas nascem, evoluem e morrem, mas também é essencial na avaliação da verdadeira natureza dos milhares de exoplanetas que agora sabemos orbitarem outras estrelas.

O método parece feito sob medida para a missão Gaia da ESA, que está no processo de mapear a Via Láctea em três dimensões, e para o TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA, com lançamento previsto para o próximo ano e que irá estudar as 200.000 estrelas mais brilhantes do céu à procura de terras alienígenas.

"Nós desenvolvemos um método inovador para 'pesar' estrelas solitárias," afirma Keivan Stassun, professor de Física e Astronomia da Universidade de Vanderbilt. "Primeiro, usámos a luz total da estrela e a sua paralaxe para inferir o seu diâmetro. De seguida, analisámos a forma como a luz da estrela cintila, o que nos fornece uma medição da sua gravidade superficial. Combinámos as duas medições para obter a massa total da estrela."

Stassun e os colegas Enrico Corsaro do INAF-Osservatorio Astrofisico di Catania, Itália, Joshua Pepper da Universidade Leigh e Scott Gaudi da Universidade Estatal do Ohio, descrevem o método e demonstram a sua precisão usando 675 estrelas de massa conhecida num artigo aceite para publicação na revista The Astronomical Journal.

Tradicionalmente, o método mais preciso para determinar a massa de estrelas distantes é medir as órbitas dos sistemas duplos, chamados binários. As leis do movimento de Newton permitem aos astrónomos calcular as massas das duas estrelas medindo as suas órbitas com uma precisão considerável. No entanto, menos de metade dos sistemas estelares na Galáxia são binários, e os binários compõem apenas cerca de um-quinto das estrelas anãs vermelhas que se tornaram locais de caça privilegiada para exoplanetas, de modo que os astrónomos apresentaram uma variedade de outros métodos para estimar as massas de estrelas solitárias. O método fotométrico que classifica estrelas por cor e brilho é o mais geral, mas não é muito preciso. A asterosismologia (ou sismologia estelar), que mede as flutuações da luz provocadas por pulsos de som que viajam através do interior de uma estrela, é altamente precisa, mas só funciona para alguns milhares das estrelas mais próximas e brilhantes.

"O nosso método pode medir a massa de um grande número de estrelas com uma precisão de 10 a 25%. Na maioria dos casos, é muito mais preciso do que é possível com outros métodos disponíveis e, principalmente, pode ser aplicado a estrelas solitárias, por isso não estamos limitados a binários," explica Stassun.

A técnica é uma extensão de uma abordagem que Stassun desenvolveu há quatro anos com a estudante Fabienne Bastien, agora professora assistente na Universidade Estatal da Pensilvânia. Usando um software especial de visualização desenvolvido por uma equipa neuro-diversificada de astrónomos de Vanderbilt, Bastien descobriu um padrão subtil de cintilação na luz estelar que contém informações valiosas sobre a gravidade de superfície de uma estrela.

O ano passado, Stassun e colaboradores desenvolveram um método empírico para determinar o diâmetro de estrelas usando dados de catálogos estelares publicados. Envolve a combinação da informação da luminosidade e temperatura de uma estrela com dados de paralaxe da missão Gaia (o efeito paralaxe é o deslocamento aparente de um objeto provocado por uma mudança no ponto de vista do observador).

"Ao reunir essas duas técnicas, mostrámos que podemos estimar a massa de estrelas catalogadas pela missão Kepler da NASA com uma precisão que ronda os 25% e podemos estimar que proporcionará uma precisão de cerca de 10% para os tipos de estrelas que a missão TESS vai ter como alvo," acrescenta Stassun.

Estabelecer a massa de uma estrela que possui um sistema planetário é um fator crítico na determinação da massa e do tamanho dos planetas que a orbitam. Um erro de 100% na estimativa da massa de uma estrela, típico quando se usa o método fotométrico, pode resultar num erro de até 67% no cálculo da massa dos seus planetas. Isto é aproximadamente equivalente à diferença entre um Mercúrio e uma Terra. Portanto, é extremamente importante avaliar corretamente a natureza de todos os mundos alienígenas que os astrónomos começaram a detetar nos últimos anos.

Links:

Notícias relacionadas:
Universidade de Vanderbilt (comunicado de imprensa)
Artigo científico (arXiv.org)
The Astronomical Journal
ScienceDaily
PHYSORG

Paralaxe:
Wikipedia
Paralaxe estelar (Wikipedia)

Gaia:
ESA
ESA - 2
Arquivo de dados do Gaia
SPACEFLIGHT101
Wikipedia

TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite):
NASA/Goddard
Wikipedia

 
TAMBÉM EM DESTAQUE
  Uma nova abordagem para detetar planetas no sistema Alfa Centauro (via Universidade de Yale)
Astrónomos obtiveram um novo olhar sobre o sistema vizinho Alfa Centauro e encontraram novos métodos para reduzir a busca por planetas habitáveis. A sua conclusão é que podem ainda existir planetas pequenos, parecidos com a Terra, à espera de serem descobertos. Ler fonte
 
ÁLBUM DE FOTOGRAFIAS - A Lente Gravitacional da Cruz de Einstein
(clique na imagem para ver versão maior)
Crédito: J. Rhoads (Universidade Estatal do Arizona) et al., WIYNAURANOAONSF
 
A maioria das galáxias tem um único núcleo - esta galáxia tem quatro? A estranha resposta levou os astrónomos a concluir que o núcleo da galáxia circundante nem é visível nesta imagem. O trevo central é, ao invés, luz emitida por um quasar de fundo. O campo gravitacional da galáxia visível no plano da frente quebra a luz deste quasar distante em quatro imagens distintas. O quasar deve estar alinhado corretamente por trás do centro de uma galáxia massiva, para que uma miragem como esta seja evidente. O efeito geral é conhecido como lente gravitacional e este caso específico é conhecido como a Cruz de Einstein. Ainda mais estranho, as imagens da Cruz de Einstein variam em brilho relativo, melhoradas ocasionalmente pelo efeito adicional de microlente gravitacional de estrelas específicas na galáxia em primeiro plano.
 

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